16 dezembro 2007

A Fotografia +

Tem havido algumas alterações na lista da Fotografia + . Já foram feitas 207 votações. Lembro os mais distraídos que podem votar nas fotografias que mais gostaram no Blog. Basta abrir a fotografia e ver o nome do ficheiro, que em norma é VilaFlor###.jpg, sendo ### o número da fotografia. Na margem direita do Blog há local de votação chamado Fotografia +. Escolhem o número da fotografia que gostaram e depois clicam no botão Votar.
Podem votar uma vez cada semana (de Domingo a Domingo).
Para saber + (mais) sobre a votação na Fotografia + clicar >>>>aqui<<<<
Até ao momento as 5 fotografias mais votadas são:
VilaFlor300 (28 votos) 14%
VilaFlor270 (7) 3%

VilaFlor473 (9) 4%

VilaFlor304 (4) 2%

VilaFlor821 (4) 2%

15 dezembro 2007

Nossa Senhora da Lapa


Nos últimos tempos tenho subido bastantes vezes ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa. Se a vista sobre a vila é privilegiada, aquela que estende até onde o olhar alcança, é estonteante. Os poucos visitantes (e namorados apreciadores da paisagem), sobem até ao ponto mais alto, onde se situa o miradouro. Mas, encaixada nas rochas da encosta, um pouco mais abaixo, encontra-se a ermida da Senhora da Lapa, que dá o nome a todo o conjunto das capelinhas.
Porquê Senhora da Lapa? O culto a Nossa Senhora da Lapa é muito antigo e está espalhado por Portugal, Espanha e por todas as ex-colónias, principalmente Brasil. Parece ter nascido na Serra da Lapa, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu. A primeira capela que lhe foi dedicada, foi construída no século XV. Nesta serra, uma menina encontrou escondida nas rochas uma imagem de Nossa Senhora, que levou para casa. A mãe, não dando importância, lançou-a na fogueira. A criança, muda desde a nascença, falou pela primeira vez, pedindo à mãe para não queimar a imagem.
A pequena ermida de Nossa Senhora da Lapa, em Vila Flor, encontra-se parcialmente encaixada numa pequena gruta (também designada por lapa), escavada no xisto da encosta. A tradição fala que aí apareceu Nossa Senhora. Há quem a olhe e veja uma pobre capela, mas, também há quem olhe e sinta de outra forma:
“Em noites escuras, sejam calmas ou tempestuosas, bilha sempre uma luzinha mortiça no alto da serra do Facho. Vê-se de longe, a tremeluzir, como pequenina estrela que se tivesse desprendido da cúpula e ali viesse poisar, entre pinheiros e fraguedos. Essa luz tem alguma coisa de mística, porque é votiva: é da lamparina duma ermida rústica, erguida à Senhora da Lapa pelo povo da vila, que se estende a seus pés.
Está, o pavio, mesmo por trás do vidro da única porta da capela, como um olho luminoso a velar pelas almas que habitam ao fundo - vigilância e bênção.


Merece atenção, a capelinha da Senhora da Lapa. É pequenina, sempre caiada de novo, encastoada numa mole de xistos eriçados em atitudes ciclópicas, escoltada por pinheiros de tronco direito e alto, com as comas sadias e cor e viço, onde o vento fere gemidos doces e fragrâncias resinosas. De roda, vegeta um mato plebeu, urzes, carquejas, arçãs, mentrastos, bordejando tocas onde a caça se esconde. Um único carreiro nos leva até ao alto, numa inclinação de grande esforço, e carreiro pouco pisado.
A capelania é dos pastores que por ali apascentam gados, nos baldios da serra. São eles que se revezam no azeitar da lamparina, solícita e ininterruptamente, para que nunca falte a chama devota a iluminar os longes da veiga e o interior da capela.
Este interior também é curioso. As duas paredes laterais, fortes como muralhas, e o tecto, entroncam na inclinação escavada dum rochedo, duma lapa enorme que, assim, forma a fundo do reduzido recinto, e nicho, amplo e natural, à imagem de Nossa Senhora, assente numa peanha que sobressai do tampo dum altar vulgar. Tudo muito branco, camadas de cal sobrepostas por caiações sucessivas, lajedo de granito já puído pelo desgaste talvez de séculos, caldeira de água benta num armarinho furado numa das paredes, a lâmpada já falada e algumas velinhas de cera penduradas a um lado, de promessas feitas - aquele ambiente é um recantozinho de regiões místicas, onde a gente se sente melhor, menos profana, mais tocada por influências do Céu...”

A esta descrição, feita em 1955 por Cabral Adão, acrescento a presença de uma caveira, à direita do altar, que sustenta uma curiosa lenda, contada na vila e que guardarei para outra altura.

13 dezembro 2007

Trás-os Montes (1)


Terra de patética beleza de Serras
E de luminosos cenários de maravilha
E onde p'lo meio de risonhas pedras
Há toda a fruta, desde a uva à ervilha!

Terra de geadas empolgantes
Como escamas d'armaduras prateadas
Brancos mantos de cavaleiros andantes
Ou de níveas virgens emplumadas!

Flores d'inverno, rendas de espuma, lavores
Escamas brancas, orvalho de luz
Miosótis, gotinhas geladas de flores
Aljôfares imaculados, com sorrisos de Jesus!

Terra de dias sem sol e apenas luarentos
De nevoeiros cerrados imitando oceanos
Envolvendo a terra fumarentos
De bafo espesso, de gigantes humanos!

Terra de nevoinha cristalizada
Fria, álgida, da cor do aço
Formando de dia e noite a geada
Que o sanceno coa do espaço.

Poema do livro de Cristiano de Morais, Riquezas e Encantos de Trás-os-Montes, 1950.
As fotografias foram tiradas no dia 13 de Dezembro de 2007. A primeira do Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em direcção ao Cachão/Mirandela; a segunda no Santuário de Nossa Senhora da Lapa, em direcção à foz do Sabor.

09 dezembro 2007

à Descoberta de Vila Flor, em grupo


No dia 9 de Dezembro a Descoberta de Vila Flor foi diferente. Tive a companhia de quase meia centena de ciclistas num passeio organizado pelo Clube de Ciclismo de vila Flor. Para além de apreciar a companhia de todos, havia um especial, o meu filho Rafael que pedalou comigo durante todo o percurso.
O dia acordou dourado e frio. Um pouco ventoso, mas nada que tirasse a vontade de um bom passeio a um grupo que se juntou, perto das nove da manhã junto à Câmara Municipal.
Com as condicionantes de ter que pedalar e tirar fotografias em simultâneo, fiz os possíveis por retratar um pouco do percurso. Nunca nos afastamos muito da vila mas passámos por locais bem bonitos. Não tive tempo para dedicar todo o tempo que queria à paisagem, registando aqui e ali algum pormenor a que acedi sem abandonar o percurso.
Passámos pela Barragem do Peneireiro; pelo marco geodésico do Concieiro; quase subimos ao Facho; estivemos perto de Vilas Boas e fizemos várias passagens por Vila Flor. Como já é habitual, aos Domingos, não se vê praticamente ninguém na rua. Mesmo assim, havia pelo menos dois autocarros estacionados na avenida, cheios de pessoas que aqui pararam para almoçar (infelizmente trazem merenda).
O passeio de BTT terminou com um almoço no restaurante Pala do Conde onde tive o prazer de encontrar emoldurada e colocada na parede, a narrativa de um passeio que fiz ao Nabo algum tempo atrás. Ver mais fotografias no Blog do Clube de Ciclismo de Vila Flor.

08 dezembro 2007

Outros Invernos

Hoje de manhã, fiz um curto passeio de bicicleta até ao Barracão. O dia estava fantástico, mas via-se o nevoeiro no Vale da Vilariça e algumas nuvens no alto do Facho. Com o ar fresco a bater-me na cara, pensei nos Invernos de outros tempos. Só passei dois Invernos em Vila Flor: o primeiro foi há 11 anos atrás e lembro-me de ter caído uma grande nevada. No ano passado, o que caracterizou o Inverno foi o nevoeiro, que gosta de se instalar aqui, ocultando toda a bela paisagem em redor. Mas, nem sempre foi assim.
Não é necessário procurar muito para encontrarmos no museu de Vila Flor fotografias ilustrativas do Inverno de outros tempos. Hoje deixo duas, do mesmo dia 12-02-1932, tiradas no mesmo local: em frente à Fonte Romana, em Vila Flor. Uma, em direcção à vila, vendo-se perfeitamente a casa onde hoje está o Café Fonte Romana, a casa do guarda-rios e um pouco do Arco de D. Dinis. Junto às pessoas nota-se uma espécie de ponte, uma vez que aí devia haver um curso de água que hoje quase não se nota (mas existe); a segunda fotografia, foi tirada em sentido contrário e mostra a zona onde hoje está a Escola EB2,3/S de Vila Flor e o Pavilhão Desportivo. Sei que mais tarde, no Verão, este local serviu de eira, com a azáfama (já da minha lembrança), das malhadeiras e palheiros. Em 1932 já existia um cruzeiro neste local, também visível na fotografia. Não sei se é o mesmo que ainda hoje ali se encontra.
Para ilustrar estas fotografias (ou ao contrário) deixo alguns versos de Cristiano de Morais.


Dias de nevoeiro e sincelo em Trás-os-Montes


Que fumarada tamanha
Ou noite de luar!
É cinza da montanha
Que Deus anda a espalhar
Ou vapor d'água a molhar!

Será dia, será noite?
Pergunta alguém no dealbar!
A lua com sua foice
Todos está a gelar
Parecendo o dia, a sonhar!...

Dia branco humedecido
Todo feito de luar
de luz sem sol, entumescido
A todos põe engauridos
Com nevoinha que vem do ar!
...
Recolheram-se as gramíneas
Tudo entrou pela terra dentro
Ao lado as couves azulíneas
Estevas dobradas p'lo centro
Como em tempestades fulmíneas!

Mas o espectáculo tem beleza
Grandeza e contemplação
É um cenário de beleza
Que transparecendo braveza
Torna meigo o coração.
...
Criando pingentes nas árvores
Nos arbustos e nos cinceirais
Enfeitando com brancos sabres
Ou níveas flores dos roseirais
Os espontânea beleza de catedrais!

Deus te abençoe dia cinzento
Feito de fumo e nevoeiro
Como brisa que trás o vento
Ou beijo d'amor primeiro
P'ra mim, tens encantamento.

Poema do livro de Cristiano de Morais, Riquezas e Encantos de Trás-os-Montes, 1950.
Tanto o livro como as fotografias, podem ser encontradas no Museu Municipal de Vila Flor.
O poema não foi transcrito na integra. Alguns significados: engaurido = engaranhidos = encolhidos com o frio; sincelo = senseno = pedaços de gelo pendentes das árvores ou dos beirais dos telhados; cinceirais = sinceirais? = salgueirais; tempestades fulmíneas = tempestades que destroem.

06 dezembro 2007

Noite, silêncio e... luz


Hoje, ao cair da noite, resolvi dar um passeio por Vila Flor par admirar a iluminação de Natal. Saí a pé, passando pelo Largo do 7.º Centenário que já repousava numa tranquilidade profunda. As folhas, quais lágrimas de Outono, jaziam espalhadas pelo chão, iluminadas pela luz difusa dos candeeiros, que lhe evidenciavam os seus tons adocicados.
Ao entrar na Av. Marechal Carmona situei-me literalmente no meio da rua. Esperava encontrar uma bonita visão, com a alameda de castanheiros da índia cheios de pequenas luzes, como pequenas estrelas no firmamento. A primeira sensação foi de algum incómodo, decidi aproximar-me mais procurando zonas mais povoadas pelas pequenas luzes. As palmeiras existentes estão iluminadas com potentes lâmpadas verdes e vermelhas! O vermelho, eu percebo, é a cor mais adequada para aquecer os pardais que acotovelam na ramagem procurando 0 calor e um lugar cómodo para dormir. Mas, e o verde? Foi então que me lembrei daqueles CD’s de música pimba que se vendem nas feiras que exibem sempre na capa manchas de verde e vermelho, apelando a um nacionalismo cada vez mais resignado.
Segui até à Câmara Municipal. O edifício está muito sóbrio, e ainda bem, porque já está bastante iluminado o resto do ano e o efeito é bastante agradável. Os Doutores Trigo Vaz e Francisco Guerra também “estavam verdes”, com um foco a iluminá-los por baixo, dando-lhe um ar bastante fantasmagórico. O belo conjunto de árvores, paraíso dos verdelhões, onde se inicia a Rua Doutor Oliveira Salazar, não estava verde, estava roxo! Bela iluminação para o dia das bruxas. Cria um ambiente frio, muito a jeito dos filmes de terror.
Cheguei à Praça da República, praça central de Vila Flor, de casas solarengas, cheia de tílias à espera de decoração. Percebi de repente do onde tinham vindo os focos verdes, vermelhos, roxos e azuis, vinham da fonte luminosas! A coitada, lançava milhares de lágrimas ao ar, inconsolável, despojada de toda a cor, de todo o brilho. Reconhecida pela minha pena, lançou um jacto mais alto, como grito desesperado fruto do desprezo. Outrora, há uma década atrás, a fonte era o ponto mais luminoso da Praça da República. O jogo de repuxos combinado com o de luzes, criava um bailado tão harmonioso e fascinante que hipnotizada quem por ali passava. Os carros paravam na estrada para a admirar! E eu, todas as noites descia da Rua 25 de Abril, onde morava, até à velha praça, só para completar o quadro mágico. Apenas faltava o som suave de violinos, talvez Vivaldi, ou quem sabe uns acordes mágicos de piano, de Chopin. Coitada da fonte… quando tudo à volta se veste de cor e luz, deixam-na abandonada, como viúva que já viveu e que deixou de ter direito ao sonho. Entristecido, deixei a apagada fonte. No dia seguinte, ao fim da tarde, quando a luz do sol lhe dá algum brilho, ela rejubila de alegria, com dezenas de crianças correndo em seu redor, esperando a hora em que os transportes escolares as levem a casa.
Entre a Casa Africana e da velha casa dos Corte Real, olhei a igreja. Também ela derramava algumas lágrimas azuis, em cachoeira, talvez solidária com a fonte, que avista com os seus olhos situados no alto das torres sineiras. Completava o quadro uma mulher com uma criança ao tiracolo que saída da farmácia, comprando alguns medicamentos para fazer face a alguma emergência. Gripe? Varicela? Por cima do ombro da mãe, com os seus caracóis a cair em cascata como a iluminação da igreja, lançou-me um sorriso que iluminou a rua até ao busto de Raul de Sá Correia, em frente ao museu.
Já era tarde, resolvi voltar a casa. Pelo caminho de regresso, reparei que o jardim na Rua de Santa Luzia foi poupado à iluminação. No topo da alvore mais alta, marca presença uma estrela, capaz de envergonhar o próprio Sol. Ao passar de novo no Largo do 7.º Centenário, este pareceu-me mais bonito. Por favor não coloquem aqui iluminação. Gosto muito de luz, de cor, mas o que é demais é… falta de gosto. Não me refiro às pequenas lâmpadas brancas (capazes de fazer efeitos muito mais belos do que os conseguidos), mas sim da iluminação fixa, com focos de todas as cores, folclórica, exagerada, própria de quem quer impressionar a qualquer custo. Um dia destes vamos encontrar os belos candeeiros que povoam o centro da vila, com uma lâmpada de cada cor! Numa vila que quer apostar na sua imagem de história e na qualidade dos produtos que a terra dá, os exageros ficam mal e já nos basta o Centro Cultural.
Fica para depois um passeio ao Rossio, mais tarde, quando já tiver recuperado deste choque luminoso.

04 dezembro 2007

Barragem de Valtorno/Mourão

A Barragem Mourão-Valtorno é hoje notícia na rádio RBA. A falta de água preocupa as pessoas e leva-as a pensar nos investimentos que foram feitos e nos futuros. Se a inauguração desta barragem contou com os políticos de primeira linha, o seu esvaziamento não mereceu atenção, não convinha a ninguém. Este empreendimento que custou dois milhões de euros, destinado a reforçar a capacidade da Barragem do Peneireiro, não tem desempenhado a sua função. Não sei se alguém consegue identificar uma barragem na fotografia. O cenário em 21 de Outubro era de obras e não de obra terminada!
O presidente da Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, Alexandre Chaves, na altura da inauguração, assegurou que a região transmontana já se encontrava livre do cenário da seca! Estaria a falar desta região?
Para complicar as coisas as águas residuais de Valtorno parecem estar a contaminar a água da barragem. Não me admira nada. Presenciei já várias situações semelhantes, e, não sendo exclusivo de Vila Flor, não me deixaram nada feliz. Em Seixo de Manhoses, Vilarinho das Azenhas, Vila Flor, Arco, só para citar alguns exemplos, as águas escorem pelos rios ou ribeiros, espalhando no mínimo má imagem e mau cheiro. A água que corre na torneiras tem mau aspecto (tem melhorado) e parece-me não haver água (ou falta de vontade) para rentabilizar outro investimento que foi a piscina aquecida. Apesar de tudo isto, parece-me que os vilaflorenses vão pagar os mesmos impostos.
Não nos devemos preocupar. A iluminação de Natal está a ser preparada e dará com certeza fotografias interessantes que prometo mostrar. Até lá, ... vamos esperando a chuva.

03 dezembro 2007

Todos os (olhares) caminhos levam ao céu


No dia 29 de Novembro fiz uma rápida passagem pelo alto da Serra do Facho. O objectivo não era tanto tirar fotografias, mas dar um passeio de bicicleta, para manter a forma (ou a falta dela).
Quem conhece o caminho que sobe da Rua do Carriço em direcção à serra sabe que é um caminho impróprio para cardíacos. A subida é muito acentuada, só se faz com a bicicleta pela mão.
Os medronheiros, que povoam a serra, já estão maduros. Fiz um desvio para os admirar e provar. Quando se sobe serra acima somos obrigados a levantar o olhar, o céu estava realmente azul. Comecei a avistar a paisagem em direcção à foz do Sabor. O vale encontrava-se emerso num mar de nevoeiro. O passeio prometia fotografias diferentes, acelerei o passo. A minha desconfiança confirmou-se quando cheguei à crista da montanha: havia nevoeiro desde o sopé da Serra de Bornes, até à foz mas que se estendia até Roios, aqui bem perto.

Quando cheguei ao ponto mais alto da serra, no marco geodésico do Facho verifiquei que o nevoeiro também se estendia Cabeço abaixo, tapando tudo desde Meireles até para lá de Mirandela. Levava comigo a pequena Nikon, que não me permitia “aproximar-me” dessas longas distâncias. Contente com a minha visita, a natureza brindou-me com um desfile de nuvens das mais diversas formas, suspensas num céu azul, que se foi tornando cada vez mais brilhante. Os tons alvos pareciam querer espalhar-se por todo lado. Cobriam o escuro da terra com véus de tule brancos e salpicavam os céus com formas caprichosas penduradas a grande altitude lembrando já o algodão espalhado na árvore de Natal. Sem me mover muito, joguei com as formas que se destacavam contra o céu azul, manchando-o de branco: o marco geodésico, uma cruz de madeira e algumas árvores. Criei alguns quadros, “desenhei” alguns cenários e cada vez o meu “modelo” correspondia mostrando todo o encanto que uma manhã gelada pode ter. Neste meu fascínio pelo infinito do céu, lembrei-me do título deste post todos os caminhos levam ao céu”, porque todos os caminhos que subiam a serra apontavam para o alto e todas as fotografias procuravam o céu.
Não pude saborear o espectáculo durante mais tempo. Infelizmente a nossa vida não é só feita de momentos mágicos. Montei na bicicleta e deixei-me levar, serra abaixo, a grande velocidade.
Quilómetros do percurso em BTT: 5
Total de quilómetros em bicicleta: 1665

01 dezembro 2007

Freguesia mistério 10


A freguesia mistério, ou era muito difícil, ou não motivou suficientemente os visitantes do Blog para uma maior/melhor votação. Votaram 15 pessoas e apenas uma elegeu a resposta certa. A mó da fotografia, embutida na parede, encontra-se bem no centro antigo de Vila Flor, na Rua Sidónio Pais.
Espero que não percam o entusiasmo e votem na nova Freguesia Mistério (10). A fotografia apresenta uma estátua do Cristo Rei, com quase 2 metros de altura colocada num local público, bem à vista de toda a gente. Em que freguesia se podemos encontrar esta estátua? (Mais uma pista: a estátua foi inaugurada a 5 de Maio de 2002).

A distribuição dos votos da Fregesia Mistério n.º9 foi a seguinte:
Benlhevai (1) 7%
Carvalho de Egas (1) 7%
Freixiel (3) 20%
Nabo (3) 20%
Sampaio (2) 13%
Valtorno (2) 13%
Vila Flor (1) 7%
Vilarinho das Azenhas (2) 13%
Como se pode ver, apenas uma pessoa votou em Vila Flor!

Participe votando.
Na margem direita do Blog

29 novembro 2007

Hoje, na Serra do Facho II

Pela tarde, a paisagem mudou de tons. Perdeu o nevoeiro mas ficou a neblina e a frescura. Da capelinha de Nossa Senhora da Lapa, esta era a paisagem que se avistava em direcção ao Vale da Vilariça.

Hoje, na Serra do Facho


Hoje à tarde, se tiver tempo livre, dê um passeio pelo alto da Serra do Facho. Esta é a paisagem que poderá admirar.
Também do Cabeço da Senhora da Assunção, em Vilas Boas, se deve ter uma visão fantástica.

26 novembro 2007

Perdido, em Candoso

O passeio do dia 24 de Novembro levou-me até Candoso! Nada estava estudado. O Outono causou alguns danos na minha “máquina” ao nível do sistema respiratório e bicicleta ainda não recuperou dos maus tratos que sofreu no Passeio de S. Martinho, em Carrazeda de Ansiães.
Saí sem destino, pelo trilho que liga Vila Flor ao santuário de S. Cecília. O sol estava quente mas o ar frio! Bastava olhar em direcção a Bragança para descobrir porquê. Lá longe no horizonte, já em terras de nuestros hermanos, os cumes das montanhas estavam cobertos de neve! O céu estava como eu gosto, de um azul vibrante salpicado por longas nuvens, penduradas de onde em onde.
Uma paragem aqui, outra paragem ali, fui aproveitando a folhagem outonal que os castanheiros e os carvalhos proporcionam. Toda a zona de Carvalho de Egas, Valtorno, Mourão, Alagoa e Candoso estão nestes dias vestidos de Outono, com cores alaranjadas esperando ser fotografadas.
As “máquinas” estavam a portar-se bem, cheguei rapidamente ao santuário. Procurei um ponto alto. Veio-me à memória a prosa de Cabral Adão: "os seus olhos pousaram naqueles montes ásperos, eriçados de penedias graníticas, carcomidas de líquenes seculares, donde brotam carrasqueiras secas, zimbreiros, troviscos, giestas e mato bravio. Povoações raras, como o Gavião, com duas dezenas de fogos, alguma curriça de gado, diluída no tom cinzento da paisagem; e ao longe, como cortina verde parda, a serra do Reboredo, Moncorvo poisada a meio, tal ninho de peneireiros cheio de ovos brancos”.

Aproveitando o pouco tempo de sol que ainda restava, segui para Carvalho de Egas, e daí para Candoso. A Fraga do Ovo é um símbolo do concelho. Rodeei-a à procura de um ângulo fotogénico menos gasto. Tenho fotografado inúmeras rochas deste género por quase toda a área granítica do concelho! Obras da natureza, no mínimo, bizarras.
Não perdi mais tempo. Comecei a descer para o centro de Candoso. Quando levanto os olhos, avisto no cimo da colina a singela capela de Nossa Senhora da Assunção, já pincelada dos tons laranja do fim da tarde. Estive ali no dia 29 de Janeiro, numa tarde fria. Subi de novo ao santuário. As sombras já se estendiam pelos pontos mais baixos em redor. Mesmo assim, a paisagem estava bonita. Mais à frente estendia-se o Vale Covo, que já conheço melhor, até ao Mogo de Malta. Mais próximo, ainda reflectindo os raios do sol, estava o marco geodésico do Pelão, vigiando uma vasta área em redor. Centrei a minha a tenção mais longe, nas serras próximas de Mirandela. Pouco a pouco cobriam-se com mantas de nuvens tecidas da mais fina lã, com cintilações douradas, misturando os tons quentes com os ares frios.
O tempo escoava-se, tinha que voltar para casa. Num ímpeto, desci à aldeia, que atravessei sem parar, continuando em direcção a Norte, à procura de um caminho desconhecido. Quando me encontrava a pouco mais de um quilómetro da aldeia, de novo num ponto elevado, a vegetação cobriu-se integralmente em tons de vermelho e ouro.

Enfeitiçado, parei e olhei para trás. Uma bola de fogo cobria o cume do Pelão, espalhando fumo e lava por toda a imensidão do céu e da terra. Todas as coisas mudaram de cor! Só se via negro, amarelo, dourado, vermelho, tudo isto contra um céu que teimava em se manter de azul. Das casas de Candoso saíam finas espirais de fumo que se espalhavam pelos telhados e invadiam as ruas. Em choque com tanta beleza, qual estátua de sal, fui registando cada segundo do precioso instante. No pequeno ecrã da câmara digital todo o horizonte resultava num cone vulcânico despejando fumo e fogo, pelo céu e pelo chão, criando um cenário irreal, assustador, belo e silencioso.
Despertei atordoado, como que de um sonho, pelo ar ainda mais fresco da noite que me ameaçava. Tinha que sair daí imediatamente. Entre voltar para trás, de novo para Candoso e continuar pelo caminho desconhecido que seguía, decidi pelo mais arriscado, continuar em frente. A lua já se mostrava por sobre o Facho e foi ganhando brilho à medida que o sol morria. Via Samões bem próximo mas, entre mim e a aldeia, estendia-se um longo e profundo vale onde corria a Ribeira do Vimieiro. Seguindo já com algum nervosismo, encontrei um bonito pomar de macieiras literalmente plantando no meio das rochas. O caminho terminava ali! Voltei para trás, apressadamente e tomei outro caminho, mostrando menos utilização, mas que parecia dirigir-se pela encosta do vale. Senti que a noite chegava rapidamente e eu estava a ser castigado qual mulher de Ló, pelo tempo que passei olhando para trás, enfeitiçado pela beleza dos tons dourados. Quando alguns cães me ladraram, reconheci o local onde me encontrava.
Estava no local das Olgas, onde há algumas cortes para as cabras. Respirei fundo, dali já me orientava bem. Segui por um trilho que me levou à estrada de Freixiel, perto da Redonda. O ar estava fresco, sentia-me bem fisicamente e estava no caminho certo. Encontrei a cadência adequada e deixei-me levar, estrada fora, revivendo a aventura, recordando as cores, “rabiscando” esta história. Só o meu corpo ia sobre a bicicleta, o meu espírito voava, satisfeito.
Quilómetros do percurso em BTT: 26
Total de quilómetros em bicicleta: 1660