14 abril 2007

Freguesia mistério 3

Os resultados da votação na "Freguesia Mistério" 2 foram aquilo que eu estava à espera. Poucas pessoas, duas, localizaram correctamente o local.
Este "monumento" encontra-se na freguesia de Sampaio junto à Ribeira da Vilariça, muito perto da Capela da Senhora da Rosa. Quando fiz a fotografia fiquei com a sensação que quereriam construir uma ponte para ligação a terras da Junqueira, do outro lado da ribeira. Soube mais tarde que a ponte existiu mesmo, mas foi derrubada por uma cheia, que a arrastou ribeira abaixo, quase na totalidade. Essa cheia pode ter ocorrido em 1955.
Junto à estrada nacional, perto da Junqueira, a jusante da ponte existente que separa o concelho de Vila Flor e o de Torre de Moncorvo, há ruínas de outra ponte, também destruída.


Votação na Freguesia Mistério 2
Assares (4) 14%
Benlhevai (0) 0%
Candoso (1) 3%
Carvalho de Egas (0) 0%
Frexiel (8) 28%
Lodões (1) 3%
Mourão (0) 0%
Nabo (0) 0%
Roios (0) 0%
Samões (1) 3%
Sampaio (2) 7%
Santa Comba de Vilariça (4) 14%
Seixos de Manhoses (2) 7%
Trindade (1) 3%
Valetorno (0) 0%
Vale Frechoso (0) 0%
Vila Flor (2) 7%
Vilarinho das Azenhas (0) 0%
Vilas Boas (3) 10%

Total de votos: 29

Obrigada a todos os que participaram na votação.
Há já um novo Monumento para votar na Freguesia Mistério 3.

10 abril 2007

Valtorno 3

No dia 4 fiz um longo passeio por algumas aldeias dos concelhos de Vila Flor e de Carrazeda de Ansiães. São muitas as afinidades entre estes dois concelhos, em todos os aspectos.
O trajecto estava mais ou menos delineado, dependendo da minha resistência e da limitação do tempo. Teria que estar em Zedes à hora de almoço, onde fiquei de almoçar com familiares.
Com vontade de percorrer muitos quilómetros, deixei Vila Flor pelo caminho que passa junto do depósito de água, segue paralelo ao campo de futebol de Samões e sobe ao Concieiro, em Carvalho de Egas. Aqui, prestei mais atenção às rochas na beira da estrada. Procurava as alminhas que estão referenciadas junto à antiga estrada militar Almeida-Chaves. Por fim encontrei um nicho. Apresenta ainda vestígios de pintura sendo bem visível uma cruz, que teria Cristo crucificado. Distinguem-se também o que me parece serem quatro cabeças de outros personagens. Mais à frente encontrei outro nicho, mais pequeno, mais exposto e já sem nenhuma amostra de pintura.
Atravessei a estrada do Seixo (N609) e continuei por um caminho, já meu conhecido, até Valtorno. Aproveitei a posição sobranceira à aldeia para fazer algumas fotografias. O dia estava bonito e Valtorno parecia espreguiçar-se com o calor que se sentia. A aldeia é muito fotogénica e fiquei contente logo nos primeiros disparos. Se tivesse mais folgado no tempo, teria descido um o Ribeiro dos Moinhos, mas, segui até à aldeia passando por debaixo da estrada (N324).
Logo ali encontrei a pequena capela de Santo Cristo. O meu pensamento voou para a Ilha de S. Miguel, nos Açores, onde pude ver a imagem do Senhor Santo Cristo, ao qual a população presta grande culto.
Mais à frente, está um cruzeiro barroco. A protecção metálica que tem não é nada estética, antes pelo contrário. Os mesmos motivos decorativos, cruz, escada, turquês e martelo, encontrei-os, nesse dia, em mais dois ou três cruzeiros.

Subi ao Largo da Capela. Não dispunha de todo o tempo necessário para percorrer toda a aldeia, tinha que fazer opções. Segui pela Rua do Frade até encontrar mais um cruzeiro. Este está muito cuidado, pintado e rodeado de um bonito jardim. Dali vi a Escola Primária, a Ribeira das Olgas, com as ruínas de um moinho, e, algumas hortas. Subi às paredes e senti-me uns séculos atrás. Quantas pessoas já viram passar aquelas paredes? Por instantes imaginei-me numa aldeia medieval.
Valtorno é uma aldeia cheia de história. A prová-lo está o castro com vestígios de muralhas, a imagem gótica de Santa Maria do Castanheiro, do séc. XIII e algumas fontes medievais. Uma fonte medieval vi eu um pouco mais abaixo! Penso que seja a Fonte do Frade. Merecia melhor tratamento. Não me aproximei porque me pareceu tratar-se de terrenos privados, mas não gostei de ver aquela beleza votada ao abandono.
Em muitos recantos há bonitos exemplares de casas em granito, antigas, a merecerem recuperação. Há muros, casas, caminhos, fontes, pombais, bonitos exemplares do passado que me fascinaram e que prometo explorar com mais pormenor.
O relógio da Igreja de Nossa Senhora do Castanheiro alertou-me para o avançado da hora. Desci à estrada nacional e segui até ela. Por detrás da igreja sobrevive um enorme e velhíssimo castanheiro. Não me tinha apercebido que ali estava! A igreja estava fechada. Procurei em seu redor vestígios que atestassem os seus muitos anos de história. Em cima da parede do cemitério está uma cabeceira medieval. No adro existiu uma necrópole. Também nesta igreja se deu apoio aos peregrinos que por aqui passavam a caminho de Santiago de Compostela. Depois de terminar de ler o livro que trago em mãos, “Respingos de Valtorno”, terei outra visão desta igreja que é tratada no livro com alguma profundidade.
Apressado pelo relógio e pela fome, dei o máximo de mim enquanto pedalava até Alagoa. Bem me apeteceu parar e olhar para trás. Valtorno estava pomposo, preparado para a fotografia, deitado qual musa posando para a tela de um artista.

Cheguei a Alagoa. A cereja no cimo do bolo era eu encontrar um dos antigos marcos que sempre fizeram desta terra linha divisória de vários concelhos: Vilarinho da Castanheira, Carrazeda e Vila Flor. Acabei por encontrar as alminhas de Santo António, nas Abessadas, quando me dirigia para Mogo de Ansiães.
O meu trajecto seguiu pelo Mogo de Ansiães e depois Zedes, onde almocei. No regresso a Vila Flor, tive ainda coragem para ir a Samorinha, Carrazeda de Ansiães, Fontelonga, Pena Fria, Alagoa, Valtorno e Carvalho de Egas.
Cheguei a casa bastante cansado. Foi um dia pleno de emoções.


Quilómetros percorridos neste percurso: 70
Total de quilómetros de bicicleta: 819
Total de fotografias: 16 888

04 abril 2007

Valtorno 2


Hoje dei um longo passeio de bicicleta pelos concelhos de Vila Flor e Carrazeda de Ansiães. No concelho de Vila Flor concentrei a minha atenção na freguesia de Valtorno, terra cheira de história, com bonitos recantos que adorei fotografar.
Brevemente vou dar a conhecer algumas fotografias e pormenores do passeio. Hoje, deixo só uma, em tons de amarelo e verde .

03 abril 2007

Aldeias com Vida e com história


No dia 2 desloquei-me a Freixiel, desta vez com a família, para participar num pequeno passeio por alguns lugares históricos. Alguém lhe chamou “aula” de história em Freixiel e, na verdade, foi uma verdadeira aula, sobre a história de Freixiel que mergulha na história da região, da nação e do homem.
Para cicerone não podia ter sido escolhida melhor pessoa, Cristiano Morais. Filho da terra, profundo conhecedor dos locais que visitámos, que percorre desde a juventude, pesquisador de tudo que se relaciona com Vila Flor, com uma presença bem disposta e gosto em partilhar todo o conhecimento acumulado.
O ponto de encontro era o Pelourinho. Não deve ter sido escolhido ao acaso mas acabou por ficar de fora. Em Freixiel são numerosos os locais a visitar.
Formou-se um grupo de cerca de 30 pessoas, com idades entre os 8 e os 90 anos (mais concretamente 89), constituído pelas pessoas envolvidas nas várias vertentes do Programa Aldeias Vivas, alguns jovens estudantes, agora de férias, e algumas vindas de fora propositadamente para este encontro.
Mesmo antes de entrarmos na Rua Grande, na Rua da Casa do Concelho, surgiu a mesma questão que eu coloquei no fórum a 12 de Janeiro. O que representa a pequena escultura incrustada na padieira da porta de uma garagem de uma casa recente? Foi unânime a ideia de que representava uma figura antropomórfica. A escultura pode estar incompleta, pois não é visível, à primeira vista, qualquer formação identificável com a cabeça. Para Cristiano Morais não há dúvida que representa uma divindade com relação com a fertilidade apontando a representação de órgãos sexuais femininos. A representação de figuras femininas com formas muito acentuadas, também chamadas Deusas Mães, remontam a umas boas dezenas de milhares de anos antes de Cristo (Paleolítico), sendo-lhes atribuído um poder mágico ligado à fertilidade. A juntar à estranheza da escultura surge a interrogação pelo facto da mesma ser encontrada na casa onde se encontra, quando se procediam a obras.
A segunda paragem aconteceu no Solar dos Araújos Borges. Foi completa a explicação de todas as representações do brasão com armas dos Araújos e dos Borges. Aqui morou um Fidalgo da Casa Real, coronel das Milícias em Chaves.
Seguiu-se um pequeno passeio até ao promontório onde se eleva o castro ou Castelo. Pelo caminho fomos encontrando muitos pedaços de barro e compreendendo que naquele local podemos abraçar milénios de história. As lendas também estiveram presentes, visitámos o local que deu origem à lenda da Fonte da Crica da Vaca e ouvimos falar da Ponte do Diabo.
Passeámo-nos pelo olival antiquíssimo plantado no mesmo local onde existiu o habitat romanizado do Castelo. Terá aqui existido um povoado de consideráveis dimensões. O elemento mais idoso do grupo fez questão de nos mostrar a localização onde se pensa ter existido a capela de Santa Marinha.
Subimos a uma cota um pouco superior à procura de uma preciosidade. Trata-se uma fraga granítica com insculturas pré-históricas. É bem visível um círculo com uma covinha no centro e muitas outras covinhas (mais de meio cento), gravadas aparentemente com alguma ordem. Esta é uma prova que faz recuar a ocupação deste espaço a alguns milhares de anos antes de Cristo, relevando para outro plano o cartão de visitas da aldeia, a tão conhecida Forca de Freixiel.
Subimos ao Castro. Apreciámos a única construção de habitação existente que surpreendeu todos pelas suas reduzidas dimensões. Visitámos também o local onde são visíveis restos de algumas muralhas, dos vários níveis que o defendiam. Este local foi o que eu visitei no dia 15 de Janeiro na minha primeira “descoberta” do Castro de Freixiel.
As horas foram passando tão rápidas como as histórias. Viajámos no tempo e no espaço dos povos pré-históricos acossados pelos ursos aos hospitalários, das palas aos solares, das vias romanas às estradas reais, do poderio de Ansiães ao pequeno concelho de Vila Flor.
Terminámos a visita histórica, onde tudo termina, no regresso à terra. No sopé da elevação onde se ergue o Castro há uma sepultura escavada na rocha.
Com a tarde quase no fim, verificámos que sobrou matéria para muitas mais “aulas” de história em Freixiel. Regressámos à aldeia.
Não consegui acompanhar tantos séculos (milénios mesmo) de história numa só tarde. Ficou a semente, a curiosidade e o respeito por tudo que nos mostra de onde viemos, o que fomos, porque vivemos assim. Não fora a minha ânsia de descoberta de paisagens, lugares, plantas e animais, hábitos e pessoas, e dedicaria muito do meu tempo livre a estudar histórias, é uma área fantástica.
Agradeço às pessoas de Freixiel (em especial à Esmeralda) por se terem lembrado de mim. Quanto ao mestre Cristiano Morais, espero que este tenha sido o primeiro de outros encontros e assim eu consiga maior "bagagem" histórica, para este meu percurso de descobertas.

30 março 2007

Êxtase


No dia 25 de Março, quando voltava de um passeio pelo Vale da Vilariça, subi (à descoberta) ao monte a Poente de Sampaio onde se encontra o marco geodésico de Santa Marinha. Na altura fiquei fascinado com a vista e prometi a mim mesmo voltar o mais rápido que pudesse. Para fotografar, o mês é importante, a semana, o dia ou mesmo a hora do dia. Sabia que em pouco dias a paisagem mudaria completamente e não queria perder o espectáculo que vi.
Como o passeio era curto, até levei o tripé, sempre dá uma ajuda para fazer fotografias panorâmicas.
No cimo do monte há um planalto, aproximadamente com 500 metros de cumprimento, 60 ou 70 metros de largura, que se estende perpendicularmente à posição do vale. Na vertente virada a Sampaio o declive é mais suave e florestado com pinheiro bravo. Na vertente a Poente o planalto termina abruptamente em enormes penhascos que algumas aves de rapina aproveitam para vigiarem uma grande área em redor, procurando alimento.
No planalto erguem-se pequenos conjuntos de rochas, aqui e além, mas há espaços bastante direitos e limpos.

Toda a área foi tomada de assalto pela Primavera. As giestas brancas (Cytisus multiflorus) está no auge de floração. Intercalando com a esteva (Cistus ladaniferus e outras), preenchem quase todo o planalto. Aqui e ali surgem pequenas manchas de urze (Erica cinérea) e mais raramente aparecem também as carquejas (Pterospartum tridentatum) e alguns pirliteiros (Crataegus monogyna). Há também rosmaninho (Lavandula stoechas), mas pouco, e um infindável colorido de plantas floridas mais pequenas que não consegui identificar. A Urze está já na fase descendente de floração mas todas as outras estão na máxima pujança.
Pinheiros (Pinus pinaster), carrascos (Quercus coccifera), sobreiros (Quercus suber) e zimbros (Juniperus communis), quebram na paisagem a linha rasteira dos arbustos.
Como se este manjar da natureza não fosse já suficiente, levantam-se os olhos e caímos de joelhos com tanta beleza! São 360 graus de verde, coroado por bonitas nuvens brancas incrustadas num num azul, com centenas de pontos a desfiarem a atenção. Aldeias, quintas, montanhas, estradas, olivais, tudo daqui se domina, tudo parece pequeno, só o Vale da Vilariça se oferece, tudo recebe em seu regaço e a tudo dá vida. Até os penhascos estão cheios dela!
Perdi-me percorrendo o vale, da Foz do Sabor ao alto da Serra de Bornes, visitando cada aldeia, percorrendo cada estrada e ribeiro. Dois pequenos piscos olhavam para mim, admirados, do alto do marco geodésico! Quando subi ao marco geodésico (460 metros de altitude), já várias horas tinham passado desde que tinha chegado ao planalto, 400 metros atrás! Montei o tripé e ensaiei as panorâmicas com 360º.

Mais à frente estão ruínas de uma construção robusta que pode ter sido uma capela. As paredes são largas, feitas de xisto e barro, mas a porta assentava em granito bem aparelhado. Ao lado desta construção rectangular, orientada para Poente, há vestígios de outra estrutura.
O monte chama-se Santa Marinha e o marco geodésico Marco de Santa Marinha, mas não encontrei nenhuma referência a uma capela nos livros .
Quando cheguei à ponta do planalto, depois das ruínas, avistei a Junqueira. As nuvens semeavam grandes manchas escuras em todo o vale, estava na hora de regressar. O caminho de volta foi mais rápido mas não deixou de ser fantástico abeirar-me dos penhascos, admirar a obra do homem, lá ao fundo, olhar para as minhas costas e admirar a obra da natureza. Foi esta última que me manteve mais de quatro horas neste pedaço de terra com cerca de 3000 metros quadrados, em silêncio, adorando os elementos, tal como o homem há milhares de anos o fazia.

29 março 2007

Meireles


Meireles é uma povoação pequena, situada na estrada que desce para o Cachão, no sopé do monte de Nossa Senhora da Assunção, já perto do vale. Pertence à freguesia de Vilas Boas.
Face à paisagem que a rodeia, parece ainda mais pequena, perdida lá no fundo das encostas. É assim que eu a vejo e é assim que aparece nesta fotografia. Toda a paisagem envolvente conduz o olhar para um ponto, o lugar onde se situa a aldeia. De um lado o Cabeço, de onde Nossa senhora da Assunção vela peles almas dos habitantes de muitos quilómetros em redor, do outro, a Serra do Faro, com uma vista magnífica para o Rio Tua e onde espero ainda subir um dia destes. Lá ao fundo, no centro da fotografia, na linha do horizonte, a Serra de Bornes, atenta, não se deixando destronar nesta disputa das alturas.

26 março 2007

Um cesto de coisas de valor



Trago neste cesto
Coisas de valor
Dá-me cá o cesto
Dá-me o teu amor

Meu amor não dou
Fica só comigo
Roda rapariga
Que eu vou contigo

Trago neste cesto
Amor e Alegria
Represento o Bairro
De Santa Luzia

Trago neste cesto
Coisas de valor
Dá-me cá o cesto
Dá-me o teu amor

Meu amor não dou
Fica só comigo
Roda rapariga
Que eu vou contigo

Trago neste cesto
Perfumes da Terra
Represento o Bairro
Da Rua da Serra.

Canção do Grupo de Vila Flor
Cortejo de Oferendas - 1951

24 março 2007

Perdido no Vale da Vilariça II



Hoje a saída foi mais uma vez sem destino definido. O objectivo era pedalar. O trabalho pesou mais um pouco e, desde domingo passado, que não andei de bicicleta. Não levei a máquina fotográfica. Sei que, com ela, o pedal fica para segundo plano.
Quando dei por mim estava a caminho da Trindade. Pensei ficar por Benlhevai e procurar vestígios históricos mas segui até à Trindade. Entrei na aldeia. Não me demorei muito e comecei a descer para Valbom. Deixei a estrada nacional e desci à aldeia. A população esperava o padre para a celebração da eucaristia. Desci toda a aldeia e continuei por um caminho até à Barragem da Burga. Como agradecia uma máquina fotográfica!
Ladeei a barragem. Há um grande cruzeiro de granito embelezado com um canteiro de amores-perfeitos. É um local calmo, agradável, onde teria ficado mais algum tempo de boa vontade.
Comecei a subir para Vilares da Vilariça. A posição e exposição desta aldeia é fantástica. Tal como previa, o Vale da Vilariça tem outro aspecto visto daqui. Parece mais largo, mais verde mas mais irregular, cheio de pequenos montes. A vista é bonita, mesmo quando as amendoeiras perderam as suas flores.
Tomei a estrada de Pombal mas rapidamente a larguei para me aventurar por caminhos em pleno coração do Vale. Cruzei várias ribeiras, segui em várias direcções tentando tomar a direcção da foz, para Sul. O meu sentido de orientação funcionou bem e dei comigo em Santa Comba da Vilariça. Bem perto da aldeia encontrei a Capela de S. Jorge. Anda em obras. As paredes estão novas, caiadas. O chão também foi reposto de novo. Tudo está pronto para receber de volta o santo. Até o jardim em volta se encontra cheio de lírios floridos.

Nem sequer entrei na aldeia. Aquela estrada parece não ter fim! Se de carro é longa experimentem de bicicleta. Passei Assares, Lodões e cheguei a Sampaio. As pernas já davam sinais de alguma fadiga mas ainda me faltava uma última aventura.
Ao subir de Sampaio para Vila Flor, antes de chegar à Quinta do Calhau, virei à esquerda e comecei a subir, no meio do eucaliptal ao cimo do monte onde se situa o marco geodésico de Santa Marinha. O local tem uma altitude máxima de 463 metros, mas, curiosamente, o Marco não se encontra no ponto mais alto, mas num local mais avançado em relação ao vale. Encontrei as ruínas daquilo que pode ter sido uma capela, talvez de Santa Marinha. O local daria um santuário lindíssimo. Há um pequeno planalto no alto da montanha. Saltei sobre as fragas em direcção ao Vale. Abeirei-me do precipício e apreciei uma das mais bonitas vistas do Vale da Vilariça. Ocupando uma posição quase central, é possível ver o vale nascer no sopé da Serra de Bornes na Burga, percorre-se um grande extensão até o ver desaparecer lá para os lados da Foz. Fez-me lembrar de um dia, há mais de 15 anos, em que estive na Senhora do Castelo, no lugar de S. João, na Adeganha. É também um miradouro fantástico para o Vale!
Mais uma vez a noite surpreendeu-me, sentado no alto dos rochedos, questionando a velocidade com que vivemos, sem tempo para saborear os espaços, que, de tão perto que estão, não reparamos neles. Tenho que voltar a este local, mas da próxima, acompanhado pela objectiva da câmara (que não me deixa mentir).
A fotografias foram tiradas do arquivo (não faltam!).

Quilómetros percorridos neste percurso: 46
Mapa do percurso
Total de quilómetros de bicicleta: 749
Total de fotografias: 15 040

23 março 2007

Vila Flor passado e presente



Quem ainda não visitou a Exposição Vila Flor em Memória – Cortejo de Oferendas 1949-1951 deve aproveitar a oportunidade, antes que a mesma seja encerrada. É uma boa amostra da Vila Flor de outros tempos. As fotografias são deliciosas e algumas com muito boa qualidade.
Hoje transcrevo uma canção do Grupo de Vila Flor, do Cortejo das Oferendas de 1949.
Acompanho os versos do vira com duas fotografias da Vila. A primeira é uma vista muito conhecida, mas sempre bonita, de uma zona que bem podia apresentar este especto em 1949. A segunda representa uma das ruas mais antigas de Vila Flor, bem perto do Arco de D. Dinis, onde se pensa que tenham vivido judeus, há alguns séculos atrás.

I
Das Vilas de Trás-os-Montes
Para mim é um amor
Andar com ela ao colo
Aos beijos a Vila Flor

Refrão:
Ó vira que vira
E torna a virar
As voltas do vira
Só eu as sei dar

II
As capelinhas do Lemos
E a de São Sebastião
Os mais lindos arraiais
Dos tempos que já lá vão

III
Cachopas entrai
Na roda que vira
Quem entra não sai
Na roda do vira

IV
Rapazes e raparigas
Dançai o vira ligeiro
Ao som das vossas cantigas
O vira é traiçoeiro

22 março 2007

Solar dos Aguilares


Pretendia começar uma volta pelos solares mais importantes do concelho. Depois de ler um pouco sobre o assunto optei por começar por este - Solar dos Aguilares. Além de ser dos mais antigos senão o mais antigo (possivelmente do séc. XV aparecendo também como do séc. XIII) , é sem dúvida aquele que tem um papel de maior relevo na história do concelho.
Este solar situa-se no Largo Dr. Alexandre de Matos (e na Rua Baltazar Correia de Morais). O nome de Solar dos Aguilares vem-lhe do facto de ter pertencido aos Aguilares, primeiros donatários de Vila Flor.
Apresenta as armas reais na fachada principal e na fachada a poente a Flor de Liz rodeada de quatro águias (símbolo dos Sampaios) e outro brasão com a Flor de Liz, símbolo da vila.
Neste edifício funcionaram os Paços do Concelho até 1937. Aqui funcionou também a prisão a Biblioteca e o Museu.
Actualmente funciona apenas como Museu, fundado em 1957, tendo sido alvo de alguma interversão no interior mas mantendo toda a traça do edifício.
Em frente no "Largo do Pelourinho" esteve em tempos o Pelourinho de Vila Flor que depois foi desmontado, abandonado e restaurado em 1937, ocupando o lugar onde actualmente se encontra.

21 março 2007

Ó Senhora da Assunção


Tal como alguém recordou, hoje, além de se celebrar o Dia Mundial da Floresta, é também o Dia Mundial da Poesia. Deixo um conjunto de quadras recolhidos por Sofia Gonçalves, dedicadas à Nossa Senhora da Assunção (Santuário de Vilas Boas).

Ó Senhora da Assunção
Que estais lá no cabecinho
Botai a vossa bênção
A quem vai cá no caminho.

Ó Senhora d’Assunção
Que estais no cimo do vale,
Bem podeis vós, Senhora,
Dar saúde a quem tem mal.

Ó Senhora d’Assunção
Quem vos varreu o terreiro?
As meninas de Vilas Boas
Com raminhos de lilás.

Ó Senhora d’Assunção
Senhora tão pequenina
Comadre da minha mãe
Senhora minha madrinha.

Ó Senhora da Assunção
Que dais aos vosso romeiros?
- Dou-lhe água da minha fonte
Sombra dos meus castanheiros.

A Senhora d’Assunção
Tem um galo no seu sino
Cada vez que o galo canta
Ela afaga o Menino.

A Senhora d’Assunção
Tem um tear à janela
Quando o sol vem porta a dentro
Todo o fiado lhe quebra.

A senhora d’Assunção
Tem um vestido de seda
Que lhe compraram os anjos
Na feira de Carrazeda.

A Senhora d’Assunção
Tem uma fita amarela
Que lhe trouxeram os soldados
Quando vieram da guerra.

Ó Senhora d’Assunção
Eu p’ró ano lá hei-de ir,
Ou casado ou solteiro
Ou mulinho de servir.
Sofia Gonçalves

A chegada da Primavera em terra que é Flor


A chegada da Primavera sempre foi e será um momento para festejar. O Equinócio de Primavera é um acontecimento muito comemorado em várias culturas onde a nossa Páscoa vai buscar algumas raízes.
Numa vila que é Flor, a chegada de Primavera tem um significado especial. Quando D. Dinis passou pela Póvoa de Além Sabor a caminho de um encontro amoroso nas Terras de Miranda, deve te-lo feito nesta altura do ano, porque decidiu mudar-lhe o nome. No foral concedido em 24 de Maio de 1286, pelo próprio D. Dinis, é imortalizado o nome - Vila Flor.
Os tempos mudaram. Ninguém passa por estas terras de charrete a caminho de um encontro amoroso, com noivas do outro lado da fronteira. Mas, a terra, mantém o mesmo encanto, o mesmo colorido, o mesmo perfume.
A mostrá-lo está este bouquet em versão moderna, (Wallpaper) de flores selvagens, que eu "colhi" durante o mês de Março.