14 abril 2008

É madrugada



É madrugada
madrugada sem véspera
e sem manhã

Já canta a passarada
acordam das entranhas da terra
melodias da gravidade pelo vazio
acordam e chilreiam - felizes

Deles tenho o canto
meu
o desencanto
(e) a sua companhia
(e) a memória viva de um morno pranto
Tenho este hábito macabro
gozo do gozo que me silicia
Embala-me o cansaço a mágoa
esse canto sem magia
que aprendi nas costas do diabo
nas tuas costas
e me foge pela madrugada
a troco de um tudo pouco nada

Embala-me esse chilrear manso

Quero que saibais
assim como isto e muito mais
embebedarei o meu descanso

Poema de Manuel M. Escovar Triggo, natural do Vieiro, do livro "Acidentais", publicado em 1987 em Coimbra.
Fotografia(HDR) tirada no Cabeço do Pereiro, em Lodões, no dia 12/04/2008.

4 comentários:

Anónimo disse...

Olá
Que bem me soube ler...
Obrigada aos dois: pela concepção; e pela escolhas(poema e imagem)
Abraço
Esmeralda

aix disse...

Foto com céu em silêncio gritante
Poema tão perto a falar distante.
Parabéns!Mais.

Li Malheiro disse...

Olá.
Que belo momento...
quando puseres esta imagem à votação eu vou votar, 1051 de certeza. Simplesmente magnifica! mesmo nestes tempo verdes, de verdejantes, até estes azuis são uma lufada de criatividade serena que inebria.
Um abraço com amizade.
Li Malheiro

Alzira disse...

Fotos lindas, com temas actuais, que nos fazem sentir em casa.
Parabens.