12 maio 2008

É uma casa portuguesa


Pormenor de uma porta em S. Comba da Vilariça. É uma casa portuguesa com certeza.

10 maio 2008

Museu - Máquinas fotográficas

No dia 17 de Abril fiz mais uma visita ao museu Dra. Berta Cabral em Vila Flor. A cada visita o nosso olhar recai sobre objectos que não vimos em anteriores visitas, ou que não nos despertaram curiosidade. Parei justamente na sala Dr. Alexandre de Matos. Nesta sala há uma boa colecção de máquinas de escrever, mas também vestuário, calçado, objectos de higiene pessoal, etc. reparei numa máquina fotográfica antiga, quase completamente feita de madeira, colocada sobre um tripé também de madeira com um ar de “antes da primeira guerra mundial”. Olhava-me do alto do tripé, com o seu único olho já meio torcido pelos anos. Olhei-a com atenção a toda a volta. A ficha identificativa pouca informação dava: pertenceu a Armando António Costa e foi oferecida ao museu pelo seu sobrinho Abel José Fontes em 1996.

Quando voltei a casa continuei a pensar naquele “caixote de madeira” e no dia 19 voltei ao museu. Procurei por todos os lados alguma referência que me desse indicação da marca, do modelo, da ano de fabrico, mas não encontrei nada. A caixa tem da largura 17 cm e de altura 24 cm. Depois de aberto um pequeno fecho que tem no lado direito, a traseira mexeu-se. No interior da pequena caixa estava um fole com 35 cm de comprimento. O lado esquerdo da câmara é a base da mesma, que serve de suporte para o fole se poder alongar e permitir a fotografia. Quando o fole recolhe, a base desliza para a traseira da máquina completando a pequena caixa de madeira, que assim podia ser transportada com facilidade.
O suporte para a fotografia não era o filme mas sim uma placa fotográfica, para uma única fotografia. Seria interessante saber o ano de fabrico desta curiosa câmara!
As primeiras câmaras fotográficas não tinham fole, baseavam-se num princípio ainda mais simples: duas caixas de madeira que deslizavam uma sobre a outra, permitindo a focagem. O fole só foi introduzido depois de 1882. Foi também no fim da década de 80 que começaram a surgir os primeiros obturadores de diafragma, de forma a limitarem a quantidade de luz que passava pela objectiva. Esta câmara tem uma solução curiosa: trata-se de um disco metálico com 3 orifícios de diâmetros variáveis. Fazendo rodar o disco, coloca-se o orifício pretendido no interior da objectiva, funcionando de forma bastante semelhante do do diafragma das câmaras actuais. Esta câmara também já tem obturador, sobe a forma de uma cortina de tecido, colocada entre o diafragma e a placa sensível. Não consegui descobrir qual era a sua velocidade de obturação ou se a mesma era regulável. Este funcionamento é mais moderno do que o usado ainda nas câmaras de alguns fotógrafos que existem em certos locais históricos, que tiram a tampa da objectiva, contam determinados “segundos”, e voltam a colocar a tampa da objectiva manualmente, para interromper a entrada da luz!
Não consegui saber o ano do fabrico da câmara. Inclino-me para que seja anterior a 1900, uma vez que em neste ano já a Kodak comercializada uma máquina que utilizava rolo, com capacidade para 100 fotografias, que revolucionou a história da fotografia.
Noutras ocasiões falarei de mais câmaras fotográficas antigas que existem no museu.

09 maio 2008

No Vale da Vilariça

Ontem foi um daqueles dias em que todas as estações do anos se misturam, mas todas elas com a sua beleza. Ao início da manhã, o vale estava repleto de nevoeiro que deu lugar a uma leve neblina. Ao meio dia o sol era forte e o céu estava azul intenso, com pequenas nuvens brancas. Ao fim da tarde a chuva desabou das nuvens escuras, ao som de aterradores trovões que ecoavam ao longo de todo o vale.
A fotografia retrata a tranquilidade da manhã, perto de Sampaio, com a Junqueira lá ao fundo.

07 maio 2008

Consagração

A ti, tudo o que em mim é ainda espaço
De fonte oculta em musgos de pureza;
A lâmpada de barro sobre a mesa,
A primeira andorinha em céu de Março.

A ti, a amplidão do fumo esparso
Em raro brilho de manhã acesa;
A cambraia dos prados, a leveza
De tudo o que excesso torna escasso.

A ti, Vila Flor, o meu estar longe,
Velho soldado transformado em monge
Num castelo em ruínas, sem bandeira.

A ti, do exílio, o anseio do possível:
Que minha dor se torne perceptível
Num branco ciciar de amendoeira...

Soneto de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
A fotografia foi tirada no dia 28 de Fevereiro de 2008, no Arco.
Outros poemas de João de Sá: Flor-poema, Maravilhamento, Absoluto visível, Serra e A pergunta.

06 maio 2008

À Descoberta... em Torre de Moncorvo

A vontade de descobrir e conhecer não se delimita com fronteiras. Prova disso são as minhas recentes caminhadas ao longo da Linha do Tua, em território pertencente a três concelhos.
Nasceu mais um Blog da série "À Descoberta", desta vez referente ao concelho de Torre de Moncorvo, onde já vivi 4 anos, de que tenho grandes recordações.
O endereço vai estar aqui, sempre, na margem direita do Blog, à espera de uma visita.

http://descobrirtorredemoncorvo.blogspot.com/

03 maio 2008

Na Linha do Tua 4


No dia 1 de Maio tive tempo para mais uma etapa "À Descoberta" da Linha do Tua. O meu plano era fazer o percurso que vai da estação da Brunheda a Foz Tua em duas caminhadas ao longo da linha, mas, com os acontecimentos mais recentes que levaram ao encerramento, precisamente, desse troço da linha, as coisas complicaram-se. Acolhido de um ímpeto daqueles que é difícil controlar, decidi fazer todo o percurso numa só etapa.

Leia toda a história aqui.

Ligação para a 1.ªetapa entre Cachão e Ribeirinha
Ligação para a 2.ªetapa entre a Brunheda e Ribeirinha
Ligação para a 3.ªetapa entre a Cachão e Mirandela
Ligação para a 4.ªetapa entre a Brunheda e Foz-Tua

01 maio 2008

Freguesia Mistério 15

Terminou a votação na Freguesia Mistério 14, referente ao mês de Abril. Foi uma das votações mais concorridas, havendo 37 votantes.
Desde o primeiro momento que a tendência do voto seguiu o rumo certo. Na fotografia está realmente a Fonte do Olmo, em Vila Flor. Trata-se de uma fonte arcada, medieval, situada junto ao Complexo Turístico do Peneireiro. Conta que o nome se deve à existência de um enorme olmo junto dela, mas actualmente apenas podemos admirar nas imediações algumas amendoeiras, que, quando estão floridas, dão mais beleza ao local.
Esta fonte era um local de grande animação. Aqui se juntavam grandes grupos de mulheres a lavar a roupa, que punham a corar, estendida na relva, enquanto grupos de crianças brincavam próximo. Muita gente de Vila Flor ainda guarda boas memórias desses tempos.
A distribuição dos votos foi a seguinte:
Assares (1) 3%
Candoso (1) 3%
Carvalho de Egas (1) 3%
Freixiel (2) 5%
Lodões (2) 5%
Nabo (4) 11%
Roios (2) 5%
Valtorno (1) 3%
Vila Flor (17) 46%
Vilarinho das Azenhas (3) 8%
Vilas Boas (3) 8%
O novo desafio é um nicho com uma imagem de S. João Baptista. Está junto a uma estrada, no interior de uma localidade. Em que freguesia? Tem um mês para mostrar que conhece o concelho.
Participe votando.
Na margem direita do Blog

29 abril 2008

Petição pela Linha do Tua VIVA


Como tenho mostrado pelas fotografias recentes neste Blog, a Linha do Tua é um dos locais mais bonitos de se percorrer no Nordeste Trasmontano. A par disso, é uma importante obra de engenharia feita por aqueles que acreditaram que os que cá viviam, também tinham direitos.
Os movimentos a favor da manutenção da linha (contra a barragem), são muitas vezes acusados de nem saberem onde fica o Tua, de serem estrangeiros. Os que vivemos aqui, e que queremos continuar a viver, também somos capazes de imaginar outro tipo de desenvolvimento, sem destruição do nosso património e sem esvaziamento da região de quase tudo o que foi conquistado com muito esforço. Apregoa-se o desenvolvimento à custa da desertificação, do encerramento, da entrega das poucas coisas valiosas que temos aos grandes interesses económicos.
Os próprios autarcas estão "tão convencidos" das vantagens da construção da barragem, que na reunião que tiveram em Carrazeda de Ansiães a meados de Abril, quando pensavam discutir as contrapartidas a pedir, decidiram criar uma comissão para o estudo do desenvolvimento da região, aceitando como possível a manutenção da Linha do Tua como factor de potencial desenvolvimento.
Aconselho a leitura da Petição pela Linha do Tua neste endereço, e a assinarem-na, como forma de empenhamento na defesa de um património que é nosso, mas que queremos deixar às gerações futuras.

Mais informação aqui:
http://www.alinhadotua.com
http://www.linhadotua.net

A fotografia foi tirada no di 05 de Abril de 2008, perto da estação de Abreiro.

26 abril 2008

Na Linha do Tua - 3


Mais um passeio fantástico pela Linha do Tua, desta vez no concelho de Mirandela. Foi a terceira etapa e percorri a linha entre Cachão e Mirandela. Toda a reportagem pode ser vista no Blog de um amigo meu, de Frechas.

25 abril 2008

Entre a delicadeza das flores e a dureza das rochas


Depois de algumas semanas com dias sombrios, nuvens negras e chuva, foi com alegria que vi chegar de novo o céu azul a Vila Flor. Quando saio de casa, olho o alto do Facho e vejo um céu azul salpicado por nuvens brancas como o algodão, desperta em mim a vontade de percorrer montes e vales, saboreando a Primavera, saciando-me das cores, bebendo o canto das aves.
Saí em direcção a Samões por caminhos já bem conhecidos. Nas bermas explodem flores de todas as cores. A manhã mal tinha despertado! As folhas ainda decoradas com gotas de orvalho, disparavam raios de luz, ofuscando a câmara.

Parei em Samões para um café, mas os bares ainda estavam fechados. Segui pela Rua do Corniteiro n.º2, atravessei a estrada nacional, continuei pelo Carvalhal e comecei a descer para o vale onde corre a Ribeira do Vimieiro. Era a primeira vez que fazia este percurso, não sabia muito bem o que ia encontrar. A paisagem à minha frente estava magnifica! Giestas, sobreiros e enormes pedras combinavam-se num extenso jardim. O amarelo das maias, alternava com o branco, com o violeta do rosmaninho, tudo suportado num manto verde. As rochas, ainda que enormes, apresentavam aqui e além regularidades que demonstravam a intervenção do homem. Todas estas encostas, hoje completamente selvagens, foram no passado cultivadas. Pouco antes de chegar à ribeira avistei uma pega azul (Cyanopica cyanus), ave que nunca tinha visto no concelho.

No fundo do vale corre a Ribeira do Vimieiro, agora com bastante água, em direcção a Freixiel e depois ao Tua. Ao longo da ribeira há verdes lameiros rodeados de freixos. O som da água saltando de pedra em pedra, combinava na perfeição com o cantar dos rouxinóis e felosas. De longe chegava o cantar do cuco, que ecoava nas encostas como se saísse das próprias fragas.

Deliciei-me a fotografar a água, os lameiros, as giestas cheias de flores. Quando cheguei às Olgas, avaliei o tempo que me restava. Já não tinha tempo suficiente para seguir até Freixiel, pelo que decidi começar a subida em direcção a Samões. Um agricultor tinha-me falado de algumas rochas com cavidades naturais que existiriam num monte ali próximo. Chamam-lhe as fragas das janelas! Deixei o caminho e segui em direcção a um local que aparece sinalizado nos mapas como Borralho. Atravessei com dificuldade uma ribeira que junta água desde o Barracão e que vai morrer um pouco mais abaixo juntando-se a mais duas ou três. Este local é conhecido pelo nome de Borrega. Estava bastante desanimado, o caminho terminou! Felizmente avistei um enxertador numa vinha próxima. Fui ter com ele. Surpreendeu-se com o meu interesse pelas fragas, mas indicou-me num monte ali próximo o local que poderia corresponder ao que procurava.

Deixei a bicicleta. O caminho tinha mesmo terminado. Segui a pé, com dificuldade pela muita vegetação existente, até ao local que me indicou. Encontrei realmente fragas escavadas no seu interior. Havia infinitas formas escavadas. Umas pequenas, onde cabia apenas um bugalho, outras muito grandes. Numa delas encontrei um ninho de melro azul (Monticola solitarius), com seis ovos. Foi a primeira vez na minha vida que vi um ninho desta ave. Habitam nestas encostas rochosas, já os tinha encontrado quando subi a Linha do Tua.

Voltei à pressa para a bicicleta. O tempo voou e tinha que regressar rapidamente a Vila Flor. Entrei em Samões pela Rua da Lameira e segui pela estrada até casa.
Quilómetros percorridos em BTT: 15

20 abril 2008

À Descoberta, em BTT (1)


Hoje foi dia de ir À Descoberta, em BTT. Foram mais de uma centena os participantes na III Rota da Liberdade organizada pelo Clube de Ciclismo de Vila Flor. Os dias chuvosos afastaram alguns atletas, mas, os que compareceram, puderam percorrer caminhos de rara beleza, em volta de Vila Flor.
O dia amanheceu cinzento, mas não choveu até à uma da tarde, altura em que grande parte dos participantes já tinha terminado a prova. Os mais aficionados do pedal, tiveram trilhos à sua altura. Os aficionados da natureza, entre os quais me incluo, pudemos admirar paisagens a partir dos pontos altos do concelho e percorrer caminhos cheios de verde, salpicados de flores de todas as cores, escorrendo água em cada curva.

Habituado que estou a percorrer todos os caminhos sozinho, foi agradável percorre-los hoje acompanhado de tantas pessoas.

Está de parabéns a organização da prova. Também eles apostam na Descoberta e divulgação do concelho de Vila Flor.

Quilómetros percorridos em BTT: 20

18 abril 2008

18 de Abril é o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios


Hoje, 18 de Abril é o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. O Ministério da Cultura escolheu como tema deste ano “Património Religioso e Espaços Sagrados” abrangendo não só os locais cristãos mas também outros locais ligados ao culto em épocas anteriores ao cristianismo. A nível nacional estão previstas centenas de iniciativas envolvendo as autarquias, misericórdias, associações, museus e escolas. Pelo que sei não está nada previsto, em Vila Flor. Pode ser uma boa oportunidade para uma visita a alguns dos espaços religiosos de grande valor histórico e artístico existentes no concelho.

A igreja matriz de Vila Flor é um espaço bem digno de uma visita. A sua fachada, a talha dos altares laterais, a capela da Senhora das Graças, a própria imponência do edifício são aspectos a admirar. Pelo concelho há também outros locais de culto com características individuais marcantes, que proporcionam visitas enriquecedoras. Sem querer esgotar as possibilidades atrevo-me a sugerir a igreja matriz de Trindade, a igreja matriz de Valtorno e a igreja matriz de Santa Comba da Vilariça. Aqui mais próximo, a igreja matriz de Roios é também de uma riqueza singular. Para quem aprecia um passeio ao ar livre, mais em contacto com a natureza, há sempre a possibilidade de um passeio ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção ou Santuário de Nossa Senhora da Lapa.