23 março 2007

Vila Flor passado e presente



Quem ainda não visitou a Exposição Vila Flor em Memória – Cortejo de Oferendas 1949-1951 deve aproveitar a oportunidade, antes que a mesma seja encerrada. É uma boa amostra da Vila Flor de outros tempos. As fotografias são deliciosas e algumas com muito boa qualidade.
Hoje transcrevo uma canção do Grupo de Vila Flor, do Cortejo das Oferendas de 1949.
Acompanho os versos do vira com duas fotografias da Vila. A primeira é uma vista muito conhecida, mas sempre bonita, de uma zona que bem podia apresentar este especto em 1949. A segunda representa uma das ruas mais antigas de Vila Flor, bem perto do Arco de D. Dinis, onde se pensa que tenham vivido judeus, há alguns séculos atrás.

I
Das Vilas de Trás-os-Montes
Para mim é um amor
Andar com ela ao colo
Aos beijos a Vila Flor

Refrão:
Ó vira que vira
E torna a virar
As voltas do vira
Só eu as sei dar

II
As capelinhas do Lemos
E a de São Sebastião
Os mais lindos arraiais
Dos tempos que já lá vão

III
Cachopas entrai
Na roda que vira
Quem entra não sai
Na roda do vira

IV
Rapazes e raparigas
Dançai o vira ligeiro
Ao som das vossas cantigas
O vira é traiçoeiro

22 março 2007

Solar dos Aguilares


Pretendia começar uma volta pelos solares mais importantes do concelho. Depois de ler um pouco sobre o assunto optei por começar por este - Solar dos Aguilares. Além de ser dos mais antigos senão o mais antigo (possivelmente do séc. XV aparecendo também como do séc. XIII) , é sem dúvida aquele que tem um papel de maior relevo na história do concelho.
Este solar situa-se no Largo Dr. Alexandre de Matos (e na Rua Baltazar Correia de Morais). O nome de Solar dos Aguilares vem-lhe do facto de ter pertencido aos Aguilares, primeiros donatários de Vila Flor.
Apresenta as armas reais na fachada principal e na fachada a poente a Flor de Liz rodeada de quatro águias (símbolo dos Sampaios) e outro brasão com a Flor de Liz, símbolo da vila.
Neste edifício funcionaram os Paços do Concelho até 1937. Aqui funcionou também a prisão a Biblioteca e o Museu.
Actualmente funciona apenas como Museu, fundado em 1957, tendo sido alvo de alguma interversão no interior mas mantendo toda a traça do edifício.
Em frente no "Largo do Pelourinho" esteve em tempos o Pelourinho de Vila Flor que depois foi desmontado, abandonado e restaurado em 1937, ocupando o lugar onde actualmente se encontra.

21 março 2007

Ó Senhora da Assunção


Tal como alguém recordou, hoje, além de se celebrar o Dia Mundial da Floresta, é também o Dia Mundial da Poesia. Deixo um conjunto de quadras recolhidos por Sofia Gonçalves, dedicadas à Nossa Senhora da Assunção (Santuário de Vilas Boas).

Ó Senhora da Assunção
Que estais lá no cabecinho
Botai a vossa bênção
A quem vai cá no caminho.

Ó Senhora d’Assunção
Que estais no cimo do vale,
Bem podeis vós, Senhora,
Dar saúde a quem tem mal.

Ó Senhora d’Assunção
Quem vos varreu o terreiro?
As meninas de Vilas Boas
Com raminhos de lilás.

Ó Senhora d’Assunção
Senhora tão pequenina
Comadre da minha mãe
Senhora minha madrinha.

Ó Senhora da Assunção
Que dais aos vosso romeiros?
- Dou-lhe água da minha fonte
Sombra dos meus castanheiros.

A Senhora d’Assunção
Tem um galo no seu sino
Cada vez que o galo canta
Ela afaga o Menino.

A Senhora d’Assunção
Tem um tear à janela
Quando o sol vem porta a dentro
Todo o fiado lhe quebra.

A senhora d’Assunção
Tem um vestido de seda
Que lhe compraram os anjos
Na feira de Carrazeda.

A Senhora d’Assunção
Tem uma fita amarela
Que lhe trouxeram os soldados
Quando vieram da guerra.

Ó Senhora d’Assunção
Eu p’ró ano lá hei-de ir,
Ou casado ou solteiro
Ou mulinho de servir.
Sofia Gonçalves

A chegada da Primavera em terra que é Flor


A chegada da Primavera sempre foi e será um momento para festejar. O Equinócio de Primavera é um acontecimento muito comemorado em várias culturas onde a nossa Páscoa vai buscar algumas raízes.
Numa vila que é Flor, a chegada de Primavera tem um significado especial. Quando D. Dinis passou pela Póvoa de Além Sabor a caminho de um encontro amoroso nas Terras de Miranda, deve te-lo feito nesta altura do ano, porque decidiu mudar-lhe o nome. No foral concedido em 24 de Maio de 1286, pelo próprio D. Dinis, é imortalizado o nome - Vila Flor.
Os tempos mudaram. Ninguém passa por estas terras de charrete a caminho de um encontro amoroso, com noivas do outro lado da fronteira. Mas, a terra, mantém o mesmo encanto, o mesmo colorido, o mesmo perfume.
A mostrá-lo está este bouquet em versão moderna, (Wallpaper) de flores selvagens, que eu "colhi" durante o mês de Março.

19 março 2007

No dia 18 de Março fui a Freixiel



No dia 18 de Março fui a Freixiel participar na I – Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais mas a vertente descoberta e aventura não ficou descurada. Saí de bicicleta, a meio da manhã com o almoço na mochila. Segui até Samões e, antes de chegar a Carvalho de Egas, meti por uma caminho à direita que pensei (e bem) que me conduziria a Freixiel.
O percurso é agradável e a Natureza está cada vez mais desperta, cheia de sons, luz e cor. Já não há flores nas amendoeiras, mas, em cada palmo de terra, despontam pequenas maravilhas de todas as cores.
A certa altura, mais ou menos a meio do percurso, encontrei uma ribeira com bastantes quedas de água. Subi e desci uma parte do curso procurando um lugar para algumas fotografias. O sol do meio-dia em contraste com os pontos sombrios, não permitiu captar toda a beleza, mas vale bem a pena visitar este local.
Continuei a descida. De repente, numa curva, encontrei um bom grupo de pessoas e reconheci no meio delas alguns rostos. Tratava-se do Grupo de Montanhismo de Vila Real, na sua Marcha da Primavera – 93.ª Marcha da Juventude. Já nos tínhamos encontrado, em Dezembro, em Folgares! Troquei com eles dois dedos de conversa e continuei a descida até Freixiel, deixando-os almoçar, tranquilamente, à sombra dos sobreiros.


Entrei em Freixiel junto à Capela de S. Sebastião, a nascente da aldeia. Esta capela tem um arco gótico e foi mandada construir por D. Manuel I, no séc. XVI.
Dirigi-me rapidamente ao Largo de Pelourinho. Estava na hora de almoço e tive facilidade em fotografar os artigos expostos sem o burburinho das pessoas. Para surpresa minha, fui reconhecido, o que me valeu um bom prato de arroz doce para sobremesa do “almoço”!
Reencontrei amigos, pessoas que já conhecia e conheci novas, todas sorridentes, cheias de alegria como se deve estar num dia de festa. Conversei com o escultor Bruno, com o jovem Ricardo Magalhães, que promete dar cartas no ciclismo português, com os irmãos Fátima e Jorge, visitei o CAG (onde fui recebido com toda a simpatia) e conheci Cristiano Morais, um profundo conhecedor da história de Freixiel, do concelho de Vila Flor e de outros concelhos limítrofes.


A meio da tarde, quando se realizaram os jogos tradicionais, subi ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário. A vista da aldeia da Senhora do Rosário do Calvário é sempre deliciosa.
Antes de terminar o jogo de futebol de 5 feminino, entre Freixiel e Zedes, parti, pela estrada em direcção a Vila Flor. A frescura da noite já me apanhou pelo caminho mas ainda tive tempo para olhar para trás e registar mais uma panorâmica do pôr-do-sol com Freixiel a repousar depois de um grande dia de festa.


Quilómetros percorridos neste percurso: 23
Mapa do percurso
Total de quilómetros de bicicleta: 703
Total de fotografias: 14506

18 março 2007

Aldeias Vivas – Freixiel


No dia 18 de Março de 2007 realizaram-se em Freixiel um conjunto de actividades dinamizadas no âmbito do programa Aldeias Vivas. Este programa enquadra-se na linha de intervenção "Acções Integradas de Base Territorial – Empregabilidade", da medida 2.5, concretamente na AIBT do Douro - Eixo 2 - Programa Operacional do Norte, sob a coordenação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Norte.
A intervenção contemplada por este Programa inscreve-se no Eixo Prioritário referente às Pequenas Iniciativas Empresariais que pretendem complementar os projectos FEDER apoiados no âmbito das Medidas 2.1 a 2.4 designadamente os relacionados com as Aldeias Vinhateiras e as Portas da Terra Quente. Encontram-se integradas neste projecto duas freguesias do concelho de Vila Flor, Vilas Boas e Freixiel.
Pelas 10 horas da manhã foi aberta oficialmente a “I – Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais de Freixiel”. Foram montadas algumas barracas junto ao Pelourinho onde estiveram em exposição e venda um conjunto de produtos regionais e artesanato feito em Freixiel.
Numa das barraquinhas eram apresentados trabalhos em ponto de Arraiolos (tapetes, almofadas e quadros), rendas e bordados, trabalhos em ponto cruz, realizados na vertente “Comunidade Aprendente” do projecto Aldeias Vivas. Todos trabalhos realizados com grande sentido estético e mestria.
Noutra barraquinha estavam expostos produtos da terra e gastronómicos. Azeite, figos secos, nozes, azeitonas, feijão pequeno, queijo, linguiças, alheiras, económicos, rosquilhas, folares, azeite vinhos e licores.
Podiam também ser admiradas esculturas feitas em várias variedades de madeira representando essencialmente motivos religiosos. Um bonito presépio esculpido em oliveira chamava a atenção de toda a gente.
Depois de almoço, o espaço foi-se enchendo preparando-se para o tão esperado retorno do Grupo de Cantares de Freixiel. Começaram a surgir das ruas pessoas com trajes tradicionais acrescentando mais colorido à festa enquanto se ouvia no sistema de som montado na Junta de Freguesia “Hoje há festa na aldeia, vais ter que arranjar par…”.
O grupo de cantares organizou-se à entrada da aldeia (perto da igreja matriz) e fez o aparecimento no Largo do Pelourinho, onde foram recebidos com entusiasmo. Além de cantarem, fizeram uma pequena exibição de dança (dois pares) tentando acender de novo a chama que permita reactivar o Rancho Folclórico “adormecido” há quase 20 anos.
Seguiram-se os Jogos Tradicionais, com a pequenada a mostrar grande adesão.
Ao final da tarde foi tempo de futebol feminino. Toda a gente se deslocou para a entrada da aldeia para ver o encontro de futebol de cinco entre Freixiel e Zedes. A animação foi grande, com adeptos a apoiarem as duas equipas que se entregaram na disputa da bola e dos golos.
Durante a manhã foi também feito o lançamento da Pagina Web de Freixiel.
Foram muitos os que se deslocaram a Freixiel para assistirem a esta pequena festa. Sentiu-se Vida na aldeia e seria bom que iniciativas deste género se repetissem em Freixiel e noutras aldeia.
Estão de parabéns os organizadores e a população de Freixiel que recebeu e encantou quem os quis visitar.


Ó Freixiel
Ó Freixiel terra linda onde eu nasci
Outra assim igual tão linda eu nunca vi
O meu coração s’tá nesta canção
Vai nela o amor qu’eu sinto por ti.

No meio da Rua Grande está um laço d’algodão
Todos passam e não caem só eu caí na prisão.
O meu coração está nesta canção
Vai nela o amor qu’eu sinto por ti.

O Pelourinho da Praça deita bandeiras de luto
Os rapazes emigram, raparigas choram muito.
O meu coração está nesta canção
Vai nela o amor qu’eu sinto por ti.

(uma das canções cantadas pelo Grupo de Cantares de Freixiel)

Trindade

A Trindade dista da sede de concelho aproximadamente 17 quilómetros. Aqui de encontram a estrada N102 que se estende ao longo do Vale da Vilariça e que continua em direcção a Macedo de Cavaleiros (traçado do IP2), com a N214 que aqui começa e que termina na Estação de Caminhos de Ferro no Tua (concelho de Carrazeda de Ansiães). Foi aqui também que alguém se lembrou de colocar a placa - Vila Flor capital do mundo.
Os meus passeios de bicicleta já passaram por duas vezes na Trindade: uma, na primeira vez que fui a Santa Comba da Vilariça e outra quando fui a Macedinho.
Valbom e Macedinho são anexas à freguesia da Trindade.
A Igreja Matriz é de estilo românico com uma torre central de um sino apenas. À volta, um pouco abaixo do beiral do telhado apresenta vários cachorros salientes.
A Trindade merece que lá volte e a visite com mais atenção e é isso que irei fazer logo que possa.

17 março 2007

Valbom à vista



Apesar de ser um meio pequeno, Valbom, pertencente à freguesia de Trindade, também é merecedor de uma fotografia neste Blog, enquanto não acontece uma visita mais pormenorizada. Já passei na estrada nacional várias vezes mas nunca desci a Valbom.
Esta fotografia foi tirada no dia 18 de Fevereiro.

16 março 2007

À descoberta do Nabo



No dia 14 saí em direcção ao Arco. Como estive no dia 12 no Gavião, tracei planos para uma nova aventura, porque, lá do alto, vêem-se muitos caminhos, muitas alternativas, muitos quilómetros e horas de aventuras. Também tinha prometido a mim mesmo visitar o Ribeiro do Arco antes da chegada do Verão. Depois do Arco, o ribeiro tem um trajecto com um grande declive que gostava de conhecer e onde há ruínas de alguns moinhos.

Pedalei rapidamente até passar o Arco, queria aproveitar o tempo e a bonita tarde de sol. Pouco depois de deixar a aldeia em direcção ao Nabo, larguei a estrada e comecei a descer por um caminho à direita, em direcção ao ribeiro. O caminho desce rapidamente e cheguei ao ribeiro bastante abaixo do ponto que eu queria. Deixei a bicicleta, comecei a subir pela margem. A natureza explode de música e cor. Há flores por todo o lado, as aves cantam, o sol aquece, as árvores ganham folhas. É um verdadeiro hino à vida.
O local onde se situam os moinhos, Moinhos, tem umas centenas de metros de rocha granítica rija que o ribeiro desgasta há milhares de anos. Algumas pequenas cascatas alindam o cenário que se completa com flores em ambas as margens.
Não fora o desafio de ir ao Nabo e teria ficado por ali até o sol se esconder, sentado ou deitado no chão, fotografando as pequenas flores que despontam por todo o lado e que darei a conhecer brevemente.

Voltei a descer o ribeiro, apanhei a bicicleta e continuei em direcção ao Nabo. Encontrei uma grande quantidade de medronheiros, sem dúvida uma das maiores manchas de "árvores" desta espécies que já encontrei! Pouco antes de chegar ao Nabo, o caminho que seguia, levou-me de novo à estrada. Era isso que eu queria. No local onde está o depósito de água, pouco depois do campo de futebol, é um dos melhores miradouros da aldeia.
Cheguei ao centro pela Rua do Rebentão, esta era a minha segunda visita. Alguns idosos aproveitavam os últimos raios de sol, junto à igreja. Subi a Rua do Cimo do Povo até à Capela de Nossa Senhora do Carrasco. Admirei a paisagem em redor, com calma e voltei ao Largo admirando algumas bonitas casas tradicionais entre as quais a sede da Associação São Gens. Segui pela Rua do Cabo do Lugar. O Centro de Dia é uma obra que se destaca, quer pela sua imponência quer pela arquitectura ou cor das paredes.
Quando as sombras já cobriam metade da aldeia comecei a (penosa) subida até à estrada N215 que me conduziria a Vila Flor. A falta de luz não me permitiu mais devaneios fotográficos, mas, à chegada, pude admirar Vila Flor ao anoitecer. Quando se pensa que já mais não há mais nada para descobrir, o ambiente à nossa volta surpreende-nos e somos constantemente confrontados com novas visões daquilo que pensávamos já ter descoberto.

Quilómetros percorridos neste percurso: 19
Mapa do percurso
Total de quilómetros de bicicleta: 680
Total de fotografias: 14008

15 março 2007

Redescobir o Seixo de Manhoses


No dia 12 de Março saí de bicicleta em direcção à Barragem do Peneireiro sem grande convicção. O dia estava muito cinzento, embora quente, mas nada favorável a reportagens fotográficas. Ladeei a barragem pelo lado direito e comecei a subir em direcção ao Seixo de Manhoses por uma estreita estrada. A vida que desperta nos montes, rapidamente me afastaram da estrada. Entrei num caminho à direita e percebi que me levava ao marco geodésico do Concieiro, onde estive há pouco tempo. Logo que pude cortei à esquerda e comecei a descer perto do Ribeiro do Moinho, em direcção ao Seixo onde cheguei rapidamente. No Seixo ia ter um bom desafio fotográfico para conseguir fazer uma fotografia razoável com tantas colinas e ruas que partem em direcções totalmente opostas. O local onde me encontrava não era mau, mas havia muitas árvores e apenas via meia dúzia de casas. Deixei a Rua da Atafona, onde encontrei mais uma Escola Primária abandonada e comecei a descer em direcção pela Rua do Castelo para o centro da aldeia. No Largo de Santo António há sempre gente! Foi a quarta vez que passei no Seixo de bicicleta e vejo sempre aqui um grupo de idosos a “matar” o tempo.
Olhei em volta procurando pontos de onde conseguir uma boa panorâmica da aldeia – Não vai ser fácil. Pensei.

Passei o Lar de Santa Bárbara, edifício de maiores dimensões da aldeia e parei junto à Capela de Nossa Senhora do Rosário que encontro sempre fechada. No Largo da Capela virei à esquerda, pretendia subir a um monte a sudoeste da aldeia. Passei pela direita do Senhor dos Aflitos, pregado na cruz, surpreendido com a minha coragem. O caminho é mesmo inclinado! Em poucos metros estava a mais de 600 metros de altitude e com uma boa visão da maior parte da aldeia. Não se assemelha a nenhuma que fotografei até agora. São ruas muito inclinadas subindo e descendo em várias direcções, distribuídas por uma grande área, ocupando várias colinas. Fiquei por aqui bastante tempo, olhando e fotografando em todas as direcções.
Desci de novo à aldeia. Segui pela Rua Principal até ao Jardim-de-infância e meti pela Rua da Fisga à procura da Fonte do Sangrinho. Trata-se de uma fonte medieval da qual já ouvira falar. O local foi alvo de arranjos recentes e está muito agradável. Fiquei destroçado com um enorme poste eléctrico “plantado” mesmo por cima da fonte! Se a fonte é medieval já devia estar lá quando “plantaram” o poste, bem podiam ter escolhido outra localização.
Regressei ao centro da aldeia e segui para a Igreja. Perto da Rua da Igreja avistei lá ao fundo o que parecia um bonito ribeiro e desci um pouco. Ouvia o som da água corrente e achei que seria um lugar agradável. De facto podia ser. O ribeiro está lá, mas, a partir daquele ponto, os esgotos correm ininterruptamente para ele, descendo em banhos de espuma e lixo, saltitando de pedra em pedra numa alameda de laranjeiras.
Voltei à aldeia e segui para a igreja que estava aberta. Tirei algumas fotografias e continuei em direcção ao cemitério, para chegar ao meu terceiro ponto de observação elevado. Deixei a bicicleta e entre oliveiras e videiras subi ao Monte Grande. Ensaiei novas panorâmicas da aldeia, por entre amendoeiras em flor. Via novas ruas, mas outras tinham-se escondido.
Atrás de mim encontrei algumas ruínas que me intrigaram. Havia amontoados de pedras que mais pareciam muralhas defensivas! O monte é elevado, está a 623 metros de altitude e domina uma grande área em redor. No meio dos valados das videiras comecei a encontrar grandes pedaços de cerâmica. Já não tinha dúvidas, ali existe um antigo castro. Procurei mais evidências mas pouco mais encontrei do que grandes paredões de rochas soltas e muito cerâmica, com várias espessuras e qualidades de barro. Um guia especialista conseguiria ver muito mais.
Depois de muito deambular, voltei atrás buscar a bicicleta e segui para o marco geodésico da Cheira (227 metros de altitude), cuja localização já tinha estudado. Tinha grandes expectativas mas o estado do tempo e o adiantado da hora não estavam à altura e fiquei um pouco desiludido. Avista-se Vila Flor, parte do Arco, o Nabo e uma grande extensão do Vale da Vilariça. Nesta zona há muitas amendoeiras mas as flores já perderam as pétalas dando lugar a novas folhas que já despontam.
Voltei ao caminho e segui até à aldeia abandonada do Gavião, onde estive no meu primeiro passeio em bicicleta, em Vila Flor, a 30 de Outubro do ano passado. Alguém andou a fazer um levantamento topográfico! Será que vamos ter uma revitalização do local?
Tracei com o olhar um percurso para o regresso. Não tinha ideia se ia seguir por “bons caminhos” mas, mais uma vez, arrisquei e mais uma vez a sorte esteve do meu lado. Segui do Gavião, em linha recta em direcção ao Arco onde cheguei mais rapidamente do que eu estava à espera. Também no Arco, junto do ribeiro se situam as fossas sépticas, mas, aqui, pelo menos nesse dia, a água corria cristalina.
Subi a aldeia com a bicicleta à mão sujeitando-me às chalaças de um idoso que me confessou ter ido a Mirandela de bicicleta, ele mais a sua Maria!
Segui para Vila Flor satisfeito com o passeio: consegui meter todo o Seixo numa fotografia; encontrei um castro de desconhecia; subi a mais um marco geodésico; visitei o Gavião; fotografei o Nabo e o Arco e… já me esquecia, “almocei” no Monte Grande num “jardim” de amendoeiras em flor.

Quilómetros percorridos neste percurso: 20
Mapa do percurso
Total de quilómetros de bicicleta: 661
Total de fotografias: 13520

14 março 2007

Vila Flor ao anoitecer


Hoje foi dia de partir à descoberta. O percurso foi muito interessante (Arco e Nabo), em contacto com a natureza. Cheguei a Vila Flor já tarde, mas mesmo a tempo de entrar na Avenida Marechal Carmona e deparar com mais um espectáculo.

12 março 2007

Seixo de Manhoses ainda em flor

Fotografia: VilaFlor330
Hoje as descobertas foram lá para os lados de Seixo de Manhoses. Procurei as últimas amendoeiras em flor e, como andei por pontos altos, ainda tive tempo de estender o olhar (e objectiva) até Vila Flor, Gavião, Nabo e Arco. Foi uma tarde cheia de emoção e de belas vistas que pretendo recordar brevemente.
Deixo como amostra uma única fotografia, do Seixo de Manhoses (com Mourão – freguesia mistério no alto da serra) tão bonito como alguns residentes possivelmente nunca o viram. Tenho a certeza que se orgulham desta sua aldeia