04 abril 2008

BTT - III Rota da Liberdade - 20 de Abril de 2008


No próximo dia 20 de Abril vai ter lugar mais em Vila Flor mais uma prova de BTT, a III Rota da Liberdade. Depois do grande sucesso que a prova teve em Abril de 2007, esperam-se agora um evento ainda melhor, contando já com mais de 140 participantes pré-inscritos.
Na minha opinião, o percurso escolhido, mais em altitude, vai permitir mais frescura, mais variedade na paisagem e talvez até menos pó do que aquele que vivemos, nalguns troços da prova, em pleno Vale da Vilariça, no ano passado. Pelo que percebi, a prova dai decorrer no espaço entre Vila Flor, Samões, Carvalho de Egas, Santuário de Santa Cecília, Gavião, Arco com uma incursão partindo de Samões em direcção a Freixiel mas virando à esquerda no Ribeiro das Olas em direcção a Candoso, descaindo depois para Carvalho de Egas.

No fundo serão 3 provas, Passeio, Meia-maratona e Maratona, de acordo com as capacidades e anseios de cada um. Os três percursos partilham, em parte, os mesmos trilhos, tendo respectivamente 25 , 37 e 50 Km. Novidade também é a utilização dos Parque de Campismo para "quartel-general" da prova, local de partida, banhos e também como local de dormida para quem quiser vir para Vila Flor no dia anterior.
Conheço bem toda a área a percorrer. Mesmo sem saber com exactidão o percurso, no passeio que fiz no dia 4 pude comprovar que se o as condições climatéricas estiverem favoráveis, será uma grande prova.
Mostro neste post algumas fotografias, tiradas no dia 4 de Abril, dos locais a percorrer durante as provas.

Mais informações sobre toda a organização da prova, incluindo inscrições, podem ser encontradas no Blog do Clube de Ciclismo de Vila Flor.

01 abril 2008

Testemunhas - Exposição fotográfica


Terminou ontem a exposição de fotografia, TESTEMUNHAS, que esteve patente na galeria do Centro Cultural em Vila Flor durante todo o mês de Março, com fotografias da minha autoria. Apetece-me tecer algumas considerações, mesmo não sendo um balanço e muito menos uma avaliação.
A ideia de fazer a exposição como complemento do Blog, à Descoberta de Vila Flor, parece-me ter resultado bem. Muitos dos visitantes do Blog fizeram questão de estar presentes, mas muitas outras pessoas, normalmente afastadas da tecnologia e da web, também viram as fotografias.

Em termos de visitantes, não posso dizer se foram muitos ou poucos. Apenas estive presente 3 domingos, pela tarde. Nos dois primeiros domingos do mês, houve bastante movimento na vila e muita gente aproveitou para visitar a exposição. Não tenho qualquer indicador do número de visitantes durante a semana.
Ao escolher expor fotografias a preto e branco e tendo como temática trabalhos em ferro no concelho, sabia de antemão que não seria uma exposição para toda a gente visitar e gostar. Muita gente foi apanhada de surpresa, pelas fotografias. Esperavam lindas paisagens e encontraram pedaços de ferro, a preto e branco. Mas, mais surpreendidas ficavam quando reconheciam que todos os dias passam pelos locais fotografados e nunca se tinham apercebido da beleza que eles têm.

Em termos económicos, dado que coloquei as fotografias à venda pelo preço de 25 euros cada, o negócio foi como era de esperar pouco rentável. Não tive qualquer apoio para fazer a exposição. As despesas com a impressão das fotografias e com as molduras foram na íntegra suportadas por mim. A venda das fotografias pretendia recuperar alguma coisa das centenas de euros que gastei. Digo recuperar alguma coisa, porque mesmo vendendo todas as fotografias não equilibraria as despesas, o preço era simbólico. Vendi algumas, felizmente todas a pessoas que apreciam o que faço. Outras, vou ter o prazer de as oferecer àqueles que me têm incentivado, sem eles não teria havido exposição.
O aspecto mais positivo da exposição foi sem dúvida o meu trabalho. Adorei fotografar os pormenores em ferro; adorei voltar a fazer fotografias a preto e branco. Depois disto, com certeza que vou continuar a fotografar a preto e branco, pormenores em ferro ou não. Na exposição, tal como no Blog, só coloquei o que gosto. Estou satisfeito com o que fiz.

Pelas mensagens que os visitantes deixaram escritas, sou levado a pensar que gostaram. Não faltam palavras de agradecimento pela divulgação de Vila Flor e também de incentivo a continuar. É isso que vou tentar fazer.
Decidi colocar todas as fotografias, em miniatura, aqui no blog. Assim mesmo os que não puderam visitar a exposição vão agora ver as fotografias que estiveram expostas, e se quiserem, fazer alguns comentários.
Além de um vídeo com as 30 fotografias que estiveram expostas (com um bonito fundo musical de Beethoven), vou colocar alguns conjuntos com 37 fotografias, todas as que estiveram na exposição. Vou também colocar a indicação do local fotografado, informação que decidi não colocar durante a exposição.

Primeiro conjunto com 9 fotografias
Primeira linha: A primeira fotografia e terceira foram tiradas no mesmo local. Na Praça da República, em Vila Flor. A fotografia do meio é uma parte da porta do mercado, em Vila Flor.
Segunda linha: A primeira fotografia foi tirada no miradouro, em Vila Flor. A segunda fotografia de uma varanda de uma casa abandonada, na Rua Sidónio Pais, em Vila Flor. A terceira fotografia o portão de uma casa à direita da Casa Africana, na Praça da República.
Terceira linha: A primeira fotografia é um pormenor de um lindo portão no Largo Manuel António Azevedo; a segunda fotografia é um pormenor das grades de uma janela perto do início da Rua do Saco; a terceira fotografia é um portão de uma propriedade no Nabo, junto à capela de Nossa Senhora do Carrasco.

Segundo conjunto com 9 fotografias

Primeira linha: A primeira fotografia é um pormenor do gradeamento da pia baptismal, na igreja de Freixiel; a segunda fotografia é um pormenor do anfiteatro ao ar livre do Centro Cultural, em Vila Flor; a terceira fotografia é um pormenor de uma janela da casa onde está uma farmácia perto do museu.
Segunda linha: A primeira fotografia é da uma varanda de uma casa abandonada na Praça da República, em Vila Flor; a segunda fotografia é da varanda de uma casa em ruínas perto da Fonte Romana, não sei se é na Rua da Misericórdia; a terceira fotografia é o pormenor de uma janela de uma casa situada na Avenida Doutor Francisco Guerra, por detrás da Câmara Municipal.
Terceira linha: A primeira fotografia é um pormenor no telhado da Casa dos Milagres, no santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas; a segunda é um portão de uma garagem no início da Avenida Doutor Francisco Guerra; a terceira fotografia é um pormenor do portão do cemitério, em Freixiel.

Terceiro conjunto com 8 fotografias

Primeira linha: A primeira fotografia é na Praça da República, em Vila Flor; a segunda é uma janela na Rua Doutor Alexandre Alveres Aragão; a terceira é um pormenor da porta do cabido da capela de Nossa Senhora do Carrasco, no Nabo; a quarta é uma varanda na casa onde funciona a farmácia, junto ao museu.
Segunda linha: A primeira fotografia é um pormenor no santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Candoso; a segunda é de um portão no início da Rua Doutor Alexandre Alveres Aragão; a terceira é um pormenor de uma varanda, numa casa em ruínas, na Praça da República; a quarta é um pormenor do portão do cemitério, em Freixiel.

Quarto conjunto com 4 fotografias

Primeira linha: Medalhão numa porta da capela no santuário de Nossa Senhora da Lapa, em Vila Flor.
Segunda linha: a primeira fotografias apresenta um candeeiro e paisagem, vista do Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas; a segunda é também o Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas; a terceira é uma varanda, numa casa em frente ao museu.

Freguesia Mistério 14

Terminou mais uma votação na Freguesia Mistério, neste caso a 13ª. Esta votação contou com 23 votos válidos, distribuídos da seguinte forma:
Freixiel (3) 13%
Lodões (2) 9%
Nabo (2) 9%
Roios (1) 4%
Samões (1) 4%
Valtorno (1) 4%
Vila Flor (11) 48%
Vilas Boas (2) 9%

A resposta não era fácil, uma vez que eram dadas muito poucas pistas. A verdade é que a varanda em questão pertence a uma casa em Lodões, que teve apenas 2 votos. A casa em questão é o Solar dos Reimão de Meneses, bem digno de destaque e há muito a merecer uma referência.
A Freguesia Mistério n.º14 é muito simples. Trata-se de mais uma fonte, muito conhecida mas já pouco frequentada. Antigamente era um ponto onde se juntavam muitas mulheres a lavar a roupa, mas hoje não há sinais de roupa branca, só de flores bem alvas de amendoeira .
Em que freguesia podemos encontrar esta fonte?

Participe votando.
Na margem direita do Blog

28 março 2008

Na Linha do Tua - 1


Hoje foi dia de partir à Descoberta. Já há algum tempo que não fazia um largo passeio por terras de Vila Flor. Estive fora uns dias mas o clima também não tem ajudado muito. Felizmente tem chovido alguma coisa mas muito pouco.
A nova máquina fotográfica (Panasonic Lumix DMC-TZ2) chegou por altura da Páscoa, mas ainda mal tive tempo para testar as suas potencialidades.
A aventura foi um pouco diferente do habitual. Fui até ao Cachão de carro; fiz o percurso entre o Cachão e a Ribeirinha a pé e voltei a Vila Flor de carro. Nunca tinha feito uma saída deste género mas pode ser que faça mais no futuro.

O destino do Rio Tua e a Linha do Tua está traçado. Pouco tempo nos resta para gozar as paisagens que nos oferecem. Infelizmente não acredito nos políticos e as promessas não passam disso, promessas. Há quem as esqueça na própria noite das eleições, há quem as faça sem acreditar nelas, há quem prometa para enganar. Vivemos numa época em que a opinião dos outros pouco vale face à inteligência superior que alguns têm, ou julgam ter.
Foi pensando nestas promessas de desenvolvimento que deixei a estação do Cachão. Caminhei ao longo do que resta do complexo nada entusiasmado com o que via. Ao longo da linha escorria uma grande quantidade de água suja e malcheirosa. Pouco depois entrei na tranquilidade da Natureza.




O percurso entre Cachão e Vilarinho das Azenhas pode ser feito por estrada, a poucos metros da linha, mas eu decidi ir pela linha, e, onde fosse possível, aproximar-me do rio.
Neste ponto há altas montanhas para Norte e para Sul sendo cortados a meio pelo rio que, ao longo dos milénios, rasgou o seu próprio caminho. É esta passagem estreita que dá o nome ao lugar, Cachão - local onde a água passa apertada e revoltosa, fazendo bolhas. Conheço lugares com este nome no Rio Douro e no Rio Sabor.

Vêem-se ainda pequenos recantos cultivados. Videiras, laranjeiras, pereiras, macieiras, marmeleiros e bastantes oliveiras são as árvores predominantes. Como árvores selvagens e arbustos encontrei choupos, freixos, salgueiros, sobreiros, urze, giestas, pilriteiro, carqueja, tojo, etc.



Só de vez em quando o sol abria os olhos, cintilando nas folhas juvenis das árvores que ladeiam o rio e dando algum azul à água. Aos poucos minha atenção era desviada para pequenas flores, delicadas, que rompem o manto verde da margem do rio criando um padrão mais colorido. Não faltavam aves saltando de ramo em ramo. Os passeriformes como o pintassilgo, o verdelhão, o tentelhão, o milheiro apareciam por todo o lado. Avistei também um gaio, uma ave de rapina que não consegui identificar, um corvo-marinho e uma garça. Os melros também saltavam nos silvados. Quase já em Vilarinho das Azenhas descobri um ninho com alguns ovos.
Ao chegar perto da ponte de Vilarinho das Azenhas, deixei a linha do comboio. A partir deste ponto, há quase sempre um caminho entre a linha e o rio. As imediações da ponte são muito procuradas pelos pescadores, hoje estavam três pescadores no local.

A caminhada foi perdendo o ritmo. A água neste troço corre mais calma. As represas que alimentavam as várias azenhas, continuam a amansar as águas. Quando nos aproximamos delas o som da água que se precipita ultrapassando as barreiras, dá um ar bucólico, um som que não cansa, mais relaxante do que música clássica.
Fui acordado do meu êxtase pelo som da automotora que descia de Mirandela ao Tua! Tanto queria estar a postos quando a automotora passasse que acabei por me esquecer dela!
Fui seguindo lentamente ao longo do rio, já conhecia o caminho. Segui-o pelo menos duas vezes durante o ano de 2007. Se não fosse o adiantado da hora teria passado horas e horas espreitando cada curva do rio, cada tufo de flores, os ninhos, os montes e as hortas que me receberam à chegada à Ribeirinha.
Percorri aproximadamente 8 km. Apesar do céu escuro e da pouca luminosidade foi um passeio muito agradável.

Leia a continuação desta Descoberta - Na Linha do Tua 2 (Ribeirinha - Brunheda)

Capela de S. Lourenço

A Capela de S. Lourenço, erguida na aldeia do Arco em honra ao santo padroeiro, S. Lourenço.

26 março 2008

Não-poema


Hoje vamos esquecer-nos do poema.
Não vai haver rodeios nem segredos.
Palpar será o fim dos nossos dedos
E o ver e ouvir será o lema.

Que o verde destas vagens inda trema
A fim de adoçar frutos azedos.
E nos bosques, o cuco espante os medos;
Resolva a borboleta o seu teorema.

Que brilhe mais a pérola de orvalho
Tremente, prestes a cair do galho
Sobre um cordeiro a retouçar, sereno.

Palavras... para quê? Ante a grandeza
Dos gestos matinais da Natureza
Tudo se esvai e torna-se pequeno.

Poema de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
A fotografia foi tirada no Arco, no dia 28 de Fevereiro de 2008.

24 março 2008

Telenovela "A Outra", em exibição

Começou hoje a exibição da telenovela "A Outra", na TVI. Não posso negar que tive uma certa curiosidade em ver a novela, à espera de ver aparecer esta vila que é Flor. Uma coisa é certa, novela não é documentário e parece-me que é querer demais, desejar que apareçam grandes planos com imagens bonitas de Vila Flor.
Para balanço do primeiro episódio não esteve mau. Apesar dos louros terem ido todos para Moçambique, a Vila apareceu pelo menos quatro vezes e fiquei a saber que alguns figurantes locais tiverem até direito a viagem a Moçambique! Sempre há alguém a lucrar com a novela!
Espero ver mais alguns dos actores a representarem em Vila Flor. Se coincidir com o meu tempo livre, faço mais algumas fotografias.
Podem ficar a saber mais alguma coisa do enredo aqui. Quem perdeu o primeiro episódio, pode ler um resumo aqui.

Outras notícias neste Blog, sobre a telenovela "A Outra".

23 março 2008

Boa Páscoa

Desejo a todos os visitantes do Blog uma Boa Páscoa, onde quer que se encontrem.

19 março 2008

1000 Fotografias


Hoje já são mil, as fotografias colocadas neste Blog. Pensei numa forma de mostrar algumas, mas não ocorreu nenhum método, nem um critério de selecção aceitável. Decidi fazer um pequeno vídeo com algumas . Não sou muito simpatizante deste tipo de coisas e nunca coloquei um vídeo em qualquer dos meus blogues e páginas web. Procurei saber como se faz e com quê. Aprendi um pouco e consegui fazer um "filme" com mais de 4 minutos, com alguma qualidade de imagem e som. Vale pela aprendizagem e pelas fotografias, mais de 60. A música de fundo é do grupo Epica. Pertence a um género musical que ouvi bastante durante todo o ano de 2007.
A fotografia número mil, é uma bela imagem de Vila Flor, conseguída no dia 8 de Março de 2008, junto à Fonte Romana.

17 março 2008

Um olhar atrás

Como já alguns visitantes assíduos repararam, ultimamente tem havido menos novidades no blog, menos viagens, menos fotografias. Há várias razões, se calhar nem vale a pena falar delas. Mas há uma de que vou falar. Não é da política educativa desastrosa, não é do momento caótico da bolsa, não é do escalar de violência nos centros urbanos, é da máquina fotográfica que me acompanhou nos últimos anos.
Sempre fui um seguidor da marca Canon. Esta paixão começou desde cedo, fruto das inovações da marca. Guardo com carinho uma Canon FTB com 30 anos de existência, entre outros modelos da mesma marca, que fui adquirindo. O meu despertar para a hera digital deu-se com uma simples HP, das primeiras, com objectiva Pentax (HP PhotoSmart 715). Logo depois veio um sopro de paixão que me arrebatou para a Nikon.
A minha escolha, em Abril de 2003, recaiu na Nikon Coolpix 4300. Pequena, versátil, com uma reputação a nível de óptica acima de qualquer suspeita, mas com um preço de fazer pensar duas vezes. Posso afirmar que custava tanto como uma reflex digital da actualidade. Em 2004 começou a acompanhar-me À Descoberta de Miranda do Douro e em 01 de Setembro de 2006 mudou-se comigo para Vila Flor. Tal como eu, apaixonou-se pela paisagem, rendeu-se ao perfume das flores, extasiou-se com a frescura das encostas, banhou-se na humidade das nuvens e do nevoeiro. Registou dezenas, centenas de milhares de imagens, quadros de vida, instantâneos de estórias, miragens de beleza que se levantaram das montanhas e se gravaram em tons suaves, íntimos, em megas, gigabytes de pixels, onde se misturam as cores das estações, os orvalho dos vales, o suor das gentes e o sorriso das crianças.
De repente… apagou-se. Não suportou as ondas de pó em provas de BTT; não resistiu às chuvas inesperadas que nos surpreenderam no regresso a casa; e, … pior que tudo, não resistiu ao ciúme de uma adversária com mais de 10 Megapixels que teimou em a substituir nos momentos mais luminosos, jogando-a para segundo plano, tornando-a “a outra”, a mais discreta, a mais modesta.
Apagou-se em Santa Comba, a fotografar as primeiras flores de amendoeira. Decidiu que não estava mais disposta a esperar pelas provas de ciclismo, pelas pancadas no volante da bicicleta, pelas baterias constantemente gastas. Despediu-se do sorriso dos meus filhos em dias de aniversário, despediu-se dos beijos das flores nas tardes luminosas da Primavera, despediu-se da velocidade, do vento, da montanha, do verde, do silêncio, da solidão, da minha companhia … apagou-se.
Ainda não passou um mês, mas já sinto saudade. Só ela registava as cores vivas dos medronhos, as tons quentes do fim de tarde, o inatingível azul celeste. As panorâmicas que fiz com ela são ímpares; os automatismos que possuía rendiam-se completamente nas minhas mãos, permitindo-me todo o controlo: a velocidade, a abertura, a compensação, a sensibilidade, a focagem e a desfocagem, que tantas vezes a obriguei a fazer, descentrando o motivo, usando o contraluz, procurando o imaginário muito para além das linhas e das formas.
Mas… as amendoeiras floriram, as nabiças explodiram num amarelo berrante, as urzes pintam os cumes das montanhas, o céu azul enrola ao pescoço longas nuvens brancas que se estendem para lá do horizonte, e, eu, … não resisto à provocação que cada dia a natureza me oferece. Encomendei uma outra máquina fotográfica. Não um modelo topo de gama dos que desfilam nas vitrinas dos centros comerciais ou nas páginas da Internet. Uma coisa sóbria, com uns modestos 6 Megapixels, nada que possa envergonhar a desgastada Coolpix. Vistoso é o seu zoom de 10x, capaz de desvendar os mistérios na mais pequena natureza, perseguir as abelhas, fecundar as flores, e, quem sabe, procurar captar as paisagens trasmontanas com a mesma sensibilidade. O seu nome é Panasonic Lumix DMC-TZ2. Veremos até onde chega a sua sensibilidade.

15 março 2008

Flor do Mês - Fevereiro 08

Seria impensável não escolher a flor da amendoeira (Prunus dulcis) para flor do mês de Fevereiro. Esta planta, e as suas flores, fazem as maravilhas de milhares de pessoas que procuram o Douro e o Nordeste Trasmontano para as admirarem.
As amendoeiras foram introduzidas na Europa pelos Gregos nos séculos V e VI a.C.. São plantas bastante rústicas que suportam os frios do Inverno e as geadas, embora este seja um dos principais problemas para os jovens frutos que vão começar agora a formar-se. Também são pouco exigentes em solos, crescendo nas encostas onde a profundidade do terreno é muito pequena, mas sobrevivendo à custa das suas raízes que se enterram profundamente no solo, mesmo por entre as pedras. Podemos distinguir as amendoeiras que produzem amêndoas doces (Prunus dulcis) e as que produzem amêndoas amargas (var. amara). O grão da amêndoa doce é muito usado em pastelaria, são bem conhecidas as amêndoas de Torre de Moncorvo, mas o grão das amêndoas amargas contém substâncias tóxicas. O óleo de amêndoas é também utilizado em cosmética e na medicina. É da variedade amarga se produz a conhecida bebida amêndoa amarga ou amarguinha, feita no Algarve.
A amendoeira pertence ao à família Rosaceae e ao género Prunus. São muitas as árvores de fruto pertencentes a esta família, que produzem flores igualmente bonitas. É o caso do pessegueiro e ameixeira. Para os mais curiosos, reparem na flor do morangueiro como é perecida com a da amendoeira, pertencem à mesma família!
A beleza das amendoeiras em flor pode ser admirada de longe, principalmente quando há um grupo de árvores completando um manto branco. Pessoalmente, gosto de me aproximar. Nem todas as flores são iguais, quer no tamanho, quer na cor, embora todas as flores da mesma árvore sejam semelhantes. Estou em crer que a cor das flores tem a ver com o porta-enxerto utilizado na produção de amendoeiras para plantar. Muitas vezes é utilizada a variedade amarga que é de todas a mais rústica. Também a amendoeira é usada como porta-enxerto de pessegueiro.
Com estas flores de amendoeira, despeço-me delas até ao próximo ano.

13 março 2008

"A Outra" está de novo em Vila Flor


Já se nota o movimento em Vila Flor. Grande parte das ruas do centro histórico estiveram vedadas ao trânsito nos últimos dias. Alguns dos locais utilizados para as filmagens da telenovela "A outra"(para a TVI), foram o Largo Condes de Sampaio e a Praça da República, que parecem estar bem enquadrados na época em que se desenrola a novela. A rodagem na aldeia abandonada do Gavião parece ter sido posta de parte, as cenas podem já ter sido rodadas numa aldeia de Mirandela.
No dia 11 assisti à rodagem de algumas cenas. Curiosamente no mesmo local onde assisti no dia 22 de Janeiro também a filmagens e com os mesmos actores.
A novela foi lançada oficialmente no dia 10 de Março, em Mirandela. Espera-se que contribua para a divulgação de Trás-os-montes e que traga mais turistas à região. Atrevo-me a sugerir a rodagem de algumas cenas na Ribeirinha ou em Vilarinho das Azenhas que mostrem a Portugal o bonito rio Tua que alguns autarcas não se importam de ver destruído.
Mesmo que não venham mais turistas, assistir à rodagem da novela tornou-se uma boa distracção para idosos e alunos baldas. A adesão de novos e velhos à figuração é grande, levando a pensar que se existisse um grupo de teatro em Vila Flor, não faltariam candidatos a actores.
Pela comunicação social ficamos a saber que a novela irá para o ar lá para o final do deste mês e que este ano não haverá Tony Carreira em Vila Flor.