09 janeiro 2007

Vilas Boas

Hoje o passeio não começou nada bem. Quando me dirigia para a oficina para colocar uns pedais novos que o “Menino Jesus” me trouxe, mesmo em frente ao Hospital, rebentou-me a câmara-de-ar e o pneu traseiros! Será que foi o efeito do bacalhau, polvo e rabanadas que comi no Natal? Esperei que a oficina abrisse e comprei um novo pneu e câmara-de-ar. Com os novos pedais e as luzes a pilhas (branca para a frente e vermelha para trás) sentia-me como numa bicicleta nova. Também andei a lêr algumas coisas na Internet sobre manutenção de bicicletas que tentei pôr em prática.
O destino era Vilas Boas. Porquê? É um dos destinos preferidos na votação do Blogue; é perto e com bom caminho; o tempo estava muito instável com ameaças de chuva; tinha curiosidade com as obras no Santuário da Nossa Senhora da Assunção.
Vilas Boas foi sede de concelho, criada por D. Afonso IV e teve foral em 1512. Em 1836 o seu concelho foi extinto passando a freguesia a integrar o concelho de Vila Flor. Um bom lugar para um passeio.
Pedalei até chegar ao Cabeço, tinha pressa, estava atrasado e podia chover. As nuvens tapavam a capela e cortei por um caminho à esquerda, antes mesmo de chegar ao Santuário. Nunca tinha passado por alí. Os alpendres para lançamento de foguetes são um bom miradouro sobre Vilas Boas!
Mais à frente encontrei o cruzeiro que marca o lugar onde se diz que apareceu Nossa Senhora. Os vestígios da adoração no Agosto passado ainda são visíveis. É um local importante para os habitantes de Vilas Boas, mas pouco conhecido dos visitantes do santuário. Deixei a bicicleta e subi a pé pelas escadas. De um lado e do outro estão os 12 apóstolos. Quase todos estavam a olhar para o alto. Estão à espera de chuva? Devem pedir a Deus perdão pelos pecados dos homens.
A área depois da Rotunda dos Apóstolos está vedada para obras. Já foi retirada grande quantidade de terra e rochas (e cortadas bastantes árvores). O escadório vai continuar a subir, algumas dezenas de metros, que eram actualmente um caminho, bastante ascendente, em terra batida. Haverá dois muros altos à frente, um de cada lado, um anfiteatro coberto e arranjos nas áreas envolventes. Desta vez é de vez. Esperamos que as obras sejam breves.
Subi à capela. Estava fechada. Não se conseguia ver nada à volta. As nuvens estavam baixas e a solução foi descer de novo. Apanhei a bicicleta e continuei por um caminho bastante degradado pela chuva. Depois de passar por uma alameda de eucaliptos, encontrei a Fonte Santa. Segundo me garantiram, a água daquela fonte fazia milagres.
Continuei até entrar na aldeia que desci até à escola primária. Perto encontra-se o Jardim Infantil e a Junta de Freguesia. Continuei pela mesma rua. Ouvi contar que existia uma capela a S. Cristóvão num dos montes adjacentes à aldeia e quis ir ver a imagem que colocaram recentemente, à saída de Vilas Boas, na estrada N1146 que liga a Meireles. Pelo caminho ainda encontrei uma fonte antiga que passa quase desapercebida.
Voltei para trás e segui em direcção à igreja. Aqui e ali, pedaços de história, ainda estão bem visíveis e vivas nas lembranças das pessoas. O tribunal, a cadeia, brasões, um lagar antigo, o pelourinho, a fonte e a capela de S. Sebastião, o Cruzeiro, a Capela de Nossa Senhora do Rosário, perdi-me por ruas e ruelas, algumas bastante estreitas. Sem querer, encontrei um lagar de azeite, moderno, em plena laboração. O sr. António foi muito simpático. Posou para as fotografias e ainda me indicou os ângulos mais favoráveis para fotografar as máquinas. Cinco quilos de azeitona para um litro de azeite?! Nada mal! Agora sim, a azeitona dá azeite que se farta.
Procurei uma forma de subir a um ponto alto da aldeia, encontrei-o junto à Capela de S. António. Subi aos rochedos, duros, de granito, que já tentaram arrancar. Tinha novos ângulos da aldeia, alguns bem fotogénicos. A luz já escasseava e estava na hora de partir.
Pelo caminho até ao cruzamento do santuário, ainda me fui voltando para trás, a admirar Vilas Boas a adormecer, mas a noite chegava. Liguei as luzes de sinalização e pedalei o mais que pude até casa.
Quilómetros percorridos de bicicleta: 18
Total de quilómetros de bicicleta: 245
Total de fotografias: 4650
Nota: Nem todos as fotografias foram tiradas no dia 08 de Janeiro, também estive em Vilas Boas nos dias 13 e 22 de Novembro de 2006.

4 comentários:

RuiCMartins disse...

Parabéns!
Este blog está excelente!
Além dos textos cativantes e ilustrativos dos percursos percorridos, as fotos são fantásticas!
Parabéns pelo extraordinário trabalho!

Li Malheiro disse...

Olá
Aquela casa amarela, que tanto valoriza a pedra que por sua vez realça a porta que mesmo fechada parece aguardar o olhar de quem passa ou vai à fonte. Isto é mesmo de Vilas Boas?
Plásticamente falando é muito interessante este conjunto e humidade da fonte realça e refresca um passado que se sente.
Um abraço.
Li Malheiro

Anónimo disse...

Eu tinha a certeza que o resultado final sobre Freixiel iria ser excelente.É uma aldeia fabulosa, cheia de tudo.As fotos estão muito boas e claro enriquecidas com os teus excelentes comentários( e andamos por aí alguns armados de jornalistas!?)Neste blog,consegues levar contigo,qualquer um até junto desses cenários idílicos.Continua por favor.R.Guerra

Anónimo disse...

parabéns,

sou de roios, mas vivo em frança, graças a você posso apresentar a minha aldeia aos meus amigos franceses. as fotografias sao excelentes.

muito obrigada
lidia