29 agosto 2012

Flor do Mês - Julho de 2012

 Chegados os meses de mais calor as plantas perdem o "entusiasmo" para exibirem as suas vistosas flores. A maior parte dos terrenos tem pouca humidade e as temperaturas são altas. Por outro lado há imensos insetos, que é uma aspeto positivo. Não é que em junho não tenha havido flores, mas não são tão visíveis e representativas como noutros meses.
Escolhi para representar o mês de julho a Mantissalca ou Erva-de-Salamanca, que tem de nome científico Mantisalca salmantica. Pertence à ordem Asterales, família Asteraceae, que contribuiu com algumas centenas de espécies, das mais conhecidas na flora portuguesa.
Trata-se de uma planta rasteira mas que lança hastes florais a cerca de um metro de altura (no segundo ano de vida). Habita terrenos pobres secos e pedregosos, sendo frequente na beira dos caminhos, local onde a encontro com mais frequência. É ruderal.
Em Portugal é mais frequente no centro e sul do país, aparecendo também nas ilhas, mas foi introduzida. A floração ocorre de maio a setembro.
Não encontrei grandes curiosidades sobre esta planta. A que é mais vezes referida tem a ver com o seu nome uma vez que Mantisalce e Salmantica terem as mesmas sílabas, mas em ordem diferente. Salmantica é uma referência a Salamanca, cidade espanhola mão muito distante daqui.
Em Espanha a planta tem muitos nomes, alguns bem curiosos como pão-do-pastor, drama, centauria, erva das vassouras, cabeçudas, varredouras, etc. Estes nomes sugerem algumas utilizações que  não consegui comprovar em Portugal. As hastes florais (as flores serão as tais cabeças) atadas, depois de secas, são usadas como vassouras. As folhas basais são comestíveis em guisados (isso justifica o nome pão-do-pastor). As flores são usadas, em decoção (fervura de substâncias de que se quer extrair as partes solúveis) contra os diabetes, para baixar o açúcar no sangue.
Comprova-se, assim, que mesmo as espécies mais improváveis têm múltiplas aplicações.
As flores apresentadas foram tiradas junto a Vila Flor, num caminho que vai até à Barragem do Peneireiro.

Outras flores de julho:

Museu Municipal de Vila Flor



Direção do Museu:
Museu Municipal de Vila Flor
Largo Dr. Alexandre Matos
5360-325 Vila Flor

Contactos:
Telefone: 278512 373
eMail: museu.berta.cabral@mail.telepac.pt

Horário de funcionamento:
Todos os dias excepto feriados
Manhã - 09:30h às 12:30h
Tarde - 14:00h às 17:30
Entrada gratuita

16 agosto 2012

Imagens que marcaram o dia 15

 A 15 de agosto realizam-se as grandiosas festas em honra de Nossa Senhora da Assunção, no santuário, em Vilas Boas.
Um dos momentos autos dos festejos é o lançamento de fogo de artifício.
Visita de Dom Manuel Cordeiro, bispo da diocese Miranda- Bragança em visita à exposição "Vilas Boas na Idade Média", da autoria de Jorge Delfim, patente no santuário.

14 agosto 2012

Azul e ...palha

Está a fazer um ano que ardeu uma grande área no concelho de Vila Flor, abrangendo as freguesias de Vilas Boas, Arco e Vale Frechoso. O aspeto dessa área é ainda mais desolado agora que a erva secou. Esperemos pelas chuvas.

07 agosto 2012

Histórias de Benlhevai



José Maria Sousa Fernandes lançou a 5 de agosto "Histórias de Benlhevai"

06 agosto 2012

É d'agora viva!!!

O acontecimento mais importante daqueles dias monótonos lá da terra, a quebrar a pasmaceira habitual das tardinhas mornas, era a chegada, à praça central, da camioneta da carreira. Logo que se ouvia ao longe aquele silvo roufenho da buzina, despontavam das portas meio fechadas das mercearias, pátios e farmácia, uns tantos pasmados que, de chapéu sobre os olhos, andar lento e dedos nas cavas do colete ou no cinto das calças, se chegavam para um dos topos do rectângulo, onde costumava parar o carro.
Aí, sob as tílias frondosas da borda, já esperavam as sardinheiras, de cócoras, lenços desapertados sobre as fartas cabeleiras, de tranças enroscadas em puxo, blusas de riscado desbotado, mais puído nos seios, saias de grande roda, com remendos quadrados na barra, descendo até aos pés descalços, a mostrar o calcanhar rachado. Conversavam sobre o negócio, dando que dando às rodilhas de trapo distraidamente suspensas das mãos.
- Mas tu esperas, ó Janota?
- Pois atão não havera de esperar? Se ele o meu fornecedor mandou-me uma parte, por telegrama, a dizer que vinham...
- A minha vem-me mais cara. Sessenta e tal mel reis o milheiro. Mas eu cá subo-lhe também ao preço. Olaré! Quem quiser que as plante! E ninguém gosta de trabalhar para aquecer.
- Lá isso é verdade - anuíu a Moga, a Esperança. - Vá que uma pessoa ganhe quinze mel reis. Vá lá mesmo, doze mel reis com uma coroa, em cada caixa. Mas menos, isso é que não!
- É! - reforçou a Maria da Júlia. - Vejam lá aquela paspalhona da Recha a vender a sardinha barata, a sete à coroa, por causa dum despique, e não chegou a tirar, forros, uma libra com um quartinho. Quem é que está por isso? Também se amolou, que a sardinha estava tão ardida que ninguém a podia «levar». Ora toma! E os fregueses olham agora para o peixe dela, desconfiados...
Com estas e com outras, parou ali mesmo a camioneta. Saíram alguns passageiros (três caixeiros viajantes e o pagador das Obras Públicas), abriu-se o rolo dos jornais que os assinantes, ávidos, reclamavam, para desandar depois, a ler os títulos da primeira página; e das coxias e de sob os bancos, o «chauffeur» tirava caixas de sardinha, com as tábuas húmidas, salgadas, espalhando no veículo um salitre e um fedor horríveis!
Distribuídas as caixas às suas destinatárias, as mulherzinhas abaixaram-se e despregavam-lhes as tábuas do cimo com um calhau, ou com qualquer escoprozito que levavam adrede no bolso da saia. Depois... caixas à cabeça, sobre as rodilhas, e elas aí vão a correr, divergindo para os quatro pontos cardeais do povoado.
- É d'agora viva!
- É vivinha!
- Quem merca a sardinha fresca?
- Quem n'a quer fresquinha?

O resto da história pode ser lida no livro O Homem da Terra, da autoria de Luís Cabral Adão, publicado em 1986.
1ª fotografia - Praça da República em 1921 (Arquivo do Museu Berta Cabral)
2.ªfotografia - Homenagem ao Dr. Cabral Adão, em Vila Flor, a 18-09-2010.

05 agosto 2012

Seixo de Manhoses

Vista parcial da aldeia de Seixo de Manhoses.

03 agosto 2012

Pão sem côdea


 - É da minha lembrança, o pão de dois vinténs. Não vale a pena a gente andar a matar-se. Os burritos são da casa , mas que importa!? Os adubos caros como o lume. Pessoal, de grilo! O filho anda na guerra, quem o fabrica?

- Vá, homem anda lá! dou-te uma ajuda. A segada é dura.
- O apetite não existe!
- Anda, anima-te! Come p´ra diante, carrega-lhe no presunto.
- A pinga é valente, é o que me vai valendo. Sangue da videira.
Na eira a máquina trabalha. A máquina vomita. Palha e grão, palha e grão. O motor não pára.
Sacos sobre sacos. O carro já espera.
- Deitar água, depressa, ide a buscar mais! Ai o meu pãozinho - fujam - o motor estoirou.
- Água!
- Água!
- Água!
O fogo de várias línguas lambe e come até fartar.
Tudo estala e foge. O lume assa Julho.
O pão ardeu. Dos sacos nem baraços.
Choros e mãos a abanar.
- Que será de nós?
Tinha de não ter côdea. Não volta a fabricar.

N. Fonseca.

Texto publicado no Jornal Énié, a 08-10-1975

02 agosto 2012

Freguesia Mistério n.º61

A Freguesia Mistério n.60 esteve "no ar" durante o mês de junho. O enigma era um painel de azulejos que dizia:
Tendo nascido engegado
De muito longe aqui vim
Tomei banho e bebi água
Com saúde forte vou assim.
Os azulejos estão colados na frente de uma capela, da devoção de Santa Cruz (ou Senhora da Conceição), muito antiga, situada a alguma distância da aldeia do Nabo. A quadra não se refere à capela, ou unicamente à capela, mas sim a uma fonte que existia no local (e que ainda existe) com água supostamente com puderes curativos. Estas fontes eram procuradas por pessoas que sofriam de grandes males, muitas vezes de pele, que procuravam a cura, tanto nos puderes medicinais das águas,  como na fé (principalmente nesta). Existe outra fonte com igual fama em Roios, junto à capela de Nª Sª do Rosário.
Não muito longe da capela de Santa Cruz ficam as águas de Bem Saúde, em Sampaio.
Não mostro fotografias da capela, mas já há várias no blogue (Fotografia 1 - Fotografia 2 - Fotografia 3)
Em resposta à pergunta "Em que freguesia do concelho de Vila Flor pode pode ser encontrado este painel em azulejo?", 5 pessoas arriscaram um palpite.
Carvalho de Egas (1) 20%
Freixiel (1) 20%
Nabo (1) 20%
Seixos de Manhoses (1) 20%
Trindade (1) 20%
Como se pode ver cada uma das cinco pessoas"apostou" numa freguesia diferente! A resposta certa era Nabo, que teve 1/5 das respostas.
O próximo desafio é um relógio de sol. Já não é o primeiro com  relógios de sol, mas sim o terceiro.
Freguesia Mistério n.º 4 - Relógio de Sol em Vilas Boas
Freguesia Mistério n.º 6 - Relógio de Sol em Vila Flor
Este desafio também já terminou, vamos ver qual será o seguinte.

01 agosto 2012

Flor do Mês - Junho de 2012

A representar o mês de junho está uma bela planta que dá pelo nome de Gala crista. O seu nome cientifico é Salvia verbenaca, e tem como nomes vulgares Erva-crista, Crista de galo,  Jarvão, Salva-dos-caminhos, etc.
Aqui vemo-la em flor, porque é de flores que falamos. É percetível a semelhança da flor desta espécie com a da arçã, a do alecrim ou mesmo a do tomilho, são todas da mesma família (lamiaceae). Como planta muito próxima da vulgar salva (Salvia officinalis) deve possuir muitas das suas caraterísticas medicinais. Não esquecer que salvia deriva de salvere, portanto "estar com saúde", "estar salvo".
Trata-se de uma planta abundante em todo o país, que cresce em terrenos incultos e encostas. Tal como um dos nomes vulgares indica, cresce na borda dos caminhos, e é nesse ambiente que a tenho encontrado mais vezes. Em Vila Flor costumo fotografá-la numa espécie de prado que existe em volta da Fonte do Olmo, mesmo junto o Estádio Municipal. Ocupa uma grande área e forma um conjunto harmonioso com outras flores primaveris, papoila, camomila, pimpilros, etc. A floração pode ocorrer (segundo a base de dados da UTAD) quase todo o ano, mas é mais frequente em maio e junho.
A principal curiosidade desta espécie está nas suas sementes. Eram usadas para fazer a limpeza dos olhos, quer contra pó,  pólen, ou contra outras coisas que invadissem os olhos. As pequenas sementes eram colocadas diretamente no olho, por debaixo das pálpebras, sendo depois retiradas com a sujidade, funcionando como uma "vassoura".  Podia ser retirada do olho com a ajuda de uma pena de ave! A semente passa de negro a branca, porque com a humidade há libertação de algumas substâncias! Esta utilização é muito conhecida em Trás-os-Montes, mas também noutras zonas do país. Em Espanha chega a receber o nome "hierba de los ojos" ou "hierba del ciego".
Procurei alguma ligação entre esta planta e os galos, ou as galinhas, que explicasse a designação gala (de galo ou galinha) e crista. Parece-me muita coincidência. Será que a haste floral se assemelha a uma crista de galo ou de galinha?
Foi também a Espanha que fui buscar a informação de que a infusão das sementes também é usada como cicatrizante, por aplicação direta sobre as feridas, quente, com a ajuda de um pano, como emplastro. Esta compressa é renovada quando arrefece. No pós guerra chegou a ser fumada, como tabaco!

Outras flores de junho: