Assares é uma pequena aldeia quer em número de habitantes quer na área que ocupa. A sua pequena dimensão contrasta com a sua antiguidade havendo evidências da presença do homem nestas paragens há milhares de anos. As insculturas na rocha da
Cova da Moura ou o Santuário Calcolítico do
Cabeço da Mina são evidências conhecidas e importantes até no panorama pré-histórico português.

Situando-se no fértil
Vale da Vilariça, somos levados a considerar que este local sempre tenha sido apetecível para a actividade humana.
Da estrada N102 sai a Avenida 25 de Abril, que em linha recta, nos conduz ao centro da aldeia. É perto de um quilómetro, sempre a subir, tendo que se sair da aldeia pelo mesmo caminho. Essa foi talvez uma das razões para eu ainda não ter visitado Assares como ele merece. A minha ideia sempre foi entrar na aldeia, por Oeste, descendo as montanhas em direcção ao vale, à
Ribeira da Vilariça. Consultando vários mapas on-line não consegui vislumbrar um trajecto completo. Havia duas alternativas: partir de
Roios em direcção a Norte, atravessar algumas quintas e descer depois a
Assares, ou partir de
Vale Frechoso em direcção a
Assares. Optei pela primeira hipótese.
Cheguei a
Roios, segui em direcção à igreja e depois cortei à direita um pouco ao acaso. O dia estava agradável, quente, luminoso, com algumas nuvens. É muito agradável passear por estes caminhos nesta altura do ano!

Os meus pontos de referência eram uma pequena barragem perto da
Quinta de Santo Estêvão, a
Quinta do Prado e o
marco geodésico do Fiolho. Parecia-me que poderiam existir algumas quedas de água na ribeira, por cima da
Quinta do Prado de Baixo.
Tudo correu bem até atingir a
Fraga do Castelo. Atrás de mim, Roios ia ficando pequeno e à minha frente apareceram algumas ravinas agrestes, rochosas. Quando avistei a pequena barragem as coisas complicaram-se. Foi difícil seguir um caminho que me levou à
Quinta do Prado e a uma grande mata de eucaliptos. Aqui caminhos não faltam, o difícil é tomar as opções certas. Depois de andar algum tempo aos esses, subi uma íngreme encosta que me levou ao marco geodésico, que se eleva a 503 metros de altitude. Já tinha bebido toda a água que transportava, mas a beleza do vale fez-me esquecer a sede.
Fiquei ali, no alto, fotografando
Lodões,
Assares, a
Trindade e todo o vale em redor, desde a
Serra de Bornes, até à Foz.

Comecei a descida para o vale em direcção a Assares. O declive é muito acentuado, ainda bem que era a descer. Entrei em Assares pela
Rua da Peneda. A primeira coisa que me surpreendeu foi a quantidade de rolas (Streptopelia decaocto) que havia a cantar por toda a aldeia.

Contavam-se às dezenas! Procurei uma fonte. Depois de saciar a sede procurei a
capela. É muito sóbria e estava fechada. Por cima da porta tem gravado o ano de 1977. Esta
capela foi utilizada durante muito tempo como igreja porque esta ultima se encontrava em mau estado de conservação. Actualmente a
igreja parece estar recuperada. Pelo menos o espaço circundante está todo calcetado, arranjado e com candeeiros. Não é necessário muito tempo para percorrer todas as ruas de aldeia, voltando sempre à Rua da Praça. O
cruzeiro tem a data de 1943. Perto encontra-se também um fontanário e os tanques públicos, no
Largo do Fontanário.

Poucas pessoas encontrei pelas ruas com quem pudesse meter conversa. A tarde estava no fim, o sol só já iluminava o outro lado do vale, havia que regressar a casa.
Desci à N102 (IP2) e pedalei rapidamente até
Lodões. Aqui todos os cachorros parecem ter raiva de mim! Enquanto subia até
Roios, foram descendo as trevas e as raposas já rondavam a aldeia.
Cheguei a casa muito tarde, foi um longo passeio. No essencial cumpri o percurso desejado. Conheci novos caminhos, subi a mais um marco geodésico e visitei
Assares. Só faltava um bom banho, o jantar e muita água.

Quilómetros percorridos neste percurso: 34
Total de quilómetros de bicicleta: 1050
Total de fotografias: 22 270