26 agosto 2007

Nem 8, nem 80

O dia 25 de Agosto foi turbulento em Vila Flor. Ao final da manhã chamou-me a atenção a movimentação dos bombeiros. Vi carros de Bombeiros de Mogadouro, Sendim e outros que não consegui identificar - algo de anormal se passava! Uma nuvem de fumo elevava-se por sobre a Serra do Facho. A localização do incêndio era mais além, mais precisamente entre Meireles e o cabeço onde se ergue o Santuário de Nossa Senhora da Assunção.
Enquanto um helicóptero combatia o incêndio, não paravam de chegar mais carros de bombeiros de concelhos vizinhos. À uma da tarde, as chamas devoravam uma grande área de pinhal envolvendo a capela numa nuvem cerrada de fumo. Pareceu-me que a certa altura o helicóptero alterou o seu rumo despejando a água mesmo sobre a capela ou muito próximo desta. Espero que não tenha sido atingida pelas chamas.
A meio da tarde, abateu-se sobre a vila uma séria intempérie. Grande quantidade de chuva, arrastada por rajadas fortíssimas de vento, caiu sobre a vila, ao som de fortes trovões. A visibilidade era fraca e, por momentos, o cenário foi assustador, sendo acompanhado por constantes cortes de luz eléctrica.
Uma grande árvore no Largo do 7º Centenário, ao lado do Hospital, não resistiu ao vento, sendo arrancada pela raiz. Caiu entre dois automóveis, não causando, por sorte, maiores prejuízos. Ao início da noite, os bombeiros, desobstruíram a rua, cortando a árvore ao meio.

25 agosto 2007

Festas de S. Bartolomeu


Hoje foi o último dia das festas em honra de S. Bartolomeu. Ainda ouço daqui o conjunto a tocar Simply the best mas já passa das duas da manhã.
Foi um dia cheio de animação que colheu de surpresa alguns (poucos) turistas que por aqui andavam. Apesar de feriado municipal, algumas lojas estiveram abertas (pelo menos de manhã).
A programação do Dia do Padroeiro que constava no cartaz das festas foi seguida à risca. Na Missa solene realizada às 11 horas na igreja Matriz, esteve presente um grande número de pessoas. Na igreja já se encontravam o andor de S. Bartolomeu e do Sagrado Coração de Jesus, prontos para a procissão. Surpreendeu-me o tamanho e a beleza da imagem do Sagrado Coração de Jesus.
Às 18 horas, uma majestosa procissão, percorreu as principais ruas da Vila. Foram 13 os andores que integraram a procissão, que contou também com a Banda de Música de Vila Flor e com o apoio do Agrupamento de Escuteiros e Bombeiros Voluntários.
Ao longo de todo o percurso milhares de pessoas assistiram à passagem da procissão, demonstrando algum respeito. Em muitas casas havia colchas nas janelas e lançavam flores à passagem dos andores.
À noite o Conjunto Musical Roconorte animou a a festa. E que animação! Foi seguramente o grupo mais barulhento que ouvi este Verão. Gente a dançar era o que não faltava! A Avenida Marechal Carmona estava completamente apinhada de gente de todas as idades. Ninguém arredou pé até à meia noite. Fui apanhado de surpresa pelo fogo de artifício. Não estava à espera que fosse lançado de um local tão baixo. O local é de boa visibilidade de toda a Vila, mas perde um pouco por se localizar na zona mais baixa da mesma. O fogo durou uns bons vinte minutos, que encheu o céu de cores, estrondos e de pássaros assustados que costumam dormir descansadamente nas árvores da avenida.
Depois do fogo, muita gente aproveitou para regressar a casa, mas a música (e a festa) prolonga-se pela noite fora.

23 agosto 2007

Exposição Fotográfica - Raízes


Até ao próximo dia 26 de Agosto, pode ser admirada na galeria do Centro Cultural de Vila Flor, uma Exposição Fotográfica de Amandine Pinto. A jovem fotografa, residente em França mas com raízes em Portugal, leva-nos a percorrer alguns recantos de França mas também de Vila Flor. A exposição integra 12 fotografias de Vila Flor.
Uma visita à exposição, é um bom complemento aos passeios por Vila Flor, nesta época festiva.

22 agosto 2007

Fernando Tordo nas festas de S. Bartolomeu


Iniciaram-se hoje, em Vila Flor, os festejos em honra de S. Bartolomeu. A vila encontra-se engalanada, com iluminação muito colorida e a Avenida de Marechal Carmona já fervilha de gente que se passeia entre as barraquinhas, comprando um brinquedo, bebendo uma cerveja ou simplesmente passeando ao longo da avenida.
Fiquei contente quando soube que o Fernando Tordo iria actuar no anfiteatro ao ar livre. Há 11 anos atrás estive presente numa comemoração nesse local, não sei se daí para cá foi muito utilizado mas é importante dar vida ao local.
Não sei porque é que a escolha de um artista para a festa, recaiu sobre o Fernando Tordo, mas, para mim, pareceu-me uma grande escolha. Ainda há bem pouco tempo andei a redescobrir as suas canções. São canções cheias de palavras, de significados. Algumas ficaram na história, marcaram uma época política, social e musical, outras, nem por isso menos bonitas, são excelentes poemas para ouvir com calma, num ambiente tranquilo.
Quando cheguei ao local a actuação já tinha começado. Foram muitos os que aproveitaram para ouvir o trovador. As bancadas estavam praticamente lotadas. O cenário, com a igreja matriz ao fundo, estava bonito e noite apesar de fresca, mantinha-se calma. Estavam reunidos todos os ingredientes. A plateia batia palmas, acompanhava o artista cantando o refrão e lançava títulos para o palco, sugerindo algumas canções.

O artista, com muita calma, cabelos bancos ao vento, foi acedendo aos pedidos proporcionando regressos ao passado a alguns dos presentes. Recordo-me de Adeus Tristeza, Cavalo à Solta, O Rato Roeu a Rolha e Tourada. A banda que o acompanhava, composta por quatro músicos, teclas, baixo, bateria e trompete, enchiam as músicas com bonitos floreados de jazz rivalizando com a beleza das palavras.
Foi uma hora fantástica. O artista começou a denotar algum cansaço e o espectáculo terminou. O público ainda gritou o título de alguns temas mas não houve mais música. Eu ficava ali mais algumas horas, recordando velhos temas que não apreciei muito na minha meninice e juventude, mas que vim a descobrir e a adorar mais tarde. Quem não recorda a Tourada, Portugal ressuscitado, Quando um homem quiser, Balada para nossos filhos, Chegam palavras, etc.
Desci ao palco, apertei a mão a Fernando Tordo e agradeci aquela hora de música. Aqui fica o autógrafo dado ao Blog.
Parabéns também à organização da Festa de S. Bartolomeu por este momento musical, esperamos que os restantes dias de festa corram igualmente bem.
Amanhã, 23 de Agosto, a noite será animada pelo grupo musical Arco-Iris.
Para os que ainda não descobriram a beleza das palavras de algumas das canções de Fernando Tordo, deixo uma:

Sou de Outras Coisas.

Sou de outras coisas
pertenço ao tempo que há-de vir sem ser futuro
e sou amante da profunda liberdade
sou parte inteira de uma vida vagabunda
sou evadido da tristeza e da ansiedade

Sou doutras coisas
fiz o meu barco com guitarras e com folhas
e com o vento fiz a vela que me leva
sou pescador de coisas belas, de emoções
sou a maré que sempre sobe e não sossega

Sou das pessoas que me querem e que eu amo
vivo com elas por saber quanto lhes quero
a minha casa é uma ilha é uma pedra
que me entregaram num abraço tão sincero

Sou doutras coisas
sou de pensar que a grandeza está no homem
porque é o homem o mais lindo continente
tanto me faz que a terra seja longa ou curta
tranco-me aqui por ser humano e por ser gente

Sou doutras coisas
sou de entender a dor alheia que é a minha
sou de quem parte com a mágoa de quem fica
mas também sou de querer sonhar o novo dia

16 agosto 2007

De volta à Nossa Senhora da Assunção

Realizou-se ontem a tão tradicional Romaria no Santuário de Nossa Senhora da Assunção. Este que é uns dos maiores santuários do Nordeste Trasmontano e o maior dedicado ao culto Mariano, tinha este ano novas condições para receber os peregrinos. Foram investidos quase um milhão de euros (uma boa fatia veio da autarquia), com o objectivo de terminar uma obra que se manteve durante muitos anos por concluir. A novidade mais evidente é sem dúvida o pórtico que se eleva a oito metros de altitude e a escadaria por detrás dele. Confesso que, ao primeiro olhar, o pórtico não me agradou. Nas quatro visitas que fiz ao Santuário, durante os dois dias de festa, fui-me habituando à sua presença e durante a noite, com a iluminação, até me pareceu muito fotogénico.
No edifício que ladeia o pórtico há: uma loja para venda de lembranças, um bar, um auditório, uma sala de apoio a visitantes e sanitários. O que mais me agradou, foi um painel com uma fotografia antiga que retrata um conjunto de peregrinos no santuário, num dia de festa, há bastantes anos atrás (não sei o ano da fotografia). Passei largos minutos olhando cada pormenor. Se forem ao santuário, não percam a viagem ao passado que aquela fotografia permite.
O acesso ao Santuário, pouco antes do início da procissão, estava difícil. A fila de carros chegava à entrada de Vila Flor. Valeu-me o conhecimento de alguns caminhos para chegar mais rapidamente ao parque de estacionamento. Caíram algumas gotas de chuva que fizeram partir alguns peregrinos menos precavidos, mas, felizmente, não chegou a chover durante a tarde.
A procissão é demorada. Logo à saída da aldeia a estrada começa a subir. A subida é interminável (sei do que estou a falar) até chegar ao cruzamento que dá acesso ao santuário. Apercebi-me de que a Eucaristia não seria celebrada na capelinha e por isso não me desloquei para o mesmo local de onde via passar a procissão, ano após ano, na minha infância e juventude. Coloquei-me junto ao Escadório dos Apóstolos, perto do altar, tentando enquadrar os andores, com o santuário como fundo.
Quando o andor de Nossa Senhora da Assunção chegou, desloquei-me para o novo escadório ocupando uma posição contrária, mais alta.
Foi bem escolhido o local para a Eucaristia. Além das pessoas que se concentraram à frente do pórtico, muita gente ocupou os diversos socalcos (com obras ainda não terminadas), mantendo bastante respeito pelo acto que estava a decorrer. Na minha opinião, os restantes andores também poderiam ter ficado junto ao de Nossa Senhora da Assunção, terminando depois a procissão todos juntos. É uma questão de organização do espaço.
A cerimónia decorreu com muita calma e tranquilidade. A instalação sonora permitia acompanhar as cerimónias de quase todo o Santuário. Infelizmente o grupo coral não me pareceu à altura de uma cerimónia desta importância. Sei que é muita responsabilidade, talvez pudessem ter ensaiado um pouco mais.
Gostei de ouvir as referências ao Santuário como uma obra colectiva, dos peregrinos, para os peregrinos. Fez-me voltar atrás na história do santuário, quando o mesmo era gerido por uma comissão bastante alargada.
Acompanhei o andor de Nossa Senhora de da Assunção até à capelinha. O Sol começava a esconder-se. O ambiente, a luz, o sofrimento de dezenas de homens que o carregavam aos ombros, o olhar sereno de Nossa Senhora com os braços abertos, descontrolaram-me a respiração. Fiquei bastante emocionado.
Como a fotografia envolve empatia, emoção, acho que foi nesse momento que tirei as melhores fotografias.
Depois de um redadeiro esforço para subir o último lanço de escadas, a imagem de Nossa Senhora entrou na sua capelinha, no alto do cabeço. “Tudo está consumado”.
Do alto, olhei a paisagem em redor. Tudo respirava paz e tranquilidade. Muitos automóveis começavam a abandonar as imediações do Santuário.
À noite voltei para o fogo de artifício. Fiquei de longe, no parque de estacionamento. Foi pena terem desligado a iluminação da capela. Talvez seja para se ver melhor o colorido do fogo. Mas, num cenário, podem ser vários os elementos da cena. Penso que o conjunto seria muito mais bonito com a iluminação da capela ligada.
Quando perguntei aos meus dois filhos o que pensavam da festa, dei comigo a fazer a minha própria avaliação. Não consegui fugir à comparação com os meus tempos de juventude. Senti saudades do cabaz de merenda da minha mãe, do melão que o meu irmão comprava, da carrinha de caixa aberta do João Madeira que me transportava, do tractor de plástico, da corneta colorida, do poço da morte, dos carrinhos de choque, das cadeirinhas, do carrocel, da música do Teixeirinha, da água fresca das bilhas ou dos fontanários junto à gruta, das bandeiras de todas as cores, dos andores enormes e com crianças, dos anjinhos cansados, concentrados na sua função, do fogo de artifício infernal da meia noite e do silêncio em redor da capela com o ar fresco a bater-me na cara.
A festa não é a mesma, eu também não. Mantém-se igual o convívio com os amigos, a fé, a sensação de que, por um dia, estamos todos mais alto, mais próximos do céu.

Glória à Virgem do Cabeço,
A Senhora da Assunção!
Mãe querida, Mãe Divina!
Padroeira da Nação!

Ligação para o site do Santuário

14 agosto 2007

Festa do Cabeço


Apesar de ter estado fora nos últimos dias, voltei agora a Vila Flor para estar presente na festa de Nossa Senhora da Assunção que se está a realizar no Cabeço, em Vilas Boas.
Esta tarde fiz uma pequeno passeio, de bicicleta, ao local. As obras não estão completas, estão talvez a 90%. Ainda não estão criadas as melhores condições para os peregrinos e para os vendedores (por exemplo para a restauração), mas, parece-me, que a reação da maioria das pessoas é positiva. À noite voltei ao recinto da festa. As pessoas confluiram para o Cabeço aos milhares, aproveitando o ar fresco da noite.

O grupo Midnes, de Sendim, animou os mais afoitos com horas de música popular, para dançar animadamente. À meia noite em ponto foi lançado fogo de artifício. Não teve a espectacularidade de outros tempos, mas calculo que amanhã será melhor.

08 agosto 2007

Borboleta - Aricia cramera

No dia 4 de Agosto, no Santuário de Nossa Senhora da Assunção em Vilas Boas, "perseguia" eu um casal de noivos com a objectiva em riste quando deparo com esta beldade a exibir-se para a fotografia. Acharam todos imensa piada quando virei costas aos noivos, mas valeu a pena, consegui apanhá-la em cheio. Trata-se de uma Aricia cramera, da família das Lycaenidae, abundantes em quase toda a Europa de Abril a Outubro.

02 agosto 2007

TerraFlor - o meu balanço

Sempre tive a ideia de fazer uma reflexão pessoal sobre a TerraFlor 2007. Depois de uns dias de descanso, à descoberta de outras paragens, estou de mente liberta para reflectir desinteressadamente sobre o assunto.
A organização do certame coube à Câmara Municipal à DesTaQue (Associação para Desenvolvimento da Terra Quente) e à Associação Cultural e Recreativa de Vila Flor. Teve ainda como parceiros um vasto conjunto de organismos, uns ligados ao Estado, outros ligados à caça, ao gado bovino e caprino, ao azeite, ao vinho e uma instituição bancária. Curiosamente ficaram de fora, como parceiros, a Adega Cooperativa de Vila Flor e a Cooperativa – Agrícola dos Olivicultores de Vila Flor e Ansiães.

Aguardei algum tempo, para ver o feedback da comunicação social sobre o evento mas não consegui encontrar nada escrito. Calculo que deve ter havido uma reunião da organização com os parceiros, no sentido de fazer o balanço do certame. Desconheço por completo as conclusões. De maneira que, tudo o que eu disser, é meramente uma opinião. A opinião de quem tentou estar presente em todos os eventos, sem pressões, nem comparações em relação a anos anteriores, visto que foi a primeira vez que estive presente.
Calculo que não seja fácil, num meio tão pequeno, organizar um evento que traga multidões. Quem ou o quê, atrai as pessoas? Como feira de produtos e sabores, eu inclinar-me-ia para os Produtos e Sabores como principais atracções. O “cabeça de cartaz” da feira, o azeite, recebeu quanto a mim o merecido destaque. Infelizmente o seminário “O sector olivícola e o Azeite Trás-os-Montes – Novos desafios” não teve a assistência que seria de esperar. É caso para dizer “só se lembram de S. Bárbara quando troveja”. O sector não tem grandes problemas e a questão ambiental não é a principal preocupação dos produtores.
Pelo contrário, o sector vitivinícola não está bem. Prepara-se legislação que pode (ou não) levar o sector ao rubro. Isto esteve patente no seminário sobre a “reforma da COM do sector vitivinícola” com boa afluência e com intervenções acaloradas. Estranhei a postura do orador representante da Adega, que numa atitude muito transmontana mas talvez pouco política, optou por mostrar o seu descontentamento passando a palavra ao orador seguinte. Devia, quanto a mim, ter aproveitado a oportunidade de se fazer ouvir. Também não percebo porque é que a Adega não esteve presente como expositor na feira. Acredito que o factor económico tenha sido importante mas a publicidade não pode ser vista como uma despesa mas como um investimento. O aluguer dos stands, para os locais, devia ser a preços mais reduzidos (ou mesmo gratuitos). Algumas instituições não estiveram presentes por acharem caro.
Calculo que a organização dos concursos de Ovelha Churra e de Cabra Serrana deve ter envolvido verbas substanciais. As despesas estiveram a cargo da organização da feira? Qual foi a participação da ANCRAS e da ANCOTEQ? Esteve presente um grande número de criadores, do concelho e de concelhos limítrofes. O espaço de exposição pareceu-me reduzido para uma boa apreciação dos animais.

A organização dos pavilhões e o aproveitamento do espaço esteve bem, embora gostássemos de ver mais representantes do concelho, principalmente no artesanato. O Vale da Vilariça estava representado em força, mas há outros produtos locais! Não me recordo de ter visto os cogumelos!
A animação musical é sempre uma questão de gosto. Quim Barreiros acabou por atrair mais gente do que o bom espectáculo do Fernando Pereira. Os Quinta do Bill já atraíram mais gente. Têm muitas actuações na região, quer em anos anteriores, quer no corrente ano. A noite do dia 15 esteve muito bem, com a actuação dos Grupos de Cantares, Banda de Música e Grupo de Música Tradicional. Quanto a mim, o local e o ambiente não eram os mais adequados ao fado, mas o desempenho dos fadistas, convidados e da terra, esteve, mais uma vez, impecável. A instalação sonora (áudio e vídeo) esteve fantástica em todos os espectáculos.
A animação do recinto é sempre importante, mas nem sempre notada. Talvez pelo meu espírito jovem e de educador, gostei dos palhaços e malabaristas do dia 12.
As actividades ligadas à caça em que estive presente, correram muito bem. Já manifestei os meus parabéns pela distribuição das diferentes provas por vários locais. A descentralização da feira só pode ser positiva. O meu destaque vai para a corrida de galgos. Muita competição, local adequado, público reduzido, o que se pode fazer?
Uma palavra para as actividades que, por falta de tempo, me passaram completamente ao lado: 1.º TerraFlor Extreme (que pelo que dizem foi um sucesso); Torneio de Tiro aos Pratos e Exposição de cães de caça.
Com o título “Feira de Produtos e Sabores” veio-me imediatamente à ideia - comida. Fiz um almoço e um jantar na feira, e, pelo menos o vinho, era do concelho. A não ser que os Sabores se esgotem no vinho e no azeite, seria de apostar no dia da cabra e do cabrito, no dia da ovelha churra, no fumeiro, na doçaria, no coelho, perdiz, etc. Espero que a promessa, para o próximo ano, de novas instalações para a restauração, venha trazer mais dinamismo a esta vertente, uma vez que de cerveja e tremoços já esteve bem servida.
Para concluir e voltando ao início: a quantidade e variedade de instituições envolvidas, só nos podem levar a pensar que tudo foi feito a pensar na promoção dos Produtos, Sabores e no próprio concelho de Vila Flor; parece-me que a meta a atingir, 20 mil visitantes, deve ter ficado a alguns milhares de distância (pelo menos de visitantes pagantes); a restauração no recinto, e quem sabe da vila, precisa de ser mais envolvida e activa no certame.
Não querendo alongar-me mais em considerações que possivelmente ninguém vai ler, renovo os parabéns pelos 4 dias de Festa. O caminho é para a frente, sempre apostando na amostra e divulgação do que melhor se pode oferecer no/do concelho, de forma a vender, para sustentar uma comunidade de pessoas que dê vida a este pequeno pedaço de terra, cheia de contrastes, de cores e sabores que eu vou continuar A DESCOBRIR.

Notas: Na segunda fotografia vemos o poeta José Navarro que lançou o livro "A luz estava acesa de vermelho", apoiado pela Câmara Municipal, numa sessão de autógrafos. O livro era oferecido aos interessados.
Na terceira fotografia vemos uma panorâmica da exposição fotográfica "Entre Oliveiras - Na Rota do Azeite Trás-os-Montes" que esteve patente no Centro Cultural de Vila Flor durante os 4 dias do certame.

Memórias da TerraFlor

No dia 15 de Julho de 2007, integrada na V TerraFlor - Feira de Produtos e Sabores, o Grupo de Cantares de Vila Flor, participou no espectáculo de encerramento da feira. Das suas canções quase todas dedicadas a Vila Flor, chamou-me à atenção esta letra adaptada à Feira, que simpaticamente o Grupo me fez chegar.
Aqui fica então mais este hino a Vila Flor.

Vila Flor és linda

Refrão
Vila Flor, és linda, gostas da tradição.
Vila Flor, tu brilhas em cada coração.
Vila Flor, menina que brilhas ao Sol-pôr,
Por isso D. Dinis te chamou de Vila Flor.

I
Vila Flor fez florir
Esta feira de sabores,
Mostrando os seus produtos
Também os seus cantores.

Vila Flor acolhedora
Todos sabemos dizer,
Ofereces o azeite
E bom vinho para beber.

Refrão

II
O Vale da Vilariça
É rico em agricultores
Hoje mostram os produtos
Na feira de sabores.

O azeite Vila Flor
É de Fama Mundial
É feito cá na terra
É o melhor de Portugal.

Refrão

23 julho 2007

Parque de Campismo de Vila Flor

Descobri o Parque Municipal de Campismo de Vila Flor, há mais de duas décadas atrás, quando nele acampei pela primeira vez. Já na altura, fiquei deliciado com a vegetação, a tranquilidade e a paz de espírito que se consegue num local como este.
Hoje voltei ao Parque. Não para acampar, mas para fazer uma visita, mostra-lo ao meu filho mais novo e verificar se ainda reina a mesma tranquilidade e respeito pela Natureza.
O Parque encontra-se integrado num complexo mais vasto, junto à Albufeira do Peneireiro, que inclui (além do Parque): um complexo de piscinas com explanada e bar, um circuito de manutenção, um parque de merendas, um mini zoo, uma loja de artesanato, cortes de ténis e outros campos de jogos (todos no interior do parque).
Se cada estrutura destas, só por si, já é interessante, todas em conjunto criam as condições ideais para uns dias de tranquilidade, de repouso ou desportivo, conforme os gostos.

O interior do Parque está completamente arborizado e com algumas áreas relvadas: pinheiros, eucaliptos, plátanos, choupos brancos, sobreiros e medronheiros são algumas das variedades vegetais que podemos encontrar. O terreno irregular, criando áreas mais pequenas, limitadas por vegetação ou por blocos naturais de granito, proporcionam mais privacidade e a sensação de uma relação mais estreita com a Natureza.
Tem três blocos de balneários, um bar com esplanada, um mini-mercado e uma sala de leitura. O acesso ao complexo de piscinas é gratuito para os utilizadores do Parque de Campismo.
Durante o ano de 2006, frequentaram o Parque, mais de 8400 pessoas com mais de 10 anos e cerca de 9500 se contarmos com as crianças, em próximo de 3000 tendas. O Parque está aberto todo o ano.
Além das prazeres que se podem usufruir no local, como a pesca desportiva na albufeira, um passeio a Vila Flor, à sua área antiga, subir ao Miradouro e visitar o Santuário de Nossa Senhora da Lapa são momentos muito agradáveis. Para quem queira conhecer mais um pouco do concelho, não pode deixar de subir ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas e fazer um longo passeio pelo Vale da Vilariça. Para os mais afoitos, todo o concelho é um convite À DESCOBERTA. Aqui, neste Blog, pode encontrar centenas de desafios para vir Descobrir ao vivo.

Mais informação sobre o Parque de Campismo
Roteiro Campista
Taxas (2011)
Mapa de localização do Parque, no Flickr
Localização de Vila Flor, no ViaMichelin
Mais fotografias do Parque, Blog do CCVF

Parque de Campismo Municipal

Barragem do Peneireiro
5360 Vila Flor
Telefone 278512350

Câmara Municipal de Vila Flor
Avenida Marechal Carmona
5360 Vila Flor
www.cm-vilaflor.pt

18 julho 2007

De volta a Candoso


Hoje o passeio foi a Candoso. Já há algum tempo que andava arredado da bicicleta. O trabalho, a Feira TerraFlor, a câmara nova, são algumas das razões. A opção por Candoso deve-se ao facto de apenas ter estado “À Descoberta”, em Candoso, uma vez, em 29 de Janeiro. Pensei voltar na altura das amendoeiras em flor, mas não foi possível.
Foi com prazer que saí a meio da manhã, por caminhos, até Carvalho de Egas. Decidi fazer o máximo de percurso possível por caminhos, embora a vegetação espontânea já não tenha a exuberância de algum meses atrás.

Fiz um curto passeio em Carvalho de Egas e perguntei por um caminho que me levasse a Candoso. Mais uma vez (isto acontece muito), tentaram convencer-me que o melhor percurso seria a estrada! Face à minha convicção, lá me indicaram o caminho. Era realmente muito ruim e a subir, mas, quando cheguei ao alto, fiquei satisfeito por ter tomado essa alternativa.
Encontrava-me a 747 metros de altitude. Embora não conseguisse ver bem a aldeia de Carvalho de Egas, a paisagem em direcção ao Cabeço era fantástica e procurei uma localização de onde pudesse fotografar Candoso. Tinha uma visão completamente diferente da aldeia, daquela que tive na primeira visita, uma vez que, em Janeiro, tinha entrado pela estrada principal e tinha subido à capela. Desta vez entrei por Nordeste, por uma caminho que me levou directamente ao fundo do povo.

Aproveitei para ver como ficou a capela de Nossa Senhora da Assunção, depois das obras. Afinal o erro na colagem dos azulejos não se deu nestas obras, já se encontrava assim, não se sabe desde quando. A capela, exteriormente, está muito bonita. Telhado novo, colunas novas, pintura fresca, tudo impecável, até o jardim em volta. Encontra-se repleto de flores de todas as cores, das quais destaco as Dálias, que são flores que gosto muito.
Percorri ao acaso muitas das ruas e becos da aldeia. Fiquei impressionado com a limpeza e o ajardinamento que encontrei por todo o lado! É difícil encontrar outra aldeia do concelho tão limpa. Há jardim em cada canto. Até as hortas são uma mistura de horta e jardim privado!
Ao longe via-se o marco geodésico. Este marco tem nas cartas do Instituto Geográfico do Exército o nome de Pilão. Indaguei junto de alguns residentes, estes não reconheciam o nome. Situa-se a 722 metros de altitude (mas não é o ponto mais alto da aldeia). Tinha grandes expectativas quando a paisagem que se veria dali. Esta zona entre Candoso e o Vale da Cabreira, em Freixiel, era completamente desconhecida para mim.

À medida que me aproximava do marco geodésico fui-me convencendo que não me ia arrepender. Quando cheguei ao topo perdi-me, não sabia para onde olhar. Aproveitei para comer alguma coisa enquanto olhava os 360º de beleza. Até o céu colaborou, começando-se a enfeitar com pequenas nuvens brancas. Há um vale que começa no Mogo de Malta, rasgas o granito, alarga-se e vem morrer junto a Freixiel. As enormes rochas graníticas têm uma beleza rude, esmagadora, são salpicados de sobreiros verdes, que resistem à seca, até aos incêndios.
A minha intenção era continuar a descer até encontrar o caminho que une Freixiel a Samões, mas nem tudo correu bem. A certo ponto o caminho tornou-se muito perigoso e dirigia-se para poente, para o centro do vale, em direcção a montante, quando eu queria ir em direcção oposta.
Num caminho com grande inclinação, cheio de buracos cobertos por um manto de ervas secas, a roda da frente entrou num buraco projectando-me a vários metros de distância. Foi um grande susto. Verificados os estragos, tinha uma mão esfolada e a barriga arranhada e nada mais. A bicicleta parecia bem. Para cúmulo acabou-se o caminho. Subi ao alto de uns rochedos e vi, a poucas centenas de metros, o caminho, no fundo do Vale Covo, que acompanha a ribeira (Ribeira do Pilão ou Pelão?).

Quando montei na bicicleta e comecei a pedalar, algo não estava bem. A roda traseira parecia solta. Desapertei as porcas do eixo e a roda caiu ao chão. O eixo estava partido e as esferas espalharam-se pelo chão. Tirei da mochila toda a ferramenta que levada e tentei inventar. Sem saber como, a bicicleta aguentava o meu peso. Fui-me deixando levar, com calma, caminho abaixo, até que cheguei junto da Forca em Freixiel. Não arriscava fazer força, a pedalar, por isso telefonei para casa, a pedir apoio.
Foi um percurso cheio de aventuras, mas valeu a pena. É uma zona com uma rara beleza, com horizontes largos, ideal para bons passeios. Tenho que voltar a percorrer estes e outros caminhos.

16 julho 2007

TerraFlor, o quarto dia (15)


O último dia da Feira TerraFlor também esteve recheado de acontecimentos. Bem cedo rumei ao Nabo (não tão cedo como estava no programa, fui aprendendo...). No largo em frente à igreja, os caçadores matavam o bicho e ouviam algumas recomendações. Depois, todos rumaram para o local da Largada de Perdizes. Eu conhecia o local, é bem próximo do monte Godeiros onde em recentemente andei à procura de vestígios arqueológicos.
Distribuídos os caçadores, quase meia centena, esperava-se com expectativa a largada das primeiras perdizes. Reinava a boa disposição. Percebi de imediato que todos se conheciam à excepção do repórter que enervava alguns no acto de premirem o gatilho. As aves foram sendo libertadas e quase todas mortas. Era difícil passar por aquele muro de canos de caçadeira virados para o ar.
Estava perto de terminar a largada, mas achei que era hora de partir para Vila Flor, onde já deveria ter começado o XVII Concurso de Cabra Serrana e o III Concurso da Ovelha Churra da Terra Quente.
De facto, o recinto destinado a estes dois concursos já se encontrava cheio de criadores, especialistas e curiosos. Os animais estavam muito concentrados, não havia espaço para a fotografia criativa.
Pouco depois das 12 horas dirigi-me à Tenda 1. O concurso Maratona do Cachecol decorreu das 14 horas do dia 14, até às 12 horas de Domingo (15)! Chegou a altura de verificar qual das concorrentes conseguiu maior dimensão, uma vez que três passaram a noite no local, acompanhadas por um elemento da segurança, tricotando afincadamente. Contas feitas, Lurdes Ferreira tinha conseguido o comprimento de 6,65 metros para somar aos quilómetros já existentes. Também foi eleita a melhor decoração da Ovelha, um concurso para crianças, que consistia em decorar o desenho de uma sorridente ovelhina. O desenho vencedor foi o da Isabel Carvalho, que decorou a sua ovelha com tons e texturas bem femininas.
Aproveitei a hora de almoço, quando todos se dirigiram para os restaurantes existente no recinto da Feira, para tirar algumas fotografias com mais tranquilidade. Os animais colaboraram. Devem ter descoberto o prazer de ser o foco dos flashs!
Almocei na feira. À minha frente estava um pastor de Valtorno e outro da Alagoa. Aproveitei para saber algumas informações úteis sobre o terreno, para os meus passeios À Descoberta.
Durante o almoço começou a chover torrencialmente, durante um curto espaço de tempo. Decidi voltar a casa para descansar um pouco.
À noite o tempo melhorou de novo. A frescura da noite não foi suficiente para atrair muita gente à Feira, mas os artistas locais arrancariam mais aplausos do que durante os anteriores três dias os artistas profissionais.
A noite iniciou-se com o Grupo de Música Tradicional da ACR de Vila Flor, seguindo-se depois o Grupo de Cantares de Vila Flor, o Grupo de Cantares de Freixiel e Banda de Música.
A apresentação esteve a cargo de Tozé Martinho, que com entusiasmo, anunciou que se ia cantar o fado. Os artistas já eram conhecidos, foram os que participaram na Noite de Fados, a 7 de Março.
As vozes afinadas dos fadistas vilaflorenses deliciaram os presentes, que os aplaudiram entusiasticamente, gritando o seu nome.
Por fim subiu ao pouco o sr. Presidente da Câmara, para o sorteio de uma Scooter, e encerrar a Feira.
Embora possa voltar a falar da TerraFlor para mostrar mais algumas das fotografias das quase mil que tirei ao longo dos 4 dias da feira, devo dizer que este acompanhamento foi possível, porque me foi dado livre-trânsito na mesma (tal como o meu amigo Li tinha sugerido). Agradeço à organização na pessoa do Eng. Fernando Barros.
Fiquei surpreendido pela quantidade de pessoas que me “reconhecia”, graças ao “À Descoberta de Vila Flor” e me tratavam com toda a simpatia.