28 dezembro 2010

Vila Flor à noite 2/2



Vila Flor à noite, no dia 24 de Dezembro de 2010, depois da "Missa-do-galo".

27 dezembro 2010

Cantos da Montanha ( VI -1 )


Não sei se só existe na minha lembrança
o monte de Faro, nula juventude renovada
com simulacros de árvore de cartolina verde.
De qualquer modo é na curvatura da distância
que está pousado em seus premonitórios fulgores
a acender os castiçais mortiços da manhã.

Que este breve instante
de evocação de magnas raízes
me traga as asas dos milhafres refractando o sol
de setembros flagrantes de mosto.
E de novo vá buscar pequenos pinheiros
de sagrar natais perdidos nos olhos
cegos de tanto se fecharem
no contemplar da sua inexistência.

Poema do mais recente livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto VI, 1).
Fotografia: montes entre Vilas Boas e Vilarinho das Azenhas.

26 dezembro 2010

Vila Flor à noite 1/2



Fotografias em Vila Flor no dia 24 de Dezembro de 2010.

Cogumelos - Moncoso (Suillus granulatus)

O tempo foi passando e não cheguei a terminar a série de postagens que estava a fazer sobre os principais cogumelos espontâneos, do concelho. Há mais dois de que tinha pensado falar, e hoje vou apresentar mais um: o moncoso. Embora a sua identificação no terreno seja relativamente simples, também pela película escorregadia que lhe conferem este tão pouco dignificante nome, é aquele em que tenho mais dificuldade em dizer com precisão o nome científico.É sem dúvida um boleto, pertence ao género suillus, mas na espécie não tenho a certeza de que se trata do Suillus granulatus.
Nalguns anos é muito frequente encontrando-se muitas vezes em grupos bastante numerosos, não sendo difícil encher uma cesta deles. O seu aspecto viscoso não é muito atractivo e as coisas pioram quando depois de se apanharem alguns a pele dos dedos que com ele contactaram fica negra. Contudo, depois de bem limpos e cozinhados, são dos meus preferidos.
O himenóforo (local onde se encontram os esporos)situado por baixo do guarda-chuva ou campânula e é constituído por tubos ao contrário das sanchas que têm lâminas. Quer a película que cobre o guarda-chuva quer esta camada de tubos por baixo devem ser retirados, ficando os cogumelos com um bonito aspecto de cor amarelo-pálida.

Características: o chapéu, inicialmente hemisférico e mais tarde convexo e baixo, tem 4 a 10 cm de diâmetro e uma cor castanha-amarelada, avermelhada ou ainda vermelha-acastanhada. A cutícula é pegajosa quando seca e fortemente gordurosa quando cl1ove, sendo a carne branca a amarelada. Os tubos ligeiramente decorrentes começam por ter um tom amarelo-vivo, passando mais tarde a acre ou amarelo-acastanhado; os poros angulares, muito pequenos quando jovens, são da mesma cor dos tubos. Os esporos fusiformes têm 7 a 10 x 3 a 4 µm de tamanho; o pó dos esporos é acastanhado a oliva. O pé cilíndrico tem 3 a 7 cm de comprimento e 1 a 1,5 cm de espessura, apresentando cor branca a amarelada, tomando-se muitas vezes acastanhada na idade adulta. Os pés dos exemplares mais jovens exsudam umas gotas leitosas que muitas vezes adquirem uma tonalidade escura com a queda do pó dos esporas conferindo, de-
pois de secas, a granulação castanha típica do pé.
Habitat: Esta espécie frequente nalguns locais nasce principalmente sob pinheiros bravos; os corpos frutíferos surgem entre Junho e Novembro.
Valor: Comestível e muito saboroso.
Fonte: adaptado do Guia dos Cogumelos (Dinalivro)

24 dezembro 2010

Feliz Natal

Desejo um Bom Natal a todos os visitantes do blogue À DESCOBERTA DE VILA FLOR.

22 dezembro 2010

Frio

Já há alguns dias que não dou "sinais de vida" no blogue, mas, felizmente, a minha actividade À Descoberta de Vila Flor, não terminou, nem sequer baixou. Simplesmente conjugaram-se um conjunto de factores que fizeram com que a minha actividade de Bloguer tenha diminuído.
Hoje, volto, e com palavras do mesmo autor que publiquei na última postagem. Dia 22 de Dezembro é também o aniversário do nascimento do vilaflorense José do Nascimento Fonseca (22-12-1940). Juntamente com os votos de um Bom Natal, lanço também o desafio para que seja feita uma compilação, e publicação em livro, das muitas contribuições que deixou espalhados por vários jornais da região. Seria uma grande homenagem.


Rangem portas desengonçadas nos portais da vida.
Um cão ladra. E foge com medo de ser homem.
Na esquina, ela vendia laranjas, duas a croa, é para quem quere, leve que são boas.
A chuva cai. Chuva de molhar tolos.
- Que chova hoje tudo para ser claro o nevoeiro que amanhã virá.
- Quem és tu? Foge de mim, ser abandonado. Quiseste-me para prazer, odeio-te, vai-te embora, deixa a tua sombra.
Do relógio na sala rolam horas empurradas por tectos abertos. Uma manta esburacada cobre aquela criança que segura um pano de alça atravessada.
A terra está quente. Os lençóis frios.
A mulher que vendia laranjas já morreu.
Poque não havia quem as quisesse e duas a croa.
Ela partiu.
No testamento, uma lágrima de sal até ao canto da boca de pedra. Na sepultura, o epitáfio da sua vida no murmúrio da voz eterna nos remorsos dos culpados - duas a croa, é para quem quere, leve que são boas.
Publicado no jornal Enié a 3 de Setembro de 1975.

08 dezembro 2010

Conto - Aninhas

Hoje, dia de Nossa Senhora da Conceição, dia santo, foi uma boa oportunidade de sair à Descoberta de mais algum recanto do concelho. Mas, tal não aconteceu. Os dias têm estado cinzentos, frios e chuvosos. Juntamente com as luzes que piscam nas ruas e nas janelas das casas, vem a saudade do calor da lareira, recordações longínquas da matança do porco, das brincadeiras de criança, de histórias contadas (e nunca escritas) de mouras encantadas, amores que partiam para a guerra e ... príncipes e princesas.
Hoje também é um dia especial para uma assídua visitante do Blogue. Por isso decidi brindá-la com um conto. Não é um conto qualquer, mas sim um conto que, tenho a certeza, representará muito. Na impossibilidade de lhe poder oferecer flores, brindo-a também com alguma das pequenas maravilhas que captei, em momentos de primavera, tal como o conto, em volta do local onde vivo, algumas na borda dos passeios.
É um pouco de Primavera, antes que o Inverno chegue.
Em tempos remotos, numa casa modesta e afastada do grande rumor da aldeia próxima, vivia uma esbelta rapariga com sua mãe viúva.
Era bela. Fascinava. Dezoito anos. Tranças pendentes sobre os ombros, de um cabelo negro e ondulado. Face morena, mas mimosa. Olhos castanhos, bem feitos, sobrepostos por cerradas sobrancelhas. Sedutores contornos do corpo, magro e bastante alto.
Frequentes vezes foi assaltada pelo amor de um conde, além de outros amores ardentes que lhe caldeavam o coração. No entanto, o apetite matrimonial era fraco, sendo bem mais intenso o desejo de sua Mãe, empenhada, dia a dia, em dá-la ao conde, que amorosamente a procurava. Apesar de este se prender fortemente a ela, Aninhas continuava fria, em assunto de semelhante espécie. Mas «água mole em pedra dura, tanto dá até que a fura»...
O Conde via, passados meses poderem transformar-se em reais os seus sonhos dourados. Uma fresca manhã ao dealbar da aurora, aparece a bater à porta do casebre. Pedia esmola, feito mendigo. Todo roto. Grossa bengala na mão esquerda. Olhos fechados, a fingir-se cego. Tronco dobrado, a fazer-se velho. Cabeça coberta por enorme chapéu cinzento, todo esburacado, com um remendo branco pregado a linhas pretas numa das abas.
Bate e começa a pedir, cantando em voz suave. Aninhas acorda, estremunhada, e sente-se atraída por aquele canto. Escuta. Parece conhecer a voz. A Mãe, sabia de tudo, pois fora ela que combinara com o conde vir ali, daquela forma.
A chama crepitante do amor vai-se acendendo. E, tocada de repente por vagos pensamentos diz para a mãe:
- Levante-se, minha Mãe,
Desse leve dormir,
Se quer ouvir o cego,
A cantar e a pedir.
Replica a Mãe, em resposta:
- Se canta e pede,
Dá-lhe pão e vinho,
E o ttriste cego
Lá vai a caminho.
Diz o falso mendigo, em tom de pedinte:
- Não quero seu pão,
Nem quero seu vinho.
Só quero que a Aninhas
Me ensine o caminho.
O Sol, imenso disco refulgente, surge, pouco a pouco, por entre a vasta cordilheira de montes aguçados. A capoeira começa de pôr-se alvoroçada. A aurora vai desabrochando lentamente, prometendo um sossegado dia azul de Maio.
A Mãe volta a dialogar com a filha, apontando o que havia de fazer:
- Anda, anda, Aninhas,
Veste a saia branca,
Carrega a roca de linho.
Ensina o caminho
Ao triste ceguinho...
A filha levanta-se. Cumpre as ordens maternas. E, beijada a mãe, parte, acompanhando o pobre. Parecia uma tenra açucena encostada a um tronco velho e podre.
Os melros assobiavam, deliciosamente. A rola começava a gemer nos ninhos. O rouxinol entoava melodias encantadoras. A água cristalina ciciava , na verde relva que cobria os campos. Bandos de pombas entrecortavam o espaço. Andorinhas deslizavam, velozes, no céu. Tudo era manso e belo, naquela madrugada.
Calcorreados longos caminhos, os pés quase esfalfados, Aninhas acaba por dizer.
- Aacabou-se-me a roca,
Esfiou-se-me o linho.
Adiante, ó cego,
Lá vai o caminho.

- Anda, anda, Aninhas,
Mais um pouquinho.
Sou curto da vista,
Não vejo o caminho.

Vislumbra-se o lugar onde são esperados pela família do conde e fidalguia amiga. Pelo que vê, ao longe, julgando tratar-se dalguma festa, canta a donzela:
Valha-me Deus
Ea Virgem Maria.
Quanta gente passa
Para a romaria.

- Anda, anda, Aninhas,
Mete-te debaixo desta capinha.
Quanta gente vai
Para a romaria!
Ela, pensando um momento, julga ter de unir-se, irremediavelmente ao companheiro. Então principia de lamentar os tempos de outrora. Podia ter casado, feliz, com um conde e, agora, vê-se junto de um velho, pobre, sem coisa alguma:
- De duques e condes
Eu era pretendida.
Agora dum triste cego
Me vejo rendida.
Chegou o momento asado do conde se revelar. Abraça a jovem pesarosa e canta:
Eu nunca fui cego
Nem Deus tal permita.
Sou um destes condes
Que lucrar-te queria.
Perante os olhares perscrutadores de Aninhas, atira com os farrapos para longe. Abre os olhos e sorri para ela, que o reconhece.
Julgam-se felizes. A família recebe-os carinhosamente. A nobreza saúda-os. O cortejo principia a desfilar. Um cavalo novo, sela e freios dourados, transporta-os direcção à morada.
O conde louco de amor, sente-se feliz como nunca. Uma alegria imensa invade-lhe o espírito. Já possui a riqueza tão suspirada.
Aninhas, coração mais sensível vendo-se deste modo presa para sempre àquele que lhe conquistou o coração, profere o seu adeus. Sentimentos sinceros. Saudades.
- Adeus, minhas casas,
Adeus pedra de montar.
Enquanto o mundo for mundo,
Pedra me há-de alembrar.

Adeus, minhas casas,
Meus lindos arredores.
Adeus, meus irmãos,
Meus belos amores...

Adeus, minhas casas,
Adeus aias minhas.
Adeus, minha mãe,
Que tão mal me querias.

Adeus, minhas casas,
Minhas lindas janelas.
Adeus, minha Mãe,
Que tão falsa me eras...
O tempo passa e Aninhas recolhe à doçura abençoada do seu lar. Naquele instante, uma campainha retiniu nove badaladas, dentro do castelo.
O conde sorriu para ela, tomando-a nos braços.

Conto recolhido no Nabo, publicado por J. N. Fonseca no jornal Mensageiro de Bragança, a 2 de Junho de 1961.

06 dezembro 2010

Chuva

Cai chuva lentamente
Na rua
E sobre os campos...

Dentro de mim
Também cai chuva
De dó de tanta gente
Que vejo na rua,
Desnudada
De luz. Já sem encantos.

Quem dera cobrir
Tanta gente que anda assim.
Fazer bem
E fazer rir
Crianças sem terem mãe.
Iluminar
Tantas que dormitam
No fourel do ninho
Inábeis  para voar...

Cai chuva lentamente,
Miudinha e compassada
Na rua
E sobre a gente
Que caminha na estrada
Sem saber o seu caminho...

J. N. Fonseca
Outono/61
Poema publicado no jornal Notícias de Mirandela, a 19/11/1961.

29 novembro 2010

Cogumelos - Canários (Tricholoma equestre)

Na sequência de um artigo postado há alguns dias sobre outro cogumelo, as sanchas ou pinheiras, hoje venho falar de uma espécie bem mais polémica: o canário, tortulho, miscaro, etc.
Sinónimos: Agaricus equestris, Tricholoma flavovirens, T. auratum.
Características: o chapéu convexo, passa depois a alargado e recurvado, tem um diâmetro de 5 a 10 cm, vai do amarelo-azeitona ao verde-azeitona e chega a ser avermelhado ou castanho no centro. A
carne branca, que pode ser um pouco amarelada por baixo da cutícula do Chapéu, tem um cheiro a farinha; as lâminas apertadas e amarelo-enxofre estão ligadas ao pé de forma abaulada. Os esporos elíptícos medem 6 a 8 x 3 a 3,5 µm a esporada é branca. O pé cilíndrico, que no estado jovem é frequentemente abaulado, tem 3 a 7 cm de comprimento e 1 a 2 cm de espessura; é amarelo-enxofre (podendo ser esbranquiçado perto do chapéu) e por vezes coberto de escamas isoladas castanhas.
Habitat: Espécie que se encontra sobretudo em florestas coníferas com solo arenoso e nestas, especialmente sob pinheiros; os esporóforos surgem de Outubro até ao Inverno.
Valor: Cogumelo comestível de elevada qualidade, cuja cutícula deve ser esfolada antes de ser preparado.

Fonte: adaptado do Guia dos Cogumelos (Dinalivro)

Durante muitos anos esta espécie foi muito apreciada e até vendida em grandes quantidades e a bom preço. A partir de certa altura verificaram-se algumas intoxicações, vindo a ser considerado tóxico.  O livro que cito acima, publicado em 2006, não sendo nenhuma obra de referência na matéria, considera esta espécie "Cogumelo comestível de elevada qualidade, cuja cutícula deve ser esfolada entes de preparado".
Há muita informação na Internet sobre os problemas causados por esta espécie. Ao que parece foi em 2001 que passou a ser considerado tóxico causando uma doença denominada rabdomiólise.
É uma espécie com alguma abundância no concelho, nos pinhais, preferindo solos ácidos e arenosos.
Devem estar a perguntar-se se eu realmente como este cogumelo. Sim. Desde criança que sempre o comi. No corrente ano já o comi várias vezes.
Dado que nunca se sabe qual vai ser a reacção de determinado organismo, ou mesmo quando ingeridas quantidades consideráveis, o mais seguro é NÃO COMER ESTA ESPÉCIE. Embora seja saborosa, há coisas em que arriscar uma vez já é demais.

27 novembro 2010

Peregrinações – Nossa Senhora de Lurdes (Vale Frechoso)

No dia 7 de Novembro levantei-me cedo. Objectivo: mais uma Peregrinação, desta vez a Vale Frechoso, mais concretamente à capela de Nossa Senhora de Lurdes.
Não foi necessário programar muito o trajecto, é um percurso que, com algumas variantes, já fiz várias vezes em BTT. São pouco mais de 18 quilómetros, por montes e vales, apenas pisando alguns metros de estrada alcatroada na passagem por Roios.
O primeiro desafio é muito custoso, mas o fresco da manhã ajudou. Trata-se de subir à serra através da Rua do Caniço. Até para um veículo de todo o terreno é complicado, tal é o declive.
Ainda não tinha perdido o casario da vila de vista e já avistava bonitos medronheiros carregados de frutos maduros. O medronheiro é uma espécie arbustiva bastante curiosa, e nesta época tem frutos coloridos mas também está repleto de flores pequenas e brancas.
Com a extensão que tinha para percorrer, sabia que não me podia descuidar muito, e não desperdiçar tempo foi uma das minhas preocupações nesta caminhada.
Descer para Roios, atrás da Serra, além de ser a descer é um percurso agradável pelo colorido do Outono que já se notava nas cerejeiras, nos castanheiros e até nas videiras, parte delas já podadas. Os arroios, a montante de Roios, já levavam alguma água, mas pouca.
Depois de seguir durante o caminho que sobe a encosta em direcção ao monte onde se encontra o marco geodésico do Maragoto, onde já estive por diversas vezes, larguei-o e segui à direita. Esta é uma das zonas mais agrestes e que conheço no concelho. Há poucos campos agrícolas e as estevas de mais de metro e meio de altura, ocupam uma grande extensão. Alguns dos montes foram limpos para a plantação de floresta. No borda do caminho vi a maior concentração de cogumelos venenosos que já vi na minha vida. Eram imensos e gigantescos. Quase todos eram da espécie Amanita mata-moscas (Amanita moscaria). Embora sem o seu vermelho vivo característico são bastante fáceis de identificar.
Existem nesta zona alguns pinheiros e enormes sobreiros. Talvez por isso, vi o maior bando de pombos bravos que já alguma vez vi na minha vida. Tinha mais de 30 aves! Trata-se do pombo torcaz (Columba palumbus L.), uma vez que o pombo (Columba livia) apenas o vejo com alguma frequência nas rochas ao longo da linha do Tua. Ainda me cruzei com alguns caçadores, mas, parece que eles não tiveram a mesma sorte que eu.
O caminho levou-me ao campo de futebol de onze de Vale Frechoso. Fazia muito frio e, talvez por isso, atravessei toda a aldeia sem encontrar uma pessoa sequer.
Um dos lugares que nunca dispenso de visitar nesta aldeia, até porque tinha de por lá passar, é antiquíssima fonte de mergulho, situada, como é natural, no Largo da Fonte.
A capela de Nossa Senhora de Lurdes está situada à entrada da aldeia, num pequeno promontório, orientada para poente. É uma construção esbelta, recortada no céu, com uma configuração única no concelho. O acesso faz-se directamente da estrada, subindo alguns degraus e plataformas. Nestas plataformas há bonitos desenhos feitos em calçada com seixos, pretos e brancos.
A capela é muito iluminada e tem vidraças que permitem admirar o bonito altar onde se destaca uma imagem de Nossa Senhora de Lurdes.
Em volta da capela há um pequeno adro que, juntamente com o escadório, os jardins laterais e a posição elevada da capela fazem dela um bom miradouro e um local a visitar em qualquer passagem por Vale Frechoso.
Com metade do percurso feito, havia que regressar a Vila Flor. Escolhi um percurso diferente daquele que segui à ida. Junto do ribeiro, mais uma vez o vermelho das folhas do sumagre despertaram a minha atenção. Nesta época do ano a sua cor destaca-se na paisagem em volta de praticamente todos os povoados do concelho, incluindo a vila. Ainda estou para perceber a razão da sua existência tão próximo das populações. Estou em crer que a tinturaria do cabedal não seria a única utilização dada a esta planta.
O tempo refrescou e caíram algumas pingas de água. Na mochila trago um impermeável.
Já próximo de Vila Flor, atrás da serra, vi na borda do caminho uma sancha. Hesitei em a apanhar, mas atrás daquele vi outra e mais outra. Quase sem querer, dei comigo a apanhar duas ou três variedades de cogumelos sem grande trabalho de os procurar. Entusiasmei-me com a recolha e só uma chamada de telemóvel lembrando que já estava atrasado para o almoço que fez fazer rapidamente o resto do caminho até Vila Flor.
Foi uma longa caminhada. O tempo fresco ajudou e os cogumelos que apanhei na parte terminal do percurso, foi um extra que não estava previsto.
GPSies - VFlor_VFrechoso_VFlor

25 novembro 2010

Resíduos do Nordeste avança com limpeza de depósitos de resíduos


Não tem sido um hábito meu divulgar notícias no Blogue, mas gostei tanto desta que me deu vontade de a partilhar. Espero que seja um projecto sério, com reflexos na saúde e na paisagem do concelho e não daquelas iniciativas para comunicação social mostrar, como as que anda a fazer por aí a EDP.

A empresa intermunicipal Resíduos do Nordeste vai arrancar com um projecto de perto de um milhão de euros para a remoção de depósitos ilegais de resíduos e a requalificação de zonas ribeirinhas. O contrato de financiamento do projecto Valor Douro é assinado amanhã.

O Valor Douro está direccionado para intervenções que visem a recuperação de depósitos clandestinos de resíduos sólidos, nomeadamente urbanos, indiferenciados, de construção, de demolição e utensílios domésticos fora de uso; a remoção e desmantelamento de embarcações e veículos abandonados e a recuperação das margens do rio Douro.

Ler o resto da notícia...
Fonte: Portal Ambiente online

Fotografia: terreno com oliveiras a caminho de Roios.

Flashes do Outono (02)

Este ano ainda mal tive tempo para me concentrar nas cores do Outono. Quando olho as árvores em meu redor, vejo que muitas delas já perderam as belas tonalidades amareladas, alaranjadas ou vermelhas.
Rebuscando no meu arquivo encontrei algumas fotografias, do ano passado, mais ou menos desta época.
São as cores do Outono no centro de Vila Flor.

23 novembro 2010

Cogumelos - Sanchas (Lactarius deleciosus)

Este ano parece estar a ser um excelente ano para os tradicionais cogumelos muito apreciados na região. Tenho tropeçado neles em todas as caminhadas que tenho feito, e, mesmo sem nunca ter saído expressamente para os procurar, tenho apanhado bastantes.
Os rocos (Macrolepiota procera) apareceram cedo e muitos secaram rapidamente por falta de chuva. Ainda é possível encontrá-los. No domingo passado vi dois e um deles ainda era bastante jovem.
A apanha de cogumelos é uma tarefa delicada. Come-los sem os ter apanhado é ainda mais complicado. Eu fico muito mais tranquilo quando como cogumelos que eu próprio apanho do que quando os como apanhados por outras pessoas.
Não tenho formação nenhuma sobre cogumelos. Alguns conhecimentos que tenho, adquiri-os em criança. Desde que me conheço, que apanho cogumelos. Penso que entre os 6 e os 12 anos tenha sido os anos em que mais apanhei. Aprendi a distingui-los com a minha família e com os meus amigos, uma vez que cresci no campo e todos os meus amigos apanhavam cogumelos.
Em jovem apanhava perto de 10 espécies, mas, com o passar dos anos, fui perdendo a confiança e agora fico-me pelas 5 mais fáceis de identificar. É uma actividade que não admite erros. Há duas famílias em perigo de vida (uma das quais no distrito de Bragança).
Tudo o que eu disser aqui sobre algumas espécies, não pode ser entendido como instruções para a sua apanha, mas apenas como mais uma amostra da riqueza natural da nossa região e do nosso concelho.

Sanchas, Pinheiras, setas (Lactarius deliciosus)
Características: o chapéu, inicialmente convexo, toma-se posterionnente plano e espalmado ou obcónico e ligeiramente recurvado, com um diâmetro de 5 a 15 cm. É cor de laranja, vemelho-claro ou vemelho-tijolo e com frequência ligeiramente acastanhado; a cutícula do chapéu apresenta zonas anelares concêntricas e com a humidade toma-se um pouco viscosa. A carne quebradiça vai de esbranquiçada a rosa-pálido ou amarelada; quando danificada segrega uma seiva alaranjada ou cor de cenoura. As lâminas apertadas e decorrentes têm comprimentos diferentes; a sua cor vai do laranja-claro ao laranja-avemelhado, mudando sobretudo para esverdeado
quando velhas ou quando tocadas.

Habitat: Espécie por vezes frequente que se encontra sobretudo em florestas coníferas e, nestas, de preferência debaixo dos pinheiros bravos, preferindo solos calcários; aparecem entre Novembro e Dezembro.

Fonte: adaptado do Guia dos Cogumelos (Dinalivro)

As sanchas são seguramente os cogumelos mais apanhados em Portugal e uma das espécies em que as pessoas têm mais confiança. Há muitas pessoas que apenas apanham esta espécie. Mesmo assim, há que ter cuidado. Tenho encontrado um cogumelo muito semelhante sob os sobreiros. Desconheço se é comestível ou não.
As sanchas crescem nos pinhais idosos. Eu prefiro procurá-las nas bordas dos pinhais, principalmente nos locais mais húmidos.
Apesar do seu nome deliciosus (delicioso), não é dos meus cogumelos preferidos. Tem um sabor muito característico e intenso.
Já apanhei esta espécie em Benlhevai, Vale Frechoso, Roios, Vila Flor, Freixiel, Seixo de Manoses, Candoso e Vila Flor.

Nota: o Município de Vila Flor e o Fundo Florestal Permanente editaram há alguns anos um "Mini-manual dos cogumelos". É possível que ainda haja alguns a circular por aí.

16 novembro 2010

Freguesia Mistério 41

A Freguesia Mistério n.º40 já lá vai há alguns dias. A pergunta não mereceu muitos adeptos, uma vez que só 10 arriscaram uma resposta. Isso leva-me a questionar: Os visitantes do Blogue não conhecem o concelho ou não têm pachorra para votarem? Tanto faz. O importante é que a Freguesia Mistério sirva de estímulo (quanto mais não seja, para mim) para mais algumas Descobertas pelo concelho.
O cruzeiro em questão está na freguesia de Seixo de Manhoses. Perto da capela de Nossa Senhora do Rosário, mesmo no centro do povo, segue-se para o Largo da Capela e, um pouco mais adiante está o Largo do Senhor dos Aflitos. É também este o nome do cruzeiro. Trata-se de uma cruz em granito, com cerca de dois metros e meio de altura, com aplicação de uma cruz mais pequena, em madeira, onde está Cristo crucificado (em metal).

 Está muito bem implantado, encostado a uma casa, na extremidade mais elevada do largo. Tem uma cobertura em telha, suportada por uma estrutura bastante grosseira, em cimento. Por trás do cruzeiro há azulejos. Não faltam flores frescas no local, e lateralmente do cruzeiro há pequenos espaços com jardim. Não falta o azeite para manter a chama acesa, certamente para iluminar as almas dos que andam perdidas em busca do seu Caminho.
Também se tem acesso a este cruzeiro pela Rua da Moreirinha. Só não entendo a designação de Rua Principal para a rua que começa no cruzeiro e se dirige para os terrenos agrícolas.
A votação ficou assim distribuída:
Carvalho de Egas (1) 10%
Lodões (1) 10%
Nabo (1) 10%
Sampaio (1) 10%
Seixos de Manhoses (2) 20%
Valtorno (3) 30%
Vila Flor (1) 10%
A Freguesia Mistério nº41 é, de novo, uma igreja, ou antes, uma pedra cravada no alçado lateral de uma bonita igreja. Não é uma igreja qualquer, mas sim uma igreja românica, bastante antiga, talvez anterior ao Séc. XVI. Foi um dos locais já visitados numa das minhas "Peregrinações".

Se ainda não votou, pode faze-lo aqui:


Freguesia Mistério 41

Em que freguesia podemos encontrar esta pedra na Igreja Matriz?

15 novembro 2010

O Som das Musas - Encerramento



Encerramento do ciclo de concertos Som das Musas
Fonte: Localvisão

Peregrinações – Nossa Senhora da Assunção (Vilas Boas)

Quando pensamos em Peregrinações, no concelho de Vila Flor, o que nos vem imediatamente à cabeça é o cabeço de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas. Não foi por acaso que escolhi uma fotografia do santuário para encabeçar este conjunto de caminhadas.
Desde o princípio que esteve prevista uma “Peregrinação” ao cabeço, mas, por ser um percurso curto foi ficando para trás à espera de uma oportunidade. Veio a acontecer a no dia 24 de Outubro.
O percurso escolhido previa um trajecto de Vila Flor ao Santuário praticamente sempre por caminhos rurais e o regresso por estrada. Todo o percurso é já muito conhecido de caminhadas anteriores (também o segui na “Peregrinação” a Vilarinho das Azenhas.
A caminhada começou cerca das nove horas da manhã. O caminho, tantas vezes seguido, em direcção à zona industrial surpreendeu-me por se encontrar limpo. Mas a surpresa durou pouco porque apenas cortaram as silvas numa centena de metros, partindo das traseiras do Ecomarché. Gosto muito de percorrer estes caminhos de bicicleta mas, as silvas que crescem sem cessar, são um perigo para as câmaras-de-ar.
Depois do Barracão a direcção é a Cooperativa de Olivicultores. Seguindo em frente rapidamente se encontra a estrada de Abreiro, mas, virando à esquerda em frente à cooperativa, segue-se um percurso bem mais interessante, já por mim seguido nalgumas provas de BTT do CCVF. Junto à aldeia de Samões vi, pela primeira vez(!), um enorme viveiro de faisões. Sou um apaixonado por aves e tentarei no futuro visitar o local (com a devida autorização). Ainda seguida surpreendido com o viveiro quando “esbarrei” com um roço na berma do caminho. Fiquei meio dividido se o devia colher, ou não. Optei por o levar comigo, correndo o risco de se machucar todo na mochila que sempre levo comigo.
Já perto da Quinta do Reboredo, a caminho de Vilas Boas, encontrei mais alguns cogumelos comestíveis. Foi também ao passar pela quinta que tive uma “visão” do paraíso: dois lindos cavalos brancos a pastar. Mesmo a grande distância arrisquei algumas fotografias.
Na continuação do caminho, aproveitei para subir a um morro e explorar de perto alguns rochedos que já me intrigaram há algum tempo. São formas naturais muito curiosas, que abundam um pouco por toda a zona granítica do concelho.
Já na aldeia, fiz um pequeno desvio para subir à igreja. Vilas Boas é uma aldeia que tem muito para admirar e percorrer as suas ruas é sempre um prazer. No entanto, o meu objectivo estava mais acima, no cabeço.
O percurso de Vilas Boas à capelinha de Nossa Senhora da Assunção é para ser feito devagar, não pelo esforço que requer, mas pela grande quantidade de pontos de interesse que se vão encontrando pelo caminho. Apesar de muitas pessoas se deslocarem com frequência ao Santuário, há muita coisa que desconhecem.
Um dos locais mais interessantes é a fonte de Nossa Senhora, quase junto à aldeia. Estava um sol brilhante quando lá chaguei. As folhas douradas dos plátanos criavam um ambiente acolhedor e apeteceu-me ficar ali sentado. Na fonte, a pequena imagem, no seu nicho, tinha sido presenteada com um ramo de flores frescas.
Depois de percorrer bonita e única alameda de eucaliptos entra-se no primeiro troço de escadas, onde podem ser apreciadas estátuas em granito, representando os doze apóstolos. Ali perto é um cruzeiro, simples, mas que marca o lugar da aparição de nossa senhora.
Quando se atinge o topo do cabeço, fica-se sem palavras (e sem fôlego). A paisagem que se avista deste santuário é única. A capela estava fechada. Normalmente está aqui um zelador, mas estava na hora de almoço e ele deve ter-se ausentado para almoçar.
Tal como tinha previsto, a manhã já estava adiantada e já passava do meio dia. O percurso de regresso a Vila Flor foi feito pela estrada em passo bastante acelerado.
Foi uma passeio muito agradável, num dia que se anunciava cinzento, mas que esteve bastante luminoso proporcionando mais uma caminhada memorável.
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