Integrado nas festas da Amendoeira em Flor, em Vila Flor, realizou-se ontem um espectáculo à frente da Câmara Municipal com a presença do Rancho Folclórico de Freixiel e o Grupo de Cantares para Vila Flor.
Este costuma ser um dos momentos altos destas comemorações, com muita gente a deslocar-se das freguesias circundantes para assistirem ao espectáculo. Este ano a afluência foi menor, dadas as baixas temperaturas e a ameaça de chuva, que se veio a verificar, poucos segundos depois de terminar o espectáculo.
Apesar das danças já serem do nosso conhecimento, há sempre algumas novidades: o grupo Cantares para Vila Flor apresentou-se com algumas diferenças a nível das vozes e o Rancho Folclórico de Freixiel mostrou duas novas danças pela primeira vez.
Também os Gigantones de Valtorno animaram as principais artérias de vila, com passagem obrigatória pelo recinto do espectáculo.
As amendoeiras floridas ainda são poucas, mas são muitos os autocarros que passam por Vila Flor. Infelizmente os que param são poucos, dado que as condições atmosféricas não têm estado nada propícias. Esperamos que esta situação se altere.
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01 março 2010
14 fevereiro 2010
Arrematação de S. Sebastião
A arrematação de S. Sebastião, em Freixiel, é um dos acontecimentos mais interessantes que ocorrem durante o ano nesta freguesia. Este ano não foi excepção e teve lugar no dia 31 de Janeiro.
Durante a manhã realiza-se o peditório e a recolha dos géneros que são postos em arrematação durante a tarde. O surpreendente nesta arrematação é quantidade e variedade de produtos arrematados. Também a existência de pequenos pacotes em arrematação, em que não se sabe o conteúdo, vulgarmente conhecidos por "segredos" dão alguma graça ao evento. Já tenho "picado" alguns destes segredos em anos anteriores, nunca tive o azar de me calhar algo repugnante, mas coisas dessas eram frequentes no passado. Quando cheguei ao adro da igreja, os "segredos" já tinham sido todos arrematados! Seria um erro guardá-los para o final, por isso é com eles que se dá início ao leilão.
Este ano registei a existência de dois galheiros. Os galheiros são ramos, muitas vezes de zimbro, aos quais foram retiradas todas as folhas, deixando apenas os galhos, de 10 a 30 cm onde se penduram produtos. Estes galheiros eram tradicionais nos cantores de reis, que aí penduravam os produtos recolhidos, de casa em casa, quando cantavam os reis, nomeadamente fumeiro. Em Freixiel são usados nesta arrematação de S. Sebastião, sendo todo o galheiro arranjado pela mesma pessoa, que o oferece para a arrematação.
A lista de produtos que podem ser aqui comprados é enorme, com predominância dos produtos da terra: azeite, fumeiro, cebolas, batatas, vinho, figos, ovos, feijão-seco, fruta, figos secos, etc. Há sempre também alguns animais vivos, principalmente galos, pombas e coelhos. Os produtos mais oferecidos e leiloado são bolos, muitos caseiros outros mandados fazer expressamente nas pastelarias. Cada bolo é posto em leilão sempre juntamente com uma garrafa de vinho, espumoso, champanhe ou vinho fino. Cada vez menos frequentes são as línguas de porco, dada a legislação proibir o abate destes animais da forma tradicional. Mesmo assim, este ano ainda havia uma para arrematar.
A arrematação dura toda a tarde, havendo muita gente que vem prevenida de casa com uma cadeira ou um banquinho para ajudar a aguentar toda a tarde.
Não fiquei até ao final para saber o montante arrecadado, mas, a julgar pela quantidade de notas que já enchia a pequena caixa de costura, S. Sebastião deve ter ficado muito satisfeito com a generosidade das pessoas. Não sei se a receita se destinava a ajudar a custear as despesas do restauro da igreja, que anda em obras, mas tenho a certeza que será usada para uma boa causa.
Durante a manhã realiza-se o peditório e a recolha dos géneros que são postos em arrematação durante a tarde. O surpreendente nesta arrematação é quantidade e variedade de produtos arrematados. Também a existência de pequenos pacotes em arrematação, em que não se sabe o conteúdo, vulgarmente conhecidos por "segredos" dão alguma graça ao evento. Já tenho "picado" alguns destes segredos em anos anteriores, nunca tive o azar de me calhar algo repugnante, mas coisas dessas eram frequentes no passado. Quando cheguei ao adro da igreja, os "segredos" já tinham sido todos arrematados! Seria um erro guardá-los para o final, por isso é com eles que se dá início ao leilão.
Este ano registei a existência de dois galheiros. Os galheiros são ramos, muitas vezes de zimbro, aos quais foram retiradas todas as folhas, deixando apenas os galhos, de 10 a 30 cm onde se penduram produtos. Estes galheiros eram tradicionais nos cantores de reis, que aí penduravam os produtos recolhidos, de casa em casa, quando cantavam os reis, nomeadamente fumeiro. Em Freixiel são usados nesta arrematação de S. Sebastião, sendo todo o galheiro arranjado pela mesma pessoa, que o oferece para a arrematação.
A lista de produtos que podem ser aqui comprados é enorme, com predominância dos produtos da terra: azeite, fumeiro, cebolas, batatas, vinho, figos, ovos, feijão-seco, fruta, figos secos, etc. Há sempre também alguns animais vivos, principalmente galos, pombas e coelhos. Os produtos mais oferecidos e leiloado são bolos, muitos caseiros outros mandados fazer expressamente nas pastelarias. Cada bolo é posto em leilão sempre juntamente com uma garrafa de vinho, espumoso, champanhe ou vinho fino. Cada vez menos frequentes são as línguas de porco, dada a legislação proibir o abate destes animais da forma tradicional. Mesmo assim, este ano ainda havia uma para arrematar.
A arrematação dura toda a tarde, havendo muita gente que vem prevenida de casa com uma cadeira ou um banquinho para ajudar a aguentar toda a tarde.
Não fiquei até ao final para saber o montante arrecadado, mas, a julgar pela quantidade de notas que já enchia a pequena caixa de costura, S. Sebastião deve ter ficado muito satisfeito com a generosidade das pessoas. Não sei se a receita se destinava a ajudar a custear as despesas do restauro da igreja, que anda em obras, mas tenho a certeza que será usada para uma boa causa.
13 fevereiro 2010
Reis 2010 (4)
Continuação de - Reis 2010 (3)
Sei que os Reis já vão um pouco desfasados no tempo, mas, por respeito aos diferentes grupos de quem ainda não falei, aqui vou deixar algumas palavras e fotografias.
O sexto grupo a actuar representou Freixiel. Quem tem acompanhado estas galas sabe que este grupo se apresenta sempre com um grande número de elementos, com adereços interessantes e representativos da aldeia e com uma qualidade musical e vocal digna de realce. Nesta gala, essa tradição, não foi quebrada.
Este grupo também cantou os reis pelas ruas da sua aldeia, angariando mais de 1000 euros para ajudar a pagar o restauro dos altares da sua igreja matriz.
A primeira interpretação foi Boas Festas.
Boas Festas, Boas Festas
Cantamos com alegria
Um bom ano para todos
Cheio de paz e harmonia.
Estamos à vossa porta
Cantando com alegria
O bom Deus vos abençoe
Para sempre e neste dia.
Santos Reis, Santos coroados
Vinde ver quem vos coroou
Foi a Virgem Mãe Sagrada
Quando por aqui passou.
O caminho era torto
Uma estrela vos guiou
Em cima de uma cabana
Essa estrela poisou.
A cabana era pequena
Não cabiam todos três
Adoraram Deus Menino
Cada um por sua vez.
As pessoas desta casa
Boas Festas vi mos dar
Desejamos um bom ano
E as Janeiras cantar.
Na segunda interpretação, uma bonita valsa, brilhou toda a harmonia vocal do grupo, demonstrando que o trabalho continuado, ao nível do Rancho Folclórico ou mesmo do coro da igreja, produz os seus frutos. Foi bonito de ouvir ...
As Janeiras
Viva lá o Sr. da casa,
À sua porta nos tem,
Vimos dar as Boas Festas
E à sua mulher também.
Também queremos saudar,
Os seus queridos filhinhos,
Não podemos esquecer
Os seus tão lindos netinhos.
Boa noite Sr. da casa,
Aqui tem a festa à porta.
Se não nos quiser dar nada,
Não nos dê fraca resposta.
Já lá vai o ano velho,
Estamos no ano novo.
Vimos dar as Boas Festas,
Respeitando todo o povo.
S'tá muito frio cá fora,
E uma grande geada.
Vinde-nos abrir a porta,
Que é boa rapaziada.
Actuou, de seguida o grupo Vieiro em Acção, representando Vieiro, anexa de Freixiel. Foi mais um grupo estreante que, apesar número reduzido de elementos, apenas 5, não teve complexos e marcou presença nesta gala.
Lá no céu há um castelo
Castelo Maravilhoso
Lá no segundo andar
Chorava a Virgem Maria.
Porque chora Minha Mãe?
Porque chora ó Mãe Minha?
Choro pelos pecadores
Que andam no mundo sozinhos.
Não é por interesse
Ó rapaziada
Queremos que nos estimem
A nossa risada.
Viemos aqui
Todos reunidos
Dar as Boas Festas
Aos nossos amigos.
A segunda actuação foi uma homenagem ao aos responsáveis pela direcção da autarquia, mas também a todos os vilaflorenses.
A laranja redondinha
É docinha como o mel
Ó que pessoa tão nobe
É o senhor doutor Pimentel.
Ó que dia tão bonito
E a tarde está linda
Viva o sr. Fernandes
E a senhora doutora Gracinda.
A gente de Vila Flor
Que é tão popular
São gente de boa terra
Nós viemos visitar.
O arco de D. Dinis
É um monumento a visitar
À gente de Vila Flor
Nós os Reis viemos cantar.
Ao sobreiro ramalhudo
No outono cai a bolota
Se nos querem dar os Reis
Venham-nos abrir a porta.
Vamos dar a despedida,
Por cima de uma maçã.
Passem muito bem a tarde,
Adeus e até amanhã.
Continua - Reis 2010 (5).
Sei que os Reis já vão um pouco desfasados no tempo, mas, por respeito aos diferentes grupos de quem ainda não falei, aqui vou deixar algumas palavras e fotografias.
O sexto grupo a actuar representou Freixiel. Quem tem acompanhado estas galas sabe que este grupo se apresenta sempre com um grande número de elementos, com adereços interessantes e representativos da aldeia e com uma qualidade musical e vocal digna de realce. Nesta gala, essa tradição, não foi quebrada.
Este grupo também cantou os reis pelas ruas da sua aldeia, angariando mais de 1000 euros para ajudar a pagar o restauro dos altares da sua igreja matriz.
A primeira interpretação foi Boas Festas.
Boas Festas, Boas Festas
Cantamos com alegria
Um bom ano para todos
Cheio de paz e harmonia.
Estamos à vossa porta
Cantando com alegria
O bom Deus vos abençoe
Para sempre e neste dia.
Santos Reis, Santos coroados
Vinde ver quem vos coroou
Foi a Virgem Mãe Sagrada
Quando por aqui passou.
O caminho era torto
Uma estrela vos guiou
Em cima de uma cabana
Essa estrela poisou.
A cabana era pequena
Não cabiam todos três
Adoraram Deus Menino
Cada um por sua vez.
As pessoas desta casa
Boas Festas vi mos dar
Desejamos um bom ano
E as Janeiras cantar.
Na segunda interpretação, uma bonita valsa, brilhou toda a harmonia vocal do grupo, demonstrando que o trabalho continuado, ao nível do Rancho Folclórico ou mesmo do coro da igreja, produz os seus frutos. Foi bonito de ouvir ...
As Janeiras
Viva lá o Sr. da casa,
À sua porta nos tem,
Vimos dar as Boas Festas
E à sua mulher também.
Também queremos saudar,
Os seus queridos filhinhos,
Não podemos esquecer
Os seus tão lindos netinhos.
Boa noite Sr. da casa,
Aqui tem a festa à porta.
Se não nos quiser dar nada,
Não nos dê fraca resposta.
Já lá vai o ano velho,
Estamos no ano novo.
Vimos dar as Boas Festas,
Respeitando todo o povo.
S'tá muito frio cá fora,
E uma grande geada.
Vinde-nos abrir a porta,
Que é boa rapaziada.
Actuou, de seguida o grupo Vieiro em Acção, representando Vieiro, anexa de Freixiel. Foi mais um grupo estreante que, apesar número reduzido de elementos, apenas 5, não teve complexos e marcou presença nesta gala.
Lá no céu há um castelo
Castelo Maravilhoso
Lá no segundo andar
Chorava a Virgem Maria.
Porque chora Minha Mãe?
Porque chora ó Mãe Minha?
Choro pelos pecadores
Que andam no mundo sozinhos.
Não é por interesse
Ó rapaziada
Queremos que nos estimem
A nossa risada.
Viemos aqui
Todos reunidos
Dar as Boas Festas
Aos nossos amigos.
A segunda actuação foi uma homenagem ao aos responsáveis pela direcção da autarquia, mas também a todos os vilaflorenses.
A laranja redondinha
É docinha como o mel
Ó que pessoa tão nobe
É o senhor doutor Pimentel.
Ó que dia tão bonito
E a tarde está linda
Viva o sr. Fernandes
E a senhora doutora Gracinda.
A gente de Vila Flor
Que é tão popular
São gente de boa terra
Nós viemos visitar.
O arco de D. Dinis
É um monumento a visitar
À gente de Vila Flor
Nós os Reis viemos cantar.
Ao sobreiro ramalhudo
No outono cai a bolota
Se nos querem dar os Reis
Venham-nos abrir a porta.
Vamos dar a despedida,
Por cima de uma maçã.
Passem muito bem a tarde,
Adeus e até amanhã.
Continua - Reis 2010 (5).
28 janeiro 2010
Freixiel - Arrematação de S. Sebastião.
Realiza-se em Freixiel, no dia 31 de Janeiro pelas 14h00 a tradicional arrematação dos produtos da terra, oferecidos pelos filhos e filhas desta bela e grande terra.
O produto, como nos primórdios, reverterá a favor da igreja paroquial de Freixiel. Colabore, dando a sua oferta e marcando presença, pois só assim continuará viva esta tradição secular.
Lá poderá encontrar:
Reportagem da Arrematação efectuada em 27 de Janeiro de 2008
O produto, como nos primórdios, reverterá a favor da igreja paroquial de Freixiel. Colabore, dando a sua oferta e marcando presença, pois só assim continuará viva esta tradição secular.
Lá poderá encontrar:
- Todo o tipo de produtos hortícolas;
- O famoso "azeite do Lavrador" do Nordeste Transmontano;
- Fumeiro caseiro com abundância;
- Queijos;
- Bolos caseiros (oferta das senhoras desta terra);
- Os tradicionais "segredos";
Reportagem da Arrematação efectuada em 27 de Janeiro de 2008
22 outubro 2009
Natureza Harmoniosa
Vagueio nos campos destas terras
Em jeito de... passeio,
Por estas encostas fartas
E rasos vales de natureza,
Que embelezam estas correntezas,
Espelham toda a bondade
De valados de... riqueza,
Cachos de saudade.
Trepo por estes caminhos pedestais
Que me provocam liberdade
Que procriam o meu voltar
Aqui rememoro a minha juventude
Nestas terras de arrebatar
De giestas de... ternura,
Das flores à verdura
Onde as urzes proclamam,
As estevas me chamam
Num convite irrecusável,
Entre fragas... admiráveis
Neste pedaço adoro o céu
Este sítio também é meu
Aqui abraço a natureza bela
Que vejo desta janela
Chamada Campo... meu paraíso,
Porque estas flores campestres
Que só em passeios pedestres
Me oferecem o que mais... preciso,
Paz... natureza... paz
Poema de Fernando Silva
Fotografia: Sobreiros em Vale Covo (Freixiel)
Em jeito de... passeio,
Por estas encostas fartas
E rasos vales de natureza,
Que embelezam estas correntezas,
Espelham toda a bondade
De valados de... riqueza,
Cachos de saudade.
Trepo por estes caminhos pedestais
Que me provocam liberdade
Que procriam o meu voltar
Aqui rememoro a minha juventude
Nestas terras de arrebatar
De giestas de... ternura,
Das flores à verdura
Onde as urzes proclamam,
As estevas me chamam
Num convite irrecusável,
Entre fragas... admiráveis
Neste pedaço adoro o céu
Este sítio também é meu
Aqui abraço a natureza bela
Que vejo desta janela
Chamada Campo... meu paraíso,
Porque estas flores campestres
Que só em passeios pedestres
Me oferecem o que mais... preciso,
Paz... natureza... paz
Poema de Fernando Silva
Fotografia: Sobreiros em Vale Covo (Freixiel)
20 outubro 2009
Caminhada pelo vale Covo
Fez ontem um mês que fiz uma caminhada memorável entre as freguesias de Candoso e Freixiel. Já várias vezes falei do vale escavado entra Candoso e Mogo de Malta, Vale Covo, e circulei pelas suas encostas, mas nunca o tinha explorado com calma, a pé. O percurso que estudei, com algum pormenor, partia de Candoso, percorria o vale até Freixiel e regressava a Candoso por outro caminho, percorrendo o cume das montanhas.
Fui de carro até Candoso: Deixei-o no fundo da aldeia, junto das alminhas, onde me pareceu melhor situado para o regresso.
Subi a rua principal até junto da igreja e parti em direcção ao poente pela rua do Malbarato. Pensei em subir à capela de Nossa Senhora da Assunção, mas não foi necessário. Assim que deixei as últimas casas da aldeia entrei, de repente, no coração das fragas decoradas aqui e além por frondosos sobreiros. Também havia alguns castanheiros e pequenas courelas com oliveiras bem cuidada.
Uma família de corvos vigiava-me dos fraguedos mais altos. Quando era criança aprendi a olhar estas aves com superstição, mas agora sei que os corvos são muito inteligentes e úteis. Vivem em grupos familiares constituídos por um casal e um ou dois filhos. Acompanharam-me dos céus durante grande parte da tarde, alternando entre as duas encostas do vale.
O caminho desce em zig-zag pela encosta de encontro ao centro vale. Concentrei a minha atenção nas árvores. Os sobreiros são excelentes sobreviventes! Nem os incêndios, nem a seca, muito menos o abandono conseguem matar estas árvores fantásticas, que apresentam uma impressionante verdura, quando o resto da vegetação agoniza pela falta de água. De onde em onde avistam-se antigos fornos de secar os figos. Aquele vale está cheio deles, tal como a Cabreira e a zona do Vieiro. Também encontrei algumas construções em ruínas.
Eram quase dezoito horas quando cheguei à “crica da vaca”. Para quem não sabe é uma nascente, em que a água “nasce” das rochas. Curiosamente ainda corria abundantemente! Repus as minhas reservas de água e rebusquei alguns bagos de uva nas vinhas recentemente vindimada. Estava praticamente a um terço do meu percurso e já as sombras cobriam parte do vale. Acelerei o passo até chegar à entrada de Freixiel, mais concretamente à forca. Durante alguns minutos saboreei a tranquilidade da aldeia, indiferente ao meu olhar. A luz chegava pela abertura por onde a ribeira da Cabreira se esgueira em direcção ao Tua.
Abandonei o local e parti a toda a pressa pelo caminho da Redonda que liga a Samões. A luz foi-se esvaindo e o céu cobrou-se de todas as cores que o fogo pode conter. A preocupação de andar o caminho não foi suficientemente forte para me fazer andar. Rendi-me ao colorido do horizonte e captei cada silhueta de sobreiro, cada rochedo dourado, cada sombra no caminho.
Só quando a noite caiu por completo parei de fotografar o por do sol. Faltavam-me sensivelmente 5 quilómetros para chegar a Candoso e tinha sério receio de me perder. A zona que percorria é muito, muito agreste. È um percurso íngreme e, talvez por isso, me orientei melhor. Quando encontrei um caminho meu conhecido sosseguei um pouco. Já tinha estado naquelas paragens no dia 18 de Julho de 2007 quando subi ao marco geodésico do Pelão.
O tempo rendia e não havia maneira de vislumbrar ao longe as luzes de Candoso! De repente, do meio da noite, surgiram algumas luzes. Cheguei à aldeia já depois das oito e meia da noite. Foi uma caminhada longa, mais de 12 quilómetros. Se demorei muito, foi porque gozei o tempo e me fartei de tirar fotografias. Este percurso é excelente, quem sabe vou repeti-lo noutra época do ano.
Percurso:
13 outubro 2009
Ir à Terra
Outro dos livros que me acompanhou este Verão foi "Ir à Terra", de Modesto Navarro. Trata-se de um livro de poesia, com 105 páginas, que se lê rapidamente. É necessário voltar ao início e reler tudo com calma. Este escritor tem uma forma própria de escrever. Fala da pobreza, do trabalho, das mulheres que se vendem para viver, sem rodeios, com uma linguagem que pode chocar. Os poemas retratam essencialmente situações do dia a dia, algumas em Vila Flor, outras noutros locais.
O livro foi editado pelo autor em 1972 e distribuído pela Dina Livro, Lda.
Transcrevo um dos poemas que mais me agradou, chamado Ida e Volta.
Quem abandona o deserto
por certo
que não é desertor
Quem abandona o deserto
e sente
esta dor
Este campo abandonado
este destino incerto
e o patrão cercado
Quem abandona este deserto
parte certo
para o incerto
Quem abandona este deserto
Quem abandona este deserto
Quem abandona este deserto
Volta ao deserto
gosta do deserto
ama o deserto
Quer ter o deserto transformado
em troca do destino
incerto
As fotografias foram tiradas em Freixiel, uma no vale do Pelão e a outra perto da forca, em Setembro de 2009.
O livro foi editado pelo autor em 1972 e distribuído pela Dina Livro, Lda.
Transcrevo um dos poemas que mais me agradou, chamado Ida e Volta.
Quem abandona o deserto
por certo
que não é desertor
Quem abandona o deserto
e sente
esta dor
Este campo abandonado
este destino incerto
e o patrão cercado
Quem abandona este deserto
parte certo
para o incerto
Quem abandona este deserto
Quem abandona este deserto
Quem abandona este deserto
Volta ao deserto
gosta do deserto
ama o deserto
Quer ter o deserto transformado
em troca do destino
incerto
As fotografias foram tiradas em Freixiel, uma no vale do Pelão e a outra perto da forca, em Setembro de 2009.
15 julho 2009
Pelos caminhos da serra
Há quase 2 meses que a minha actividade física pelos caminhos do concelho está praticamente parada. Viajar de carro não é a mesma coisa, e, no regresso a casa, há sempre aquela sensação de pouco ter visto. Interessante é viajar a pé ou de bicicleta.
A queda de bicicleta que tive em Abril têm-me levado a descobrir outras coisas, como o sistema de saúde que não existe ou o indiferente atendimento prestado nos hospitais públicos. Não interessa muito falar disso, porque daria um (triste) romance. No Centro de Saúde de Vila Flor fui sempre bem atendido, enquanto andei a fazer curativos ao ombro, o mesmo já não se passou com a médica de família. Depois de esperar um mês e meio pela consulta, quando me atendeu, limitou-se a dizer que o caso não lhe dizia respeito, que consultasse o médico do seguro. Se eu quisesse conselhos jurídicos não ia ao médico! Perece-me que a existência do médico de família pretendia humanizar as relações entre as famílias e os centros de saúde, mas isso não acontece com os médicos que se preocupam demasiado com os seus objectivos estatísticos.
Lamentações à parte, hoje pretendo falar, e mostrar, uma caminhada que realizei no dia 22 do mês passado. Apeteceu-me andar bastante. Algumas horas a ouvir os próprios passos cansa o corpo mas descansa a mente.
Tracei mentalmente o percurso, longo, para durar à volta de seis horas: ir até Samões; descer a Freixiel; passar a serra para o Vieiro; subir a Vilas Boas e regressar a Vila Flor.
Abasteci a mochila com bastante água e alguma fruta e pus-me a caminhar. De início senti algum desânimo, perdi os momentos mais bonitos da Primavera. O que se vê pelos campos é mais um Verão antecipado, com muita, muita falta de água. Aqui, e além, as plantas levam as suas energias ao limite para completarem o ciclo e produzirem as suas sementes.
O caminho é conhecido. Partindo de Vila Flor pela rua do Loureiro atinge-se Samões em poucos minutos entrando na aldeia pela Rua do Cruzeiro, atrás da igreja. Desci ao fundo do povo pela Rua do Salgueiral e segui pelo caminho já tantas vezes percorrido até Freixiel. Os ribeiros estavam secos, os caminhos cheios de pó que mais parecia cinza! Já em Freixiel procurei um bar para me reabastecer de água, mas não antes de mais uma visita à Forca. Estava um calor abrasador. Com a mochila cheia de garrafas de água fresquinha preparei-me para percorrer um troço novo para mim, subir a serra em direcção ao Vieiro. Já estive várias vezes no alto da serra da Feiteira, mas nunca subindo pela vertente virada a Freixiel.
Passei a ribeira da na Ponte do Vieiro. Este nome vem-lhe precisamente por ser a antiga ligação a este lugar, agora praticamente abandonada. Depois de passar o campo de futebol de 11, que não é usado há muito tempo, comecei a compreender a razão porque são poucos os que por aqui passam. A subida é íngreme e esgotante. Valeu-me a sombra de algumas árvores e a água fresca que levava, caso contrário não teria conseguido chegar ao alto da montanha. O caminho pode ser utilizado por tractores ou outros veículos todo o terreno, para bicicleta será um grande desafio. Não é fácil passar dos 340 metros de altitude a mais de 600.
O cansaço não me fez esquecer a razão de estar ali, apreciar a paisagem de Freixiel e e sua evolvente. Não tive coragem de subir ao ponto mais alto, onde se encontra o marco geodésico, mas, mesmo assim, é fantástico tudo o que se avista. São montes e vales cheios de desafios, para outras caminhadas, um nunca acabar de locais interessantes para descobrir.
Do cume a vista alarga-se também para Norte, alcançando outros locais de desafio desde o Faro, o Rio Tua e o olhar perde-se pelo concelho de Mirandela, Macedo quase se conseguindo ver terras de Castela. Mas, mais próximo, quase dormindo de num ninho de giestas e granito está Vieiro. A minha vontade era descer, encosta abaixo, em sua direcção, mas o tempo começava a escassear. Fiz um desvio para Nascente, em direcção à Palhona e à estrada que desce para o Vieiro. Desta forma consegui cortar alguns quilómetros ao percurso e ganhar tempo.
Comecei junto ao enorme cruzeiro que se encontra perto da estrada, um novo troço para mim desconhecido. O objectivo era chegar a Vilas Boas. Não acertei à primeira com o caminho, mas depois de saltar algumas paredes, encontrei finalmente o rumo certo e progredi com facilidade. A certa altura encontrei uma cruz gravada numa pedra. Tenho encontrado vários semelhantes no concelho de Vila Flor e Torre de Moncorvo, mas só dentro das localidades, nas paredes das casas. Despertou-me a curiosidade ver este num local tão descampado. A minha primeira ideia é que tenha algo a ver com o caminho seguido pelos romeiros para o Cabeço. É uma possibilidade. Segui todo o caminho com atenção, mas não consegui encontrar mais nada semelhante.
Eram quase 20 horas quando cheguei a Vilas Boas. Tinha esgotado as minhas reservas de água e de energia. Encontrei um comércio aberto e repus as da água. Lentamente segui pelo caminho que conduz à Fonte de Nossa Senhora. Estavam duas idosas sentadas nos degraus da fonte a repousarem da sua caminhada. Sentei-me junto delas e fiquei a ouvi-las contar recordações de outros tempos, duma época em que a fonte era um dos pontos fulcrais do santuário. A fonte está agora melhor cuidada do que da última vez que ali estive. Incentivado pelas idosas bebi da água milagrosa na esperança que regenerasse as forças para chegar a casa. Já não subi ao santuário. O horizonte já se pintava de ouro quando subi a calçada de granito que nos leva de Vilas Boas. O frontispício da pequena capela parecia ganhar imponência à medida que o sol descia banhando-o com a sua luz cálida.
Guardei a máquina na mochila e concentrei-me no caminho. Já não havia mais luz para fotografias. Junto ao campo de futebol de Vilas Boas encontrei companhia para regressar a Vila Flor. São muitos os que se passeiam de entre Vila Flor e o Barracão, mas alguns chegam mesmo ao Cabeço! Não consegui cumprir todo o percurso que tinha planeado, mas que importa? Foi uma longa tarde de sol.
Percurso:
A queda de bicicleta que tive em Abril têm-me levado a descobrir outras coisas, como o sistema de saúde que não existe ou o indiferente atendimento prestado nos hospitais públicos. Não interessa muito falar disso, porque daria um (triste) romance. No Centro de Saúde de Vila Flor fui sempre bem atendido, enquanto andei a fazer curativos ao ombro, o mesmo já não se passou com a médica de família. Depois de esperar um mês e meio pela consulta, quando me atendeu, limitou-se a dizer que o caso não lhe dizia respeito, que consultasse o médico do seguro. Se eu quisesse conselhos jurídicos não ia ao médico! Perece-me que a existência do médico de família pretendia humanizar as relações entre as famílias e os centros de saúde, mas isso não acontece com os médicos que se preocupam demasiado com os seus objectivos estatísticos.Lamentações à parte, hoje pretendo falar, e mostrar, uma caminhada que realizei no dia 22 do mês passado. Apeteceu-me andar bastante. Algumas horas a ouvir os próprios passos cansa o corpo mas descansa a mente.
Tracei mentalmente o percurso, longo, para durar à volta de seis horas: ir até Samões; descer a Freixiel; passar a serra para o Vieiro; subir a Vilas Boas e regressar a Vila Flor.Abasteci a mochila com bastante água e alguma fruta e pus-me a caminhar. De início senti algum desânimo, perdi os momentos mais bonitos da Primavera. O que se vê pelos campos é mais um Verão antecipado, com muita, muita falta de água. Aqui, e além, as plantas levam as suas energias ao limite para completarem o ciclo e produzirem as suas sementes.
O caminho é conhecido. Partindo de Vila Flor pela rua do Loureiro atinge-se Samões em poucos minutos entrando na aldeia pela Rua do Cruzeiro, atrás da igreja. Desci ao fundo do povo pela Rua do Salgueiral e segui pelo caminho já tantas vezes percorrido até Freixiel. Os ribeiros estavam secos, os caminhos cheios de pó que mais parecia cinza! Já em Freixiel procurei um bar para me reabastecer de água, mas não antes de mais uma visita à Forca. Estava um calor abrasador. Com a mochila cheia de garrafas de água fresquinha preparei-me para percorrer um troço novo para mim, subir a serra em direcção ao Vieiro. Já estive várias vezes no alto da serra da Feiteira, mas nunca subindo pela vertente virada a Freixiel.
Passei a ribeira da na Ponte do Vieiro. Este nome vem-lhe precisamente por ser a antiga ligação a este lugar, agora praticamente abandonada. Depois de passar o campo de futebol de 11, que não é usado há muito tempo, comecei a compreender a razão porque são poucos os que por aqui passam. A subida é íngreme e esgotante. Valeu-me a sombra de algumas árvores e a água fresca que levava, caso contrário não teria conseguido chegar ao alto da montanha. O caminho pode ser utilizado por tractores ou outros veículos todo o terreno, para bicicleta será um grande desafio. Não é fácil passar dos 340 metros de altitude a mais de 600.
O cansaço não me fez esquecer a razão de estar ali, apreciar a paisagem de Freixiel e e sua evolvente. Não tive coragem de subir ao ponto mais alto, onde se encontra o marco geodésico, mas, mesmo assim, é fantástico tudo o que se avista. São montes e vales cheios de desafios, para outras caminhadas, um nunca acabar de locais interessantes para descobrir.Do cume a vista alarga-se também para Norte, alcançando outros locais de desafio desde o Faro, o Rio Tua e o olhar perde-se pelo concelho de Mirandela, Macedo quase se conseguindo ver terras de Castela. Mas, mais próximo, quase dormindo de num ninho de giestas e granito está Vieiro. A minha vontade era descer, encosta abaixo, em sua direcção, mas o tempo começava a escassear. Fiz um desvio para Nascente, em direcção à Palhona e à estrada que desce para o Vieiro. Desta forma consegui cortar alguns quilómetros ao percurso e ganhar tempo.
Comecei junto ao enorme cruzeiro que se encontra perto da estrada, um novo troço para mim desconhecido. O objectivo era chegar a Vilas Boas. Não acertei à primeira com o caminho, mas depois de saltar algumas paredes, encontrei finalmente o rumo certo e progredi com facilidade. A certa altura encontrei uma cruz gravada numa pedra. Tenho encontrado vários semelhantes no concelho de Vila Flor e Torre de Moncorvo, mas só dentro das localidades, nas paredes das casas. Despertou-me a curiosidade ver este num local tão descampado. A minha primeira ideia é que tenha algo a ver com o caminho seguido pelos romeiros para o Cabeço. É uma possibilidade. Segui todo o caminho com atenção, mas não consegui encontrar mais nada semelhante.
Eram quase 20 horas quando cheguei a Vilas Boas. Tinha esgotado as minhas reservas de água e de energia. Encontrei um comércio aberto e repus as da água. Lentamente segui pelo caminho que conduz à Fonte de Nossa Senhora. Estavam duas idosas sentadas nos degraus da fonte a repousarem da sua caminhada. Sentei-me junto delas e fiquei a ouvi-las contar recordações de outros tempos, duma época em que a fonte era um dos pontos fulcrais do santuário. A fonte está agora melhor cuidada do que da última vez que ali estive. Incentivado pelas idosas bebi da água milagrosa na esperança que regenerasse as forças para chegar a casa. Já não subi ao santuário. O horizonte já se pintava de ouro quando subi a calçada de granito que nos leva de Vilas Boas. O frontispício da pequena capela parecia ganhar imponência à medida que o sol descia banhando-o com a sua luz cálida.
Guardei a máquina na mochila e concentrei-me no caminho. Já não havia mais luz para fotografias. Junto ao campo de futebol de Vilas Boas encontrei companhia para regressar a Vila Flor. São muitos os que se passeiam de entre Vila Flor e o Barracão, mas alguns chegam mesmo ao Cabeço! Não consegui cumprir todo o percurso que tinha planeado, mas que importa? Foi uma longa tarde de sol.
Percurso:
30 junho 2009
III Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais
Realizou-se em Freixiel, no dia 28 de Junho a III Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais. Nesta terceira edição o cartaz apresentava algumas novidades, uma das delas foi a celebração da Eucaristia no Largo da Ponte Nova. Foram muitos os que estiveram presentes.
Ao início da tarde foi o ponto alto para os mais novos. Tiveram oportunidade de jogarem jogos que não fazem parte do seu quotidiano, mas que fazia parte das brincadeiras das crianças, há algumas décadas atrás.
Na feira participaram alguns particulares, o Lar de Idosos e o Grupo de Bordados. O Grupo de Bordados continua a mostrar grande vitalidade, mostrando um vasto leque de trabalhos: os napperons com rendados delicados, sacos para o pão, toalhas, aventais, pegas, toalhas de mesa, flores feitas em croché, etc. Não faltaram as já habituais barbies vestidas com bonitos vestidos artesanais. Os quadros a ponto cruz eram menos abundantes. Havia também ramos de pequenas flores feitas com missangas e arame.
Seguia-se depois a barraquinha do Lar Santa Maria Madalena da Santa Casa da Misericórdia. Estavam expostos alguns trabalhos feitos pelos utentes e um painel com fotografias onde se documentava a elaboração dos mesmos.
Seguiam-se depois três bancas com produtos da terra: pão, bolos, vinho, azeite, queijo, azeitonas e outras iguarias que fazem os sabores típicos de Freixiel e da região.
Terminava a exposição um conjunto de trabalhos do artesão Bruno Pires. Escultura, desenho, pintura, utilizando as mais variadas técnicas e os mais originais materiais. Da bela madeira de oliveira aos caroços de azeitona ou de cereja, tudo pode ser utilizado para criar uma obra de arte, desde que haja habilidade para executar a obra e paz de espírito para a apreciar.
Por varias vezes as brincadeiras foram interrompidas por fortes trombas de água acompanhadas por violentos trovões, mas ninguém arredou pé.
Foi depois das seis da tarde que se juntou um maior número de pessoas. A actuação dos ranchos folclóricos atraem sempre muita gente. Os habitantes de Freixiel gostam de acarinhar o seu rancho e, este ano, houve até a novidade da actuação de outro rancho, o Rancho Folclórico da Mãe d’Água – Bragança. Foram estes que deram início ao baile, com ritmos bastante animados que os jovens executantes dançaram com muita alegria. Os temas, alguns viras muito alegres, versavam também o trabalho no campo como o linho, ou antigas profissões como a tecedeira.
Chegou depois a vez do Rancho Folclórico de Freixiel, com as suas rápidas coreografias de roda cheias de energia e alegria. Nem as constantes falhas no sistema sonoro cortaram o ritmo, e, uma após outra, tivemos oportunidade de ver e ouvir as canções que habitualmente abrilhanto a actuação do rancho.
O Rancho Folclórico da Mãe d’ Água fez questão de animar a festa por mais algum tempo com o seu grupo de cantares e o público não se fez rogado e começou imediatamente a dançar.
Prepararam-se as mesas e foi servido o lanche oferecido pela Junta de Freguesia a todos os presentes. Sardinha, fêveras, barriga de porco, churrasco, pão, vinho e outras bebidas fizeram esquecer as gotas da chuva que teimavam em querem acabar com a festa. Mas a vontade de dançar foi mais forte e a festa continuou com um animado arraial e com os assadores ainda em chamas, para reconfortar os mais resistentes que pretendiam levar a festa pela noite dentro.

Ao início da tarde foi o ponto alto para os mais novos. Tiveram oportunidade de jogarem jogos que não fazem parte do seu quotidiano, mas que fazia parte das brincadeiras das crianças, há algumas décadas atrás.
Na feira participaram alguns particulares, o Lar de Idosos e o Grupo de Bordados. O Grupo de Bordados continua a mostrar grande vitalidade, mostrando um vasto leque de trabalhos: os napperons com rendados delicados, sacos para o pão, toalhas, aventais, pegas, toalhas de mesa, flores feitas em croché, etc. Não faltaram as já habituais barbies vestidas com bonitos vestidos artesanais. Os quadros a ponto cruz eram menos abundantes. Havia também ramos de pequenas flores feitas com missangas e arame.
Seguia-se depois a barraquinha do Lar Santa Maria Madalena da Santa Casa da Misericórdia. Estavam expostos alguns trabalhos feitos pelos utentes e um painel com fotografias onde se documentava a elaboração dos mesmos.
Seguiam-se depois três bancas com produtos da terra: pão, bolos, vinho, azeite, queijo, azeitonas e outras iguarias que fazem os sabores típicos de Freixiel e da região.
Terminava a exposição um conjunto de trabalhos do artesão Bruno Pires. Escultura, desenho, pintura, utilizando as mais variadas técnicas e os mais originais materiais. Da bela madeira de oliveira aos caroços de azeitona ou de cereja, tudo pode ser utilizado para criar uma obra de arte, desde que haja habilidade para executar a obra e paz de espírito para a apreciar.
Por varias vezes as brincadeiras foram interrompidas por fortes trombas de água acompanhadas por violentos trovões, mas ninguém arredou pé.
Foi depois das seis da tarde que se juntou um maior número de pessoas. A actuação dos ranchos folclóricos atraem sempre muita gente. Os habitantes de Freixiel gostam de acarinhar o seu rancho e, este ano, houve até a novidade da actuação de outro rancho, o Rancho Folclórico da Mãe d’Água – Bragança. Foram estes que deram início ao baile, com ritmos bastante animados que os jovens executantes dançaram com muita alegria. Os temas, alguns viras muito alegres, versavam também o trabalho no campo como o linho, ou antigas profissões como a tecedeira.
Chegou depois a vez do Rancho Folclórico de Freixiel, com as suas rápidas coreografias de roda cheias de energia e alegria. Nem as constantes falhas no sistema sonoro cortaram o ritmo, e, uma após outra, tivemos oportunidade de ver e ouvir as canções que habitualmente abrilhanto a actuação do rancho.
O Rancho Folclórico da Mãe d’ Água fez questão de animar a festa por mais algum tempo com o seu grupo de cantares e o público não se fez rogado e começou imediatamente a dançar.
Prepararam-se as mesas e foi servido o lanche oferecido pela Junta de Freguesia a todos os presentes. Sardinha, fêveras, barriga de porco, churrasco, pão, vinho e outras bebidas fizeram esquecer as gotas da chuva que teimavam em querem acabar com a festa. Mas a vontade de dançar foi mais forte e a festa continuou com um animado arraial e com os assadores ainda em chamas, para reconfortar os mais resistentes que pretendiam levar a festa pela noite dentro.
28 junho 2009
Rancho Folclórico de Freixiel (4)
Actuação do Rancho Folclórico de Freixiel na III Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais, no dia 28 de Junho de 2009.
21 junho 2009
III Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais - Freixiel
No próximo Domingo, dia 28 de Junho, vai ter lugar em Freixiel III Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais. Face ao que pude verificar (e registar) nas duas realizações anteriores, será mais do que uma feira, mas uma festa. Vai haver bonitos bordados, ponto cruz, arraiolos, croché, e outros trabalhos feitos com muito carinho e mestria. Estou em crer que não vão faltar o vinho, o azeite, os figos secos, nozes, enchidos, económicos e outras iguarias que respiram aromas da terra.
Para alegar as pessoas não vai faltar música, dança, jogos tradicionais e sobretudo a simpatia das pessoas que gostam de mostrar a sua terra, em todas as vertentes) a quem os visita.
Eu vou fazer os possíveis por não faltar.Reportagens:
II Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais (22 de Junho de 2008)
I Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais (18 de Março de 2007)
17 março 2009
Ranchos folclóricos
Parece-me que a actuação dos ranchos folclóricos junto à Câmara Municipal, no programa das Amendoeiras em Flor, se dirige mais aos residentes do que aos turistas. A vila não tem um parque que permita estacionar autocarros, ficando os mesmos espalhados pelas ruas, desde o parque de estacionamento da Escola Secundária, até ao miradouro no alto da Senhora da Lapa. Mesmo assim, são muitos os admiradores dos dois ranchos folclóricos que existem no concelho e que encheram o espaço. São dois grupos completamente distintos, cada um com os seus trajes, músicas, canções e danças.Os vídeos que coloquei no Blogue, apesar de fraca qualidade do som e imagem, despertaram o interesse de algumas centenas de pessoas. Assim, preparei mais alguns bocadinhos das actuações dos dois ranchos.

A Amendoeiras em Flor e a feira TerraFlor são os eventos em que é possível apreciar estes dois grupos. Também nos Santos Populares, tem havido algumas actuações, mas no ano que passou não houve organização.
Ainda não sei quando se vai realizar a III Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais, em Freixiel. Pode ser que este ano o grupo local tenha um outro grupo para o acompanhar na animação do Largo do Pelourinho.
15 março 2009
Rancho Folclórico de Freixiel
Também o Rancho Folclórico de Freixiel actuou esta tarde junto à Câmara Municipal. Com a sua habitual alegria, entregaram-se mais uma vez fazendo dançar as próprias pedras da calçada. Uma das características deste grupo renascido, é a de juntar várias gerações, muitas vezes da mesma família. Dos mais pequenos aos mais velhos, todos dançam com a mesma alegria e galhardia, representando a sua terra.
As letras são brejeiras e falam de simples histórias de amor:
O meu amor disse que vinha
Quando a lua viesse
A lua já vem lá baixo
Meu amor não aparece.
Troca o par ó larilolela
Vem cá tua minha Rosa Bela.
Ai o rancho de Freixiel
Ai é um rancho de alegria
Olha para mim e ri-te ó rico amor
És tua a minha Maria.
Ó Matilde sacode a saia
Ai ó José alevanta o braço
Deita o joelho em terra ai rico amor
Põe-te a pé dá-me um abraço.
Ai azeitona pequenina
Ai também vai para o lagar
Eu também sou pequenina rico amor
Mas sou firme no amar.
As letras são brejeiras e falam de simples histórias de amor:
O meu amor disse que vinha
Quando a lua viesse
A lua já vem lá baixo
Meu amor não aparece.
Troca o par ó larilolela
Vem cá tua minha Rosa Bela.
Ai o rancho de Freixiel
Ai é um rancho de alegria
Olha para mim e ri-te ó rico amor
És tua a minha Maria.
Ó Matilde sacode a saia
Ai ó José alevanta o braço
Deita o joelho em terra ai rico amor
Põe-te a pé dá-me um abraço.
Ai azeitona pequenina
Ai também vai para o lagar
Eu também sou pequenina rico amor
Mas sou firme no amar.
05 janeiro 2009
Gala Cantar dos Reis 2009 (5)
Continuação de: Gala Cantar dos Reis 2009 (4)
O quarto grupo a actuar na Gala Cantar dos Reis 2009 representou Freixiel. Tratou-se do grupo "Os Pelões", que tem por base a Rancho Folclórico de Freixiel. Colocaram em palco vários "quadros" vivos representativos da quadra natalícia de outros tempos: crianças a jogaram ao rapa; uma mulher fazia na meia; outra mulher fiava linho com a sua roca; uma terceira mulher cuidava do seu bebé que deitado no razão, admirava a plateia com o mesmo espanto com que era olhado. Tudo isto à volta de uma "fogueira" onde se preparava a ceia.
Interpretaram:
De madrugada ao luar
1- Freixiel aqui presente / de madrugada ao luar
Os reis vimos a cantar / de madrugada ao luar
E o povo desta terra / de madrugada ao luar
Queremos cumprimentar / de madrugada ao luar
2- Ainda agora aqui cheguei / de madrugada ao luar
Pus o pé nesta escada / de madrugada ao luar
Logo o meu coração disse / de madrugada ao luar
Aqui mora gente honrada / de madrugada ao luar
3- Quem diremos nós que viva / de madrugada ao luar
Na casca da noz que é forte / de madrugada ao luar
Vivam todos nesta sala / de madrugada ao luar
Que Deus vos dê boa sorte / de madrugada ao luar
4- Já que aqui nós estamos / de madrugada ao luar
E como Jesus nos diz / de madrugada ao luar
Tudo o que nós desejamos / de madrugada ao luar
Que o mundo seja feliz / de madrugada ao luar
5- E vamo-nos despedir / de madrugada ao luar
Desta terra com humor / de madrugada ao luar
A todos vós desejamos / de madrugada ao luar
Saúde, paz e amor / de madrugada ao luar
O seu trajar, o seu suporte musical e a sua forma alegre e afinada de cantar, fizeram da sua actuação um dos pontos altos do espectáculo.
Interpretaram, para terminar:
Aqui Vimos Aqui Estamos
Refrão: Aqui vimos, aqui estamos
Meus senhores bem o sabeis,
Vimos dar as boas festas
E também cantar os reis.
1 - Aqui vimos aqui estamos
Hoje é noite de alegria
Vivam os senhores desta casa
E a sua companhia.
2 - Os três reis do oriente
Foram seguindo uma luz,
Ela os guiou ao presépio
O Rei dos reis é Jesus.
3 - Aqui vimos aqui estamos
Hoje é noite de alegria
Já nasceu o Deus menino
Filho da Virgem Maria
4 - Vamos dar a despedida
Terminou nosso cantar,
A oferta que nos derem
Muito nos vem alegrar.
Continua: Gala Cantar dos Reis 2009 (6)
O quarto grupo a actuar na Gala Cantar dos Reis 2009 representou Freixiel. Tratou-se do grupo "Os Pelões", que tem por base a Rancho Folclórico de Freixiel. Colocaram em palco vários "quadros" vivos representativos da quadra natalícia de outros tempos: crianças a jogaram ao rapa; uma mulher fazia na meia; outra mulher fiava linho com a sua roca; uma terceira mulher cuidava do seu bebé que deitado no razão, admirava a plateia com o mesmo espanto com que era olhado. Tudo isto à volta de uma "fogueira" onde se preparava a ceia.
Interpretaram:
De madrugada ao luar
1- Freixiel aqui presente / de madrugada ao luar
Os reis vimos a cantar / de madrugada ao luar
E o povo desta terra / de madrugada ao luar
Queremos cumprimentar / de madrugada ao luar
2- Ainda agora aqui cheguei / de madrugada ao luar
Pus o pé nesta escada / de madrugada ao luar
Logo o meu coração disse / de madrugada ao luar
Aqui mora gente honrada / de madrugada ao luar
3- Quem diremos nós que viva / de madrugada ao luar
Na casca da noz que é forte / de madrugada ao luar
Vivam todos nesta sala / de madrugada ao luar
Que Deus vos dê boa sorte / de madrugada ao luar
4- Já que aqui nós estamos / de madrugada ao luar
E como Jesus nos diz / de madrugada ao luar
Tudo o que nós desejamos / de madrugada ao luar
Que o mundo seja feliz / de madrugada ao luar
5- E vamo-nos despedir / de madrugada ao luar
Desta terra com humor / de madrugada ao luar
A todos vós desejamos / de madrugada ao luar
Saúde, paz e amor / de madrugada ao luar
O seu trajar, o seu suporte musical e a sua forma alegre e afinada de cantar, fizeram da sua actuação um dos pontos altos do espectáculo.Interpretaram, para terminar:
Aqui Vimos Aqui Estamos
Refrão: Aqui vimos, aqui estamos
Meus senhores bem o sabeis,
Vimos dar as boas festas
E também cantar os reis.
1 - Aqui vimos aqui estamosHoje é noite de alegria
Vivam os senhores desta casa
E a sua companhia.
2 - Os três reis do oriente
Foram seguindo uma luz,
Ela os guiou ao presépio
O Rei dos reis é Jesus.
3 - Aqui vimos aqui estamos
Hoje é noite de alegria
Já nasceu o Deus menino
Filho da Virgem Maria
4 - Vamos dar a despedida
Terminou nosso cantar,
A oferta que nos derem
Muito nos vem alegrar.
Continua: Gala Cantar dos Reis 2009 (6)
29 novembro 2008
De Vila Flor a Folgares
Pode dar a impressão de que me acomodei e abandonei as viagens a pé e de BTT pelos caminhos trasmontanos, mas não é verdade, simplesmente as minhas últimas Descobertas têm decorrido fora do concelho de Vila Flor.O gosto pelas caminhadas vem de longe, de Miranda do Douro, mas renasceram com os percursos que tenho feito na Linha do Tua. No dia 16 de Novembro estive em Carrazeda de Ansiães no lançamento de uma rede de Percursos Pedestres (5 e mais um de BTT).
Hoje vou ilustrar uma caminhada que fiz no dia 23 de Novembro, entre Vila Flor e Folgares. Embora já tenha feito o percurso de BTT no sentido inverso, subir o Vale da Cabreira é um bom desafio, quem o conhece, sabe do que estou a falar.Saí muito cedo de casa, a manhã estava gelada e acelerei o passo também para aquecer. O sol já tinha despertado, mas o frio da noite ainda estava visível numa boa camada de geada. Vila Flor ainda dormia.
O percurso estava grosseiramente delineado: seguiria em direcção a Samões por caminhos rurais; desceria depois até Freixiel; seguiria depois pelo vale, ascendendo pela encosta, até atingir Folgares.
O percurso até Samões é conhecido, já o tenho feito muitas vezes de bicicleta. Passa perto da Quinta da Velha e pelo Marco e entra em Samões por detrás da igreja. Desci a rua até à capela de Nossa Senhora do Rosário. Depois, apanhei o caminho em direcção à Ribeira da Redonda, a caminho de Freixiel. As sombras ainda cobriam a encosta e os olmos não deixavam o sol derreter a geada dos lameiros. Não é todos os dias que vejo nascer o dia num lugar assim! O sumagre da beira do caminho apresenta o seu vermelho mais vivo. Os frutos orvalhados das oliveiras, começam a ganhar cor. Em direcção a Carvalhos de Egas segue a Ribeira do Vimeiro onde brilham as cores de algumas caducifólias.
À medida que me aproximava da ribeira, uma preocupação ia aumentando. Neste lugar há várias cortes onde os rebanhos de gado passam a noite. Dada a hora, os rebanhos ainda não tinham saído e iria encontrar os cães pastores. Mesmo assim, não me desviei do caminho, mantendo o sangue frio mesmo com os mastodontes a curta distância. Felizmente tudo correu bem.Gostei de verificar que algumas videiras ainda mantinham coloridas folhas. Sabia que iria percorrer zonas de muita vinha, mas nunca imaginei que fosse tanta.
O caminho é cheio de ziguezagues, a subir e a descer, entre vinhas e sobreirais. Quando cheguei ao local onde devia passar a Ribeira do Pelão apercebi-me da existência das ruínas de um moinho. Apesar de ter a noção de que não devia perder muito tempo, não consegui passar à frente e fui dar uma espreitadela.Pouco depois apareceu recortada no céu, com o sol brilhante por cima, a forca de Freixiel. Mais uma vez me desviei do percurso para a visitar e mais uma vez tive que enfrentar os cães dos pastores, agora mais sociáveis do que os que encontrei nas Olgas.
O café que não tomei em Vila Flor, que não tomei em Samões, apetecia-me cada vez mais. Parece que não sou o mesmo, sem um café pela manhã! Segui pelo centro de Freixiel na esperança de encontrar um café aberto o que veio a acontecer, na Rua do Concelho. Depois de uma rápida passagem pelo pelourinho subi ao santuário de Nossa Senhora do Rosário, pela rua com o mesmo nome. Eram praticamente onze horas da manhã.Se até aqui o percurso era meu conhecido, daqui para a frente ia ter que recorrer mais ao sentido de orientação porque iria percorrer zonas nunca antes por mim Descobertas.
Saí em direcção ao vale da Cabreira partindo do santuário. Aqui fui surpreendido com vinhas e mais vinhas. Este vale é muito bonito para mim e, não tendo a dimensão e a riqueza do Vale da Vilariça, tem atributos que fazem dele o mais agreste e ciclópico vale do concelho.Desde muito cedo me apercebi que estava a seguir demasiado pela encosta. O caminho que sobe pela Quinta do Pobre até perto do Pé de Cabrito, tem um trajecto mais pelo centro do vale, muito próximo da Ribeira da Cabreira. A paisagem era fantástica, o caminho bom, por isso decidi seguir em frente.
Perto do meio-dia a fome apertou. Como ando sempre precavido, comi uma sandes e não me faltaram algumas uvas rebuscadas para sobremesa. Que delícia de bagos.Continuei a subir a encosta até que, por volta do meio-dia o caminho onde até carrinhas podem circular, terminou. Terminou num espécie de “oásis” cheio de árvores de fruto de todas as espécies, cuidadas com muito carinho. Seria muito complicado se tivesse que voltar para trás, quase a Freixiel. Investiguei um pouco o terreno. Havia um enorme rochedo que protegia uma espécie de cabana, com uma esteira com palha e um manhuço de feno atado à altura do focinho do melhor meio de transporte nestas encostas. De repente pareceu-me ver um carreirão coberto de folhas de castanheiros que subia pela encosta.
Tentei seguir por ele. Com satisfação verifiquei que seguia em direcção a Folgares. Este caminho estreito, que segui durante mais de dois quilómetros, deve ser centenário! Nalguns lugares as ferraduras dos animais que o percorreram desgastaram o granito mais de 20 centímetros de profundidade! Quantos animais foi necessário passarem por aqui para ficar assim? Durante quantos anos? É completamente impossível por aqui ter circulado qualquer carro, nem mesmo de tracção animal, somente pessoas, cavalos e burros. Sabia da existência destes caminhos. Andei por aqui quando tinha mais ou menos 10 anos, aos figos e às uvas, pois o meu tio Carlos fabricava aqui um destes “terrenos plantados de fragas". Os burros que nos transportavam conheciam melhor os caminhos do que nós!
Fiquei entusiasmado. Que excelentes percursos pedestres seria possível traçar por aqui usando estes caminhos! São os únicos que há, percorridos ao longo de séculos pelos habitantes de Folgares condenados a arrancarem das fragas o próprio pão, porque não há neste lugar espaço para terrenos mais produtivos.
Espero um dia voltar a estes caminhos, quem sabe na primavera, quando a natureza se confunde com as hortas e o homem se funde na paisagem. Aqui é a natureza que molda o homem.Era quase uma da tarde quando cheguei às primeiras casas de Folgares. Os habitantes são poucos e àquela hora, estariam possivelmente a almoçar. Já não tive tempo para fazer um passeio pela aldeia, antes continuei a caminhada em direcção a Zedes. Um dos pontos mais altos do concelho de Vila Flor é junto ao campo de futebol de Folgares (mais de 800 metros de altitude). A paisagem que se avista é magnífica! Aqui, é possível encontrar ao longo da linha de divide a freguesia de Zedes da freguesia de Freixiel, muitas marcações com a cruz da ordem de malta, mas delas falarei numa outra oportunidade.
Deixo também o percurso feito. Também pode ser feito de bicicleta BTT podendo haver alguma dificuldade nos últimos dois quilómetros.
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