12 janeiro 2007

À descoberta de Freixiel

O passeio a Freixiel já estava a faltar. É uma das maiores aldeias do concelho e também uma das mais ricas em história. Vila e sede de concelho desde o séc. XII (até 1836), aí se fixaram muitas famílias abastadas havendo um número significativo de casas senhoriais.
Conhecia um pouco de Freixiel, posso até dizer que é a aldeia que melhor conheço do concelho de Vila Flor. Já aí joguei futebol várias vezes, frequentei os arraiais ou passei em visita turística com a família.
Saí de Vila Flor um pouco mais tarde que o habitual, por isso não fiz praticamente nenhuma paragem até chegar a Freixiel. Quando atravessei a Ribeira Redonda bem me apeteceu ficar por ali. Tenho a certeza que essa ribeira me proporcionaria boas imagens, mas continuei.
Junto ao cruzeiro, cortei à esquerda, passei por trás do cemitério em obras e pedalei para a famosa Forca. O caminho está calcetado (já faz algum tempo). Na Forca havia algumas novidades: placas explicativas do monumento e da história da própria aldeia. Numa placa pode ler-se que o lugar se chama “Portela da Forca” e que estamos perante um imóvel de interesse público (desde 1958). Num painel há uma bonita fotografia panorâmica da aldeia, assinalando diversos pontos de interesse. Não é fácil encontrar tanta informação nos pontos turísticos, nem mesmo na sede de concelho. Faço apenas um reparo: o painel com a vista panorâmica da aldeia tapa parcialmente a forca e estraga as fotografias. Não sei se era possível fazer melhor, mas incomodou-me.
Desci um pouco e pela Rua do Ribeirinho cheguei à Fonte Romana e Fonte das Bicas, não sem antes ter passado por uma janela manuelina que já tinha fotografado há quase 20 anos atrás.
A Fonte Romana, tal como outras no concelho, é medieval. O potencial fotogénico deste agradável conjunto perde-se num emaranhado de postes e fios eléctricos. Fiz um conjunto de fotografias e dirigi-me para o centro da aldeia. Para mim o centro da aldeia é o Pelourinho. Símbolo da autonomia administrativa, em granito, com mais de seis metros de altura é encimado por um capitel quadrangular. Uma das faces apresenta-se picada. Diz o povo que foi aquando das invasões francesas, mas, o mais certo, é esse facto estar ligado a mudanças políticas e administrativas.
Como habitualmente, neste lugar, um grupo de idosos jogava as cartas. Mais ao longe ainda se ouviam os gritos das crianças no recreio da escola.
Atravessei a ribeira que vem da Cabreira e segui em direcção ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário. Da última vez que aí estive, andavam a pavimentar o largo. E eu que aqui sujei tanto os meus sapatos nos arraiais do Verão…
À medida que o Sol se aproximava de Folgares, as casas iam ganhando tonalidades mais quentes e o Vale da Cabreira enchia-se múltiplos planos em tons de azul-verde. Os meus olhos (e a câmara) rodavam, não querendo perder nada, desde a “porta” que se abre para o Rio Tua, percorrendo o centro da aldeia, seguindo pela Rua Queimada para subir pelo vale até ao alto do Pé-de-cabrito.
Quando algumas chaminés começaram a cuspir fumo compreendi que estava na hora de sair dali.
Cheguei de novo ao Pelourinho, a geada já queimou os Manueis que aqui fotografei há algum tempo atrás. Ali perto está a Associação e a Junta de Freguesia. Lembrei-me do GAC (Gabinete de Apoio ao Cidadão). Será que é ali que funciona?
Não entrei, as sombras já começavam a cobrir as ruas de paralelo (Casa do Concelho) que me conduziram por cafés, casas brasonadas, recantos cheios de história com pedras que testemunharam a evolução dos tempos e das pessoas.
Dirigi-me à igreja matriz. Perto dela está a Capela de Santo Cristo onde algumas pessoas, de semblante carregado, velavam algum ante querido falecido. A igreja domina todo o vale à sua volta. De qualquer ponto que olhemos para Freixiel, ela está lá, elevada, marcando o ritmo do tempo e convidando à oração.
A luz faltava. Pedalei tentando alcançar a os últimos raios de Sol que subiram rapidamente da Ponte do Vieiro, pela Quinta da Serra até ao talefe.
Aqui e além parava. Olhava para trás e dividia-me entre a vontade de ficar a gozar toda a paz e beleza que o cenário me transmitia e a necessidade de subir, pouco a pouco até ultrapassar a Ribeira de Brunhais. Depois, foi “voar” até casa.

Quilómetros percorridos de bicicleta: 24
Total de quilómetros de bicicleta: 269
Total de fotografias: 5070

Freixiel 3

Ao longo do dia de hoje conversei com algumas pessoas de Freixiel tentando compreender e clarificar algumas coisas que vi ontem nessa aldeia. Muitas vezes, o visitante, vê coisas que os habitantes na rotina do dia a dia não se apercebem ou não ligam importância.
Uma das coisas que me chamou a atenção foi a escultura da fotografia ao lado. Encontra-se embutida numa parede recente, mas parece ter sido achada numa zona onde se pensa existir um castro, bem próxima da aldeia. Acontece que, quando a vi, pareceu-me ver com clareza o que representava. Depois de falar com alguns residentes, fiquei baralhado! Não tinham a mesma ideia que eu!

O que é que representa? Quem sabe mais sobre esta "pedra", que nos possa ajudar?

Nota: tenho tido algum problemas na actualização/manutenção do blog. Espero que estas dificuldades técnicas desapareçam rapidamente.

10 janeiro 2007

Freixiel 2



Hoje o passeio foi a Freixiel. Respeitando a votação no Blogue e aproveitando o dia de sol que hoje tivemos aqui pelo Nordeste fui até Freixiel à procura de novas fotografias.
Logo que possa, faço a reportagem do passeio. deixo uma fotografia panorâmica (6 ou 7 coladas) com uma vista sobre a aldeia.

09 janeiro 2007

Num reino maravilhoso 1

Depois de ver a quantidade de visitantes que este Blog tem recebido nestes últimos dias não resisti a partilhar mais duas fotografias. Decidi chamar a este post N"um reino maravilhoso" roubando as palavras de alguém mais sábio, porque é disso que realmente se trata. Ninguém fica mais hipnotizado do que eu, quando os olhos esbarram com tanta beleza!
Uma das fotografias foi tirada recentemente no alto da Serra do Facho. O nevoeiro a as núvens misturam-se num bailado com muitos momentos rápidos, belos e enesquecíveis. A outra, foi no Mourão, por trás do cemitério, quando os últimos raios de Sol chegavam ao Vale da Vilariça. A Junqueira, lá ao fundo, prepara-se para adormeçer aquecida pelos tons quentes de luz no entardecer frio de Inverno.

Vilas Boas

Hoje o passeio não começou nada bem. Quando me dirigia para a oficina para colocar uns pedais novos que o “Menino Jesus” me trouxe, mesmo em frente ao Hospital, rebentou-me a câmara-de-ar e o pneu traseiros! Será que foi o efeito do bacalhau, polvo e rabanadas que comi no Natal? Esperei que a oficina abrisse e comprei um novo pneu e câmara-de-ar. Com os novos pedais e as luzes a pilhas (branca para a frente e vermelha para trás) sentia-me como numa bicicleta nova. Também andei a lêr algumas coisas na Internet sobre manutenção de bicicletas que tentei pôr em prática.
O destino era Vilas Boas. Porquê? É um dos destinos preferidos na votação do Blogue; é perto e com bom caminho; o tempo estava muito instável com ameaças de chuva; tinha curiosidade com as obras no Santuário da Nossa Senhora da Assunção.
Vilas Boas foi sede de concelho, criada por D. Afonso IV e teve foral em 1512. Em 1836 o seu concelho foi extinto passando a freguesia a integrar o concelho de Vila Flor. Um bom lugar para um passeio.
Pedalei até chegar ao Cabeço, tinha pressa, estava atrasado e podia chover. As nuvens tapavam a capela e cortei por um caminho à esquerda, antes mesmo de chegar ao Santuário. Nunca tinha passado por alí. Os alpendres para lançamento de foguetes são um bom miradouro sobre Vilas Boas!
Mais à frente encontrei o cruzeiro que marca o lugar onde se diz que apareceu Nossa Senhora. Os vestígios da adoração no Agosto passado ainda são visíveis. É um local importante para os habitantes de Vilas Boas, mas pouco conhecido dos visitantes do santuário. Deixei a bicicleta e subi a pé pelas escadas. De um lado e do outro estão os 12 apóstolos. Quase todos estavam a olhar para o alto. Estão à espera de chuva? Devem pedir a Deus perdão pelos pecados dos homens.
A área depois da Rotunda dos Apóstolos está vedada para obras. Já foi retirada grande quantidade de terra e rochas (e cortadas bastantes árvores). O escadório vai continuar a subir, algumas dezenas de metros, que eram actualmente um caminho, bastante ascendente, em terra batida. Haverá dois muros altos à frente, um de cada lado, um anfiteatro coberto e arranjos nas áreas envolventes. Desta vez é de vez. Esperamos que as obras sejam breves.
Subi à capela. Estava fechada. Não se conseguia ver nada à volta. As nuvens estavam baixas e a solução foi descer de novo. Apanhei a bicicleta e continuei por um caminho bastante degradado pela chuva. Depois de passar por uma alameda de eucaliptos, encontrei a Fonte Santa. Segundo me garantiram, a água daquela fonte fazia milagres.
Continuei até entrar na aldeia que desci até à escola primária. Perto encontra-se o Jardim Infantil e a Junta de Freguesia. Continuei pela mesma rua. Ouvi contar que existia uma capela a S. Cristóvão num dos montes adjacentes à aldeia e quis ir ver a imagem que colocaram recentemente, à saída de Vilas Boas, na estrada N1146 que liga a Meireles. Pelo caminho ainda encontrei uma fonte antiga que passa quase desapercebida.
Voltei para trás e segui em direcção à igreja. Aqui e ali, pedaços de história, ainda estão bem visíveis e vivas nas lembranças das pessoas. O tribunal, a cadeia, brasões, um lagar antigo, o pelourinho, a fonte e a capela de S. Sebastião, o Cruzeiro, a Capela de Nossa Senhora do Rosário, perdi-me por ruas e ruelas, algumas bastante estreitas. Sem querer, encontrei um lagar de azeite, moderno, em plena laboração. O sr. António foi muito simpático. Posou para as fotografias e ainda me indicou os ângulos mais favoráveis para fotografar as máquinas. Cinco quilos de azeitona para um litro de azeite?! Nada mal! Agora sim, a azeitona dá azeite que se farta.
Procurei uma forma de subir a um ponto alto da aldeia, encontrei-o junto à Capela de S. António. Subi aos rochedos, duros, de granito, que já tentaram arrancar. Tinha novos ângulos da aldeia, alguns bem fotogénicos. A luz já escasseava e estava na hora de partir.
Pelo caminho até ao cruzamento do santuário, ainda me fui voltando para trás, a admirar Vilas Boas a adormecer, mas a noite chegava. Liguei as luzes de sinalização e pedalei o mais que pude até casa.
Quilómetros percorridos de bicicleta: 18
Total de quilómetros de bicicleta: 245
Total de fotografias: 4650
Nota: Nem todos as fotografias foram tiradas no dia 08 de Janeiro, também estive em Vilas Boas nos dias 13 e 22 de Novembro de 2006.

Gala "Cantar os Reis"

A gala “Cantar os Reis” teve lugar no dia 7 de Janeiro às 14:30 no Auditório Adelina Campos, com organização da Câmara Municipal e da Associação Comercial de Vila Flor. O auditório esteve cheio, com pessoas de todas as idades, que cantaram e bateram palmas. Contou com a presença de sete grupos representando algumas freguesias do concelho e contou também com a participação especial do Grupo de Cantares de Sambade que teve as honras da abertura do espectáculo. É um grupo numeroso, com elementos de faixas etárias muito distintas, tocando cavaquinhos e acordeão. Começaram por cantar duas canções ligadas à temática dos Reis, “Este grupo” e “Lá no Céu” e brindaram ainda a plateia com mais três “modas”: “A minha saia velhinha”, “N. S. da Guia” e “Calças à brasileira”.
O primeiro grupo de Vila Flor, chamado Cantar por Vila Flor, cantaram “Vila o presépio” e “Para Belém”. Vozes afinadas, trajes a condizer, transportavam com eles anos de tradições. Recordei a cântaro, o lampião a taleiga e ainda fiquei a conhecer o galheiro (galho de árvore onde se pendurava o fumeiro que iam recebendo quando cantavam os reis pelas casas).
Das gargantas afinadas saíram quadras como estas:

Nós somos pastores da serra
Nós cantamos com amor
Queremos dar Boas Festas
Ao Povo de Vila Flor.

Os Reis do Oriente
Já Chegaram a Belém
Foram lá cantar os Reis
E nós cantamo-los também.

Estes Reis que aqui cantamos
Não são pagos com dinheiro
São pagos com vinho fino
E chouriços do fumeiro.

O segundo grupo representava a Associação Cultural e Desportiva de Benlhevai. Um grupo integrado apenas por jovens que não apresentavam os trajes e adereços que o regulamento pedia. O porta voz pediu desculpa explicando que foi feiro o convite a todas as gerações mas só os jovens responderam afirmativamente. Que bom que os jovens responderam sim! Cantaram à educação, à igreja, ao sr. Presidente e de vez em quando fizeram ouvir o bonito som da flauta. Admiro a sua coragem e o facto de se conseguirem juntar um grupo de 14 jovens, num Domingo à tarde, para Cantar os Reis.
Seguiu-se-lhes o grupo representando Seixo de Manhoses. Não faltaram os adereços, os trajes e um bom suporte musical. Cantaram muito bem com uma jovem que cantava a solo, respondendo todo o grupo. Entoaram “Os três Reis como eram santos”,

Os três Reis como eram santos
Uma estrela os guiou
Ao chegarem à cabana
A estrela se baixou.

“Nasceu a alegria” e “Marujinho”.
Sou marujinho
Que andava no mar
E as Boas Festas
Viemos dar.
Sou marujinho
Que andava à aprender
E os santos Reis
Viemos trazer.


Gostei particularmente do “Marijunho”. O público também reagiu bem batendo palmas e (quem sabia a letra) cantando. Também gostei (embora fora do contexto) do show de vila baixo.
O grupo representando Vale Frechoso, entrou em palco. O suporte musical manteve-se.

Viva o nosso Vale Frechoso
Rodeado de olival
Vimos cantar os Reis
A toda a gente em geral.

Cantaram “Nossa senhora e o Menino” e “Cantar os Reis ao Menino”.

Lá vem nossa Senhora
Lá vem ela, lá vem ela
Vem trazer-nos o menino
Orai por ela, orai por ela.

Os três Reis do Oriente
Tiveram o sonho profundo
Sonharam que tinha nascido
O salvador deste mundo.


O quinto grupo representava Valtorno. Traje a rigor, adereços e uma alegria não vista nos restantes grupos. Cantaram, dançaram, fizeram rir e encantaram(e). Faziam-se acompanhar de um instrumento rudimentar feito com uma tábua, duas latas, três arames com caricas enfiadas. O “instrumento” era tocado como um violoncelo ao mesmo tempo que era batido no chão! Disseram tratar-se de um reco-reco, mas fiquei curioso.
Cantaram “Amo Deus no céu” e “De Belém vimos”. Foi difícil fotografá-los, não paravam quietos.
O sexto grupo representava a Escola de Música Zecthoven. Muita juventude, colorida mas com alguns dos adereços necessários. O suporte musical estava gravado e o professor Cordeiro esforçou-se por colocar todo o grupo a cantar.
Fez-se uma pausa para entrega dos prémios dos concursos de presépios e de montras, mas destes, poderei falar noutra oportunidade.
Para encerrar a festa, apresentou-se a Associação Cultural e Recreativa de Vila Flor. Curiosamente vi neste grupo elementos que integravam quase todos os grupos que desfilaram. Cantaram e encantaram não fosse o som demasiado alto da guitarra.

Pastores da serra
Vinde ouvir cantar
Já nasceu Jesus
P’ro mundo salvar.

Cantaram também, com música de fado, as seguintes quadras feitas expressamente para o evento pelo senhor Crisóstomo, que gentilmente mas transmitiu (muito obrigado):

Estes Reis que aqui cantamos
Que o nosso grupo oferece
A todos vos dedicamos
Pela vossa presença merece.

Não vos vamos pedir nada
Nossa voz foi oferecida
Que a canção por nós cantada
A recordareis toda a vida.

A beleza transmitida
De pequenos corações
São os frutos que dão vida
A futuras gerações.

Vamos cantar-vos os Reis
Tradição que não nos esquece
São raízes do passado
Que o tempo não apodrece.

A cantar os Reis do povo
Estaremos a partilhar
Para o ano aqui de novo
Ver Vila Flor a cantar.

08 janeiro 2007

À descoberta... aceitam-se destinos!

Para os mais distraídos, na margem direita do Blogue há uma listagem das aldeias do concelho de Vila Flor. Podem ser seleccionadas até 4 aldeias e depois votar nelas como destino das minhas próximas visitas.
Farei os possíveis por respeitar o interesse dos visitantes do blogue, embora a minha ideia, seja visitar todas as aldeias e não só.
Neste momento têm 5 votos Freixiel e Vilas Boas.
Fica uma fotografia com Freixiel lá ao fundo, adormecida no seu vale.

Notícias


Hoje o dia foi cheio de acontecimentos e tinha muita coisa para contar. Acontece que a noite já vai muito avançada e amanhã é dia de trabalho. Deixo-vos os tópicos e uma bonita fotografia que tirei hoje (07) no alto da Serra do Facho.

De manhã havia muito nevoeiro, subi à Serra do Facho e fiquei por lá até às duas da tarde. Vistas de tirar a respiração...

De tarde houve Cantar dos Reis no auditório. Muita música, muita animação, prometo contar-vos como tudo se passou.

À noite o auditório encheu de novo, desta vez para ouvir fado. Mas que grandes vozes existem em Vila Flor!

Uma última novidade, o Blog bateu o recorde de visitantes. Obrigado a todos.

02 janeiro 2007

Terminei o ano em Folgares

Mesmo estando ausente de Vila Flor por uns dias, a vontade de descobrir esta bonita Terra em que habitamos, esteve sempre presente.
Passei os últimos dias do ano em Zedes, a minha terra natal. No dia 31 tinha que fazer um pouco de exercício para desgastar todos os excessos da nossa gastronomia tradicional que é tão boa.
A meio da manhã, a temperatura estava muito agradável, apesar do céu estar muito nublado. Procurei o calçado adequado e parti em direcção a Folgares, à Descoberta de Vila Flor, a pé.
Folgares fica a curta distância de Zedes, principalmente se seguirmos por caminhos rurais, que foi o que eu fiz. As pessoas de Zedes e Folgares são bons vizinhos e há mesmo laços familiares.
Pelo caminho recordei com nostalgia e saudade alguns dias de Inverno, a limpar pinheiros ou a cortar lenha, num pinhal que tínhamos, a poucos metros do termo de Folgares. No Alto dos Fenancais está um marco geodésico, 807 metros, um pouco mais adiante começa o concelho de Vila Flor, Freguesia de Freixiel. Aí está o campo de futebol de Folgares, é agradável o lugar, já aí joguei futebol.
um marco que mostra a divisória dos dois concelhos, não sei se são frequentes mas este é curioso.
Cortei à esquerda, lá ao fundo do vale está Pereiros e mais abaixo, Codeçais.
 À minha frente estendia-se um vale com uma beleza agreste inacreditável. Durante horas perdi-me olhando as rochas que desafiam as leis da natureza parecendo esperar um pouco de vento para tombarem, vale abaixo, pela Ribeira da Gricha, até Pereiros.
Penso que este vale perdido se chama Vale Covo, mas não está completamente perdido! Quando depois de cansado, subi de novo o vale para recomeçar o percurso para Folgares, encontrei um grupo de 5 caminheiros. Pensei tratar-se do grupo Ansiães Aventura mas tratava-se do Grupo de Montanhismo de Vila Real que faziam a sua Marcha de Fim de Ano.
Partiram de Codeçais e já se dirigiam a Felgueira. Troca de cumprimentos, alguns dedos de conversa, duas fotografias e cada um seguiu o seu caminho, no meu ia pensando – Porque é que não há um grupo de grupo assim em Vila Flor? A minha família ficava muito mais tranquila se eu partisse “à descoberta” acompanhado.
Cheguei a Folgares. Subi ao primeiro morro, à direita da estrada. Tinha uma visão completa da pequena aldeia e ainda avistava Freixiel, lá ao fundo, adormecida no vale. Estava na hora de almoço, o movimento era pouco.
Continuei a descer a aldeia até à capela de S. Luís. Sofreu obras à pouco tempo, parece nova, mas estava fechada. Continuei a descer pela Rua do Fundo do Povo. Muitas casas velhas, algumas mesmo abandonadas, mas que dão lugar a bonitas vivendas mais para o fim da aldeia. Mais um desafio subir ao monte Gralheira, mesmo junto à rua com o mesmo nome que tem 737 metros de altitude.
Daqui a vista perde-se por muitos concelhos, tem uma bonita vista sobre Freixiel e sobre Folgares. Ficava ali sentado, a respirar ar puro, por muito tempo, mas já era tarde e já começava a ter fome. Desci e comecei a subir a Rua António Trigo de Morais em direcção à Escola Primária.
Encontrei um jovem de doze anos com quem meti conversa. Frequenta a escola em Carrazeda de Ansiães mas no ano anterior tinha frequentado, com mais dois colegas, a escola da aldeia. Fotografei a escola e a nova paragem do autocarro (o rapaz fez questão) e depois parti para Zedes.

20 dezembro 2006

Alagoa, lá no alto...

Hoje, dia de mau tempo, de vagas de frio, de alerta de todas as cores, o dia esteve magnífico. Passei toda a manhã a olhar ao longe e a pensar – hoje tenho que ir dar um passeio.
Saí pouco depois das 2 da tarde. Como cheguei à conclusão que, durante o Inverno, é preferível evitar o Vale da Vilariça, decidi ir até Alagoa. Outra das razões foi porque, em conversa com alguns amigos, soube que Alagoa era o ponto mais alto do concelho de Vila Flor. Na verdade não está muito distante de Fonte Longa que é o ponto mais alto de Carrazeda de Ansiães.
Eu acreditava que o ponto mais elevado seria nos montes a Norte do Santuário da Nossa Senhora da Assunção, o Monte de S. Cristóvão ou a Serra do Faro, mas estes têm de altitude respectivamente 792m e 822m. Alagoa atinge os 852 metros na Capela de Nossa Senhora de Fátima.
Chegar a Alagoa não foi difícil. Depois de Vale de Torno (Vale Torno ou Valtorno?) subi à igreja matriz. Trata-se de uma igreja que apoiava os peregrinos que se deslocavam para Santiago de Compostela e onde se faz uma grande festa a Nossa Senhora do Castanheiro.
Continuei a subir até ao Cruzeiro dividindo a minha atenção por duas coisas: por um lado ia olhando para trás e admirando Valtorno, a sua exposição ao Sol, sempre a convidar à fotografia, por outro lado, olhava a grande extensão de área ardida que se estendia até perder de vista. Recordo que num dos dias, em Setembro, quando vim pela primeira vez a Vila Flor, a comunicação social falou de um grande incêndio que lavrava precisamente neste local. Foi uma grande perca.
Cheguei a Alagoa. Do lado direito o cemitério, do lado esquerdo a Escola Primária, muito bem orientada ao sol, com aquecimento central, um grande recinto à volta e com erva de metro no recinto. Infelizmente aqui já não aprendem nem brincam crianças. Mais à frente encontrei um nicho, muito interessante, com a inscrição “Promessa Nelson Trigo 1.1.1995”. Lá dentro está uma Senhora com um menino ao colo, que não consegui identificar.
Percorri as principais ruas da aldeia: Rua do Fundo do Povo, Rua dos Olmos, Rua da Capela, Rua Principal e segui pela Rua dos Cabeços. Cheguei ao Santuário da Nossa Senhora de Fátima com o campo de futebol ali ao lado. Aproveitei para passear os olhos por tudo à minha volta. Ali perto, Pena Fria e Fonte Longa mais acima. Mais longe Vilarinho da Castanheira com o seu Santuário de Nossa Senhora da Assunção. Mais para poente pareceu-me ver a silhueta do Castelo de Ansiães, em Lavandeira, não estou certo de que era mesmo. Para nascente, a Serra do Reborredo, sempre presente e, continuando a volta, a Serra de Bornes, que parece observar-me em todos os meus passeios.
Desci de novo à aldeia. De vagar fui-me aproximando da saída. Depois de um último olhar em que vi praticamente a aldeia recortada no céu com o Sol que me ofuscava, segui rapidamente até Mourão. Um pouco à sorte, atrás da igreja, virei à direita. Segui algumas centenas de metros e acabei por encontrar o cemitério. Mais alguns metros e encontrei uma paisagem magnífica. Lá ao fundo a Barragem Valtorno-Morão. Mais acima o Seixo de Manhoses recebia os últimos raios de Sol.
A temperatura descia rapidamente. Voltei à aldeia e desci rapidamente até Valtorno. De vez em quando tinha que esfregar a cara, o frio já era muito. Cheguei a Vila Flor ao cair da noite.

Quilómetros percorridos: 32
Total de quilómetros: 227
Total de fotografias: 3727

Nota: Na fotografia da igreja apaguei mais de uma dezena de fios eléctricos e alguns postes. Ficou muito mais agradável.