08 outubro 2007

De volta ao Facho


Faz hoje exactamente um ano que subi pela primeira vez ao ponto mais alto da Serra do Facho. Nessa altura, na companhia dos meus dois filhos, não tinha ainda uma ideia bem definida de até onde me levaria esta onda de descoberta. Fiquei curioso com a quantidade de pedras soltas existentes, que me pareceram restos de alguma estrutura bastante antiga. Voltei ao mesmo local mais algumas vezes, a última no dia 30 de Setembro. De novo o dia estava cinzento, ameaçando chover, mas quando cheguei ao topo, asseguro que não tinha frio. Explorei o lugar com mais cuidado, fazendo um círculo completo, acompanhando troços de rochas caídas que indicam inequivocamente a existência de paredes mais ou menos estruturadas. Desta vez tinha na memória a descrição do local feita pelo Instituto Português de Arqueologia que passo a transcrever:
"Designação: Facho
Tipo de Sítio: Atalaia
Período: Idade Média
Atalaia fortificada, localizada no ponto mais elevado da grande crista quartzítica que domina Vila Flor. É um ponto dominante na paisagem, tendo controlo visual a toda a volta, sobre as passagens para o vale da Vilariça, o vale do Tua e a depressão de Mirandela, o planalto de Carrazeda e a serra de Bornes. Deverá por isso tratar-se da mais importante das várias atalaias conhecidas na área do concelho de Vila Flor. Localiza-se no topo de um cabeço arredondado e rochoso. O topo do cabeço é rodeado por um anel de derrube, correspondendo a uma presumível linha de muralha, provavelmente pouco espessa, e que aproveita os afloramentos existentes, nomeadamente do lado Sul. Forma um recinto aproximadamente circular, com uns 30/40 metros de diâmetro. A entrada poderá ficar do lado Sudeste, onde o anel de muralha está desencontrado, e se une por uma linha perpendicular de muralha, com cerca de 10 metros de comprimento, que fecha um espaço entre afloramentos. Do lado de dentro de um destes afloramentos encontra-se o derrube de uma estrutura. No topo e no centro do cabeço, ao lado do marco geodésico, encontra-se um outro derrube, de uma estrutura de forma indecifrável, que poderá ser a torre de atalaia. Não se encontraram materiais de superfície, mas tudo indica que se deverá tratar de uma atalaia fortificada da Idade Média."

É pena que o caminho que conduz ao Facho não tenha continuidade. Tive que voltar atrás e continuei por Trás-da-Serra, numa descoberta que descreverei noutro dia.

3 comentários:

Li Malheiro disse...

Olá.
As histórias que as pedras contam são uma lição, da passagem e de continuidade da evolução.
Uma "Atalaia" em Vila Flor! é para mim uma novidade que descobri aqui, é um sinal da importância estratégica desse lugar e que um caçador de imagens redescobre assim com naturalidade.
Muito Bonito.
Um abraço com amizade.
Li Malheiro

Anónimo disse...

Obrigado Li
Tens que aparecer por aqui mais vezes, para te mostrar alguns destes locais. O ar aí da city não é nada que se pareça com o nosso.
Vem até ao interior, carago.
Um abraço.

Xo_oX

Anónimo disse...

Olá Aníbal!
Acompanhei a tua descrição do passeio ao Facho,que já fiz muitas vezes,nas minhas aventuras de caça e outras pelo campo.Na verdade nunca com os teus olhos,porque embora curioso pelos restos de pedras mais ou menos organizadas,fiquei-me sempre e tão só pela curiosidade.Hoje fiquei a saber mais da minha terra,obrigado.
Quanto ao caminho inexistente a seguir ao facho,faz efectivamente falta,para quem queira continuar a explorar as elevações que se estendem a Norte do Facho.Mas para um BTT,persistente como tu,há um carreiro "de cabras" meio escondido ao longo da encosta Nascente dessa elevação,que vai dar a uma zona de pinhal(aí com bons caminhos).Só não sei o estado em que se encontra.De qualquer modo se necessário conta comigo.
Um abraço Rui Guerra-9/10/07