22 abril 2007

À descoberta em BTT


Hoje foi dia de um grande passeio nA Descoberta de Vila Flor. Foi a II Rota da Liberdade organizada pelo Clube de Ciclismo de Vila Flor. Acompanhado por mais de 100 ciclistas, conheci novos caminhos nas Escarbas, no Concieiro, no Cabeço do Cavalo, no Nabo, várias quintas no Vale da Vilariça, etc. Encontrei finalmente a Sra. da Conceição, no Nabo.
Foram mais de 40 quilómetros, num dia quente e com muito pó. Enquanto a máquina fotografia não se cansou, ensaiei algumas fotografias, mas em pleno Vale da Vilariça "apagou-se"! Não foi um passeio calmo, de introspecção, como muitos que tenho feito. Desta vez as fotografias ficaram para segundo plano.
Tive também o prazer de conhecer um bom grupo de atletas do Clube de Ciclismo de Vila Flor, do Ansiães Aventura e amigos de outras paragens que desconhecia serem adeptos de BTT.

Quilómetros percorridos neste percurso: 50
Total de quilómetros de bicicleta: 910
Total de fotografias: 18 456

21 abril 2007

Quinta da Barquinha e outras quintas


Foi numa quarta, mais concretamente a 21 de Março de 2007, que subi ao topo da Fraga do Frade, e, de 654 metros de altitude, fiz estas fotografias. A meus pés estende-se um fértil vale onde se encaixam a Quinta de S. Gonçalo, Quinta de S. João, Quinta da Barquinha, Quinta da Paz, Quinta da Conceição e Quinta dos Lagares.
Nestes terrenos domina a oliveira que cede algum espaço a algumas vinhas. Também por aqui há algumas pereiras, floriram agora em Abril.
Passei uma tarde inteira admirando o quadro harmonioso, pintado em tons de azul e verde, muitas vezes verde azeitona, que se envolve amorosamente com os castanhos da terra. Desde o Marco, próximo de Samões, o olhar perde-se, ora mais próximo, com a Vila a meus pés, ora mais longe, pelo Peneireiro, descendo pelo Gavião, saltando para o Castedo e adormecendo na Foz. Sobe-se o Reboredo até Moncorvo que logo se larga para focar mais próximo a Adeganha e a Junqueira. Já cansados de tanto olhar, baixamos os olhos e do Alto da Caroça até à Sr.ª da Veiga, onde todos descansam. Depois de uns segundo de pausa, redirecciona-se a objectiva, respira-se o ar de urzes e torgas temperado de silêncios, porque o barulho aqui não se faz ouvir.
Quando o astro rei se preparou para dormir e incendiou a Vila, a Poente, impedindo-me de olhar, abandonei o local, andando de vagar, tentando não fazer barulho com os pés, não queria perturbar.
Este quadro de um reino maravinhoso que eu vi, e senti, outros viveram e sentem na saudade. Espero que esta mensagem chegue ao Brasil, à Laura e ao Fernando. Que ela alegre toda a nostalgia de mais de 40 anos de distância.

20 abril 2007

Viagem agitada até Meireles


No dia 18 de Abril parti para uma pequena visita a Meireles. Comecei por me questionar qual o percurso que iria seguir mas não descobri muitas alternativas. Confiei mais uma vez no meu espírito de improvisação.
Subi ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa, passei por Trás-da-Serra, Bairruivo e cheguei a estrada que segue para a Trindade. Apanhei o primeiro caminho, à esquerda, em direcção ao vale onde se encontra Meireles.

O caminho estava bom e conduziu-me a uma pequena quinta abandonada, a Quinta do Velhinho. Junto desta quinta há alguns terrenos cultivados e lameiros, mas, dali para baixo, em direcção ao do Ribeiro da Fragada, em direcção a Meireles, não consegui ver nenhum caminho possível.
Do outro lado da ribeira, onde terminam terrenos da Quinta da Veiguinha já era visível um caminho que parecia seguir em direcção à aldeia.

Decidi arriscar. Parecia um curto espaço de terreno ainda por cima a descer… Foi uma má opção. Havia muito mato, muitas fragas e muitas silvas. Foi o caminho mais difícil que já percorri desde que comecei os meus passeios À Descoberta de Vila Flor.
Antes de chegar à ribeira, já tinha um furo na roda dianteira. Foi um desespero. Não havia nada a fazer quanto à bicicleta. Tenho que comprar uma bomba de ar e levar uma câmara-de-ar comigo para estas eventualidades. Foi já o 4 ou 5 furo que tive!
Continuei “arrastando” a bicicleta e a tirar fotografias. Depois de passar a ribeira, foi mais fácil circular entre olivais e mato de estevas floridas.

Há por aqui muitas ravinas no fundo das quais passam várias ribeiras que se junta na Ribeira de Meireles. Na ribeira que desce da Feiteira estão a ruínas de dois moinhos. Ainda quis entrar nas ruínas mas não foi possível porque havia muito mato. Deixei a ribeira e comecei a subir para a aldeia. Numa pequena elevação encontrei um bom ponto para fazer uma bonita fotografia panorâmica da aldeia mas o Sol estava a ofuscar-me os olhos do alto da Serra do Faro.

Cheguei a Meireles sem muita vontade de tirar fotografias. As pessoas olhavam-me curiosas. Além da roda furada, as minhas pernas estavam num estado lastimável, capazes de causar pena a qualquer um.
Subi preguiçosamente a rua principal até à estrada do Cachão onde procurei um telefone. Esperei pelo “carro de apoio” e pelo “chá” que vinha junto.
Dois dias depois, olhando as fotografias, penso: - tenho que voltar a Meireles. As arranhadelas estão esquecidas mas as fotografias nem estão nada más!


Quilómetros percorridos neste percurso: 15
Total de quilómetros de bicicleta: 860
Total de fotografias: 18 282

Subida à Serra do Faro


No dia 16 de Abril parti com intenção de subir à Serra do Faro. A urze já está com as flores secas mas a carqueja, as estevas, as giestas e muitas outras flores selvagens emprestam um colorido à paisagem, que, nos pontos mais altos, se vai perder em poucos dias.
O céu estava azul e com poucas nuvens. Rumei a Vilas Boas e fiz um rápido passeio pela aldeia. Depois, continuei na estrada em direcção a Vilarinho das Azenhas durante cerca de quilómetro e meio onde deixei a estrada e entrei por um caminho, à direita. Aqui começou a etapa mais bonita do meu percurso. As vegetações estavam luxuriante e flores de todas as cores brotavam de todos os lados. A par desta paleta variada e viva, passeavam-se os olhos por quilómetros de serras que o meu conhecimento não destrinça. Identifiquei a Senhora dos Remédios, lá ao fundo, em Vilarinho das Azenhas. Segui um fio de prata que se entendia contorcido até à Ribeirinha. Era o Rio Tua.

Centrei de novo a minha atenção no caminho, rasgando a encosta. Deixei o Cabeço de S. Cristóvão para trás, seguindo a uma cota de mais ou menos 500 metros, fui contornando todo o conjunto montanhoso por Oeste. Muitas vezes larguei a bicicleta, sentei-me no chão, fotografando pequenos amores-perfeitos, aranhas e outros animais pequenos, deliciados com o sol quente de fim de tarde.
O tempo foi passando e a paisagem mudou. Entrei numa zona que ardeu no Verão passado. A natureza já se esforçou por decorar e rejuvenescer a área mas não se pode comparar com aquela onde tinha seguido até então. Contornar toda a cadeia de montanhas levar-me-ia muito tempo. Não tinha outra alternativa senão subir em linha recta em direcção ao topo! Durante algum tempo consegui progredir sem grande esforço, mas, quanto mais me aproximava do ponto mais alto, mais agreste se tornou o “caminho”, tendo que carregar a bicicleta (como já me tinha acontecido no dia 12 de Fevereiro quando subi ao alto do Cabeço de São Cristóvão). A tarde foi descendo, apareceram algumas nuvens a paisagem foi-se tornando mais esbatida.

É impressionante a imensidão que se avista do Marco Geodésico situado a 822 metros de altitude! Saltei de rocha em rocha (já sem a bicicleta), procurando explorar toda a área em redor. As sombras já cobriam a vertente a Nascente chegando já a Meireles.
Chamaram a minha atenção paredes que parecem ser muralhas de protecção de algum refúgio de povos pré-históricos. Era impossíveis não repararem neste local. Daqui poderiam vigiar uma grande área em redor e, é possível, que este lugar tenha sido utilizado para fazer sinais, integrado num sistema de comunicação. Porquê o nome Faro?!
Com muita pena minha, tive que sair dali rapidamente. Pretendia descer de bicicleta pela encosta a Nascente, mas, pelo que podia avistar, o caminho recuava muito em direcção ao Cachão, era longo e a noite estava próxima. Não parei mais até chegar a Vilas Boas. A reserva de água há muito que se tinha esgotado, refresquei-me numa fonte no centro da aldeia.

Cheguei a Vila Flor, tarde e exausto. Não satisfiz todas as expectativas que tinha de subir ao alto daquela montanha, as condições atmosféricas já não eram as ideais. Por outro lado, o percurso que fiz até chegar ao topo foi fantástico! Cheio de boas imagens e de adrenalina.
Não me importo nada de repetir a experiência.

Quilómetros percorridos neste percurso: 26
Total de quilómetros de bicicleta: 845
Total de fotografias: 17 826

Serra do Faro


A subida à Serra do Faro, a 822 metros de altitude, estava nos meus planos desde que subi ao Cabeço de S. Cristóvão e me deslumbrei com a linda paisagem em redor.
O percurso não foi fácil. Mais de 300 metros de subida de uma encosta íngreme, cheia de rochas e arbustos queimados do Verão passado. Optei por subir pela encosta a poente, do lado de Vilarinho das Azenhas. Quando cheguei ao marco geodésico já era bastante tarde e as condições de luminosidade já não eram as melhores. Não fiquei desiludido. Valeu a pena o esforço.

17 abril 2007

Vilas Boas - Capela de S. António

A ermida de Santo António, em Vilas Boas, é uma bela ermida românica tardia. Apresenta a curiosidade de ter um púlpito exterior, trabalhado em granito, situado à direita da porta com acesso por escadas.
No interior, bem cuidado podem ser encontradas imagens do séc. XVII.
Situa-se numa elevação da aldeia de onde se tem uma bonita vista de grande parte da mesma. Também a área envolvente está bem cuidada apresentando um bonito e aromático colorido. Há sombra suficiente e bancos, convidando a uma pausa saboreando a tranquilidade própria dos primeiros dias quentes da Primavera.
Logo depois de abandonarmos o recinto da capela, há um conjunto de rijos blocos de granito que já deve ter causado algumas dores de cabeça, dadas as evidencias de os tentarem desfazer. Encontram-se "decorados" com frescas couves e outras plantas de jardim. Subindo a estes blocos, tem-se uma bela vista, com a torre sineira da igreja recortada contra o azul da paisagem, em direcção ao Rio Tua, com algumas casas antigas, de granito, em primeiro plano. É um dos meus ponto favoritos para fotografar Vilas Boas.
Depois de se descer uma pequena encosta, encontra-se o Largo da Lamela onde se situam alguns dos principais pontos de interesse da aldeia: a Capela de S. Sebastião (também bem cuidada), o Pelourinho, um chafariz, um relógio de sol e algumas casas antigas e interessantes.

16 abril 2007

Novas aventuras


Hoje foi dia de novas aventuras. Não queria deixar passar a Primavera sem subir à Serra do Faro. Pedalei, caminhei, escalei, mas também andei de joelhos, fotografando flores, pequenos insectos, grãos de areia se comparados com os enormes rochedos que se ergueram diante dos meus olhos.
Cheguei a casa "desfeito". As fotografias estão fantásticas, e, das centenas que juntei, escolhi esta. Simples mas extraordinária. Um mundo que brota numa escarpa agreste que pintou de negro de carvão as minhas pernas enquanto subia.
Valeu a pena. Foi um passeio especial, num dia especial.

Roios


No dia 21 de Março, depois de um longo passeio pelo Santuário de Nossa Senhora da Lapa e uma grande área à volta, onde tirei bonitas fotografias, ainda tive tempo para apanhar os últimos raios de sol que chegavam a Roios.
Esta bonita aldeia e os seus simpáticos habitantes merecem ter um melhor acesso à vila. Está uma vergonha.

14 abril 2007

Freguesia mistério 3

Os resultados da votação na "Freguesia Mistério" 2 foram aquilo que eu estava à espera. Poucas pessoas, duas, localizaram correctamente o local.
Este "monumento" encontra-se na freguesia de Sampaio junto à Ribeira da Vilariça, muito perto da Capela da Senhora da Rosa. Quando fiz a fotografia fiquei com a sensação que quereriam construir uma ponte para ligação a terras da Junqueira, do outro lado da ribeira. Soube mais tarde que a ponte existiu mesmo, mas foi derrubada por uma cheia, que a arrastou ribeira abaixo, quase na totalidade. Essa cheia pode ter ocorrido em 1955.
Junto à estrada nacional, perto da Junqueira, a jusante da ponte existente que separa o concelho de Vila Flor e o de Torre de Moncorvo, há ruínas de outra ponte, também destruída.


Votação na Freguesia Mistério 2
Assares (4) 14%
Benlhevai (0) 0%
Candoso (1) 3%
Carvalho de Egas (0) 0%
Frexiel (8) 28%
Lodões (1) 3%
Mourão (0) 0%
Nabo (0) 0%
Roios (0) 0%
Samões (1) 3%
Sampaio (2) 7%
Santa Comba de Vilariça (4) 14%
Seixos de Manhoses (2) 7%
Trindade (1) 3%
Valetorno (0) 0%
Vale Frechoso (0) 0%
Vila Flor (2) 7%
Vilarinho das Azenhas (0) 0%
Vilas Boas (3) 10%

Total de votos: 29

Obrigada a todos os que participaram na votação.
Há já um novo Monumento para votar na Freguesia Mistério 3.

10 abril 2007

Valtorno 3

No dia 4 fiz um longo passeio por algumas aldeias dos concelhos de Vila Flor e de Carrazeda de Ansiães. São muitas as afinidades entre estes dois concelhos, em todos os aspectos.
O trajecto estava mais ou menos delineado, dependendo da minha resistência e da limitação do tempo. Teria que estar em Zedes à hora de almoço, onde fiquei de almoçar com familiares.
Com vontade de percorrer muitos quilómetros, deixei Vila Flor pelo caminho que passa junto do depósito de água, segue paralelo ao campo de futebol de Samões e sobe ao Concieiro, em Carvalho de Egas. Aqui, prestei mais atenção às rochas na beira da estrada. Procurava as alminhas que estão referenciadas junto à antiga estrada militar Almeida-Chaves. Por fim encontrei um nicho. Apresenta ainda vestígios de pintura sendo bem visível uma cruz, que teria Cristo crucificado. Distinguem-se também o que me parece serem quatro cabeças de outros personagens. Mais à frente encontrei outro nicho, mais pequeno, mais exposto e já sem nenhuma amostra de pintura.
Atravessei a estrada do Seixo (N609) e continuei por um caminho, já meu conhecido, até Valtorno. Aproveitei a posição sobranceira à aldeia para fazer algumas fotografias. O dia estava bonito e Valtorno parecia espreguiçar-se com o calor que se sentia. A aldeia é muito fotogénica e fiquei contente logo nos primeiros disparos. Se tivesse mais folgado no tempo, teria descido um o Ribeiro dos Moinhos, mas, segui até à aldeia passando por debaixo da estrada (N324).
Logo ali encontrei a pequena capela de Santo Cristo. O meu pensamento voou para a Ilha de S. Miguel, nos Açores, onde pude ver a imagem do Senhor Santo Cristo, ao qual a população presta grande culto.
Mais à frente, está um cruzeiro barroco. A protecção metálica que tem não é nada estética, antes pelo contrário. Os mesmos motivos decorativos, cruz, escada, turquês e martelo, encontrei-os, nesse dia, em mais dois ou três cruzeiros.

Subi ao Largo da Capela. Não dispunha de todo o tempo necessário para percorrer toda a aldeia, tinha que fazer opções. Segui pela Rua do Frade até encontrar mais um cruzeiro. Este está muito cuidado, pintado e rodeado de um bonito jardim. Dali vi a Escola Primária, a Ribeira das Olgas, com as ruínas de um moinho, e, algumas hortas. Subi às paredes e senti-me uns séculos atrás. Quantas pessoas já viram passar aquelas paredes? Por instantes imaginei-me numa aldeia medieval.
Valtorno é uma aldeia cheia de história. A prová-lo está o castro com vestígios de muralhas, a imagem gótica de Santa Maria do Castanheiro, do séc. XIII e algumas fontes medievais. Uma fonte medieval vi eu um pouco mais abaixo! Penso que seja a Fonte do Frade. Merecia melhor tratamento. Não me aproximei porque me pareceu tratar-se de terrenos privados, mas não gostei de ver aquela beleza votada ao abandono.
Em muitos recantos há bonitos exemplares de casas em granito, antigas, a merecerem recuperação. Há muros, casas, caminhos, fontes, pombais, bonitos exemplares do passado que me fascinaram e que prometo explorar com mais pormenor.
O relógio da Igreja de Nossa Senhora do Castanheiro alertou-me para o avançado da hora. Desci à estrada nacional e segui até ela. Por detrás da igreja sobrevive um enorme e velhíssimo castanheiro. Não me tinha apercebido que ali estava! A igreja estava fechada. Procurei em seu redor vestígios que atestassem os seus muitos anos de história. Em cima da parede do cemitério está uma cabeceira medieval. No adro existiu uma necrópole. Também nesta igreja se deu apoio aos peregrinos que por aqui passavam a caminho de Santiago de Compostela. Depois de terminar de ler o livro que trago em mãos, “Respingos de Valtorno”, terei outra visão desta igreja que é tratada no livro com alguma profundidade.
Apressado pelo relógio e pela fome, dei o máximo de mim enquanto pedalava até Alagoa. Bem me apeteceu parar e olhar para trás. Valtorno estava pomposo, preparado para a fotografia, deitado qual musa posando para a tela de um artista.

Cheguei a Alagoa. A cereja no cimo do bolo era eu encontrar um dos antigos marcos que sempre fizeram desta terra linha divisória de vários concelhos: Vilarinho da Castanheira, Carrazeda e Vila Flor. Acabei por encontrar as alminhas de Santo António, nas Abessadas, quando me dirigia para Mogo de Ansiães.
O meu trajecto seguiu pelo Mogo de Ansiães e depois Zedes, onde almocei. No regresso a Vila Flor, tive ainda coragem para ir a Samorinha, Carrazeda de Ansiães, Fontelonga, Pena Fria, Alagoa, Valtorno e Carvalho de Egas.
Cheguei a casa bastante cansado. Foi um dia pleno de emoções.


Quilómetros percorridos neste percurso: 70
Total de quilómetros de bicicleta: 819
Total de fotografias: 16 888

04 abril 2007

Valtorno 2


Hoje dei um longo passeio de bicicleta pelos concelhos de Vila Flor e Carrazeda de Ansiães. No concelho de Vila Flor concentrei a minha atenção na freguesia de Valtorno, terra cheira de história, com bonitos recantos que adorei fotografar.
Brevemente vou dar a conhecer algumas fotografias e pormenores do passeio. Hoje, deixo só uma, em tons de amarelo e verde .

03 abril 2007

Aldeias com Vida e com história


No dia 2 desloquei-me a Freixiel, desta vez com a família, para participar num pequeno passeio por alguns lugares históricos. Alguém lhe chamou “aula” de história em Freixiel e, na verdade, foi uma verdadeira aula, sobre a história de Freixiel que mergulha na história da região, da nação e do homem.
Para cicerone não podia ter sido escolhida melhor pessoa, Cristiano Morais. Filho da terra, profundo conhecedor dos locais que visitámos, que percorre desde a juventude, pesquisador de tudo que se relaciona com Vila Flor, com uma presença bem disposta e gosto em partilhar todo o conhecimento acumulado.
O ponto de encontro era o Pelourinho. Não deve ter sido escolhido ao acaso mas acabou por ficar de fora. Em Freixiel são numerosos os locais a visitar.
Formou-se um grupo de cerca de 30 pessoas, com idades entre os 8 e os 90 anos (mais concretamente 89), constituído pelas pessoas envolvidas nas várias vertentes do Programa Aldeias Vivas, alguns jovens estudantes, agora de férias, e algumas vindas de fora propositadamente para este encontro.
Mesmo antes de entrarmos na Rua Grande, na Rua da Casa do Concelho, surgiu a mesma questão que eu coloquei no fórum a 12 de Janeiro. O que representa a pequena escultura incrustada na padieira da porta de uma garagem de uma casa recente? Foi unânime a ideia de que representava uma figura antropomórfica. A escultura pode estar incompleta, pois não é visível, à primeira vista, qualquer formação identificável com a cabeça. Para Cristiano Morais não há dúvida que representa uma divindade com relação com a fertilidade apontando a representação de órgãos sexuais femininos. A representação de figuras femininas com formas muito acentuadas, também chamadas Deusas Mães, remontam a umas boas dezenas de milhares de anos antes de Cristo (Paleolítico), sendo-lhes atribuído um poder mágico ligado à fertilidade. A juntar à estranheza da escultura surge a interrogação pelo facto da mesma ser encontrada na casa onde se encontra, quando se procediam a obras.
A segunda paragem aconteceu no Solar dos Araújos Borges. Foi completa a explicação de todas as representações do brasão com armas dos Araújos e dos Borges. Aqui morou um Fidalgo da Casa Real, coronel das Milícias em Chaves.
Seguiu-se um pequeno passeio até ao promontório onde se eleva o castro ou Castelo. Pelo caminho fomos encontrando muitos pedaços de barro e compreendendo que naquele local podemos abraçar milénios de história. As lendas também estiveram presentes, visitámos o local que deu origem à lenda da Fonte da Crica da Vaca e ouvimos falar da Ponte do Diabo.
Passeámo-nos pelo olival antiquíssimo plantado no mesmo local onde existiu o habitat romanizado do Castelo. Terá aqui existido um povoado de consideráveis dimensões. O elemento mais idoso do grupo fez questão de nos mostrar a localização onde se pensa ter existido a capela de Santa Marinha.
Subimos a uma cota um pouco superior à procura de uma preciosidade. Trata-se uma fraga granítica com insculturas pré-históricas. É bem visível um círculo com uma covinha no centro e muitas outras covinhas (mais de meio cento), gravadas aparentemente com alguma ordem. Esta é uma prova que faz recuar a ocupação deste espaço a alguns milhares de anos antes de Cristo, relevando para outro plano o cartão de visitas da aldeia, a tão conhecida Forca de Freixiel.
Subimos ao Castro. Apreciámos a única construção de habitação existente que surpreendeu todos pelas suas reduzidas dimensões. Visitámos também o local onde são visíveis restos de algumas muralhas, dos vários níveis que o defendiam. Este local foi o que eu visitei no dia 15 de Janeiro na minha primeira “descoberta” do Castro de Freixiel.
As horas foram passando tão rápidas como as histórias. Viajámos no tempo e no espaço dos povos pré-históricos acossados pelos ursos aos hospitalários, das palas aos solares, das vias romanas às estradas reais, do poderio de Ansiães ao pequeno concelho de Vila Flor.
Terminámos a visita histórica, onde tudo termina, no regresso à terra. No sopé da elevação onde se ergue o Castro há uma sepultura escavada na rocha.
Com a tarde quase no fim, verificámos que sobrou matéria para muitas mais “aulas” de história em Freixiel. Regressámos à aldeia.
Não consegui acompanhar tantos séculos (milénios mesmo) de história numa só tarde. Ficou a semente, a curiosidade e o respeito por tudo que nos mostra de onde viemos, o que fomos, porque vivemos assim. Não fora a minha ânsia de descoberta de paisagens, lugares, plantas e animais, hábitos e pessoas, e dedicaria muito do meu tempo livre a estudar histórias, é uma área fantástica.
Agradeço às pessoas de Freixiel (em especial à Esmeralda) por se terem lembrado de mim. Quanto ao mestre Cristiano Morais, espero que este tenha sido o primeiro de outros encontros e assim eu consiga maior "bagagem" histórica, para este meu percurso de descobertas.