12 janeiro 2008

Ano novo...a mesma descoberta!


No dia 5 de Janeiro retomei os meus passeios de bicicleta com uma pequena volta, só para “limpar” os poros e começar a consumir os excessos gastronómicos da quadra natalícia. O estado do tempo não era nada convidativo, ameaçava chover. Só por hábito levei a máquina fotográfica. O objectivo é só pedalar um pouco, sem nenhum ponto de especial interesse.
Saí em direcção ao Barracão e continuei pela N214. É impossível passar por esta estrada sem admirar a paisagem que se estende por Meireles, Cachão e até onde a vista é capaz de olhar. No vale havia nevoeiro, no alto do cabeço também! Assistia-se a um bailado entre o nevoeiro do vale e o nevoeiro da serra. Rios brancos subiam pelos vales escavados tentando alcançar as alturas. O nevoeiro do cimo dos montes, empurrado pelo vento frio, tentava descer aos vales abandonando a companhia de algumas nuvens frias que o olhavam de mais acima, com desdém.

De vez em quando, um raio de sol rasgava o emaranhado vapor de água, mostrando o seu poder, a sua superioridade, pintando de alguma cor uma nesga da paisagem pintada de Inverno. Para completar o cenário dos elementos, caíam algumas gotas de chuva fria, incentivando a pedalar mais forte.
A ideia era descer até Roios e voltar a casa, mas, quando me encontrava na Quinta do Galego, perto do Marco Geodésico do Maragato onde já estive várias vezes, a tentação foi maior e segui por caminhos completamente desconhecidos em direcção a Vale Frechoso. Há naquela zona muitos trilhos possíveis e cheguei facilmente à aldeia, entrando pela Rua do Muro. Com o frio que fazia, não se via ninguém pela rua. A Capela de Nossa Senhora de Lurdes domina do alto de uma pequena elevação. A própria construção, pequena mas alta dá-lhe um ar bastante solene. Estive ali em Junho, havia um bonito jardim a completar os patamares de escadas com uma calçada com desenhos feitos com seixos pretos e brancos.
Um dos pontos de interesse de Vale Frechoso, está no Largo da Fonte. Aqui podemos encontrar a Fonte Velha, arcada e medieval. Segui em direcção à Casa Paroquial que é do século XVIII. Curiosamente aquando da minha primeira visita a Vale Frechoso em Novembro de 2006 fotografei aqui um bonito relógio de sol que neste passeio não consegui localizar.
Pretendia conhecer o interior da igreja mas estava encerrada. Ali perto, no Largo da Escola, tentavam escavacar o que restava da Fogueira do Natal. Um enorme tronco de castanheiro desgastado pelo fogo, resistia com galhardia de castanho aos guilhos que uma pesada marra lhe cravava. Com ajuda de uma moto-serra o tronco foi desfeito para alimentar a fogueira que seria acesa no Dia de Reis.
O dia estava cada vez mais cinzento, tinha que voltar o mais rapidamente possível. Pretendia regressar por um trajecto diferente, que não conhecia, mas que me levasse directamente a Roios. Atravessei a aldeia e segui até ao final da Rua da Fonte. A partir deste ponto, segui completamente por instinto. Por momentos acompanhei o percurso de um ribeiro que saí da aldeia. A água era pouca, só de onde em onde se viam pequenas poças. Estes lugares devem ser belos, na Primavera.
Mais uma vez não tive dificuldades em encontrar um caminho que seguia em direcção a Roios. Passei, desta vez, a sul do marco geodésico, numa zona cheia de giestas e carqueijas. A luminosidade começava a diminuir quando avistei Roios do Monte Pelado. Quando cheguei à aldeia, era quase noite cerrada. Junto da igreja estava um bonito presépio, mas o próprio adro estava fechado, pelo que tive que me contentar com fotografias através das grades.
Já em plena noite, pedalei até casa, na agora bem arranjada estrada Roios-Vila Flor.
O que à partida era um pequeno passeio, alongou-se. Quando se parte À Descoberta, é assim mesmo, não podemos prever onde os nossos passos (ou pedaladas) nos podem levar.

Quilómetros do percurso em BTT: 23
Total de quilómetros em bicicleta: 1688

1 comentário:

Li Malheiro disse...

Olá.
BOM ANO para todos os amigos deste cantinho.
Belo passeio e óptima prosa, como sempre. Revelas a sensibilidade nas mais ínfimas sensações descritas, profundamente leves e duradoiras, que dão outra cor aos tão belos tons que captas.
Magnifico. Um abraço com amizade.
Li Malheiro