19 maio 2007

Segundo passeio ao Vieiro

No dia 16 de Maio fui de bicicleta até ao Vieiro. Desde Janeiro que não visitava esta localidade e não deixa de ser surpreendente a quantidade de pessoas que votam no Vieiro como próximo destino fotográfico, ultrapassando em votos grandes freguesias, como Vilas Boas!
Saí bastante tarde, mas queria mesmo assim experimentar um percurso alternativo. Dirigi-me a Vilas Boas. Questionei um senhor sobre o caminho que devia seguir para chegar ao Vieiro. Tentou de todas as formas convencer-me de que o melhor percurso seria voltar perto do Barracão e seguir pela estrada. Pelo caminho teria que ir a maior parte do tempo com a bicicleta à mão. Ou o senhor não conhecia o caminho, ou não sabia do potencial da bicicleta, ou não fazia grande segurança no ciclista. Convenci-o de que queria mesmo ir pelo caminho, desci Vilas Boas e apanharei um caminho à esquerda. Segui completamente pelo instinto, o espaço é aberto e o horizonte largo. Encontram-se alguns afloramentos de granito, com rochas de formas arredondadas. A vista mais bonita estende-se em direcção ao Rio Tua. Consegui mesmo distinguir alguns montes onde andei no meu recente passeio à Ribeirinha.
Felizmente o caminho é muito bom e sempre a descer, cheguei ao Vieiro rapidamente. A aldeia é pequena, tinha percorrido quase tudo na minha primeira visita. Entrei pela parte alta mas desci a Rua da Portela até ao centro da aldeia. Senti curiosidade em ver o ribeiro. Ainda corre, e, desta vez, a água está muito mais apresentável. Nos Nabais as hortas estão viçosas, as batatas com muita folhagem e as cebolas acabadas de plantar.
Voltei ao centro, procurei a Capela de S. Tomé, como habitualmente estava fechada. Continuei pela Rua de Baixo até à saída da aldeia. Não tinha tempo para ir mais longe, dirigi-me à antiga escola de 1.ºCiclo do Ensino Básico. O recinto ainda está cheio de roseiras, dobradas pelo peso das rosas. Daqui se tem uma diferente perspectiva da aldeia. Curioso é o facto de em poucas dezenas de metros existirem três cafés, numa aldeia tão pequena!
Dirigi-me à entrada da aldeia mas voltei atrás. Logo à entrada da Rua do Olival, cortei à esquerda, atravessei o ribeiro e subi por um caminho que dá acesso a duas habitações, na encosta a Poente. Procurei uma boa posição para uma panorâmica.
Voltei à estrada e comecei a subida, calmamente, recordando o sr. Pedro. Quase no mesmo local, lá estava, orientando a vinha, cortando alguns bravos. Parei e troquei algumas palavras com ele. Falou com saudade da sua esposa falecida, Escovar, talvez com raízes em Zedes, e com orgulho no seu filho, distante, em Macau. Falou com a mesma calma com que amanha a vinha. Despedi-me. O Sol estava tão baixo que não me deixava ver o Vieiro, um pouco mais abaixo.
Pedalei com força, queria ainda visitar a Capela de S. Domingos, ou o que resta dela. Esta capela, em granito, com elementos barrocos, como estava sempre aberta e tinha um alpendre coberto era muito utilizada pelos viajantes e almocreves que se deslocavam pela estrada real que ligava Moncorvo ao Porto. Foi reconstruída entre 1744 e 1766 mas está completamente em ruínas.
Quando cheguei à capela já o Sol se tinha escondido. Fiz os ajustes técnicos necessários para conseguir algumas recordações fotográficas e fotografei-a de todos os ângulos, embora com muitas limitações.
Quando voltei à estrada, começava a anoitecer. A minha preocupação era chegar a casa sem um furo (já me tinha acontecido uma vez, ali pela Palhona). Felizmente tudo correu bem, cheguei a casa pouco depois das 21 horas.

Quilómetros percorridos neste percurso: 27
Total de quilómetros de bicicleta: 1120
Total de fotografias: 23 696

2 comentários:

Li Malheiro disse...

Olá.
Bonita macro da Dedaleira, (que em Parambos se chama "Trocle" pois as fechadas fazem esse estalido quando com ela batemos na cabeçoa de alguém), com aglomerado habitacional em fundo, com a plasticidade de uma águarela e a energia de uma pincelada serena e eterea.
Bom momento este que é um brinde ao bom gosto e paciência do olhar atento do caçador com máquina fotogáfica em riste.
Um abraço.
Li Malheiro

Vila Flor - Aldeia do Vieiro disse...

caríssimo o seu site é um espetaculo, um exemplo a seguir as suas fotografias são obras de arte, gostariamos aqui de trocar ideias e que tambem ajude a contribuir para o nosso http:\\vilaflor-vieiro.blogspot.com
um abraço.