12 janeiro 2008

Ano novo...a mesma descoberta!


No dia 5 de Janeiro retomei os meus passeios de bicicleta com uma pequena volta, só para “limpar” os poros e começar a consumir os excessos gastronómicos da quadra natalícia. O estado do tempo não era nada convidativo, ameaçava chover. Só por hábito levei a máquina fotográfica. O objectivo é só pedalar um pouco, sem nenhum ponto de especial interesse.
Saí em direcção ao Barracão e continuei pela N214. É impossível passar por esta estrada sem admirar a paisagem que se estende por Meireles, Cachão e até onde a vista é capaz de olhar. No vale havia nevoeiro, no alto do cabeço também! Assistia-se a um bailado entre o nevoeiro do vale e o nevoeiro da serra. Rios brancos subiam pelos vales escavados tentando alcançar as alturas. O nevoeiro do cimo dos montes, empurrado pelo vento frio, tentava descer aos vales abandonando a companhia de algumas nuvens frias que o olhavam de mais acima, com desdém.

De vez em quando, um raio de sol rasgava o emaranhado vapor de água, mostrando o seu poder, a sua superioridade, pintando de alguma cor uma nesga da paisagem pintada de Inverno. Para completar o cenário dos elementos, caíam algumas gotas de chuva fria, incentivando a pedalar mais forte.
A ideia era descer até Roios e voltar a casa, mas, quando me encontrava na Quinta do Galego, perto do Marco Geodésico do Maragato onde já estive várias vezes, a tentação foi maior e segui por caminhos completamente desconhecidos em direcção a Vale Frechoso. Há naquela zona muitos trilhos possíveis e cheguei facilmente à aldeia, entrando pela Rua do Muro. Com o frio que fazia, não se via ninguém pela rua. A Capela de Nossa Senhora de Lurdes domina do alto de uma pequena elevação. A própria construção, pequena mas alta dá-lhe um ar bastante solene. Estive ali em Junho, havia um bonito jardim a completar os patamares de escadas com uma calçada com desenhos feitos com seixos pretos e brancos.
Um dos pontos de interesse de Vale Frechoso, está no Largo da Fonte. Aqui podemos encontrar a Fonte Velha, arcada e medieval. Segui em direcção à Casa Paroquial que é do século XVIII. Curiosamente aquando da minha primeira visita a Vale Frechoso em Novembro de 2006 fotografei aqui um bonito relógio de sol que neste passeio não consegui localizar.
Pretendia conhecer o interior da igreja mas estava encerrada. Ali perto, no Largo da Escola, tentavam escavacar o que restava da Fogueira do Natal. Um enorme tronco de castanheiro desgastado pelo fogo, resistia com galhardia de castanho aos guilhos que uma pesada marra lhe cravava. Com ajuda de uma moto-serra o tronco foi desfeito para alimentar a fogueira que seria acesa no Dia de Reis.
O dia estava cada vez mais cinzento, tinha que voltar o mais rapidamente possível. Pretendia regressar por um trajecto diferente, que não conhecia, mas que me levasse directamente a Roios. Atravessei a aldeia e segui até ao final da Rua da Fonte. A partir deste ponto, segui completamente por instinto. Por momentos acompanhei o percurso de um ribeiro que saí da aldeia. A água era pouca, só de onde em onde se viam pequenas poças. Estes lugares devem ser belos, na Primavera.
Mais uma vez não tive dificuldades em encontrar um caminho que seguia em direcção a Roios. Passei, desta vez, a sul do marco geodésico, numa zona cheia de giestas e carqueijas. A luminosidade começava a diminuir quando avistei Roios do Monte Pelado. Quando cheguei à aldeia, era quase noite cerrada. Junto da igreja estava um bonito presépio, mas o próprio adro estava fechado, pelo que tive que me contentar com fotografias através das grades.
Já em plena noite, pedalei até casa, na agora bem arranjada estrada Roios-Vila Flor.
O que à partida era um pequeno passeio, alongou-se. Quando se parte À Descoberta, é assim mesmo, não podemos prever onde os nossos passos (ou pedaladas) nos podem levar.

Quilómetros do percurso em BTT: 23
Total de quilómetros em bicicleta: 1688

10 janeiro 2008

Pelourinho de Santa Comba perde classificação

Um artigo publicado no Jornal Nordeste, referente à desclassificação por parte do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico), do pelourinho de Santa Comba, chamou a minha atenção. Desde que me desloquei pela primeira vez a Santa Comba, no ano passado, que me interessei pelos seus cruzeiros (e na altura pelourinho). Quando tentei aprofundar o assunto com algumas leituras pude verificar que este não era pacífico, oscilando as opiniões entre cruzeiro e pelourinho. Devo dizer que alguns pelourinhos do concelho não tiveram sempre uma “existência” fácil, como o caso do de Vila Flor de que poderei falar noutra oportunidade.
Uma consulta no site do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, permite-nos saber que o registo PT010410120002 é o “Pelourinho de Santa Comba de Vilariça / Cruzeiro de Santa Comba de Vilariça”, situado no entroncamento das ruas Manuel José e São Pedro. Diz também que “O cruzeiro assenta num soco recente de dois degraus de planta quadrangular. A coluna na sua base é de feição quadrada passando depois à sua forma oitavada. Duas das faces mostram inscrições ilegíveis. Um cilindro faz as vezes de capitel que suporta uma cruz latina com os topos dos braços boleados.” Na tipologia, diz tratar-se de um cruzeiro de caminho e nas observações consta a participação de alguém que afirma categoricamente “O Pelourinho de Santa Comba de Vilariça não existe. O que existe são três cruzeiros, tendo um deles estrutura muito semelhante ao de um pelourinho e que se situa no cruzamento das Ruas de Manuel José e de São Pedro. Deve ser proposta a desclassificação. É verdade que ele é classificado em 1933 e referenciado em Pelourinhos, Lisboa, 1935. No entanto não esqueçamos que Luís Chaves não o menciona em Os Pelourinhos Portugueses, Lisboa, 1930. Do mesmo modo, Alberto de Sousa não o pintou em 1937 ( veja-se Pelourinhos do Distrito de Bragança, Bragança, 1982 ). Também F. Perfeito de Magalhães não o inclui nas suas aguarelas realizadas entre 1935 e 1957 ( Cf. F. Perfeito de Magalhães, Pelourinhos Portugueses, Lisboa, 1991 ).
Sobre as inscrições que se diz serem ilegíveis encontrei uma referência no livro “Património Artístico da Região Duriense” de Correia de Azevedo, que diz a certo momento "A inscrição que existe no fuste do primeiro (cruzeiro), parece querer dizer: Esta cruz mandou fazer José Esteves e seu filho António Roiz. Tem mais a seguinte inscrição: Mudado em MDCCXI. A inscrição do segundo parece dizer. Esta obra fez Afonso Lopes e seu filho."
Da próxima vez que me deslocar a Santa Comba, estarei atento sobre a qual dos cruzeiros o autor se refere quando diz “o primeiro” e qual é o “segundo”. Sobre o “terceiro”, “à entrada da povoação”, diz que é muito recente.

Se desde há muitos anos é ponto assente que não existe pelourinho mas só cruzeiros, porque razão se deu agora a desclassificação? Parece-me que se deve a mais um equívoco. Além da confusão pelourinho-cruzeiro, há outra no que toca a qual dos cruzeiros era o pelourinho. O mais vistoso parece-me ser o que está no final da avenida Lucinda de Oliveira e é também o mais fotogénico. Basta ver este site para verificarmos que a confusão era grande. Acontece que perto deste cruzeiro está em construção uma vivenda daquelas que metem inveja. Alguém incomodado fez uma queixa ao Património. Foi a gota de água que despoletou a desclassificação. Afinal o cruzeiro/pelourinho em causa até nem era aquele, mas o verdadeiro acabou por ser arrastado na polémica sendo despromovido de todo o prestígio que mantinha há décadas.
Não é nada do outro mundo. Trata-se de repor algo que já muitos haviam afirmado. Por um lado, a aldeia perde. Parece-me que ter um monumento classificado como imóvel de interesse público só ficava bem a Santa Comba. Por outro lado, certas forças locais vêm facilitada a hipótese de construção e modificações em redor, sem a burocracia a que certos organismos ligados ao património obrigam.
Voltando ao início da questão, e para não alongar muito a leitura. O artigo do Jornal Nordeste justifica a existência dos três cruzeiros com um Foral Religioso concedido pelos Frades Franciscanos. ora, quem se estabeleceu em Santa Comba da Vilariça foi a Ordem de Sister. A Abadia de Santa Comba da Vilariça, que se estendeu a Benlhevai, estava directamente ligada ao Mosteiro de Santa Maria do Bouro.
Não deixem de visitar os bonitos cruzeiros de Santa Comba da Vilariça. Mesmo despromovidos, continuam com toda a sua beleza, à espera de serem admirados.

09 janeiro 2008

Gala Cantar os Reis (6)

Continuação de: Gala Cantar os Reis (1), Gala Cantar os Reis (2), Gala Cantar os Reis (3), Gala Cantar os Reis (4), Gala Cantar os Reis (5)

O sétimo grupo a actuar foi o Grupo de Música Tradicional da Associação Cultural e Recreativa de Vila Flor. Este grupo que já existe há mais de 20 anos, colocou também no palco um cenário muito elaborado representando uma cozinha.

Além das suas canções tradicionais onde mostraram muita alegria, muito colorido musical e vozes encantadoras (não estivessem lá as melhores vozes que cantaram nos outros grupos), não posso deixar de destacar a mesa, capaz de matar a fome ao mais faminto dos agricultores: batatas cozidas com couves e feijão chícharro, uma travessa de rojões, pão caseiro, uma caneca de vinho de Vila Flor e uma almotelia do mais precioso líquido, azeite. Completava o quadro um candeeiro de manga, que funcionava a petróleo.
Na lareira improvisada mas com um bonito trasfogueiro, duas gordas panelas de ferro coziam talvez os os ossos para mais umas dúzias de alheiras como as que pendiam já no fumeiro. Nas lares, sobre a fogueira estava o sobre a lareira estava o caldeiro que aquecia a água ou talvez fervesse a vianda para os recos, que dariam novas alheiras no próximo Inverno.
Pastores da serra
Vinde ouvir cantar
Já nasceu Jesus
P’ro mundo salvar.

Com animação que o grupo mostrou, foi difícil tirá-los do palco!
Depois da actuação dos sete grupos segui-se a entrega do prémios do Concurso de Montras e do Concurso de Presépios de que falarei mais tarde.
Foi dado lugar de novo ao grupo Quina de Copos, que voltou a encantar toda a plateia com a sua música. Este ano o auditório encheu por completo e era visível o contentamento dos responsáveis pela organização e dos responsáveis pelo município. Foi também o sr. presidente da Câmara, Dr. Pimentel que deu a notícia em primeira mão, de que irão decorrer em Vila Flor, filmagens para uma próxima telenovela para a TVI. Ficamos à espera das estrelas.

Para terminar, resta-me agradecer a simpatia dos elementos de diferentes grupos que me toleraram nos bastidores, foram simpáticos comigo e, no final, me entregaram as letras dos Reis que cantaram. Também à apresentadora, Susana Silva, que fez um excelente trabalho, o meu obrigado por me disponibilizar as suas notas. Espero que iniciativas assim se repitam de forma a reviver, manter e mostrar as nossas tradições e a nossa cultura.

Continua: Concurso de Montras e Concurso de Presépios

08 janeiro 2008

Gala Cantar os Reis (5)

Continuação de: Gala Cantar os Reis (1) Gala Cantar os Reis (2) Gala Cantar os Reis (3) Gala Cantar os Reis (4)


Seguiu-se-lhe o grupo que representou Freixiel, constituído por 30 elementos, de todas as idades. Muitos dos elementos fazem parte do Rancho Folclórico de Freixiel. Apresentaram no palco várias cenas do quotidiano: uma mulher a fiar, outra a fazer alheiras e uma criança embalada numa canastra. Interpretaram “Nesta Noite de Reis” e “Barca Brasileira”.

Nesta Noite de Reis
Senhores nós vos trazemos
A mensagem de Belém
Nasceu já o Deus Menino
De Maria sua mãe

Coro
E nesta noite de reis
Como é bom pelo luar
Vir até vos meus senhores
Lindas janeiras cantar
Vinda lá do oriente
Uma estrelinha brilhou
E guiando os três Reis Magos
Sobre o presépio poisou

Coro

Vêm de longe os três Reis Magos
Para adorar o Senhor
Não deixemos nos também
De cantar em seu louvor.

Coro

Nos somos os mensageiros
Não podemos demorar
A boa nova iremos
A outros anunciar.


Barca Brasileira
Coro:
Olha a barca brasileira
À praia vai a chegar
Estamos no ano novo
Os reis viemos cantar.
Os reis viemos cantar
Ao coração de Maria
Os anjos também os cantam
Toda a noite e todo o dia.

Solistas:
1-Freixiel aqui presente
Os reis vimos a cantar
E o povo desta terra
Queremos cumprimentar
Coro:
E o povo desta terra
Queremos cumprimentar.

Solistas:
2- Ainda agora aqui cheguei
Pús o pé nesta escada
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada
Coro:
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada.

Solistas
3- Quem diremos nós que viva
No raminho do loureiro
Viva o Dr Pimentel
Que é um grande cavalheiro
Coro:
Viva o Dr. Pimentel
Que é um grande cavalheiro

Solistas:
4- Já que aqui nós estamos
E como Jesus nos diz
Tudo o que nós desejamos
Que o mundo seja feliz.
Coro:
Tudo o que nós desejamos
Que o mundo seja feliz.

Solistas:
5- E vamo-nos despedir
Desta sala com humor
A todos vós desejamos
Saúde paz e amor
Coro:
A todos vós desejamos
Saúde paz e amor

Coro:
Olha a barca brasileira
À praia vai a chegar
Estamos no ano novo
Os Reis viemos cantar.
Os Réis viemos cantar
Ao coração de Maria
Os anjos também os cantam
Toda a noite e todo o dia.
Continuará...
Gala Cantar os Reis (6)

07 janeiro 2008

Gala Cantar os Reis (4)

Continuação de: Gala Cantar os Reis (1) Gala Cantar os Reis (2) Gala Cantar os Reis (3)

Entrou a seguir a Escola de Música Zécthoven. Muitas crianças e jovens que frequentam a escola de música do prof. José Cordeiro. Bastante jovens, muitos deles estavam vestidos com trajes tradicionais. Apesar de apenas apresentarem uma canção “Boas Festas”, era um dos grupos mais esperados, principalmente pelos pais que sorriam de contentamento.

Boas Festas
Boas Festas, Boas Festas
Nós aqui viemos dar
A casa destes senhores
Se as quiser aceitar

Vinde dar-nos as janeiras
Se vontade houver de dar
Nós somos de muito longe
Não podemos cá voltar

Alegrai-vos companheiros
Qu´ eu já sinto gente a andar
É a senhora desta casa
Que nos vem a convidar

Despedida, despedida
Temos de continuar
Por esses caminhos fora
Boas Festas vamos dar



Actuou depois o Grupo de Cantares de Seixo de Manhoses, com o seu ramo cheio de laranjas e alheiras. Junto do ramo, colocaram no chão sobre um cobertor de lã, fruta, frutos secos, vinho, azeite. Cantaram “Nasceu a Alegria” e “Os três Reis como eram Santos”.

Nasceu a alegria

Coro

Nasceu a alegria
Não pode haver mais,
Que nasceu Jesus
Bendito Sejais.

Pelo um dia de Janeiro
Quando o dia amanhecia
Baptizaram o Menino
Filho da Virgem Maria.

S. José baixou por pai,
Por padrinho S. João,
Santa Isabel por madrinha,
Que lindos padrinhos são.

Lá do céu vem uma estrela
Formada na maravilha
Lá no meio do caminho
Estava a Virgem Maria.

Quando os Santos Reis souberam
Da vinda de Jesus Cristo
Aceleraram seus cavalos
Foram fazer o serviço.

Que cavaleiros são esses
Que andam à beira do rio,
São aqueles três Reis Magos
Que adoraram o menino.

Que adoraram o Menino
Cada um por sua vez
A cabana era pequena
Não cabiam todos três.

Esta casa é bonita
Forradinha a papelão,
Viva quem nela passeia
Deus lhe dê a Salvação.


Os três Reis como eram Santos
I
Ó de Casa Nobre Gente,
Escutai e ouvireis:
Das Bandas do Oriente,
São chegados os três REIS!

Coro
Os 3 Reis como eram Santos!
Uma Estrela Os Guiou!
Ao Chegarem à Cabana,
A estrela se Baixou.
II
Já os 3 REIS são Chegados,
Das Bandas do Oriente!
Visitar o Deus Menino,
Alto Deus Omnipotente!
III
Viemos dar Boas Festas,
Que são Festa de Alegria!
Já Nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria!
IV
Quem diremos nós que viva,
Entre cravos e mais rosas
Viva o senhor Presidente
Que faz acções generosas.
V
Viemos dar Boas Festas,
Com Alegria e Amor,
Viemos Cantar os REIS,
Às gentes de Vila Flor!
VI
Quem vem aqui de tão longe,
De certo não Vos quer mal.
Viva a Gente que aqui está!
Vivam Todos em Geral!
VII
Senhora que estais lá dentro,
Sentadinha à Lareira,
Deitai a mão ao fumeiro,
E dê p´ra cá uma Alheira!
VIII
Senhora Dona de Casa,
Encostada a um cortiço,
Deite a mão ao seu Fumeiro,
E dê p’ra cá um chouricho!
IX
Senhora que estais lá dentro
Encostada ao talhão
Deitem a mão ao fumeiro.
Dêem para cá um salpicão.
X
Se nos querem dar os REIS,
Não se estejam a demorar,
Nós somos de muito longe,
Temos muito que andar!
XI
Despedida, despedida
Deu a cereja ao ramo,
Boa noite meus senhores,,
Queira Deus que de hoje a um ano.
Continuará...
Gala Cantar os Reis (5)

Gala Cantar os Reis (3)

Continuação de: Gala Cantar os Reis (1) Gala Cantar os Reis (2)


Continuação de: Gala Cantar os Reis (2)

O terceiro grupo a actuar foi o da Associação Cultural e Recreativa de Valtorno. O grupo era constituído por 20 elementos, na maioria homens, coisa rara. Além do instrumento musical que caracteriza o grupo, uma espécie de reco-reco feito de madeira, arames e pirolitas, faziam-se acompanhar também de realejo, bombo, pandeireta, guitarra e dois acordeões. No ano passado, surpreenderam-me com a animação que colocaram em palco. Este ano, cantaram “Cantamos todos, cantamos” e “De Belém vimos”.

Cantamos todos, cantamos

Cantamos todos, cantamos
Cantamos com alegria
Que nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria.

Cantamos todos cantamos
Cantamos pra toda a gente
Nós vimos anunciar
Os três Reis do Oriente.

Os três reis como eram Santos
Uma estrelinha os guiou
Por cima de uma cabana
A estrelinha baixou.

Os três reis já estão chegando
Aquela porta adorada
Encontraram Santa Virgem
Numa pedrinha sentada.

Que estás a fazer ó Virgem
Nessa pedrinha tão fria
Estou à espera do menino
Que me traga a luz do dia.

São José foi buscar lume
Porque a noite estava fria
Para aquecer o menino
Filho da Virgem Maria.

Nós viemos de Valtorno
Em nome do povo inteiro
Temos nossa padroeira
Senhora do Castanheiro.

Nós nos vamos despedir
Do fundo do coração
Desejamos boas festas
A todos que aqui estão.



De Belém vimos

De Belém vimos
Com os pastores
Dar boas Festas
Aos meus Senhores.

Nós vimos cantar os reis
A todos que aqui estão
Trazendo muita alegria
E amor no coração.

Ó senhora minha mãe
Tu és a mãe de Jesus
Dai-nos um ano de amor
E também cheio de luz.

O meu menino Jesus
Deitado nessas palhinhas
Ajudai o mundo inteiro
Pensando nas criancinhas.

Nós estamos a pedir
A este menino jucundo
Para acabar com as guerras
E a fome que à no mundo.

Vou deitar as despedidas
Por cima de verdes giestas
E o povo de Valtorno
Vos deseja Boas Festas.
Continuará ...
Continuação: Gala Cantar os Reis (4)

Gala Cantar os Reis (2)

Continuação de: Gala Cantar os Reis (1)


Continuação de: Gala Cantar os Reis (1)

O segundo grupo a actuar, foi o “Grupo de Cantares de Vale Frechoso”. Também esta aldeia tem presença assídua nestes eventos. Chegaram com os seus cestos cheios de produtos da terra, com os seus trajes tradicionais e alguns artefactos da vida quotidiana.
Cantaram “A Barca Portuguesa” e “Cantar os Reis ao Menino”. É de salientar que quase todas as quadras são criação de Amparo Azevedo e Casimiro Azevedo, membros do grupo.

A Barca Portuguesa
Olha a Barca Portuguesa
À Praia vai a chegar
Chegamos ao Ano Novo
Os Reis vos vimos cantar
II
Os Reis vos vimos cantar
Toda a noite e todo o dia
Os Anjos também os cantam
Ao coração de Maria
III
Ó meu Menino Jesus
Que estás nas palhas deitado
Não tens leira nem beira
Por todos nós adorado
IV
Nós viemos de tão longe
Com grande satisfação
Não queremos que se perca
Esta nossa tradição
V
É neste mês de Janeiro
Que se cantam os Reis
Cantai-os enquanto novos
Que de velhos não podereis
VI
Com paz amor e alegria
Vimos pedir-vos os Reis
Da gente de Vale Frechoso
Em troca o mesmo tereis
VII
Também se fazem pedidos
P’rás obras paroquiais
Todos vão contribuindo
Uns menos e outros mais
VIII
No fim de cantar os Reis
Reúnem-se os presentes
Repartem-se entre todos
Ficamos todos contentes
IX
E no final desta Festa
Acaba-se a brincadeira
Adeus até para o ano
Vamos todos p’rá fogueira
X
Se a saúde não faltar
Pró ano cá estaremos
Eu vos digo meus Senhores I
Os Reis nós vos cantaremos.
XI
Vamos dar a despedida
Desta casa sem igual
É com prazer que cantamos
Neste Centro Cultural.


Cantar os Reis ao Menino
I
Os três Reis do Oriente
Tiveram um sonho profundo
Sonharam que tinha nascido
O salvador deste mundo
II
Correram a procurá-lo
Logo que acordaram
De caminho em caminho
No deserto caminharam
III
Perdidos pelos caminhos
Andaram noite e dia
Os santos Reis já cansados
Sem encontrarem um guia
IV
Fartos de tanto andar
Mas nunca desanimaram
Encontraram o Rei Herodes
Por Ele lhe perguntaram
V
Herodes como malvado
Como perverso maligno
Às avessas ensinou
Aos santos Reis o caminho
VI
Mas eles não desistiram
Continuaram à sorte
Apareceu uma Estrela
Que lhes indicou o Norte
VII
E por eles serem Santos
A estrela os guiou
Ao chegarem à cabana
A Estrela se pousou
VIII
Ouro, incenso e mirra
Traziam-lhe mais presentes
Para darem ao Menino
Ficaram todos contentes
IX
A vaquinha e a burrinha
Com a sua respiração
Aqueceram o Menino
Fizeram a obrigação
X
Viemos cantar os reis
E não nos levem a mal
Cantamo-los ao menino
E a toda a gente em geral
XI
Entre pedras e atoleiros
Andamos na escuridão
Cantamos os Reis antigos
Mantendo a tradição
XII
Senhores que estais lá dentro
Num soalho de algodão
Deitai a mão ao fumeiro
Dai-nos cá um salpicão
XIII
Se o presunto está teso
E a faca não quer cortar
Faça-lhe ferrum-fum-fum
Nas beiças dum alguidar
XIV
Se nos querem dar os Reis
Não se estejam demorar
Nós somos de muito longe
Temos jornada p’rá andar.

Continuará...
Continuação: Gala Cantar os Reis (3)

06 janeiro 2008

Gala Cantar os Reis (1)

Realizou-se hoje, no auditório do Centro Cultural, mais uma gala “Cantar dos Reis”. Este ano a iniciativa foi da Câmara Municipal de Vila Flor e da Associação Cultural e Recreativa de Vila Flor com a colaboração do INATEL (Bragança).
Depois da grande festa que presenciei na gala do ano passado, foi com expectativas altas que fui assistir à gala de hoje. Esta iniciou-se com a exibição dos “Gigantones de Valtorno”, com muita cor e animação à mistura. Antes do primeiro grupo a Cantar os Reis, actuou um grupo convidado, de Alijó, chamado Quina de Copos. Quina, logo se vê, eram 5 músicos, e de copos? Não tive oportunidade de lhes perguntar. Se fossem quina de copas eu mudaria para quina de ouros, porque tocaram realmente muito bem. Do quinteto destacaria o vocalista, João Luís, com uma voz potente e muito agradável e a única presença feminina, a Xana que toca flauta. Em todas as músicas interpretadas havia solos de flauta de fazer arrepiar os pelos. Gostei muito.
O primeiro grupo a actuar foi o “Cantares de Vila Flor”. Com 3 anos de existência e 28 elementos, dedica-se à divulgação dos cantares e danças de terreiro, mas também dos Reis.
Encheram todo o palco com a encenação de uma casa trasmontana: o homem da casa chegou a casa exausto. Sentou-se à lareira. Na mesa posta havia pão, queijo, azeitonas, salpicão e vinho. A vela, num candelabro gasto pelo tempo, espera a noite para ser acesa. Enquanto os rebentos brincavam, a mulher da casa amassava a massa para fazer bolas. Enquanto esta cena evoluía, os restantes elementos do grupo cantaram “Nós Somos Pastores” e “Vimos dar as Boas Festas”.

Nós Somos Pastores
Nesta noite fria
Que nos dá calor
Trazemos na alma
Alegria e cor.

É bom recordar
Com todo o amor
E dar as boas festas
A ti Vila Flor.

Abram-nos as portas
Com muita alegria
Nasceu Deus Menino
Filho da virgem Maria.

Refrão
Nós somos pastores
De cajado na mão
Cantamos os reis
Linda tradição.
Mantemos saudades
Dos nossos avós
Damos Boas Festas
Para todos vós.

Fomos a Belém
Na noite de Natal
Ver o Deus menino
Não há outro igual.

Na noite de Natal
Nasceu pobrezinho
Em palhas deitado
Um ser tão divino.

Refrão

Sem ti meu menino
Não somos ninguém
Abençoa esta casa
Família também.

Os reis que cantamos
São por devoção
Mantemos acesa
Linda tradição.

Refrão

Bom ano desejamos
Nesta noite fria
Janeiras cantamos
Com muita alegria.

Muito Boas festas
É o que temos para dar
Pedimos a Deus
Para o ano voltar

Refrão

Vimos dar as Boas Festas
Nós somos pobres pastores
Andamos de serra em serra
Viemos dar as boas festas
Á gente da nossa terra.

Refrão
Somos pastores
Vimos cantar
As boas festas
Viemos dar,
Somos pastores
Sempre a correr
E os santos reis
Viemos trazer.

Um anjo desceu dos céus
À nossa porta bateu
Veio dar a boa nova
Que Deus Menino nasceu.

Refrão

Linda notícia tivemos
Que nos deu tanta alegria
Por isso nós vamos dar
Os parabéns a Maria

Refrão

Quem diremos nós que viva
No seu bercinho de luz
Viva a gente desta casa
Graças lhe dei-a Jesus.

Refrão

A todos vos desejamos
Saúde, paz e amor
A todos vos oferecemos
Um abraço com calor.

Refrão

Se nos querem dar os reis
Já nos cheira a salpicão
Venha a caneca para o lume
Que nos dá animação.

Refrão

Vamos dar a despedida
Com vontade de ficar
Pedindo a Deus saúde
Pró ano poder voltar

Refrão

Continuará ...
Continuação: Gala Cantar os Reis (2) Gala Cantar os Reis (3) Gala Cantar os Reis (4) Gala Cantar os Reis (5)

03 janeiro 2008

Freguesia Mistério 11

A votação na Freguesia Mistério 10 foi um pouco mais concorrida do que a anterior. Houve 38 votos distribuídos da seguinte forma:
Assares (1 voto) 4%
Nabo (4 votos) 14%
Sampaio (1) 4%
Santa Comba de Vilariça (1) 4%
Seixos de Manhoses (6) 21%
Trindade (1) 4%
Vale Frechoso (2) 7%
Vila Flor (2) 7%
Vilarinho das Azenhas (1) 4%
Vilas Boas (9) 32%
Desconheço se existe em Vilas Boas um Cristo Rei semelhante ao que está na fotografia, mas, a fotografia em questão, foi feita no Santuário de Santa Cecília no dia 24 de Novembro de 2007, portanto na freguesia de Seixo de Manhoses.
O novo desafio parece-me mais fácil. Trata-se da fachada de uma capela, que possivelmente é particular. Infelizmente não foi devidamente conservada e o seu valor arquitectónico encontra-se diminuído mas não deixa de ser interessante e está num lugar bem visível. A pergunta é: Em que freguesia podemos encontrar uma capela com esta fachada?
Participe votando.
Na margem direita do Blog

02 janeiro 2008

Exposição de Fotografia - Testemunhas (1)

O Blog À Descoberta de Vila Flor decidiu dar um passo mais à frente; deixar o mundo virtual e passar ao mundo real, àquele a que as pessoas estão (avam) mais habituadas. Depois dos desafios de alguns amigos para levar a Descoberta um pouco mais além, colocá-la em papel, sob outros formatos, optei pela exposição fotográfica. Não é minha intenção usar as fotografias do Blog, algumas bem dignas, para realizar uma exposição fotografia. A ideia é fazer algo diferente, interessante, bonito, mas que se entenda como um prolongamento deste quase ano e meio de Descoberta do concelho de Vila Flor, já mostrado no Blog.

Na sondagem realizada on-line, foi colocada a questão: Gostaria de ver fotografia deste Blog expostas na galeria de exposições do Centro Cultural de Vila Flor, em Vila Flor?
Até 31 de Dezembro 444 pessoas responderam à pergunta. A distribuição dos votos foi a seguinte:
Não - 118 votos (26%)
Não, a Internet é a maior galeria de todas - 14 votos (3%)
Sim - 55 votos (12%)
Sim, já lá deviam estar. Eu vou ver - 257 votos (57%)
Se já conhecia um vasto grupo de pessoas que visita o Blog e me incentiva continuamente, verifico haver um grupo de pessoas que, por qualquer razão, não pensam de mesma forma. Mas, mesmo dizendo que não à exposição, visitaram o Blog e isso já me deixa feliz. A exposição vai mesmo realizar-se. O meu desejo é que todos os que gostam de Vila Flor, os que gostam de fotografia, ou os que não gostam nem de uma coisa nem de outra, a possam visitar. Vai chamar-se “Testemunhas” e vai estar na Galeria de Exposições do Centro Cultural de 1 a 31 de Março de 2008.
O meu trabalho ainda não está terminado, mas, vai tratar-se de uma exposição possivelmente só a preto e branco, retratando trabalhos em ferro, de portões, gradeamentos e varandas de Vila Flor, mas também de algumas freguesias do concelho.
Mais próximo do evento, voltarei a falar do assunto, revelando mais alguns pormenores.

30 dezembro 2007

Uma visita a alguns presépios, em Vila Flor

No dia 30 de Dezembro à noite dei um passeio por Vila Flor para admirar e fotografar os presépios. As ruas estavam desertas, fazia muito frio. Fica um conjunto de 8 presépios, é possível que haja mais.Presépio 1 - Encontra-se no Centro Cultural perto da entrada para o auditório
Presépio 2 - Encontra-se na Rua de Santa Luzia, perto da capela e penso que foi feito pelo agrupamento de Escuteiros.
Presépio 3 - Encontra-se no jardim na Rua de Santa Luzia, foi feito pelo agrupamento de Escuteiros.
Presépio 4 - Encontra-se na Largo do Rossio (merecia pelo menos uma lampadazinha!).

Presépio 5 - Encontra-se em frente à Escola EB2,3/S de Vila Flor e foi construído pela escola.
Presépio 6 - Encontra-se em frente ao antigo ciclo, sobre o muro, sem iluminação. Não sei quem o fez.
Presépio 7 - Está em frente ao Jardim-de-infância da Santa Casa da Misericórdia. Ocupa uma vasta área de relva.
Presépio 8 - Está em frente ao edifício da Câmara Municipal.

25 dezembro 2007

Fogueira de Natal


Dia de Natal
Álgido, cor do aço
Como costume fatal...
A fogueira a luzir no espaço!

Costume secular
Vem de tantos anos...
Do clarão crepuscular
De espíritos profanos!
...
Os anos dobram sobre si mesmo
Os dias correm velozes
A fogueira faz torresmos
E ao lado britam-se nozes!
...
Foram os homens ao monte...
Como bois levam os carros
Com a força de mastodontes
E embuldregados de barro!

Negrilhos, freixos e oliveiras
Tudo o que encontram caído
Para assarem as alheiras
Do Natal, recém-nascido!

E vem todo o povo
Formam à porta da igreja
Aparecendo sempre um bobo...
Que todo o povo moteja!
...
Folga o povo, folga o cura
Em íntima comunhão
Em tudo há doçura
Que a todos une o coração!
...
Deitam braçados de lenha
As labaredas retroam no ar
Estalam guiços na brenha
E a fogueira é um altar!

Altar que a tudo aquece
Em fraterna comunhão
A vida é fogo que não esmorece
E tudo enche de clarão!
...
Chega agora uma guitarra
E outro deita cantiga
E começa a algazarra
Até apertar a barriga!...
...
O lume, crepita no braseiro
Há estalos e chispas no ar
As labaredas comem o tocheiro
Que a roda anda a adensar!
...
Entre a brasa que se reacende
E a outra que expira
Há o aroma que rescende
E a essência que se aspira!

E cercado pelo povo
Se vai combustando o madeiro
Devorado pelo fogo
Ou morte d'amor primeiro!

E é neste foneticismo estático
Alimentado pela tradição
Que em dia matemático
Se reacende sempre o tição!

Fogo como o das Vestais
Continuará a devorar os séculos
Cobrindo de mofas os aventais
Abrindo bocas como espéculos!

Estas quadras fazem parte de um poema chamado Epopeia do lume, publicado no livro Riquezas e Encantos de Trás-os-montes, de Cristiano de Morais, em 1950 e que eu trouxe para me fazer companhia neste dia de Natal, longe de Vila Flor.

Um BOM NATAL na companhia de todos os que vos são queridos.
Aníbal Gonçalves