02 setembro 2007

Freguesia Mistério 7

A freguesia mistério colocada online a 13 de Julho, teve 42 votos, um pouco mais do que as anteriores. Isso deve-se ao facto de ter estado mais tempo em votação.
Que eu saiba, existem capelas românicas, com cabido exterior, em Candoso, Carvalho de Egas, Samões e Nabo. Neste caso trata-se da Capela de Nossa Senhora do Rosário em Carvalho de Egas. O altar (que não conheço) é feito em talha do Séc. XVII, mas no campanário está gravado o ano 1593! A resposta certa colheu apenas 17% das respostas, partilhando o mesmo número com Samões.

A distribuição dos votos foi a seguinte:
Assares (1) 2%
Benlhevai (1) 2%
Candoso (4) 10%
Carvalho de Egas (7) 17%
Lodões (2) 5%
Mourão (1) 2%
Nabo (3) 7%
Samões (7) 17%
Sampaio (1) 2%
Santa Comba de Vilariça (1) 2%
Seixos de Manhoses (1) 2%
Trindade (2) 5%
Valtorno (2) 5%
Vale Frechoso (2) 5%
Vila Flor (3) 7%
Vilas Boas (4) 10%
A nova freguesia mistério (7) está representada por esta estátua em granito. Encontra-se num local bem visível e pode não estar só. Em que freguesia a podemos encontrar?

Participe votando.
Na margem direita do Blog

Um bom ano trabalho para os que vamos recomeçar na Segunda-feira (e para os restantes).

01 setembro 2007

Ciclista fotógrafo ou fotógrafo ciclista?


Durante um ano que pedalei pelas estradas e caminhos de Vila Flor, dividi-me entre a bicicleta e a máquina fotográfica, entre os quilómetros e os locais, entre as aldeias e o espaço natural que as divide.
Como é habitual catalogarmos tudo, eu mesmo penso às vezes em mim. Sou um fotografo que anda de bicicleta, um ciclista que tira fotografias?
Deitei um olho na minha bagagem: mochila, telemóvel, tripé de 21 centímetros, máquina fotográfica Nikon Coolpix 4300, adaptador UR-E4 para a Coolpix, duas baterias EN-EL1 suplentes para a Coolpix, um doplicador TC-E2 2x Telephoto Converter Lens, um cabo de aço para travões, 2 ferros de desmonte de pneus, uma chave para afinar os travões etc., uma navalha, uma bomba de ar, uma chave inglesa, uma câmara de ar, um bloco de notas, uma caneta e um colete sinalizador. A este equipamento somo às vezes outra câmara fotográfica para as emergências (HP Photosmart E327), pilhas tipo AA recarregáveis, um filtro polarizador (usados nas câmaras reflex mas que seguro manualmente à frente da objectiva), um fato de treino ou uma capa de água. Na mochila levo algum dinheiro e a minha identificação e números de telefone (podem ser necessários se ocorrer algum acidente). Também costumo levar uma ou duas garrafas de água e alguma coisa para comer, quase sempre bolos secos.
Vestido levo normalmente uma t-shirt (com um casaco no Inverno), uns calções de ciclismo (dão muito jeito as almofadas, por vezes levo umas calças de fato de treino por fora), umas botas de caça, um capacete, umas luvas sem dedos (óptimas para fotografar) e um computador de bicicleta. Este equipamento híbrido é o mais adequado para os percursos que faço. Imprescindíveis são as botas confortáveis, mas suficientemente fortes para escalar as rochas, andar nos montes e caminhar a pé durante bastante tempo e os calções de ciclismo que atenuam bastante a fadiga mas não protegem as pernas contra os arranhões de giestas e silvas. O colete sinalizador que usei bastante no Inverno, quando regressava a casa de noite, levo-o apenas para uma emergência porque os condutores de automóveis não paravam de me ligar os máximos! Comprei fita florescente que apliquei em vários pontos da bicicleta.
A bicicleta que uso, é uma vulgar bicicleta de montanha, muito pesada mas resistente para aguentar com os meus 80 (e mais alguns) quilos.
O gosto de andar de bicicleta tem vindo a aumentar mas, não gosto propriamente da bicicleta, gosto de fazer percursos em bicicleta. Acho que o que me atrai é o percurso.

Ao longo deste ano conheci alguns elementos do Clube de Ciclismo de Vila Flor. Senti-me bem com/no grupo e fiz-me sócio do clube. Não tenho feito muitos percursos com eles porque não quero sujeitá-los ao meu ritmo lento, com paragens constantes (e às vezes com regressos atrás), à procura do ângulo fotográfico certo.
Um passeio de bicicleta sem a máquina fotográfica é um passeio perdido! É essa a minha sensação.
Quando chego a casa, fico o dobro, o triplo ou o quádruplo de horas a organizar as fotografias, a fazer panorâmicas e a escrever os textos, do que aquelas que levei para fazer o percurso.
Analisando tudo isto, é fácil concluir que a vertente fotografia é mais forte. A BTT só a descobri há coisa de dois ou três anos, mas a paixão pela fotografia acompanha-me desde os primeiros tempos de juventude. O elo de ligação entre a bicicleta e a fotografia está no gosto pela aventura e na paixão pela natureza. Assim, ordeno as coisas da seguinte maneira: fotografia, paixão, aventura e bicicleta.

30 agosto 2007

De novo na estrada


De novo na estrada. Esta frase faz-me lembrar ciclismo, a volta a Portugal em bicicleta! Também me faz lembrar os cantores pimba que andam constantemente a falar em estrada. Depois de mais de um mês praticamente parado no que toca aos passeios de bicicleta pelo concelho de Vila Flor, voltei hoje “à estrada”. Não lhe “peguei” com muita convicção, há muitas indefinições quanto ao futuro (profissional), mas o peso acumulado de muitas festas em Agosto, muitos almoços e jantares com familiares e amigos, está bem evidente e exige medidas. Em termos de fotografia não houve pausa, antes pelo contrário.

Mesmo com uma bicicleta emprestada, a minha ainda não recuperou da queda no dia 18 de Julho, parti, a meio da tarde, em direcção a Seixo de Manhoses. Não havia nenhum objectivo em especial, era só mesmo para testar o físico e a bicicleta.
Num mês mudou muita coisa. As vinhas já esperam a vindima. As macieiras, pereiras e figueiras ostentam os seus coloridos frutos convidando a uma dieta mais saudável. As amêndoas já foram quase todas apanhadas, e, neste momento, procede-se ao descasque.
Nas primeiras pedaladas pude admirar o Arco e o Vale da Vilariça com algumas casas do Nabo a espreitarem.
Rapidamente cheguei a Seixo de Manhoses, as sombras já cobriam metade da aldeia. Dei um passeio por algumas das ruas mais estreitas, já minhas conhecidas e subi em direcção ao Santuário de Santa Cecília. É cansativa a subida!

No santuário notavam-se ainda alguns vestígios da festa. Tenho pena de não ter podido estar nela, mas Agosto é pequeno para tantas festas. Procurei algum lugar que me permitisse ver o horizonte em volta, mas o céu estava muito vazio e não me inspirou. Continuei até Carvalho de Egas.
Quando dei por mim, estava a subir a rua que conduz à igreja. Instintivamente escolhi aquele caminho. No altos dos montes, entre fragas nuas e restos de árvores queimadas, fui surpreendido pelo pôr-do-sol. A natureza fez silêncio. Eu, acompanhado de um pequeno pisco, sentei-me nas rochas pintadas a ouro, saboreando o momento. Em momentos como este esquecemos todo o stress que nos atormenta. Quando as sombras começaram a tomar conta dos caminhos, desci calmamente à Vila. Senti-me bem, de novo, na estrada.Quilómetros do percurso: 19
Total de quilómetros de bicicleta: 1407
Total de fotografias: Perdi a conta

27 agosto 2007

Rescaldo


O balanço dos acontecimentos dos últimos dias em Vila Flor é bastante negro.
O incêndio que devastou uma grande área de pinhal entre Meireles e o Santuário de Nossa Senhora da Assunção, na freguesia de Vilas Boas, queimou também alguma vinha, aproximou-se de casas junto ao santuário e provocou estragos na capelinha. As chamas laboravam na encosta virada a Nordeste e o vento empurrava as chamas, fumo e faúlhas em direcção à capela, no alto do cabeço. O helicóptero fez algumas descargas de água sobre o telhado controlando a propagação das chamas que apenas danificaram a parte do telhado equivalente à área de uma pequena sacristia que existe atrás do altar-mor.
As imagens foram retiradas e colocadas na Casa dos Milagres, que embora mais próxima das chamas, oferecia mais segurança porque, contrariamente à capela, o telhado foi recentemente revisto.
Durante a tempestade que se fez sentir no dia 25 à tarde, não foi possível proceder à cobertura provisória da área danificada, por causa dos fortes ventos que se fizeram sentir.
Ao início da tarde, a imagem de Nossa Senhora da Assunção regressava à capelinha, depois de ter sido possível proceder à colocação provisória de chapas de zinco no telhado.
Muitas foram as pessoas que se deslocaram ao Santuário, algumas vindas de concelhos vizinhos, ver pelos seus próprios olhos a devastação provocada pelo incêndio. Fruto da intervenção do homem (e quem sabe da divina), a capela, aparentemente, pouco sofreu. A preocupação do Sr. Pe Delfim Gomes, Arcipreste na paróquia de Vilas Boas e presente no local, prendia-se com o efeito que poderá produzir a água que entretanto escorreu e penetrou nas madeiras. A talha foi restaurada há pouco tempo.
Em muitos automóveis que se deslocavam para o Cabeço (incluindo no meu), eram visíveis os efeitos do granizo caído na manhã do dia 26. No tejadilho e capot apresentavam depressões com a forma das enormes bolas de gelo que sobre eles se abateram. Apesar do que presenciei em Vila Flor já ser suficientemente assustador e devastador, a faixa do concelho que vai de Samões ao Arco, passando pelo Parque de Campismo e Seixo de Manhoses parece ser a mais afectada. O calibre a a força do granizo quebrou mesmo os vidros dos automóveis e outras estruturas nas habitações. As árvores ficaram sem folhas, ou com elas transformadas em crivos. Os frutos também foram praticamente todos destruídos. Está comprometida a produção de vinho, azeite e amêndoa, principais produções e fonte de rendimento dos agricultores do concelho.
Muitos dos turistas que se encontravam no parque de campismo municipal também acabaram por abandoná-lo.

26 agosto 2007

Não há duas sem três...


Como se se as ocorrências do dia 25 ainda não fossem suficientes, hoje fui acordado por algo insólito. Depois de algumas gotas de chuva, empurradas por rajadas de ventos fortes, cairam pedras de gelo de grandes dimensões. As árvores dobravam-se sobre as forças do vento, as vidraças ameaçavam partir-se a cada instante. As pedras de gelo variavam entre o tamanho de uma azeitona e o tamanho de uma noz. Os vidros aguentaram, não sei como! As persianas das janelas abriram grandes buracos e os automóveis também mostram algumas mossas. É nestas alturas que muitas gente se volta para o divino! A minha mãe sabe algumas orações para estes momentos, mas, infelizmente, a mim não me ocorreu mais nada do que ficar a assistir, impotente, à passagem de mais uma força devastadora da natureza.
Penso esta tarde ir ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção, verificar o que realmente aconteceu por lá.

Nem 8, nem 80

O dia 25 de Agosto foi turbulento em Vila Flor. Ao final da manhã chamou-me a atenção a movimentação dos bombeiros. Vi carros de Bombeiros de Mogadouro, Sendim e outros que não consegui identificar - algo de anormal se passava! Uma nuvem de fumo elevava-se por sobre a Serra do Facho. A localização do incêndio era mais além, mais precisamente entre Meireles e o cabeço onde se ergue o Santuário de Nossa Senhora da Assunção.
Enquanto um helicóptero combatia o incêndio, não paravam de chegar mais carros de bombeiros de concelhos vizinhos. À uma da tarde, as chamas devoravam uma grande área de pinhal envolvendo a capela numa nuvem cerrada de fumo. Pareceu-me que a certa altura o helicóptero alterou o seu rumo despejando a água mesmo sobre a capela ou muito próximo desta. Espero que não tenha sido atingida pelas chamas.
A meio da tarde, abateu-se sobre a vila uma séria intempérie. Grande quantidade de chuva, arrastada por rajadas fortíssimas de vento, caiu sobre a vila, ao som de fortes trovões. A visibilidade era fraca e, por momentos, o cenário foi assustador, sendo acompanhado por constantes cortes de luz eléctrica.
Uma grande árvore no Largo do 7º Centenário, ao lado do Hospital, não resistiu ao vento, sendo arrancada pela raiz. Caiu entre dois automóveis, não causando, por sorte, maiores prejuízos. Ao início da noite, os bombeiros, desobstruíram a rua, cortando a árvore ao meio.

25 agosto 2007

Festas de S. Bartolomeu


Hoje foi o último dia das festas em honra de S. Bartolomeu. Ainda ouço daqui o conjunto a tocar Simply the best mas já passa das duas da manhã.
Foi um dia cheio de animação que colheu de surpresa alguns (poucos) turistas que por aqui andavam. Apesar de feriado municipal, algumas lojas estiveram abertas (pelo menos de manhã).
A programação do Dia do Padroeiro que constava no cartaz das festas foi seguida à risca. Na Missa solene realizada às 11 horas na igreja Matriz, esteve presente um grande número de pessoas. Na igreja já se encontravam o andor de S. Bartolomeu e do Sagrado Coração de Jesus, prontos para a procissão. Surpreendeu-me o tamanho e a beleza da imagem do Sagrado Coração de Jesus.
Às 18 horas, uma majestosa procissão, percorreu as principais ruas da Vila. Foram 13 os andores que integraram a procissão, que contou também com a Banda de Música de Vila Flor e com o apoio do Agrupamento de Escuteiros e Bombeiros Voluntários.
Ao longo de todo o percurso milhares de pessoas assistiram à passagem da procissão, demonstrando algum respeito. Em muitas casas havia colchas nas janelas e lançavam flores à passagem dos andores.
À noite o Conjunto Musical Roconorte animou a a festa. E que animação! Foi seguramente o grupo mais barulhento que ouvi este Verão. Gente a dançar era o que não faltava! A Avenida Marechal Carmona estava completamente apinhada de gente de todas as idades. Ninguém arredou pé até à meia noite. Fui apanhado de surpresa pelo fogo de artifício. Não estava à espera que fosse lançado de um local tão baixo. O local é de boa visibilidade de toda a Vila, mas perde um pouco por se localizar na zona mais baixa da mesma. O fogo durou uns bons vinte minutos, que encheu o céu de cores, estrondos e de pássaros assustados que costumam dormir descansadamente nas árvores da avenida.
Depois do fogo, muita gente aproveitou para regressar a casa, mas a música (e a festa) prolonga-se pela noite fora.

23 agosto 2007

Exposição Fotográfica - Raízes


Até ao próximo dia 26 de Agosto, pode ser admirada na galeria do Centro Cultural de Vila Flor, uma Exposição Fotográfica de Amandine Pinto. A jovem fotografa, residente em França mas com raízes em Portugal, leva-nos a percorrer alguns recantos de França mas também de Vila Flor. A exposição integra 12 fotografias de Vila Flor.
Uma visita à exposição, é um bom complemento aos passeios por Vila Flor, nesta época festiva.

22 agosto 2007

Fernando Tordo nas festas de S. Bartolomeu


Iniciaram-se hoje, em Vila Flor, os festejos em honra de S. Bartolomeu. A vila encontra-se engalanada, com iluminação muito colorida e a Avenida de Marechal Carmona já fervilha de gente que se passeia entre as barraquinhas, comprando um brinquedo, bebendo uma cerveja ou simplesmente passeando ao longo da avenida.
Fiquei contente quando soube que o Fernando Tordo iria actuar no anfiteatro ao ar livre. Há 11 anos atrás estive presente numa comemoração nesse local, não sei se daí para cá foi muito utilizado mas é importante dar vida ao local.
Não sei porque é que a escolha de um artista para a festa, recaiu sobre o Fernando Tordo, mas, para mim, pareceu-me uma grande escolha. Ainda há bem pouco tempo andei a redescobrir as suas canções. São canções cheias de palavras, de significados. Algumas ficaram na história, marcaram uma época política, social e musical, outras, nem por isso menos bonitas, são excelentes poemas para ouvir com calma, num ambiente tranquilo.
Quando cheguei ao local a actuação já tinha começado. Foram muitos os que aproveitaram para ouvir o trovador. As bancadas estavam praticamente lotadas. O cenário, com a igreja matriz ao fundo, estava bonito e noite apesar de fresca, mantinha-se calma. Estavam reunidos todos os ingredientes. A plateia batia palmas, acompanhava o artista cantando o refrão e lançava títulos para o palco, sugerindo algumas canções.

O artista, com muita calma, cabelos bancos ao vento, foi acedendo aos pedidos proporcionando regressos ao passado a alguns dos presentes. Recordo-me de Adeus Tristeza, Cavalo à Solta, O Rato Roeu a Rolha e Tourada. A banda que o acompanhava, composta por quatro músicos, teclas, baixo, bateria e trompete, enchiam as músicas com bonitos floreados de jazz rivalizando com a beleza das palavras.
Foi uma hora fantástica. O artista começou a denotar algum cansaço e o espectáculo terminou. O público ainda gritou o título de alguns temas mas não houve mais música. Eu ficava ali mais algumas horas, recordando velhos temas que não apreciei muito na minha meninice e juventude, mas que vim a descobrir e a adorar mais tarde. Quem não recorda a Tourada, Portugal ressuscitado, Quando um homem quiser, Balada para nossos filhos, Chegam palavras, etc.
Desci ao palco, apertei a mão a Fernando Tordo e agradeci aquela hora de música. Aqui fica o autógrafo dado ao Blog.
Parabéns também à organização da Festa de S. Bartolomeu por este momento musical, esperamos que os restantes dias de festa corram igualmente bem.
Amanhã, 23 de Agosto, a noite será animada pelo grupo musical Arco-Iris.
Para os que ainda não descobriram a beleza das palavras de algumas das canções de Fernando Tordo, deixo uma:

Sou de Outras Coisas.

Sou de outras coisas
pertenço ao tempo que há-de vir sem ser futuro
e sou amante da profunda liberdade
sou parte inteira de uma vida vagabunda
sou evadido da tristeza e da ansiedade

Sou doutras coisas
fiz o meu barco com guitarras e com folhas
e com o vento fiz a vela que me leva
sou pescador de coisas belas, de emoções
sou a maré que sempre sobe e não sossega

Sou das pessoas que me querem e que eu amo
vivo com elas por saber quanto lhes quero
a minha casa é uma ilha é uma pedra
que me entregaram num abraço tão sincero

Sou doutras coisas
sou de pensar que a grandeza está no homem
porque é o homem o mais lindo continente
tanto me faz que a terra seja longa ou curta
tranco-me aqui por ser humano e por ser gente

Sou doutras coisas
sou de entender a dor alheia que é a minha
sou de quem parte com a mágoa de quem fica
mas também sou de querer sonhar o novo dia

16 agosto 2007

De volta à Nossa Senhora da Assunção

Realizou-se ontem a tão tradicional Romaria no Santuário de Nossa Senhora da Assunção. Este que é uns dos maiores santuários do Nordeste Trasmontano e o maior dedicado ao culto Mariano, tinha este ano novas condições para receber os peregrinos. Foram investidos quase um milhão de euros (uma boa fatia veio da autarquia), com o objectivo de terminar uma obra que se manteve durante muitos anos por concluir. A novidade mais evidente é sem dúvida o pórtico que se eleva a oito metros de altitude e a escadaria por detrás dele. Confesso que, ao primeiro olhar, o pórtico não me agradou. Nas quatro visitas que fiz ao Santuário, durante os dois dias de festa, fui-me habituando à sua presença e durante a noite, com a iluminação, até me pareceu muito fotogénico.
No edifício que ladeia o pórtico há: uma loja para venda de lembranças, um bar, um auditório, uma sala de apoio a visitantes e sanitários. O que mais me agradou, foi um painel com uma fotografia antiga que retrata um conjunto de peregrinos no santuário, num dia de festa, há bastantes anos atrás (não sei o ano da fotografia). Passei largos minutos olhando cada pormenor. Se forem ao santuário, não percam a viagem ao passado que aquela fotografia permite.
O acesso ao Santuário, pouco antes do início da procissão, estava difícil. A fila de carros chegava à entrada de Vila Flor. Valeu-me o conhecimento de alguns caminhos para chegar mais rapidamente ao parque de estacionamento. Caíram algumas gotas de chuva que fizeram partir alguns peregrinos menos precavidos, mas, felizmente, não chegou a chover durante a tarde.
A procissão é demorada. Logo à saída da aldeia a estrada começa a subir. A subida é interminável (sei do que estou a falar) até chegar ao cruzamento que dá acesso ao santuário. Apercebi-me de que a Eucaristia não seria celebrada na capelinha e por isso não me desloquei para o mesmo local de onde via passar a procissão, ano após ano, na minha infância e juventude. Coloquei-me junto ao Escadório dos Apóstolos, perto do altar, tentando enquadrar os andores, com o santuário como fundo.
Quando o andor de Nossa Senhora da Assunção chegou, desloquei-me para o novo escadório ocupando uma posição contrária, mais alta.
Foi bem escolhido o local para a Eucaristia. Além das pessoas que se concentraram à frente do pórtico, muita gente ocupou os diversos socalcos (com obras ainda não terminadas), mantendo bastante respeito pelo acto que estava a decorrer. Na minha opinião, os restantes andores também poderiam ter ficado junto ao de Nossa Senhora da Assunção, terminando depois a procissão todos juntos. É uma questão de organização do espaço.
A cerimónia decorreu com muita calma e tranquilidade. A instalação sonora permitia acompanhar as cerimónias de quase todo o Santuário. Infelizmente o grupo coral não me pareceu à altura de uma cerimónia desta importância. Sei que é muita responsabilidade, talvez pudessem ter ensaiado um pouco mais.
Gostei de ouvir as referências ao Santuário como uma obra colectiva, dos peregrinos, para os peregrinos. Fez-me voltar atrás na história do santuário, quando o mesmo era gerido por uma comissão bastante alargada.
Acompanhei o andor de Nossa Senhora de da Assunção até à capelinha. O Sol começava a esconder-se. O ambiente, a luz, o sofrimento de dezenas de homens que o carregavam aos ombros, o olhar sereno de Nossa Senhora com os braços abertos, descontrolaram-me a respiração. Fiquei bastante emocionado.
Como a fotografia envolve empatia, emoção, acho que foi nesse momento que tirei as melhores fotografias.
Depois de um redadeiro esforço para subir o último lanço de escadas, a imagem de Nossa Senhora entrou na sua capelinha, no alto do cabeço. “Tudo está consumado”.
Do alto, olhei a paisagem em redor. Tudo respirava paz e tranquilidade. Muitos automóveis começavam a abandonar as imediações do Santuário.
À noite voltei para o fogo de artifício. Fiquei de longe, no parque de estacionamento. Foi pena terem desligado a iluminação da capela. Talvez seja para se ver melhor o colorido do fogo. Mas, num cenário, podem ser vários os elementos da cena. Penso que o conjunto seria muito mais bonito com a iluminação da capela ligada.
Quando perguntei aos meus dois filhos o que pensavam da festa, dei comigo a fazer a minha própria avaliação. Não consegui fugir à comparação com os meus tempos de juventude. Senti saudades do cabaz de merenda da minha mãe, do melão que o meu irmão comprava, da carrinha de caixa aberta do João Madeira que me transportava, do tractor de plástico, da corneta colorida, do poço da morte, dos carrinhos de choque, das cadeirinhas, do carrocel, da música do Teixeirinha, da água fresca das bilhas ou dos fontanários junto à gruta, das bandeiras de todas as cores, dos andores enormes e com crianças, dos anjinhos cansados, concentrados na sua função, do fogo de artifício infernal da meia noite e do silêncio em redor da capela com o ar fresco a bater-me na cara.
A festa não é a mesma, eu também não. Mantém-se igual o convívio com os amigos, a fé, a sensação de que, por um dia, estamos todos mais alto, mais próximos do céu.

Glória à Virgem do Cabeço,
A Senhora da Assunção!
Mãe querida, Mãe Divina!
Padroeira da Nação!

Ligação para o site do Santuário

14 agosto 2007

Festa do Cabeço


Apesar de ter estado fora nos últimos dias, voltei agora a Vila Flor para estar presente na festa de Nossa Senhora da Assunção que se está a realizar no Cabeço, em Vilas Boas.
Esta tarde fiz uma pequeno passeio, de bicicleta, ao local. As obras não estão completas, estão talvez a 90%. Ainda não estão criadas as melhores condições para os peregrinos e para os vendedores (por exemplo para a restauração), mas, parece-me, que a reação da maioria das pessoas é positiva. À noite voltei ao recinto da festa. As pessoas confluiram para o Cabeço aos milhares, aproveitando o ar fresco da noite.

O grupo Midnes, de Sendim, animou os mais afoitos com horas de música popular, para dançar animadamente. À meia noite em ponto foi lançado fogo de artifício. Não teve a espectacularidade de outros tempos, mas calculo que amanhã será melhor.

08 agosto 2007

Borboleta - Aricia cramera

No dia 4 de Agosto, no Santuário de Nossa Senhora da Assunção em Vilas Boas, "perseguia" eu um casal de noivos com a objectiva em riste quando deparo com esta beldade a exibir-se para a fotografia. Acharam todos imensa piada quando virei costas aos noivos, mas valeu a pena, consegui apanhá-la em cheio. Trata-se de uma Aricia cramera, da família das Lycaenidae, abundantes em quase toda a Europa de Abril a Outubro.