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10 agosto 2011

e de repente é noite (XVII)


Onde estavas tu no início desse verão?
Não vieste inclinar-te na semi-obscuridade
do poema, e não se cumpriu
esse perigoso ofício de acrobata
de transferências e ressurreições inacabadas.
Contigo estavam as metáforas mais raras.
Tua fala fixava o inefável de todos os instantes.
Percorria-me um tremor de raiva, a tua ausência.
Despertava para o infinito dos dias
e tudo era um disco negro
no fundo de uma espiral de ouro.
Então, só, eu era eu e as minhas imagens,
mais do que eu e a minha circunstância.
Com elas existia no vozear das esplanadas.
O tu não estares cobria-me de esquecimento
dos nomes das ruas e das pontes
e iluminava-me da discreta melancolia
dos deuses omitidos.
E ficava a ver como quem dorme, paisagens
Suspensas do clamor agudo dos corvos.
E sempre um excesso de brilho
emoldurando a mais profunda noite.

Poemas de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: algures, em Candoso.

24 maio 2011

Cantos da Montanha ( VI -10 )


Um dia,
talvez nos encontremos
num espaço sem caminhos.
Terá de ser longe,
onde não chegue a chuva nem o vento,
mas onde se ouça o canto de uma fonte
em que bebamos, juntos,
e nossos lábios se unam
para sempre
na música reverberante da água.

Poema do livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto VI, 10).
Fotografia: no alto do monte do Facho, em Vila Flor.

20 maio 2011

Coração na fala

Qualquer relevo ao sol é um altar.
Toda a curva de serra é um regaço.
O que nos vê tem júbilo de abraço.
Tempos e modos de alma, o verbo amar!

Ressuma ausência o acto de chegar.
Somos o centro e queremos mais espaço:
Acaso um outro mês antes de Março,
A fim de a Primavera antecipar.

Meu zénite de anjos verdadeiros,
Minha Vila Flor, alvares primeiros
De uma alba quase comungada!

Quero dizer-te mais, e fico mudo.
Não te descrevo, sinto-te - e é tudo.
Não te amo, adoro-te - mais nada!

Soneto de João de Sá, do livro Vila À Flor dos Montes (2008).
Fotografia: Pinheiros; próximo de Roios.

21 abril 2011

Prece


Ergue bem alto a Tua Mão direita,
A que perdoa, afaga e anuncia.
A que apartou as trevas e o dia,
Com o gesto breve duma luz perfeita.
Não a suspendas sobre a fronte estreita.

O Infinito nunca se adia.
Venha meu espaço a ser, se espaço havia,
O fecho de capela imperfeita.
Senhor, na hora exacta o golpe certo!

E não pressinta nem perceba o fim
No raio, oculto, cada vez mais perto.

Que o pano desça a encerrar o drama.
E Tua Voz se faça ouvir em mim
E ao dizer o meu nome, apague a chama!

Poema de João de Sá do livro Vila À Flor dos Montes (2008).
Fotografias: Celebrações da Semana Santa 2011, em Vila Flor.

10 fevereiro 2011

Vento da minha terra

Ai que tristeza me traz
O vento da minha terra!
Tear que faz e desfaz
Um palmo de céu e serra,
Ora com frios de paz...
Ora com tramos de guerra...

Traz-me notícias de amigos
Que no caminho ficaram,
Deixando já de se ver!
E de outros que vão morrendo,
Definhando, esmorecendo,
Na ilusão de crescer,
Só porque nunca sonharam!

Dos mortos fica a saudade,
Mágoa dos desaparecidos
Aos que ainda têm idade
Mas que de si mesmo esquecidos,
Lembremos, por lealdade,
Que os sonhos desmedidos
São a única verdade.

Ai vento de Vila Flor,
Traz-me novas de alegria,
Bem preciso de calor,
Que a noite vai longa e fria.
Não me fales mais de dor,
Mas da manhã que anuncia
Um novo espaço de amor.

Já o vento sossegou,
E minha terra magoada
Foi uma luz que esfriou
Mal chegou a madrugada.
Há quem a queira esquecida.
Há quem a queira negada.
Querem-na outros erguida,
Divulgada, engrandecida,
Como mulher recatada
Mas por todos possuída!

Poema de João de Sá do livro Vila À Flor dos Montes (2008).
Fotografias: Capelinhas e Cerejeiras junto à Quinta da Pereira, em Vila Flor.

22 janeiro 2011

Inverno


Desenha-se a manhã corda de lira
Soando-me cá dentro, neste misto
De foto de álbum e rota de imprevisto,
Prova que, hora a hora, o tempo expira...

No escano, um livro que eu nunca abrira.
E o fumo esboça o que não avisto
Ou se entremostra e foge, e não desisto,
Antes que a bruma me atinja e fira.

Vagos, ouvem-se os sinos de Samões...
Vai chover mais. Já atingiu Lodões
A rebofa. No Vale, há já miséria.

E, ao lar, do lume a face calma
Oferece-me a percepção da alma
E o justo sentido da matéria.

Poema do Dr. João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
Fotografia: montagem representando a zona envolvente à Barragem do Peneireiro, em Vila Flor.
Com uma saudação especial para a Transmontana, que hoje está de parabéns.

27 dezembro 2010

Cantos da Montanha ( VI -1 )


Não sei se só existe na minha lembrança
o monte de Faro, nula juventude renovada
com simulacros de árvore de cartolina verde.
De qualquer modo é na curvatura da distância
que está pousado em seus premonitórios fulgores
a acender os castiçais mortiços da manhã.

Que este breve instante
de evocação de magnas raízes
me traga as asas dos milhafres refractando o sol
de setembros flagrantes de mosto.
E de novo vá buscar pequenos pinheiros
de sagrar natais perdidos nos olhos
cegos de tanto se fecharem
no contemplar da sua inexistência.

Poema do mais recente livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto VI, 1).
Fotografia: montes entre Vilas Boas e Vilarinho das Azenhas.

08 novembro 2010

Cantos da Montanha ( IV - 6)


Oliveiras, minhas árvores serenas
em jeito de prece aprisionada
onde o tempo esfriou
esquecido do nome dos lugares,
até se tornar fio invisível de luz,
possível aceno de uma brisa
que passou longe
e nem sequer nos bafejou a fronte.

Árvores firmes na terra ardente
da cor da minha infância,
ansiando gotas de água
de uma nuvem distante.
Tuas mãos líquidas deslizando
na ardência do meu corpo,
devagar, tão devagar
como a aragem da tarde
tocando o silêncio dos nossos lábios,
sem interrogarem
o sentido dos caminhos percorridos.

Clarões extintos, porque nenhum olhar
foi digno de reter o brilho intenso.
Rostos do avesso da terra.
Poemas do indizível.
Concedei-me a vossa intimidade,
esse sacro mutismo de séculos.
Tornai-me vizinho dos deuses!

Em vossos troncos me reclino.
Rugosos mapas onde os meus sentimentos
circulam como rios.
Eis-me a caminho do que fui,
a ouvir-me numa estranha língua
que não me lembro de ter aprendido.
Ramos vergados de tanto retesarem
a linha dolente, quase triste
(e tudo se apaga e deixa de existir)
entre o amor e a morte.

Poema do mais recente livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto IV, 6).

Fotografia: Oliveira entre a Ribeirinha e Vilarinho das Azenhas.

12 outubro 2010

Cantos da Montanha ( III - 6)

Nesta explosão telúrica me atomizo
e atinjo o coração de invisíveis astros.
Vai-se esbatendo a linha divisória
entre os vivos e os mortos.
Um tremor de castanheiros .
apressa-se a despegar-me do corpo
o grude das leitosas pálpebras da inocência.

Que eu encontre uma sarça dos cumes da montanha,
a que bebeu tanto vento e luz
que se transformou em íman ou mastro.
Talvez seja uma hipótese de atingir
um ignoto clarão perdido nos espaços
desvendando a cerrada névoa
que antecede o poema.

Poema do mais recente livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto III, 6).

Fotografia: alto do Facho, Vila Flor, hoje à tarde, durante um passeio de BTT.

30 setembro 2010

Cantos da Montanha

Foi já há algum tempo, mas como não pude estar presente, não poderia, mesmo assim, deixar de divulgar este acontecimento, que foi o lançamento do livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha. Até porque o autor teve a amabilidade de me enviar, por correio, um exemplar! A apresentação pública do livro aconteceu a 22 de Agosto de 2010 e pode ser revista no pequeno vídeo feito pela Localvisão.
Trata-se de um livro de poesia, bem mais saboroso e colorido do que alguns editados anteriormente. Neste livro, os versos não cantam unicamente Vila Flor, nele podemos encontrar poemas dedicados a Freixo de Espada à Cinta, Barca de Alva, Rio Sabor, etc. ou mesmo a algumas personalidades marcantes da região.

É um livro que merece ser lido. São viagens, de corpo e alma, que nos despregam da terra e nos elevam a outra dimensão do ser.A linguagem utilizada pelo autor, nem sempre fácil de acompanhar, é de uma beleza estonteante, neste livro, parece-me um pouco mais acessível. Por vezes é bom esquecermos a confusão do mundo que nos rodeia, a crise, para olharmos para dentro e descobrirmos que muito do que procuramos está bem perto.

Adivinho a manhã na água dos teus olhos.
Tão transparente, tão límpida
a luz rompendo entre os limoeiros.
O canto de uma cotovia eleva-a
para além da árvore.
Rumores de corolas a entreabrirem
num fugidio reflexo de fonte.
Vagos odores de alfazema
dilatados no voo inconsistente
de uma borboleta.
Tímida brisa a insistir
dar o teu nome às rosas.

Cantos da Montanha, Canto I - 5.

Fotografia: montagem tendo por base uma fotografia da zona industrial de Vila Flor.

09 setembro 2010

Cantos da Montanha ( I - 4)

A terra onde nascemos
não cabe no olhar,
nem é orçada por métrica terrena.
É emoção de profundo interrogar.
Um espaço interior a edificar
o que de invisível emerge
do que se afasta
e sempre de mais longe nos acena.
É ajustar aos desígnios do Sagrado
nosso ténue fio de tear,
já que o labor e o tecido urdido
não são da nossa conta.
Os lírios irradiam luz, de noite,
mas são ignorantes de luar.
É o canto matinal do pássaro
entre vergôntea e céu,
sempre mais alto,
sempre mais vibrante,
abrindo em gomos o esplendor da alba,
sem explicar a luz!

Poema do mais recente livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto I, 4).
A fotografia foi tirada na caminhada do Domingo passado e mostra um pastor de Vilas Boas com as suas ovelhas.

31 maio 2010

Pelo Sinal da Terra (22)

Quero sorver a manhã
até não haver vestígios
na taça de cristal azul
atravessada pelos voos
alucinados dos melros.

Descobrir os timbres
das vozes que ecoam
por dentro dos caules
- pedaços de tempo
com a inquieta delgadeza
dum pressentimento
de morte iminente,
por se saber
que qualquer chave serve.

Pisar a relva,
senti-la ranger partículas
de luz, gerúndios verdes
de remoto texto clássico,
num percurso
em que o princípio e fim
se abreviam
na singela oscilação
duma baga de loureiro ao sol.

João de Sá, in Pelo Sinal da Terra; edição de autor, 2010.
Fotografia: Estrada para a Ribeirinha, pouco depois de Vilas Boas.

21 maio 2010

Pelo Sinal da Terra (21)

Eu te bendigo, manhã de chuva,
pelos matizes e odores
que emprestas à paisagem.

Trazes-me estranhas sensações
de desenraizamento.
Contemplo longínquas regiões:
lentas tardes de domingo
em aldeias perfumadas de feno
e fumo de eucalipto e pinheiro,
onde nunca estive.

Dá-me uma gaiola
onde caiba o espectro solar
deste arco-da-aliança:
dessacralização do céu,
enobrecimento da terra.

João de Sá, in Pelo Sinal da Terra; edição de autor, 2010.
Fotografia: Espaço envolvente à barragem Camilo Mendonça, em Vila Flor.

18 maio 2010

Pelo Sinal da Terra (51)

O cheiro embriagante da terra
depois de ter chovido,
nas tardes transparentes de maio,
quando o som dos trovões
se perde na distência
tornado fala intraduzivel
do bosque próximo,
reverberando entre a neblina.

Com este pequeno poema dou a conhecer o novo livro do Dr. João de Sá, Pelo Sinal da Terra. Trata-se de um livro de poemas, edição do autor, em Março de 2010.
Tive o prazer de receber um exemplar assinado e autografado pelo autor, que assim se lembrou do Blogue À Descoberta de Vila Flor e de todos os que o acompanham. O meu agradecimento sincero.
A fotografia foi tirada no alto do Facho, em Vila Flor.

29 março 2010

No Calvário

Endoenças 5 - No Calvário

Meu ombro ampare a Tua Fronte exangue.
Possa sarar a Chaga do Teu Lado.
E fique em minhas mãos depositado,
Da Agonia, o Teu suor de sangue!

Eu sei que não sou digno. No exílio,
Do Reino só se avistam os sinais:
Uma luz ténue, um som e pouco mais.
Mas, entre nós, não há nenhum dissídio!

Falo-Te, aqui, de homem para Homem,
Não de homem para Deus, como quem sabe
Que a Tua Palavra persuade
Mesmo sem ascenderes a outra Ordem!

Não temo, junto a Ti, Morte e Paixão.
Reserva-me a cruz do Bom Ladrão!


Poema de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996
Fotografia: Vila Flor; Via Crucis, 28-03-2010

24 dezembro 2009

Promissão de Luz

NATAL 2002 - PROMISSÃO DE LUZ

Uma gruta exígua.
A luz duma estrela
E uma criança
Transida de frio.
Um halo de esperança
Mais perto da terra:
Que lindo arco-íris
Florindo bonança!

A morte que morre
Pra que nasça a vida.
Promissão de luz
Que, a meio da noite,
O homem conduz.
E o débil Menino,
De palhas ornado,
Com o Mundo fechado '
Nas sagradas mãos.
Seu nome é Jesus.

Há um céu mais puro
Sobre nossos olhos.
E, se é de argila
O afã de o tocar,
Que a alma se erga
Das rotas do corpo,
Mesmo convencida
De lá não chegar.
Só com atenção
De o querer alcançar.

Erguem-se os pinheiros
Cobertos de neve
- Cajados floridos
De antigos romeiros.
E a tal luz divina
É fonte de estio
Volvida canção
Transformada em rio.
É sopro de paz
Num vibrar de sino.
Grão que se desfaz,
No anseio incontido
De vir a ser pão.

Não fiques sentado.
Bem perto, a teu lado,
Há um outro homem
De mão compungida,
Que bem pode ser
Teu pródigo irmão.
É sempre uma vida
A ser atendida.
Estende-lhe a mão.

Caminha, não pares.
Que a fé te ilumine
Na rota sem termo
Da presença ausência
Que tudo define.
Buscamos a essência,
E a razão descrê.
Por trás da aparência
Há sempre um porquê.

Não queiras ser gelo.
Não cales o grito.
Intimo e perfeito
Em ti há o dom
De seres infinito,
De guardares o eterno
No instante dum som.

Não é amanhã.
É hoje, é agora.
Assim acredites
Na janela aberta
E saibas proferir
A palavra certa
Da breve chegada.
E então, de repente,
Será madrugada!

Poema de João de Sá, do Livro Vila à Flor dos Montes (2008).
As fotografias são uma amostra de um vasto conjunto de presépios que estiveram em exposição na Escola EB2,3/S de Vila Flor.

04 dezembro 2009

Súplica

Manda-me um grão, um só, da terra querida
Tatuada de voos de narcejas.
Meneios de pinheiros e carquejas.
Algo que tenha ritmos de vida.

Não esqueças o bálsamo da ferida
Que ainda me lacera. E as cerejas,
Em folhas de videira, em que tu estejas
Mesmo em cor e aroma resumida...

E um copo de resina e os dedos
- Os mais hábeis no jogo das sementes -
Afeitos à tormenta, à dor, aos medos.

Manda-me o que puderes e me desperte
Para um novo incêndio de poentes
Que com a minha terra me concerte!

Poema de João de Sá, Vila à Flor dos Montes, 2008.
Fotografia: Vila Flor, do alto da serra.

29 outubro 2009

Agonia solar

Hora de sombra e fim. A luz vermelha
Do sol exausto, é cinza na ramagem;
Os pulsos latejando, a fria aragem
É gelha, funda em perfil de velha.

No fluir dum riacho cor de telha,
Da tarde aérea, a subtil imagem
Derrama o pranto ardente da viagem
Que, por momentos, o seu vulto espelha.

Do Facho vem um anúncio de inquietude.
E o corpo harmonioso da virtude
Transmuta-se em arbusto de saudade...

E a hora, a treva, o vento, a água triste
É tudo o que, no mundo, sofre e existe
Sem ódio, sem revolta e sem vaidade!

Soneto de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.

29 setembro 2009

Vindima

Brotam, nos dedos frios, mornos bagos
- Âmbar coalhado em frémitos de aurora.
Morrem as mãos aonde nasce a hora...
A brisa queima, simulando afagos...

Remoinho de faúlhas: são esporos
Num vaguear de futuros maios.
Seus corpos requebrados em desmaios,
Sobre violinos de calados choros...

O eterno transforma-se em olhar.
Já nenhum horizonte os pacifica.
A meta é longe e nada significa.
Ser, para eles, é resistir, é estar.

E imola-se na luz do Sol-nascente
A paz azul dum espaço inexistente.

Soneto de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.

06 agosto 2009

Furtivo sortilégio


Meu ninho encastoado na fissura
Dum olmo que um Grifo plantou.
Meu agro que o Destino semeou,
Perfil de serra em linha de secura.

Alta chama parada na lonjura
De um astro que tanto a cerceou
Que em centelha viva a transformou
Pra ser Flor, em vez de queimadura.

Meu berço de infante, embalo e paz
Do que em mim me divide, e me compraz
Na sublime graça de chegar.

Quero fundir-me em ti, correr nas fontes.
E se me entremostrares o Ser, nos montes,
Levar-te-ei, pela mão, a ver o mar!

Soneto de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
Fotografia: Vilarinho das Azenhas, a caminho do santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

Outros poemas de João de Sá: Flor-poema, Maravilhamento, Absoluto visível, Serra, A pergunta, Consagração, Jogos de infância, O nosso pão, Senhora da Lapa, Pescador de Estrelas.