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06 novembro 2008

Entre Samões e Vilas Boas

Chegaram os dias de nevoeiro e frio. Infelizmente a chuva insiste em não aparecer e os charcos que teimavam no fundo das charcas e poços já se esvaíram. Não há sequer humidade para que os cogumelos possam romper a estreita camada de terra que os separa da superfície! A desolação tomou conta das vinhas que pouco a pouco se despem. A humidade do ar desliza para a Vilariça, criando um manto branco e permitindo-nos ver o azul do céu, nem que seja a curtos espaços.
Pelo fresco da tarde, saí de bicicleta em direcção a Samões.
O objectivo era esticar os músculos e arejar a mente do ambiente pouco saudável que se vive na escola. É que o nevoeiro há muito que se instalou, roubou-nos o calor, o entusiasmo, faz-nos sentir vazios, meros instrumentos de propaganda estatística.
Entrei em Samões por detrás da igreja e desci a Rua do Salgueiral. Não perdi muito tempo, pretendia descer em direcção ao ribeiro das Olgas. O percurso que segui não era propriamente aquele que tinha planeado, mas acabei por seguir na direcção pretendida. Quando atingi a estrada de Freixiel, a tarde já estava muito cinzenta, não permitindo mais fotografias. Concentrei-me no pedal, contornei a pedreira, seguindo em direcção a Vilas Boas. A tarde já ia adiantada e achei que seria melhor cortar ligeiramente à direita, acabando por não ir a Vilas Boas. Atingi a estrada muito perto do Campo de Futebol de Vilas Boas, junto ao cruzamento que dá para o Santuário de Nossa Senhora da Assunção.
Aproveitei a existência de alguns pinhais para tentar encontrar cogumelos mas a busca foi em vão. Não consegui encontrar um só, para a fotografia!
Segui por um caminho completamente desconhecido para mim, acabando por ir parar numa perigosa descida na estrada que segue para Meireles. A tarde estava no fim e caíram algumas desgarradas gotas de água. Estava na hora de regressar a casa.



Quilómetros percorridos em BTT: 20
Total de quilómetros de bicicleta: 1897

04 junho 2008

Verde a amarelo

Quando pensei que já me tinha despedido do vermelho vivo das papoilas, fui encontrar junto à rotunda do Barracão, perto de Samões um campo pintado de vermelho e amarelo. Este campo devia ter trigo, mas a natureza decidiu pintá-lo de cores mais selvagens, mais agressivas. Não consegui ficar a olhar de longe. Desci a rampa e mergulhei no colorido, entontecido como as abelhas que rodopiavam de flor em flor que brilhavam com os últimos fios dourados que aqueceram o dia.

25 abril 2008

Entre a delicadeza das flores e a dureza das rochas


Depois de algumas semanas com dias sombrios, nuvens negras e chuva, foi com alegria que vi chegar de novo o céu azul a Vila Flor. Quando saio de casa, olho o alto do Facho e vejo um céu azul salpicado por nuvens brancas como o algodão, desperta em mim a vontade de percorrer montes e vales, saboreando a Primavera, saciando-me das cores, bebendo o canto das aves.
Saí em direcção a Samões por caminhos já bem conhecidos. Nas bermas explodem flores de todas as cores. A manhã mal tinha despertado! As folhas ainda decoradas com gotas de orvalho, disparavam raios de luz, ofuscando a câmara.

Parei em Samões para um café, mas os bares ainda estavam fechados. Segui pela Rua do Corniteiro n.º2, atravessei a estrada nacional, continuei pelo Carvalhal e comecei a descer para o vale onde corre a Ribeira do Vimieiro. Era a primeira vez que fazia este percurso, não sabia muito bem o que ia encontrar. A paisagem à minha frente estava magnifica! Giestas, sobreiros e enormes pedras combinavam-se num extenso jardim. O amarelo das maias, alternava com o branco, com o violeta do rosmaninho, tudo suportado num manto verde. As rochas, ainda que enormes, apresentavam aqui e além regularidades que demonstravam a intervenção do homem. Todas estas encostas, hoje completamente selvagens, foram no passado cultivadas. Pouco antes de chegar à ribeira avistei uma pega azul (Cyanopica cyanus), ave que nunca tinha visto no concelho.

No fundo do vale corre a Ribeira do Vimieiro, agora com bastante água, em direcção a Freixiel e depois ao Tua. Ao longo da ribeira há verdes lameiros rodeados de freixos. O som da água saltando de pedra em pedra, combinava na perfeição com o cantar dos rouxinóis e felosas. De longe chegava o cantar do cuco, que ecoava nas encostas como se saísse das próprias fragas.

Deliciei-me a fotografar a água, os lameiros, as giestas cheias de flores. Quando cheguei às Olgas, avaliei o tempo que me restava. Já não tinha tempo suficiente para seguir até Freixiel, pelo que decidi começar a subida em direcção a Samões. Um agricultor tinha-me falado de algumas rochas com cavidades naturais que existiriam num monte ali próximo. Chamam-lhe as fragas das janelas! Deixei o caminho e segui em direcção a um local que aparece sinalizado nos mapas como Borralho. Atravessei com dificuldade uma ribeira que junta água desde o Barracão e que vai morrer um pouco mais abaixo juntando-se a mais duas ou três. Este local é conhecido pelo nome de Borrega. Estava bastante desanimado, o caminho terminou! Felizmente avistei um enxertador numa vinha próxima. Fui ter com ele. Surpreendeu-se com o meu interesse pelas fragas, mas indicou-me num monte ali próximo o local que poderia corresponder ao que procurava.

Deixei a bicicleta. O caminho tinha mesmo terminado. Segui a pé, com dificuldade pela muita vegetação existente, até ao local que me indicou. Encontrei realmente fragas escavadas no seu interior. Havia infinitas formas escavadas. Umas pequenas, onde cabia apenas um bugalho, outras muito grandes. Numa delas encontrei um ninho de melro azul (Monticola solitarius), com seis ovos. Foi a primeira vez na minha vida que vi um ninho desta ave. Habitam nestas encostas rochosas, já os tinha encontrado quando subi a Linha do Tua.

Voltei à pressa para a bicicleta. O tempo voou e tinha que regressar rapidamente a Vila Flor. Entrei em Samões pela Rua da Lameira e segui pela estrada até casa.
Quilómetros percorridos em BTT: 15

01 março 2008

Freguesia Mistério 13


Com o fim do mês de Fevereiro chegou também ao fim a votação na Freguesia Mistério 12. Embora o número de votantes tenha sido reduzido, a tendência foi para o voto em Samões, sendo esta a resposta certa. Os votos ficaram distribuídos da seguinte forma:
Freixiel (2) 14%
Mourão (1) 7%
Nabo (2) 14%
Samões (4) 29%
Santa Comba de Vilariça (1) 7%
Vale Frechoso (3) 21%
Vilarinho das Azenhas (1) 7%
A fonte em primeiro plano na fotografia, está junto à estrada nacional, bem no coração de Samões.
O desafio seguinte está representado por uma varanda. A fotografia está a preto e branco, mas o aro da porta é mesmo branco. A casa em questão, é uma casa brasonada. Em que freguesia se pode encontrar essa casa?

14 fevereiro 2008

Caprichos da Natureza 1

A Fraga do Ovo, em Candoso é uma das curiosidades mais conhecidas do concelho de Vila Flor. Curiosamente já existiu um postal ilustrado dela, mas no verso lia-se Carrazeda de Ansiães! Claro que Carrazeda de Ansiães também tem as suas curiosidades e não faltam rochas pitorescas, o mesmo acontece em Vila Flor. A Fraga do Ovo é realmente invulgar. Esta fotografia mostra o precário equilíbrio em que se encontra e a sua beleza (outras fotografias da Fraga do Ovo: 1, 2, 3).
Nos meus passeios em BTT pelos caminhos do concelho tenho encontrado outras curiosidades também dignas de um “retrato”. Não são tão grandes nem têm uma localização tão privilegiada como a de Candoso, mas não deixam de ser Caprichos da Natureza.
Este segundo exemplar pode ser encontrado muito próximo de Samões, num caminho que liga esta aldeia a Freixiel. Tem uma forma muito curiosa. Não tenho tido muita sorte com a luz, para a fotografia realmente boa. É uma fraga pequena, mas que parece ter sido "feita" e colocada naquele lugar. Até tem um pedestal!
A terceira fotografia é em Folgares (outra fotografia). Aqui não há uma rocha com formas curiosas, há dezenas, centenas delas. Aliás o que há mais em redor de Folgares são rochas.
No futuro vou mostrar outros exemplares espalhados pelo concelho de Vila Flor.

12 fevereiro 2008

Amendoeiras em Flor, em Vila Flor - Percursos

Não sei se pela antiga lenda que narra a introdução das amendoeiras em flor no Algarve, para a alegrar uma princesa melancólica, numa bonita história de amor, se pelo contraste de se verem montes e vales revestidos de flores brancas em pleno Inverno, a verdade é que um campo de amendoeiras em flor, deixa toda a gente fascinada.Esta mistura de sensações traz milhares de pessoas, ao concelho de Vila Flor e a outros vizinhos, para apreciarem o bonito espectáculo. Também nós, que cá vivemos todo o ano, não ficamos insensíveis. Mostramos orgulhosamente a nossa terra. É bom quando alguém nos visita sem vir fazer promessas.
No ano passado o espectáculo esteve mesmo maravilhoso. As fotografias que vou utilizar são quase todas de 2006, uma vez que este ano as amendoeiras floridas ainda são poucas.
O objectivo deste texto é fornecer algumas pistas para quem nos queira visitar, baseadas no meu conhecimento do concelho e nos meus gostos pessoais. Já no ano passado, este blog foi muito visitado por pessoas que procuravam este tipo de informação e, à falta de outros meios de propaganda, se quiserem sigam as minhas orientações.
Há amendoeiras espalhadas por quase todo o concelho, mas a época floração não é simultânea. Neste momento (dia 11 de Fev.), apareceram já as primeiras flores nos vales e nas encostas. Em todo o Vale da Vilariça, pelo o seu microclima, a floração acontece muito antes do planalto que abrange Vila Flor, Samões e Carvalho de Egas, entre outras.
Quem vier a Vila Flor nos próximos dias, pode apreciar já amendoeiras em flor na Trindade (ponto 14 no Mapa). Aparecem também aqui e além ao longo de toda a estrada nacional N102 até à ponte da Junqueira (2). Com o passar dos dias, a floração vai avançando, e, quando em Vila Flor as amendoeiras estiveram floridas em força, podem já ter caído todas as pétalas das flores do vale.

Para quem viaja de autocarro
Por norma, os autocarros, já vêm ou vão em direcção a Torre de Moncorvo ou Vila Nova de Foz Côa. O melhor percurso (embora não seja o mais rápido nem o habitual) é logo depois da ponte da Junqueira (2) apanharem a estrada nacional N215 em direcção a Vila Flor (11). É uma estrada, cheia de curvas, mas com piso novo, para ser feita com calma.
A paragem em Vila Flor não é fácil em termos de estacionamento, não há um parque de estacionamento para autocarros! Felizmente ao fim-de-semana é mais fácil. Recomendo a Praça da República ou na Avenida Marechal Carmona, em frente à Câmara. Na avenida costuma haver algumas barraquinhas com produtos regionais (e outros da China!!!). Não percam a oportunidade para comprar algum vinho e a azeite da região que são produtos com muita qualidade.
Para apreciar mais amendoeiras em flor, o caminho certo é seguir em direcção a Carrazeda de Ansiães (11, 6, 7, …) . São 18 quilómetros. Outra alternativa, menos florida e mais religiosa, é dar um passeio até ao cabeço em Vilas Boas. No alto do cabeço, podem visitar o bonito Santuário de Nossa Senhora da Assunção (15) e saciar a visão com a enorme vastidão de Trás-dos-Montes que se avista.
Dependendo da direcção a tomar, também há amendoeiras em direcção a Mirandela, até Meireles, ou em direcção a Abreiro (12), para quem pretende ir em direcção ao IP4.

Percursos para fazer de carro

Quem viaja de carro pode visitar locais mais pitorescos e recheados de bonitas amendoeiras em flor.
Percurso 1


Este percurso tem 26 quilómetros, passa por Samões (7), Carvalho de Egas (6), Seixo de Manhoses (5), Arco (4), Nabo (3) e volta a Vila Flor. Pode ser feito em sentido contrário.
Uma das zonas com mais amendoeiras encerra-se neste pentágono: Vila Flor, Samões, Carvalho de Egas, Seixo de Manhoses e Arco. Se as condições atmosféricas forem favoráveis é aqui que se encontram as melhores manchas de amendoeiras floridas. Há uma pequena estrada que desce do Arco ao Nabo, de onde se têm vistas maravilhosas e a não perder.
Neste percurso recomendo ainda uma pausa no Santuário de Santa Cecília, entre Carvalho De Egas e o Seixo de Manhoses e outra no Nabo, na capela de Nossa Senhora do Carrasco. Também há um restaurante entre Samões e Carvalho de Egas (Restaurante “Os Lázaros” Tel: 278511427), outro no Santuário de Santa Cecília (Restaurante “Santa Cecília” . Tel: 278512650) e um bom conjunto deles em Vila Flor.
Mapa do percurso aqui.

Percurso 2


Este percurso tem 31 quilómetros. Vila Flor; Barracão (11) direcção (10) Trindade pela N214. Entre o quilómetro 5 e 6 há uma pequena estrada que desce em direcção a Roios (8) e que continua até Lodões (9). Em Lodões apanhar a estrada N102 em direcção à Junqueira, mas antes da ponte (2) apanhar a estrada N215 em direcção a Vila Flor.
Da estrada nacional N214 tem-se uma excelente paisagem em direcção ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção e ao Cachão. Perto do cruzamento da estrada que desce até Roios há um amendoal que me tem permitido excelentes fotografias.
Neste percurso, apenas há um restaurante a 3 quilómetros de Vila Flor (Restaurante “O Galo” Tel: 278516810).
Mapa do percurso aqui.

Percurso 3


Este percurso tem 43 quilómetros. Além de zonas com amendoeiras, tem também paisagens agressivas, vistas fantásticas e uma passagem pelo Complexo da Barragem do Peneireiro. Sair de Vila Flor em direcção ao Barracão (11) virar à direita em direcção à Trindade, logo depois virar à esquerda (Mirandela) e de novo à esquerda, Freixiel. A Estrada desce em direcção ao Vieiro-Abreiro (12) mas ao 8º quilómetro, deixa-se a estrada N314 e vira-se à esquerda para Freixiel. Depois de se passar Freixiel, há uma pequena estrada, em calçada de granito(!), única no concelho. Faz a ligação ao pequeno lugar de Folgares de onde se avistam paisagens magníficas. Segue-se depois em direcção a Carrazeda de Ansiães (N629). Aos 20º quilómetros está assinalada a anta de Zedes, que pode ser visitada por quem quiser fazer mais 3 ou 4 quilómetros (N628), perto da aldeia com o mesmo nome. No lugar da Sainça, a 2 quilómetros de Carrazeda, volta a encontrar-se a estrada N214. Vira-se à esquerda em direcção a Mogo de Ansiães. Há aqui um bom restaurante para almoçar (Restaurante “Careca”, Tel. 278 617 549).
Segue-se pela N214 até ao Mogo de Ansiães, cortando depois à direita pela N626 para Vilarinho da Castanheira. Ao quilómetro 28º passa-se junto de Alagoa. Um pouco mais à frente está o Cruzeiro da Sentinela. Neste cruzamento vira-se à esquerda continuando na N626, que segue depois à direita até ao Mourão. Do Mourão desce-se até Valtorno, apanhando desta vez a N324 até Carvalho de Egas. Se houver algum tempo para repousar, aconselho uma visita à bonita igreja de Valtorno, logo quando se chega a esta aldeia.
De Carvalho de Egas, segue-se de novo pela N214, em direcção a Vila Flor. Antes da aldeia de Samões, mesmo junto às casas, há uma estrada à direita que conduz ao complexo da Barragem do Peneireiro (Parque de Campismo, Piscinas, Albufeira). Daqui segue-se directamente para Vila Flor.
Mapa do percurso aqui.

Penso que estes três percursos cobrem bastantes das possibilidades mais interessantes. Naturalmente que há outras hipóteses também para veículos todo o terreno. A estes recomendo também uma visita à aldeia abandonada do Gavião, em Seixo de Manhoses; o percurso entre Vila Flor e o Santuário de Santa Cecília, por caminhos rurais e outros percursos entre Samões e Carvalho de Egas.
Bons passeios e boas fotografias.

26 setembro 2007

Maravilhamento


Eis-nos no sítio exacto do prodígio.
A Divindade afaga-nos as faces.
Despem as oliveiras seus disfarces.
Move-se um anjo sem deixar vestígio.

E a Flor não fenece no litígio
Da forma e ser, (que nada a ultrapasse!).
Não há régua e compasso com que trace
Os confins rigorosos do prestígio.

Do Facho ao Frade, o céu pousa na serra.
E tudo o que é simples, pedra e terra,
Ascende à grimpa estelar dum templo.

Só eu me enredo em tudo quanto abraço.
Percorro o infinito, e sobra espaço.
Habito a eternidade, e resta tempo.

Poema de João de Sá. "Flores para Vila Flor", 1996.
A fotografia foi tirada dia 18 de Setembro de 2007, perto do Barracão, Vila Flor.

18 setembro 2007

De Samões a Vilas Boas


Neste início de ano lectivo, tenho vivido um pouco na expectativa. Numa família em que os dois cônjuges são professores e os dois filhos são alunos, a escola é importante nas nossas vidas e fonte dos nossos problemas. Infelizmente, tem sido um centro muito sujeito a monções de mau tempo, muita turbulência, que provoca muitas incertezas.
No dia 17 de Setembro reiniciei a minha actividade lectiva na EB2,3/S de Vila Flor. O horário que me foi distribuído não é tão propício para "a descoberta" como o que tive o ano passado, mas, sempre arranjarei uns espaços temporais para continuar nesta aventura de descobrir e conhecer cantos e recantos deste pequeno concelho.

Neste compasso de espera e de incerteza que antecedeu o início do ano escolar fiz alguns passeios à volta de Vila Flor dos quais ainda não falei.
No dia 5 de Setembro, decidi alongar o passeio que tinha feito no dia 4. Saí em direcção à Barragem; segui em direcção a Samões; virei à esquerda em direcção a Carvalho de Egas mas rapidamente cortei por uma caminho à direita, pelo Carvalhal, que depois desce em direcção a Freixiel. Passei belos momentos por aqui, na altura das amendoeiras em flor!
Antes de chegar à Ribeira do Vimieiro, cortei à direita e subi um pouco. As uvas, por aqui estão quase maduras. Há também por aqui algumas colmeias. Não perdi muito tempo, porque o meu objectivo era ir até Vilas Boas. Em pouco tempo alcancei a estrada de Freixiel. Aqui encontrei, como noutras vezes, o jovem ciclista Hélder Magalhães em mais uma sessão de treino, numa cadência acelerada, não fosse ele um bom trepador. Trocámos algumas palavras e depois procurei um caminho que me permitisse chegar a Vilas Boas. A facilidade apontada por um pastor, pouco por cima da pedreira, não se veio a verificar no terreno e tive alguns contratempos. Depois de saltar algumas paredes e de encher os pneus de picos de silva, consegui encontrar a Quinta do Reboredo, onde se pratica agroturismo. A partir daqui já foi mais fácil. Cheguei a Vilas Boas com os últimos raios de Sol.

Passei por algumas ruas onde nunca tinha estado. Encontrei à entrada da aldeia uma fonte, com água canalizada e já dentro dela um cruzeiro em granito, com aspecto de ser bastante antigo. Não tive tempo de muitas demoras, a subida é grande e em breve seria noite.

Quilómetros do percurso: 24
Total de quilómetros em bicicleta: 1481

12 setembro 2007

Cores de fim de Verão


Pode parecer pelas últimas reportagens que me tornei um “repórter” social, de festas e espectáculos, abandonando os caminhos da natureza, a máquina fotográfica, a bicicleta e a tranquilidade, mas não é verdade.
No dia 4 de Setembro fiz um pequeno percurso de bicicleta. Saí por um caminho em direcção à Barragem do Peneireiro, passei por trás da Quinta de S. Domingos e cheguei a Samões por um caminho que conduz directamente às traseiras da igreja. Este deve ter sido um caminho com grande importância há alguns anos atrás. Pouco tempo depois da saída de Vila Flor, ali perto da Quinta da Conceição, encontrei na borda do caminho umas pequenas flores azuis que chamaram a minha atenção. Não eram mais do que 4 ou 5 de um azul intenso, difícil de fotografar no sol quente do fim da tarde. Não consegui até ao momento identificar a espécie, mas não deixa de ser curioso encontrar flores como estas já no fim do Verão.
Em Samões, optei por descer a aldeia até perto da Capela de Nossa Senhora do Rosário. Tinha que haver um caminho que descesse em direcção a Freixiel. Não foi difícil encontrar o caminho, é praticamente uma estrada! Esta deve mesmo ter sido a principal via de ligação entre Freixiel e Samões. Lembro que Freixiel quis mesmo pertencer a Carrazeda pelo facto de não serem bem recebidos em Samões quando por ali eram obrigados a passar.

Seguia eu absorto nestes pensamentos, quando encontrei as ruínas de uma pequena quinta. As ruínas são robustas, praticamente todas as paredes estão em pé. Além de um forno e um lagar de vinho, já havia uma pia na cozinha, talhada em granito, com um ralo que deixava correr a água para o exterior. Do lado de baixo seguia o antigo caminho. Na parede que o ladeia, cresce um grupo de pilriteiros (ou espinheiros - Crataegus monogyna). Nesta altura do ano estão muito bonitos, cheios de frutos carnudos (pomos) fortemente coloridos de vermelho. Estes frutos dão para fazer vinho! Um dia destes vou falar sobre esta curiosa planta. Encontrava-me à procura do ângulo mais bonito dos pilriteiros quando chamaram a minha atenção umas pequenas flores sobre uma rocha. Saídas directamente da terra ressequida, um cacho de pequenas flores resistiam ao Verão. Espantado procurei outros exemplares. Havia pelo menos uma meia dúzia de plantas destacando-se sobre a erva seca. Apresentavam uma inflorescência em espiga, mas nem sinal de folhas. Tinha que registar uma terceira “raridade” botânica na mesma tarde!
O Sol estava cada vez mais baixo. Continuei a descer o caminho até ao ribeiro no lugar das Olgas. Um pouco por intuição, segui um caminho tentando alcançar a estrada de Freixiel. Tive sorte. Mesmo com o Sol a brilhar de ouro sobre Folgares, encontrei a estrada de Freixiel um pouco abaixo da pedreira. Não tinha tempo para outras divagações, tentei chegar a casa o mais rapidamente possível.

13 junho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor - Fotografias 6


Conjunto número 5 dos candidatos às "7 Maravilhas do concelho de Vila Flor".

22 - Capela de S. Marinha, em Meireles. Esta capela situada no fundo da aldeia, é dedicada a S. Marinha. A esta Santa protectora se faz uma festa a 18 de Junho.

24 - Capela de S. Cruz, no Nabo. Esta capela está ainda bastante distante da aldeia do Nabo. A primeira vez que tentei encontrá-la desisti, mas já lá fui 2 vezes. Não conheço o interior. tem inscrita a data de 1714 e foi reconstruída em 1939. fica no caminho para Godeiros. Á frente da capela existe um cruzeiro medieval ( não visível na fotografia).

30 - Capela de Nossa Senhora de Lurdes, Samões. Fica situada junto à escola Primária, mesmo à entrade de Samões (para quem vai de Vila Flor em direcção a Carrazeda). Tem um pequeno recinto, muito bem cuidado, sendo um dos locais por onde a juventude se passeia nas tardes dos Domingos com sol.

31 - Igreja de S. Brás, em Samões. Trata-se de uma igreja barroca com um frontespício muito belo. Podemos encontrar a cruz de malta em vários locais. No arco da capela-mor encontra-se a inscrição "Este arco mandou fazer o povo a..." e falta a data! Atrás da igreja há um bonito relógio de sol e o que resta de uma bela pia baptismal (de que alguém não gostou).

34 - Capela de Nossa Senhora da Rosa, Sampaio. Encontra-se fora da aldeia, quase junto da Ribeira da Vilariça. Já aí se realizou uma feira franca nos 3 primeiros dias de Maio. É um dos principais pontos de devoção em todo o Vale da Vilariça.

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12 junho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor - Fotografias 5

Quinto painel da candidatos a "7 Maravilhas do concelho de Vila Flor", este reunindo só capelas e igrejas.

20 - Capela de Santa Maria Madalena, Macedinho. O exterior é muito simples, no interior tem um pequeno altar com talha do séc. XVII.

23 - Igreja de S. João Baptista, Mourão. De construção românica e formas bastante interessantes, tem um belo altar com talha do séc. XVII.

28 - Igreja de S. João Baptista, Roios. É uma igreja barroca reconstruída nos finais do séc. XVIII. Os altares colaterais são mais antigos. É também de realçar o altar-mor e o tecto da capela-mor com caixões pintados, de grande beleza. Foi uma surpresa para mim, esta igreja.

29 - Capela de N. S. do Rosário, Samões. Encontra-se em obras. O cabido foi destruído e encortado em cerca de 80 cm de comprimento porque o carro de recolha do lixo teimava em bater nele! Vamos ver como fica depois das obras... O interior é muito bonito.

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08 junho 2007

Festa do Corpo de Deus em Fotografias


Durante o dia da Festa do Corpo de Deus acompanhei os acontecimentos em várias freguesias. Reuni um bom conjunto de fotografias que decidi agrupar de forma a fazer 3 painéis: Valtorno, Samões e Vilas Boas.
Nestes painéis tentei dar uma ideia do que se passou, mas é impossível retratar o espírito de grupo e de família que se cria (como os Sendim, em Samões), para encarar com alegria a tarefa de limpar e arranjar as ruas para receberem a procissão. A todos eles dedico estas fotografias cheias de cor.
Foi bom contactar com as pessoas. Pelo facto de ser dia santo, encontrei muita gente nas aldeias que visitei. Fui bem recebido e às vezes reconhecido!

09 maio 2007

Benção

Bendito
o sol que beija
o rosto de crianças
nuas em busca do que não tiveram.

Benditas
as montanhas
que fazem cópula com a noite,
e ficam virgens mais belas
que as estrelas quando amanhece...

Benditas
as cumeadas
que dormem
em berços de névoa mansa
com lençóis de neve.

Benditos
os rios, que levam
as serras e os vales,
e benditas as árvores,
a toalha do seu banho...

Bendito
o mar,
fonte de reserva
quando a água na terra se acabar.

Benditas
as florestas
que escondem a liberdade
dos animais...

Bendita
a Natureza
Espelho de beleza
do Criador!

Bendita
a Dor
quando nela há o prazer de um tormento
maior que o Amor...
Benditos...

José Nascimento Fonseca*
Notícias de Mirandela, 25-02-1961

*José do Nascimento Fonseca nasceu no Nabo a 22-12-1940 e morreu a 27-07-1983.
Encontrei alguns poemas seus, que foram publicados em jornais, no museu. Gostei deles. Senti que as suas palavras podem completar(-se com) as minhas fotografias. Será com prazer que os transcreverei para este fórum, também como uma riqueza de Vila Flor.
A fotografia foi tirada em Samões, dia 28 de Abril de 2007.

30 abril 2007

Samões


Samões fica a poucos quilómetros de Vila Flor. Talvez por isso, tem sido mais um local de passagem do que objectivo número um, no entanto, muitas das fotografias que coloquei no Blog, principalmente na altura das amendoeiras em flor, foram conseguidas em Samões.
O dia, 28 de Abril, estava muito instável. Depois das chuvas que caíram, o céu ainda se apresentava muito nublado, com ameaças de chuva. Para completar o quadro, nas últimas saídas que tenho feito de bicicleta, tenho tido muitos furos, até já tenho receio de sair.
Com este quadro meio cinzento, a meio da tarde, rumei a Samões. Estava decidido a percorrer todas as ruas da aldeia, com calma, descobrindo qualquer motivo de interesse. Logo na primeira oportunidade, deixei a estrada que liga Trindade a Foz Tua, onde tantas vezes passo. Entrei por uma rua à direita, a Rua do Fragarito. Procurei um local de onde pudesse ver grande parte da aldeia para tentar uma fotografia panorâmica, mas todos os caminhos que tentei não tinham saída.
Segui até ao Largo da Lameira. Aqui é sem dúvida um dos pontos importantes da aldeia e um daqueles que os locais mais se devem orgulhar. É bonito este largo. Espaçoso, arejado, bem pavimentado, com árvores, banquinhos e até divertimentos para as crianças. Aproveitei e bebi um café no café com o nome do padroeiro. Um idoso, a meu lado, ofereceu-me um “cheirinho”, que recusei contrafeito. Era, sem dúvida, um bom intróito para uma conversa.
Segui pela Rua da Lameira que termina noutro largo, o do Fundo do Povo com a Capela de Nossa Senhora do Rosário logo ali. Esta capela, românica, tem um cabido e púlpito exterior. Os habitantes de Samões garantem que foi a igreja primitiva. Não pude entrar na capela, mas pelo que se pode observar através dos vidros, vale bem uma visita. O altar é lindo e todo o interior parece bem conservado.


Encontrei depois uns tanques públicos e mudei de direcção, pela Rua da Salgueiral. Parece-me ser nesta rua onde se encontram as casas mais antigas da aldeia. A Casa Almendra, com estilo de palacete, tem uma capela brasonada. A capela com data no pórtico de 1872 é dedicada a S. Francisco e o palacete pertenceu ao 1.ºBarão de Samões. Ambas as estruturas estão a necessitar de obras urgentes. Também mais atrás, no Outão, encontra-se outra capela, a do Espírito Santo. Trata-se de uma capela Barroca, datada de 1797, completamente abandonada mas com a fachada ainda bem conservada devido à qualidade do granito e da construção.
Depois de passar o Lar da Terceira Idade, estrutura recente e completamente enquadrada nas construções vizinhas, segui pela rua que leva ao cemitério. O relógio de Sol lá estava, a olhar para mim. Também sobre o muro do adro estão os restos de uma bonita pia baptismal que merecia ter tido melhor destino.
Desta vez encontrei algumas senhoras que cuidavam da igreja. Prontamente me contaram tudo de que se recordavam sobre a sua aldeia.Estive ali durante bastante tempo, mas dela falarei numa outra oportunidade. Deixei a igreja pela Rua do Cruzeiro. Aqui se localiza outro ponto importante da aldeia, com a sede da Junta de Freguesia, o Cruzeiro, a paragem dos autocarros e um café ali ao lado.
Segui pela estrada em direcção à Capela de Nossa Senhora de Lurdes. Esta pequena capela encontra-se integrada num espaço agradável. Uma pequena área vedada, com bancos quase a toda a volta, ladeada por duas bonitas imagens, cada uma em seu pedestal com mais de dois metros de altura.

No interior da capela encontra-se representada a aparição de Nossa Senhora de Lurdes. Apesar do vidro, fiz um pequeno ajuste na sensibilidade do “filme” e, trabalhando em manual, sem flash consegui uma fotografia com boa iluminação, graças a duas pequenas janelas laterais.
Dei um pequeno passeio em volta da Escola de 1.ºCiclo e do Jardim-de-infância, admirando as pinturas existentes nas paredes. Com certeza que não foi pedida autorização superior para a sua realização, mas que estão diferentes, para melhor, lá isso estão! Felizmente esta escola sofreu obras de adaptação e funciona como centro escolar recebendo crianças de outras aldeias. Vamos ver se consegue escapar à fúria de encerramentos do próximo ano escolar.
Segui em frente em direcção a Vila Flor. Ainda era cedo e cortei à direita em direcção a uma urbanização recente, onde já existem bonitas vivendas. O meu objectivo não era admirar as vivendas, mas sim subir ao alto de algumas fragas, procurando uma posição de onde tivesse uma bonita perspectiva da aldeia. O sol brincava comigo. Ora aparecia, ora desaparecia, baralhando o fotómetro e a minha paciência.

Embrenhei-me nos campos buscando pequenas flores e insectos, de joelhos, sentado, deitado, até que as baterias da máquina fotográfica me obrigaram a parar. Foram momentos de puro gozo, só em contacto com a natureza.
Regressei à bicicleta e desta vez segui mesmo em direcção a Vila Flor. Tinha percorrido poucos quilómetros! Continuei pela estrada da Trindade até encontrar o caminho que conduz à lixeira. Segui por Trás da Serra até ao cume da Serra da Lapa. Quando aí cheguei a vila estava com alguns raios de sol de fim de tarde. Ainda tirei a máquina fotográfica suplente e ensaiei alguns disparos. Esses ficarão para outras postagens.
(imagem muito pesada 1 Megabyte)
Quilómetros percorridos neste percurso: 14
Total de quilómetros de bicicleta: 938
Total de fotografias: 19 681

29 abril 2007

Na beira do caminho


Hoje o passeio foi a Samões. Um dia estranho, com nuvens escuras e períodos de um sol radioso. No regresso a casa, parei para fotografar um conjunto de papoilas que floriram num monte de entulho. O sol já estava baixo e o resultado foi este.

06 março 2007

Samões na rota das amendoeiras


No dia 3 de Março, saí depois de almoço, um pouco ao acaso. Depois de completar a primeira “volta” ao concelho, esmoreceu um pouco o meu entusiasmo na descoberta de novas localidades.
Avancei pelo Baracão até Samões. Havia bastantes nuvens mas o dia estava quente. Depois de passar a aldeia, meti-me pelo meio dos terrenos à procura de uma boa posição para uma fotografia panorâmica.

A certa altura, larguei a bicicleta e subi uma encosta de pouco declive de onde via bem toda a aldeia. As nuvens começaram a diminuir e o céu tornou-se mais azul. Avistei ao longe em direcção a Freixiel um bonito conjunto de amendoeiras em flor.

(Ver a fotografia anterior em tamanho maior )
Caminhei por entre vinhas (já podadas), ladeadas por amendoeiras, oliveiras e figueiras. Segui até um local chamado Carvalhal. Há ali uma elevação com grandes blocos de quartzo rijo. Avista-se uma grande área. É possível acompanhar um caminho que desce, encosta abaixo, até Freixiel. O Cabeço também se vê, altaneiro, sempre visível para onde quer que se vá. Avista-se ao longe a encosta coberta de urze florida que se encontra por cima de Vila Flor.

Samões estava ali à minha frente. Todo o conjunto formava um quadro com motivos infindáveis de fotografia. A vertente fotografia sobrepõe-se cada vez mais ao ciclismo e o tempo voa.

O sol já mostrava algum cansaço e eu sem transpirar a camisola! Arranquei em direcção a Carvalho de Egas com pedaladas rápidas. As sombras já cobriam a aldeia mas já me sentia bastante satisfeito em termos fotográficos.
Subi em direcção ao Seixo de Manhoses e cortei à esquerda antes de chegar ao Santuário de Santa Cecília, em direcção ao campo de futebol de Carvalho de Egas. Já conhecia este caminho, ia segui-lo até à barragem.

Pouco depois do Fieital está o marco geodésico do Concieiro e um reservatório de água. O sol já tinha desaparecido no horizonte, entre Carrazeda e a Senhora da Graça, na Samorinha.
Captei a calma do momento, sentei-me, admirei o horizonte e depois segui, antes que as sombras tomassem conta dos caminhos, até à Barragem do Peneireiro. Há uma zona do caminho cheia de lama onde é muito difícil passar.
Quando cheguei à barragem a noite já tinha chegado. Aproveitei a luz da Lua (antes de começar o eclipse) para seguir até Vila Flor pela estrada.

Cumpri mais uma etapa na Rota das Amendoeiras. Não admira que muitos autocarros cheios de turistas venham de longe para as ver. É um espectáculo maravilhoso, para admirar com calma, com o calor do sol, o cantar dos melros, das cotovias, onde até a velocidade de uma bicicleta é velocidade a mais.

Quilómetros percorridos neste percurso: 19
Mapa do percurso
Total de quilómetros de bicicleta: 641
Total de fotografias: 12646