07 junho 2007

Festa do Corpo de Deus


A Festa do Corpo de Deus, realizada sempre a uma Quinta-feira, faz a união entre a a Última Ceia e a Quinta-feira Santa, chegou a Portugal no séc. XIII. No planalto de Carrazeda de Ansiães e Vila Flor limpam-se as ruas e enfeitam-se com passadeiras feitas de verdura e flores de todas as espécies e cores. O objectivo é receber a procissão com o Santíssimo Sacramento, abençoando as ruas das aldeias.
Se nalgumas aldeias já não há homens suficientes para se conseguir organizar a procissão, noutras a procissão ainda se mantém, tal como toda a vivência da decoração da ruas. Durante a manhã, que eu tenha conhecimento, foi possível observar passadeiras belíssimas em Vilas Boas, mas realizaram-se procissões noutras localidades como Mourão. De tarde vai ser possível participar na procissão, ou simplesmente admirar as ruas engalanadas, em Samões, Valtorno e Vila Flor.

Na rota das giesta em flor - Alagoa


No dia 4 de Junho voltei a Valtorno. Desta vez decidi ir pela estrada para evitar gastar todo o tempo distraído a olhar a natureza nos caminhos pelo Concieiro. O percurso que pretendia seguir exigia algum tempo, e, como agora o Sol já queima a pele optei por sair mais tarde de casa. Quando cheguei a Valtorno informei-me da localização do Cabeço Murado e da Capela de Santo Apolinário. Por azar eram em direcções opostas! Reorganizei ali mesmo, em instantes o meu percurso. Iria subir passando pela capela de Santo Apolinário até Alagoa. Depois desceria ao Pendão, Marco Geodésico que se eleva a 737 metros entre Mourão e Valtorno; tentaria passar ainda pela Cabeço Murado e regressaria a Vila Flor.
Pouco me demorei em Valtorno. Subi pela Rua dos Olmos, passei à Rua da Barreira, meti conversa e tive sorte. As pessoas conheciam com exactidão as informações que necessitava. Subi até ao Cruzeito, mesmo no cimo da aldeia e continuei para poente à procura da capela de Santo Apolinário. Quando já estava a perder a esperança ela apareceu à minha frente. Toda a zona circundante está ainda completamente alagada e cheia de giestas ardidas. Não é um cenário muito fotogénico mas ensaiei algumas fotografias. Parti animado em direcção a Alagoa à procura das últimas giestas floridas. À medida que subia fui deixando para trás a área ardida e o cenário foi-se pintando de verde e amarelo.
Tal como previa, as giestas ainda apresentam um grande vigor de floração, vergando-se algumas com o peso das suas maias douradas. Os animais também gostam deste cenário porque pinhais e giestais apresentavam-se cheios de vida com o chilrear de pássaros e outras aves.
Quase sem dar conta, atingi a estrada que segue de Alagoa ao Mogo. Já aqui estive algumas vezes sempre procurei a mesma coisa, os marcos que desde tempos antigos dividiam os concelhos, antigos e actuais porque Alagoa sempre esteve na “fronteira” e assim continua, dividida entre um concelho ao qual pertence, Vila Flor, e um concelho com o qual vive e tem muitas afinidades, Carrazeda de Ansiães.
Ali junto à estrada há umas alminhas. Mais parece uma cabeceira funerária e talvez seja, ou então a indicação de que ali tenha morrido alguém. A cruz gravada por cima das alminhas tem muitas semelhanças com as usadas da delimitação dos territórios. Continuei em direcção ao cruzamento para a Penafria mas quando aí cheguei decidi virar para trás. Não iria conseguir nada sem a ajuda de alguém que conhecesse o local. Subi ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Ia subindo e pensando como é pena que deste local, que é o ponto mais elevado do concelho (850 metros de altitude), não se aviste uma bonita paisagem. Desta vez fui compensado. A bonita paisagem estava mesmo à minha frente entre os pinheiros. À sombra dos pinheiros cresceram frondosas giestas que se encontram carregadas de douradas flores em cachos fartos. Verdes fetos completam um cenário de jardim que cresce alheio à confusão de mundo. Quando cheguei junto à Capela do Espírito Santo encontrei alguns habitantes. Foram simpáticos e indicaram-me a localização de um dos tais marcos que tanto desejava encontrar.
Voltei para trás. Dirigi-me a um local conhecido pelo Fasquieiro e, sem dificuldade, descobri o que procurava. Fiquei animado. Mede mais de um metro de altura e tem gravado num dos lados, voltado a Poente, uma bonita cruz.
Voltei à aldeia e segui em direcção ao cemitério e depois segui em direcção a Mourão. Pouco depois de deixar o “Cruzeiro da Sentinela” para trás, abandonei a estrada que me levaria ao Morão e desci por um caminho até ao Marco Geodésico. Este encontra-se espetado no alto de um morro de rocha rija sendo necessário escalá-la. Estes pontos altos sempre me fascinaram, mas este é realmente bonito. O Marco, mais alto que a linha do horizonte, é muito fotogénico, bem com toda a paisagem circundante. Sentei-me nas rochas comendo um económico que levava e duas doces laranjas que me tinham dado em Alagoa. O Silencio em redor começava a fazer-se sentir mas os gemidos das rolas sobressaíam dando mais colorido ao horizonte onde o Sol já preparava a sua cama. Desci o morro precipitadamente em direcção à estrada Valtorno- Mourão, já me restava muito pouco tempo para procurar o tal Cabeço Murado. Atravessei o ribeiro junto a Valtorno e subi ao monte que me tinham indicado. Do sol só já se viam alguns raios dourados filtrados pelas agulhas dos pinheiros. Fiz uma busca rápida mas nada encontrei. Não podia perder mais tempo. Pedalei com força até Carvalho de Egas onde me refresquei com água da fonte. O Passeio estava terminado, havia que voltar a casa o mais rapidamente possível.
Visitei a Capela do Santo Apolinário, um marco em Alagoa, subi ao topo do Pendão, fotografei lindos mantos de giestas floridas que decorarão passadeiras no Corpo de Deus no dia 7 de Junho. Que mais podia querer? Só descanso.

Quilómetros percorridos neste percurso: 35
Total de quilómetros de bicicleta: 1180
Total de fotografias: 24 820

As 7 maravilhas de Vila Flor


Neste formulálio pode fazer a sua votação nas "7 Maravilhas do Concelho de Vila Flor". Só pode votar uma vez e é obrigatória a selecção de 7 dos elementos da lista.








As 7 Maravilhas do Concelho de Vila Flor


1. Seleccione da seguinte lista, sete que ache que podem ser elegidos como as "7 Maravilhas" do Concelho de Vila Flor.




Ponte sobre o Tua, Vieiro

Marcos, Alagoa

Capela de S. Lourenço, Arco

Cabeço da Mina, Assares

Cova da Moura, Assares

Fontes Limpa e da Mina, Benlhevai

Fraga do Ovo, Candoso

Igreja de Santa Catarina, Carvalho de Egas

Amendoeiras em flor

Azeite

Biodiversidade do Concelho

Paisagem do Vale da Vilariça

Vinho

Fragas das Pinhascas, Folgares

Miradouro da Gralheira, Folgares

Fonte Romana, Freixiel

Forca, em Feixiel

Insculturas rupestres da Serra, em Freixiel

Fonte Romana, Lodões

Capela de S. Maria Madalena, Macedinho

Castelo, em Macedinho

Capela de S.Marinha, Meireles

Igreja de S. João Baptista, Mourão

Capela de S. Cruz, Nabo

Godeiros, no Nabo

Azenha Nova, na Ribeirinha

Capela Velha de S. António

Igreja de S. João Baptista, Roios

Capela de N. S. do Rosário, Samões

Capela de N. S. dre Lurdes, Samões

Igreja de S. Brás, Samões

Águas, em Sampaio

Antas, em Sampaio

Capela de N. S. da Rosa, Sampaio

Capela de N. S. do Rosário, Sampaio

Chaminé dos Ochoas, em Santa Comba

Cruzeiros medievais, em Santa Comba

Igreja de S. Pedro, Santa Comba

Aldeia do Gavião

Fonte Sangrinho, Seixo de Manhoses

Igreja de Santa Bárbara, Seixo de Manhoses

Santuário de Santa Cecília, Seixo

Igreja da Santíssima Trindade, Trindade

Barragem da Burga, Valbom

Fonte da Almoinha, Valbom

Igreja de S. Lourenço, Vale Frechoso

Fonte Velha, Vale Frechoso

Capela de N. S. do Rosário, Valtorno

Fonte Paijoana, Valtorno

Igeja de N. S. do Castanheiro, Valtorno

Regadio do Pausadinho, Vieiro

Capela Nova de S. Tomé, Vieiro

Arco de D. Dinis, Vila Flor

Centro Cultural de Vila Flor

Complexo da Barragem do Peneireiro

Fonte Romana, Vila Flor

Igreja Matriz de Vila Flor

Museu Berta Cabral

Paisagem vista do miradouro de Vila Flor

Pelourinho de Vila Flor

Santuário de Nossa Senhora da Lapa, Vila Flor

Zona antiga de Vila Flor

Ponte de Vilarinho das Azenhas

Pelourinho de Vilas Boas

Santuário de Nossa Senhora da Assunção, Vilas Boas


2. Comentários














06 junho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor


A ideia de eleger as 7 Maravilhas de Vila Flor através de votação no Blog, foi-me hoje sugerida por um colega de trabalho. Para ser sincero, não me fascinou, toda gente anda a eleger "maravilhas". Também comentei que as votações no blog são pouco concorridas, não dando grande entusiasmo. De resposta pronta, disse-me que a qualidade das fotografias dificulta a escolha, espero que aconteça o mesmo com as Maravilhas do concelho de Vila Flor.
Com muitos votos ou poucos as coisas vão processar-se desta forma:
Até 6 de Junho vou elaborar uma lista de tudo o que me pareça susceptível de ser Maravilha do Concelho. De 6 de Junho a 6 de Julho vai ser possível votar, podendo cada pessoa escolher 7 dos integrantes da lista. No dia 7 de Julho, todos ficaremos a saber quais são as 7 maravilhas do concelho de Vila Flor aos olhos dos visitantes deste Blog.
Para já, peço a quem tiver uns minutos do seu tempo, para me ajudar, que me sugira monumentos, locais com interesse, etc., de forma a elaborar a lista dos candidatos. Também podem indicar para ser retirado algum dos que já lá estão, se acharem que não reúne condições para tamanha distinção.
Quais são as características que devem reunir os candidatos a Maravilha? Parece-me que o importante é que os vilaflorenses se identifiquem, se revejam, se sintam representados. Pode ser algo que nos envaideça, alguma coisa que se destaque pelo seu valor, pela sua utilidade, pela sua beleza, etc.
Venham daí essas propostas.

Aqui ficam alguns candidatos que alinhei sem grande esforço:
Cabeço da Mina, em Assares
Cova da Moura, em Assares
Fraga do Ovo, em Candoso
Amendoeiras em flor
Azeite
Paisagem do Vale da Vilariça
Vinho
Forca, em Feixiel
Insculturas rupestres da Serra, em Freixiel
Pelourinho de Freixiel
Castelo, em Macedinho
Godeiros, no Nabo
Azenha Nova, na Ribeirinha
Águas, em Sampaio
Chaminé dos Ochoas, em Santa Comba
Cruzeiros medievais, em Santa Comba
Igreja Matriz de Santa Comba
Aldeia do Gavião
Igreja Matriz de Seixo de Manhoses
Santuário de Santa Cecília, Seixo
Igreja Matriz da Trindade
Igreja Matriz de Valtorno
Arco de D. Dinis, Vila Flor
Centro Cultural de Vila Flor
Complexo da Barragem do Peneireiro
Fonte Romana, Vila Flor
Igreja Matriz de Vila Flor
Museu Berta Cabral
Paisagem vista do miradouro de Vila Flor
Pelourinho de Vila Flor
Santuário de Nossa Senhora da Lapa, Vila Flor
Zona antiga de Vila Flor
Pelourinho de Vilas Boas

Valtorno, nos fins de Maio


No dia 28 de Maio fiz um passeio de BTT até Valtorno. O dia estava muito agradável para se andar de bicicleta, luminoso, mas fresco, com o ar limpo e agradável.
O percurso que segui já o utilizei várias vezes. Passa junto ao campo de futebol de Samões, segue pelo Concieiro e encontra a estrada perto do Santuário de Santa Cecília. Desta vez aproveitei para dar uma voltinha no santuário mas dele falarei noutra altura. Voltei atrás e continuei por uma caminho que segue paralelamente ao vale que vai de encontro a Valtorno. A certa altura, comecei a descer, à direita, para o Vale. Com sorte iria encontrar o Fonte da Paijoana. Esta fonte tem uma lenda curiosa que contarei noutro dia. Toda a área envolvente da fonte está arranjada. Há iluminação, bancos e mesas, pena é que a erva trepa em cima de tudo. É necessária e urgente uma limpeza.
Segui até ao cruzeiro do fundo do povo com ideia de visitar a Capela do Santíssimo. Ainda não foi desta, como habitualmente, estava encerrada. Esta capela funciona como local principal de culto, uma vez que a igreja matriz se encontra mais distante e apenas é utilizada para algumas festas anuais e quando há um funeral de alguém mais influente na aldeia. Passei por lá no Domingos de Ramos e estavam a celebrar a eucaristia.
Procurando visitar pontos da aldeia onde não estive na visita do dia 4 de Abril passado, segui pela Rua da Esquina e depois pela Rua da Barreia. A quantidade de habitações, algumas novas e bem cuidadas, contrastava com o “silêncio” que se fazia sentir. A presença humana não era perceptível, só os pássaros cantavam por todo o lado dando vida a todos os recantos.Subi à antiga Escola Primária. Este edifício do Plano dos Centenários inaugurado em 1948 com uma sala e em ampliada na década de 70 definha no mais completo esquecimento. Longe vão os tempos de crescimento da população que levou à criação da cadeira de instrução primária, 1.ºgrau, em1865 e ao alargamento a uma escola feminina em 1902. Em 1940, o Governo de Salazar, extingue a escola masculina e em 2006, um outro governo qualquer, extingue a escola por completo.
Seguindo o canto dos pássaros, segui pela Rua da Escola, Rua do Frade, Rua do Cruzeiro até ao Cruzeiro. Segui pela Rua do Castelo que desci até chegar à Capela da Senhora do Rosário. Também estava encerrada. Segui em direcção a Poente mais alguns metros e encontrei outra fonte a Fonte da Senhora do Rosário. O desafio seguinte foi subir ao cimo de um monte paralelo à Rua do Castelo procurando justificações para esse nome. Cheio de cuidado, pois o lugar encontra-se ocupado por um colmeal, percorri o cimo do monte em todas as direcções. Há conjuntos de pedras soltam e restos de telha mas tudo parece muito recente. No local já funcionou uma pedreira e, se vestígios houvessem, foram com certeza apagados para sempre. Os habitantes com quem falei não têm memória de ali ter existido nada de referenciáveis.
Com o sol a aquecer deliciei-me a fotografar muitas flores selvagens que cresciam, nos lameiros, por entre os esqueletos negros de altas giestas, queimadas no fim do Verão passado.

Quando voltei à aldeia a Capela da Senhora do Rosário estava aberta. A inscrição em latim que figura no altar tem bem claro o ano de 1655. É bem possível que esta capela, antes de ser designada por Capela de Nossa Senhora do Rosário, fosse capela de S. Sebastião. Um documento de 1758 não refere qualquer capela com a designação da actual mas refere as capelas de S. Brás e a de S. Sebastião às quais se perdeu o rasto. Não sei se é como dizem alguns populares: - os ricos destruíram tudo – mas não foram só estas duas capelas que se “perderam”, a capela de S. Apolinário afunda-se num pantanal de água e vegetação e a de Nossa Senhora da Luz também está totalmente arruinada e votada ao abandono.
Mas voltando à capela de Nossa Senhora do Rosário, está muito bem cuidada. O tecto foi restaurado, as paredes também, mas mantém o seu aspecto rústico, a imagem é bela e singela, rodeada de rosas de todas as cores e de atenção dos crentes, como é hábito no mês de Maio.
Sobre a capela de S. Brás duas pistas me foram apontadas: alguns habitantes dizem que se situava perto da aldeia, no caminho para o S. Apolinário, junto de uma corte para animais. Outros afirmam que a porta da loja dos animais da “Casa da Bitcheira” é o que resta da porta da dita capela. Certo é que este meio pórtico é muito requintado para uma simples loja de animais!
Com a tarde a chegar ao fim, desci de novo ao fundo da aldeia e parti em direcção a Vila Flor, de novo com a sensação de que teria de voltar, muita coisa ficou por descobrir.

Quilómetros percorridos neste percurso: 25
Total de quilómetros de bicicleta: 1145
Total de fotografias: 24 300

05 junho 2007

Absoluto visível - João de Sá


Não vou escrever o mundo com palavras,
Mas com coisas que tenham peso e cor:
Castanheiros e nuvens e o rubor
Das mais amplas e vivas madrugadas.

A águia, a seiva, até as ágeis cabras
Nos olhos feitos de algas do pastor,
À espera que o bordão se abra em flor
E nasçam prados na aridez das lavras.

O odor das madressilvas sob a chuva.
O vento arremedando esquivo gaio,
Num ramo oco transformado em tuba.

O mais é um tremor na espessidão,
A crescer para dentro num desmaio
De terra, imitando o coração!

Poema de João de Sá. "Flores para Vila Flor", 1996.
A fotografia foi tirada dia 04 de Junho, entre Mourão e Valtorno.

04 junho 2007

Festa das Maias em Folgares


Ontem estive em Folgares. Estavam a decorrer alguns jogos tradicionais no Campo de Futebol. Estranhei e fiquei um pouco preocupado. Eu anunciei a Festa das Maias para os dias 5 e 6 de Junho! Vistas bem as coisas, o erro veio da Agenda Cultural da autarquia que apresenta estes dois dias como os dias da festa!
Em Folgares, pude verificar que a Festa das Maias, que já se realiza à 25 anos, teve as primeiras actividades no dia 27 de Maio. Para o dia ontem estavam programados: um torneio de malha, o Jogo do Cepo e o Jogo do Galo.
Havia um grande número de participantes do sexo masculino e algumas jovens também (uma vez que estava também previsto o Jogo do Cepo, no feminino). Reconheci participantes de Folgares, Zedes, Pereiros e Areias (bastantes) e fiquei a saber que muitos dos participantes eram de aldeias do concelho de Mirandela.

Os prémios eram interessantes. A carrinha onde se encontravam parecia a Arca de Noé: borregos, galos, galinhas, coelhos, garnisés e pombas. Figuravam também como prémios presuntos, pás, salpicões, whisky e vinho. Pelos vistos os prémios contavam pouco, o importante era o convívio.
Para o depois dos jogos estava prevista uma feijoada para todos os participantes. Agradeço terem-me convidado mas não pude ficar até essa hora.
Depois de um curto passeio admirando a destreza de alguns jogadores, fui mostrar algumas rochas em Vale Covo, ao meu filho mais novo.
O Campo de Futebol de Folgares fica quase a 800 metros de altitude. Um pouco mais abaixo fica Vale Covo. A paisagem que se avista em direcção a Pereiros e Codeçais é magnífica. Tal como previa o meu filho ficou fascinado com as formas arredondadas e suspensas das rochas deste vale.

No dia 10 de Junho realiza-se em Folgares um Torneio de Tiro aos Pratos (e no dia 9 de Junho há treinos).

29 maio 2007

Valtorno 4


Ontem a "viagem" foi a Valtorno. Esta simpática aldeia não se esgota numa só visita. Quanto mais ruas e becos percorro, mais me convenço, que há muito mais para descobrir. O dia esteve luminoso, com algumas nuvens, mesmo a convidar à fotografia. Foi uma delícia.

28 maio 2007

Mês de Maio ... águas mil


Nas últimas semanas o clima em Vila Flor tem estado muito incerto. Grandes trovoadas, muita chuva, alguns dias de sol e se transformam em nuvens negras...
Tenho saído, às vezes de carro, registando a flora, antes que os dias de sol agressivo acabem com ela. Na Vilariça, os montes já apresentam os tons da erva seca, mas na terra fria (Valtorno, Alagoa, e outras) os montes estão lindíssimos, cheios de giesta floridas.

25 maio 2007

Festa das Maias em Folgares


No dia 5 e 6 de Junho vai acontecer, em Folgares, a Festa das Maias. A localidade encontra-se vestida de amarelo, rodeada por um bonito manto de giestas floridas. Um bonito passeio pode ser dado subindo a estreita estrada de Freixiel até Folgares, continuar até à Anta de Zedes, em Zedes, e voltar a Vila Flor passando por Mogo de Ansiães, Alagoa e Valtorno. As zonas mais altas do concelho apresentam um lindo manto de maias amarelas.

24 maio 2007

Deixem-me andar até ao fim da tarde


Serra

Deixem-me andar até ao fim da tarde,
Ébrio de longes, percorrendo os cimos.
Que ninguém me imponha os seus destinos.
Possa beber no gricho que me agrade.

Minha sede só em meu peito arde,
Não se compraz com o afastar dos limos.
Há fontes que a nós compete abrirmos,
Antes que a água tolde ou se retarde.

Podem tirar-me tudo, menos isto:
Subir a cumes de granito e xisto,
Na ânsia ardente de me ultrapassar.

A Serra, em mim, a difundir vertigem.
E esta dor que os outros não atingem,
De avistar Deus sem Lhe poder falar!

Poema de João de Sá. "Flores para Vila Flor", 1996.
A fotografia foi tirada dia 13 de Maio, perto de Vale Frechoso.

22 maio 2007

Trovoadas - Cristiano de Morais

Depois de ter publicado ontem o soneto Trovoada, de Cabral Adão, pensei que não haveria melhor poema para descrever o ambiente e os sentimentos que envolviam estes acontecimentos há alguns anos atrás (e em parte, ainda hoje). Descobri, entretanto, estes versos de Cristiano de Morais (outro vilaflorense). Vale a pena lê-los até ao fim. Transportam-nos, momento a momento, chegamos a sentir o vento, o trovão, a respiração temerosa.

Que dia sufocante, d'abafadiço calor!
Pesa no ar parado, um suplício de dor
Que nos oprime, tortura e alanceia
Como se fora feito, de fogueira alheia!
E lançasse no ar, do brazido espaço
Chispas invisíveis, da cor do aço!
Caldeando gamas e tons auriluzentes
D'efeitos lucinantes, assás surpreendentes!
A atmosfera, está brunida de linda e loura luz
Refulge e cintila, como deadema na Cruz!
E é tal a combustão das partículas no ar
Que o oxigénio é pouco, para a gente respirar!
Vendo-se no espaço grandes fumaradas
Como s'ali estivesse, o fumo de queimadas!
Não se mexe uma folha, escaldam as pedras o ar
É um ar de forno, que nos está a escaldar!
Há um zunido infinito, n'aquele sossego silente
Como se fora latejo, na própria alma da gente!
A natureza está suspensa, as plantas a murchar
O coração adivinha, que algo se vai passar!
Desesperam os animais, mordem fundo as moscas
Abrem o bico as aves, em suas visagens toscas!
O calor, é infernal, já se não pode suportar
E de repente, negras nuvens vêm toldar
O céu escaldante, feito de cor de aço!
Tornando num estante, aquele ambiente baço!
Que se dilui e resfria, como um banho salutar
E que só se respira, na proximidade do mar!
E vai ficando negro o céu e sem luz e sol
Como se fora crepúsculo, ou névoa d'arrebol!
Sentindo-se já a brisa, a encrespar as árvores
Como se foram leques, d'aquelas abafadas tardes!
Balouçando-se no ar, n'aquele estranho rumor
Que só têm os regatos de intenso estridor!
E o céu é mais escuro, e maior a cerração
Rola já ao longe, o roncar do trovão!
E nisto salta o raio, e ilumina-se o céu
Ficando logo em seguida, tudo da cor do breu!
Caindo grandes pingas, com cheiro a ozone
Como presságios funestos, d'ir começar a fome!
E novo deslumbramento, num dilúvio de luar
Um alustre fulgurante, perto de nós a riscar!
Unindo de ponta a ponta, duas serras altaneiras
Como s'ambas se beijassem, num clarão de fogueiras!
Enquanto os corações, estremecem a soluçar
Orando, à Virgem, a Deus que nos venha salvar!
Santa Bárbara! S. Jerónimo! Toda a corte celestial!
Vinde em nosso socorro, nesta hora final!
Ruge de novo o trovão e açouta a ventania
A noite procelosa e escura, substitui o dia!
E sente-se novo esterrinco, a seguir novo luzeiro
Supondo todos, que o seu momento é derradeiro!
Caem, vindas do céu, grandes cordas de chuva
E com ela granizos, como bagos d'uva!
Descem do alto das serras, cascatas em fragor
Em enxurradas e turbação, como no peito a dor!
Pelos caminhos, vêm crianças encharcadas de lodo
Tremendo e soluçando, no seu corpinho todo!
Nos montes, os pastores, ajoelham junto ao gado
Pedindo a Deus que leve, este tempo irado!
Nas povoações salvam-se pessoas e animais aos gritos
Da enchente colossal, em esgares aflitos!
Enquanto que na montanha, debaixo d'árvores copadas
Ficam em negros carvões, almas electrocutadas!
Ao procurarem abrigo, para tão grande ansiedade
Que vai deixar a miséria e gerar a orfandade!
......................................................................................
E volta de novo o estampido, de rugidos medonhos
Já estão bentos às janelas e ramos, em sonhos!
Reza-se alto, em fervor e está a alma aos ais
Repetindo-se os estrondos, como de monstros infernais!
E naquele tétrico ambiente, de corações assustados
Vagueiam de lado a lado, olhares espantados!
Como à espera que os ilumine, ou assombre o raio
Nesta horrenda tempestade, do mês de Maio!
Mas graças ao Criador, este inferno está a passar
E a procela vai seguindo para os lados do mar!
Desoprimindo os corações, trazendo de novo o alento
Como o fresco e a brisa, são trazidos pelo vento!
E agora os alustes, os raios e os coriscos
Não são mais do que desmaios verdes, como troviscos!
E com a atmosfera aligeirada, e o espaço a clarear
Torna-se de novo alegre e confiante, o nosso olhar!
Regressando à vida, lançando a vista pelos campos
Cobertos d'água e lodo, como se foram mantos!
Num cemitério de culturas, árvores e produtos
Como o melhor do nossa trabalho e doces frutos!
Vendo-se as terras, abertas e regateadas
Como se por monstros, fossem lancetadas!
E mostrassem, nas suas chagas em sangue
A miséria, a dor, o pus da terra, em ponto grande!
Da humanidade toda, feita de barro vil
Embora às vezes pareça ser, uma manhã d'Abril!...

Cristiano de Morais, Riquezas e Encantos de Trás-os-Montes, 1950.
A fotografia foi tirada no Santuário da Senhora da Lapa, numa trovoada, ao fim da tarde.