31 dezembro 2011

Um ano 2012 feliz


Numa altura em que tudo parece desabar, tornando o futuro cada vez mais incerto é dentro de nós e das pessoas que nos rodeiam que temos que procurar as energias necessárias para iluminar e colorir os 365 dias de 2012.
Contem comigo.
Um excelente 2012 para todos.

26 dezembro 2011

Na vila


Na vila, os fumos grandes sobem das chaminés. Para além do choro silencioso de Eduardo, mais uma vez a sentir quanto perdera o filho, quanto se perdera, há essa memória crescente, de envelhecimento, ou de maturidade, primeiro. Há as casas, as velhas casas que eram conhecidas de madrugada e à noite, na amplitude do tempo que não corria, tão sólido se mostrava; nas horas de trabalho, na tarde que caía e deixava esse torpor do cansaço.

Extrato do Livro Mulher desaparecida a Sul, da autoria de Modesto Navarro. Este romance foi publicado em 2008, pela Edições Cosmos.

24 dezembro 2011

Feliz Natal

Um Feliz Natal para todos os vilaflorenses e demais visitantes deste blogue.

22 dezembro 2011

e de repente é noite (XXVIII)

Vou pelo assombramento de quartos e salas,
inventariando móveis, invadindo gavetas
que derramam no sobrado uma infância
de pinheiros de natal desfilando
em eclipses de comboios de corda.
Os fungos à superfície dos espelhos
denotam os múltiplos semblantes
que, ao reflectirem-se,
neles se descobriram imagens divididas
entre o exílio efectivo e o reino imaginário.
As conchas onde ouvíamos um cicio de mar,
da forma de um nada que podia ser tudo.
O relógio de pesos parado, a poeira do tempo
sobre a engrenagem, sarcasmo do acaso
ao anseio de exactidão dos ponteiros.
E as indomáveis mãos na glacial desmemória
de anónimas, tolerantes faces,
plasmam-se ao alheamento dos ícones
e inundam de água de sombra o ácido das vozes.


Poemas do Dr. João de Sá,  retirada do livro "E de repente é noite". Edição do autor; 2008.
Fotografia: Castanheiro em Vale Frechoso.

18 dezembro 2011

Flor do Mês - Dezembro (2011)

Se já foi difícil encontrar uma flor para representar o mês de Dezembro, mais difícil foi conseguir identificar, pelo menos minimamente, a planta em questão. Esta planta chamou-me à atenção já há vários anos atrás, mas sempre a tenho encontrado na mesma área (o que não indica que não exista noutros locais do concelho). Fotografei-a numa das primeiras caminhadas que fiz em Roios e foi onde o o voltei a encontrar há poucos dias atrás.
Estende-se ao longo de várias centenas de metros, sempre na berma dos caminhos. Esta característica é própria de um grupos de plantas chamada vegetação ruderal. São as primeiras espécies vegetais a colonizar taludes, bermas de caminhos, ou mesmo campos agrícolas abandonados.
Depois de algumas horas de pesquisa, penso que posso dizer com alguma certeza que se trata de uma espécie do género Lycium, provavelmente da Lycium barbarum L. Não encontrei nenhum nome vulgar para a espécie em questão, mas outras espécies próximas são conhecidas por cambroeira ou espinheiro.
 Trata-se de um arbusto, que pode atingir mais de um metro de altura, com caules lenhosos, inclinados e com espinhos. As flores são de cor rosa ou violeta, florescendo entre Abril e Agosto (mas ainda tem flores em Dezembro).  É originário da China (e do Tibete), onde é cultivado e onde é conhecido há mais de 4000 anos. O principal interesse nesta planta está no seu fruto, uma baga de cor vermelha ou alaranjada conhecida pelo nome de goji (bagas de goji). São excelente fonte de antioxidantes, vitamina C e ferro, mas a lista é tão extensa e tão variada que se chega à conclusão de estarmos perante uma planta verdadeiramente "milagrosa":

Protege o corpo do envelhecimento e aumenta a longevidade (conhecido como a fruta da longevidade entre os Tibetanos). Promove a energia e o bem-estar em geral. Fortifica e mantêm o sistema imunológico saudável. Defende e luta contra vários tipos de cânceres. Combate a inflamação e a artrite. Baixa o colesterol. Equilibra os níveis de pressão do sangue. Reduz os níveis de glicose no sangue. Melhora as cataratas, a visão turva e a audição. Fortalece e suporta o funcionamento do fígado e dos rins. Mantêm o sistema nervoso saudável. Protege a pele dos danos causados pelo Sol. Combate a formação de celulite. Ajuda em dietas para perda de peso. Aumenta a libido e o desempenho sexual (conhecido no oriente como o viagra natural). Promove a fertilidade.
É caso para dizer: com plantas destas espalhadas pelo conselho, como é que este potencial é tão pouco aproveitado?

Dezembro de 2009 - ------
Dezembro de 2008 - Musgo

17 dezembro 2011

Linha do Tua é a morte anunciada dos Transmontanos

São poucas as coisas de que os transmontanos se podem orgulhar, além do bom vinho, do fumeiro, e do azeite reconhecido mundialmente, temos o rio Tua e a linha que acompanha o seu serpenteio. Estamos a falar do último rio selvagem em Portugal, à beira da extinção logo a seguir à morte anunciada e executada no Rio Sabor.
Deveria ser criada uma linha turística de excelência, com viagens do Porto (São Bento) ao Tua e do Tua a Mirandela. De certeza que esses turistas iriam ficar maravilhados e regalados com o encanto do vale do Douro (ainda Património da Humanidade) e com o vale do Tua com a sua beleza natural. Davam lucros ao comércio tradicional, hotéis, restaurantes, industria, vendiam-se o bom vinho, o queijo, o fumeiro, as azeitonas, alcaparras, artesanato e o ouro da região, o Azeite.
Se querem revitalizar a economia local daquela terra é com este tipo de projectos que o devem fazer. A Pasta do Turismo deveria projectar esta região para o estrangeiro como fazem com a imagem de marca "Allgarve".
Qual é o custo benefício do projecto da barragem do rio Tua? O custo é, sem dúvida, a morte dos transmontanos e da região, esse é muito alto... mais alto de que qualquer estudo encomendado que demonstre que a barragem trás benefícios para esse povo! Não há estudos que vão contra a raça do transmontano, a linha pertence-lhes pois trata-se de um legado deixado pelos seus antepassados! E o governante que acabar por destruir o rio e a linha do Tua, também vai ser o mesmo responsável por retirar o estatuto de património da humanidade do vale do douro vinhateiro.

Fonte do texto: João Luís Sousa
Publicado em 2011-12-15 no JN
Fotografia: A Linha do Tua, Vilarinho das Azenhas.

15 dezembro 2011

Freguesia Mistério n.º54

A Freguesia Mistério n.º53 esteve a votos durante o mês de Novembro de 2011. Estava representada por uma imagem, ao ar livre, de Cristo Rei. Tive o cuidado de isolar a estátua de modo a deixar pouco espaço à volta que fornecesse algumas pistas extra. Mesmo assim, 5 das 10 respostas dadas (50%) foram na direção certa, apontando Samões como a Freguesia Mistério.
Os votos ficaram assim distribuídos.
Roios (1) 10%
Samões (5) 50%
Seixos de Manhoses (1) 10%
Vilas Boas (3) 30%
Desconheço se existem em Roios alguma imagem semelhante, mas, já mostrei há algum tempo uma imagem com algumas semelhanças em Seixo de Manhoses, mas trata-se do Cristo Rei com os braços abertos (também já foi a fotografia de um desafio).
A imagem do Cristo Rei faz parte de um conjunto arquitetónico que tem como elemento central a capela de Nossa Senhora de Lurdes. Este conjunto situa-se junto da estrada nacional, mesmo ao lado do Jardim-de-infância. É um local frequentado pelo jovens, nas tardes de fim-de-semana, principalmente no verão. Embora a imagem não seja a mais conhecida como Cristo Rei, é muito usada pelos católicos e por outros cristãos, com diferentes interpretações. Ajudam na identificação da imagem, o cetro, do lado esquerdo e a coroa, junto aos pés, do lado direito. Há uma placa em mármore que evoca o benemérito Eduardo Augusto Gonçalves, promotor das obras no local.
O desafio que se segue representa mais uma vez uma aldeia. A fotografia está em ponto pequeno e apenas se vê parte da aldeia em perfil. Um olhar atento deteta sempre elementos que ajudam na identificação. mesmo para quem nunca viajou pelas aldeias do concelho, as mais de 2000 fotografias que já foram colocadas neste blogue são uma boa base de dados para ajudar na identificação.
Participe, dando o seu palpite na margem direita do Blogue.
Qual é a freguesia que a fotografia mostra?

13 dezembro 2011

Cores do Outono (II)

Atrás da serra, num encontro secreto com a a natureza.

12 dezembro 2011

Parque de Campismo

Já há algum tempo que ando com vontade de ir visitar o Parque de Campismo para ver o outono nas diferentes árvores que o integram. Ainda não foi possível. A imagem de hoje já é de anos anteriores.

09 dezembro 2011

Freguesia Mistério n.º53

Durante o mês de Outubro este a votos a Freguesia Mistério n.º 52. Procurei um imagem simples de identificar, com uma aldeia quase completa, mas a participação não foi a esperada. Foram 8 os palpites aceites e, desta vez, a tendência inclinou-se para a resposta certa. Quando coloquei a fotografia online formulei a pergunta de uma forma, mais tarde, reformulei-a, porque me apercebi que não permitia uma resposta direta.
Os palpites ficaram distribuídos desta forma:
Roios (1) 13%
Seixos de Manhoses (1) 13%
Trindade (5) 63%
Valtorno (1) 13%
A resposta certa era Trindade. A fotografia mostra uma vista parcial da aldeia de Macedinho, pertencente à freguesia da Trindade. Como Macedinho não é freguesia, não fazia parte das possibilidades de resposta. Havia esta dificuldade extra, que era a de saber que Macedinho pertence à freguesia da Trindade, mas já havia no blogue várias fotografias muito parecidas. Do local de onde foi tirada a fotografia têm-se uma excelente visão, quer para a aldeia, quer em direção ao concelho de Mirandela. Só é acessível a pé ou num veículo todo-o-terreno.
Para o mês seguinte escolhi a fotografia de uma imagem do Sagrado Coração de Jesus. É uma estátua, com uma dimensão bastante considerável, junto de uma estrada com bastante movimento. Resta saber se as pessoas estão atentas ao que as rodeia, quando passam na estrada.

08 dezembro 2011

A forja

O ruído da oficina cresce. A vila está sob uma furiosa tempestade de neve e os homens desocupados vêm meter-se na forja. Está calor, dentro das paredes de madeira. Mário deita mais uma pá de carvão e aviva o fogo com a escopeta.
- Sei fazer isto - diz, tossindo. É um velho marinheiro que estoirou os pulmões a provar que era capaz de ficar tempo imenso debaixo da água, nos poços. Vem de casa, na curva do Moutinho, até à oficina. Entra na forja e toma conta do fole. Tem setenta anos e só espera um caldo e mais qualquer coisa, à hora do almoço. Substitui Francisco, que aproveita para ir estudar. O martelo de forjar continua a dança, no fino som do cavalete. O malho entra, Eduardo sabe como há-de acompanhar o mestre. Este canta. Está ali para dirigir o trabalho e tudo corre bem. Portanto canta, durante a manhã de neve violenta. Os homens acumulam-se à porta, são agora quatro, e olham gulosos para o lugar que o velho Marinheiro ocupa. Este não dá descanso ao pau do fole, que sobe e desce com rapidez estonteante. O ferro aquece,
quando sai do fogo da forja parece ir desfazer-se.
- Mais devagar - diz o mestre -, senão, não acompanhamos o ritmo.
Marinheiro deixa descer o fole, uma massa de couro e madeira, tudo preto do pó do carvão, atrás da parede da forja e do fogo.
Mestre usa a talhadeira e os ponteiros, faz os cortes e os buracos devidos. Eduardo aprende e olha para longe, para o céu escuro e brutal, sem ver a tempestade que se abate. É apenas o desenho do sonho, o romance que se escreve lá longe, algures, num mundo de mais sofrimento e dor.
Mas os homens, cá fora, não entendem o seu olhar. Nem o adivinham. Sabem apenas que o mau tempo torna mais difícil ganharem a jeira. O dia está perdido, a somar-se a outros. Nem se atrevem a regressar a casa, ao fundo da vila, à Portela grande,
de ruas estreitas e calor nas vozes das mulheres que gritam, já não às crianças, mas ao seu desespero duradouro. É isso que Eduardo entende, finalmente, cá de longe, quando escreve cartas ao filho e volta a memorizar o passado, esse doce regresso de uma noite à porta de casa, quando as mulheres inventavam histórias para as crianças, até elas adormecerem e deixarem de ter medo do escuro.

Extrato do Livro Mulher desaparecida a Sul, da autoria de Modesto Navarro. Este romance foi publicado em 2008, pela Edições Cosmos.
A fotografia da forja é em Pinhal do Norte, concelho de Carrazeda de Ansiães.
A da Travessa da Portela é na Portela, em Vila Flor.

05 dezembro 2011

Vila Flor (canção)

Terra sagrada,
Botão de Rosa,
Ó terra amada
Sempre saudosa!

Coro
Ó meu amor, ó Vila Flor que tanto brilhas,
Meu pátrio lar tão cheio de maravilhas!
Pela Manhã, se te beija o sol d'aurora,
Tu és a terra mais linda e encantadora!

Terra formosa
E cativante
Tão carinhosa
É ao visitante.

Ó Vila Flor
És a flor das vilas,
De rsplendor
Até cintilas.

A natureza,
Não fez outr'igual,
Pois em beleza
Não tens rival.

Ninho de amores,
Hospitaleiro,
"Vila das Flores"
Tão lindo Canteiro!

Flor perfumada,
Sempre viçosa,
Por Deus fadada
Para ser ditosa.

Seus horizontes,
Mesmo de pasmar,
Ouvem-se as fontes
Sempre a cantar.

Lar tão risonho,
Cheio de alegria,
Feito de sonho,
Luz e magia!

Vila Flor, 1942
Letra: Fausto Couto
Música: Fernando Amaral

Fotografias: Praça da República e Rossio

02 dezembro 2011

Cores do Outono (II)

Vila Flor, num ângulo pouco usual. É a visão que se têm do Centro de Saúde em direção à rua 25 de Abril, nas primeiras horas da manhã.

01 dezembro 2011

Freguesia Mistério

Com a entrada do mês de Dezembro, começou um novo desafio- FREGUESIA MISTÉRIO N.º54.
Os palpites são dados no margem direita do Blogue, onde aparece a fotografia (em miniatura) da freguesia em questão.
Escolhe-se o nome da freguesia, no menu desdobrável, e só depois se clica no botão - Votar.
Obrigado pela participação.

Cores do Outono

Majestoso castanheiro na freguesia do Mourão. O seu porte e o ponto elevado em que se encontra, têm feito deste castanheiro um excelente "modelo" para alguns dos meus disparos.
Nas últimas semanas tenho feito bastantes fotografias de castanheiros, que espero mostrar em breve.