
Neste final de ano lectivo, não tive possibilidade de seguir com o mesmo ritmo que mantive todo o ano. Exames, reuniões, enfim… trabalho. Consegui, no entanto, continuar com
novas Descobertas que irei recordando à medida que for possível. Um dos pontos altos, foi sem dúvida um passeio que fiz ao
Vale da Vilariça, perto de
Assares, no dia 23 de Junho.

Subi ao centro de
Assares. Para mim,
Cabeço da Mina só podia ser nas serras, por cima da aldeia. Erro meu. O lugar chamado
Cabeço da Mina é mesmo junto à
Ribeira da Vilariça, perto da
Cova da Moura, outro dos locais que queria visitar. A primeira pessoa com quem falei conhecia os locais. Apontou-me com precisão um ponto mesmo em frente da Av. 25 de Abril, junto à Ribeira, lá para os lados da
Eucísia.
Avancei de carro por um estradão mas estava a desviar-me para Sul, quase em frente a
Lodões. Decidi que
de carro não era possível, estacionei e comecei a subir pela margem da ribeira, para montante. Sabia estar no lugar certo mas, é como procurar uma agulha num palheiro, não encontrei qualquer vestígio do
Cabeço da Mina. Sinceramente não sabia bem o que procurava. Este desânimo já o tinha sentido, um pouco mais abaixo, quando busquei as Antas, em
Sampaio.

Não podia desperdiçar a “viagem” fotográfica. Os campos já estão ressequidos. Aqui e além resistem algumas flores selvagens, assaltadas por bandos de insectos que delas se alimentam. Bastava-me a vontade e a opção de subir ao alto da
Capela de N. senhora dos Anúncios. Faltava ainda um bom pedaço de caminho, mas de certeza que a visão lá do alto ia valer a pena. Quando me aproximei da ribeira encontrei uma grande poça de água. Junto dela estava um bloco de xisto com alguma coisa gravada. Encontrei-a, é a
Cova da Moura! Estava compensado o meu esforço. O sol baixo, sobre os montes que guardam Assares, criava relevos bizarros na superfície xistosa. Aqui e além, pequenos sois raiados, emergiam do conjunto de gravações mais difusas, onde se viam também rectas paralelas, círculos com pequenas pocinhas no meio e outras figuras menos definidas. Tinha milénios de história sob os meus pés! Que susto apanhei quando olhei a rocha do lado oposto! Alguém arrancou grandes pedaços dela com uma retroescavadora! Juntos das gravações com milénios estão os riscos dos dentes da pá!
Não sei se o nome
Cova da Moura foi dado à rocha com as gravuras, se à depressão no leito da ribeira que formava um pequeno lago.
Mais animado, atravessei a ribeira e segui “
À Descoberta”, já no concelho de
Alfândega da Fé. Desfeito em suor, cheguei à capela. A
Senhora dos Anúncios estava do meu lado. O Bar estava aberto e pude beber uma água fresquinha.

Do alto deste cabeço, com menos de 300 metros de altitude, tem-se mais uma
vista única do vale. A Norte, um grande reservatório de água, a
Barragem do Salgueiro. Depois dela,
Vilarelhos,
Vilares da Vilariça e o alto da
Serra de Bornes. Deslizando para a esquerda,
Trindade,
Santa Comba da Vilariça,
Assares,
Lodões,
Sampaio e ainda se avistam lá longe aldeias de
Torre de Moncorvo, a caminho da
Lousa.

Focando a ribeira e subindo por ela, imagina-se a
Chã Grande, a
Senhora da Rosa e o
Cabeço da Mina (algures, aqui bem perto). Mesmo à frente, do outro lado da ribeira, está a
Quinta do Barracão, tão adormecida, ao fim da tarde, como a água da sua piscina. Neste vale habitado desde os primórdios da história, a agricultura é rainha. As uvas já têm
bagos enormes!
Cheirou-me a churrasco, não estava a sonhar. Já se assavam carnes para a festa de
S. João que iria decorrer no local. O mesmo se estava a passar na
Praça da República, em
Vila Flor. Desci precipitadamente do cabeço, pelo mesmo caminho que tinha seguido. Passei a ribeira junto à
Cova da Moura. Uma ave estranha, fascinou-me com o seu canto. Despedi-me da rocha milenar e segui, cabeço abaixo em
busca do automóvel.
De caminho ainda passei por
Valbom e pela
Trindade, mas dessas
Descobertas falarei depois.