31 outubro 2011

Ruínas da capela de S. Domingos (Vieiro)

As Ruínas da capela de S. Domingos, no Vieiro, freguesia de Freixiel, foram o destino da Peregrinação do dia 24 de Setembro, mas já anteriormente tinha estado no local. Foi numa dessas visitas que fiz a fotografia que hoje publico.

26 outubro 2011

Flor do Mês - Outubro (2011)

Depois de passados os meses de verão são poucas as plantas com forças para se cobrirem de flores. A excepção está nalgumas bolbosas, que mostram as flores mesmo antes das folhas, mas de que já falei nos anos anteriores. Neste mês de outubro tenho encontrado várias plantas em flor, mas são todas pouco significativas. São algumas espécies que começam a floração no final da primavera ou no verão e que a prolongam praticamente até chegar o inverno.
A minha escolha para o mês de outubro de 2011 recaiu sobre o Trovisco ou Trovisqueira (Daphne gnidium L.). Não necessito de procurar muito para encontrar esta planta em flor. O trovisco aparece com muita facilidade na berma dos caminhos, talvez mais visível pelo colorido dos seus frutos do que pela cor das suas flores.
O trovisco é um arbusto persistente, muito abundante em todo o território português e toda a Europa mediterrânica. Pode atingir dois metros de altura, mas o que costumo encontrar têm aproximadamente um metro. As flores são brancas, agrupadas em cachos. Os frutos são inicialmente verdes, passando pelo laranja, vermelho, tornando-se negros quando completamente maduros. São drupas.
Esta planta não tem grande utilidade, na região, mas, tal como muitas de que já falei, não lhe faltam atributos. A primeira curiosidade prende-se com o nome que lhe foi dado há alguns séculos atrás: Daphne era uma ninfa-das-montanhas grega, perseguida pelo deus Apolo, para a seduzir. Na fuga foi transformada num loureiro. Daphne é o nome grego dado ao loureiro. O trovisco tem poucas semelhanças com o loureiro, mas do nome é que não se livra!
As plantas do género daphne têm características antisépticas, cicatrizantes e insecticidas. Há pessoas que as usam o trovisco para curar verruga ou para cicatrizar feridas. Tem que ser usado com moderação pois pode provocar queimaduras e intoxicações. Esta característica tóxica é usada na utilização da planta para a pesca ilegal, por envenenamento dos peixes! A utilização em trás-dos-montes é bem mais inocente, uma vez que se se pensava que queimar trovisco afastava o nevoeiro.
Mesmo tratando-se de uma planta tóxica, há pessoas que a têm nos quintais, ligada às mais variadas utilizações. Para a obtenção da planta podem usar-se as sementes, estacas do caule ou a raiz. Se se usarem sementes, o fruto têm que ser colhido quando ainda estiver verde.

Outubro 2009 - Açafrão (Crocus sativus)
Outubro 2008 - Jacinto (Scilla autumnalis L.)

25 outubro 2011

Freguesia Mistério n.º52

A Freguesia Mistério n.º51 esteve a votos durante o mês de Setembro de 2011.  A resposta não era fácil, mas também não era difícil, principalmente para quem está minimamente atento às andanças do Blogue. A participação foi boa, até acima do habitual, com 13 visitantes a darem a sua opinião.
Os palpites ficaram distributivos da seguinte forma:
Carvalho de Egas (1) 8%
Nabo (1) 8%
Roios (5)38%
Seixos de Manhoses (1) 8%
Trindade (1) 8%
Vale Frechoso (1) 8%
Valtorno (2) 15%
Vilarinho das Azenhas (1) 8%
A resposta certa era freguesia de Roios. A capela de Nossa Senhora das Graças, em Roios, foi o destino da Peregrinação realizada em 29-09-2010. Apesar das diligências efectuadas, não foi possível visitar o seu interior, pelo que apenas me posso ficar pela impressão com que fico após mais de uma dúzia de passagens pelo local. A capela "Foi construída cerca de 1780, conforme data inscrita numa janela. Terá substituído templo anterior existente no local. É um templo barroco, de nave única e capela-mor reentrante. A fachada termina em empena rematada por sineira de um arco. O portal e a janela apresentam uma elegante decoração. No interior, o tecto é em abóbada de madeira. O altar-mor é em talha." Os elementos mais interessantes no fontíspício são os dois óculos quadrifólios. Sobre a torre sineira deve ter havido em tempos uma cruz, no meio dos dois pináculos.
Como curiosidades da capelo podemos acrescentar: em "1844 D. Maria Angélica Pinto de Magalhães, natural de Roios, deixava no seu testamento...à Senhora da Graça 24.000 reis para a compra de um cálice." Em 1905 "morre em Roios Pedro Gomes de Magalhães Pegado e é sepultado na capela".
O desafio para o mês de Outubro é algo mais abrangente, a vista parcial de uma aldeia. Se reparar nos pormenores de alminhas, cruzeiros, igrejas, etc. não é coisa fácil, pode não ser mais simples a identificação de uma aldeia, até porque, por vezes, as fotografias são tiradas de locais muito pouco frequentados pelas pessoas e longe dos acessos principais. No entanto, nas fotografias como esta há sempre elementos que quando analisados isoladamente fornecem pistas que não deixam qualquer dúvida. Por se tratar de uma aldeia, não significa que ela seja freguesia, o que leva a que seja necessário conhecer a composição das freguesias de Vila Flor. Quem não conhece a constituição das freguesias de Vila Flor, não perca tempo. Está em marcha um estudo que conduzirá à reestruturação das freguesias do concelho. Este estudo está a ser conduzido de forma discreta, até porque há que fazer as contas (aos habitantes e votos). Os partidos políticos pensam pouco na economia e no serviços prestados, estão mais preocupados com o limite de mandatos que quase todos os presidentes de junta já atingiram!
Ainda estão a tempo de arriscar um palpite na Freguesia Mistério n.º 52, na margem direita do Blogue.

24 outubro 2011

Peregrinações - Ruínas da capela de S. Domingos (Vieiro)

As caminhadas marcaram o 5º ano do Blogue. Com o recomeço de uma nova etapa, achei que devia dar continuidade a estes momentosos inesquecíveis pelos caminhos do concelho, pelo menos até percorrer todas as localidades, freguesias e anexas. Foi com este intuito que programei mais alguns percursos, no seguimento das Peregrinações do ano passado.
O destino escolhido para o dia 24 de Setembro foi as ruínas da capela de S. Domingos, no lugar de Vieiro, freguesia de Freixiel (a capela está a 4km de Freixiel). Fiz a primeira visita a esta capela em 2007, nas primeiras descobertas do concelho. Posteriormente, sempre que passo no local, mais propriamente na estrada do Vieiro, a poucos quilómetros da aldeia, paro o carro e espreito para as ruínas. Por vezes desço alguns metros de encosta admirando-a mais de perto. Ir até à ao local, desde Vila Flor, a pé, foi a primeira vez que que o fiz.
Sinto-me um privilegiado quando percorro os caminhos às primeiras horas da manhã! A luz é fantástica e a paisagem não parece tão seca como poucas horas depois. Com o outono já bastante avançado, o colorido vem sobretudo dos frutos, alguns cultivados, outros selvagens. Muitas vinhas ainda estavam por vindimar, mas as uvas não pareciam tão boas como noutras zonas do concelho.
 Aproveitei esta deslocação para visitar outro local onde já não ia há bastante tempo: o marco geodésico do Pessegueiro. Está situado no ponto mais alto (822 metros) acima da pedreira que está situada perto da estrada. Marca o estremo entre as freguesias de Vilas BoasFreixiel. Neste local agreste, cheio de pó, nesta altura do ano, avista-se uma grande extensão de paisagem, proporcionando uma bela vista de Freixiel e uma grande extensão de terreno do outro lado do Tua, até à linha do horizonte. O local é tão fantástico e tão isolado que um melro azul o escolheu para sua casa. O seu território preferido é mais em Vale Carneiro e Borralho (Samões), mas avistei-os várias vezes nesta caminhada.
 Também os fornos dos figos são presença constante nesta zona do concelho. Encontrei alguns, mas é possível que muitos passem despercebidos, tapados pela vegetação espontânea.
No local conhecido pela Palhona há um enorme cruzeiro em granito. É impossível passar por ali sem notar a sua presença. Muitos cruzeiros marcam locais onde morreram pessoas, não sei se é este o caso, mas penso que não, porque tem grandes dimensões. Esta localização também se pode dever à confluência de vários caminhos neste local. Além da estrada atual, a ligação entre Freixiel e Vilas Boas, por caminhos rurais, pode ser feita passando pela Palhona.
 A algumas centenas de metros, por um caminho que segue quase paralelo à estrada, ficam situadas as ruínas da capela de S. Domingos. Estão situadas numa zona bastante mais baixa do que a estrada. É esta a razão de muita gente passar no local e poucos se aperceberem da existência das ruínas. Pelo que dizem os "livros", por ali passava a estrada real Porto-Moncorvo. A capela tinha um alpendre e estava sempre aberta, recebendo os viajantes que circulavam nesta estrada. Foi reconstruida ali entre 1744 e 1766. Existe a convicção de que a sua localização primitiva seria no local S. Domingos, onde existe um habitat romanizado.
A capela apresenta alguns elementos barrocos bastante bonitos. É muito pequena e merecia ser recuperada. Se já há muitos anos era um local de alguns assaltos, sou levado a pensar que nos dias de hoje era capaz de não resistir ao vandalismo. Se pensarmos que mesmo o Santuário de Nossa Senhora da Assunção foi assaltado há poucos dias atrás, notamos que estamos numa época sem valores, em que nada, nem ninguém está seguro.
 Terminada a minha caminhada, depois de percorridos cerca de 10 km, subi à estrada e esperei pela minha boleia, junto à fonte de 1955 mas que ainda jorra água abundantemente. Aproveitei para me refrescar.

21 outubro 2011

Sobreiro

Sobreiro, no Parque de Campismo de Vila Flor.

20 outubro 2011

Rochedo

Este rochedo em Samões é o guardião de uma grande extensão de terreno.Quando o fotografei, há poucos meses atrás, não imaginava que o cenário em seu redor se iria tornar num deserto esturricado. No incêndio que aí deflagrou no dia 15 de Agosto nem as amendoeiras, videiras ou oliveiras escaparam! Quantas mãos criminosas andaram este verão pelo concelho?!

12 outubro 2011

Libelo Acusatório - XXXII

 "O pisar as uvas queria dizer novas emoções. Os rapazes bebiam um copo pequeno da aguardente a fazer no alambique e pisavam, pisavam, cantando e rindo.
Uma noite, o Roberto chegou com a sua perna aleijada e quis pisar uvas com eles. O médico dissera que fazia bem à paralisia e ele queria curar, até perder a vergonha de passar na praça, manquejando e vendo risos nos rostos dos que estavam parados.
Entrou para o lagar e pisou as uvas com gana, esquecendo que era aleijado, que os rapazes riam, pensando no dia em que jogaria futebol como os outros, correria atrás de ilusões e deixaria de chorar às escondidas.
E toda a noite pisou uvas, cantando como sua mãe lhe ensinara, canções que ficaram marcadas nos ouvidos do homem que fazia aguardente e que sentiu tanta amargura a ponto de beber o líquido adocicado para ouvir melhor aquela voz trazida pela angústia do dia que nasce e não é para todos, das sombras nos pensamentos, da ventura egoísta dos outros. E do desprezo que o Roberto começava a sentir por quem não o merecia sequer.
Só não desprezou as uvas que se esmagavam debaixo do seu pé torcido e lhe diziam que haveria de curar e, mais ainda, que ele não era aleijado mas sim os outros, os que riam quando ele passava manquejando.
E, quando de madrugada saiu do vinho mosto, sentiu que estava curado."

Excerto do livro Libelo Acusatório, da autoria de Modesto Navarro, Publicado em  1999 pela Caminho. A primeira edição desta obra foi em 1968, pela Prelo Editora.

A fotografia foi tirada em Seixo de Manhoses, numa manhã de vindima, na Quinta de Valtorinho.

09 outubro 2011

Freguesia Mistério n.º51

O desafio Freguesia Mistério n.º 50 decorreu durante o mês de Agosto. A pergunta era fácil e a resposta foi na direção certa, coisa que é raro verificar-se.
A fotografia que ilustrava o desafio mostrava apenas uma parte do monumento, facilmente identificável como sendo os três pastorinhos. Seria fácil de prever que junto a eles estaria a imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Participaram 11 pessoas e os votos ficaram distribuídos da seguinte forma:
Benlhevai (6) 55%
Candoso (1) 9%
Freixiel (1) 9%
Samões (2) 18%
Seixos de Manhoses (1) 9%
Há vários conjuntos com N.ª S.ª de Fátima com os pastorinhos no concelho, nomeadamente em Samões e Valbom. No caso concreto, a imagem mostrava um monumento existente em Benlhevai. Está situada à entrada da aldeia, a poucos metros do cruzamento com estrada nacional.
A imagem de N.ª S.ª de Fátima está numa posição elevada, sobre uma rocha granítica. A seus pés estão as imagens dos três pastorinhos (durante algum tempo faltou um!). O conjunto está sempre cuidado, a maior parte das vezes decorado com flores naturais.
O desafio seguinte foi descobrir a localização do campanário de uma capela. Decorreu durante o mês de Setembro e em breve darei conta dos resultados.

04 outubro 2011

De regresso aos caminhos do concelho

 O primeiro passeio do sexto ano realizou-e antes mesmo da "cerimónia" de arranque de mais um ano, no dia 3 de Setembro. Além da alegria do regresso aos caminhos do concelho, houve mais dois fatores que fizeram com que eu apreciasse de uma forma especial este passeio: o meu regresso à BTT e a companhia do meu filho mais novo, principiante nas duas rodas.
O passeio aconteceu ao fim da tarde por caminhos das freguesias de Samões, Carvalho de Egas e Seixo de Manhoses. Foi também o meu primeiro contacto com algumas áreas ardidas, que oferecem um cenário desolador, principalmente porque as percorri durante os meses de primavera, quando as giestas formavam um espesso manto florido.
 Deu para observar que havia muitas uvas, e de boa qualidade, embora este cenário não fosse uniforme em todo o concelho. Também havia muitas amendoeiras carregadas de frutos prontos a apanhar, que, quase de certeza, ficaram nas árvores para alimentar pássaros e outros animais selvagens.
O traçado do IC5 está praticamente pronto. Passámos em vários locais onde se vê a estrada já asfaltada e as passagens inferiores que dão continuidade aos antigos caminhos, que quase sempre sigo nas deslocações a pé ou em bicicleta pelo concelho.
Chegámos ao santuário de Santa Cecília quando o sol ganhou bonitas tonalidades douradas. Ainda visitei a pequena macieira de que comi suculentas maçãs no ano passado, mas este ano está completamente despida de frutos. Ela está no meio do parque de estacionamento do santuário, portanto num espaço completamente público.
 O regresso a casa aconteceu pelo tradicional caminho do Concieiro. Apreciámos (mais uma vez) as várias alminhas que existem neste caminho e formações rochosas com figuras caricatas e fotogénicas. Pelo adiantado da hora, ainda fomos brindados com a visão de alguns coelhos bravos que em breve vão enfrentar a fúria de incansáveis caçadores.
Foi um passeio para abrir o apetites para outros que se seguirão e para ficar gravado como o primeiro que fizemos juntos em BTT. Espero fazer muitos mais.