No dia 29 de outubro fiz mais uma pequena caminhada nos arredores de Vila Flor.
Comprei uma pequena máquina fotográfica, Sony, que pesa apenas 100g e que desejava experimentar "no terreno". Não é nada de especial, apenas uma pequena compacta mais pequena que um maço de cigarros. A Panasonic que tenho usado nas caminhadas ainda dá conta do recado, mas um gesto irrefletido deixou alguns riscos na objetiva. É muitas fotografias esse defeito é visível.
Já era bastante tarde, por isso escolhi um percurso muito pequeno que basicamente vai de Vila Flor ao Barracão, sobre ao alto do Facho, partindo da zona industrial e volta a Vila Flor pela rua do Carriço. Apesar do percurso ser curto, mais de metade foi feito já com noite cerrada.
Os momentos mais interessantes aconteceram quase à saída da vila, Há um medronheiro junto das vinhas, que na altura tinha alguns frutos maduros. A luz doce do por do sol proporcionou algumas fotografias interessantes. Foi um bom momento para por a máquina fotográfica à prova (e para ter as primeiras desilusões). Quando se procura algo muito económico (pouco mais de 100€) não se pode esperar ter tudo o que se precisa no ato de fotografar. As primeiras dificuldades começaram com a focagem, porque a máquina não têm nenhum programa para macrofotografia. Por mais que tentasse focava sempre a paisagem de fundo e nunca os frutos maduros. Com alguma insistência, consegui enganar o sistema. A máquina não permite nenhum controlo manual sobre a exposição, essencial a quem gosta de ser criativo e personalizar o resultado. Assim, nada mais é possível do que tirar partido do que a máquina está programada para fazer, usando alguns truques para tentar dar-lhes a volta.
O momento foi entusiasmante e o sol acabou por se esconder, ainda eu não tinha chegado ao Barracão! O melhor era voltar para trás, pela estrada, mas um aventureiro seguiria para a serra em plena noite e foi o que eu fiz.
O caminho que segui é-me bastante familiar, por isso o risco era diminuto. De todas as formas, causa alguns calafrios, andar num lugar tão agreste sem qualquer iluminação. Imaginei um encontro com javalis, porque passei numa zona onde vão todas as noites, mas, felizmente não vi nenhum. Não me ia sentir muito à vontade.
Experimentei algumas fotografias com flash. Nada feito. A luz apenas deve ter servido par enviar algum sinal à distância, desde o alto da serra. Desisti de apreciar a paisagem e tentei regressar o mais rapidamente possível a casa.
Percurso: 6,15 km
Diferenças de Altitudes 176 Metros(Altitude desde 569 Metros para 745 Metros)
Subida acumulada 181 Metros
Descida acumulada 181 Metros
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28 janeiro 2012
24 janeiro 2012
Peregrinações - Capela de São Gregório (Valbom)
No mês de Outubro aconteceu mais uma longa caminhada, que teve como destino a aldeia de Valbom, num dos pontos do concelho mais afastados de Vila Flor, no sopé da serra de Bornes. Tratou-se de um verdadeiro desafio. Este trajeto já tinha sido tentado uma vez, mas não foi concluído, terminando a viagem em Benlhevai, por falta de tempo.
A partida aconteceu bem cedo, e valeu a pena. Quando o sol surgiu lá para os lados do Felgar (Torre de Moncorvo) o céu cobrou-se de um rosa muito invulgar. Nunca tinha visto o céu com semelhante tonalidade.
A avenida andava em obras e o IC5 ainda não tinha sido concluída. Decidimos ir pela estrada até Roios, com a intenção de variarmos o percurso, mas também o de observarmos as obras de mais perto.
As obras da estrada podem ser vistas de várias maneiras; com admiração pela obra realizada; com expectativa com o hipotético desenvolvimento que vão trazer ou pela destruição que causam e o seu impacto na natureza. A caminho de Roios impressionou-me mais a destruição.
A passagem por Roios, Vale Frechoso e Benlhevai foi o mais rápida possível. Todos os caminhos já foram anteriormente percorridos noutras "Peregrinações". O tempo estava ameno e havia pessoas a trabalharem nos campos. Estávamos na altura das castanhas, mas a o ano não foi benéfico e as poucas que havia eram de muito má qualidade. Há castanheiros espalhados por quase todas as aldeias das zonas mais frias do concelho, mas creio que deve ser ao longo desta linha que seguimos que há mais, principalmente em Roios e Benlhevai.
Já há algumas pessoas que estão habituadas à nossa passagem. Quando as encontramos não podemos evitar alguns momentos de conversa, mas sempre a olhar para o relógio, para não se desperdiçar muito tempo.
Depois de passarmos sobre o IP2 (entre Benlhevai e Trindade) entrámos num percurso realmente novo. Os últimos quilómetros até Valbom nunca foram percorridos a pé e foi mesmo uma novidade fazê-los. A paisagem para o vale da Vilariça é sempre digna de se admirar. Neste pouco, quase no início do vale, avista-se a barragem da Burga e a freguesia de Vilares da Vilariça, já pertencente a Alfândega da Fé.
Valbom é uma aldeia bastante pequena pertencente à freguesia da Trindade. Já a visitei várias vezes anteriormente, mas tem a desvantagem de estar num extremo e por isso não é local de passagem para outras caminhadas.
Já chegámos a Valbom ao início da tarde. Mesmo com a preocupação de não perder tempo, a distância é muita, e o percurso não é propriamente plano.
Conseguimos que alguém nos mostrasse a pequena capela de S. Gregório. Apesar de pequena está muito bem arranjada e é bastante bonita. O último restauro aconteceu em 2008. A simplicidade das linhas da capela são compensadas pela beleza do seu interior e pelas imagens interessantes que apresenta. Todas as imagens estão restauradas. A mais curiosa, e já falei dela em visitas anteriores é a de Nossa Senhora do Parto.
No passado existia grande devoção a esta Nossa Senhora, por parte das grávidas em final de gestação e por parte dos familiares das mesmas. Faziam-se promessas para que no momento do parto tudo corresse bem e, pouco tempo depois do nascimento a promessa tinha que ser paga. Por vezes eram os familiares que se dirigiam à pequena capela para pagamento da promessa. Com a diminuição dos partos e também com a sua realização em unidades hospitalares este ritual foi-se perdendo.
Curioso é também o facto de existir na sacristia uma imagem de Santa Filomena. A iconografia não deixa lugar para dúvidas; tem uma âncora, uma palma e algumas flechas. Esta imagem não está restaurada, como as restantes e ocupa um lugar afastado do centro de culto. Tal facto pode dever-se às dúvidas que se levantaram há mais de cem anos sobre a sua santidade. Tendo vivido supostamente no séc. III, só no séc. XVIII é que a igreja lhe começou a prestar culto, em Itália. Apesar de o culto a Santa Filomena se ter difundido ao longo de muitos anos, a sua santidade, e mesmo a sua existência, são questionadas.
Terminada a visita à capela, pouco mais havia a fazer. Enquanto esperámos pelo transporte para casa ainda fizemos uma visita à fonte de Almoinha, que é um local interessante da aldeia, quer e pela fonte em si, quer pelo espaço circundante. É um local muito agradável, principalmente no verão.
Percurso:
Dintância: 18,37 km
Diferenças de Altitudes: 301 Metros (Altitude desde 380 Metros para 681 Metros )
Subida acumulada: 522 Metros
Descida acumulada: 698 Metros
A capela de São Gregório foi Freguesia Mistério 22, em 2008.
A partida aconteceu bem cedo, e valeu a pena. Quando o sol surgiu lá para os lados do Felgar (Torre de Moncorvo) o céu cobrou-se de um rosa muito invulgar. Nunca tinha visto o céu com semelhante tonalidade.
A avenida andava em obras e o IC5 ainda não tinha sido concluída. Decidimos ir pela estrada até Roios, com a intenção de variarmos o percurso, mas também o de observarmos as obras de mais perto.
As obras da estrada podem ser vistas de várias maneiras; com admiração pela obra realizada; com expectativa com o hipotético desenvolvimento que vão trazer ou pela destruição que causam e o seu impacto na natureza. A caminho de Roios impressionou-me mais a destruição.
A passagem por Roios, Vale Frechoso e Benlhevai foi o mais rápida possível. Todos os caminhos já foram anteriormente percorridos noutras "Peregrinações". O tempo estava ameno e havia pessoas a trabalharem nos campos. Estávamos na altura das castanhas, mas a o ano não foi benéfico e as poucas que havia eram de muito má qualidade. Há castanheiros espalhados por quase todas as aldeias das zonas mais frias do concelho, mas creio que deve ser ao longo desta linha que seguimos que há mais, principalmente em Roios e Benlhevai.
Já há algumas pessoas que estão habituadas à nossa passagem. Quando as encontramos não podemos evitar alguns momentos de conversa, mas sempre a olhar para o relógio, para não se desperdiçar muito tempo.
Depois de passarmos sobre o IP2 (entre Benlhevai e Trindade) entrámos num percurso realmente novo. Os últimos quilómetros até Valbom nunca foram percorridos a pé e foi mesmo uma novidade fazê-los. A paisagem para o vale da Vilariça é sempre digna de se admirar. Neste pouco, quase no início do vale, avista-se a barragem da Burga e a freguesia de Vilares da Vilariça, já pertencente a Alfândega da Fé.
Valbom é uma aldeia bastante pequena pertencente à freguesia da Trindade. Já a visitei várias vezes anteriormente, mas tem a desvantagem de estar num extremo e por isso não é local de passagem para outras caminhadas.
Já chegámos a Valbom ao início da tarde. Mesmo com a preocupação de não perder tempo, a distância é muita, e o percurso não é propriamente plano.
Conseguimos que alguém nos mostrasse a pequena capela de S. Gregório. Apesar de pequena está muito bem arranjada e é bastante bonita. O último restauro aconteceu em 2008. A simplicidade das linhas da capela são compensadas pela beleza do seu interior e pelas imagens interessantes que apresenta. Todas as imagens estão restauradas. A mais curiosa, e já falei dela em visitas anteriores é a de Nossa Senhora do Parto.
No passado existia grande devoção a esta Nossa Senhora, por parte das grávidas em final de gestação e por parte dos familiares das mesmas. Faziam-se promessas para que no momento do parto tudo corresse bem e, pouco tempo depois do nascimento a promessa tinha que ser paga. Por vezes eram os familiares que se dirigiam à pequena capela para pagamento da promessa. Com a diminuição dos partos e também com a sua realização em unidades hospitalares este ritual foi-se perdendo.
Curioso é também o facto de existir na sacristia uma imagem de Santa Filomena. A iconografia não deixa lugar para dúvidas; tem uma âncora, uma palma e algumas flechas. Esta imagem não está restaurada, como as restantes e ocupa um lugar afastado do centro de culto. Tal facto pode dever-se às dúvidas que se levantaram há mais de cem anos sobre a sua santidade. Tendo vivido supostamente no séc. III, só no séc. XVIII é que a igreja lhe começou a prestar culto, em Itália. Apesar de o culto a Santa Filomena se ter difundido ao longo de muitos anos, a sua santidade, e mesmo a sua existência, são questionadas.
Terminada a visita à capela, pouco mais havia a fazer. Enquanto esperámos pelo transporte para casa ainda fizemos uma visita à fonte de Almoinha, que é um local interessante da aldeia, quer e pela fonte em si, quer pelo espaço circundante. É um local muito agradável, principalmente no verão.
Percurso:
Dintância: 18,37 km
Diferenças de Altitudes: 301 Metros (Altitude desde 380 Metros para 681 Metros )
Subida acumulada: 522 Metros
Descida acumulada: 698 Metros
A capela de São Gregório foi Freguesia Mistério 22, em 2008.
10 janeiro 2012
Peregrinações - Capela de S. Luís (Folgares)
No dia 15 de outubro o desafio foi uma caminhada entre Vila Flor e Folgares, em mais uma Peregrinação, tendo como destino a capela de S. Luís, na pequena aldeia de Folgares. Este trajeto já tinha sido feito numa caminhada que realizei em novembro de 2008, quase na mesma altura do ano. Nessa altura fiquei entusiasmado com alguns trilhos que encontrei, escavados na rocha granítica. Voltar ao vale da Cabreira à procura dos mesmos trilhos foi quase como procurar uma agulha num palheiro, mas valia a pena tentar.
As dificuldades deste trajeto são várias. Uma, bastante preocupante ter a ver com os cães dos pastores, que, certamente, estariam a guardar as cortes existentes entre Samões e Freixiel. Outra dificuldade é encontrar o caminho certo no vale da Cabreira. É uma zona agreste como poucas no concelho e sem todos os caminhos têm seguimento. A terceira dificuldade é o traçado da encosta do vale com uma inclinação tão acentuada que causa dores só de pensar em subi-la. Para piorar as coisas, a maior dificuldade está no final do percurso, quando o cansaço já é muito. Estas dificuldades não são motivo para desânimo, antes pelo contrário. As dificuldades foram um incentivo a começar a caminhada bastante cedo, ainda o sol não tinha surgido no horizonte.
O dia estava quente e a progressão foi rápida. Depois de termos deixado Samões para trás, o trajeto até Freixiel já foi percorrido muitas vezes, não havendo dificuldades de orientação. Os cães pastores lá estavam, onde eram esperados, mas pareciam meios adormecidos àquela hora do dia. Felizmente para nós...
Em Freixiel ainda tivemos tempo para subir à Forca, visitar a igreja matriz, a fonte romana e o Pelourinho. Casa um destes elementos seria motivo para se gastar algum tempo na sua admiração, mas não havia tempo a perder.
Mesmo não sendo o trajeto mais lógico, subimos ao santuário de Nossa Senhora do Rosário. Este foi o destino da nossa Peregrinação de 17 de outubro de 2010, mas também é um ótimo miradouro para a aldeia e um bom ponto de partida para entrar no vale. No recinto ainda havia lixo. Terminada a festa de verão parece que ninguém se preocupa em limpar o que ficou do fogo da artifício, mas, este espetáculo não é agradável.
Apanhado o caminho em direção ao coração do vale surpreenderam-nos na beira do caminho algumas inscrições nas pedras do muro. Não foi a primeira vez que por ali passei, mas nunca tinha reparado nessas inscrições. São várias pedras gravadas, onde se vê claramente várias cruzes e o ano de 1891. Serão marcas do local do falecimento de alguém? É possível.
O caminho seguido não era muito íngreme. O mais incomodativo era o pó, de alguns centímetros de espessura, mais parecendo farinha! Mesmo sem subir muito, o cansaço não demorou em chegar. Encontrámos uma pessoas que regressava a casa e que nos deu algumas orientações sobre o percurso a seguir. Afastámo-nos do percurso que tinha feito em 2008 e começámos a ter algumas dúvidas se estávamos a caminhar na direção certa. A subida começou a tornar-se mais difícil obrigando a paragens frequentes. O coração parecia querer saltar pela boca e começámos a racionar a água disponível. Por várias vezes hesitámos e mudámos de direção. Sabíamos que Folgares é no alto da encosta e só havia uma direção possível, a que subia.
Pelo caminho fomos encontrado uma série de rochas curiosas. Aliás o vale da Cabreira está repleto de obras de arte naturais juntamente uma grande quantidade de fornos de secar figos.
Nunca saímos do caminho. Em locais como este não se pode andar ao acaso. E foi na berma do caminho, quase sem querer que me pareceu ver o começo de um dos tais trilhos que tanto queria encontrar. De um dos lados do caminho o trilho descia em direção ao vale, do outro subia pela encosta, contornando as rochas, em direção, supostamente, a Folgares. O entusiasmo foi muito e decidimos seguir o trilho. Escavado no granito por séculos de rudes botas e pelas ferraduras dos cascos dos animais, serpentava encosta acima, apresentando nalguns pontos mais de 20 cm de profundidade!
Subindo o trilho encontrámos um idoso. Regressava no seu lento passo à aldeia e fizemos-lhe companhia.
A hora já ia adiantada e não havia tempo sequer para um curto passeio pela aldeia. Enquanto procurávamos por alguém que nos facultasse a entrada na pequena capela de S. Luís, encontrámos uma senhora a fazer pão.
Falámos com 4 ou 5 pessoas, a quem colocámos algumas perguntas sobre a capela e as lendas a ela ligadas. A capela fica no centro da aldeia. Os documentos dizem que outrora foi capela de S. Gens, pelo menos até ao séc. XIX. Cristiano Morais na sua monografia sobre a Freixiel publicada em 1995, refere-se a esta capela em diversos pontos. Em 1744 a capela estava num estado deplorável, não sendo possível aí celebrar. Foram indicados dois moradores para que no prazo de dois meses a mandassem caiar e rebocar e procedessem às necessárias obras para aí poderem ser administrados os sacramentos. Já a quando da visita do comendador Frei Dom José Telles, em 1766, tinha um "retábulo dourado cuja pintura e douradura se acham renovados". As imagens destacadas eram a de S. Gens, padroeiro, e a de Santa Bárbara. A mudança para a devoção de S. Luís deve ter ocorrido nos finais do séc. XIX ou inícios do Séc. XX.
Na mesma obra ficamos a conhecer a lenda da Cerejeira de S. Gens. Junto da capela havia uma cerejeira que tinha dois ramos a caírem sobre a capela. Produzia frutos em junho à exceção dos dois ramos, que apresentavam frutos maduros exatamente dia 25 de Agosto, no dia de S. Gens! Quem comesse as cerejas dos ditos ramos antes dessa data era atormentado por fortes maleitas, mas quem as comesse depois ficava curado de qualquer mal que padecesse.
As pessoas da aldeia conhecem vagamente esta crença, narrada em "Memórias de Ansiães", mas não têm memória de nenhuma cerejeira. No adro da pequena capela não vi nenhuma árvore de fruto, mas havia junto da porta um tomateiro que ostentava dois enormes tomates!
A capela foi recentemente restaurada. O interior está impecável, em todos os aspetos e o exterior tem as pedras de granito lavadas, depois de estarem durante anos caiadas de branco.
Depois da visita à capela restabelecemos as forças junto à fonte, próxima dali. Regressámos a Vila Flor de carro, pela estreita estrada que liga a sede de freguesia, Freixiel, a esta antiga quinta, Folgares.
Foi uma caminhada memorável, mas, percorrer o vale da Cabreira no sentido contrário ao da ribeira com o mesmo nome, talvez subir ao Pé-de-cabrito é um desafio que ainda ficará para outra altura.
Diferenças de Altitudes
Percurso:16,12 km
Diferenças de Altitudes: 398 Meter (Altitude desde 331 Meter para 729 Meter)
Subida acumulada: 546 Meter
Descida acumulada: 410 Meter
As dificuldades deste trajeto são várias. Uma, bastante preocupante ter a ver com os cães dos pastores, que, certamente, estariam a guardar as cortes existentes entre Samões e Freixiel. Outra dificuldade é encontrar o caminho certo no vale da Cabreira. É uma zona agreste como poucas no concelho e sem todos os caminhos têm seguimento. A terceira dificuldade é o traçado da encosta do vale com uma inclinação tão acentuada que causa dores só de pensar em subi-la. Para piorar as coisas, a maior dificuldade está no final do percurso, quando o cansaço já é muito. Estas dificuldades não são motivo para desânimo, antes pelo contrário. As dificuldades foram um incentivo a começar a caminhada bastante cedo, ainda o sol não tinha surgido no horizonte.
O dia estava quente e a progressão foi rápida. Depois de termos deixado Samões para trás, o trajeto até Freixiel já foi percorrido muitas vezes, não havendo dificuldades de orientação. Os cães pastores lá estavam, onde eram esperados, mas pareciam meios adormecidos àquela hora do dia. Felizmente para nós...
Em Freixiel ainda tivemos tempo para subir à Forca, visitar a igreja matriz, a fonte romana e o Pelourinho. Casa um destes elementos seria motivo para se gastar algum tempo na sua admiração, mas não havia tempo a perder.
Mesmo não sendo o trajeto mais lógico, subimos ao santuário de Nossa Senhora do Rosário. Este foi o destino da nossa Peregrinação de 17 de outubro de 2010, mas também é um ótimo miradouro para a aldeia e um bom ponto de partida para entrar no vale. No recinto ainda havia lixo. Terminada a festa de verão parece que ninguém se preocupa em limpar o que ficou do fogo da artifício, mas, este espetáculo não é agradável.
Apanhado o caminho em direção ao coração do vale surpreenderam-nos na beira do caminho algumas inscrições nas pedras do muro. Não foi a primeira vez que por ali passei, mas nunca tinha reparado nessas inscrições. São várias pedras gravadas, onde se vê claramente várias cruzes e o ano de 1891. Serão marcas do local do falecimento de alguém? É possível.
O caminho seguido não era muito íngreme. O mais incomodativo era o pó, de alguns centímetros de espessura, mais parecendo farinha! Mesmo sem subir muito, o cansaço não demorou em chegar. Encontrámos uma pessoas que regressava a casa e que nos deu algumas orientações sobre o percurso a seguir. Afastámo-nos do percurso que tinha feito em 2008 e começámos a ter algumas dúvidas se estávamos a caminhar na direção certa. A subida começou a tornar-se mais difícil obrigando a paragens frequentes. O coração parecia querer saltar pela boca e começámos a racionar a água disponível. Por várias vezes hesitámos e mudámos de direção. Sabíamos que Folgares é no alto da encosta e só havia uma direção possível, a que subia.
Pelo caminho fomos encontrado uma série de rochas curiosas. Aliás o vale da Cabreira está repleto de obras de arte naturais juntamente uma grande quantidade de fornos de secar figos.
Nunca saímos do caminho. Em locais como este não se pode andar ao acaso. E foi na berma do caminho, quase sem querer que me pareceu ver o começo de um dos tais trilhos que tanto queria encontrar. De um dos lados do caminho o trilho descia em direção ao vale, do outro subia pela encosta, contornando as rochas, em direção, supostamente, a Folgares. O entusiasmo foi muito e decidimos seguir o trilho. Escavado no granito por séculos de rudes botas e pelas ferraduras dos cascos dos animais, serpentava encosta acima, apresentando nalguns pontos mais de 20 cm de profundidade!
Subindo o trilho encontrámos um idoso. Regressava no seu lento passo à aldeia e fizemos-lhe companhia.
A hora já ia adiantada e não havia tempo sequer para um curto passeio pela aldeia. Enquanto procurávamos por alguém que nos facultasse a entrada na pequena capela de S. Luís, encontrámos uma senhora a fazer pão.
Falámos com 4 ou 5 pessoas, a quem colocámos algumas perguntas sobre a capela e as lendas a ela ligadas. A capela fica no centro da aldeia. Os documentos dizem que outrora foi capela de S. Gens, pelo menos até ao séc. XIX. Cristiano Morais na sua monografia sobre a Freixiel publicada em 1995, refere-se a esta capela em diversos pontos. Em 1744 a capela estava num estado deplorável, não sendo possível aí celebrar. Foram indicados dois moradores para que no prazo de dois meses a mandassem caiar e rebocar e procedessem às necessárias obras para aí poderem ser administrados os sacramentos. Já a quando da visita do comendador Frei Dom José Telles, em 1766, tinha um "retábulo dourado cuja pintura e douradura se acham renovados". As imagens destacadas eram a de S. Gens, padroeiro, e a de Santa Bárbara. A mudança para a devoção de S. Luís deve ter ocorrido nos finais do séc. XIX ou inícios do Séc. XX.
Na mesma obra ficamos a conhecer a lenda da Cerejeira de S. Gens. Junto da capela havia uma cerejeira que tinha dois ramos a caírem sobre a capela. Produzia frutos em junho à exceção dos dois ramos, que apresentavam frutos maduros exatamente dia 25 de Agosto, no dia de S. Gens! Quem comesse as cerejas dos ditos ramos antes dessa data era atormentado por fortes maleitas, mas quem as comesse depois ficava curado de qualquer mal que padecesse.
As pessoas da aldeia conhecem vagamente esta crença, narrada em "Memórias de Ansiães", mas não têm memória de nenhuma cerejeira. No adro da pequena capela não vi nenhuma árvore de fruto, mas havia junto da porta um tomateiro que ostentava dois enormes tomates!
A capela foi recentemente restaurada. O interior está impecável, em todos os aspetos e o exterior tem as pedras de granito lavadas, depois de estarem durante anos caiadas de branco.
Depois da visita à capela restabelecemos as forças junto à fonte, próxima dali. Regressámos a Vila Flor de carro, pela estreita estrada que liga a sede de freguesia, Freixiel, a esta antiga quinta, Folgares.
Foi uma caminhada memorável, mas, percorrer o vale da Cabreira no sentido contrário ao da ribeira com o mesmo nome, talvez subir ao Pé-de-cabrito é um desafio que ainda ficará para outra altura.
Diferenças de Altitudes
Percurso:16,12 km
Diferenças de Altitudes: 398 Meter (Altitude desde 331 Meter para 729 Meter)
Subida acumulada: 546 Meter
Descida acumulada: 410 Meter
01 novembro 2011
Entre concelhos
A segunda caminhada do mês de Outubro aconteceu no dia 8 e teve um traçado bastante diferente do habitual: tratou-se de um regresso a casa. Habitualmente todos os percursos que faço a pé têm início em Vila Flor, mas desta vez a caminhada iniciou-se no concelho de Carrazeda de Ansiães, mais concretamente na aldeia de Vilarinho da Castanheira.
O cabeço onde se situa o santuário de Nossa Senhora da Assunção eleva-se a quase 850 metros de altitude e é visível de uma grande extensão do concelho de Vila Flor. No alto da capela há uma cruz de néon, azul, que assinala a posição de Vilarinho da Castanheira a muitos quilómetros de distância, durante a noite. Como é uma aldeia a que me desloco com alguma frequência, já tinha pensado em fazer a ligação entre Vilarinho e Vila Flor a pé, mas nunca tinha surgido a oportunidade.
No dia 8, pouco depois da hora de almoço, parti do fundo da aldeia do Vilarinho com ideia de caminhar até Vila Flor. Não fiz, como normalmente faço, a planificação do trajecto, nem a contabilização da distância a percorrer. Quanto mais quilómetros percorro, maiores distância me apetece percorrer, desafiando as distâncias e os limites da resistência física. O entusiasmo, a adrenalina, estão dependentes da incerteza, da aventura, caso contrário seria como caminhar em volta da barragem, para queimar algumas calorias. A única parte do percurso completamente desconhecida seria até ao Mourão.
A primeira parte do percurso foi feita ainda em território do concelho de Carrazeda de Ansiães. Orientei-me pela topografia do terreno. Sabia que as linhas de água me conduziriam junto da barragem Mourão-Valtorno. Depois de cruzar a estrada que liga Vilarinho a Castedo e Lousa, no lugar das Laceiras, encontrei com facilidade um caminho que seguia da direcção certa. Nestas paragens é tudo muito selvagem. Há alguns pinheiros e sobreiros e poucas mais marcas do homem se avistam. Uma centena de metros à direita está a linha imaginária que separa os termos de Torre de Moncorvo e de Carrazeda de Ansiães, uma vez que o de Vila Flor só se inicia mais próximo da barragem (segue depois em direcção a S. Sampainho, contornando a elevação onde se situa Alagoa).
A certa altura deixei de encontrar o caminho! Reencontrei-o poucos metros mais adiante já em terreno ascendente, conduzindo ao Mourão. Não era um trajecto que quisesse seguir, mas era terreno conhecido e segui-o durante algum tempo. Logo que pude contornei o Mourão por sul e cheguei à Barragem.
É um local agradável, muito sossegado, onde apetece descansar, mas sabia que ainda tinha muitos quilómetros para percorrer.
Da barragem até Seixo de Manhoses é sempre a subir. A vegetação estava seca e cheia de pó, não convidando à fotografia. Fui esgotando as reservas de água a contar em reabastecer-me na aldeia do Seixo. Já por várias vezes recolhi água em perto da fonte do Sangrinho. Desta vez não foi possível, porque o tubo de que me sirvia não corria. Até a própria fonte, de mergulho, estava praticamente seca. Nunca tinha visto a água tão baixa.
Para não voltar para trás continuei, mesmo sem água. O carreiro paralelo à ribeira do moinho, que tantas vezes tenho seguido, foi a alternativa escolhida. Depois de mais algum esforço, atingi de novo a cota dos 700 metros de altitude, pouco antes de chegar à barragem do Peneireiro. Ao chegar à barragem aproveitei para repor a água. O resto do percurso foi feito em velocidade de passeio a saborear o cair da tarde.
Fazem-se os arranjos (quase) finais nos acessos ao IC5. Os caminhos que percorri nos últimos 5 anos já não existem. Sinto um misto de tristeza e de saudade. Nada será como antes e as novas estradas vão permitir-nos chegar mais depressa, mas, cada vez vamos ter mais falta de tempo.
Percurso:
O cabeço onde se situa o santuário de Nossa Senhora da Assunção eleva-se a quase 850 metros de altitude e é visível de uma grande extensão do concelho de Vila Flor. No alto da capela há uma cruz de néon, azul, que assinala a posição de Vilarinho da Castanheira a muitos quilómetros de distância, durante a noite. Como é uma aldeia a que me desloco com alguma frequência, já tinha pensado em fazer a ligação entre Vilarinho e Vila Flor a pé, mas nunca tinha surgido a oportunidade.
No dia 8, pouco depois da hora de almoço, parti do fundo da aldeia do Vilarinho com ideia de caminhar até Vila Flor. Não fiz, como normalmente faço, a planificação do trajecto, nem a contabilização da distância a percorrer. Quanto mais quilómetros percorro, maiores distância me apetece percorrer, desafiando as distâncias e os limites da resistência física. O entusiasmo, a adrenalina, estão dependentes da incerteza, da aventura, caso contrário seria como caminhar em volta da barragem, para queimar algumas calorias. A única parte do percurso completamente desconhecida seria até ao Mourão.
A primeira parte do percurso foi feita ainda em território do concelho de Carrazeda de Ansiães. Orientei-me pela topografia do terreno. Sabia que as linhas de água me conduziriam junto da barragem Mourão-Valtorno. Depois de cruzar a estrada que liga Vilarinho a Castedo e Lousa, no lugar das Laceiras, encontrei com facilidade um caminho que seguia da direcção certa. Nestas paragens é tudo muito selvagem. Há alguns pinheiros e sobreiros e poucas mais marcas do homem se avistam. Uma centena de metros à direita está a linha imaginária que separa os termos de Torre de Moncorvo e de Carrazeda de Ansiães, uma vez que o de Vila Flor só se inicia mais próximo da barragem (segue depois em direcção a S. Sampainho, contornando a elevação onde se situa Alagoa).
A certa altura deixei de encontrar o caminho! Reencontrei-o poucos metros mais adiante já em terreno ascendente, conduzindo ao Mourão. Não era um trajecto que quisesse seguir, mas era terreno conhecido e segui-o durante algum tempo. Logo que pude contornei o Mourão por sul e cheguei à Barragem.
É um local agradável, muito sossegado, onde apetece descansar, mas sabia que ainda tinha muitos quilómetros para percorrer.
Da barragem até Seixo de Manhoses é sempre a subir. A vegetação estava seca e cheia de pó, não convidando à fotografia. Fui esgotando as reservas de água a contar em reabastecer-me na aldeia do Seixo. Já por várias vezes recolhi água em perto da fonte do Sangrinho. Desta vez não foi possível, porque o tubo de que me sirvia não corria. Até a própria fonte, de mergulho, estava praticamente seca. Nunca tinha visto a água tão baixa.
Para não voltar para trás continuei, mesmo sem água. O carreiro paralelo à ribeira do moinho, que tantas vezes tenho seguido, foi a alternativa escolhida. Depois de mais algum esforço, atingi de novo a cota dos 700 metros de altitude, pouco antes de chegar à barragem do Peneireiro. Ao chegar à barragem aproveitei para repor a água. O resto do percurso foi feito em velocidade de passeio a saborear o cair da tarde.
Fazem-se os arranjos (quase) finais nos acessos ao IC5. Os caminhos que percorri nos últimos 5 anos já não existem. Sinto um misto de tristeza e de saudade. Nada será como antes e as novas estradas vão permitir-nos chegar mais depressa, mas, cada vez vamos ter mais falta de tempo.
Percurso:
08 junho 2011
Cabeço - Ascenção do Senhor
No Cabeço, em Vilas Boas, celebram-se várias festas ao longo do ano. A mais importante, a que mais gente chama ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção é a festa realizada a 15 de Agosto, mas há outras que também são marcantes e dignas de serem referenciadas.
No dia 5 de Junho a igreja Católica celebrou a Ascensão do Senhor. Esta festa religiosa leva ao santuário centenas de crentes vindos de distintos pontos do concelho e de concelhos limítrofes. Esta festa tem uma característica que a liga a este blogue, muitos dos crentes deslocam-se para o santuário a pé, em peregrinação.
Esta foi razão suficiente para a caminhada habitual de Domingo, da série "Peregrinações" fosse programada para o Santuário, em Vilas Boas.
Foram muitos os que connosco se cruzaram pelos caminhos; vindos de Vila Flor, Samões, Candoso, Freixiel ou Vieiro. A pé, ou de bicicleta, foram vários os meios, mas o destino foi o mesmo.
Este encontro, no alto de um monte, tem algum paralelismo com a festa celebrada. Há milhares de anos atrás, Jesus Cristo, ressuscitado, encontrou-se com os discípulos no alto do um monte, na Galileia.
Não chegámos a tempo de seguir o programa, chegando ao capela perto do meio dia, quando já a procissão Via lucis fazia o percurso descendente em direcção à base do santuário onde se celebrou a Eucaristia.
Fizemos também a pé o percurso de regresso a casa, a hora aceitável para o almoço.
Pela tarde abateu-se sobre Vila Flor ( e também Vilas Boas) um forte temporal, com chuva abundante e trovões, como é pouco habitual, mas que começa a ser frequente nesta Primavera.
Para mim foi uma realização, uma vez que, há 4 anos que planeava integrar-me nesta peregrinação ao Cabeço.
No dia 5 de Junho a igreja Católica celebrou a Ascensão do Senhor. Esta festa religiosa leva ao santuário centenas de crentes vindos de distintos pontos do concelho e de concelhos limítrofes. Esta festa tem uma característica que a liga a este blogue, muitos dos crentes deslocam-se para o santuário a pé, em peregrinação.
Esta foi razão suficiente para a caminhada habitual de Domingo, da série "Peregrinações" fosse programada para o Santuário, em Vilas Boas.
Foram muitos os que connosco se cruzaram pelos caminhos; vindos de Vila Flor, Samões, Candoso, Freixiel ou Vieiro. A pé, ou de bicicleta, foram vários os meios, mas o destino foi o mesmo.
Este encontro, no alto de um monte, tem algum paralelismo com a festa celebrada. Há milhares de anos atrás, Jesus Cristo, ressuscitado, encontrou-se com os discípulos no alto do um monte, na Galileia.
Não chegámos a tempo de seguir o programa, chegando ao capela perto do meio dia, quando já a procissão Via lucis fazia o percurso descendente em direcção à base do santuário onde se celebrou a Eucaristia.
Fizemos também a pé o percurso de regresso a casa, a hora aceitável para o almoço.
Pela tarde abateu-se sobre Vila Flor ( e também Vilas Boas) um forte temporal, com chuva abundante e trovões, como é pouco habitual, mas que começa a ser frequente nesta Primavera.
Para mim foi uma realização, uma vez que, há 4 anos que planeava integrar-me nesta peregrinação ao Cabeço.
24 janeiro 2011
Peregrinações – Capela de Santa Cruz (Nabo)
Já distante o dia 21 de Novembro em que fiz uma memorável caminhada ao Nabo, mas, foi tão emocione (e não só), que não posso deixar de partilhar algumas dessas imagens e emoções captadas ao longo de alguns quilómetros por caminhos por muito poucos percorridos.
Mais uma vez tive a companhia do colega de trabalho e ultimamente de caminhadas, Helder Magueta.
Partimos de Vila Flor ao início da manhã, num dia fresco e cinzento, mostrando-se pouco convidativo para passeios na natureza. O destino da “Peregrinação” seria a Capela de S. Cruz, mas pretendíamos aproveitar para visitar a nova Barragem, a Pala do Conde e o cabeço de Nossa Senhora do Carrasco. Pelo caminho também pretendíamos passar por locais interessantes de visitar como o Arco ou a aldeia abandona do Gavião.
Caminhar por locais assim, é uma verdadeira aventura. Nunca sabemos o quê ou mesmo quem vamos encontrar, mas por isso é que este Blogue se chama À DESCOBERTA....
A primeira paragem aconteceu na Fonte do Olmo, junto ao novo Estádio Municipal. É um local que visito com frequência na Primavera, à “caça” de flores, insectos (e cobras!) e que fica no caminho para o Arco. Passámos junto ao cemitério, onde algumas pessoas já cuidavam das sepulturas dos seus familiares; atravessámos toda a aldeia, de cima abaixo. Em todas as portas e esquinas havia garrafas e garrafões cheios de água! Estou em crer que os cães, no Arco, terão muita dificuldade em fazerem as suas necessidades, uma vez que (julgo) toda essa água se destina a demove-los de urinarem nos locais.
O percurso até à aldeia abandonada do Gavião é a subir mas com uma paisagem deslumbrante. Mas não foi só a vista em direcção ao vale que nos agradou, os medronheiros que crescem em matagais por uma vasta área apresentavam frutos maduros, para comer, e vistosos, para fotografar.
Também as ruínas das casas da pequena aldeia são sempre um desafio para a fotografia e nem mesmo a vontade de seguir caminho me impediu de fazer alguns disparos tentando captar a alma do local, a preto e branco, é claro.
As descidas são sempre agradáveis e quando iniciámos o percurso em direcção ao Nabo a progressão foi rápida. As coisas não são bem como parecem e, muito tempo a descer, acaba por ser tanto ou mais cansativo do que caminhar a subir.
Pelo caminho fomos surpreendidos por vários alimentadores para perdizes e até perdizes que nos deixaram aproximar a poucos metros de distância! Também fomos apanhados por uma chuvada que algumas nuvens escuras despejaram sobre nós, mas estávamos preparados para enfrentar o mau tempo e nada nos fez parar.
Passámos a poente da aldeia e continuámos em direcção a sul, bem ao coração do vale, onde se situava a antiga fortificação de Godeiros.
Foi a primeira vez que ali estive desde que a barragem do Arco e do Ribeiro Grande foi concluída. Num dos meus primeiros passeios em Junho de 2007 percorri toda esta área à procura de vestígios arqueológicos. Havia imensos, até para um leigo como eu. No âmbito da construção da barragem foram feitos estudos arqueológicos em Godeiros e no Monte Couquinho.
Os especialistas encontraram vestígios desde a época contemporânea até à época proto-histórica. Muitos fragmentos cerâmicos medievais e romanos. O alto de Godeiros, onde se elevaria a torre de vigia escapou, mas as partes mais baixas forram alagadas pelas águas da barragem.
Felizmente o nível da água estava bastante baixo e ainda podemos ver os locais onde foram feitas prospecções arqueológicas. Também a fraga conhecida como a Pala do Conde, sobre a qual foi escavada uma sepultura, estava acima do nível da água. Foi muito interessante voltar a este local.
O Nabo estava ainda muito distante, bem como a capela de Santa Cruz. Já com alguma vontade ao almoço iniciámos o caminho que nos conduziria à aldeia.
Junto ao caminho encontrámos a antiga capela de Santa Cruz ou de Nossa Senhora da Conceição. É uma construção muito simples. O elemento mais curioso no local é mesmo o elegante cruzeiro que se encontra em frente à capela.
Satisfeitos por chegarmos ao objectivo da nossa caminhada, restava-nos caminhar mais um pouco até alcançarmos o povoado, onde o carro de apoio, nos veio buscar. A curiosidade levou-nos ainda ao cimo da aldeia, à Nossa Senhora do Carrasco, de onde seguimos até à igreja Matriz. Aqui, já exaustos e esfomeados, esperámos pelo “resgate”, que não demorou a chegar.
Esta caminhada de uma manhã (e quase meia tarde) foi cansativa mas repleta de locais interessantes e contrastes de cor. Foram 15 quilómetros que não me importo de repetir no futuro.
Mais uma vez tive a companhia do colega de trabalho e ultimamente de caminhadas, Helder Magueta.
Partimos de Vila Flor ao início da manhã, num dia fresco e cinzento, mostrando-se pouco convidativo para passeios na natureza. O destino da “Peregrinação” seria a Capela de S. Cruz, mas pretendíamos aproveitar para visitar a nova Barragem, a Pala do Conde e o cabeço de Nossa Senhora do Carrasco. Pelo caminho também pretendíamos passar por locais interessantes de visitar como o Arco ou a aldeia abandona do Gavião.
Caminhar por locais assim, é uma verdadeira aventura. Nunca sabemos o quê ou mesmo quem vamos encontrar, mas por isso é que este Blogue se chama À DESCOBERTA....
A primeira paragem aconteceu na Fonte do Olmo, junto ao novo Estádio Municipal. É um local que visito com frequência na Primavera, à “caça” de flores, insectos (e cobras!) e que fica no caminho para o Arco. Passámos junto ao cemitério, onde algumas pessoas já cuidavam das sepulturas dos seus familiares; atravessámos toda a aldeia, de cima abaixo. Em todas as portas e esquinas havia garrafas e garrafões cheios de água! Estou em crer que os cães, no Arco, terão muita dificuldade em fazerem as suas necessidades, uma vez que (julgo) toda essa água se destina a demove-los de urinarem nos locais.
O percurso até à aldeia abandonada do Gavião é a subir mas com uma paisagem deslumbrante. Mas não foi só a vista em direcção ao vale que nos agradou, os medronheiros que crescem em matagais por uma vasta área apresentavam frutos maduros, para comer, e vistosos, para fotografar.
Também as ruínas das casas da pequena aldeia são sempre um desafio para a fotografia e nem mesmo a vontade de seguir caminho me impediu de fazer alguns disparos tentando captar a alma do local, a preto e branco, é claro.
As descidas são sempre agradáveis e quando iniciámos o percurso em direcção ao Nabo a progressão foi rápida. As coisas não são bem como parecem e, muito tempo a descer, acaba por ser tanto ou mais cansativo do que caminhar a subir.
Pelo caminho fomos surpreendidos por vários alimentadores para perdizes e até perdizes que nos deixaram aproximar a poucos metros de distância! Também fomos apanhados por uma chuvada que algumas nuvens escuras despejaram sobre nós, mas estávamos preparados para enfrentar o mau tempo e nada nos fez parar.
Passámos a poente da aldeia e continuámos em direcção a sul, bem ao coração do vale, onde se situava a antiga fortificação de Godeiros.
Foi a primeira vez que ali estive desde que a barragem do Arco e do Ribeiro Grande foi concluída. Num dos meus primeiros passeios em Junho de 2007 percorri toda esta área à procura de vestígios arqueológicos. Havia imensos, até para um leigo como eu. No âmbito da construção da barragem foram feitos estudos arqueológicos em Godeiros e no Monte Couquinho.
Os especialistas encontraram vestígios desde a época contemporânea até à época proto-histórica. Muitos fragmentos cerâmicos medievais e romanos. O alto de Godeiros, onde se elevaria a torre de vigia escapou, mas as partes mais baixas forram alagadas pelas águas da barragem.
Felizmente o nível da água estava bastante baixo e ainda podemos ver os locais onde foram feitas prospecções arqueológicas. Também a fraga conhecida como a Pala do Conde, sobre a qual foi escavada uma sepultura, estava acima do nível da água. Foi muito interessante voltar a este local.
O Nabo estava ainda muito distante, bem como a capela de Santa Cruz. Já com alguma vontade ao almoço iniciámos o caminho que nos conduziria à aldeia.
Junto ao caminho encontrámos a antiga capela de Santa Cruz ou de Nossa Senhora da Conceição. É uma construção muito simples. O elemento mais curioso no local é mesmo o elegante cruzeiro que se encontra em frente à capela.
Satisfeitos por chegarmos ao objectivo da nossa caminhada, restava-nos caminhar mais um pouco até alcançarmos o povoado, onde o carro de apoio, nos veio buscar. A curiosidade levou-nos ainda ao cimo da aldeia, à Nossa Senhora do Carrasco, de onde seguimos até à igreja Matriz. Aqui, já exaustos e esfomeados, esperámos pelo “resgate”, que não demorou a chegar.
Esta caminhada de uma manhã (e quase meia tarde) foi cansativa mas repleta de locais interessantes e contrastes de cor. Foram 15 quilómetros que não me importo de repetir no futuro.
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