10 setembro 2007

Vieiro - Festas em honra de Stª Bárbara


No dia 9 de Setembro terminaram as festas em honra de Santa Bárbara, no Vieiro. O último dia das festas foi o principal, realizando-se também uma Majestosa Procissão.
Eu cheguei ao Vieiro pouco depois das 16 horas e tenho pena de já não ter assistido à animação feita pelos Zingaros de Carrazeda de Ansiães que demonstram agora ter recuperado a pujança de alguns anos atrás.
A Banda de Musica de Vila Flor fez a habitual arruada pela aldeia, que, pouco a pouco se foi enchendo de gente. As ruas encontravam-se enfeitadas, grande parte delas com as tradicionais bandeiras de todas as cores, recortadas em papel e coladas em fio de sisal. As colchas coloridas e de renda também foram aparecendo nas janelas engalanando as ruas para a procissão.

Em frente da igreja já se encontravam preparados sete andores ricamente decorados por um armador, entre os quais o de Santa Bárbara, muito venerada no Vieiro (e em todo o Trás-dos-Montes).
Depois de celebrada a Eucaristia, preparou-se a procissão que desceu a estrada nacional, para depois subir de novo ao cimo do povo, antes de regressar à igreja.
Algum tempo mais tarde acompanhei a colocação da imagem de Santa Bárbara na pequena capela onde se encontra habitualmente, que aproveitei para visitar. Noutra altura falarei um pouco desta capela.
Quando abandonei o Vieiro, o grupo Arcádia já se encontrava a afinar os instrumentos para aquela que prometia ser uma animada noite de arraial.
Registo também o grande impacto que a Internet está a ter nesta pequena aldeia, onde já há vários Blogues. Aqui ficam eles:

O Som das Musas - Masterclass com os elementos do Quarteto de Clarinetes de Lisboa

Tal como consta no programa do ciclo de concertos "O Som das Musas", realizou-se dia 9 de Setembro, às 15 horas, no auditório do Centro Cultural de Vila Flor um encontro entre jovens interpretes da Banda de Musica de Vila Flor e os elementos do Quarteto de Clarinetes de Lisboa.
Duas dezenas a de jovens assistiu num ambiente de descontracção à execução de peças musicais e a explicações de quem sabe manobrar os instrumentos mas também sabe ensinar. Nas explicações preciosas que os elementos do Quarteto foram dando, notava-se muito saber mas também um grande à vontade para falar com os jovens num registo totalmente ao seu nível. A importância da respiração, o funcionamento do diafragma, a postura correcta do corpo e mãos, a intensidade e o controlo do sopro, foram alguns dos temas abordados.
Mostraram aos jovens como é possível utilizar os clarinetes para produzir sons completamente "estranhos" a este instrumento e como se conseguem músicas agradáveis recorrendo a eles. A certa altura, sentímo-nos a viajar no fundo do mar, visitando as estrelas ou assistindo a uma luta entre dois animais selvagens, tudo isto com os clarinetistas a correrem pelo palco (e até saindo dele) na mais completa improvisação.
Senti pena de não ter estado dia 8, no concerto que o Quarteto de Clarinetes de Lisboa deu na Igreja de Vilas Boas.
Nota: Na fotografia podemos ver os elementos que integram o Quarteto de Clarinetes de Lisboa e Pedro Caldeira Cabral, mentor deste ciclo de concertos "O Som das Musas".
Visitar o Website do Quarteto

09 setembro 2007

Festa a Nossa Senhora do Castanheiro, em Valtorno


No dia 8 de Setembro comemorou-se em Valtorno o dia da Natividade da Nossa Senhora do Castanheiro. A bonita igreja da aldeia, abriu as suas portas para receber as celebrações e as orações de quantos se quiseram deslocar a Valtorno. Também o espaço circundante se encontrava engalanado para a festa. Bandeiras, lâmpadas de várias cores e, como noutros tempos, uma vendedora de tremoços e bolos económicos à porta da igreja.
Numa visita ao velho castanheiro, um idoso da terra aproximou-se de mim e contou-me que aquele não era um vulgar castanheiro. Produzia ultimamente 9 castanhas, mas se uma delas fosse colocada numa fogueira para ser assada, a fogueira apagava-se. Também as folhas verdes eram usadas nas malas de roupa para evitar a o bicho da traça. Mostrou-me o lugar onde apareceu a imagem comentando que, com o tempo, o tronco foi-se desfazendo perdendo alguma da imponência de outrora. Apresenta ainda algumas folhas verdes, mas poucas. Ao lado cresce já um outro castanheiro.
Toda a área envolvente foi usada como cemitério. Eram ali enterradas pessoas de aldeias longínquas, de uma área que se estendia até Torre de Moncorvo. Os caixões vinham em cima de animais de carga que saiam bem cedo das aldeias em direcção a Valtorno.
Às 10:30 partiu da aldeia a pequena procissão com o andor de Nossa Senhora do Castanheiro. Os mais idosos já se tinham adiantado, muitos já se encontravam no santuário. Depois de uma volta à igreja e de lançados os foguetes da praxe que anunciam a chagada da procissão, celebrou-se a Eucaristia.

À noite o grupo musical J.F. fez de tudo para animar os presentes. As músicas eram bem convidativas mas o largo é grande e as pessoas poucas. Os emigrantes já regressaram aos países de trabalho mas o jogo de futebol da Selecção Nacional também deve ter afastado do recinto alguns adeptos mais ferrenhos. A noite estava muito agradável.

08 setembro 2007

Tempus - Quarteto de Cordas, em Santa Comba da Vilariça

A música invadiu a bonita igreja de Santa Comba da Vilariça! Perto de uma centena de pessoa assistiu no dia 7 de Setembro, às 21:30 a um concerto do Tempus - Quarteto de Cordas, nesta igreja. No grupo de pessoas que assistiram ao concerto, havia aquelas que se deslocaram a Santa Comba propositadamente e aqueles que foram tomados pela curiosidade de saber o que de novo se estava a passar na sua igreja. Gente de todas as idades e estratos sociais, mas na hora de aplaudir todos se renderam aos encantos da mesma música.
O concerto teve uma primeira parte dedicada a a um reportório mais clássico e uma segunda mais arrojada navegando nos mares do jazz. Na primeira parte os dois violinos, a viola de arco e o violoncelo encheram plenamente a igreja encantando toda a gente. Na segunda parte, sobressairam as capacidades individuais, arrancando os diferentes elementos do quarteto sons e ritmos encantadores, levando as capacidades dos instrumentos ao limite. Compreende-se porque é que Pedro Caldeira Cabral atribui a este grupo o eixo da juventude, no conjunto dos concertos, e os apelida de "jovens virtuosos".
Embora a primeira parte me parecesse mais melodiosa e fácil para o público (eu gostei mais), os aplausos não mostraram isso, subindo de intensidade a cada novo arranjo tocado.
Foi um bom início para este ciclo d "O Som das Musas"! Não percam os próximos espectáculos.

07 setembro 2007

Para descobrir, hoje e nos próximos dias...

Neste fim de Verão, enquanto se colocam alguns excessos de lado, há sempre lugar para a cultura e não se devem desperdiçar as oportunidades.
Até ao dia 15 de Setembro pode ser admirada na Galeria de Exposições do Centro Cultural em Vila Flor, a exposição de pintura "Viagens" de Teresa Mendanha.
As propostas musicais vão da música clássica ao jazz. O ciclo de concertos "O Som das Musas" vai ter lugar durante dois fins-de-semana (7 e 8, 14 e 15), em vários cenários de eleição. O mentor do evento, Pedro Caldeira Cabral, pretende também que os músicos locais, das bandas filarmónicas ou de escolas de música, possam contactar com músicos profissionais, o que irá acontecer dia 9 de Setembro.
No dia 7 às 21:30, na Igreja de Santa Comba da Vilariça, actuará o Quarteto de Cordas - Tempus. Promete o cruzamento de música clássica com jazz (Pat Matheny!).
No dia 8, na Igreja de Vilas Boas, actuará o Quarteto de Clarinetes de Lisboa, também às 21:30.
É com expectativa que pretendo estar presente nalguns destes concertos. Expectativa quanto aos géneros musicas, que ouço mas não se enquadram muito na corrente que tenho escutado ultimamente, Power Metal, mas também quanto à adesão das pessoas. Os concertos vão realizar-se em três das mais bonitas igrejas do concelho (e no Centro Cultural de Vila Flor). Espero que o público adira e goste para justificar a realização futura de mais eventos do género. Podemos beber água com arsénio, mas escutamos música clássica e jazz.

05 setembro 2007

Parabéns! Um ano À Descoberta...


O Blog “À Descoberta de Vila Flor” completa um ano de existência. Foi no dia 5 de Setembro de 2006 que coloquei a primeira entrada. Este Blog “À Descoberta…” surgiu no seguimento de uma página web que mantinha já alguns anos, em Miranda do Douro, com o nome “À Descoberta de Miranda do Douro”. Embora recorrendo à tecnologia dos Blogues, o ponto de partida era o mesmo - fazer a reportagem dos percursos de bicicleta - que faria nos meus tempos livres, mostrando algumas das fotografias.
Estive vários anos praticamente afastado da fotografia por prazer, fruto de uma vida cheia de responsabilidades e de stress. As mudanças nível da política educativa que me levaram a abandonar o mestrado em Administração Escolar a meio e a necessidade de me libertar de todo o “ruido” que se vive na escola, foram alguns dos factores que fizeram com que este ano fosse diferente dos anteriores.

As alternâncias de montes e vales, as variações dos tons das estações, a calma que se vive pelas aldeias, estradas e caminhos, contribuíram para que eu me entregasse de forma mais apaixonada a percorrer cada recanto do concelho. O primeiro incentivo veio do meio natural, mas muitos outros se seguiram. Os primeiros visitantes do Blog, que felizmente ainda se mantêm assíduos, encorajaram-me. Falaram-me de tal forma que me senti na “obrigação” de não os defraudar, tentando melhorar cada vez mais. Estão neste grupo alguns colegas de trabalho, mas também o Rui Guerra, Esmeralda, Li, Cristiano Morais, entre outros. Também recebi apoio de vários grupos de pessoas, quer em grupo, quer de forma individual, do Clube de Ciclismo de Vila Flor, do Museu Dr.ª Berta Cabral, do site Ansiães Aventura e da Câmara Municipal (na altura da TerraFlor).
Apesar de sentir que as pessoas não são muito abertas ao primeiro contacto, as coisas foram melhorando e tenho que agradecer a muitos agricultores e pastores que, em muitos momentos, me mostraram o melhor caminho.

O número de visitas a cada freguesia ultrapassou largamente as minhas previsões, beneficiando algumas da sua localização estratégica, como ponto de passagem. Tanto quanto pude registar, recorrendo às fotografias, foram estas as visitas: Alagoa (4 visitas), Arco (3), Assares (7), Benlhevai (3), Candoso (3), Carvalho de Egas (11), Folgares (3), Freixiel (8), Gavião (2), Lodões (7), Macedinho (3), Meireles (4), Mourão (3), Nabo (4), Ribeirinha (2), Roios (8), S. Comba da Vilariça (7), Sampaio (5), Samões (9), Seixo de Manhoses (6), Trindade (5), Valbom (5), Vale Frechoso (7), Valtorno (9), Vieiro (4), Vila Flor e arredores (90), Vilarinho das Azenhas (3), Vilas Boas e Cabeço (16). Tentei respeitar a votação que está presente no Blog, mas também fui sensível ao feedback que recebia das pessoas. Estabeleci com Freixiel uma ligação especial, porque já tinha amigos nesta freguesia, mas também porque me receberam de forma excepcional. Também as pessoas do pequenino Macedinho têm sido muito agradecidas pelas minhas fotografias.
Por falar em fotografias, somei a bonita quantia de 31 445 fotografias sobre o concelho de Vila Flor, tiradas de 1 de Setembro de 2006 a 5 de Setembro de 2007. Felizmente existe a fotografia digital, caso contrário, ao preço de 100 escudos cada, daria mais de 3 mil contos de despesa. Foram colocadas no Blog, 723 fotografias (2,3%). Quase todas foram reduzidas para poderem ser colocadas, mas também para ser mais rápida a sua visualização. As maiores, muitas panorâmicas, foram colocadas noutro site e ligadas ao Blog, porque o Blogger iria reduzi-las automaticamente.
216 entradas e 300 comentários. O número de visitantes foi crescendo, totalizando 16 193 visitantes ( e 50 208 Page View), sendo o mês de Junho aquele em que se verificou mais afluência. Os picos de visitantes foram sempre às segundas-feiras. Durante Julho e Agosto houve uma ligeira quebra nas visitas.
Dediquei uma atenção especial à paisagem, à flora e aos monumentos. Com o tempo, foram aparecendo novas coisas a descobrir, como os poetas de Vila Flor, as festas e romarias, as feiras, etc. Quanto mais tempo dediquei ao Blog mais aspectos interessantes me foram tentando para a “Descoberta”. Mesmo durante o mês de Agosto, não tive coragem de parar, continuei à descoberta, com prazer.

Em termos de distância percorrida, somei 1457 quilómetros em BTT. Também fiz alguns percursos de carro, embora sejam uma minoria. Desloquei-me a todas as aldeias, mais de que uma vez, procurando faze-lo por caminhos diferentes. Subi a aos pontos mais altos do concelho (a quase todos os marcos geodésicos). Por várias vezes saí do concelho de Vila Flor, percorrendo algumas terras dos concelhos de Alfândega, Carrazeda e Mirandela.
Depois de este olhar para trás, o que nos espera para a frente? Há tanto para descobrir!
Apenas posso prometer a vontade de continuar a mostrar, em palavras e fotografias, as particularidades que vou descobrindo no concelho. Para além de tudo que pode ser descoberto nas aldeias, há também muitos motivos de interesse na Vila. Parecem estar criadas as condições para iniciar mais um ano com boas perspectivas. Reitero o que já disse: Quem quiser pode vir comigo...

Não podia terminar este balanço de um ano “À Descoberta” sem falar nos que me estão mais próximos, os meus filhos e a minha esposa. Apesar dos muitos momentos em que estou ausente, sempre foram (e serão) os fãs número um do Blog e os primeiros apreciadores das fotografias, quando chego a casa suado, mas eufórico. São de uma paciência impar.

03 setembro 2007

Iniciação à descoberta


Hoje parti à descoberta com o meu filho mais velho. Ele está na origem dos meus passeios de bicicleta, há poucos anos atrás, mas parece-me que ainda não descobriu o verdadeiro prazer da BTT, deixando-se ultrapassar aqui pelo velho. Como não é todos os dias que tenho companhia, optei por um percurso diversificado sempre próximo de Vila Flor.
Saímos por caminhos em direcção à Barragem do Peneireiro. A piscina continua aberta (até ao dia 9 de Setembro), mas, talvez pelo adiantado da hora, já não havia ninguém nela.
Depois de uma volta à barragem, partimos em direcção a Samões. Antes de chegar à aldeia, junto ao campo de futebol, deixámos a estrada e entrámos num novo caminho que nos conduziu junto às bombas da gasolina, já perto do Barracão.

O mais novo não demonstrava cansaço, decidi arriscar um pouco mais. No Barracão cortámos à direita, subimos junto à Quintas das Carvas, em direcção à Serra do Facho. As coisas começaram a aquecer. Este é um bom percurso mas bastante exigente para quem tem pouca prática. Rodeámos a serra por trás e subimos ao Miradouro de Vila Flor. O Sol já se tinha escondido nalguma serra longínqua.
Tirámos uma fotografia para recordar e regressámos a casa pela estrada (seria arriscado seguir por qualquer outro caminho). O estreante parece ter gostado, espero que me acompanhe noutras descobertas.
Quilómetros do percurso: 15
Total de quilómetros de bicicleta: 1422
Total de fotografias: Perdi a conta

02 setembro 2007

Freguesia Mistério 7

A freguesia mistério colocada online a 13 de Julho, teve 42 votos, um pouco mais do que as anteriores. Isso deve-se ao facto de ter estado mais tempo em votação.
Que eu saiba, existem capelas românicas, com cabido exterior, em Candoso, Carvalho de Egas, Samões e Nabo. Neste caso trata-se da Capela de Nossa Senhora do Rosário em Carvalho de Egas. O altar (que não conheço) é feito em talha do Séc. XVII, mas no campanário está gravado o ano 1593! A resposta certa colheu apenas 17% das respostas, partilhando o mesmo número com Samões.

A distribuição dos votos foi a seguinte:
Assares (1) 2%
Benlhevai (1) 2%
Candoso (4) 10%
Carvalho de Egas (7) 17%
Lodões (2) 5%
Mourão (1) 2%
Nabo (3) 7%
Samões (7) 17%
Sampaio (1) 2%
Santa Comba de Vilariça (1) 2%
Seixos de Manhoses (1) 2%
Trindade (2) 5%
Valtorno (2) 5%
Vale Frechoso (2) 5%
Vila Flor (3) 7%
Vilas Boas (4) 10%
A nova freguesia mistério (7) está representada por esta estátua em granito. Encontra-se num local bem visível e pode não estar só. Em que freguesia a podemos encontrar?

Participe votando.
Na margem direita do Blog

Um bom ano trabalho para os que vamos recomeçar na Segunda-feira (e para os restantes).

01 setembro 2007

Ciclista fotógrafo ou fotógrafo ciclista?


Durante um ano que pedalei pelas estradas e caminhos de Vila Flor, dividi-me entre a bicicleta e a máquina fotográfica, entre os quilómetros e os locais, entre as aldeias e o espaço natural que as divide.
Como é habitual catalogarmos tudo, eu mesmo penso às vezes em mim. Sou um fotografo que anda de bicicleta, um ciclista que tira fotografias?
Deitei um olho na minha bagagem: mochila, telemóvel, tripé de 21 centímetros, máquina fotográfica Nikon Coolpix 4300, adaptador UR-E4 para a Coolpix, duas baterias EN-EL1 suplentes para a Coolpix, um doplicador TC-E2 2x Telephoto Converter Lens, um cabo de aço para travões, 2 ferros de desmonte de pneus, uma chave para afinar os travões etc., uma navalha, uma bomba de ar, uma chave inglesa, uma câmara de ar, um bloco de notas, uma caneta e um colete sinalizador. A este equipamento somo às vezes outra câmara fotográfica para as emergências (HP Photosmart E327), pilhas tipo AA recarregáveis, um filtro polarizador (usados nas câmaras reflex mas que seguro manualmente à frente da objectiva), um fato de treino ou uma capa de água. Na mochila levo algum dinheiro e a minha identificação e números de telefone (podem ser necessários se ocorrer algum acidente). Também costumo levar uma ou duas garrafas de água e alguma coisa para comer, quase sempre bolos secos.
Vestido levo normalmente uma t-shirt (com um casaco no Inverno), uns calções de ciclismo (dão muito jeito as almofadas, por vezes levo umas calças de fato de treino por fora), umas botas de caça, um capacete, umas luvas sem dedos (óptimas para fotografar) e um computador de bicicleta. Este equipamento híbrido é o mais adequado para os percursos que faço. Imprescindíveis são as botas confortáveis, mas suficientemente fortes para escalar as rochas, andar nos montes e caminhar a pé durante bastante tempo e os calções de ciclismo que atenuam bastante a fadiga mas não protegem as pernas contra os arranhões de giestas e silvas. O colete sinalizador que usei bastante no Inverno, quando regressava a casa de noite, levo-o apenas para uma emergência porque os condutores de automóveis não paravam de me ligar os máximos! Comprei fita florescente que apliquei em vários pontos da bicicleta.
A bicicleta que uso, é uma vulgar bicicleta de montanha, muito pesada mas resistente para aguentar com os meus 80 (e mais alguns) quilos.
O gosto de andar de bicicleta tem vindo a aumentar mas, não gosto propriamente da bicicleta, gosto de fazer percursos em bicicleta. Acho que o que me atrai é o percurso.

Ao longo deste ano conheci alguns elementos do Clube de Ciclismo de Vila Flor. Senti-me bem com/no grupo e fiz-me sócio do clube. Não tenho feito muitos percursos com eles porque não quero sujeitá-los ao meu ritmo lento, com paragens constantes (e às vezes com regressos atrás), à procura do ângulo fotográfico certo.
Um passeio de bicicleta sem a máquina fotográfica é um passeio perdido! É essa a minha sensação.
Quando chego a casa, fico o dobro, o triplo ou o quádruplo de horas a organizar as fotografias, a fazer panorâmicas e a escrever os textos, do que aquelas que levei para fazer o percurso.
Analisando tudo isto, é fácil concluir que a vertente fotografia é mais forte. A BTT só a descobri há coisa de dois ou três anos, mas a paixão pela fotografia acompanha-me desde os primeiros tempos de juventude. O elo de ligação entre a bicicleta e a fotografia está no gosto pela aventura e na paixão pela natureza. Assim, ordeno as coisas da seguinte maneira: fotografia, paixão, aventura e bicicleta.

30 agosto 2007

De novo na estrada


De novo na estrada. Esta frase faz-me lembrar ciclismo, a volta a Portugal em bicicleta! Também me faz lembrar os cantores pimba que andam constantemente a falar em estrada. Depois de mais de um mês praticamente parado no que toca aos passeios de bicicleta pelo concelho de Vila Flor, voltei hoje “à estrada”. Não lhe “peguei” com muita convicção, há muitas indefinições quanto ao futuro (profissional), mas o peso acumulado de muitas festas em Agosto, muitos almoços e jantares com familiares e amigos, está bem evidente e exige medidas. Em termos de fotografia não houve pausa, antes pelo contrário.

Mesmo com uma bicicleta emprestada, a minha ainda não recuperou da queda no dia 18 de Julho, parti, a meio da tarde, em direcção a Seixo de Manhoses. Não havia nenhum objectivo em especial, era só mesmo para testar o físico e a bicicleta.
Num mês mudou muita coisa. As vinhas já esperam a vindima. As macieiras, pereiras e figueiras ostentam os seus coloridos frutos convidando a uma dieta mais saudável. As amêndoas já foram quase todas apanhadas, e, neste momento, procede-se ao descasque.
Nas primeiras pedaladas pude admirar o Arco e o Vale da Vilariça com algumas casas do Nabo a espreitarem.
Rapidamente cheguei a Seixo de Manhoses, as sombras já cobriam metade da aldeia. Dei um passeio por algumas das ruas mais estreitas, já minhas conhecidas e subi em direcção ao Santuário de Santa Cecília. É cansativa a subida!

No santuário notavam-se ainda alguns vestígios da festa. Tenho pena de não ter podido estar nela, mas Agosto é pequeno para tantas festas. Procurei algum lugar que me permitisse ver o horizonte em volta, mas o céu estava muito vazio e não me inspirou. Continuei até Carvalho de Egas.
Quando dei por mim, estava a subir a rua que conduz à igreja. Instintivamente escolhi aquele caminho. No altos dos montes, entre fragas nuas e restos de árvores queimadas, fui surpreendido pelo pôr-do-sol. A natureza fez silêncio. Eu, acompanhado de um pequeno pisco, sentei-me nas rochas pintadas a ouro, saboreando o momento. Em momentos como este esquecemos todo o stress que nos atormenta. Quando as sombras começaram a tomar conta dos caminhos, desci calmamente à Vila. Senti-me bem, de novo, na estrada.Quilómetros do percurso: 19
Total de quilómetros de bicicleta: 1407
Total de fotografias: Perdi a conta

27 agosto 2007

Rescaldo


O balanço dos acontecimentos dos últimos dias em Vila Flor é bastante negro.
O incêndio que devastou uma grande área de pinhal entre Meireles e o Santuário de Nossa Senhora da Assunção, na freguesia de Vilas Boas, queimou também alguma vinha, aproximou-se de casas junto ao santuário e provocou estragos na capelinha. As chamas laboravam na encosta virada a Nordeste e o vento empurrava as chamas, fumo e faúlhas em direcção à capela, no alto do cabeço. O helicóptero fez algumas descargas de água sobre o telhado controlando a propagação das chamas que apenas danificaram a parte do telhado equivalente à área de uma pequena sacristia que existe atrás do altar-mor.
As imagens foram retiradas e colocadas na Casa dos Milagres, que embora mais próxima das chamas, oferecia mais segurança porque, contrariamente à capela, o telhado foi recentemente revisto.
Durante a tempestade que se fez sentir no dia 25 à tarde, não foi possível proceder à cobertura provisória da área danificada, por causa dos fortes ventos que se fizeram sentir.
Ao início da tarde, a imagem de Nossa Senhora da Assunção regressava à capelinha, depois de ter sido possível proceder à colocação provisória de chapas de zinco no telhado.
Muitas foram as pessoas que se deslocaram ao Santuário, algumas vindas de concelhos vizinhos, ver pelos seus próprios olhos a devastação provocada pelo incêndio. Fruto da intervenção do homem (e quem sabe da divina), a capela, aparentemente, pouco sofreu. A preocupação do Sr. Pe Delfim Gomes, Arcipreste na paróquia de Vilas Boas e presente no local, prendia-se com o efeito que poderá produzir a água que entretanto escorreu e penetrou nas madeiras. A talha foi restaurada há pouco tempo.
Em muitos automóveis que se deslocavam para o Cabeço (incluindo no meu), eram visíveis os efeitos do granizo caído na manhã do dia 26. No tejadilho e capot apresentavam depressões com a forma das enormes bolas de gelo que sobre eles se abateram. Apesar do que presenciei em Vila Flor já ser suficientemente assustador e devastador, a faixa do concelho que vai de Samões ao Arco, passando pelo Parque de Campismo e Seixo de Manhoses parece ser a mais afectada. O calibre a a força do granizo quebrou mesmo os vidros dos automóveis e outras estruturas nas habitações. As árvores ficaram sem folhas, ou com elas transformadas em crivos. Os frutos também foram praticamente todos destruídos. Está comprometida a produção de vinho, azeite e amêndoa, principais produções e fonte de rendimento dos agricultores do concelho.
Muitos dos turistas que se encontravam no parque de campismo municipal também acabaram por abandoná-lo.

26 agosto 2007

Não há duas sem três...


Como se se as ocorrências do dia 25 ainda não fossem suficientes, hoje fui acordado por algo insólito. Depois de algumas gotas de chuva, empurradas por rajadas de ventos fortes, cairam pedras de gelo de grandes dimensões. As árvores dobravam-se sobre as forças do vento, as vidraças ameaçavam partir-se a cada instante. As pedras de gelo variavam entre o tamanho de uma azeitona e o tamanho de uma noz. Os vidros aguentaram, não sei como! As persianas das janelas abriram grandes buracos e os automóveis também mostram algumas mossas. É nestas alturas que muitas gente se volta para o divino! A minha mãe sabe algumas orações para estes momentos, mas, infelizmente, a mim não me ocorreu mais nada do que ficar a assistir, impotente, à passagem de mais uma força devastadora da natureza.
Penso esta tarde ir ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção, verificar o que realmente aconteceu por lá.