Santa Comba da Vilariça dista 14 quilómetros da sede de concelho e situa-se no Vale da Vilariça, na margem direita da Ribeira da Vilariça. A origem da freguesia é muito antiga, talvez medieval havendo documentos que atestam a sua existência no século XIII. Grande na história, mantém ainda hoje alguma pujança.
A estrada N102 (E802) aproxima a freguesia de outros pontos de desenvolvimento, permitindo o escoamento de produtos agrícolas que Santa Comba produz em quantidade e qualidade. São de destacar o azeite, o vinho, as laranjas, as hortaliças, etc.Em termos de serviços, Santa Comba da Vilariça mantém a Escola Primária que ocupou de novo o edifício centenário, de 1865, recebendo alunos de outras aldeias. Também é uma das duas freguesias do concelho, juntamente com Freixiel, com um G.A.C. (Gabinete de Apoio ao Cidadão).
A importância da freguesia é atestada pelas casas apalaçadas e solarengas e os seus três cruzeiros medievais.Os visitantesdo blog, pela sua votação, têm também feito alguma “pressão” para o meu retorno a Santa Comba onde já passei no dia 19 de Novembro último. A par de todas estas razões há mais uma, inegável, o Vale da Vilariça é um espaço único, em vários aspectos, no Nordeste trasmontano e talvez em Portugal.

O passeio começou pouco antes das 14 horas. Adivinhava uma viagem longa. A tarde estava luminosa, apesar de um vento por vezes forte e gelado que teimava em me empurrar sem sentido contrário àquele em queria seguir.
Comecei a tirar fotografias logo à saída de Vila Flor, no
Barracão! A claridade do dia, as nuvens, o cheiro, tudo convidava à fotografar e para cada lado que olhava saltavam motivos. Fui parando vezes sem conta até chegar próximo do cruzamento para Vale Frechoso. Ali, deixei a bicicleta e subi a pé ao cabeço Flor da Rosa (643 metros de altitude). Com o frio a bater-me na cara (e por todo o corpo), deliciei-me com a visão à minha volta! Eram 360º de beleza de montes fascinantes, vales escuros, rio, barragens, capelas, até avistava Mirandela!
Andei por ali perdido entre urze e carqueja, subindo aos talefe, sentando-me no chão, esgotando a memória da máquina fotográfica com “landscape”s capazes de fazer inveja a qualquer lugar no mundo.Arranquei. Pára aqui, pára acolá, cheguei a Benlhevai. Um pequeno desvio e… onde está a aldeia?! Afinal é bem grande Benlhevai, vai dar um óptimo motivo fotográfico num outro passeio!
Desci à Trindade. O dia estava cada vez mais fresco. A solução foi pedalar com toda a força, fingindo estar na Volta a Portugal. Ainda parei para fotografar Valbom e fazer algumas panorâmicas do Vale.
Cheguei a Santa Comba bastante tarde. Entrei pela Rua da Fonte da Portela e encontrei logo ali o primeiro cruzeiro medieval. Segui pela avenida Fernando Campos Monteiro, Rua do Cordão, Rua do Cais e depois
Monte do Calvário. Depois da Rua de S. Sebastião, encontrei a capela dedica ao mesmo santo. Aqui é o lugar privilegiado para se ver Santa Comba. Ao lado há um nicho em granito, vazio, encimado por uma formação um tanto ou quanto estranha, fazendo lembrar alguns locais de culto pagão muito antigos. 
Desci pela Rua de S. Pedro, passei pelo Centro de Dia e Lar e de S. Pedro da Santa Casa da Misericórdia de Vila Flor e pelo segundo cruzeiro.
Cheirou-me a pão fresco. A Padaria S. Pedro estava mesmo ali. Pedi licença e entrei. Pão, moletes, bolas de azeite e até Bolo Rei, esperavam na estante para serem despachados a fim de serem vendidos por todo o concelho e arredores. A D. Julieta, primeiro surpresa e depois muito simpática, mostrou-me, com vaidade, os diferentes pães e bolos.
Continuei pela Rua do Emigrante, Casa da Renda, Rua de S. António e parei na Capela de S. António que ostenta a data de MDCCIL. Ali ao lado há um lagar de azeite, mas devido à diminuição de azeitona para ser transformada, já não labora todos os dias e estava parado. Desci ao que me parece ser o centro da freguesia, o local onde se encontra a Escola Básica de 1.ºCiclo, a Junta de Freguesia e o coreto, o Largo das Eiras.
Surpreendeu-me a escola! Imponente, de granito, recuperada à pouco tempo. Soube já hoje que carece de um espaço para as crianças brincarem. Não admira. Quando foi construída as crianças brincavam em qualquer lado. Sempre era melhor brincar fora da escola onde os dois sexos podiam conviver.
Ainda eram visíveis os vestígios do que deve ter sido uma grande fogueira de Natal.Passei a Ribeira da Fonte de Ordem, admirei algumas oliveiras, que devem ser centenárias, laranjeiras e encontrei o terceiro cruzeiro, aquele que me parece mais rico na ornamentação. Aqui há novas e bonitas habitações. Mais abaixo encontrei a Escola Primária agora a funcionar como Jardim-de-infância.
Percorri a Avenida Lucinda Pereira e junto ao posto de abastecimento de gasolina apanhei de novo a estrada N102. Lá longe, ao fundo do Vale, onde o Douro corre pachorrentamente, brilhava o último clarão de luz solar. Estava atrasado.
O mais rápido que fui capaz, cheguei a Lodões. Ainda pensei repetir as fotografias que aí tirei há dois meses atrás, mas não foi possível. Começou a cair a noite quando subia em direcção a Roios. Liguei as luzes de presença e tirei o colete com faixas florescentes que trago na mochila. Pausadamente, fui subindo e a luz descendo. Até que nem é desagradável andar de bicicleta à noite, não fora o frio que me gelava a cara.

Chegado a Roios, pensava eu que seria fácil ir até Vila Flor! Para além da estrada continuar a subir, está cheia de buracos, o que me atrasou ainda mais.
Entrei em Vila Flor perto das dezanove horas, cansado, mas satisfeito. Foi uma tarde em cheio, daquelas que vai demorar muito esquecer.
Quilómetros percorridos de bicicleta: 44
Total de quilómetros de bicicleta: 347
Total de fotografias: 6060









À procura da ângulos favoráveis



















