Mostrar mensagens com a etiqueta Flora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Flora. Mostrar todas as mensagens

23 outubro 2007

Jacinto - Scilla autumnalis L.

Nos primeiros passeios de Setembro, encontrei várias vezes esta pequena planta florida. Se já a tinha visto antes, nunca me chamou a atenção, o que acho difícil, devido à sua singela beleza. Trata-se de um jacinto (Scilla autumnalis L.), conhecido em Portugal também pelo nome de cila-de-Outubro. Não sei o nome vulgar por que é conhecida em Vila Flor. Reparei nela no dia 4 de Setembro, em Samões, mas também já a encontrei nos montes de Roios e no alto da Serra de Bornes.
A inflorescência (racimo) eleva-se a poucos centímetros do chão, sem folhas visíveis, suportando flores em forma de estrela com 6 pétalas (mais correctamente 3 pétala e 3 sépalas que são idênticas). Curiosamente, não sei se tem algo a ver com o terreno, a coloração das pétalas não me parece igual, indo de tons mais magenta, ao azul da alfazema. A floração acontece gradualmente, de baixo para cima. As folhas aparecem aquando da abertura das últimas flores.
Pertence à família das Lileaceas. Como tal, possui um pequeno bolbo, que no fim do Verão se manifesta, florindo durante os meses de Agosto, Setembro e Outubro. O sinal é dado com a queda das primeiras chuvas. Desenvolve-se em matos, terrenos incultos e encostas pedregosas, sendo possível encontrá-la em todo o país e quase toda a Europa e Sul da Grã Bertanha.

12 setembro 2007

Cores de fim de Verão


Pode parecer pelas últimas reportagens que me tornei um “repórter” social, de festas e espectáculos, abandonando os caminhos da natureza, a máquina fotográfica, a bicicleta e a tranquilidade, mas não é verdade.
No dia 4 de Setembro fiz um pequeno percurso de bicicleta. Saí por um caminho em direcção à Barragem do Peneireiro, passei por trás da Quinta de S. Domingos e cheguei a Samões por um caminho que conduz directamente às traseiras da igreja. Este deve ter sido um caminho com grande importância há alguns anos atrás. Pouco tempo depois da saída de Vila Flor, ali perto da Quinta da Conceição, encontrei na borda do caminho umas pequenas flores azuis que chamaram a minha atenção. Não eram mais do que 4 ou 5 de um azul intenso, difícil de fotografar no sol quente do fim da tarde. Não consegui até ao momento identificar a espécie, mas não deixa de ser curioso encontrar flores como estas já no fim do Verão.
Em Samões, optei por descer a aldeia até perto da Capela de Nossa Senhora do Rosário. Tinha que haver um caminho que descesse em direcção a Freixiel. Não foi difícil encontrar o caminho, é praticamente uma estrada! Esta deve mesmo ter sido a principal via de ligação entre Freixiel e Samões. Lembro que Freixiel quis mesmo pertencer a Carrazeda pelo facto de não serem bem recebidos em Samões quando por ali eram obrigados a passar.

Seguia eu absorto nestes pensamentos, quando encontrei as ruínas de uma pequena quinta. As ruínas são robustas, praticamente todas as paredes estão em pé. Além de um forno e um lagar de vinho, já havia uma pia na cozinha, talhada em granito, com um ralo que deixava correr a água para o exterior. Do lado de baixo seguia o antigo caminho. Na parede que o ladeia, cresce um grupo de pilriteiros (ou espinheiros - Crataegus monogyna). Nesta altura do ano estão muito bonitos, cheios de frutos carnudos (pomos) fortemente coloridos de vermelho. Estes frutos dão para fazer vinho! Um dia destes vou falar sobre esta curiosa planta. Encontrava-me à procura do ângulo mais bonito dos pilriteiros quando chamaram a minha atenção umas pequenas flores sobre uma rocha. Saídas directamente da terra ressequida, um cacho de pequenas flores resistiam ao Verão. Espantado procurei outros exemplares. Havia pelo menos uma meia dúzia de plantas destacando-se sobre a erva seca. Apresentavam uma inflorescência em espiga, mas nem sinal de folhas. Tinha que registar uma terceira “raridade” botânica na mesma tarde!
O Sol estava cada vez mais baixo. Continuei a descer o caminho até ao ribeiro no lugar das Olgas. Um pouco por intuição, segui um caminho tentando alcançar a estrada de Freixiel. Tive sorte. Mesmo com o Sol a brilhar de ouro sobre Folgares, encontrei a estrada de Freixiel um pouco abaixo da pedreira. Não tinha tempo para outras divagações, tentei chegar a casa o mais rapidamente possível.

29 junho 2007

Tílias nas ruas de Vila Flor


Quando falamos de Tília dá a impressão que estamos a falar de uma das plantas mais vulgares, pois toda a gente já ouviu falar no chá de Tília. Na verdade, as coisas não são bem assim. Pelo nome de Tília são conhecidas algumas dezenas de espécies. Para simplificar, há duas espécies europeias, a Tília cordata e a T. platiphyllos. Nos nossos jardins podemos encontrar estas ou outras espécies (como a Tilia tomentosa), vindas da Ásia, da Sibéria ou da América. Estas plantas são muito utilizadas em jardins por várias razões: são rústicas não necessitando de muita água; crescem bem isolada; aguentam com facilidades os cortes que lhe são feitos (por vezes verdadeiros assassínios); podem ser orientadas, cruzando os ramos, que com o tempo se unem; deitam folhas abundantes fornecendo uma boa sombra; quando estão floridas espalham um cheiro agradável; formam bonitas alamedas; algumas podem viver quase mil anos; no Inverno perdem a folha permitindo que a pouca luz ilumine melhor os espaços.

As suas folhas alternadas captam com facilidade a luz do sol mas o mais curioso está nas suas flores. Elas agrupam-se em cachos, unidos numa longa bráctea verde clara, difundindo um odor muito agradável. A floração dá-se em Junho e são muito procuradas para secar e posteriormente fazer o famoso chá de Tília, com propriedades a nível do sistema nervoso. Melhora a qualidade do sono. É um calmante natural por excelência.
Em Vila Flor há muitas Tílias, nem todas da mesma espécie. Há-as no Jardim do 7.ºCentenário, na Avenida Marechal Carmona, em volta do Mercado Municipal, na Rua Dr. Oliveira Salazar, junto ao Centro de Saúde e na Praça da República, entre outras. É na Praça da República que se pode admirar o mais belo conjunto, uma vez que há dezenas de Tílias, verdes e floridas, que emprestam ao local uma frescura bem diferente daquela que vivemos durante o Inverno. Foi aí que me encontrei com elas, nesta época de Santos Populares, contrastando com o colorido dos enfeites.

20 junho 2007

De novo em Macedinho


Na azáfama do final de mais um ano lectivo, com um clima completamente instável e estranho para a época, arranjei tempo para voltar a Macedinho. Deste vez procurava vestígios arqueológicos. No meio de muito mato, poços de mina e árvores queimadas, descobri também pequenas maravilhas da natureza. Deixo esta fotografia que mais parece uma renda de bilros, estranha e bela, enquanto espero por tempo para poder descrever tudo o que descobri.

15 junho 2007

Vestida de branco


As cores dos campos de Vila Flor tem sofrido cambiantes fascinantes. Numa altura que começam a notar-se os efeitos da temperatura, olho para trás fascinado com tudo o que consegui registar. Aqui deixo algumas amostras do branco, sempre lindo, sempre puro.

28 maio 2007

Mês de Maio ... águas mil


Nas últimas semanas o clima em Vila Flor tem estado muito incerto. Grandes trovoadas, muita chuva, alguns dias de sol e se transformam em nuvens negras...
Tenho saído, às vezes de carro, registando a flora, antes que os dias de sol agressivo acabem com ela. Na Vilariça, os montes já apresentam os tons da erva seca, mas na terra fria (Valtorno, Alagoa, e outras) os montes estão lindíssimos, cheios de giesta floridas.

16 maio 2007

A pergunta


Interrogam-se as pedras alinhadas
Da montanha que alterna com o céu.
Tudo se esvai em alvacento véu,
Só ficam as perguntas derramadas

Dos recantos do dia, concertadas
Em conhecer o fruto que nasceu
Do peito da criança que o perdeu
Entre uma teia de árvores destroçadas...

Só o silêncio largo do horizonte.
Um dedal de mistério na recolha
Do que se alberga entre alma e monte.

A vida inteira pra não responder
À pequena pergunta de uma folha
Tremendo à brisa do amanhecer!

Poema de João de Sá*, do livro"Flores para Vila Flor", 1996.
A fotografia foi tirada dia 7 de Maio, perto de Roios. Uma oferta especial para alguém que gosta de flores amarelas.

*João Baptista de Sá nasceu em Vila Flor, em 7 de Novembro de 1928, e licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa.
Colaborou em inúmeros jornais e revistas, escreveu peças de teatro radiofónico, proferiu palestras sobre assuntos culturais e obteve vários galardões em certames literários.
Em 1973 foi atribuído o Prémio de Revelação - Prosa, da S.E.I.T., à sua colectânea de contos "Concerto para Vida e Esperança".

15 maio 2007

Castanheiro-da-india (Aesculus hippocastanum)


As bonitas árvores que se encontram ao longo da Avenida Marechal Carmona são na grande maioria Castanheiros-da-india. É possível nesta altura admirar em plenituda a floração das duas espécies existentes, o Aesculus hippocastanum, de flores brancas, e o híbrido Aesculus x carnea, de flores cor-de-rosa.
Os frutos, castanhas-da-índia, são usadas entre nós contra a traça, colocando-as nos roupeiros, entre as peças de roupa. Nalguns países do Medio Oriente eram utilizadas como alimento para o gado.

29 abril 2007

Na beira do caminho


Hoje o passeio foi a Samões. Um dia estranho, com nuvens escuras e períodos de um sol radioso. No regresso a casa, parei para fotografar um conjunto de papoilas que floriram num monte de entulho. O sol já estava baixo e o resultado foi este.

25 abril 2007

Espargos - Asparagus officinalis

Tenho encontrado espargos selvagens um pouco por todo o concelho. Este foi fotografado próximo da aldeia de Meireles.
São frequentes durante os meses de Março e Abril.
Esta planta, de nome científico Asparagus officinalis é bastante apreciada em Vila Flor, no nordeste trasmontano mas também na cozinha francesa e italiana. A designação officinalis sugere a sua utilização para fins medicinais. De facto os espargos são conhecidos por serem ricos em ácido fólico, responsável pela divisão das células do sistema imunitário. Também lhe é atribuindo um poder diurético e depurativo. O seu consumo pode conferir à urina um cheiro característico o que parece só acontecer com algumas pessoas.
Também devido à configuração dos seus rebentos é-lhes atribuído algum poder afrodisíaco.
Sinceramente nunca comi espargos selvagens, mas tenho visto muitas pessoas a apanhá-los. Fiquei com a ideia de que são consumidos principalmente em omeleta, mas uma busca na Internet abre os horizontes sobre as diferentes maneiras de cozinhar espargos.
Se alguém tiver uma receita típica, feita à base de espargos, agradeço.

21 abril 2007

Quinta da Barquinha e outras quintas


Foi numa quarta, mais concretamente a 21 de Março de 2007, que subi ao topo da Fraga do Frade, e, de 654 metros de altitude, fiz estas fotografias. A meus pés estende-se um fértil vale onde se encaixam a Quinta de S. Gonçalo, Quinta de S. João, Quinta da Barquinha, Quinta da Paz, Quinta da Conceição e Quinta dos Lagares.
Nestes terrenos domina a oliveira que cede algum espaço a algumas vinhas. Também por aqui há algumas pereiras, floriram agora em Abril.
Passei uma tarde inteira admirando o quadro harmonioso, pintado em tons de azul e verde, muitas vezes verde azeitona, que se envolve amorosamente com os castanhos da terra. Desde o Marco, próximo de Samões, o olhar perde-se, ora mais próximo, com a Vila a meus pés, ora mais longe, pelo Peneireiro, descendo pelo Gavião, saltando para o Castedo e adormecendo na Foz. Sobe-se o Reboredo até Moncorvo que logo se larga para focar mais próximo a Adeganha e a Junqueira. Já cansados de tanto olhar, baixamos os olhos e do Alto da Caroça até à Sr.ª da Veiga, onde todos descansam. Depois de uns segundo de pausa, redirecciona-se a objectiva, respira-se o ar de urzes e torgas temperado de silêncios, porque o barulho aqui não se faz ouvir.
Quando o astro rei se preparou para dormir e incendiou a Vila, a Poente, impedindo-me de olhar, abandonei o local, andando de vagar, tentando não fazer barulho com os pés, não queria perturbar.
Este quadro de um reino maravinhoso que eu vi, e senti, outros viveram e sentem na saudade. Espero que esta mensagem chegue ao Brasil, à Laura e ao Fernando. Que ela alegre toda a nostalgia de mais de 40 anos de distância.

20 abril 2007

Subida à Serra do Faro


No dia 16 de Abril parti com intenção de subir à Serra do Faro. A urze já está com as flores secas mas a carqueja, as estevas, as giestas e muitas outras flores selvagens emprestam um colorido à paisagem, que, nos pontos mais altos, se vai perder em poucos dias.
O céu estava azul e com poucas nuvens. Rumei a Vilas Boas e fiz um rápido passeio pela aldeia. Depois, continuei na estrada em direcção a Vilarinho das Azenhas durante cerca de quilómetro e meio onde deixei a estrada e entrei por um caminho, à direita. Aqui começou a etapa mais bonita do meu percurso. As vegetações estavam luxuriante e flores de todas as cores brotavam de todos os lados. A par desta paleta variada e viva, passeavam-se os olhos por quilómetros de serras que o meu conhecimento não destrinça. Identifiquei a Senhora dos Remédios, lá ao fundo, em Vilarinho das Azenhas. Segui um fio de prata que se entendia contorcido até à Ribeirinha. Era o Rio Tua.

Centrei de novo a minha atenção no caminho, rasgando a encosta. Deixei o Cabeço de S. Cristóvão para trás, seguindo a uma cota de mais ou menos 500 metros, fui contornando todo o conjunto montanhoso por Oeste. Muitas vezes larguei a bicicleta, sentei-me no chão, fotografando pequenos amores-perfeitos, aranhas e outros animais pequenos, deliciados com o sol quente de fim de tarde.
O tempo foi passando e a paisagem mudou. Entrei numa zona que ardeu no Verão passado. A natureza já se esforçou por decorar e rejuvenescer a área mas não se pode comparar com aquela onde tinha seguido até então. Contornar toda a cadeia de montanhas levar-me-ia muito tempo. Não tinha outra alternativa senão subir em linha recta em direcção ao topo! Durante algum tempo consegui progredir sem grande esforço, mas, quanto mais me aproximava do ponto mais alto, mais agreste se tornou o “caminho”, tendo que carregar a bicicleta (como já me tinha acontecido no dia 12 de Fevereiro quando subi ao alto do Cabeço de São Cristóvão). A tarde foi descendo, apareceram algumas nuvens a paisagem foi-se tornando mais esbatida.

É impressionante a imensidão que se avista do Marco Geodésico situado a 822 metros de altitude! Saltei de rocha em rocha (já sem a bicicleta), procurando explorar toda a área em redor. As sombras já cobriam a vertente a Nascente chegando já a Meireles.
Chamaram a minha atenção paredes que parecem ser muralhas de protecção de algum refúgio de povos pré-históricos. Era impossíveis não repararem neste local. Daqui poderiam vigiar uma grande área em redor e, é possível, que este lugar tenha sido utilizado para fazer sinais, integrado num sistema de comunicação. Porquê o nome Faro?!
Com muita pena minha, tive que sair dali rapidamente. Pretendia descer de bicicleta pela encosta a Nascente, mas, pelo que podia avistar, o caminho recuava muito em direcção ao Cachão, era longo e a noite estava próxima. Não parei mais até chegar a Vilas Boas. A reserva de água há muito que se tinha esgotado, refresquei-me numa fonte no centro da aldeia.

Cheguei a Vila Flor, tarde e exausto. Não satisfiz todas as expectativas que tinha de subir ao alto daquela montanha, as condições atmosféricas já não eram as ideais. Por outro lado, o percurso que fiz até chegar ao topo foi fantástico! Cheio de boas imagens e de adrenalina.
Não me importo nada de repetir a experiência.

Quilómetros percorridos neste percurso: 26
Total de quilómetros de bicicleta: 845
Total de fotografias: 17 826

16 abril 2007

Novas aventuras


Hoje foi dia de novas aventuras. Não queria deixar passar a Primavera sem subir à Serra do Faro. Pedalei, caminhei, escalei, mas também andei de joelhos, fotografando flores, pequenos insectos, grãos de areia se comparados com os enormes rochedos que se ergueram diante dos meus olhos.
Cheguei a casa "desfeito". As fotografias estão fantásticas, e, das centenas que juntei, escolhi esta. Simples mas extraordinária. Um mundo que brota numa escarpa agreste que pintou de negro de carvão as minhas pernas enquanto subia.
Valeu a pena. Foi um passeio especial, num dia especial.

30 março 2007

Êxtase


No dia 25 de Março, quando voltava de um passeio pelo Vale da Vilariça, subi (à descoberta) ao monte a Poente de Sampaio onde se encontra o marco geodésico de Santa Marinha. Na altura fiquei fascinado com a vista e prometi a mim mesmo voltar o mais rápido que pudesse. Para fotografar, o mês é importante, a semana, o dia ou mesmo a hora do dia. Sabia que em pouco dias a paisagem mudaria completamente e não queria perder o espectáculo que vi.
Como o passeio era curto, até levei o tripé, sempre dá uma ajuda para fazer fotografias panorâmicas.
No cimo do monte há um planalto, aproximadamente com 500 metros de cumprimento, 60 ou 70 metros de largura, que se estende perpendicularmente à posição do vale. Na vertente virada a Sampaio o declive é mais suave e florestado com pinheiro bravo. Na vertente a Poente o planalto termina abruptamente em enormes penhascos que algumas aves de rapina aproveitam para vigiarem uma grande área em redor, procurando alimento.
No planalto erguem-se pequenos conjuntos de rochas, aqui e além, mas há espaços bastante direitos e limpos.

Toda a área foi tomada de assalto pela Primavera. As giestas brancas (Cytisus multiflorus) está no auge de floração. Intercalando com a esteva (Cistus ladaniferus e outras), preenchem quase todo o planalto. Aqui e ali surgem pequenas manchas de urze (Erica cinérea) e mais raramente aparecem também as carquejas (Pterospartum tridentatum) e alguns pirliteiros (Crataegus monogyna). Há também rosmaninho (Lavandula stoechas), mas pouco, e um infindável colorido de plantas floridas mais pequenas que não consegui identificar. A Urze está já na fase descendente de floração mas todas as outras estão na máxima pujança.
Pinheiros (Pinus pinaster), carrascos (Quercus coccifera), sobreiros (Quercus suber) e zimbros (Juniperus communis), quebram na paisagem a linha rasteira dos arbustos.
Como se este manjar da natureza não fosse já suficiente, levantam-se os olhos e caímos de joelhos com tanta beleza! São 360 graus de verde, coroado por bonitas nuvens brancas incrustadas num num azul, com centenas de pontos a desfiarem a atenção. Aldeias, quintas, montanhas, estradas, olivais, tudo daqui se domina, tudo parece pequeno, só o Vale da Vilariça se oferece, tudo recebe em seu regaço e a tudo dá vida. Até os penhascos estão cheios dela!
Perdi-me percorrendo o vale, da Foz do Sabor ao alto da Serra de Bornes, visitando cada aldeia, percorrendo cada estrada e ribeiro. Dois pequenos piscos olhavam para mim, admirados, do alto do marco geodésico! Quando subi ao marco geodésico (460 metros de altitude), já várias horas tinham passado desde que tinha chegado ao planalto, 400 metros atrás! Montei o tripé e ensaiei as panorâmicas com 360º.

Mais à frente estão ruínas de uma construção robusta que pode ter sido uma capela. As paredes são largas, feitas de xisto e barro, mas a porta assentava em granito bem aparelhado. Ao lado desta construção rectangular, orientada para Poente, há vestígios de outra estrutura.
O monte chama-se Santa Marinha e o marco geodésico Marco de Santa Marinha, mas não encontrei nenhuma referência a uma capela nos livros .
Quando cheguei à ponta do planalto, depois das ruínas, avistei a Junqueira. As nuvens semeavam grandes manchas escuras em todo o vale, estava na hora de regressar. O caminho de volta foi mais rápido mas não deixou de ser fantástico abeirar-me dos penhascos, admirar a obra do homem, lá ao fundo, olhar para as minhas costas e admirar a obra da natureza. Foi esta última que me manteve mais de quatro horas neste pedaço de terra com cerca de 3000 metros quadrados, em silêncio, adorando os elementos, tal como o homem há milhares de anos o fazia.