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19 outubro 2008

passeio por Valtorno

Hoje o passeio foi em BTT. A dia esteve muito agradável e já tinha saudades de um longo passeio de bicicleta. Consegui convencer o meu filho mais velho e fizemos um percurso cujo objectivo era Valtorno.
Aproveitei a companhia, para lhe dar a conhecer alguns pontos de interesse da aldeia: a fonte Paijoana, a Capela da Senhora da Luz, o Cruzeiro (na Marquesinha?), a Capela de Nossa Senhora do Rosário, a portada da “casa da Bicheira”, a fonte de Nossa Senhora do Rosário e, por fim, os moinhos, no ribeiro.

A primeira paragem foi na fonte da Paijoana, cuja lenda coloquei no Blogue, recentemente. O caminho que lhe dá acesso, para quem vem do Santuário de Santa Cecília, é bastante interessante para percorrer em bicicleta. A fonte está limpa, bem cuidada. Apeteceu-me uma incursão no Cabeço Murado, onde estive em Junho de 2007 e onde me apetece voltar com tempo. Ainda não foi desta. A circulação no local é bastante difícil pois há muito mato.
Dirigimo-nos para a aldeia a fim de fazermos uma curta passagem por alguns locais. Junto ao Centro de Dia, entrámos na antiga Capela da S.ª da Luz. É doloroso para mim ver o abandono a que está votado este local, mas nada se pode fazer.

Seguimos pela Rua da Máquina até ao Cruzeiro e descemos depois até à capela de Nossa Senhora do Rosário. Ainda conseguimos espreitar a curiosa portada que se pensa ter pertencido a uma capela (S. Brás?). Se a dita capela de S. Brás se situava fora da povoação, como veio ali parar aquele arco tão ricamente trabalhado? As casas envolventes são muito antigas, como o demonstram algumas portas e janelas.

Muitos locais interessantes havia ainda para visitar, mas fomos directos para o Ribeiro dos Moinhos. Parece mentira, mas, em tantas visitas que já fiz a Valtorno, nunca fui aos moinhos!
Ali perto deve ser a Fonte dos Doentes, mas não consegui encontrar nenhum sinal dela.
Os moinhos (os que ainda existem) estão muito perto da aldeia. Os habitantes de Valtorno sempre tiveram aptidão para a profissão de moleiros, tendo havido cerca de 18 moinhos. Quando o caudal dos ribeiros não permitiam o seu funcionamento, desenvolviam a sua actividade em várias azenhas, no Rio Tua. É de salientar que depois de haver tantos moinhos, houve mais tarde uma moagem (Máquina!) que talvez tenha contribuído para o nome da rua de que falei mais acima (Rua da Máquina).

Seria mais ou menos por esta altura que começavam a laborar os moinhos do Ribeiros dos Moinhos. Verifiquei que, à parte de alguns charcos mal cheirosos, o ribeiro praticamente não tem água. Espero que as obras em curso, logo depois da aldeia, permitam que o ribeiro apenas leve água pura, porque, é esta água que se vai beber em Vila Flor.
Os moinhos ainda existentes estão fechados. Limitei-me a um passeio em redor, admirando o “cubo” e as paredes ainda preservadas. Consta-me que algumas destas casas vão ser recuperadas, talvez para casa de férias.

Foi também aí que fui surpreendido com o primeiro cogumelo do Outono um frade, ou roco (Lepiota Procera). Cresceu todo retorcido entre rebentos de acácias! Embora prestasse atenção aos locais que me pareciam propícios à existência de cogumelos, não vi mais nenhum, em todo o percurso.
Já passava do meio dia e tínhamos que regressar para o almoço. O caminho que seguimos de regresso a Vila Flor, com passagem entre a Santa Cecília e o Seixo e depois pela Barragem Camilo Mendonça, permitiu-nos apreciar bonitas paisagens, em direcção à Vilariça. Também me deliciei com as cores do Outono que ostentam as vinhas e as sebes de sumagre, muito perto da vila.

Todo o percurso é espectacular para ser feito de bicicleta, por isso decidi partilhá-lo aqui.
Quilómetros percorridos em BTT: 22
Total de quilómetros de bicicleta: 1877

11 outubro 2008

Peça de Teatro - Lenda da Fonte Paijoana


Como todas as terras antigas, também Valtomo tem muitas lendas. A da fonte da Paijoana diz que naquela fonte existe uma moura encantada. Segundo consta, a moura será tecedeira que labora num tear de marfim, tramando uma teia de ouro. A tradição refere, a exemplo do que " se passa em muitos outros sítios, que, com a ajuda do LIVRO DE S. CIPRIANO, a moura pode ser desencantada na madrugada de uma noite de S. João, recolhendo a pessoa que a desencantar, a valiosa peça de ouro. Segundo se diz, já uma vez uma mulher, tendo ido à fonte, em vez de água, reparou que o cântaro vinha cheio de velos (?) de ouro. Então, doida de contente com o sucedido, terá exclamado: "Santo Nome de Jesus!". Pelos vistos, não seria o encantamento senão obra do diabo, porque, mal o nome do Senhor foi referido, de imediato desapareceu o ouro.
Fonte: "Respigos de Valtorno, Notas de Monografia", de Maria Eugénia da Costa Nunes Cardoso Pintado, 1998.

14 janeiro 2008

Concursos de Montras e Presépios


Tinha prometido falar sobre o concurso de presépios e concurso de montras, mas os dias foram passando e o assunto já não soa muito bem, mas o prometido é devido. Também porque toda a “publicidade” é pouca, para aqueles que se envolvem na construção e decoração de tão maravilhosos quadros.
A classificação nos concursos foi a seguinte:
Concurso de Montas
1.ºPrémio – Estabelecimento Belinha- Arte e Deco Floral
2.ºPrémio – Gabinete de Contabilidade de Carlos Manuel Fernandes
2.ºPrémio – Perfumaria e Bijutaria Essência Flor
3.ºPrémio – Associação de Pais e Encarregados de Educação
4.ºPrémio – Salão de Cabeleireira Star
5.ºPrémio – Sapataria Anita

Concurso de Presépios
1.ºPrémio – Jardim-de-Infância de Santa Casa da Misericórdia
2.ºPrémio – Junta de Freguesia de Valtorno
3.ºPrémio – Agrupamento de Escuteiros 1055 S. Bartolomeu
4.ºPrémio – Fábrica da Igreja de S. Bárbara – Seixo de Manhoses
5.ºPrémio – Sementinhas da Vilariça - Assares
5.ºPrémio – Associação Cultural e Desportiva de Benlhevai

Nos dois concursos os prémios variaram entre os 200€ e os 50€. Não tive qualquer informação sobre os concorrentes nos concursos. No dia 30 de Dezembro dei uma volta nocturna pela vila fotografando os presépios e desloquei-me também a algumas aldeias. Numas fiquei alegremente surpreendido, noutras não encontrei nada. Não posso, portanto mostrar todos os vencedores mas somente aqueles que pude admirar.
No que toca às montras, posso dizer que vi mesmo pouco, não tendo sequer a informação se aquelas que vi, se tinham inscrito no concurso. Em relação aos presépios, posso dizer que vi alguns. O vencedor já o divulguei no dia 30. Ocupava uma grande área relvada à frente do Jardim-de-infância da Santa Casa da Misericórdia. O presépio do Agrupamento de Escuteiros também o mostrei na altura. O presépio classificado em segundo lugar, em Valtorno, junto à Igreja de Nossa Senhora do Castanheiro, este ano ainda estava mais bonito de que o ano passado. Parece-me que se esmeraram e foi com algum desalento que receberam o segundo prémio.
Não cheguei a ver os presépios em Seixo de Manhoses, Assares e Benlhevai. Há, no entanto, outros presépios que vi e gostei bastante. Não sei se estavam inscritos no concurso. Um pôde ser admirado em Alagoa. As roupas da Sagrada Família e dos Reis Magos em plástico muito colorido dava vida ao presépio. Foi o presépio que mais me surpreendeu.
Em Roios, junto à igreja, também havia um bonito presépio.
No que respeita aos concursos, não sei se alguém me “ouve”, mas gostaria de dar duas ideias: a primeira era que fosse divulgada atempadamente, podia ser no site da Câmara, a lista dos concorrentes. Pode ser que houvesse pessoas que não se importassem de passar uma noite pelas aldeias do concelho admirando esses trabalhos magníficos. Visitar os presépios só valorizava o trabalho das pessoas. A outra ideia, foi-me transmitida por um colega no Auditório do Centro Cultural aquando da entrega dos prémios. Não parece que fosse difícil, à medida que foram anunciados os vencedores, ser projectada uma fotografia das respectivas montras e presépios. Ficam estas ideias, para o futuro.

07 janeiro 2008

Gala Cantar os Reis (3)

Continuação de: Gala Cantar os Reis (1) Gala Cantar os Reis (2)


Continuação de: Gala Cantar os Reis (2)

O terceiro grupo a actuar foi o da Associação Cultural e Recreativa de Valtorno. O grupo era constituído por 20 elementos, na maioria homens, coisa rara. Além do instrumento musical que caracteriza o grupo, uma espécie de reco-reco feito de madeira, arames e pirolitas, faziam-se acompanhar também de realejo, bombo, pandeireta, guitarra e dois acordeões. No ano passado, surpreenderam-me com a animação que colocaram em palco. Este ano, cantaram “Cantamos todos, cantamos” e “De Belém vimos”.

Cantamos todos, cantamos

Cantamos todos, cantamos
Cantamos com alegria
Que nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria.

Cantamos todos cantamos
Cantamos pra toda a gente
Nós vimos anunciar
Os três Reis do Oriente.

Os três reis como eram Santos
Uma estrelinha os guiou
Por cima de uma cabana
A estrelinha baixou.

Os três reis já estão chegando
Aquela porta adorada
Encontraram Santa Virgem
Numa pedrinha sentada.

Que estás a fazer ó Virgem
Nessa pedrinha tão fria
Estou à espera do menino
Que me traga a luz do dia.

São José foi buscar lume
Porque a noite estava fria
Para aquecer o menino
Filho da Virgem Maria.

Nós viemos de Valtorno
Em nome do povo inteiro
Temos nossa padroeira
Senhora do Castanheiro.

Nós nos vamos despedir
Do fundo do coração
Desejamos boas festas
A todos que aqui estão.



De Belém vimos

De Belém vimos
Com os pastores
Dar boas Festas
Aos meus Senhores.

Nós vimos cantar os reis
A todos que aqui estão
Trazendo muita alegria
E amor no coração.

Ó senhora minha mãe
Tu és a mãe de Jesus
Dai-nos um ano de amor
E também cheio de luz.

O meu menino Jesus
Deitado nessas palhinhas
Ajudai o mundo inteiro
Pensando nas criancinhas.

Nós estamos a pedir
A este menino jucundo
Para acabar com as guerras
E a fome que à no mundo.

Vou deitar as despedidas
Por cima de verdes giestas
E o povo de Valtorno
Vos deseja Boas Festas.
Continuará ...
Continuação: Gala Cantar os Reis (4)

04 dezembro 2007

Barragem de Valtorno/Mourão

A Barragem Mourão-Valtorno é hoje notícia na rádio RBA. A falta de água preocupa as pessoas e leva-as a pensar nos investimentos que foram feitos e nos futuros. Se a inauguração desta barragem contou com os políticos de primeira linha, o seu esvaziamento não mereceu atenção, não convinha a ninguém. Este empreendimento que custou dois milhões de euros, destinado a reforçar a capacidade da Barragem do Peneireiro, não tem desempenhado a sua função. Não sei se alguém consegue identificar uma barragem na fotografia. O cenário em 21 de Outubro era de obras e não de obra terminada!
O presidente da Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, Alexandre Chaves, na altura da inauguração, assegurou que a região transmontana já se encontrava livre do cenário da seca! Estaria a falar desta região?
Para complicar as coisas as águas residuais de Valtorno parecem estar a contaminar a água da barragem. Não me admira nada. Presenciei já várias situações semelhantes, e, não sendo exclusivo de Vila Flor, não me deixaram nada feliz. Em Seixo de Manhoses, Vilarinho das Azenhas, Vila Flor, Arco, só para citar alguns exemplos, as águas escorem pelos rios ou ribeiros, espalhando no mínimo má imagem e mau cheiro. A água que corre na torneiras tem mau aspecto (tem melhorado) e parece-me não haver água (ou falta de vontade) para rentabilizar outro investimento que foi a piscina aquecida. Apesar de tudo isto, parece-me que os vilaflorenses vão pagar os mesmos impostos.
Não nos devemos preocupar. A iluminação de Natal está a ser preparada e dará com certeza fotografias interessantes que prometo mostrar. Até lá, ... vamos esperando a chuva.

09 setembro 2007

Festa a Nossa Senhora do Castanheiro, em Valtorno


No dia 8 de Setembro comemorou-se em Valtorno o dia da Natividade da Nossa Senhora do Castanheiro. A bonita igreja da aldeia, abriu as suas portas para receber as celebrações e as orações de quantos se quiseram deslocar a Valtorno. Também o espaço circundante se encontrava engalanado para a festa. Bandeiras, lâmpadas de várias cores e, como noutros tempos, uma vendedora de tremoços e bolos económicos à porta da igreja.
Numa visita ao velho castanheiro, um idoso da terra aproximou-se de mim e contou-me que aquele não era um vulgar castanheiro. Produzia ultimamente 9 castanhas, mas se uma delas fosse colocada numa fogueira para ser assada, a fogueira apagava-se. Também as folhas verdes eram usadas nas malas de roupa para evitar a o bicho da traça. Mostrou-me o lugar onde apareceu a imagem comentando que, com o tempo, o tronco foi-se desfazendo perdendo alguma da imponência de outrora. Apresenta ainda algumas folhas verdes, mas poucas. Ao lado cresce já um outro castanheiro.
Toda a área envolvente foi usada como cemitério. Eram ali enterradas pessoas de aldeias longínquas, de uma área que se estendia até Torre de Moncorvo. Os caixões vinham em cima de animais de carga que saiam bem cedo das aldeias em direcção a Valtorno.
Às 10:30 partiu da aldeia a pequena procissão com o andor de Nossa Senhora do Castanheiro. Os mais idosos já se tinham adiantado, muitos já se encontravam no santuário. Depois de uma volta à igreja e de lançados os foguetes da praxe que anunciam a chagada da procissão, celebrou-se a Eucaristia.

À noite o grupo musical J.F. fez de tudo para animar os presentes. As músicas eram bem convidativas mas o largo é grande e as pessoas poucas. Os emigrantes já regressaram aos países de trabalho mas o jogo de futebol da Selecção Nacional também deve ter afastado do recinto alguns adeptos mais ferrenhos. A noite estava muito agradável.

04 julho 2007

Em busca de vestígios arquológicos em Valtorno


No dia 28 de Junho fiz um pequeno passeio a Valtorno. Interessava-me visitar de novo o pequeno cabeço onde se situa o marco geodésico chamado Pendão (737 metros). O meu interesse neste pequeno monte, recentemente ardido, prende-se com o facto de aí ter descoberto algumas espécies vegetais bastante surpreendentes, que não tinha visto em mais nenhum ponto do concelho, e outras que desconhecia por completo.
O dia estava muito quente e só saí depois da dezassete horas. Tentei chegar a Valtorno o mais rapidamente possível e por isso fui mesmo pela estrada. Ao chegar, entrei na aldeia e lembrei-me da Capela de Nossa Senhora da Luz. Nunca a tinha visto, apesar dos vários passeios que já fiz por toda a aldeia! Procurei a sua localização junto de alguns residentes. Fica mesmo por trás do Centro de Dia e rapidamente a encontrei. Pelas fotografias que já tinha visto não estava à espera de grande coisa, mas, quando vi a pequena capela rodeada de rosas vermelhas com o campanário recortado no céu azul, fiquei encantado. Não quis perder o cenário e procurei um ângulo que me satisfizesse. Não é fácil, há muitos ferros e arames à volta.
A Capela de Nossa Senhora da Luz foi construída no séc. XVI ou XVII aparecendo referenciada em 1758. Pertenceu à família dos Sequeiras e depois à família Teixeira de Almeida . O seu campanário é elaborado e bonito, destacando-se nele uma grande flor. Está encimado por uma cruz que tem aguentado décadas de abandono. Tirando o pórtico e o campanário, a capela é feita de granito miúdo. Curiosamente existe à volta um pequeno adro, o que leva alguns autores a questionarem a origem privada da capela.
Entrei, já não havia porta. Outra surpresa. Nas paredes mal tratadas, que ameaçam ruir a todo o momento, sobrevivem ainda alguns vestígios das pinturas que devem ter coberto a quase totalidade das paredes. Tentei registar toda a sua delicadeza tirando algumas fotografias, sem flash. O suporte do altar ainda lá está, aguentando anos de uso como palheiro e talvez como corte de animais. Não vi qualquer evidência da existência de sepulturas nas suas paredes embora estejam referenciadas. No silêncio e no abandono do local, recordei a airosa Capela de Nossa Senhora da Luz, junto à fronteira, em Constantim, Miranda do Douro, que visitei, de bicicleta, em 13 de Maio de 2006.
Desci a aldeia, passei pela Capela de Santo Cristo e segui pela estrada em direcção ao Mourão. Na berma reencontrei uma das curiosidades que pretendia ver. Podem acreditar que esta foi a quarta vez que aqui estive a ver as Esporas-bravas ou silvestres (Linária Triornithophora). Não sei se existem noutros locais do concelho, parecem ser abundantes em todo o Norte de Portugal. Aqui encontrei uma área cheia delas (embora agora já se vejam poucas floridas). Esta flor é muito curiosa e fotogénica, adquirindo várias tonalidades de roxo e apresentando algumas duas manchinhas amarelas. As folhas são verticiladas em grupos de quatro, sem recorte e lanciformes.
Quando as sombras cobriram o brilho das flores, olhei em frente. Na outra margem da ribeira devia estar o Cabeço Murado (Cabeça Murada para os de Valtorno), que eu já tinha procurado mas em vão. Pedalei até à Fonte Paijoana e recomecei as buscas aí. Saltei de rocha em rocha até chegar ao topo do cabeço, nem rasto de muralhas. De repente, duas pedras sobrepostas, mais duas logo a seguir. Comecei a acompanhar o percurso e logo à frente encontrei uma verdadeira parede. Segui a parede durante algumas centenas de metros e encontrei outras paredes. Já não tinha dúvida, estava no lugar certo. Parece-me existirem vários níveis de muros concêntricos em volta do monte. Descaindo um pouco para Sul, encontrei um pequeno vale onde outrora deve ter corrido um ribeiro. Nessa zona, mais fresca e abrigada, há restos de casas e muralhas à sombra de pinheiros e carvalhos. Segui essa linha de água e vim parar mesmo por detrás da Fonte Paijoana. Muito havia por ali para eu explorar, mas, o sol estava baixo, já não podia fotografar. Saí a toda a pressa. Calculei a minha chegada a Vila Flor, pouco depois das vinte e uma horas. A saída tardia de casa, limitou-me o tempo, mas, mesmo assim, foi uma grande tarde “À Descoberta”.
Quilómetros percorridos neste percurso: 25
Total de quilómetros de bicicleta: 1345
Total de fotografias: Perdi a conta

23 junho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor - Fotografias 9

Conjunto número 9 de candidatos a ser uma das "7 Maravilhas do Concelho de Vila Flor".

32 - Águas, em Sampaio
. As águas conhecidas como Águas de Bem-Saúde nascem mesmo junto da aldeia. São águas bicarbonatadas, sódicas, gaso-carbónicas ferruginosas. Actualmente são comercializadas com a marca Frize.

46 - Igreja de S. Lourenço, Vale Frechoso. A igreja de S. Lourenço ocupa aquele espaço desde 1750. O frontespício, bastante interessante, foi recuperado da igreja anterior. Não conheço ainda o interior da igreja.

47 - Fonte Velha, Vale Frechoso. Esta fonte encontra-se à entrada da povoação. Trata-se de uma fonte arcada e medieval.

48 - Capela de N. S. do Rosário, Valtorno. Consta que se tratava de uma capela particular, vinculada a um morgadio, mas actualmente é pública. Está recuperada e o altar tens uma lenda em latim onde se pode ler a data de 1655.

49 - Fonte Paijoana, Valtorno. Fonte arcada, em granito, situada fora da povoação mas a pequena distância. Dela se conta uma lenda muito interessante. É conhecida localmente com o nome de Paijoana, não se percebendo bem a origem deste nome.

50 - Igreja de N. S. do Castanheiro, Valtorno. Trata-se de uma igreja românica tardia com alguns sepulcros embutidos na parede. Dava apoio aos peregrinos que se deslocavam para Santiago de Compostela. No adro existiu uma necrópole medieval.

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08 junho 2007

Festa do Corpo de Deus em Fotografias


Durante o dia da Festa do Corpo de Deus acompanhei os acontecimentos em várias freguesias. Reuni um bom conjunto de fotografias que decidi agrupar de forma a fazer 3 painéis: Valtorno, Samões e Vilas Boas.
Nestes painéis tentei dar uma ideia do que se passou, mas é impossível retratar o espírito de grupo e de família que se cria (como os Sendim, em Samões), para encarar com alegria a tarefa de limpar e arranjar as ruas para receberem a procissão. A todos eles dedico estas fotografias cheias de cor.
Foi bom contactar com as pessoas. Pelo facto de ser dia santo, encontrei muita gente nas aldeias que visitei. Fui bem recebido e às vezes reconhecido!

06 junho 2007

Valtorno, nos fins de Maio


No dia 28 de Maio fiz um passeio de BTT até Valtorno. O dia estava muito agradável para se andar de bicicleta, luminoso, mas fresco, com o ar limpo e agradável.
O percurso que segui já o utilizei várias vezes. Passa junto ao campo de futebol de Samões, segue pelo Concieiro e encontra a estrada perto do Santuário de Santa Cecília. Desta vez aproveitei para dar uma voltinha no santuário mas dele falarei noutra altura. Voltei atrás e continuei por uma caminho que segue paralelamente ao vale que vai de encontro a Valtorno. A certa altura, comecei a descer, à direita, para o Vale. Com sorte iria encontrar o Fonte da Paijoana. Esta fonte tem uma lenda curiosa que contarei noutro dia. Toda a área envolvente da fonte está arranjada. Há iluminação, bancos e mesas, pena é que a erva trepa em cima de tudo. É necessária e urgente uma limpeza.
Segui até ao cruzeiro do fundo do povo com ideia de visitar a Capela do Santíssimo. Ainda não foi desta, como habitualmente, estava encerrada. Esta capela funciona como local principal de culto, uma vez que a igreja matriz se encontra mais distante e apenas é utilizada para algumas festas anuais e quando há um funeral de alguém mais influente na aldeia. Passei por lá no Domingos de Ramos e estavam a celebrar a eucaristia.
Procurando visitar pontos da aldeia onde não estive na visita do dia 4 de Abril passado, segui pela Rua da Esquina e depois pela Rua da Barreia. A quantidade de habitações, algumas novas e bem cuidadas, contrastava com o “silêncio” que se fazia sentir. A presença humana não era perceptível, só os pássaros cantavam por todo o lado dando vida a todos os recantos.Subi à antiga Escola Primária. Este edifício do Plano dos Centenários inaugurado em 1948 com uma sala e em ampliada na década de 70 definha no mais completo esquecimento. Longe vão os tempos de crescimento da população que levou à criação da cadeira de instrução primária, 1.ºgrau, em1865 e ao alargamento a uma escola feminina em 1902. Em 1940, o Governo de Salazar, extingue a escola masculina e em 2006, um outro governo qualquer, extingue a escola por completo.
Seguindo o canto dos pássaros, segui pela Rua da Escola, Rua do Frade, Rua do Cruzeiro até ao Cruzeiro. Segui pela Rua do Castelo que desci até chegar à Capela da Senhora do Rosário. Também estava encerrada. Segui em direcção a Poente mais alguns metros e encontrei outra fonte a Fonte da Senhora do Rosário. O desafio seguinte foi subir ao cimo de um monte paralelo à Rua do Castelo procurando justificações para esse nome. Cheio de cuidado, pois o lugar encontra-se ocupado por um colmeal, percorri o cimo do monte em todas as direcções. Há conjuntos de pedras soltam e restos de telha mas tudo parece muito recente. No local já funcionou uma pedreira e, se vestígios houvessem, foram com certeza apagados para sempre. Os habitantes com quem falei não têm memória de ali ter existido nada de referenciáveis.
Com o sol a aquecer deliciei-me a fotografar muitas flores selvagens que cresciam, nos lameiros, por entre os esqueletos negros de altas giestas, queimadas no fim do Verão passado.

Quando voltei à aldeia a Capela da Senhora do Rosário estava aberta. A inscrição em latim que figura no altar tem bem claro o ano de 1655. É bem possível que esta capela, antes de ser designada por Capela de Nossa Senhora do Rosário, fosse capela de S. Sebastião. Um documento de 1758 não refere qualquer capela com a designação da actual mas refere as capelas de S. Brás e a de S. Sebastião às quais se perdeu o rasto. Não sei se é como dizem alguns populares: - os ricos destruíram tudo – mas não foram só estas duas capelas que se “perderam”, a capela de S. Apolinário afunda-se num pantanal de água e vegetação e a de Nossa Senhora da Luz também está totalmente arruinada e votada ao abandono.
Mas voltando à capela de Nossa Senhora do Rosário, está muito bem cuidada. O tecto foi restaurado, as paredes também, mas mantém o seu aspecto rústico, a imagem é bela e singela, rodeada de rosas de todas as cores e de atenção dos crentes, como é hábito no mês de Maio.
Sobre a capela de S. Brás duas pistas me foram apontadas: alguns habitantes dizem que se situava perto da aldeia, no caminho para o S. Apolinário, junto de uma corte para animais. Outros afirmam que a porta da loja dos animais da “Casa da Bitcheira” é o que resta da porta da dita capela. Certo é que este meio pórtico é muito requintado para uma simples loja de animais!
Com a tarde a chegar ao fim, desci de novo ao fundo da aldeia e parti em direcção a Vila Flor, de novo com a sensação de que teria de voltar, muita coisa ficou por descobrir.

Quilómetros percorridos neste percurso: 25
Total de quilómetros de bicicleta: 1145
Total de fotografias: 24 300

05 junho 2007

Absoluto visível - João de Sá


Não vou escrever o mundo com palavras,
Mas com coisas que tenham peso e cor:
Castanheiros e nuvens e o rubor
Das mais amplas e vivas madrugadas.

A águia, a seiva, até as ágeis cabras
Nos olhos feitos de algas do pastor,
À espera que o bordão se abra em flor
E nasçam prados na aridez das lavras.

O odor das madressilvas sob a chuva.
O vento arremedando esquivo gaio,
Num ramo oco transformado em tuba.

O mais é um tremor na espessidão,
A crescer para dentro num desmaio
De terra, imitando o coração!

Poema de João de Sá. "Flores para Vila Flor", 1996.
A fotografia foi tirada dia 04 de Junho, entre Mourão e Valtorno.

29 maio 2007

Valtorno 4


Ontem a "viagem" foi a Valtorno. Esta simpática aldeia não se esgota numa só visita. Quanto mais ruas e becos percorro, mais me convenço, que há muito mais para descobrir. O dia esteve luminoso, com algumas nuvens, mesmo a convidar à fotografia. Foi uma delícia.

10 abril 2007

Valtorno 3

No dia 4 fiz um longo passeio por algumas aldeias dos concelhos de Vila Flor e de Carrazeda de Ansiães. São muitas as afinidades entre estes dois concelhos, em todos os aspectos.
O trajecto estava mais ou menos delineado, dependendo da minha resistência e da limitação do tempo. Teria que estar em Zedes à hora de almoço, onde fiquei de almoçar com familiares.
Com vontade de percorrer muitos quilómetros, deixei Vila Flor pelo caminho que passa junto do depósito de água, segue paralelo ao campo de futebol de Samões e sobe ao Concieiro, em Carvalho de Egas. Aqui, prestei mais atenção às rochas na beira da estrada. Procurava as alminhas que estão referenciadas junto à antiga estrada militar Almeida-Chaves. Por fim encontrei um nicho. Apresenta ainda vestígios de pintura sendo bem visível uma cruz, que teria Cristo crucificado. Distinguem-se também o que me parece serem quatro cabeças de outros personagens. Mais à frente encontrei outro nicho, mais pequeno, mais exposto e já sem nenhuma amostra de pintura.
Atravessei a estrada do Seixo (N609) e continuei por um caminho, já meu conhecido, até Valtorno. Aproveitei a posição sobranceira à aldeia para fazer algumas fotografias. O dia estava bonito e Valtorno parecia espreguiçar-se com o calor que se sentia. A aldeia é muito fotogénica e fiquei contente logo nos primeiros disparos. Se tivesse mais folgado no tempo, teria descido um o Ribeiro dos Moinhos, mas, segui até à aldeia passando por debaixo da estrada (N324).
Logo ali encontrei a pequena capela de Santo Cristo. O meu pensamento voou para a Ilha de S. Miguel, nos Açores, onde pude ver a imagem do Senhor Santo Cristo, ao qual a população presta grande culto.
Mais à frente, está um cruzeiro barroco. A protecção metálica que tem não é nada estética, antes pelo contrário. Os mesmos motivos decorativos, cruz, escada, turquês e martelo, encontrei-os, nesse dia, em mais dois ou três cruzeiros.

Subi ao Largo da Capela. Não dispunha de todo o tempo necessário para percorrer toda a aldeia, tinha que fazer opções. Segui pela Rua do Frade até encontrar mais um cruzeiro. Este está muito cuidado, pintado e rodeado de um bonito jardim. Dali vi a Escola Primária, a Ribeira das Olgas, com as ruínas de um moinho, e, algumas hortas. Subi às paredes e senti-me uns séculos atrás. Quantas pessoas já viram passar aquelas paredes? Por instantes imaginei-me numa aldeia medieval.
Valtorno é uma aldeia cheia de história. A prová-lo está o castro com vestígios de muralhas, a imagem gótica de Santa Maria do Castanheiro, do séc. XIII e algumas fontes medievais. Uma fonte medieval vi eu um pouco mais abaixo! Penso que seja a Fonte do Frade. Merecia melhor tratamento. Não me aproximei porque me pareceu tratar-se de terrenos privados, mas não gostei de ver aquela beleza votada ao abandono.
Em muitos recantos há bonitos exemplares de casas em granito, antigas, a merecerem recuperação. Há muros, casas, caminhos, fontes, pombais, bonitos exemplares do passado que me fascinaram e que prometo explorar com mais pormenor.
O relógio da Igreja de Nossa Senhora do Castanheiro alertou-me para o avançado da hora. Desci à estrada nacional e segui até ela. Por detrás da igreja sobrevive um enorme e velhíssimo castanheiro. Não me tinha apercebido que ali estava! A igreja estava fechada. Procurei em seu redor vestígios que atestassem os seus muitos anos de história. Em cima da parede do cemitério está uma cabeceira medieval. No adro existiu uma necrópole. Também nesta igreja se deu apoio aos peregrinos que por aqui passavam a caminho de Santiago de Compostela. Depois de terminar de ler o livro que trago em mãos, “Respingos de Valtorno”, terei outra visão desta igreja que é tratada no livro com alguma profundidade.
Apressado pelo relógio e pela fome, dei o máximo de mim enquanto pedalava até Alagoa. Bem me apeteceu parar e olhar para trás. Valtorno estava pomposo, preparado para a fotografia, deitado qual musa posando para a tela de um artista.

Cheguei a Alagoa. A cereja no cimo do bolo era eu encontrar um dos antigos marcos que sempre fizeram desta terra linha divisória de vários concelhos: Vilarinho da Castanheira, Carrazeda e Vila Flor. Acabei por encontrar as alminhas de Santo António, nas Abessadas, quando me dirigia para Mogo de Ansiães.
O meu trajecto seguiu pelo Mogo de Ansiães e depois Zedes, onde almocei. No regresso a Vila Flor, tive ainda coragem para ir a Samorinha, Carrazeda de Ansiães, Fontelonga, Pena Fria, Alagoa, Valtorno e Carvalho de Egas.
Cheguei a casa bastante cansado. Foi um dia pleno de emoções.


Quilómetros percorridos neste percurso: 70
Total de quilómetros de bicicleta: 819
Total de fotografias: 16 888