07 janeiro 2008

Gala Cantar os Reis (3)

Continuação de: Gala Cantar os Reis (1) Gala Cantar os Reis (2)


Continuação de: Gala Cantar os Reis (2)

O terceiro grupo a actuar foi o da Associação Cultural e Recreativa de Valtorno. O grupo era constituído por 20 elementos, na maioria homens, coisa rara. Além do instrumento musical que caracteriza o grupo, uma espécie de reco-reco feito de madeira, arames e pirolitas, faziam-se acompanhar também de realejo, bombo, pandeireta, guitarra e dois acordeões. No ano passado, surpreenderam-me com a animação que colocaram em palco. Este ano, cantaram “Cantamos todos, cantamos” e “De Belém vimos”.

Cantamos todos, cantamos

Cantamos todos, cantamos
Cantamos com alegria
Que nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria.

Cantamos todos cantamos
Cantamos pra toda a gente
Nós vimos anunciar
Os três Reis do Oriente.

Os três reis como eram Santos
Uma estrelinha os guiou
Por cima de uma cabana
A estrelinha baixou.

Os três reis já estão chegando
Aquela porta adorada
Encontraram Santa Virgem
Numa pedrinha sentada.

Que estás a fazer ó Virgem
Nessa pedrinha tão fria
Estou à espera do menino
Que me traga a luz do dia.

São José foi buscar lume
Porque a noite estava fria
Para aquecer o menino
Filho da Virgem Maria.

Nós viemos de Valtorno
Em nome do povo inteiro
Temos nossa padroeira
Senhora do Castanheiro.

Nós nos vamos despedir
Do fundo do coração
Desejamos boas festas
A todos que aqui estão.



De Belém vimos

De Belém vimos
Com os pastores
Dar boas Festas
Aos meus Senhores.

Nós vimos cantar os reis
A todos que aqui estão
Trazendo muita alegria
E amor no coração.

Ó senhora minha mãe
Tu és a mãe de Jesus
Dai-nos um ano de amor
E também cheio de luz.

O meu menino Jesus
Deitado nessas palhinhas
Ajudai o mundo inteiro
Pensando nas criancinhas.

Nós estamos a pedir
A este menino jucundo
Para acabar com as guerras
E a fome que à no mundo.

Vou deitar as despedidas
Por cima de verdes giestas
E o povo de Valtorno
Vos deseja Boas Festas.
Continuará ...
Continuação: Gala Cantar os Reis (4)

Gala Cantar os Reis (2)

Continuação de: Gala Cantar os Reis (1)


Continuação de: Gala Cantar os Reis (1)

O segundo grupo a actuar, foi o “Grupo de Cantares de Vale Frechoso”. Também esta aldeia tem presença assídua nestes eventos. Chegaram com os seus cestos cheios de produtos da terra, com os seus trajes tradicionais e alguns artefactos da vida quotidiana.
Cantaram “A Barca Portuguesa” e “Cantar os Reis ao Menino”. É de salientar que quase todas as quadras são criação de Amparo Azevedo e Casimiro Azevedo, membros do grupo.

A Barca Portuguesa
Olha a Barca Portuguesa
À Praia vai a chegar
Chegamos ao Ano Novo
Os Reis vos vimos cantar
II
Os Reis vos vimos cantar
Toda a noite e todo o dia
Os Anjos também os cantam
Ao coração de Maria
III
Ó meu Menino Jesus
Que estás nas palhas deitado
Não tens leira nem beira
Por todos nós adorado
IV
Nós viemos de tão longe
Com grande satisfação
Não queremos que se perca
Esta nossa tradição
V
É neste mês de Janeiro
Que se cantam os Reis
Cantai-os enquanto novos
Que de velhos não podereis
VI
Com paz amor e alegria
Vimos pedir-vos os Reis
Da gente de Vale Frechoso
Em troca o mesmo tereis
VII
Também se fazem pedidos
P’rás obras paroquiais
Todos vão contribuindo
Uns menos e outros mais
VIII
No fim de cantar os Reis
Reúnem-se os presentes
Repartem-se entre todos
Ficamos todos contentes
IX
E no final desta Festa
Acaba-se a brincadeira
Adeus até para o ano
Vamos todos p’rá fogueira
X
Se a saúde não faltar
Pró ano cá estaremos
Eu vos digo meus Senhores I
Os Reis nós vos cantaremos.
XI
Vamos dar a despedida
Desta casa sem igual
É com prazer que cantamos
Neste Centro Cultural.


Cantar os Reis ao Menino
I
Os três Reis do Oriente
Tiveram um sonho profundo
Sonharam que tinha nascido
O salvador deste mundo
II
Correram a procurá-lo
Logo que acordaram
De caminho em caminho
No deserto caminharam
III
Perdidos pelos caminhos
Andaram noite e dia
Os santos Reis já cansados
Sem encontrarem um guia
IV
Fartos de tanto andar
Mas nunca desanimaram
Encontraram o Rei Herodes
Por Ele lhe perguntaram
V
Herodes como malvado
Como perverso maligno
Às avessas ensinou
Aos santos Reis o caminho
VI
Mas eles não desistiram
Continuaram à sorte
Apareceu uma Estrela
Que lhes indicou o Norte
VII
E por eles serem Santos
A estrela os guiou
Ao chegarem à cabana
A Estrela se pousou
VIII
Ouro, incenso e mirra
Traziam-lhe mais presentes
Para darem ao Menino
Ficaram todos contentes
IX
A vaquinha e a burrinha
Com a sua respiração
Aqueceram o Menino
Fizeram a obrigação
X
Viemos cantar os reis
E não nos levem a mal
Cantamo-los ao menino
E a toda a gente em geral
XI
Entre pedras e atoleiros
Andamos na escuridão
Cantamos os Reis antigos
Mantendo a tradição
XII
Senhores que estais lá dentro
Num soalho de algodão
Deitai a mão ao fumeiro
Dai-nos cá um salpicão
XIII
Se o presunto está teso
E a faca não quer cortar
Faça-lhe ferrum-fum-fum
Nas beiças dum alguidar
XIV
Se nos querem dar os Reis
Não se estejam demorar
Nós somos de muito longe
Temos jornada p’rá andar.

Continuará...
Continuação: Gala Cantar os Reis (3)

06 janeiro 2008

Gala Cantar os Reis (1)

Realizou-se hoje, no auditório do Centro Cultural, mais uma gala “Cantar dos Reis”. Este ano a iniciativa foi da Câmara Municipal de Vila Flor e da Associação Cultural e Recreativa de Vila Flor com a colaboração do INATEL (Bragança).
Depois da grande festa que presenciei na gala do ano passado, foi com expectativas altas que fui assistir à gala de hoje. Esta iniciou-se com a exibição dos “Gigantones de Valtorno”, com muita cor e animação à mistura. Antes do primeiro grupo a Cantar os Reis, actuou um grupo convidado, de Alijó, chamado Quina de Copos. Quina, logo se vê, eram 5 músicos, e de copos? Não tive oportunidade de lhes perguntar. Se fossem quina de copas eu mudaria para quina de ouros, porque tocaram realmente muito bem. Do quinteto destacaria o vocalista, João Luís, com uma voz potente e muito agradável e a única presença feminina, a Xana que toca flauta. Em todas as músicas interpretadas havia solos de flauta de fazer arrepiar os pelos. Gostei muito.
O primeiro grupo a actuar foi o “Cantares de Vila Flor”. Com 3 anos de existência e 28 elementos, dedica-se à divulgação dos cantares e danças de terreiro, mas também dos Reis.
Encheram todo o palco com a encenação de uma casa trasmontana: o homem da casa chegou a casa exausto. Sentou-se à lareira. Na mesa posta havia pão, queijo, azeitonas, salpicão e vinho. A vela, num candelabro gasto pelo tempo, espera a noite para ser acesa. Enquanto os rebentos brincavam, a mulher da casa amassava a massa para fazer bolas. Enquanto esta cena evoluía, os restantes elementos do grupo cantaram “Nós Somos Pastores” e “Vimos dar as Boas Festas”.

Nós Somos Pastores
Nesta noite fria
Que nos dá calor
Trazemos na alma
Alegria e cor.

É bom recordar
Com todo o amor
E dar as boas festas
A ti Vila Flor.

Abram-nos as portas
Com muita alegria
Nasceu Deus Menino
Filho da virgem Maria.

Refrão
Nós somos pastores
De cajado na mão
Cantamos os reis
Linda tradição.
Mantemos saudades
Dos nossos avós
Damos Boas Festas
Para todos vós.

Fomos a Belém
Na noite de Natal
Ver o Deus menino
Não há outro igual.

Na noite de Natal
Nasceu pobrezinho
Em palhas deitado
Um ser tão divino.

Refrão

Sem ti meu menino
Não somos ninguém
Abençoa esta casa
Família também.

Os reis que cantamos
São por devoção
Mantemos acesa
Linda tradição.

Refrão

Bom ano desejamos
Nesta noite fria
Janeiras cantamos
Com muita alegria.

Muito Boas festas
É o que temos para dar
Pedimos a Deus
Para o ano voltar

Refrão

Vimos dar as Boas Festas
Nós somos pobres pastores
Andamos de serra em serra
Viemos dar as boas festas
Á gente da nossa terra.

Refrão
Somos pastores
Vimos cantar
As boas festas
Viemos dar,
Somos pastores
Sempre a correr
E os santos reis
Viemos trazer.

Um anjo desceu dos céus
À nossa porta bateu
Veio dar a boa nova
Que Deus Menino nasceu.

Refrão

Linda notícia tivemos
Que nos deu tanta alegria
Por isso nós vamos dar
Os parabéns a Maria

Refrão

Quem diremos nós que viva
No seu bercinho de luz
Viva a gente desta casa
Graças lhe dei-a Jesus.

Refrão

A todos vos desejamos
Saúde, paz e amor
A todos vos oferecemos
Um abraço com calor.

Refrão

Se nos querem dar os reis
Já nos cheira a salpicão
Venha a caneca para o lume
Que nos dá animação.

Refrão

Vamos dar a despedida
Com vontade de ficar
Pedindo a Deus saúde
Pró ano poder voltar

Refrão

Continuará ...
Continuação: Gala Cantar os Reis (2) Gala Cantar os Reis (3) Gala Cantar os Reis (4) Gala Cantar os Reis (5)

03 janeiro 2008

Freguesia Mistério 11

A votação na Freguesia Mistério 10 foi um pouco mais concorrida do que a anterior. Houve 38 votos distribuídos da seguinte forma:
Assares (1 voto) 4%
Nabo (4 votos) 14%
Sampaio (1) 4%
Santa Comba de Vilariça (1) 4%
Seixos de Manhoses (6) 21%
Trindade (1) 4%
Vale Frechoso (2) 7%
Vila Flor (2) 7%
Vilarinho das Azenhas (1) 4%
Vilas Boas (9) 32%
Desconheço se existe em Vilas Boas um Cristo Rei semelhante ao que está na fotografia, mas, a fotografia em questão, foi feita no Santuário de Santa Cecília no dia 24 de Novembro de 2007, portanto na freguesia de Seixo de Manhoses.
O novo desafio parece-me mais fácil. Trata-se da fachada de uma capela, que possivelmente é particular. Infelizmente não foi devidamente conservada e o seu valor arquitectónico encontra-se diminuído mas não deixa de ser interessante e está num lugar bem visível. A pergunta é: Em que freguesia podemos encontrar uma capela com esta fachada?
Participe votando.
Na margem direita do Blog

02 janeiro 2008

Exposição de Fotografia - Testemunhas (1)

O Blog À Descoberta de Vila Flor decidiu dar um passo mais à frente; deixar o mundo virtual e passar ao mundo real, àquele a que as pessoas estão (avam) mais habituadas. Depois dos desafios de alguns amigos para levar a Descoberta um pouco mais além, colocá-la em papel, sob outros formatos, optei pela exposição fotográfica. Não é minha intenção usar as fotografias do Blog, algumas bem dignas, para realizar uma exposição fotografia. A ideia é fazer algo diferente, interessante, bonito, mas que se entenda como um prolongamento deste quase ano e meio de Descoberta do concelho de Vila Flor, já mostrado no Blog.

Na sondagem realizada on-line, foi colocada a questão: Gostaria de ver fotografia deste Blog expostas na galeria de exposições do Centro Cultural de Vila Flor, em Vila Flor?
Até 31 de Dezembro 444 pessoas responderam à pergunta. A distribuição dos votos foi a seguinte:
Não - 118 votos (26%)
Não, a Internet é a maior galeria de todas - 14 votos (3%)
Sim - 55 votos (12%)
Sim, já lá deviam estar. Eu vou ver - 257 votos (57%)
Se já conhecia um vasto grupo de pessoas que visita o Blog e me incentiva continuamente, verifico haver um grupo de pessoas que, por qualquer razão, não pensam de mesma forma. Mas, mesmo dizendo que não à exposição, visitaram o Blog e isso já me deixa feliz. A exposição vai mesmo realizar-se. O meu desejo é que todos os que gostam de Vila Flor, os que gostam de fotografia, ou os que não gostam nem de uma coisa nem de outra, a possam visitar. Vai chamar-se “Testemunhas” e vai estar na Galeria de Exposições do Centro Cultural de 1 a 31 de Março de 2008.
O meu trabalho ainda não está terminado, mas, vai tratar-se de uma exposição possivelmente só a preto e branco, retratando trabalhos em ferro, de portões, gradeamentos e varandas de Vila Flor, mas também de algumas freguesias do concelho.
Mais próximo do evento, voltarei a falar do assunto, revelando mais alguns pormenores.

30 dezembro 2007

Uma visita a alguns presépios, em Vila Flor

No dia 30 de Dezembro à noite dei um passeio por Vila Flor para admirar e fotografar os presépios. As ruas estavam desertas, fazia muito frio. Fica um conjunto de 8 presépios, é possível que haja mais.Presépio 1 - Encontra-se no Centro Cultural perto da entrada para o auditório
Presépio 2 - Encontra-se na Rua de Santa Luzia, perto da capela e penso que foi feito pelo agrupamento de Escuteiros.
Presépio 3 - Encontra-se no jardim na Rua de Santa Luzia, foi feito pelo agrupamento de Escuteiros.
Presépio 4 - Encontra-se na Largo do Rossio (merecia pelo menos uma lampadazinha!).

Presépio 5 - Encontra-se em frente à Escola EB2,3/S de Vila Flor e foi construído pela escola.
Presépio 6 - Encontra-se em frente ao antigo ciclo, sobre o muro, sem iluminação. Não sei quem o fez.
Presépio 7 - Está em frente ao Jardim-de-infância da Santa Casa da Misericórdia. Ocupa uma vasta área de relva.
Presépio 8 - Está em frente ao edifício da Câmara Municipal.

25 dezembro 2007

Fogueira de Natal


Dia de Natal
Álgido, cor do aço
Como costume fatal...
A fogueira a luzir no espaço!

Costume secular
Vem de tantos anos...
Do clarão crepuscular
De espíritos profanos!
...
Os anos dobram sobre si mesmo
Os dias correm velozes
A fogueira faz torresmos
E ao lado britam-se nozes!
...
Foram os homens ao monte...
Como bois levam os carros
Com a força de mastodontes
E embuldregados de barro!

Negrilhos, freixos e oliveiras
Tudo o que encontram caído
Para assarem as alheiras
Do Natal, recém-nascido!

E vem todo o povo
Formam à porta da igreja
Aparecendo sempre um bobo...
Que todo o povo moteja!
...
Folga o povo, folga o cura
Em íntima comunhão
Em tudo há doçura
Que a todos une o coração!
...
Deitam braçados de lenha
As labaredas retroam no ar
Estalam guiços na brenha
E a fogueira é um altar!

Altar que a tudo aquece
Em fraterna comunhão
A vida é fogo que não esmorece
E tudo enche de clarão!
...
Chega agora uma guitarra
E outro deita cantiga
E começa a algazarra
Até apertar a barriga!...
...
O lume, crepita no braseiro
Há estalos e chispas no ar
As labaredas comem o tocheiro
Que a roda anda a adensar!
...
Entre a brasa que se reacende
E a outra que expira
Há o aroma que rescende
E a essência que se aspira!

E cercado pelo povo
Se vai combustando o madeiro
Devorado pelo fogo
Ou morte d'amor primeiro!

E é neste foneticismo estático
Alimentado pela tradição
Que em dia matemático
Se reacende sempre o tição!

Fogo como o das Vestais
Continuará a devorar os séculos
Cobrindo de mofas os aventais
Abrindo bocas como espéculos!

Estas quadras fazem parte de um poema chamado Epopeia do lume, publicado no livro Riquezas e Encantos de Trás-os-montes, de Cristiano de Morais, em 1950 e que eu trouxe para me fazer companhia neste dia de Natal, longe de Vila Flor.

Um BOM NATAL na companhia de todos os que vos são queridos.
Aníbal Gonçalves

19 dezembro 2007

Mergulhão-de-crista (Podiceps cristatus)

Uma das coisas que me deu mais prazer fotografar, foi a nidificação de um casal de Mergulhões-de-crista, na Barragem do Peneireiro. Na altura (Junho), decidi não falar no assunto, para não atrair mais visitantes às imediações, prejudicando a reprodução.
O Mergulhão-de-crista (Podiceps cristatus) é um uma pequena ave da família Podicipedidae da ordem Ciconiformes (a que pertence a tão conhecida cegonha). São aves de médio porte e encontram-se espalhados por todos os continentes, ocupando cursos de água e pequenas barragens.
Os mergulhões alimentam-se de peixes, insectos, moluscos e crustáceos, que caçam durante os mergulhos. São sobretudo aves solitárias mas formam casais durante a época de reprodução ou grandes grupos nas alturas de migração.
Já tinha conhecimento que um casal destes mergulhões nidificou na barragem na Primavera de 2006. Mantive-me atento e fiquei todo contente quando soube que um casal (quem sabe se o mesmo do ano passado) foi visto repetidas vezes. A primeira vez que os avistei foi dia 1 de Junho. Ainda procediam ao acabamento do ninho, mas já tinha alguns ovos. Enquanto a fêmea ficava quase todo o tempo no ninho, o macho mergulhava, arrancava do fundo material que transportava para o ninho que foi ficando casa vez maior. Este situava-se muito perto da margem e, mesmo não mostrando muito medo, os pequenos mergulhões não gostavam que ninguém se aproximasse da margem. Quando observados de longe, faziam a sua vida normal, revezando-se no ninho, alimentando, mergulhando aqui e aparecendo depois, a alguns metros de distância. Passei bons momentos observando-os. Estavam muito expostos e eu não quis chamar mais a atenção, divulgando o facto no Blog. Todas as pessoas que praticam desporto com regularidade à volta da Barragem sabiam da existência do ninho, era impossível não o ver. Pelo que soube algumas pessoas menos escrupulosas, até cães levarem para muito próximo do ninho!
Durante vários dias, ao fim da tarde, desloquei-me ao local para verificar se havia alguma evolução. Tinha comprado na altura uma câmara reflex digital, com um zoom de 200mm. Não era muito, mas permitiu-me fazer algumas fotografias sem ter que me aproximar, não interferindo na vida das aves. Além de fotografar os mergulhões, fiz também um bom leque de fotografias à volta da barragem, algumas coloquei-as no Blog.

A última vez que avistei os mergulhões foi no dia 22 de Junho. Quando passei perto do ninho, este tinha sido abandonado. Tinha quatro ovos intactos. Temi o pior. Não se viam os mergulhões por perto, mas pouco depois consegui descobri-los quase no centro da barragem. Tinha muita curiosidade em saber se tinham algum filhote e esperei horas, dentro do carro, esperando que se aproximassem um pouco da margem. Isso nunca aconteceu. Apoiando a objectiva na porta do carro com o vidro aberto, fiz algumas fotografias do casal. Só depois de chegar a casa e observar as fotografias no computador reparei na pequena mancha branca no dorso de um deles. Ampliado a fotografia via-se claramente a cabeça de um filhote. Durante todo o tempo o filhote deslocou-se sobre o dorso dos pais, bem entre as duas asas. Fiquei muito contente, pelo menos um ovo eclodiu! Parece-me que a movimentação de pessoas muito próximo do ninho levou a que o choco não decorresse convenientemente. Pelos vistos o mesmo ocorreu em 2006.
Ainda voltei à barragem nos dias seguintes, mas nunca mais avistei os mergulhões. Não sei o que aconteceu, simplesmente desapareceram. Fiquei com algumas fotografias, não muito boas em termos técnicos, mas que me derem imenso prazer. Aqueles fins-de-tarde em família, à volta da barragem, foram fabulosos.

16 dezembro 2007

A Fotografia +

Tem havido algumas alterações na lista da Fotografia + . Já foram feitas 207 votações. Lembro os mais distraídos que podem votar nas fotografias que mais gostaram no Blog. Basta abrir a fotografia e ver o nome do ficheiro, que em norma é VilaFlor###.jpg, sendo ### o número da fotografia. Na margem direita do Blog há local de votação chamado Fotografia +. Escolhem o número da fotografia que gostaram e depois clicam no botão Votar.
Podem votar uma vez cada semana (de Domingo a Domingo).
Para saber + (mais) sobre a votação na Fotografia + clicar >>>>aqui<<<<
Até ao momento as 5 fotografias mais votadas são:
VilaFlor300 (28 votos) 14%
VilaFlor270 (7) 3%

VilaFlor473 (9) 4%

VilaFlor304 (4) 2%

VilaFlor821 (4) 2%

15 dezembro 2007

Nossa Senhora da Lapa


Nos últimos tempos tenho subido bastantes vezes ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa. Se a vista sobre a vila é privilegiada, aquela que estende até onde o olhar alcança, é estonteante. Os poucos visitantes (e namorados apreciadores da paisagem), sobem até ao ponto mais alto, onde se situa o miradouro. Mas, encaixada nas rochas da encosta, um pouco mais abaixo, encontra-se a ermida da Senhora da Lapa, que dá o nome a todo o conjunto das capelinhas.
Porquê Senhora da Lapa? O culto a Nossa Senhora da Lapa é muito antigo e está espalhado por Portugal, Espanha e por todas as ex-colónias, principalmente Brasil. Parece ter nascido na Serra da Lapa, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu. A primeira capela que lhe foi dedicada, foi construída no século XV. Nesta serra, uma menina encontrou escondida nas rochas uma imagem de Nossa Senhora, que levou para casa. A mãe, não dando importância, lançou-a na fogueira. A criança, muda desde a nascença, falou pela primeira vez, pedindo à mãe para não queimar a imagem.
A pequena ermida de Nossa Senhora da Lapa, em Vila Flor, encontra-se parcialmente encaixada numa pequena gruta (também designada por lapa), escavada no xisto da encosta. A tradição fala que aí apareceu Nossa Senhora. Há quem a olhe e veja uma pobre capela, mas, também há quem olhe e sinta de outra forma:
“Em noites escuras, sejam calmas ou tempestuosas, bilha sempre uma luzinha mortiça no alto da serra do Facho. Vê-se de longe, a tremeluzir, como pequenina estrela que se tivesse desprendido da cúpula e ali viesse poisar, entre pinheiros e fraguedos. Essa luz tem alguma coisa de mística, porque é votiva: é da lamparina duma ermida rústica, erguida à Senhora da Lapa pelo povo da vila, que se estende a seus pés.
Está, o pavio, mesmo por trás do vidro da única porta da capela, como um olho luminoso a velar pelas almas que habitam ao fundo - vigilância e bênção.


Merece atenção, a capelinha da Senhora da Lapa. É pequenina, sempre caiada de novo, encastoada numa mole de xistos eriçados em atitudes ciclópicas, escoltada por pinheiros de tronco direito e alto, com as comas sadias e cor e viço, onde o vento fere gemidos doces e fragrâncias resinosas. De roda, vegeta um mato plebeu, urzes, carquejas, arçãs, mentrastos, bordejando tocas onde a caça se esconde. Um único carreiro nos leva até ao alto, numa inclinação de grande esforço, e carreiro pouco pisado.
A capelania é dos pastores que por ali apascentam gados, nos baldios da serra. São eles que se revezam no azeitar da lamparina, solícita e ininterruptamente, para que nunca falte a chama devota a iluminar os longes da veiga e o interior da capela.
Este interior também é curioso. As duas paredes laterais, fortes como muralhas, e o tecto, entroncam na inclinação escavada dum rochedo, duma lapa enorme que, assim, forma a fundo do reduzido recinto, e nicho, amplo e natural, à imagem de Nossa Senhora, assente numa peanha que sobressai do tampo dum altar vulgar. Tudo muito branco, camadas de cal sobrepostas por caiações sucessivas, lajedo de granito já puído pelo desgaste talvez de séculos, caldeira de água benta num armarinho furado numa das paredes, a lâmpada já falada e algumas velinhas de cera penduradas a um lado, de promessas feitas - aquele ambiente é um recantozinho de regiões místicas, onde a gente se sente melhor, menos profana, mais tocada por influências do Céu...”

A esta descrição, feita em 1955 por Cabral Adão, acrescento a presença de uma caveira, à direita do altar, que sustenta uma curiosa lenda, contada na vila e que guardarei para outra altura.

13 dezembro 2007

Trás-os Montes (1)


Terra de patética beleza de Serras
E de luminosos cenários de maravilha
E onde p'lo meio de risonhas pedras
Há toda a fruta, desde a uva à ervilha!

Terra de geadas empolgantes
Como escamas d'armaduras prateadas
Brancos mantos de cavaleiros andantes
Ou de níveas virgens emplumadas!

Flores d'inverno, rendas de espuma, lavores
Escamas brancas, orvalho de luz
Miosótis, gotinhas geladas de flores
Aljôfares imaculados, com sorrisos de Jesus!

Terra de dias sem sol e apenas luarentos
De nevoeiros cerrados imitando oceanos
Envolvendo a terra fumarentos
De bafo espesso, de gigantes humanos!

Terra de nevoinha cristalizada
Fria, álgida, da cor do aço
Formando de dia e noite a geada
Que o sanceno coa do espaço.

Poema do livro de Cristiano de Morais, Riquezas e Encantos de Trás-os-Montes, 1950.
As fotografias foram tiradas no dia 13 de Dezembro de 2007. A primeira do Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em direcção ao Cachão/Mirandela; a segunda no Santuário de Nossa Senhora da Lapa, em direcção à foz do Sabor.

09 dezembro 2007

à Descoberta de Vila Flor, em grupo


No dia 9 de Dezembro a Descoberta de Vila Flor foi diferente. Tive a companhia de quase meia centena de ciclistas num passeio organizado pelo Clube de Ciclismo de vila Flor. Para além de apreciar a companhia de todos, havia um especial, o meu filho Rafael que pedalou comigo durante todo o percurso.
O dia acordou dourado e frio. Um pouco ventoso, mas nada que tirasse a vontade de um bom passeio a um grupo que se juntou, perto das nove da manhã junto à Câmara Municipal.
Com as condicionantes de ter que pedalar e tirar fotografias em simultâneo, fiz os possíveis por retratar um pouco do percurso. Nunca nos afastamos muito da vila mas passámos por locais bem bonitos. Não tive tempo para dedicar todo o tempo que queria à paisagem, registando aqui e ali algum pormenor a que acedi sem abandonar o percurso.
Passámos pela Barragem do Peneireiro; pelo marco geodésico do Concieiro; quase subimos ao Facho; estivemos perto de Vilas Boas e fizemos várias passagens por Vila Flor. Como já é habitual, aos Domingos, não se vê praticamente ninguém na rua. Mesmo assim, havia pelo menos dois autocarros estacionados na avenida, cheios de pessoas que aqui pararam para almoçar (infelizmente trazem merenda).
O passeio de BTT terminou com um almoço no restaurante Pala do Conde onde tive o prazer de encontrar emoldurada e colocada na parede, a narrativa de um passeio que fiz ao Nabo algum tempo atrás. Ver mais fotografias no Blog do Clube de Ciclismo de Vila Flor.