25 janeiro 2007

Finalmente S. Comba da Vilariça

Santa Comba da Vilariça dista 14 quilómetros da sede de concelho e situa-se no Vale da Vilariça, na margem direita da Ribeira da Vilariça. A origem da freguesia é muito antiga, talvez medieval havendo documentos que atestam a sua existência no século XIII. Grande na história, mantém ainda hoje alguma pujança. A estrada N102 (E802) aproxima a freguesia de outros pontos de desenvolvimento, permitindo o escoamento de produtos agrícolas que Santa Comba produz em quantidade e qualidade. São de destacar o azeite, o vinho, as laranjas, as hortaliças, etc.
Em termos de serviços, Santa Comba da Vilariça mantém a Escola Primária que ocupou de novo o edifício centenário, de 1865, recebendo alunos de outras aldeias. Também é uma das duas freguesias do concelho, juntamente com Freixiel, com um G.A.C. (Gabinete de Apoio ao Cidadão).
A importância da freguesia é atestada pelas casas apalaçadas e solarengas e os seus três cruzeiros medievais.
Os visitantesdo blog, pela sua votação, têm também feito alguma “pressão” para o meu retorno a Santa Comba onde já passei no dia 19 de Novembro último. A par de todas estas razões há mais uma, inegável, o Vale da Vilariça é um espaço único, em vários aspectos, no Nordeste trasmontano e talvez em Portugal.
O passeio começou pouco antes das 14 horas. Adivinhava uma viagem longa. A tarde estava luminosa, apesar de um vento por vezes forte e gelado que teimava em me empurrar sem sentido contrário àquele em queria seguir.
Comecei a tirar fotografias logo à saída de Vila Flor, no Barracão! A claridade do dia, as nuvens, o cheiro, tudo convidava à fotografar e para cada lado que olhava saltavam motivos. Fui parando vezes sem conta até chegar próximo do cruzamento para Vale Frechoso. Ali, deixei a bicicleta e subi a pé ao cabeço Flor da Rosa (643 metros de altitude). Com o frio a bater-me na cara (e por todo o corpo), deliciei-me com a visão à minha volta! Eram 360º de beleza de montes fascinantes, vales escuros, rio, barragens, capelas, até avistava Mirandela! Andei por ali perdido entre urze e carqueja, subindo aos talefe, sentando-me no chão, esgotando a memória da máquina fotográfica com “landscape”s capazes de fazer inveja a qualquer lugar no mundo.
Arranquei. Pára aqui, pára acolá, cheguei a Benlhevai. Um pequeno desvio e… onde está a aldeia?! Afinal é bem grande Benlhevai, vai dar um óptimo motivo fotográfico num outro passeio!
Desci à Trindade. O dia estava cada vez mais fresco. A solução foi pedalar com toda a força, fingindo estar na Volta a Portugal. Ainda parei para fotografar Valbom e fazer algumas panorâmicas do Vale.
Cheguei a Santa Comba bastante tarde. Entrei pela Rua da Fonte da Portela e encontrei logo ali o primeiro cruzeiro medieval. Segui pela avenida Fernando Campos Monteiro, Rua do Cordão, Rua do Cais e depois Monte do Calvário. Depois da Rua de S. Sebastião, encontrei a capela dedica ao mesmo santo. Aqui é o lugar privilegiado para se ver Santa Comba. Ao lado há um nicho em granito, vazio, encimado por uma formação um tanto ou quanto estranha, fazendo lembrar alguns locais de culto pagão muito antigos.
Desci pela Rua de S. Pedro, passei pelo Centro de Dia e Lar e de S. Pedro da Santa Casa da Misericórdia de Vila Flor e pelo segundo cruzeiro.
Cheirou-me a pão fresco. A Padaria S. Pedro estava mesmo ali. Pedi licença e entrei. Pão, moletes, bolas de azeite e até Bolo Rei, esperavam na estante para serem despachados a fim de serem vendidos por todo o concelho e arredores. A D. Julieta, primeiro surpresa e depois muito simpática, mostrou-me, com vaidade, os diferentes pães e bolos.
Continuei pela Rua do Emigrante, Casa da Renda, Rua de S. António e parei na Capela de S. António que ostenta a data de MDCCIL. Ali ao lado há um lagar de azeite, mas devido à diminuição de azeitona para ser transformada, já não labora todos os dias e estava parado. Desci ao que me parece ser o centro da freguesia, o local onde se encontra a Escola Básica de 1.ºCiclo, a Junta de Freguesia e o coreto, o Largo das Eiras. Surpreendeu-me a escola! Imponente, de granito, recuperada à pouco tempo. Soube já hoje que carece de um espaço para as crianças brincarem. Não admira. Quando foi construída as crianças brincavam em qualquer lado. Sempre era melhor brincar fora da escola onde os dois sexos podiam conviver.
Ainda eram visíveis os vestígios do que deve ter sido uma grande fogueira de Natal.
Passei a Ribeira da Fonte de Ordem, admirei algumas oliveiras, que devem ser centenárias, laranjeiras e encontrei o terceiro cruzeiro, aquele que me parece mais rico na ornamentação. Aqui há novas e bonitas habitações. Mais abaixo encontrei a Escola Primária agora a funcionar como Jardim-de-infância.
Percorri a Avenida Lucinda Pereira e junto ao posto de abastecimento de gasolina apanhei de novo a estrada N102. Lá longe, ao fundo do Vale, onde o Douro corre pachorrentamente, brilhava o último clarão de luz solar. Estava atrasado.
O mais rápido que fui capaz, cheguei a Lodões. Ainda pensei repetir as fotografias que aí tirei há dois meses atrás, mas não foi possível. Começou a cair a noite quando subia em direcção a Roios. Liguei as luzes de presença e tirei o colete com faixas florescentes que trago na mochila. Pausadamente, fui subindo e a luz descendo. Até que nem é desagradável andar de bicicleta à noite, não fora o frio que me gelava a cara.
Chegado a Roios, pensava eu que seria fácil ir até Vila Flor! Para além da estrada continuar a subir, está cheia de buracos, o que me atrasou ainda mais.
Entrei em Vila Flor perto das dezanove horas, cansado, mas satisfeito. Foi uma tarde em cheio, daquelas que vai demorar muito esquecer.

Quilómetros percorridos de bicicleta: 44
Total de quilómetros de bicicleta: 347
Total de fotografias: 6060

24 janeiro 2007

Quando o Sol brilha...



Hoje o passeio foi longo: Benlhevai, Trindade, Valbom, Santa Comba, Lodões, Roios e Vila Flor. Cheguei a casa de noite. Não porque me faltassem as forças, ou pelos quilómetros percorridos, mas sim porque, quase metro a metro, me apetecia parar para registar toda a luz e beleza que que a minha visão recebia.

Esta fotografia é um exemplo. Perto de Vale Frechoso, olhando para o Vale, o vento e o frio não foram suficientes para me afastar desta visão magnífica.

Amanhã há mais.

23 janeiro 2007

A aventura continua


Queria agradecer a todos os que me incentivam, no blog, no trabalho e pela rua. Cada visita, cada passeio, é único. As marcas de deixa vão além das dezenas, centenas de fotografias, algumas admiráveis, que organizo com carinho.
Já penso nos próximos percursos. Quem sabe descer até ao vale, bem próximo de Bornes que por vezes se enrola em novelos de algodão. Já vejo Santa Comba, ali no canto, esperando por mim!

22 janeiro 2007

À descoberta de Vilarinho das Azenhas

No dia 21 de Janeiro fui ao Vilarinho das Azenhas. De repente, este começou a ser o destino com mais pontos na votação no Blog e também sentia uma certa curiosidade em conhecer esta terra da qual não lembrava mesmo nada (já passei várias vezes na Linha do Tua de comboio).
O dia estava muito desagradável. Muito frio, muito nevoeiro e com ameaças de piorar ainda mais.
Saí a meio da manhã, carregando também algumas sandes e fruta para combater a fome, num percurso que se adivinhava mais longo. Ao chegar perto de Vilas Boas o nevoeiro diminuiu e comecei a ganhar esperança. Depois, já na estrada de Vilarinho das Azenhas, o nevoeiro desapareceu da estrada apesar de, durante todo o dia, ter ficado a rondar o Cabeço da S. da Assunção, o Cabeço de S. Cristóvão e a Serra do Faro.
Cedo pude ver a aldeia lá ao fundo, junto do Rio Tua, meia adormecida no manto de nuvens que não deixava o sol secar os toldes e sacos da azeitona estendidos, despedindo-se da faina. A descida foi rápida e a temperatura ambiente subiu um pouco. Ao longo da descida foi tomando forma o monte onde se ergue o Santuário da Senhora dos Remédios. O caminho para o santuário tem início nas primeiras casas da aldeia. Vacilei um pouco, a subida ia requerer muito esforço. Depois de uma luta interior comecei a subida, controlando as forças que ainda seriam muito necessárias. O esforço valeu a pena. Apesar do dia não estar como eu o desejava, a paisagem que se avista enquanto se sobe, ou depois de chegar ao santuário, é algo de muito belo.
Parei várias vezes, passando os olhos pela paisagem mais próxima ou mais afastada e deixei arrastá-los pelas águas do Rio Tua que correm fartas mas tranquilas, não fora alguma açude das antigas azenhas que deram o nome à povoação.
O santuário tem um largo bastante grande que imaginei repleto de gente, música, cor e alegria, na festa a Nossa Senhora dos Remédios, no primeiro domingo de Setembro. Quanto se deve agradecer uns goles de água depois de percorrer toda a subida em procissão!
No santuário há um coreto, uma casa dos milagres e a capela que apenas pude admirar no exterior (não resisti a puxar a corda e dar duas badaladas no sineta). O campanário é em granito, com desenhos gravados e encimado por uma cruz (já incompleta) com Cristo pregado. Pareceu-me estar em alto relevo nele o ano de 1715.
Junto ao coreto, muito rudimentar, há umas escadinhas que descem para uma zona de mato onde há um grande aglomerado de pedras soltas. Não sei se trata de algumas ruínas ou de paredes de terrenos agrícolas. A povoação é muito antiga talvez anterior ao século XII.
Desci calmamente e entrei na aldeia pela Rua das Alminhas. Passei por uma fonte onde três grandes peixes vermelhos e alguns escuros, passeavam meios adormecidos pela água fria. Ao lado havia dois tanques públicos para lavar a roupa. Seguia questionando-me do nome da rua quando encontrei umas alminhas muito singelas com os dizeres: “Ó vós que ides passando, olhai para nós e ide rezando”. Encontrei também uma casa com um bonito arranjo de antiguidades.
Virei à esquerda e subi um pouco a Rua Cimo do Povo. Depois de uma rápida visita desci em direcção à igreja. Pelo caminho passei na Casa das Azenhas, onde se faz Turismo Rural. Continuei e entrei na igreja. Era Domingo e a chave estava na porta, coisa pouco habitual nas localidades que tenho visitado. A igreja, dedicada a Santa Justa, é pequena mas muito bonita. Como em todas as igrejas, S. Bárbara tem lugar de destaque. S. Justa ocupa o lado direito do altar mor. Numa parede lateral, a meio da igreja está, Nossa Senhora dos Remédios. Há também imagens de Nossa Senhora de Fátima, S. José e o Menino, Cristo na Cruz, uma outra que não consegui identificar (será outra imagem de Nossa Senhora dos Remédios?) e mais duas pequenas imagens. Debaixo do altar estava um bonito presépio recordando as celebrações do Natal.
Continuei a descer a aldeia. Encontrei bonitas casas tradicionais, em ruínas, a cair aos bocados. Na Rua da Capela encontrei a capela do Espírito Santo, pequena, num largo bem cuidado.
À direita havia um café e à esquerda um nicho com a Sagrada Família. Apeteceu-me um café mas continuei. Desci até ao rio. Tem um grande caudal e deliciei-me a observar a açude de uma antiga azenha. À procura da ângulos favoráveis deparei com um curso de água que desaguava no Rio Tua. Foi a primeira tristeza da tarde. A água estava muito porca, muito poluída, apresentando mesmo grandes quantidades de gordura. Não vi em volta nenhum lagar de azeite, mas o aspecto da água revoltou-me. Decidi continuar até à estação dos comboios. O panorama também não era o melhor. Lixo, pinturas nas paredes, degradação e tristeza. Avancei até à ponte que permite a ligação a várias freguesias do concelho de Mirandela. O lugar é aprazível e aproveitei para comer o meu “almoço” ao som genuíno da orquestra do rio.
Ouvia os carros a passar mais acima mas não há nenhuma ligação a essa estrada, tinha que voltar à aldeia. Ali perto descobri um carreiro pelo monte que permitiu subir até à estrada N604 que me levou ao Cachão.
Esta estrada tem locais com lindas vistas sobre o rio com as escarpas rochosas à volta e a linha do comboio a acompanhar. Infelizmente também parece atrair muita gente sem respeito que despeja grandes quantidades de toda a espécie de lixos, incluindo muitos pneus e electrodomésticos. É incompreensível que pessoas que gostem da sua terra a cubram de lixo!
Chegado ao Cachão, no concelho de Mirandela, estava na hora de regressar. Ainda fiz algumas paragens para admirar Meireles, algumas rochas, medronheiros e a Quinta da Veiguinha. Cheguei a casa perto das cinco da tarde. Foi um grande passeio sempre rodeando aquele conjunto de montanhas que continuam a provocar-me para mais umas “descobertas”.

Quilómetros percorridos de bicicleta: 34
Total de quilómetros de bicicleta: 303
Total de fotografias: 5520

21 janeiro 2007

Vilarinho das Azenhas



Hoje o passeio foi a Vilarinho das Azenas. Junto ao Rio Tua, na calma de uma tarde fria de Inverno, descobri alguns recantos desta pequena aldeia. Enquanto preparo a ilustração da viagem, deixo uma fotografia com uma vista parcial da aldeia, conseguida quando fazia a minha subida ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

18 janeiro 2007

Castro de Freixiel

No dia 15 fiz uma visita ao Castro de Freixiel. O tempo estava frio e com bastante nevoeiro. Pensei que em Freixiel não haveria nevoeiro mas até aí a visibilidade era muito pouca. Desta vez fui de carro até à entrada da aldeia. Perguntei a um agricultor a localização do Castro. Ele conhecia bem a zona e indicou-me a localização exacta que não é muito distante da aldeia. Foi logo avisando que não ia encontrar grande coisa. Lembrava-se ainda de algumas partes de muralha com os pórticos de entrada, que foram sendo destruídos com os anos. Confirmou-me que muitas pedras foram retiradas para a construção das casas da aldeia e que algumas pedras de mais valor também foram recolhidas. É o caso de duas pedras que se encontram na casa junto à Igreja e recentemente adquirida por esta.

O Castro do Castelo, situa-se numa pequena elevação, com grandes penedos de granito por todo o lado. Era constituído pelo reduto propriamente dito e por duas linhas de muralhas para defesa.

Os meus conhecimentos nesta área são muito poucos e não tinha grandes expectativas. Esperava encontrar algo do género do que vi no dia 13 no castro de Vale de Águia, em Miranda do Douro.

De início fiquei um pouco confuso. Havia paredes recentes, oliveiras bastante novas mas não encontrava nada além de pedras desorganizadas em grande quantidade. Aqui e ali fui encontrando algumas pedras alinhadas, vestígios de algumas muralhas, largas e que deviam ser bastantes seguras. Encontrei também indícios de uma muralha com pedras maiores, já trabalhadas, que mostram que a área foi ocupada durante bastante tempo.

Andei pelo meio das rochas toda a tarde. O nevoeiro foi ficando pior e caíam algumas gotas de água. Subi mais um pouco a encosta com ideia de me vir embora. Foi aí que encontrei os vestígios mais evidentes. Uma outra muralha de pedras e terra e ruínas de pequenas casas ainda muito bem identificáveis. Agradecia-se a presença de um entendido, havia ali muita coisa para “ler”.

Abandonei o local em direcção à aldeia. Não fiquei muito satisfeito com o passeio: o tempo esteve mau; a luz horrível; molhei-me todo; só descobri as coisas mais interessantes quando vinha embora. Este passeio serviu apenas de reconhecimento. Acredito que numa outra visita tudo vai correr melhor.

17 janeiro 2007

Ainda os Reis

Foi com muito entusiasmo que vivi a Gala dos Reis, em Vila Flor no dia 7 de Janeiro. Depois da reportagem que aqui coloquei, algumas pessoas fizeram questão de me fazer chegar as quadras que cantaram. Os meus agradecimentos.
Ficam os versos da actuação do grupo que representava a Escola de Música Zécthoven e do grupo que representou Seixo de Manhoses.
Escola de Música Zécthoven
Arranjos e orquestração: José Cordeiro

Boas Festas

Boas Festas, Boas Festas
Nós aqui viemos dar
À casa destes senhores,
Se as quiserem aceitar.

Vinde dar-nos as Janeiras,
Se vontade houver de dar.
Nós somos de muito longe,
Nós podemos cá voltar.

Na escolinha do Zécthoven
Aprendemos a tocar (e a cantar),
Instrumentos variados
Para vos vir animar (e saudar).

Repete a 1.ªquadra

Uns Magos Vindos do Além

Uns magos vindos do além
Da terra do sol nascente
Vão em busca de Belém
Cada um com seu presente.

Acompanhemos seus passos
Cantando, olhando os céus.
Ergamos também os braços
Em gestos de glória a Deus.

Com ouro, mirra e incenso,
Em arcas arrecadados,
Tomam o caminho imenso,
Por uma estrela guiados.

Apesar de reis e sábios
De terra em terra lá vão,
Levam mudos os seus lábios,
Só desperto o coração.

Não temem feras nem ventos:
Ao sinal das profecias,
Todos os seus pensamentos
Se concentram no Messias.

Seixo de Manhoses

I
Ó de Casa Nobre Gente,
Escutai e ouvireis:
Das Bandas do Oriente,
São chegados os três REIS!

Coro
Os 3 REIS como eram Santos!
Uma Estrela Os Guiou!
Ao Chegarem à Cabana,
A estrela se Baixou.

II
Já os 3 REIS são Chegados,
Das Bandas do Oriente!
Visitar o Deus Menino,
Alto Deus Omnipotente!

III
Viemos dar Boas Festas,
Que são Festa de Alegria!
Já Nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria!

IV
Viemos dar Boas Festas,
Com Alegria e Amor,
Viemos Cantar os REIS,
Às gentes der Vila Flor!

V
Quem vem aqui de tão longe,
De certo não Vos quer mal.
Viva a Gente que aqui está!
Vivam Todos em Geral!

VI
Senhora que estais lá dentro,
Sentadinha à Lareira,
Deitai a mão ao fumeiro,
E dê p´ra cá uma Alheira!

VI
Senhora Dona de Casa,
Encostada a um cortiço,
Deite a mão ao seu Fumeiro,
E dê p’ra cá um chouricho!

VII
Se nos querem dar os REIS,
Não se estejam a demorar,
Nós somos de muito longe,
Temos muito que andar!

VIII
Despedida, despedida
Trazemos figos e nozes,
Para quem não nos conheça,
Somos de Seixo de Manhoses.

Nasceu a alegria - Marujinho

Coro
Sou marujinho
Que andava no mar
E as Boas FestasViemos dar.
Sou marujinho
Que andava à aprender
E os santos Reis
Viemos trazer.

Pelo dia de Janeiro
Quando o dia amanhecia,
Baptizaram o menino
Filho da Virgem Maria.

S. José passou por pai,
Por padrinho S. João,
Santa Isabel por madrinha,
Que lindos padrinho são.

Lá no céu vem uma estrela
Formada na maravilha.
Lá no meio do caminho
Estava a Virgem Maria.

Quando os Santos Reis souberam
Da vinda de Jesus Cristo,
Aceleraram seus cavalos
Foram a fazer serviço.

Que cavaleiros são esses
Que andam à beira do rio,
São aqueles três Reis Magos
Que adoram o Menino.

Que adoram o Menino
Cada um por sua vez,
A cabana era pequena
Não cabiam todos três.

Esta casa é bonita
Forrada a papelão,
Viva quem nela passeia
Deus lhe dê a Salvação.

14 janeiro 2007

O Blogue foi...(é) notícia!

O Blogue "À Descoberta de Vila Flor" foi notícia no jornal NORDESTE - Semanário Regional de Informação. Na Edição n.º544 de 9 de Janeiro, na secção Lazer, mostra um printscreen de 8 de Janeiro com o título "À Descoberta de Vila Flor" e o endereço do blogue em destaque.
Pela minha parte, apenas posso manifestar disponibilidade para continuar a Descoberta e a partilha com todos os que quiserem "vir comigo".
Eu, e penso que Vila Flor também, agradecemos ao jornal Nordeste.

12 janeiro 2007

À descoberta de Freixiel

O passeio a Freixiel já estava a faltar. É uma das maiores aldeias do concelho e também uma das mais ricas em história. Vila e sede de concelho desde o séc. XII (até 1836), aí se fixaram muitas famílias abastadas havendo um número significativo de casas senhoriais.
Conhecia um pouco de Freixiel, posso até dizer que é a aldeia que melhor conheço do concelho de Vila Flor. Já aí joguei futebol várias vezes, frequentei os arraiais ou passei em visita turística com a família.
Saí de Vila Flor um pouco mais tarde que o habitual, por isso não fiz praticamente nenhuma paragem até chegar a Freixiel. Quando atravessei a Ribeira Redonda bem me apeteceu ficar por ali. Tenho a certeza que essa ribeira me proporcionaria boas imagens, mas continuei.
Junto ao cruzeiro, cortei à esquerda, passei por trás do cemitério em obras e pedalei para a famosa Forca. O caminho está calcetado (já faz algum tempo). Na Forca havia algumas novidades: placas explicativas do monumento e da história da própria aldeia. Numa placa pode ler-se que o lugar se chama “Portela da Forca” e que estamos perante um imóvel de interesse público (desde 1958). Num painel há uma bonita fotografia panorâmica da aldeia, assinalando diversos pontos de interesse. Não é fácil encontrar tanta informação nos pontos turísticos, nem mesmo na sede de concelho. Faço apenas um reparo: o painel com a vista panorâmica da aldeia tapa parcialmente a forca e estraga as fotografias. Não sei se era possível fazer melhor, mas incomodou-me.
Desci um pouco e pela Rua do Ribeirinho cheguei à Fonte Romana e Fonte das Bicas, não sem antes ter passado por uma janela manuelina que já tinha fotografado há quase 20 anos atrás.
A Fonte Romana, tal como outras no concelho, é medieval. O potencial fotogénico deste agradável conjunto perde-se num emaranhado de postes e fios eléctricos. Fiz um conjunto de fotografias e dirigi-me para o centro da aldeia. Para mim o centro da aldeia é o Pelourinho. Símbolo da autonomia administrativa, em granito, com mais de seis metros de altura é encimado por um capitel quadrangular. Uma das faces apresenta-se picada. Diz o povo que foi aquando das invasões francesas, mas, o mais certo, é esse facto estar ligado a mudanças políticas e administrativas.
Como habitualmente, neste lugar, um grupo de idosos jogava as cartas. Mais ao longe ainda se ouviam os gritos das crianças no recreio da escola.
Atravessei a ribeira que vem da Cabreira e segui em direcção ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário. Da última vez que aí estive, andavam a pavimentar o largo. E eu que aqui sujei tanto os meus sapatos nos arraiais do Verão…
À medida que o Sol se aproximava de Folgares, as casas iam ganhando tonalidades mais quentes e o Vale da Cabreira enchia-se múltiplos planos em tons de azul-verde. Os meus olhos (e a câmara) rodavam, não querendo perder nada, desde a “porta” que se abre para o Rio Tua, percorrendo o centro da aldeia, seguindo pela Rua Queimada para subir pelo vale até ao alto do Pé-de-cabrito.
Quando algumas chaminés começaram a cuspir fumo compreendi que estava na hora de sair dali.
Cheguei de novo ao Pelourinho, a geada já queimou os Manueis que aqui fotografei há algum tempo atrás. Ali perto está a Associação e a Junta de Freguesia. Lembrei-me do GAC (Gabinete de Apoio ao Cidadão). Será que é ali que funciona?
Não entrei, as sombras já começavam a cobrir as ruas de paralelo (Casa do Concelho) que me conduziram por cafés, casas brasonadas, recantos cheios de história com pedras que testemunharam a evolução dos tempos e das pessoas.
Dirigi-me à igreja matriz. Perto dela está a Capela de Santo Cristo onde algumas pessoas, de semblante carregado, velavam algum ante querido falecido. A igreja domina todo o vale à sua volta. De qualquer ponto que olhemos para Freixiel, ela está lá, elevada, marcando o ritmo do tempo e convidando à oração.
A luz faltava. Pedalei tentando alcançar a os últimos raios de Sol que subiram rapidamente da Ponte do Vieiro, pela Quinta da Serra até ao talefe.
Aqui e além parava. Olhava para trás e dividia-me entre a vontade de ficar a gozar toda a paz e beleza que o cenário me transmitia e a necessidade de subir, pouco a pouco até ultrapassar a Ribeira de Brunhais. Depois, foi “voar” até casa.

Quilómetros percorridos de bicicleta: 24
Total de quilómetros de bicicleta: 269
Total de fotografias: 5070

Freixiel 3

Ao longo do dia de hoje conversei com algumas pessoas de Freixiel tentando compreender e clarificar algumas coisas que vi ontem nessa aldeia. Muitas vezes, o visitante, vê coisas que os habitantes na rotina do dia a dia não se apercebem ou não ligam importância.
Uma das coisas que me chamou a atenção foi a escultura da fotografia ao lado. Encontra-se embutida numa parede recente, mas parece ter sido achada numa zona onde se pensa existir um castro, bem próxima da aldeia. Acontece que, quando a vi, pareceu-me ver com clareza o que representava. Depois de falar com alguns residentes, fiquei baralhado! Não tinham a mesma ideia que eu!

O que é que representa? Quem sabe mais sobre esta "pedra", que nos possa ajudar?

Nota: tenho tido algum problemas na actualização/manutenção do blog. Espero que estas dificuldades técnicas desapareçam rapidamente.

10 janeiro 2007

Freixiel 2



Hoje o passeio foi a Freixiel. Respeitando a votação no Blogue e aproveitando o dia de sol que hoje tivemos aqui pelo Nordeste fui até Freixiel à procura de novas fotografias.
Logo que possa, faço a reportagem do passeio. deixo uma fotografia panorâmica (6 ou 7 coladas) com uma vista sobre a aldeia.

09 janeiro 2007

Num reino maravilhoso 1

Depois de ver a quantidade de visitantes que este Blog tem recebido nestes últimos dias não resisti a partilhar mais duas fotografias. Decidi chamar a este post N"um reino maravilhoso" roubando as palavras de alguém mais sábio, porque é disso que realmente se trata. Ninguém fica mais hipnotizado do que eu, quando os olhos esbarram com tanta beleza!
Uma das fotografias foi tirada recentemente no alto da Serra do Facho. O nevoeiro a as núvens misturam-se num bailado com muitos momentos rápidos, belos e enesquecíveis. A outra, foi no Mourão, por trás do cemitério, quando os últimos raios de Sol chegavam ao Vale da Vilariça. A Junqueira, lá ao fundo, prepara-se para adormeçer aquecida pelos tons quentes de luz no entardecer frio de Inverno.