22 novembro 2006

À descoberta de Vale Frechoso

No dia 19 parti à descoberta de Vale Frechoso. É uma aldeia onde nunca estive, até porque não fica junto a nenhuma estrada principal.
O tempo estava estranho e cinzento mas começo a achar alguma graça à fotografia com pouca luz e também não é nada desagradável para pedalar (apesar de não evitar que a camisola chegue a casa encharcada de suor).
Deixei Vila Flor em direcção ao Barracão e segui pela N214 em direcção à Trindade. A estrada é larga, arejada, com uma paisagem lindíssima que alcança Frechas, Mirandela e se prolonga por um bom pedaço do Nordeste.
Á frente, vai tomando forma a Serra de Bornes. Deixei a N214 e pouco mais de 1 km depois cheguei a Vale Frechoso. Começaram a cair algumas gotas de água e eu nem sequer sabia por onde começar!
Comecei mesmo ali, à entrada da aldeia. Há um nicho com um santo que não consegui identificar e a poucos metros a capela de Nossa Senhora de Lurdes com um jardim muito cuidado.
Mais a baixo a Casa do Povo e do lado direito um largo com tanques para lavar a roupa, um coreto, jardim e a Fonte Nova onde se pode ler a data de 1816! Nas escadas que dão acesso à fonte há uma pedra com o ano 1931 gravado.
Segui em direcção à igreja. A porta estava fechada. Não procurei a ninguém pela chave porque as pessoas ficam desconfiadas quando alguém desconhecido entra nelas. Têm as suas razões.
Interessantes são as estátuas de três santos, em granito, que se encontram na fachada principal. Representam Santa Bárbara, S. Paulo, e ao centro, S. Lourenço. Este último é o padroeiro, que recebe a festa principal da aldeia.
Da igreja avista-se a escola de 1.ºciclo, grande, com duas salas e um bom recinto vedado. Pelo formato do edifício parece-me que é dos que tinham uma residência para o professor, ao centro, entre as duas salas. Esta escola ainda recebe alunos.
Segui por uma rua ao acaso. Procurei percorrer todas as ruas. Sem dar por mim estava a descer em direcção ao cemitério. Continuei e fui ter ao campo de futebol onde um grupo de crianças e jovens desgastava as suas energias.
A paisagem que se avista dali é magnífica, mesmo com um dia cinzento.
Havia que pensar no regresso. A minha ideia era descer até Roios e depois seguir para Vila Flor, mas para isso tinha que voltar para trás. Não me agradou a ideia. A alternativa era arriscada. Não sou eu um amante da aventura?
Continuei pela N603 em direcção a Santa Comba da Vilariça. Aproveitei para conhecer mais algumas zonas da aldeia.
A estrada que segui é muito estreita mas aconselho a uma passeio por ela. Quero voltar lá na Primavera. Podem ver-se vistas explendidas do Vale da Vilariça e da Serra de Bornes. Fora de série!
Cheguei a Santa Comba. Estava preocupado e não demorei a começar a pedalar pela N102 (E802). Quando cheguei a Assares sobi à aldeia pensando que havia uma saida para Roios. Foi um esforço desnecessário, tive que voltar a descer e continuar até Sampaio. Começou a chover e procurei refúgio num café da beira da estrada. Quando arranquei de novo, havia um bonito arco-íris sobre a Serra de Bornes. Ainda passei Lodões. Não arrisquei mais caminhos desconhecidos, porque começou a anoitecer e eu sabia que ainda estava longe de casa.
Cheguei a Sampaio e anoiteceu. Felizmente que conhecia o caminho, caso contrário, tinha-me metido em apuros. A subida até Vila Flor foi demorada e dolorosa. Cheguei a horas de ceia, com as pernas "desfeitas" e com um grande apetite.

Quilómetros do percurso: 39
Total de quilómetros: 80
Total de fotografias: 2550






14 novembro 2006

Nossa Senhora da Assunção


Ontem o passeio começou pelas duas da tarde. Deveria ficar em casa a preparar a minha dissertação de mestrado mas, como temos um ministério da educação que desvaloriza a formação dos professores, não me sinto muito motivado para continuar o “investimento” que tenho feito até agora na minha carreira. Passar mais 20 anos a saltar de terra em terra, com os filhos e a casa às costas, é um cenário que tira o entusiasmo a qualquer um.
O nevoeiro tem marcado presença por aqui. Parece ser habitual por Vila Flor. Para quem gosta de apreciar a vista em redor não é muito agradável mas também não é uma coisa que se possa optar. Decidi subir ao alto da Serra do Facho. O nevoeiro cobria todo o Vale da Vilariça, beijava as primeiras casas de Vila Flor e chegava às imediações do Parque de Campismo. A Norte a situação estava igual. Em Vilas Boas o nevoeiro tapava tudo ao longo do Rio Tua. Mais para Norte, em direcção ao Cachão e Mirandela, era um imenso Mar de nuvens brancas como já não via há muito tempo.
As vistas, a mais de 700 metros de altitude, eram magníficas mas sei como é difícil captar esse ambiente com a máquina fotográfica. - Do alto do cabeço do Santuário de Nossa Senhora da Assunção não seria um espectáculo ainda melhor? Foi para lá que me dirigi.
Desci da Serra do Facho por um caminho pouco recomendável, cheio de pedras e silvas, até à Zona Industrial de Vila Flor. Continuei pela estrada em direcção a Vilas Boas. Neste pedaço de caminho lembrei-me do Planalto Mirandês e das minhas aventuras À Descoberta de Miranda do Douro. A tarde estava agradável com um sol brilhante e um ar frio que facilitava a pedalada.
Algumas pessoas procuravam cogumelos. – O nevoeiro vai dar cabo deles. Disseram-me. Pelo diminuto saco que traziam conclui que a recolha não terá sido abundante.
Antes de chegar ao Santuário há uma subida que me deu tempo para recordar as grandes festas da Senhora da Assunção.
Quando eu era garoto, ficava um ano inteiro à espera desta festa. A minha alegria maior era receber uma corneta plástica ou um tractor rústico feito de chapa. Mais tarde, comecei também a vir à festa. A carrinha de caixa aberta do Zé Madeira, a abarrotar de gente, era o taxi da época. Quando via o chorão e a igreja de Samões sabia que o "cabeço" estava próximo e começava a ouvir ao longe o barulho dos foguetes, a música das cadeirinhas, dos aviões, dos carrinhos de choque e do poço da morte. A par da alegria da música e dos divertimentos, estava a grandiosidade da procissão e a merenda. A merenda vinha em cabazes de verga, cheios de coisas boas e cobertos por panos alegres. Comprava-se um melão e uma melancia e, depois da procissão, a família reunida recostava-se à sombra num pinhal. Os cabazes abriam-se, espalhavam pelo chão os nossos sabores que eram degostados com calma, numa comunhão muito espiritual mas cheia de alegria.
Seguia eu neste pensamentos quando cheguei ao Santuário. Está tudo muito verde à excepção dos castanheiros que vão perdendo as castanhas e as folhas.
Subi lentamente, saboreando a paisagem e agradecendo a Deus estes momentos de paz, longe das polémicas do ECD ou de centenas de crianças gritando. Quando cheguei ao topo, enchi o peito de ar e saí voando por sobre o colchão de algodão que se estendia em várias direcções.
Andei por ali, aproveitando os raios de Sol, procurando um ângulo nunca fotografado ou uma outra forma de ver as coisas.
Este Santuário que se ergue a 760 metros de altitude, tem uma história milenar como prova a existência de um castro do período pré-romano. O miradouro é um dos mais importantes senão o mais importante e o maior santuário mariano do Nordeste Trasmontano. A igreja principal é barroca, mas há mais de meia dúzia de capelinhas espalhadas pelo recinto do santuário.
Entretanto encontrei uma senhora que me mostrou a capela, falou-me de Vilas Boas, dos montes em redor, do seu marido que foi recentemente operado. Votos de uma rápida recuperação.
Fiquei a saber que nos montes que se erguem a Norte do Santuário existiu uma capelinha em ruínas. O sino da capela foi levado (pelos de Meireles, dizem) e ao santo foi levantado um pequeno monumento à saída para Meireles. Quem sabe um dia destes ainda me aventuro a subir aqueles enormes montes!
Parti em direcção a Samões. Todos os santos ajudaram (era a descer) e cheguei rapidamente. Na escola ainda se ouviam as crianças o que significava que ainda não tinham chegado as cinco horas e meia. Atravessei a aldeia e cortei à esquerda em direcção à Albufeira do Peneireiro. O objectivo era saber se com tanta chuva, o nível das águas já tinha subido ou não. Não é evidente qualquer subida desde o dia 30 de Outubro. Serão necessários muitos mais dias de chuva para que a reserva de água seja reposta. E Vila Flor bem precisa, porque a que circula na rede é de muito má qualidade.
Ainda pensei em beber uma águinha no Bar da Barragem mas o frio nas pernas despidas começava a fazer efeito.
Pedalei até Vila Flor onde cheguei ao início da noite, com as costas suadas e as pernas geladas.
O passeio foi curto em quilómetros ( 22 km) mas grande nas emoções, cheio de silencio, de recordações e de muitas fotografias (com algum nevoeiro).

Quilómetros percorridos: 22
Total de quilómetros: 41

01 novembro 2006

Descobri a aldeia abandonada de Gavião

Finalmente o primeiro passeio de BTT em Vila Flor aconteceu no dia 30 de Outubro de 2006. A manhã esteve radiosa mas só saí depois de almoço. A tarde não esteve tão solarenga, até foi melhor, porque esteve mais fresca.
Deixei Vila Flor por um caminho de terra batida que começa um pouco abaixo da estátua de D. Dinis. O objectivo era ver a vila de encontro à montanha, do meio das vinhas a caminho da barragem. A paisagem não correspondeu às minhas expectativas: as amendoeiras estão feias e as videiras quase já não têm folhas. O céu estava feio, branco, sem nenhum contraste.
O percurso até encontrar a estrada alcatroada que vai para a Barragem do Peneireiro foi bastante difícil. Algumas subidas e muitas pedras espalhadas, fruto das recentes chuvadas que têm caído por todo o país.
Rapidamente cheguei ao parque de merendas da barragem. Que espaço agradável! Claro que este vai ser um espaço de eleição para os meus passeios de bicicleta.
Contornei a barragem, está praticamente vazia. Procurei uma estrada, estava ainda com forças para ir mais além. Encontrei uma estreita que decidi seguir. De repente o xisto desapareceu e começaram a aparecer rochas graníticas e pinheiros. Decidi tentar a minha sorte. Rapidamente encontrei algumas sanchas, mas não tinha forma de as transportar e abandonei a busca.
Depois de algum tempo por essa estrada, cheguei a uma aldeia. Pensava ir ter ao Santuário de Santa Cecília mas afinal cheguei directamente ao Seixo de Manhoses. À entrada da aldeia encontrei uma placa que indicava a Aldeia Abandonada de Gavião. Hesitei um pouco: - Mas não ando à descoberta? Segui pelo caminho sem saber onde iria parar.
Felizmente não me perdi. A paisagem era magnífica. Mesmo com tempo cinzento vi o Vale da Vilariça a meus pés de um ângulo que eu nunca tinha visto. Recortada na encosta avistei as ruínas da tal aldeia abandonada. Comecei a visita pela capela, onde ainda se pode ver o que resta do altar. Vasculhei todas as ruínas. Encontrei o lagar, o pio, o forno, o poço, a eira… quase pude ver a azáfama das pessoas que ali viveram. Imaginei o ladrar dos cães, o gritar das crianças a brincarem na eira, o som da água a correr de socalco em socalco.
Ainda há algumas casas com tecto e fechadas. Talvez quatro. Sinal de que a aldeia não está completamente abandonada.
Abandonei a aldeia e segui por outro caminho passando ao lado do cemitério onde algumas senhoras limpavam e colocavam flores. Cheguei ao Seixo de Manhoses. Nas ruas havia muita gente, fiquei surpreendido. Esta aldeia não é propriamente como as aldeias do concelho de Miranda do Douro, de ruas planas, fáceis de percorrer. São ruas muito inclinadas, mas com bom piso.
Decidi inicial o regresso. Ainda passei em frente à escola de 1.ºciclo onde ouvi o barulho das crianças. Fiquei contente, esta escola ainda está viva!
Cheguei a Vila Flor bastante cedo mas já anoitecia. Completei a minha primeira saída de bicicleta. Percorri 19 quilómetros a uma velocidade média bastante baixa, mas valeu a pena.

23 outubro 2006

Freixiel 1

Neste dias de chuva, sinto o "vício" das fotografias tal como os caçadores sentem a vontade de caçar. O tempo tem estado complicado e também não faz o meu género sair, a passear, de automóvel. "Desfolhei" algumas fotografias das milhares que tenho no computador e encontrei Freixiel. É uma aldeia cheia de história. O vale de Freixiel é habitado deste a pré-história. Os seus habitantes resistiram durante séculos mesmo em momentos piores como o incêndio provocado pelos castelhanos no séc. XVIII e a invasão pelos franceses.
Chegou a sede de concelho e mesmo depois de pertencer a Vila Flor manteve a designação de vila durante algum tempo.
Na visita que lhe fiz em 05 de Novembro de 2005, percorri praticamente toda a aldeia incluindo um a visita à tão famosa Forca e ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário. A fotografia que apresento, não é um sinal da história, é um sinal de vida. Ali, perto do Pelourinho do Séc. XVI despertou a minha atenção esta porta que podia muito bem representar também época do pelourinho. Por entre os raios de sol do fim de tarde e as conversas dos idoso de conversavam não muito longe, registei o momento.

21 outubro 2006

À descoberta da Serra do Facho 2

Hoje, enquanto dava um passeio na natureza, tentei fazer mais algumas fotografias sobre esta bela terra. A montanha fascina-me, e, apesar do dia não estar muito agradável, foi para lá que me dirigi. Equipei-me de umas boas botas de montanha e lá fui eu montanha acima. A primeira surpresa aconteceu logo aqui, a poucos metros da vila. Pareceu-me ver um medronheiro (Arbutus unedo). Será? Era mesmo. Já tinha passado por ali mas não tinha reparado nele. Continuei. O objectivo era procurar cogumelos num pinhal. Já me disseram que há mais lá para a estrada de Carrazeda e devem ter razão porque ainda não encontrei nenhum! Mais à frente encontrei mais um medronheiro todo florido e com um medronho maduro! Aqui entusiasmei-me. Há mais de vinte anos que não comia um medronho. Continuei à procura, por entre as estevas e não tive de procurar muito. Os medronheiros são muitos. Lindos, cheios de flores e de frutos que vão do verde ao vermelho vivo passando por muitos tons de laranja. Sol? Nem vê-lo. Mesmo assim tirei algumas fotografias não há nada que se compare à primeira emoção. Atravessei toda a encosta e, depois de uma subida bastante íngreme, cheguei ao miradouro. Não fotografei a vila do miradouro, fotografei mesmo o miradouro com o Vale da Vilariça de fundo. Desci ao Santuário da Senhora da Lapa. Pouco conheço deste santuário. O espaço está muito bem arranjado, a convidar a piqueniques, mas há bastante lixo por todo o lado.O céu estava cada vez mais escuro mas decidi continuar, de forma a ver Vila Flor de outro ângulo com os bairros novos ali ao fundo, mesmo a meus pés.
Esperei o anoitecer, mas, de repente, começou a chover. Acelerei o passo mas não me livrei de uma boa quantidade de água. Cheguei ao centro da vila já noite escura e todo molhado. Frio não sentia e entretive-me ainda a fazer algumas fotografias no centro da vila, com o chão molhado reflectindo a iluminação pública.O percurso que fiz entusiasmou-me. O dia não estava favorável mas hei-de repetir.

17 outubro 2006

À descoberta de Roios 1

Hoje foi dia de partir à descoberta do concelho de Vila Flor. Ao início da tarde o dia estava agradável. Um céu azul, com poucas nuvens e um vento bem evidente e fresco.
Não tenho ainda um meio de transporte “alternativo” por isso a solução foi mesmo sair a pé.
Comecei a subida pela Rua do Carriço, por detrás da Cooperativa de azeite de Vila Flor que parece funcionar como armazém de trastes da Câmara. A vista era magnífica e lembrei-me das palavras que hoje alguém escreveu no Blogue: “-não há céu mais azul do que o de Vila Flor”. Não posso afirmar, ainda tenho muito céu para descobrir, mas o de Vila Flor, hoje, estava fantástico.
Ao chegar ao cume da Serra do Facho, tracei visualmente o percurso a fazer até chegar a Roios. Não conhecia absolutamente nada do caminho que ia percorrer, mas calculei que as dificuldades seriam moderadas.
Comecei a descida. Inicialmente segui um caminho por entre pinheiros altos e estevas, mas apeteceu-me procurar algo para fotografar, o que me levou a abandonar o caminho e seguir literalmente a corta-mato. Nem o ar frio da tarde impediu de começar a sentir o suor a escorrer pelo pescoço. Encontrei um pombal ainda bem conservado, uma corte para animais e uma mãe-d’água.
Não procurei o terreno fácil, antes pelo contrário. Dirigi-me para os penhascos que espreitavam um pequeno vale com um ribeiro quase seco. Será que é este pequeno ribeiro (roio) que dá o nome à Aldeia? Os javalis gostam do local húmido e fresco. São evidentes os sinais da sua presença, quer nas poças de lama, quer nos troncos dos pinheiros em que se roçam repetidamente.
Acabei por rodear a aldeia pelo Norte entrando nela junto da nova estrada que vem de Vale Frechoso.
Desci em direcção à igreja matriz de S. João Baptista sinalizada por uma enorme palmeira que vigia toda a aldeia, mas encontrava-se encerrada. Tinha curiosidade em ver as pinturas do tecto mas, mesmo falando com um idoso que ali se encontrada, não consegui que me dessem indicação da chave.
Ali perto admirei os tanques públicos, são um luxo comparados com os que se pode ver na maioria das aldeias ou até em Vila Flor.
Aqui e ali havia jardim com tufos de flores. O recinto da escola primária está muito cuidado, bem como o recinto da Capela da Senhora das Graças. Também foi agradável ver bastantes vasos de plantas suspensos, alguns ainda com flores, distribuídos por muitos pontos da aldeia.
Encontrei uma rua me pareceu chamar-se Rua do Castelo. Segui por ela, curioso. Tive que voltar para trás porque não tinha saída. De junto da capela, enquanto rilhava algumas castanhas que apanhara ali perto, pude admirar os rochedos com formas curiosas que se estendiam sobre o ribeiro. É pena que não se possa chegar a esse local. Ouvi uma ave estranha a cantar. Tratava-se de um bico-de-lacre em liberdade! Isto não é normal!
Ao lado está a Fonte da Graça. Desci as escadas, abri a porta de chapa e espreitei para o interior. Tem alguma água, mas, sobretudo, não tem lixo como normalmente se vê em muitos locais (também em Vila Flor).
Não deixa de ser curioso ver que no Site da Câmara Municipal de Vila Flor (http://www.cm-vilaflor.pt/freguesias/freg_roios.html) a capela de Roios apareça como sendo da Nossa Senhora do Rosário e na legenda da sua fotografia apareça escrito Igreja Matriz. Tenho que clarificar esta dúvida.
Aproveitei para comprar uma garrafa de água num café próximo. Vi no total três cafés, mas fui informado que apenas dois se encontram abertos. Achei o espaço agradável.
Voltei para trás. Passei de novo, agora por outra rua, por uma casa brasonada que julgo ser conhecida como casa do S. Barroso. A luminosidade já não estava à altura mas as cores que ostentava, forrada a buganvília e trepadeiras convidavam à fotografia.
Por esta altura começou a chover. Esperei mais de vinte minutos que a chuva terminasse, mas o céu parecia cada vez mais escuro. Uma caminhada até casa, mesmo que pela estrada, levaria à volta de quarenta minutos.
Recebi uma chamada de casa (não sei como, porque o telemóvel parecia não ter rede). Pedi que me fossem buscar à entrada da aldeia. No percurso para Vila Flor choveu com grande intensidade. Roios merece um melhor acesso.
A selecção das fotografias não foi fácil. Em mais de duzentas seleccionei pouco mais de uma dezena de acordo com critérios pouco definidos e do momento. Espero que gostem e que dignifiquem Roios.








10 outubro 2006

enQuadro em azul


Hoje não tive tempo para fazer "turismo" por isso tive de recorrer ao arquivo. Não quero dar a ideia que só gosto de coisas antigas, com ar de abandono. Os motivos que fotografo são muito variados embora fotografe pouco as pessoas.
A fotografia de hoje foi conseguida no dia 05 de Outubro, um dia com um céu excepcional, a convidar à fotografia.

09 outubro 2006

A chuva chegou


Hoje o dia esteve quente. Ao cair da noite algumas núvens escuras passaram por aqui despejando alguma água em ritmo acelerado. Também alguns trovões marcaram presença, enquanto na televisão, passava uma reportagem sobre os efeitos da tromba de água em Freixo-de-Espada-à-Cinta há um mês atrás.
Rapidamente as núvens foram embora e a noite está calma e quente.

08 outubro 2006

Vamos ao Zoo


Hoje o passeio foi curto. Ainda sentimos nas pernas os efeitos da caminhada de ontem. Fomos a Carrazeda e na ida passámos pelo complexo turístico do Peneireiro. Tomei um café e demos um curto passeio pelo mini Zoo que, por sinal, está cada vez mais mini. Alguns gamos, um javali (fêmea) e um pavão que parece estar em época de mudança de penas é tudo o que se pode ver.
Sou um apaixonado por aves e já vi noutras alturas algumas espécies neste parque. As pombas são pouco exigentes e reproduzem-se com facilidade habitaram aqui durante muitos anos e eu gostava muito de as ver.
No caminho de regresso de Carrazeda fizemos um desvio por Seixo de Manhoses. Desconhecia a estrada desde o Santuário de Santa Cecília ao Seixo. A aldeia está muito próxima de Vila Flor e vai com certeza receber algumas visitas minhas.

À descoberta da Serra do Facho


Hoje foi o dia da primeira visita pelos espaços naturais de Vila Flor. Depois de almoço saímos a pé em direcção ao Intermarché de Vila Flor onde tomei um café. Seguimos depois por um caminho que parecia levar-nos ao alto da Serra do Facho mas isso não aconteceu. O caminho seguiu paralelamente à estrada, por cima de vinhas muito cuidadas e já sem uvas. Acabámos quase por chegar à Zona Industrial e decidimos subir de qualquer maneira, por caminho ou sem ele numa zona que penso ser a Quinta das Escarbas.
De facto acabámos por chegar ao alto da serra num ponto com 757 metros de altitude. O dia não estava grande coisa para fotografias, mas a vista era magnífica. Encontrámos algumas ruínas mas não deu para perceber do que se tratava. Passeámos os olhos por Samões, mais ao fundo avistava-se um pouco do Santuário da Nossa Senhora do Rosário em Freixiel e tínhamos uma vista perfeita do Santuário de Nossa Senhora da Assunção de Vilas Boas. Rodando para a direita, conseguíamos ver o Cachão, Frechas e um cantinho de Mirandela. Mais para a direita mostrava-se imponente a Serra de Bornes afagada por algumas nuvens. Mais próximo de nós avistava-se Roios e talvez Lodões, com o Vale da Vilariça estendendo-se preguiçosamente até perder de vista para Sul.
Subimos mais um pouco, agora já por um caminho recentemente limpo, até atingir o ponto mais alto da Serra, 767 metros, no marco geodésico do Facho. Aqui também há muitas pedras soltas que parecem indicar algum género de construção. Junto ao marco geodésico há uma cruz de madeira que curiosamente tem incrustados alguns quadrados de vidro espelhado. Talvez a ideia fosse que a cruz reflectisse raios de sol em direcção a Vila Flor. Daqui tem-se uma bela vista. Além da vila é interessante ver as vinhas e oliveiras que a rodeiam e estender o olhar até à Barragem do Peneireiro.
De vez em quando o sol mostrava um pouco da sua graça e aproveitei para fazer algumas fotografias de tudo que a vista alcançava.
Continuámos seguindo o mesmo caminho, pelo cume da serra, aproveitando os rochedos em vários pontos para admirarmos Vila Flor de todos os ângulos possíveis. A garrafa de água que transportávamos foi necessária, começávamos a sentir os efeitos da subida e do relevo acidentado.
Um dos melhores pontos viemos a encontrá-lo pouco antes de chegarmos ao miradouro que existe perto do Santuário da Nossa Senhora da Lapa (S. Bento). O sol estava agora mais descoberto mas já sem força. A iluminação da vila começou a acender-se. Ainda nos sentámos descobrindo pelos telhados das casas pontos nossos conhecidos. “– Aqui é a minha escola, além é a tua.” Foi quando tocou o telemóvel pela primeira vez. A mãe começava a ficar preocupada com a nossa ausência. Qual o melhor percurso para casa? Podíamos continuar, mas a lua já se via lá longe, nasceu em Mogadouro. Decidimos voltar para trás e arriscámos descer por um percurso íngreme que nos levou a uma Cooperativa de azeite com ar abandonado, já em Vila Flor.
Era noite cerrada, os pés estavam cansados. Foram mais de 4 horas a caminhar em terreno muito acidentado, saltando pedras, pisando silvas e carquejas. Este passeio levou-nos a um dos ponto mais alto de Vila Flor, encheu-nos o peito de ar e de coragem para novas descobertas.

06 outubro 2006

Uma tarde calma


Hoje passámos o primeiro feriado em Vila Flor. De tarde descemos ao centro da vila e tomámos um café na esplanada do café O Desportivo. O dia esteve luminoso (nada parecido com o de ontem) e aproveitámos para um passeio pelas avenidas, ruas e becos. O número de fotografias já ultrapassa as 800, em menos de um mês, dá uma boa média diária.
Cada dia, dependendo da disposição, da hora, da luz, as coisas parecem diferentes e sempre com alguma beleza.
As ruas estavam calmas e as lojas fechadas (com algumas excepções). Aqui e ali viam-se pessoas sentadas, principalmente idosos, conversando calmamente.
Seguindo o conselho de um visitante deste Blog, já me desloquei ao museu e fui muito bem recebido. Não o visitei porque pretendo faze-lo na companhia dos meus filhos. Aproveitei para pedir todo o género de panfletos sobre o concelho de Vila Flor uma vez que o Posto de Turismo está encerrado fazendo o museu esse papel.

04 outubro 2006

Carícia Real


Desabrochou a sécia no regaço
Do monte, sobre um plaino de verdura
E logo o Céu Azul, num terno abraço,
Abençoou a flor, vermelha e pura.

Chamou-lhe Póvoa, o Homem deu-lhe um Paço
De abóbada e colunas, deu-lhe altura
Na Lusitânia antiga, deu-lhe espaço.
E a sécia em mil sécias se depura.
A jardineira lua, com luar
As rega, e o vergel, suma delícia,
Recrudesce de graça e de esplendor.

Até que um Rei, poeta singular,
Preso do encanto, fez-lhe uma carícia:
- “Bendita sejas flor das vilas… Flor!”

Cabral Adão

Auto-retrato