22 novembro 2006

À descoberta de Vale Frechoso

No dia 19 parti à descoberta de Vale Frechoso. É uma aldeia onde nunca estive, até porque não fica junto a nenhuma estrada principal.
O tempo estava estranho e cinzento mas começo a achar alguma graça à fotografia com pouca luz e também não é nada desagradável para pedalar (apesar de não evitar que a camisola chegue a casa encharcada de suor).
Deixei Vila Flor em direcção ao Barracão e segui pela N214 em direcção à Trindade. A estrada é larga, arejada, com uma paisagem lindíssima que alcança Frechas, Mirandela e se prolonga por um bom pedaço do Nordeste.
Á frente, vai tomando forma a Serra de Bornes. Deixei a N214 e pouco mais de 1 km depois cheguei a Vale Frechoso. Começaram a cair algumas gotas de água e eu nem sequer sabia por onde começar!
Comecei mesmo ali, à entrada da aldeia. Há um nicho com um santo que não consegui identificar e a poucos metros a capela de Nossa Senhora de Lurdes com um jardim muito cuidado.
Mais a baixo a Casa do Povo e do lado direito um largo com tanques para lavar a roupa, um coreto, jardim e a Fonte Nova onde se pode ler a data de 1816! Nas escadas que dão acesso à fonte há uma pedra com o ano 1931 gravado.
Segui em direcção à igreja. A porta estava fechada. Não procurei a ninguém pela chave porque as pessoas ficam desconfiadas quando alguém desconhecido entra nelas. Têm as suas razões.
Interessantes são as estátuas de três santos, em granito, que se encontram na fachada principal. Representam Santa Bárbara, S. Paulo, e ao centro, S. Lourenço. Este último é o padroeiro, que recebe a festa principal da aldeia.
Da igreja avista-se a escola de 1.ºciclo, grande, com duas salas e um bom recinto vedado. Pelo formato do edifício parece-me que é dos que tinham uma residência para o professor, ao centro, entre as duas salas. Esta escola ainda recebe alunos.
Segui por uma rua ao acaso. Procurei percorrer todas as ruas. Sem dar por mim estava a descer em direcção ao cemitério. Continuei e fui ter ao campo de futebol onde um grupo de crianças e jovens desgastava as suas energias.
A paisagem que se avista dali é magnífica, mesmo com um dia cinzento.
Havia que pensar no regresso. A minha ideia era descer até Roios e depois seguir para Vila Flor, mas para isso tinha que voltar para trás. Não me agradou a ideia. A alternativa era arriscada. Não sou eu um amante da aventura?
Continuei pela N603 em direcção a Santa Comba da Vilariça. Aproveitei para conhecer mais algumas zonas da aldeia.
A estrada que segui é muito estreita mas aconselho a uma passeio por ela. Quero voltar lá na Primavera. Podem ver-se vistas explendidas do Vale da Vilariça e da Serra de Bornes. Fora de série!
Cheguei a Santa Comba. Estava preocupado e não demorei a começar a pedalar pela N102 (E802). Quando cheguei a Assares sobi à aldeia pensando que havia uma saida para Roios. Foi um esforço desnecessário, tive que voltar a descer e continuar até Sampaio. Começou a chover e procurei refúgio num café da beira da estrada. Quando arranquei de novo, havia um bonito arco-íris sobre a Serra de Bornes. Ainda passei Lodões. Não arrisquei mais caminhos desconhecidos, porque começou a anoitecer e eu sabia que ainda estava longe de casa.
Cheguei a Sampaio e anoiteceu. Felizmente que conhecia o caminho, caso contrário, tinha-me metido em apuros. A subida até Vila Flor foi demorada e dolorosa. Cheguei a horas de ceia, com as pernas "desfeitas" e com um grande apetite.

Quilómetros do percurso: 39
Total de quilómetros: 80
Total de fotografias: 2550






4 comentários:

Esmeralda disse...

Santa paciência, para a última foto aqui vai:
Sob o olhar da Terra num Céu de Mar se vislumbra irrompendo na crista da onda aquele que as crianças tanto gostam: o golfinho!
- Alguém mais vê um golfinho?
Parabéns!!! Bela Imagem!!!
Esmeralda

Atento disse...

Olá.
A esmeralda tem poesia no olhar, mas a foto retrata de fecto um momento sublume de céu que mais parece mar, e o "golfinho" branco parace sulcar as núvens.
Belos momentos para quem os vê ao vivo.
Tras Os Montes tem destas maravilhas e o AG tem a paciência de as observar e de as partilhar.
É bom estar por aqui.
Li Malheiro

MR.Q disse...

estou ver q ja passou pela minha terrinha, VALE FRECHOSO, é pequenina mas tem muita beleza.... espero q tenha disfrutado da magnifica vista sobre o vale da vilariça e sobre o conselho de mirandela... um abraço e ate breve...

jamaicaman disse...

O Santo que nao conseguiu identificar é S. Lourenço padroeiro, mártir, de Vale Frechoso.
Nao posso deixar de reparar que ainda existem pessoas que nao conhecem esta bela aldeia mas que conhecem a trindade por exemplo, nao desfazendo.
Permita-me ainda discordar pois Vale Frechoso fica ao lado de um estrada principal, estrada esta que liga Vila FLor a Macedo de Cavaleiros.
Cumprimentos