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03 julho 2011

Peregrinações – Capela de Santa Marinha (Sampaio)

Numa das Peregrinações do Mês de Abril foi escolhido como destino as ruínas da Capela de Santa Marinha, em Sampaio. À excepção dos habitantes da aldeia, poucos são os que conhecem a existência destas ruínas. A história segue o seu rumo, as coisas nascem e morrem e isto acontece com tudo. A devoção a Santa Marinha foi muito forte em determinado período da história, depois foi diminuindo e hoje mantém-se em muito poucas freguesias. Muitas capelas desapareceram e já nem as populações sabem da sua existência. No caso de Sampaio, sobrevive o nome do monte, do marco geodésico que nela existe (chamado também de Santa Marinha), as ruínas da capela ainda bem visíveis e a imagem de Santa Marinha, ainda existente na igreja matriz.
A escolha do destino também teve a favor o deslumbramento que senti na primeira vez que visitei o local a 25 de Março de 2007. As giestas em flor estavam magníficas e a visão do vale é indescritível. Voltar a um lugar assim é gratificante.
Este percurso fi-lo acompanhado, no dia 9 de Abril. A ideia foi fazer um bonito passeio até à aldeia de Sampaio; tentar ver a imagem de Santa Marinha na igreja Matriz e subir ao alto do monte para visitar as ruínas da capela.
O caminho seguido até Sampaio foi uma repetição do já percorrido na altura em que visitei a Capela de Nossa Senhora da Rosa, mas nessa altura fui sozinho. Apesar de não ser adepto da cultura do eucalipto a Quinta do Caniço proporciona bonitos percursos uma vez que tem muitos caminhos por entre a grande plantação de eucaliptos. É mesmo possível seguir percursos diferentes para chegar ao mesmo destino. Seguimos pela estrada de Roios até depois da Valonquinta, depois metemos à direita, atravessámos as obras do traçado do IC5 e seguimos pelos montes. O dia estava muito quente e isso proporcionou-nos a primeira surpresa: na borda do caminho havia uma enorme cobra ao sol. O susto foi grande.
Com a Primavera em pleno, só na bordadura do eucaliptal é que ela se manifestava em força. Estevas, linho, arçâs, sargaços, papoilas, roseiras bravas, tudo explodia em flor fazendo a delícia dos insetos. Além daqueles que se alimentam de pólen, fecundando as flores, há também os que se alimentam delas, comendo estames e pétalas com grande voracidade. Foi na observação de toda a vida que fervilhava em redor que nos esquecemos do caminho e chegámos sem dar por isso junto ao cemitério de Sampaio.
A curiosidade pelos sabores ao encontrarmos alguns espargos selvagens levou-nos a provar as amêndoas (ainda leitosas) e as azedas. Acontece que estas azedas (Oxalis pes-caprae), não são as azedas a que estamos habituados em Trás-os-Montes, mas sim o que o colega de caminhada conhecia como azedas, da região de Aveiro. Provei, e gostei. Ao contrário das nossas azedas, em que são as folhas que são comestíveis, nesta espécie, são os longos pedúnculos das flores que têm um sabor ácido, desagradável ao principio, mas suportável depois.
Chegámos à aldeia à hora de almoço. Não encontrámos ninguém a quem pedir informações para termos acesso à igreja e ainda pretendíamos subir ao alto do monte. Optámos por seguir caminho e esquecemos a imagem de Santa Marinha.
Com a pressão da hora adiantada não fizemos as melhores opções para subirmos ao alto do monte de Santa Marinha. A princípio havia um bom caminho por entre pinheiros e sobreiros, mas que terminou no meio do nada, bastante longo do nosso destino. A solução foi fazer o resto do percurso em linha recta, abrindo caminho com alguma dificuldade. O calor era insuportável e a água já não era muita. Atingimos o alto do monte completamente esgotados, com o coração aos pulos e cheios de sede.
Não é difícil localizar as ruínas da capela. As paredes são bem visíveis e pelas mensagens nela escritas são muito visitadas. Num buraco da parede havia mesmo uma vela! Não sei se alguém a deixou ali acesa, mas seria muito perigoso, poderia causar um incêndio.
Sentados junto do marco geodésico comemos alguma fruto e bebemos o resto da água que ainda tínhamos. A hora já ia adiantada e o calor apertava. O pequeno planalto que existo no topo do monte não apresentava o aspecto esperado e que vi em 2007. Na altura a visita aconteceu um pouco mais cedo.
Seria impensável fazer o caminho de regresso a Vila Flor, agora a subir, com tanto calor e sem almoçar. A solução foi telefonar para casa para nos irem buscar à Quinta do Caniço.
Descemos o monte e seguimos pela estrada (já bastante cansados) até que a boleia chegou.
Caminhámos perto de 12 quilómetros mas esta ficou guardada como uma das caminhadas mais cansativas que já fizemos.

Percurso:
GPSies - VilaFlor_SMarinha

23 junho 2011

Peregrinações – Capela de Santa Maria Madalena (Macedinho)

No dia 26 de Março de 2011 fiz uma longa caminha até Macedinho, freguesia da Trindade. Quase sempre há algo que justifique a escolha para a caminhada, neste caso, foi somente vontade de voltar a Macedinho, onde já não ia a algum tempo. Não é um daqueles destinos que escolho com frequência, mas ainda há uma séria de coisas que gostava de conhecer melhor, como o Castelo.
Macedinho fica a alguns quilómetros de Vila Flor, por isso a caminhada foi só de ida e desta vez sozinho.
Os caminhos percorridos começam a ser bastante repetitivos, mas nunca são iguais. Quer a paisagem em redor, que muda com as estações do ano, quer o próprio piso, que no Inverno se cola às botas em forma de lama e de Verão está repleto de sementes secas que se agarram às meias e se tornam incomodativas.
Estávamos nos finais de Março, com a Primavera já em andamento, mas o dia estava pouco simpático, cheio de nuvens e a ameaçar chover. Nas Capelinhas as glicínias lançavam as primeiras flores, ainda timidamente. Atrás da serra eram as campainhas que cobriam o manto de musgo aveludado sob os pinheiros e castanheiros. Perto de Roios apareceu a carqueja, em plena floração, a torga, em grande quantidade e campos de nabiças em flor.
Depois de ter passado Roios começou a chover. Apesar de estar preparado para a chuva, acabei por ficar com as botas completamente encharcadas, o que me dificultou baste toda a caminhada. Subi a calçada em direcção à Quinta do Dr. Pimentel, que fica a poucas centenas de metros da estrada Vila Flor - Macedo. Na borda do que restava de um pinhal que estava a ser cortado para madeira encontrei umas pequenas orquídeas. Depois de algumas caminhadas que tenho feito nas margens do Rio Sabor, onde tenho encontrado algumas espécies de orquídeas selvagens, tenho-me empenhado mais na sua busca no concelho de Vila Flor, mas não tenho tido muito sucesso. Embora nunca tenha dado notícias disso, há algumas espécies bastante abundantes, embora poucas pessoas olhem para elas como orquídeas. A verdade é que o são.
 Quase sem dar por isso cheguei a Vale Frechoso. Junto da capela de Nossa Senhora de Lurdes começa um caminho que leva à estrada, mesmo na direcção certa. Este foi único troço novidade do percurso, porque o restante já o tinha feito em bicicleta ou a pé.
Passei junto à Penha do Corvo, tendo em vista o marco geodésico da Pedra-luz. Durante muito tempo avistei ao longo do caminho pegadas bastante profundas. Seriam de um lobo ou de um cão? Não cheguei a descobrir, mas senti alguns arrepios, como se o animal me estivesse a observar. Vi várias vezes lobos em liberdade nas minha juventude.
Cheguei ao marco geodésico conhecido por Pedra-luz, perto das duas das tarde, com cerca de 14 quilómetros percorridos. Pelo caminho já tinha comido a merenda, mas a bateria da máquina fotográfica já estava com falhas e o entusiasmo já não era muito. Tentei adiantar caminho descendo quase em linha recta em direcção à aldeia, mas foi asneira. Aquelas montanhas são muito perigosas, cheias de poços da exploração mineira. Curiosamente há evidências de prospeções recentes com tubos novos, com menos de um ano! A vegetação é muito densa e impossível de penetrar. Mesmo cansado, voltei a trás e segui o caminho que já conhecia, que me levaria entre Macedinho e Vale da Sancha. Foi então que algo apareceu para animar a minha peregrinação. Foi mais uma planta, cheia de botões prestes a explodir de côr. Não era uma planta qualquer mas sim Peónias, também conhecidas por ramos-de-raposa, ou rosa-albardeira (Paeonia officinalis). Foi um achado! Já tinha percorrido aquelas encostas pelo menos 3 vezes, mas nunca tinha tido a sorte de encontrar esta espécies, totalmente desconhecida para mim no concelho de Vila Flor. Enquanto descia a encosta fui encontrando mais exemplares desta planta.
Este achado animou-me bastante e cheguei a Macedinho perto das três da tarde.A tranquilidade no pequeno povoado era total. Circulei durante algum tempo por entre as casas sem ver ninguém (o que não quer dizer que não sejamos vistos).
A capela está situada no centro da aldeia, perto de outra, mais pequena, de S. António. Já a visitei várias vezes, mas foi recuperada em 2008. No frontispício está uma placa em mármore evocativa desse restauro. Trata-se de uma capela maneirista e barroca, com uma planta longitudinal composta por uma nave, uma capela-mor e uma sacristia rectangular adossada. Na fachada principal, destaca-se uma pequena sineira e um portal de verga recta e, no interior, um retábulo-mor de barroco.
Esta foi uma das mais demoradas caminhadas realizadas nesta série "Peregrinações", embora não seja a mais longa. O mau tempo e o terreno acidentado foram os maiores problemas, mas o balanço foi muito positivo.
Mais tarde voltei a Macedinho, de carro. Subi ao alto da colina em busca das peónias mas fotografei outras espécies. Foi uma tarde fotográfica memorável.

GPSies - VilaFlor_Macedinmho

02 junho 2011

Peregrinações – Capela de Nossa Senhora do Rosário (Samões)

A segunda peregrinação de Fevereiro aconteceu no dia 26 e teve como destino Samões. Tal como já disse anteriormente, as caminhadas realizadas nesse mês tiveram como destino locais onde havia probabilidades de se encontrarem amendoeiras em flor.
Um destino assim tão próximo, justificou a utilização de equipamento fotográfico de melhor qualidade, em oposição à máquina fotográfica de bolso, normalmente utilizada.
A sessão fotográfica começou antes da caminhada, uma vez que encontrei as primeiras amendoeiras em flor, aqui mesmo, quase no centro de Vila Flor, antes mesmo de me encontrar com o companheiro de "viagem". Pode parecer estranha a publicação de imagens destas, neta altura do ano, mas é "saboroso". É como sentir de novo o perfume das flores nas manhãs orvalhadas de Fevereiro.
O caminho é curto e sobejamente conhecido. É só o caminho mais interessante que liga a Vila Flor, mas parece-me que tem os dias contados! Andaram a arrancar as videiras em redor... parece-me que se vai tornar numa estrada.
Rapidamente chegámos a Samões. Acedemos à aldeia por detrás da igreja e não faltavam amendoeiras em flor nas imediações. Não fomos diretamente à capela escolhida como destino da nossa "peregrinação", antes escolhemos afastar-nos da aldeia em direção a poente. Nesta zona há bons terrenos agrícolas e eram várias as pessoas que se encontravam pelos campos a trabalhar. Ainda bem, o caminho que seguimos não tem continuidade e assim podemos pedir autorização para circular pelos terrenos.
Havia uma razão para querermos ir ali. Crescem no local imensas margaças, formando um manto muito extenso e bonito. Já em anos anteriores tirei algumas fotografias no local.
Mesmo antes de atingirmos os campos com margaças, chamava a atenção à distância uma amendoeira carregada de flores incrivelmente rosa. O dono do terreno, emigrante em Paris, facultou-nos o acesso e chegámo-nos mais perto. Além dos ramos repletos de flores rosa, tinha também alguns ramos com flores brancas, estas bem mais normais.
Pouco depois chegámos ao campo com margaças (mais conhecidas como margaridas). As joaninhas tinham chegado antes de nós e havia-as às dezenas! O terreno estava bastante encharcado obrigando a algum cuidado.
Um pouco mais à frente encontrámos algumas pessoas a limparem oliveiras, com quem conversámos bastante tempo sobre oliveiras, olival e azeite, num ano com uma produção baste boa.
O nosso objetivo era atingir um ponto bastante elevado entre o Carvalhal e a Moira. Nesse lugar há alguns amendoais mais recentes, mas a floração dessas amendoeiras é mais tardia. Sentámo-nos nas rochas a olhar para as Olgas enquanto comemos o magro farnel.
Regressámos à aldeia. A capela de Nossa Senhora do Rosário fica no fundo do povo. É uma bonita capela, que sofreu obras há muito pouco tempo. As pedras do seu cabido mostram bem a antiguidade deste templo. O seu interior também está muito bem cuidado.
No regresso a Vila Flor ainda passámos junto à capela de Nossa Senhora de Lurdes, bem situada junto à estrada nacional.
A caminhada realizada teve a extensão de cerca de 9km. O tempo esteve fantástico e encontrámos as amendoeiras em flor que esperávamos encontrar. Foi uma das mais interessantes caminhadas já realizadas.

23 maio 2011

Peregrinações – Capela de Nossa Senhora do Carrasco (Nabo)

As caminhas do mês de Fevereiro tiveram um elemento extra de entusiasmo, as amendoeiras em flor. A primeira aconteceu a 12 de Fevereiro e teve como destino a capela de Nossa Senhora do Carrasco, no Nabo. Este destino, em direção a terras mais quentes da Vilariça, iria permitir encontrar as primeiras amendoeiras em flor, como de facto aconteceu.
O percurso seguido, ao contrário do habitual, é muito pouco utilizado por mim. A saída aconteceu ao fundo da vila, na Volta dos Tristes, por um caminho que segue para o Cardal, exatamente no ponto onde se desenvolvem grandes obras para a travessia do IC5. Utilizo poucas vezes este caminho mais por receio dos cães, que já me fizeram passar por alguns apertos. Como nesta caminhada éramos dois, sentia-me mais sossegado.
 Depois de algum tempo de caminhada em que apenas nos despertaram a atenção as cebolas albarrãs que despontavam com grande energia, e um rebanho de ovelhas que esperava o seu pastor, chegámos à estrada nacional 215, junto à Quinta do Ramalhão.
Atravessada a estrada, o percurso continua pela encosta, numa zona que penso que se chama Godeiros (há outros Godeiros, no junto à albufeira, no Nabo). Foi nesta zona que fomos surpreendidos pelas primeiras flores de amendoeira. Primeiro alguma meia dúzia, mas, depois, algumas árvores completas, em todo o seu esplendor.
A aldeia do Nabo, sempre visível, estava já rodeada de muitas amendoeiras floridas. Entrámos na aldeia pela Rua da Mãe d’Agua. Quisemos visitar a fonte de mergulho que existe do outro lado do ribeiro, mas, havia tanto lixo no caminho, que nos vimos mal para lá chegar.
A capela de Nossa Senhora do Carrasco fica situada numa elevação. No Roteiro de Vila Flor da autoria de Cristiano Morais é dito que se trata de antiga capela de Nossa Senhora do Rosário. Do grande carrasco que parece ter existido na parede do cabido da capela, e que deu origem ao nome de Senhora do Carrasco, não há vestígios. É um lugar muito tranquilo.
 A capela tem um aspeto robusto e parece recente embora seja românica. Não há nenhuma indicação da data em que foi erigida. O cabido exterior tem um bonito portão em ferro forjado que já fotografei por várias vezes. O largo em redor, espaçoso, chama-se simplesmente Largo da Capela.
O interior da capela também é muito bonito. O altar ocupa toda a parede frontal e destaca-se nele a imagem de Nossa Senhora do Carrasco com o Menino, que segura uma pomba. A capela está sempre muito bem cuidada.
 Depois de restabelecidas as forças, preparámo-nos para o percurso de regresso. Fizemo-lo seguindo pela Rua do Rebentão, em direção ao Arco. Embora tenha grande declive, trata-se de uma estrada, onde a progressão é sempre mais fácil.
Chegámos ao Arco já com a hora bastante adiantada pela tarde. Com a barriga a dar horas, pareceu-nos melhor pedir para nos irem buscar, e assim aconteceu. Regressámos a Vila Flor de carro, depois de termos percorrido um pouco mais de 10 km a pé.
O reencontro com as amendoeiras em flor muito gratificante e abriu perspetivas para as semanas seguintes.

16 maio 2011

Peregrinações - Capela de Nossa Senhora das Graças (Roios)

Foi já no longínquo Janeiro que partimos em mais uma "Peregrinação" à Descoberta do concelho.
O destino estava muito próximo:  Roios, mesmo por detrás da serra. Na selecção deste destino pesou o estado do tempo, muito inconstante a tender para o chuvoso e a hora adiantada da partida, não permitindo grandes distâncias. Como habitualmente escolhemos como destino uma local religioso, neste caso a capela de Nossa Senhora das Graças.
Para ir de Vila Flor a Roios, sem ser pela estrada normal, há várias alternativas, todas elas atravessando a serra, terreno que me faz lembrar histórias de encantar, onde os lobos são presença quase obrigatória. Os tempos mudaram e, cada vez que percorro este espaço agreste sonho encontrar-me com algum desta ser desta espécie, mas nunca aconteceu.
Escolhemos para chegar a Roios um caminho muito interessante, contornando a serra por Norte. É um caminho muitas vezes utilizado que parte das traseiras do Ecomarché e vai sair à zona industrial, no Barracão. De junto das instalações que actualmente ocupam os bombeiros voluntários parte um caminho que contorna o Facho, passando junto ao depósito de aterro que existia atrás da serra.
Verificámos que o espaço estava fechado e vedado mas, infelizmente, os efeitos verificavam-se ao longo dos caminhos. Com o aterro fechado o linho foi despejado noutros locais não muito distantes, mostrando a falta de civismo que ainda é apanágio de muitas pessoas que por aqui habitam. Não há interesse nas autoridades em identificar e punir os culpados, porque o que não faltavam eram facturas e outros documentos que permitiriam facilmente chegar à origem dos lixos.
Como a descer todos os santos ajudam, rapidamente chegámos ao centro de Roios. Questionámos algumas pessoas sobre quem nos poderia facultar o acesso à capela de Nossa Senhora das Graças. Batemos às portas certas mas, por má vontade, ou por desconfiança acabámos por não ter acesso ao interior da capela. Trata-se de uma capela do início do século XVIII. Segundo Cristiano Morais a antiga capela estava junto ao ribeiro e foi mudada e ampliada porque a ela acorriam muitos romeiros. A água da fonte junto da capela era considerada miraculoso. Ainda hoje existe uma fonte de mergulho situada por debaixo do recinto da capela, a que se tem acesso descendo por degraus em pedra ao leito do ribeiro. Em cima, por detrás da capela, está uma fonte mais recente.
Não conseguimos ter acesso à capela mas facultaram-nos o acesso à igreja matriz. Já estive no interior desta igreja por várias vezes e já a considerei uma das mais bonitas do concelho.
Os altares em talha dourada e o tecto da capela-mor são aspectos dignos de serem admirados. Há um altar já no corpo da igreja que não parece ser contemporâneo dos restantes.
De volta zona da capela, entrámos no café para saciarmos a sede. O dono do estabelecimento já se encontrava a almoçar. Um prato bem típico da nossa região nesta época: batatas cozidas, com grelos e alheira (não faltando o vinho e o azeite).
Foi com água na boca que iniciámos o caminho de regresso a Vila Flor. Subir de Roios às Caplinhas é um bom exercício físico e obriga a várias paragens para recuperar o fôlego. Depois de atingirmos o santuário ainda parámos mais um pouco para restaurar o ritmo cardíaco. Restou-nos descer, calmamente à vila para o almoço, quem sabe se uma bela alheira grelhada.

Percurso (11,5 km, realizado no dia 15 de Janeiro de 2011)
GPSies - VilaFlor_Roios_VilaFlor

17 abril 2011

Peregrinações – Igreja da Santíssima Trindade (Trindade)

A primeira peregrinação de 2011 aconteceu no dia 9 de Janeiro passado. Além de ser a primeira do ano, houve outras características que a tornaram bastante singular.
A escolha pela igreja da Santíssima Trindade deve-se a vários factores: nunca visitei esta igreja; a Trindade é uma das freguesias mais distantes da sede de concelho e ir até lá a pé era um desafio interessante.
Parti um pouco mais cedo do que o habitual, sabia que seria um percurso difícil e todo o tempo seria pouco. Quando Vila Flor acordou já eu seguia Facho acima, cheio de energia. Ao longe estouravam tiros por todos os lados. Era Domingo, dia de caça ao tordo. Embora já me tivesse aventurado noutras caminhadas aos Domingos, esta pareceu-me particularmente perigosa, principalmente quando me aproximava das aldeias. Apanhei enormes sustos em Roios, em Vale Frechoso e em Benlhevai. Em Vale Frechoso, perto do campo de futebol, senti mesmo os chumbos caírem à minha volta o que me levou a prometer não voltar a sair em dia de caça.

O tempo estava chuvoso e havia muito nevoeiro. Por trás da serra, a caminho de Roios, a paisagem estava cheia de manchas de nevoeiro e os caminhos ganhavam contornos únicos.
Apesar de estar seguro do caminho a seguir até Benlhevai, já percorrido numa caminhada no mês de Dezembro, o nevoeiro não me deixava orientar convenientemente. Conheço praticamente todos os montes e marcos geodésicos. Esses pontos mais elevados são referências que sempre me servem de orientação, qualquer que seja o percurso que faça. Com o nevoeiro, não me podia orientar por eles. Por outro lado, o nevoeiro funcionou como elemento chave em quase todas as fotografias que fiz nesta caminhada. Como sempre o equipamento fotográfico que levava era mínimo e, com a chuva, nem esse podia usar à vontade.
 Para me proteger da chuva vesti um impermeável que funcionou às mil maravilhas contra a chuva mas provoca imenso calor. O percurso feito está cheio de subidas e descidas. Quanto ao calçado, não havia nada a fazer senão sentir a água e a lama e esperar que os pés aguentassem os maus tratos até ao fim do trajecto.  Também tive dificuldade para ultrapassar alguns ribeiros.
 Sentia-me quase um militar num cenário de guerra, a que não faltavam os tiros por todo o lado. A situação mais assustadora vivi-a antes e depois de Vale Frechoso. Mesmo na aldeia, não sei como as pessoas aguentam tanta disparo em redor.
Antes de chegar a Benlhevai, no meio do nevoeiro realizei algumas fotografias interessantes nos pinhais ou com sobreiros. A partir desse local a bateria da máquina fotográfica começou a fraquejar e tive de a economizar no resto do percurso.
 Em Benlhevai tive que pedir ajuda sobre o caminho a seguir. Entrei demasiado na aldeia, quando a solução era muito simples. Basta contornar pelas traseiras as instalações dos cogumelos e seguir sempre em frente. O caminho, que até nem é mau em condições normais, estava completamente enlameado, mas já pouco me afectava. Segue quase paralelamente à estrada nacional e é um bom recurso para fazer também em BTT. Espero utilizá-lo mais vezes.
A certa altura cruzei-me com o que será o IP2. A passagem superior ainda estava a ser construída e tive que descer ao traçado da estrada para seguir em frente.
 Já perto das duas da tarde entrei na aldeia da Trindade. Os restos da fogueira de Natal ainda ocupavam o largo em frente à igreja. Chovia copiosamente e cheguei em tão mau estado que achei melhor não entrar na igreja. Estava a decorrer a Eucaristia dominical que terminou pouco depois.
Estava terrivelmente cansado e encharcado, pelo que me limitei a esperar que me fossem buscar para regressar a Vila Flor de automóvel.
 Foi uma caminhada extenuante, quer pela chuva, quer pelo nevoeiro, quer pelo perigos dos caçadores. Gostei do percurso que segui e espero voltar a fazer essa caminhada. São 18 quilómetros só por caminhos, que, apesar de tudo, me proporcionaram momentos e fotografias interessantes.