13 julho 2007

TerraFlor, o primeiro dia (12)


No dia de abertura do certame TerraFlor, as atenções voltaram-se para o produto chave, cabeça de cartaz desta V edição da feira de produtos e sabores, o azeite.
Ao seminário, que teve início às 14 horas, assistiram cerca de meia centena de pessoas, atentas e interessadas na problemática da oliveira e do azeite.
A diversidade que integrava os dois painéis de oradores, pretendia abarcar as várias vertentes relacionadas com a oliveira e com o azeite, identificando problemas e apontando possíveis alternativas de melhorar um sector, que todos reconhecem cheio de potencial, mas nem sempre explorado da melhor forma.
As preocupações ambientais estiveram também presentes, uma vez que o funcionamento dos lagares produz as conhecidas águas ruças, um problema para o ambiente em geral e também para os donos dos lagares que são forçados aos seu tratamento, mas não vislumbram muitas alternativas.
O Dr. José Cardoso Duarte do INETI (Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação), apontou com alguma esperança, um projecto com iniciado em Itália mas que está a ser estudado em vários países, a fitodepuração. Este processo, recorre à utilização de árvores (choupos e ciprestes) plantadas numa camada de terra, tendo num nível inferior outra camada onde são injectadas águas dos efluentes dos lagares de azeite. Estas árvores perenes, utilizam matéria orgânica, a partir dos efluentes, para produzirem biomassa. Trata-se de uma interacção planta-solo-microorganismos. A tecnologia é fácil de implementar, eficiente e de baixo impacto ambiental. Os estudos efectuados não revelam impactos negativos nos solos ou nas águas subterrâneas. Outra alternativa consiste no recurso à utilização de ETARes (Estações de Tratamento de Águas Residuais), para tratar águas ruças que são adicionadas gradualmente nas águas a serem tratadas.
Foi referido várias vezes que não basta gabarmo-nos de termos um dos melhores azeites do mundo, é necessários ultrapassar um certo tradicionalismos e lutar por patamares mais elevados de qualidade e rentabilidade. Há necessidade de credibilização do azeite da região e isso não se consegue continuando a armazená-lo em recipientes de tintas ou de combustíveis, como frisou o Eng. António Branco da AOTAD (Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro). Este realçou a importância da DOP (Denominação de Origem Protegida), referindo-se ao Azeite Trás-os-Montes, que cria também uma cultura de exigência que atravessa as várias fases da produção e comercialização do azeite. Há muito azeite com potencial para conseguir a certificação mas o azeite regional continua a ser o forte da produção.
Outra vertente ligada ao azeite, com potencial para crescer, é o turismo. Esta vertente foi apresentada pela pelo Dr. Jorge Morais, da Rota do Azeite. O azeite pode atrair pessoas à região, nunca separando o azeite de outros produtos com igual potencial como por exemplo o vinho. É necessários estabelecer rotas turísticas, vender pacotes diferenciados para atrair pessoas diferentes. A Rota do Azeite pretende congregar interesses de conjunto de entidades ligadas ao azeite e de autarquias.
O Dr. Camilo Morais, endocrinologista, enumerou os constituintes do azeite e os efeitos positivos de cada um deles na saúde. Com linguagem nem sempre acessível, deixou bem claro que os efeitos do azeite na saúde, são superiores às vantagens de cada um dos constituintes individualmente. Diminuição do problemas cardiovasculares; normalização do trânsito intestinal; efeito benéfico nos diabéticos, etc. Ainda dá aroma, sabor e cor aos alimentos.
O sr. Director Regional de Agricultura e Pescas – Norte, Arq. Carlos Guerra, lançou alguma luz sobre o futuro PDR (Programa de Dinamização Regional) e sobre a política que lhe está subjacentes. Não basta que surjam projectos, é necessário que os mesmos sejam competitivos e rentáveis, e terão que o provar, para serem financiados. Os projectos individuais terão melhores financiamentos se se encontrarem integrados em Fileira, fazendo parte de um conjunto, com vista ao desenvolvimento sustentado do sector. É necessário produzir melhor, com menos custos e fazer com que o produtor consiga ter mais lucro do que acontece na actualidade, em que fica apenas com cerca de 25% dos ganhos totais. Frisou também a necessidade de se continuar a apostar na formação profissional, no acompanhamento por agricultores mais velhos de jovens agricultores e na importância de se aumentar a área de regadio.
Foi levantada a questão do regadio no Vale da Vilariça. O Sr. Director Regional informou que o perímetro de rega não está terminado. As albufeiras da Burga e Salgueiro estão completamente funcionais e cheias. A albufeira de Santa Justa não está terminada e a da Ribeira Grande do Arco mal começou. A expectativa actual é que tudo esteja pronto em Junho de 2008.
Os 2 mil hectares de regadio, podem ser aumentados para o dobro, se se encontrarem formas rentáveis para a elevação da água. O recurso às energias alternativas está a ser equacionado.
Para terminar e em jeito de balanço, o Eng. António Monteiro sintetizou alguns tópicos: há capacidade para aumentar a área de regadio; há uma supremacia da variedade Cobrançosa (30%) que convém controlar, apostando noutras variedades, principalmente em regadio; os lagares existentes são mais do que suficientes, mas as colheitas não programas dificultam a sua laboração, que funciona com picos; temos bom azeite mas há necessidade de melhorar muito na higiene e no armazenamento; é necessário um painel de provadores, a situação actual não pode continuar; há necessidade de fomentar a DOP e valorizar a azeitona de conserva.
Todos os presentes reconheceram a importância do azeite na região e o enorme potencial que ainda falta explorar. É necessário produzir melhor, o que o mercado pede (e não o que é tradição) e vender mais, apostando na promoção. Só se pode vender a imagem de um produto saudável, conseguido de uma forma ecológica, se nós próprios acreditarmos nela.

Às 18 horas foi a cerimónia da abertura da feira pelo Dr. Pimentel.
À noite, o recinto foi animado por Palhaços e Malabaristas, que fizeram o encanto das crianças.
O recinto tinha uma boa moldura humana quando começou a actuação de Quim Barreiros, próximo das 22 horas. Com a sua forma tão característica para animar a malta, colocou um bom conjunto de pessoas a dançar, ficando os restastes a passear e ouvindo a música, numa noite bastante agradável.

12 julho 2007

TerraFlor - 12 de Junho

Aqui deixo o Cartaz e o Convite para estarem presentes no seminário O Sector Olivícola e o Azeite Trás-os-Montes, Novos Desafios, que vai ter lugar no Centro Cultural de Vila Flor, hoje, a partir das 14 horas.

09 julho 2007

Ecotopia, em Vila Flor

Questionei-me seriamente que caberia neste Blog “À Descoberta de Vila Flor”, alguma referência ao meu encontro com o grupo Ecotopia, na passagem da Biketour 2007 pelo Parque de Campismo de Vila Flor. O que me levou até esse grupo, foi a bicicleta e os contactos que o movimento teve com o Clube de Ciclismo de Vila Flor. Também recebi algumas mensagens de email. Tenho acompanhado toda a problemática do Baixo Sabor e mesmo tomado posição activa nessa questão. Um grupo de ciclistas que parte de Barcelona a caminho de Aljezur, passa por Santo Antão da Barca e pelo Amieiro, defende o Rio Sabor (selvagem) e a Linha do Tua, só pode ser um grupo constituído por pessoas diferentes.
Quando na manhã do dia 7, bem cedo, me fui encontrar com eles no Parque de Campismo para os acompanhar até Mirandela, fiquei completamente desconcertado. O grupo, constituído por 12 pessoas de nacionalidades completamente distintas (da Coreia do Sul a Portugal), jovens (o mais jovem ainda mal andava!), mais pareciam saídos de um filme do National Geographic ou do Mad Max. Em volta da mesa onde partilhavam o pequeno-almoço, discutiam o percurso a seguir. Não há plano definitivo nem chefe ou guia, todos são iguais, formando uma comunidade horizontal, onde todos se reconhecem como diferentes. Olharam-me com estranheza, a mesma com que eu os olhei, mas mediatamente fui integrado, faz parte da sua filosofia. Ouviram as minhas sugestões, discutiram-nas e cada um marcou no seu próprio mapa o percurso a seguir até à zona de lazer, na margem do Tua, logo depois da ponte nova, em Mirandela. Enquanto uns arrumavam o equipamento, usado por todos, outros prepararam as bicicletas e partiram. Perante a minha estranheza, informaram-me que cada uma seguia ao seu próprio ritmo. Eu parti com o grupo da frente mas, ali pelo Barracão, já não havia grupo, seguindo cada um à sua velocidade, tendo de comum o ponto de chegada.
Como acabei também por fazer o percurso praticamente sozinho, fui-me questionando: - Que força move estas pessoas? O que as une? Que faço eu aqui? Só encontrei uma resposta, a minha resposta. Que força me impele a subir ao alto dos montes, às fragas mais escarpadas, aos riachos mais escondidos? A minha cruzada é uma gota no oceano comparada com o desprendimento, entrega e fé deste grupo que se espalhava quilómetros à frente ou quilómetros atrás de mim. A força é a mesma, a utopia.
Cheguei a Mirandela. Pouco ou nada descobri de Vila Flor. Confrontado com as vivências daquela manhã, as minhas convicções ficaram mais fortes. Afinal, não sou o único!

07 julho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor - Resultados Finais

Faz hoje um mês que aderi a esta "cruzada" de eleger as 7 Maravilhas do concelho de Vila Flor. Tal como disse na altura, cada um tem as suas próprias maravilhas e muitas vezes o coração fala mais alto. Tal como prometi, hoje terminaram as votações. Votaram 61 pessoas, sendo que alguns votaram duas vezes.
O resultado da votação é sempre injusto, há muitas pequenas maravilhas no concelho. O voto é soberano e foram distribuidos da seguinte forma:

Santuário de Nossa Senhora da Assunção, Vilas Boas (34 votos) 8%
Igreja Matriz de Vila Flor (27
votos) 6%
Arco de D. Dinis, Vila Flor (23
votos) 5%
Amendoeiras em flor (23
votos) 5%
Fonte Romana, Vila Flor (21
votos) 5%
Azeite (19
votos) 4%
Paisagem vista do miradouro de Vila Flor (19
votos) 4%


Zona antiga de Vila Flor (17) 4%
Forca, em Feixiel (16) 4%
Fraga do Ovo, Candoso (16) 4%
Vinho (15) 3%
Complexo da Barragem do Peneireiro (14) 3%
Godeiros, no Nabo (14) 3%
Chaminé dos Ochoas, em Santa Comba (12) 3%
Santuário de Nossa Senhora da Lapa, Vila Flor (12) 3%
Capela de S. Cruz, Nabo (11) 3%
Paisagem do Vale da Vilariça (11) 3%
Cruzeiros medievais, em Santa Comba (9) 2%
Aldeia do Gavião (8) 2%
Insculturas rupestres da Serra, em Freixiel (7) 2%
Museu Berta Cabral (7) 2%
Fonte Romana, Freixiel (7) 2%
Ponte sobre o Tua, Vieiro (7) 2%
Igreja da Santíssima Trindade, Trindade (7) 2%
Biodiversidade do Concelho (7) 2%
Pelourinho de Vila Flor (6) 1%
Igeja de N. S. do Castanheiro, Valtorno (5) 1%
Águas, em Sampaio (5) 1%
Igreja de S. Pedro, Santa Comba (5) 1%
Pelourinho de Vilas Boas (4) 1%
Fragas das Pinhascas, Folgares (3) 1%
Igreja de Santa Catarina, Carvalho de Egas (3) 1%
Igreja de S. João Baptista, Roios (3) 1%
Igreja de S. Brás, Samões (3) 1%
Igreja de S. João Baptista, Mourão (3) 1%
Regadio do Pausadinho, Vieiro (3) 1%
Miradouro da Gralheira, Folgares (2) 0%
Castelo, em Macedinho (2) 0%
Capela de N. S. do Rosário, Samões (2) 0%
Ponte de Vilarinho das Azenhas (2) 0%
Antas, em Sampaio (2) 0%
Cova da Moura, Assares (2) 0%
Centro Cultural de Vila Flor (2) 0%
Azenha Nova, na Ribeirinha (2) 0%
Capela de S. Lourenço, Arco (2) 0%
Capela de S.Marinha, Meireles (1) 0%
Fonte Velha, Vale Frechoso (1) 0%
Igreja de S. Lourenço, Vale Frechoso (1) 0%
Capela de N. S. da Rosa, Sampaio (1) 0%
Capela Nova de S. Tomé, Vieiro (1) 0%
Capela de N. S. do Rosário, Valtorno (1) 0%
Fonte Sangrinho, Seixo de Manhoses (1) 0%
Santuário de Santa Cecília, Seixo (1) 0%
Cabeço da Mina, Assares (1) 0%
Fontes Limpa e da Mina, Benlhevai (1) 0%

São estes os resultados esperados? Sim e não. Digamos que, os que obtiveram mais votos, não me surpreendem, embora podessem ser outros. São todos bons representantes do concelho e dignos de serem mostrados a quem nos visita. Digamos que as maiores surpresas estão logo a seguir aos 7 melhores, mas também não vou discuti-las, aceito, somente.
Transcrevo a seguir os comentários feitos no decorrer da votação:

1. Olá. Parabéns pela atitude razoável de uma segunda oportunidade de reformar os meus votos. Li Malheiro
2. Maravilha de blog. Parabéns.
3. Parabéns pelo excelente trabalho de pesquisa e síntese que revela muito amor e dedicação a esta bonita terra. No entanto, e para mim que escrevo de longe, falo com toda a convicção, uma das 7 maravilhas de Vila Flor são as suas pessoas.
4. Parabéns pelo blog. Já agora acrescento que o pior que existe no concelho. É o Jardim São Bartolomeu... perguntapertinente.blogspot.com
5. Que as maravilhas floresçam… Li Malheiro
6. Vila flor é uma terra lindíssima e esta ideia das 7 maravilhas de vila flor foi uma ideia excelente... até breve
7. Gostei de participar. Salvador
8. Só votei em obras-primas concelhias edificadas. Dei também o meu voto ao núcleo antigo de Vila Flor com o objectivo de votar simultaneamente na Porta de D. Dinis, na Fonte Romana, no Museu e no solar Casa dos Lemos. Acho, no entanto, que o voto em núcleos urbanos antigos, tipo aldeias históricas, poderia ser objecto de um concurso à parte. Não votei no caminho-de-ferro da linha do Tua porque não estava na lista.
Não votei no património natural nem paisagístico porque há maravilhas - amendoeiras em flor e cultura da vinha - que não são específicas do concelho de Vila Flor mas de uma região mais vasta. Há paisagens humanizadas lindíssimas que merecem valorização e protecção. Dois exemplos. Vale do Tua entre Cachão/Vilarinho das Azenhas e Ribeirinha. Porque não fazer junto ao rio Tua e à linha de comboio, uma ciclovia? Estação de Vieiro/Abreiro; Lugar magnífico junto à Quinta. Ruínas da ponte de granito e da estrada real do Porto a Moncorvo. Ponte de ferro e ponte de betão. Não votei no património natural porque os belos panoramas que se avistam de alguns lugares não são obra do homem mas da Natureza. Por isso a votação podia ser feita à parte.
Espero que o Aníbal não leve a mal eu falar disto agora mas a verdade é que também só me lembrei já com o concurso a decorrer. De qualquer modo foi bom, qualquer que seja a votação, pois pôs-nos a reflectir e a sistematizar ideias.
Parabéns pela iniciativa
Euroluso
9. Achei interessante esta ideia de eleger as 7 maravilhas do concelho de Vila Flor por isso decidi de participar.
Carlos

Em termos pessoais, esta ideia obrigou-me a um esforço mais intenso, tendo por objectivo tentar cobrir os 65 candidatos. Hoje elaboraria uma lista diferente, mas hoje já é outro dia, não há dois dias iguais.
Resta-me agradecer a participação de todos, mesmos dos que só olharam. Foi mais uma etapa de descoberta que continuará no futuro. Vou dar especial atenção às 7 Maravilhas, mas, podem ter a certeza, que não vou esquecer os restantes. Vou com certeza encontrar outras maravilhas para acrescentar à lista.
Obrigada.

06 julho 2007

Num jardim de Vila Flor


Num dos meus passeios, descuidados por Vila Flor, encontrei estes quatro preguiçosos a dormirem uma longa sesta. Numa casa bem quente e limpa prontamente pelos seus pais, usufruem de uma decoração fantástica, indiferentes a tudo o que se desenrola à sua volta.
São fantásticas as aves...

Não esquecer que hoje (dia 6 de Julho) é o último dia em que é possível votar nas 7 maravilhas de Vila Flor.

05 julho 2007

Finalmente o calor...

Bastam uns dias de sol para que a paisagem (e o ritmo da vida) mude completamente. A piscina coberta (aquecida?) já encerrou. Agora toda a gente se desloca para as piscinas junto ao Parque de Campismo. Há muito movimento, e com razão, é um espaço fantástico, bem agradável passar umas tardes.
Para intercalar com os banhos na piscina, nada como umas caminhadas pela Natureza. Tal como uma que fiz no dia 30 de Junho, à tarde. Fui até Vale de Sancha, no concelho de Mirandela , de carro e subi a pé a um cabeço chamado Pedra Luz (685 metros de altitude), de onde se avista uma esplêndida paisagem. Aqui se faz a separação entre os concelhos de Vila Flor e de Mirandela.
A vegetação rasteira está como a imagem mostra. São as cores do Verão que vão chegando rapidamente.

04 julho 2007

As 7 maravilhas de Vila Flor


Entramos na fase final da eleição das 7 Maravilhas de Vila Flor. Para quem já votou, o meu obrigada, quem não votou, está ainda a tempo de o fazer.
Como o número de visitantes do Blog é razoável, mas poucos são aqueles que fazem algum esforço de participação, alterei as regras e todos têm, até ao final do dia 6, uma nova oportunidade de votar.
Já estão disponíveis fotografias de todos os candidatos, por vezes duas ou três. Embora não sejam as fotografias que contam, sempre é bom, para os que estão longe, recordar todas estas maravilhas.

Em busca de vestígios arquológicos em Valtorno


No dia 28 de Junho fiz um pequeno passeio a Valtorno. Interessava-me visitar de novo o pequeno cabeço onde se situa o marco geodésico chamado Pendão (737 metros). O meu interesse neste pequeno monte, recentemente ardido, prende-se com o facto de aí ter descoberto algumas espécies vegetais bastante surpreendentes, que não tinha visto em mais nenhum ponto do concelho, e outras que desconhecia por completo.
O dia estava muito quente e só saí depois da dezassete horas. Tentei chegar a Valtorno o mais rapidamente possível e por isso fui mesmo pela estrada. Ao chegar, entrei na aldeia e lembrei-me da Capela de Nossa Senhora da Luz. Nunca a tinha visto, apesar dos vários passeios que já fiz por toda a aldeia! Procurei a sua localização junto de alguns residentes. Fica mesmo por trás do Centro de Dia e rapidamente a encontrei. Pelas fotografias que já tinha visto não estava à espera de grande coisa, mas, quando vi a pequena capela rodeada de rosas vermelhas com o campanário recortado no céu azul, fiquei encantado. Não quis perder o cenário e procurei um ângulo que me satisfizesse. Não é fácil, há muitos ferros e arames à volta.
A Capela de Nossa Senhora da Luz foi construída no séc. XVI ou XVII aparecendo referenciada em 1758. Pertenceu à família dos Sequeiras e depois à família Teixeira de Almeida . O seu campanário é elaborado e bonito, destacando-se nele uma grande flor. Está encimado por uma cruz que tem aguentado décadas de abandono. Tirando o pórtico e o campanário, a capela é feita de granito miúdo. Curiosamente existe à volta um pequeno adro, o que leva alguns autores a questionarem a origem privada da capela.
Entrei, já não havia porta. Outra surpresa. Nas paredes mal tratadas, que ameaçam ruir a todo o momento, sobrevivem ainda alguns vestígios das pinturas que devem ter coberto a quase totalidade das paredes. Tentei registar toda a sua delicadeza tirando algumas fotografias, sem flash. O suporte do altar ainda lá está, aguentando anos de uso como palheiro e talvez como corte de animais. Não vi qualquer evidência da existência de sepulturas nas suas paredes embora estejam referenciadas. No silêncio e no abandono do local, recordei a airosa Capela de Nossa Senhora da Luz, junto à fronteira, em Constantim, Miranda do Douro, que visitei, de bicicleta, em 13 de Maio de 2006.
Desci a aldeia, passei pela Capela de Santo Cristo e segui pela estrada em direcção ao Mourão. Na berma reencontrei uma das curiosidades que pretendia ver. Podem acreditar que esta foi a quarta vez que aqui estive a ver as Esporas-bravas ou silvestres (Linária Triornithophora). Não sei se existem noutros locais do concelho, parecem ser abundantes em todo o Norte de Portugal. Aqui encontrei uma área cheia delas (embora agora já se vejam poucas floridas). Esta flor é muito curiosa e fotogénica, adquirindo várias tonalidades de roxo e apresentando algumas duas manchinhas amarelas. As folhas são verticiladas em grupos de quatro, sem recorte e lanciformes.
Quando as sombras cobriram o brilho das flores, olhei em frente. Na outra margem da ribeira devia estar o Cabeço Murado (Cabeça Murada para os de Valtorno), que eu já tinha procurado mas em vão. Pedalei até à Fonte Paijoana e recomecei as buscas aí. Saltei de rocha em rocha até chegar ao topo do cabeço, nem rasto de muralhas. De repente, duas pedras sobrepostas, mais duas logo a seguir. Comecei a acompanhar o percurso e logo à frente encontrei uma verdadeira parede. Segui a parede durante algumas centenas de metros e encontrei outras paredes. Já não tinha dúvida, estava no lugar certo. Parece-me existirem vários níveis de muros concêntricos em volta do monte. Descaindo um pouco para Sul, encontrei um pequeno vale onde outrora deve ter corrido um ribeiro. Nessa zona, mais fresca e abrigada, há restos de casas e muralhas à sombra de pinheiros e carvalhos. Segui essa linha de água e vim parar mesmo por detrás da Fonte Paijoana. Muito havia por ali para eu explorar, mas, o sol estava baixo, já não podia fotografar. Saí a toda a pressa. Calculei a minha chegada a Vila Flor, pouco depois das vinte e uma horas. A saída tardia de casa, limitou-me o tempo, mas, mesmo assim, foi uma grande tarde “À Descoberta”.
Quilómetros percorridos neste percurso: 25
Total de quilómetros de bicicleta: 1345
Total de fotografias: Perdi a conta

03 julho 2007

TerraFlor - Programa e Cartaz

A minha ansiedade quanto ao programa do certame TerraFlor já está controlada. Graças a uma frequentadora do Blog, chegou até mim, não só o programa, mas todos os convites, cartazes e programas num total de 9 (obrigada, Marisa)!
Dou a conhecer desde já o Cartaz e o Programa que me surpreendeu positivamente. Espectáculos, provas, exposições, colóquios, animação, tudo isto indo além do recinto da feira, estendendo-se ao Santuários de Nossa Senhora da Assunção e de Nossa Senhora da Lapa, Nabo, Carvalho de Egas e Samões. Confesso que fiquei interessado.
Volto a referir que nunca estive presente no evento e por isso não tenho muitas referências para comparação. Pelo que pude ver ao longo deste ano lectivo, a população adere com facilidade a todas as iniciativas, a verdade é que a população é cada vez menos. Prometo estar presente na maior quantidade de eventos que for possível (uma vez que os dias do certame coincidem com os Exames de Equivalência, onde vou estar de serviço :( )
Não está muito claro o que nos reserva o último dia da feira com "Noite TerraFlor". Será animação com artistas da terra? O grupo Cantares por Vila Flor tem andado com ensaios intensivos.

Dias 12, 13, 14 e 15 toda a gente vai visitar Vila Flor.

Nota: a fotografia do placard acima, é montagem, fica só como sugestão.

Perdido no Vale da Vilariça III


Neste final de ano lectivo, não tive possibilidade de seguir com o mesmo ritmo que mantive todo o ano. Exames, reuniões, enfim… trabalho. Consegui, no entanto, continuar com novas Descobertas que irei recordando à medida que for possível. Um dos pontos altos, foi sem dúvida um passeio que fiz ao Vale da Vilariça, perto de Assares, no dia 23 de Junho.
Subi ao centro de Assares. Para mim, Cabeço da Mina só podia ser nas serras, por cima da aldeia. Erro meu. O lugar chamado Cabeço da Mina é mesmo junto à Ribeira da Vilariça, perto da Cova da Moura, outro dos locais que queria visitar. A primeira pessoa com quem falei conhecia os locais. Apontou-me com precisão um ponto mesmo em frente da Av. 25 de Abril, junto à Ribeira, lá para os lados da Eucísia.
Avancei de carro por um estradão mas estava a desviar-me para Sul, quase em frente a Lodões. Decidi que de carro não era possível, estacionei e comecei a subir pela margem da ribeira, para montante. Sabia estar no lugar certo mas, é como procurar uma agulha num palheiro, não encontrei qualquer vestígio do Cabeço da Mina. Sinceramente não sabia bem o que procurava. Este desânimo já o tinha sentido, um pouco mais abaixo, quando busquei as Antas, em Sampaio.

Não podia desperdiçar a “viagem” fotográfica. Os campos já estão ressequidos. Aqui e além resistem algumas flores selvagens, assaltadas por bandos de insectos que delas se alimentam. Bastava-me a vontade e a opção de subir ao alto da Capela de N. senhora dos Anúncios. Faltava ainda um bom pedaço de caminho, mas de certeza que a visão lá do alto ia valer a pena. Quando me aproximei da ribeira encontrei uma grande poça de água. Junto dela estava um bloco de xisto com alguma coisa gravada. Encontrei-a, é a Cova da Moura! Estava compensado o meu esforço. O sol baixo, sobre os montes que guardam Assares, criava relevos bizarros na superfície xistosa. Aqui e além, pequenos sois raiados, emergiam do conjunto de gravações mais difusas, onde se viam também rectas paralelas, círculos com pequenas pocinhas no meio e outras figuras menos definidas. Tinha milénios de história sob os meus pés! Que susto apanhei quando olhei a rocha do lado oposto! Alguém arrancou grandes pedaços dela com uma retroescavadora! Juntos das gravações com milénios estão os riscos dos dentes da pá!
Não sei se o nome Cova da Moura foi dado à rocha com as gravuras, se à depressão no leito da ribeira que formava um pequeno lago.
Mais animado, atravessei a ribeira e segui “À Descoberta”, já no concelho de Alfândega da Fé. Desfeito em suor, cheguei à capela. A Senhora dos Anúncios estava do meu lado. O Bar estava aberto e pude beber uma água fresquinha.

Do alto deste cabeço, com menos de 300 metros de altitude, tem-se mais uma vista única do vale. A Norte, um grande reservatório de água, a Barragem do Salgueiro. Depois dela, Vilarelhos, Vilares da Vilariça e o alto da Serra de Bornes. Deslizando para a esquerda, Trindade, Santa Comba da Vilariça, Assares, Lodões, Sampaio e ainda se avistam lá longe aldeias de Torre de Moncorvo, a caminho da Lousa. Focando a ribeira e subindo por ela, imagina-se a Chã Grande, a Senhora da Rosa e o Cabeço da Mina (algures, aqui bem perto). Mesmo à frente, do outro lado da ribeira, está a Quinta do Barracão, tão adormecida, ao fim da tarde, como a água da sua piscina. Neste vale habitado desde os primórdios da história, a agricultura é rainha. As uvas já têm bagos enormes!
Cheirou-me a churrasco, não estava a sonhar. Já se assavam carnes para a festa de S. João que iria decorrer no local. O mesmo se estava a passar na Praça da República, em Vila Flor. Desci precipitadamente do cabeço, pelo mesmo caminho que tinha seguido. Passei a ribeira junto à Cova da Moura. Uma ave estranha, fascinou-me com o seu canto. Despedi-me da rocha milenar e segui, cabeço abaixo em busca do automóvel.
De caminho ainda passei por Valbom e pela Trindade, mas dessas Descobertas falarei depois.

02 julho 2007

TerraFlor - Programa?

Esta vai ser a primeira vez que vou poder assistir ao certame TerraFlor, daí o meu natural nervosismo e alguma expectativa. Depois de uma busca pelas ruas de Vila Flor à procura do programa da feira, que não encontrei, fiquei ainda mais nervoso e inquieto. À falta de informação decidi recorrer ao mexerico, à conversa de café. Não posso esperar pelo dia 12 para saber do programa!...
Consta que muitos são os expositores e a cultura não vai passar ao lado. Como não há outra Revista com piadas de mau gosto, como incentivo à natalidade no concelho, estarão presentes o Fernando Pereira e o Quim Barreiros. Também consta que já se marcam lugares para assistir aos seminários sobre o azeite e sobre o vinho (não se chamasse o último álbum do Quim Barreiros - Use Álcool!).
Todos já sabemos que o evento vai decorrer de 12 a 15 de Julho, mas nem todos sabem que no último dia as entradas vão ser grátis!
Está certo que, cada vez mais, a TerraFlor, seja uma amostra para fora da região, mas nós, que cá estamos, também merecemos saber o que se vai passar. Como não há programa, deixo o espaço publicitário reservado, logo que o cartaz surja, será divulgado.
Para os mais ansiosos, dirijam-se à Câmara Municipal, ao portal da mesma, na Internet, ou então ao Sítio da Radio Brigantia, onde ficamos a saber que até vamos ter direito a ver um cachecol com 36 quilómetros de "cumprimento" (não seria melhor uns metros de papel para imprimir cartazes?).
Só espero que os Quinta do Bill actuem no dia de entrada gratuita, gostava muito de visitar a feira...

01 julho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor - Todas as fotografias

No sentido de facilitar uma visita a todas as maravilhas de Vila Flor, estou a fazer uma listagem de um bom conjunto de fotografias, que já foram publicadas no Blog, nestes quase 10 meses de existência. Não é uma listagem exaustiva, mas gostaria de ter pelo menos uma fotografia de cada um dos candidatos a maravilha. Estou a trabalhar para isso, ainda me faltam algumas. Lembro que a votação não deve ser baseada na beleza da fotografia mas sim no significado daquilo que ela representa.

1 _ Ponte sobre o Tua, Vieiro - Foto2
2 _ Marcos, em Alagoa - Foto2
3 _ Capela de S. Lourenço, Arco -
4 _ Cabeço da Mina, Assares
5 _ Cova da Moura, Assares
6 _ Fontes Limpa e da Mina, Benlhevai - Foto2 - Foto3
7 _ Fraga do Ovo, Candoso - Foto2 -
8 _ Igreja de Santa Catarina, Carvalho de Egas - Foto2 -
9 _ Amendoeiras em flor - Foto2 - Foto3 - Foto4 - Foto5
10 _ Azeite - Foto2 - Foto3 - Foto4 -
11 _ Biodiversidade do Concelho - Foto2 - Foto3 - Foto4 - Foto5
12 _ Paisagem do Vale da Vilariça - Foto2 - Foto3 - Foto4 -
13 _ Vinho -
14 _ Fragas das Pinhascas, Folgares
15 _ Miradouro da Gralheira, Folgares - Foto2 - Foto3 - Foto4
16 _ Fonte Romana, Freixiel - Foto2 -
17 _ Forca, em Feixiel - Foto2 -
18 _ Insculturas rupestres da Serra, em Freixiel - Foto2 -
19 _ Fonte Romana, Lodões - Foto2 -
20 _ Capela de S. Maria Madalena, Macedinho - Foto2 -
21 _ Castelo, em Macedinho - Foto2 - Foto3 - Foto4 -
22 _ Capela de S.Marinha, Meireles -
23 _ Igreja de S. João Baptista, Mourão - Foto2 -
24 _ Capela de S. Cruz, Nabo
25 _ Godeiros, no Nabo - Foto2- Foto3 -
26 _ Azenha Nova, na Ribeirinha
27 _ Capela Velha de S. António, Ribeirinha - Foto2 - Foto3 -
28 _ Igreja de S. João Baptista, Roios
29 _ Capela de N. S. do Rosário, Samões - Foto2 - Foto3
30 _ Capela de N. S. dre Lurdes, Samões - Foto2 - Foto3 -
31 _ Igreja de S. Brás, Samões
32 _ Águas, em Sampaio - Foto2 -
33 _ Antas, em Sampaio
34 _ Capela de N. S. da Rosa, Sampaio - Foto2 -
35 _ Capela de N. S. do Rosário, Sampaio - Foto2 -
36 _ Chaminé dos Ochoas, em Santa Comba
37 _ Cruzeiros medievais, em Santa Comba - Foto2 - Foto3 -
38 _ Igreja de S. Pedro, Santa Comba - Foto2 - Foto3 - Foto4 - Foto5
39 _ Aldeia do Gavião - Foto2 - Foto3 - Foto4 - Foto5
40 _ Fonte Sangrinho, Seixo de Manhoses - Foto2 -
41 _ Igreja de Santa Bárbara, Seixo de Manhoses - Foto2 -
42 _ Santuário de Santa Cecília, Seixo
43 _ Igreja da Santíssima Trindade, Trindade - Foto2 - Foto3 - Foto4 -
44 _ Barragem da Burga, Valbom- Foto2 -
45 _ Fonte da Almoinha, Valbom
46 _ Igreja de S. Lourenço, Vale Frechoso
47 _ Fonte Velha, Vale Frechoso
48 _ Capela de N. S. do Rosário, Valtorno - Foto2 -
49 _ Fonte Paijoana, Valtorno - Foto2 -
50 _ Igeja de N. S. do Castanheiro, Valtorno - Foto2 - Foto3 -
51 _ Regadio do Pausadinho, Vieiro - Foto1 - Foto2 - Foto3 -
52 _ Capela Nova de S. Tomé, Vieiro - Foto2 -
53 _ Arco de D. Dinis, Vila Flor - Foto2 - Foto3 -
54 _ Centro Cultural de Vila Flor - Foto2 - Foto3
55 _ Complexo da Barragem do Peneireiro - Foto2 - Foto3 - Foto4
56 _ Fonte Romana, Vila Flor - Foto2 - Foto3 -
57 _ Igreja Matriz de Vila Flor - Foto2 - Foto3 -
58 _ Museu Berta Cabral - Foto2 - Foto3 - Foto4 - Foto5 -
59 _ Paisagem vista do miradouro de Vila Flor - Foto2 -
60 _ Pelourinho de Vila Flor - Photo2 - Photo3 -
61 _ Santuário de Nossa Senhora da Lapa, Vila Flor - Foto2 - Foto3 -
62 _ Zona antiga de Vila Flor - Foto2 - Foto3 - Foto4 -
63 _ Ponte sobre o Tua, Vilarinho das Azenhas
64 _ Pelourinho de Vilas Boas - Foto2 -
65 _ Santuário de Nossa Senhora da Assunção, Vilas Boas - Foto1 - Foto2 - Foto3

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