12 maio 2007

em Santa Comba da Vilariça


Hoje a “viagem” foi a Santa Comba da Vilariça. Pelo caminho aproveitei para fotografar Roios, Lodões e Assares. Também não esqueci os insectos e as pequenas flores que crescem nas valetas e que, pouco a pouco, se despedem de nós, até à próxima Primavera.
O dia esteve bastante nublado e ventoso, mas teve algumas abertas, que deram mais brilho às belezas naturais que encontrei.
Em Santa Comba, visitei a igreja. Preparava-se o andor de Nossa Senhora de Fátima para a procissão das velas do 13 de Maio.

11 maio 2007

Assares

Assares é uma pequena aldeia quer em número de habitantes quer na área que ocupa. A sua pequena dimensão contrasta com a sua antiguidade havendo evidências da presença do homem nestas paragens há milhares de anos. As insculturas na rocha da Cova da Moura ou o Santuário Calcolítico do Cabeço da Mina são evidências conhecidas e importantes até no panorama pré-histórico português.
Situando-se no fértil Vale da Vilariça, somos levados a considerar que este local sempre tenha sido apetecível para a actividade humana.
Da estrada N102 sai a Avenida 25 de Abril, que em linha recta, nos conduz ao centro da aldeia. É perto de um quilómetro, sempre a subir, tendo que se sair da aldeia pelo mesmo caminho. Essa foi talvez uma das razões para eu ainda não ter visitado Assares como ele merece. A minha ideia sempre foi entrar na aldeia, por Oeste, descendo as montanhas em direcção ao vale, à Ribeira da Vilariça. Consultando vários mapas on-line não consegui vislumbrar um trajecto completo. Havia duas alternativas: partir de Roios em direcção a Norte, atravessar algumas quintas e descer depois a Assares, ou partir de Vale Frechoso em direcção a Assares. Optei pela primeira hipótese.
Cheguei a Roios, segui em direcção à igreja e depois cortei à direita um pouco ao acaso. O dia estava agradável, quente, luminoso, com algumas nuvens. É muito agradável passear por estes caminhos nesta altura do ano!
Os meus pontos de referência eram uma pequena barragem perto da Quinta de Santo Estêvão, a Quinta do Prado e o marco geodésico do Fiolho. Parecia-me que poderiam existir algumas quedas de água na ribeira, por cima da Quinta do Prado de Baixo.
Tudo correu bem até atingir a Fraga do Castelo. Atrás de mim, Roios ia ficando pequeno e à minha frente apareceram algumas ravinas agrestes, rochosas. Quando avistei a pequena barragem as coisas complicaram-se. Foi difícil seguir um caminho que me levou à Quinta do Prado e a uma grande mata de eucaliptos. Aqui caminhos não faltam, o difícil é tomar as opções certas. Depois de andar algum tempo aos esses, subi uma íngreme encosta que me levou ao marco geodésico, que se eleva a 503 metros de altitude. Já tinha bebido toda a água que transportava, mas a beleza do vale fez-me esquecer a sede.
Fiquei ali, no alto, fotografando Lodões, Assares, a Trindade e todo o vale em redor, desde a Serra de Bornes, até à Foz.Comecei a descida para o vale em direcção a Assares. O declive é muito acentuado, ainda bem que era a descer. Entrei em Assares pela Rua da Peneda. A primeira coisa que me surpreendeu foi a quantidade de rolas (Streptopelia decaocto) que havia a cantar por toda a aldeia. Contavam-se às dezenas! Procurei uma fonte. Depois de saciar a sede procurei a capela. É muito sóbria e estava fechada. Por cima da porta tem gravado o ano de 1977. Esta capela foi utilizada durante muito tempo como igreja porque esta ultima se encontrava em mau estado de conservação. Actualmente a igreja parece estar recuperada. Pelo menos o espaço circundante está todo calcetado, arranjado e com candeeiros. Não é necessário muito tempo para percorrer todas as ruas de aldeia, voltando sempre à Rua da Praça. O cruzeiro tem a data de 1943. Perto encontra-se também um fontanário e os tanques públicos, no Largo do Fontanário.
Poucas pessoas encontrei pelas ruas com quem pudesse meter conversa. A tarde estava no fim, o sol só já iluminava o outro lado do vale, havia que regressar a casa.
Desci à N102 (IP2) e pedalei rapidamente até Lodões. Aqui todos os cachorros parecem ter raiva de mim! Enquanto subia até Roios, foram descendo as trevas e as raposas já rondavam a aldeia.
Cheguei a casa muito tarde, foi um longo passeio. No essencial cumpri o percurso desejado. Conheci novos caminhos, subi a mais um marco geodésico e visitei Assares. Só faltava um bom banho, o jantar e muita água.

Quilómetros percorridos neste percurso: 34
Total de quilómetros de bicicleta: 1050
Total de fotografias: 22 270

09 maio 2007

Volta completa, com Assares


Hoje a viagem foi até Assares. Apesar de já te passado várias vezes junto Assares, ter subido um pouco em direcção à aldeia, a verdade é que nunca (na minha vida) tinha estado no centro de Assares.
Com esta visita completa-se uma volta ao concelho. Nalguns locais já estive três ou quatro vezes, noutros (poucos) só ainda estive uma vez.
Já somei mais de 1000 quilómetros (só em bicicleta) e mais de 20 mil fotografias.
Escolhi um percurso muito pouco convencional, para não repetir, sempre por caminhos desde Roios até Assares, aproveitando as cores da Primavera de uma tarde algo nublada.
O resultado foi bom, em breve mostrarei mais fotografias.

Benção

Bendito
o sol que beija
o rosto de crianças
nuas em busca do que não tiveram.

Benditas
as montanhas
que fazem cópula com a noite,
e ficam virgens mais belas
que as estrelas quando amanhece...

Benditas
as cumeadas
que dormem
em berços de névoa mansa
com lençóis de neve.

Benditos
os rios, que levam
as serras e os vales,
e benditas as árvores,
a toalha do seu banho...

Bendito
o mar,
fonte de reserva
quando a água na terra se acabar.

Benditas
as florestas
que escondem a liberdade
dos animais...

Bendita
a Natureza
Espelho de beleza
do Criador!

Bendita
a Dor
quando nela há o prazer de um tormento
maior que o Amor...
Benditos...

José Nascimento Fonseca*
Notícias de Mirandela, 25-02-1961

*José do Nascimento Fonseca nasceu no Nabo a 22-12-1940 e morreu a 27-07-1983.
Encontrei alguns poemas seus, que foram publicados em jornais, no museu. Gostei deles. Senti que as suas palavras podem completar(-se com) as minhas fotografias. Será com prazer que os transcreverei para este fórum, também como uma riqueza de Vila Flor.
A fotografia foi tirada em Samões, dia 28 de Abril de 2007.

08 maio 2007

Ribeirinha


Continuação do passeia a Vilarinho das Azenhas (06-05-2007)
Entre Vilarinho das Azenhas e a Ribeirinha há três vias quase paralelas: o rio, o caminho e a linha do comboio (Linha do Tua). Qual delas seguir? Qual delas a mais bonita, a mais viva e colorida? Nem sei se agora passa por aqui algum comboio, depois do que aconteceu há pouco tempo atrás com a composição que caiu ao rio.. Passei por aqui com mais de 30 amigos no dia 25 de Junho de 2006. Comentávamos que poderia ser a nossa última viagem nesta linha. Infelizmente parece que tínhamos razão!
Antes de chegar à Ribeirinha apreciei de novo o espectáculo que está a linha do comboio. Uma caminhada, linha abaixo, até ao Tua seria uma boa aventura…
Junto do rio há muita erva, é muito difícil circular. Concentrei a minha atenção na zona habitacional.

Na primeira viagem não tive oportunidade de visitar as duas capelas, ambas de S. António, tal como a maior festa do lugar, realizada a 13 de Junho.
A Capela Nova, sofreu obras de restauro em 2001, ainda lá está um grande painel publicitário do Estado! O seu interior é muito singelo e parece inacabado. A imagem mais curiosa que vi foi o Menino Jesus de Praga.
Percorri algumas ruas e dei comigo junto à Capela Velha de Santo António. Junto ao sino está gravada a data de 1918. Esta capela nem sempre foi assim. A quando do último restauro foi retirado tudo o que restava do altar. Ficou uma parede muito vazia mas nem por isso deixa de ser acarinhada pelas pessoas da aldeia. Aqui o Santo António ocupa o lugar cimeiro. Em volta da capela há um bonito jardim, cheio de rosas.

Tive ainda oportunidade de conhecer um quase conterrâneo meu, lá dos Folgares, que se mudou para a Ribeirinha há cerca de 50 anos.
À saída da aldeia, em vez de seguir pela estrada decidi subir a um monte sobranceiro explorando novas vistas. Valeu a pena o esforço. A visão que tem da Ribeirinha e de Barcel, com o rio a meio, é muito bonita. O sol estava cada vez mais baixo, criando locais de sombra e transparência nas flores e folhas da vegetação em redor. Até de avista Vilarinho das Azenhas, com o seu santuário!
Vim apanhar de novo a estrada a mais de um quilómetro da aldeia e a já a 317 metros de altitude. Comecei a subida lenta (até a bateria da máquina fotografia acabou!), mas desta vez muito melhor do que em Novembro de 2006.
Cheguei a Vilas Boas quando os últimos raios de Sol, já de um alaranjado muito pálido, batiam na torre da igreja. Com um pouco mais de esforço, cheguei aos 676 metros de altitude e depois foi só pedalar alegremente até Vila Flor.
Quilómetros percorridos neste percurso: 33
Total de quilómetros de bicicleta: 1016
Total de fotografias: 21 110

07 maio 2007

Vilarinho das Azenhas


Desta vez o passeio desceu até ao Rio Tua. Fui à Ribeirinha no dia 22 de Novembro de 2006 e ao Vilarinho das Azenhas no dia 21 de Janeiro de 2007. Nos dois dias, as condições atmosféricas não foram as melhores. Decidi voltar, desta vez tentando cobrir as duas num só passeio. Quase mil quilómetros depois, já não me custa tanto subir da Ribeirinha a Vilas Boas e, em termos de fotografia, também muita coisa mudou.

A viagem não tem história (fotográfica) até começar a descer de Vilas Boas para Vilarinho das Azenhas. Aí o horizonte alarga-se, os olhos soltam-se e apetece fotografar tudo. As maias ladeiam a estrada, criando uma passadeira negra num jardim florido de amarelo. O Faro, sempre vigilante, brinca com algumas nuvens brancas que emprestam mais beleza ao azul do céu.
À entrada da aldeia as hortas estão verdes com morangos brilhando de maduros e batateiras cuja rama quase já cobre a terra.

Fiz o mesmo percurso da primeira visita. Na igreja rezava-se o terço, por isso segui mais rapidamente em direcção ao rio. Perto do rio o ar estava pouco respirável. No ar circulava muito “algodão” do choupo branco. O caudal está maior do que em Janeiro e deliciei-me a fotografar o verde da vegetação contra a prata das águas.

Por todo o lado abundam flores de todas as cores com predominância do amarelo.
Depois de um pequeno passeio à ponte que permite atravessar o Rio Tua para Valverde e Barcel, voltei ao Bairro da Estação. Segui a estrada que sobe paralelamente à aldeia, até chegar à entrada, no mesmo ponto onde tinha começado. Achei que estava na hora de partir. Não encontrei ninguém a quem pedir algumas informações sobre o percurso, mas, por intuição, dirigi-me à igreja e meti por um caminho em direcção a Poente. O caminho deveria acompanhar o rio.
Quando me afastei e olhei para trás, o cenário estava fantástico. A aldeia, rodeada de oliveiras em primeiro plano. Por cima dela erguia-se o cabeço onde se encontra o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. À direita todo o conjunto da Serra do Faro e do Cabeço de S. Sebastião, coroados por algumas nuvens brancas.

O caminho está bom, não fora o vento e teria parado muitas vezes para fotografar toda a espécie de flora que se apresentava cheia de vida.
Onde o caminho cruza a Linha do Tua encontrei um dos cenários mais bonitos do dia. Que pena se esta linha encerrar. Toda esta área que percorri, da ponte de Vilarinho das Azenhas até à Ribeirinha, está coberta de flores como se houvesse um canteiro de jardim de cada lado da linha.

Segui para a Ribeirinha. (continua na Ribeirinha)

05 maio 2007

Na linha


Hoje foi dia de passeio de bicicleta. As localidades escolhidas foram, Vilarinho das Azenhas e Ribeirinha. Um percurso muito bonito, com a linha do comboio, o rio, as montanhas e as flores selvagens. Elementos mais que suficientes para permitirem fotografias bem bonitas.

04 maio 2007

Cheiro a terra humida e ... viva

Termina mais uma semana de trabalho. Esta foi fria, húmida, com bastante chuva, o que é bom para um concelho que tem problemas de água no Verão. Estas condições atmosféricas não ensombraram toda a beleza que rebenta por todo o lado numa mescla de cheiros, formas e cores. Num dia de trabalho, mesmo ao lado de onde estaciono o carro, este é o quadro que me reconforta a alma, que me acalma o stress, que pinta de mais alegria o meu dia-a-dia.

02 maio 2007

Trindade

No dia 30 de Abril, parti À Descoberta da Trindade. Ainda são bastantes quilómetros que separam a trindade de Vila Flor, mas, depois de ter superado a prova da meia maratona em BTT no dia 22 de Abril, os quilómetros não me assustam muito. Tenho mais receio de ter problemas na bicicleta.
Tinha percorrido cerca de 3 quilómetros, quando começaram a cair as primeiras gotas. Olhei para o alto da colina dos Folgares e deduzi que a coisa não estava para brincadeiras. Deixei a bicicleta na beira da estrada e corri a procurar abrigo, junto de um idoso de Samões, numa pequena cabana, num terreno próximo. À chuva seguiu-se granizo em quantidade, depois, o céu ficou com boas abertas o que me abriu também boas perspectivas.
As valetas estão como jardins! Flores de todas as cores e formas, desafiam a objectiva e os conhecimentos de qualquer aprendiz em botânica.
À medida que ia avançando, tornou-se mais frequente o manto amarelo das maias (Cytisus scoparius). É muito interessante verificar como num concelho tão pequeno existe tanto contraste em termos de flora!
Estava a admirar a beleza do vale do Tua, quando olhei em direcção à Senhora da Assunção. As nuvens que se aproximavam, eram assustadora. Hesitei entre continuar, ou em refugiar-me em Vale Frechoso, que estava próximo. Optei por continuar. Tive sorte. Pude observar do alto, como a chuva se despenhou sobre Vila Flor, continuando pelo Vale da Vilariça, por vezes acompanhado de trovões.
Cheguei à Trindade sem grandes contratempos. Já ali tinha estado nos meus percursos por 3 ou 4 vezes. A aldeia é pequena, mesmo muito pequena. Rapidamente percorri todas as ruas voltando sempre ao ponto inicial, a igreja. Foi mesmo a principal razão porque fui à Trindade, mas, por mais que procurasse, não consegui que ninguém me abrisse a porta, para a poder visitar. Fiquei nas redondezas mais de duas horas, até que desisti.
Comecei a descer para Valbom quando encontrei um caminho que sobe para o cemitério da Trindade. Meti por ele e fiquei fascinado com a beleza da vegetação. Passei o cemitério e continuei a subir, procurando um ponto de onde pudesse ver o vale. De repente começou a chover e a trovejar. Assustei-me a sério. Temi pela máquina fotográfica que ainda não se refez do pó da Vilariça e já estava a “tomar banho”. Não tive coragem de procurar abrigo nos grandes sobreiros que por ali há. Alguns deles apresentam as típicas marcas de terem sido rasgados pela lâmina afiada das faíscas. Estava encharcado quando cheguei a Valbom. A chuva parou dando-me tempo para visitar um lagar de azeite, recuperado, e para falar com alguns habitantes.
Já tarde, parti em direcção a Santa Comba. Já não havia tempo nem luz para mais fotografias.
Depois de Lodões, subi a Roios. A escuridão nos céus voltou, já não podia esperar que a tormenta passasse. Cansado e molhado, cheguei a casa ao cair da noite. O saldo do passeio foi muito positivo. Não visitei a igreja da Trindade mas apanhei um banho do verdadeiro templo, a Natureza.

Quilómetros percorridos neste percurso: 45
Total de quilómetros de bicicleta: 983
Total de fotografias: 20 272

Valbom


Mesmo à chuva, Valbom merecia uma fotografia bonita. Nada como começar Maio com um bonito berço de maias para esta simpática aldeia.

01 maio 2007

Fotografando à chuva


Ontem foi dia de um longo passeio, nem sempre calmo e nem sempre seco. Um tempo instável, criou-me stress, empapou-me a roupa e retirou algum brilho às imagens captadas. Mesmo assim, quando tive que escolher uma fotografia para postar hoje, tive bastante dificuldade na selecção.
Esta fotografia foi tirada algures no monte, perto da Trindade, em direcção à Serra de Bornes. Chovia. Enquanto me dividia entre recolher-me debaixo de um sobreiro, ou afastar-me deles com medo das faiscas, foi disparando, porque cada segundo é único (a câmara é que não é à prova de água).

30 abril 2007

Samões


Samões fica a poucos quilómetros de Vila Flor. Talvez por isso, tem sido mais um local de passagem do que objectivo número um, no entanto, muitas das fotografias que coloquei no Blog, principalmente na altura das amendoeiras em flor, foram conseguidas em Samões.
O dia, 28 de Abril, estava muito instável. Depois das chuvas que caíram, o céu ainda se apresentava muito nublado, com ameaças de chuva. Para completar o quadro, nas últimas saídas que tenho feito de bicicleta, tenho tido muitos furos, até já tenho receio de sair.
Com este quadro meio cinzento, a meio da tarde, rumei a Samões. Estava decidido a percorrer todas as ruas da aldeia, com calma, descobrindo qualquer motivo de interesse. Logo na primeira oportunidade, deixei a estrada que liga Trindade a Foz Tua, onde tantas vezes passo. Entrei por uma rua à direita, a Rua do Fragarito. Procurei um local de onde pudesse ver grande parte da aldeia para tentar uma fotografia panorâmica, mas todos os caminhos que tentei não tinham saída.
Segui até ao Largo da Lameira. Aqui é sem dúvida um dos pontos importantes da aldeia e um daqueles que os locais mais se devem orgulhar. É bonito este largo. Espaçoso, arejado, bem pavimentado, com árvores, banquinhos e até divertimentos para as crianças. Aproveitei e bebi um café no café com o nome do padroeiro. Um idoso, a meu lado, ofereceu-me um “cheirinho”, que recusei contrafeito. Era, sem dúvida, um bom intróito para uma conversa.
Segui pela Rua da Lameira que termina noutro largo, o do Fundo do Povo com a Capela de Nossa Senhora do Rosário logo ali. Esta capela, românica, tem um cabido e púlpito exterior. Os habitantes de Samões garantem que foi a igreja primitiva. Não pude entrar na capela, mas pelo que se pode observar através dos vidros, vale bem uma visita. O altar é lindo e todo o interior parece bem conservado.


Encontrei depois uns tanques públicos e mudei de direcção, pela Rua da Salgueiral. Parece-me ser nesta rua onde se encontram as casas mais antigas da aldeia. A Casa Almendra, com estilo de palacete, tem uma capela brasonada. A capela com data no pórtico de 1872 é dedicada a S. Francisco e o palacete pertenceu ao 1.ºBarão de Samões. Ambas as estruturas estão a necessitar de obras urgentes. Também mais atrás, no Outão, encontra-se outra capela, a do Espírito Santo. Trata-se de uma capela Barroca, datada de 1797, completamente abandonada mas com a fachada ainda bem conservada devido à qualidade do granito e da construção.
Depois de passar o Lar da Terceira Idade, estrutura recente e completamente enquadrada nas construções vizinhas, segui pela rua que leva ao cemitério. O relógio de Sol lá estava, a olhar para mim. Também sobre o muro do adro estão os restos de uma bonita pia baptismal que merecia ter tido melhor destino.
Desta vez encontrei algumas senhoras que cuidavam da igreja. Prontamente me contaram tudo de que se recordavam sobre a sua aldeia.Estive ali durante bastante tempo, mas dela falarei numa outra oportunidade. Deixei a igreja pela Rua do Cruzeiro. Aqui se localiza outro ponto importante da aldeia, com a sede da Junta de Freguesia, o Cruzeiro, a paragem dos autocarros e um café ali ao lado.
Segui pela estrada em direcção à Capela de Nossa Senhora de Lurdes. Esta pequena capela encontra-se integrada num espaço agradável. Uma pequena área vedada, com bancos quase a toda a volta, ladeada por duas bonitas imagens, cada uma em seu pedestal com mais de dois metros de altura.

No interior da capela encontra-se representada a aparição de Nossa Senhora de Lurdes. Apesar do vidro, fiz um pequeno ajuste na sensibilidade do “filme” e, trabalhando em manual, sem flash consegui uma fotografia com boa iluminação, graças a duas pequenas janelas laterais.
Dei um pequeno passeio em volta da Escola de 1.ºCiclo e do Jardim-de-infância, admirando as pinturas existentes nas paredes. Com certeza que não foi pedida autorização superior para a sua realização, mas que estão diferentes, para melhor, lá isso estão! Felizmente esta escola sofreu obras de adaptação e funciona como centro escolar recebendo crianças de outras aldeias. Vamos ver se consegue escapar à fúria de encerramentos do próximo ano escolar.
Segui em frente em direcção a Vila Flor. Ainda era cedo e cortei à direita em direcção a uma urbanização recente, onde já existem bonitas vivendas. O meu objectivo não era admirar as vivendas, mas sim subir ao alto de algumas fragas, procurando uma posição de onde tivesse uma bonita perspectiva da aldeia. O sol brincava comigo. Ora aparecia, ora desaparecia, baralhando o fotómetro e a minha paciência.

Embrenhei-me nos campos buscando pequenas flores e insectos, de joelhos, sentado, deitado, até que as baterias da máquina fotográfica me obrigaram a parar. Foram momentos de puro gozo, só em contacto com a natureza.
Regressei à bicicleta e desta vez segui mesmo em direcção a Vila Flor. Tinha percorrido poucos quilómetros! Continuei pela estrada da Trindade até encontrar o caminho que conduz à lixeira. Segui por Trás da Serra até ao cume da Serra da Lapa. Quando aí cheguei a vila estava com alguns raios de sol de fim de tarde. Ainda tirei a máquina fotográfica suplente e ensaiei alguns disparos. Esses ficarão para outras postagens.
(imagem muito pesada 1 Megabyte)
Quilómetros percorridos neste percurso: 14
Total de quilómetros de bicicleta: 938
Total de fotografias: 19 681