11 julho 2008

Homenagem


Oiro em Oiro

Era o sol e era um giestal em flor.
Havia luz a rodos na campina,
Uma orgia fantástica de cor
Que me tomou de pânico a retina.

Do sol doirado, os raios, em 'splendor,
Bombardeavam com poalha fina
As giestas amarelas, e um furor
Se espalhava nos ar's, de luz citrina!

Era oiro no oiro, luz na luz,
Uma batalha insana de rivais:
Giestas - o alvo; o sol - o arcabuz;

Desintegra-se a tinta dos giestais
E a cor entra em meus olhos, sai, reluz,
Enche estes versos e não finda mais!

Soneto de Cabral Adão, publicado no jornal "Notícias de Mirandela".

10 julho 2008

Flor do Mês - Junho 08

O mês de Junho já terminou há alguns dias e eu ainda não elegi a Flor do Mês de Junho. Poderia colocar à votação, sempre me chegava algum feedback, mas quem é que tem tempo para andar por aí a olhar para as flores, ainda mais silvestres?

De alguns exemplares mais apelativos e mais próximos dos perímetros urbanos, fui dando conta aqui, no Blog. Não há nenhum que se destaque, como no mês anterior, as giestas.
Sei que as papoilas e os pampilhos vão ficar com ciúmes, mas, a minha escolha, recai sobre uma pequena planta, típica de zonas rochosas, que a maioria das vezes cresce nas frestas dos rochedos graníticos e xistosos. É o que se chama uma planta rupícola. Estou a falar do cravinho ou cravinas-bravas (Dianthus lusitanus). É frequente em todo o interior do país mas também em Espanha e Marrocos.
A planta é vivaz. As flores solitárias, hermafroditas, com cálice tubuloso e corola cravinosa, com 5 pétalas dentadas, rosadas, 10 estames, 2 estiletes. Os caules são finos e lenhosos.
Não é fácil fotografar os pequenos cravos, em pormenor. Primeiro, porque são pequenos, segundo porque são de uma cor tão delicada, que as câmaras têm dificuldade em registar.
Não é necessário grande esforço para encontrar esta flor. Na berma das estradas, desde que haja escarpas rochosas, ela espreita, singela, delicada e perfumada. A floração vai de Junho a Setembro, por isso ainda há muito tempo para as admirar.

09 julho 2008

Capela de Santa Maria Madalena - Macedinho


Há muito tempo que não escrevo sobre Macedinho! Por não escrever, não quer dizer que dele me tenha esquecido, apesar de me parecer que a ligação entre Macedinho e Vila Flor ser muito difusa, quer devido à dimensão, quer ao afastamento. Onde é que as crianças de Macedinho frequentam a escola? Fica a pergunta.
A última vez que estive em Macedinho foi a 20 de Maio de 2008. Colhida pelo calor da tarde, a aldeia parecia encostar-se ao ribeiro, procurando a frescura das suas margens. A exuberância da Primavera começava, nas pequenas flores, prolongava-se por carrascos e sobreiros subindo depois aos céus, em nuvens brancas, como cordeiros de alva lã saltando e brincando em perseguições de puro gozo.
Reinava uma paz infindável, no centro da aldeia. O sol reflectia-se nas paredes da capela recentemente restaurada, fazendo-me semicerrar os olhos. O calor era demasiado, mesmo para Primavera.

Procurei refúgio do sol escaldante, no interior da capela barroca. Respirava-se um ambiente agradável. Nem colunas de granito, nem abóbadas gigantes; tudo simples tudo pequeno… mas sentia-se o mesmo silêncio, a frescura das grandes catedrais.
Estava tudo impecável. Até os arranjos com flores naturais pareciam prolongamentos das vestes das imagens. Por detrás do sacrário destaca-se, na parece branca, um altar em talha dourada, encimado por uma conjunto com motivos vegetalistas, duas aves estilizadas e dois anjos, segurando um coração, também dourado. A riqueza do conjunto destoa da simplicidade do resto da capela, sugerindo, uma grande antiguidade ou uma outra origem, que não esta capela. Trata-se possivelmente de talha do séc. XVIII.
Nesta capela adora-se Santa Maria Madalena, figura com tanta importância, que tem despertado o interesse de pintores, escritores e romancistas. Esteve presente na crucificação de Cristo, sendo apontada pela literatura mais recente como uma tentação de Cristo, apóstola ou Sua esposa.

As imagens que mais se destacam, é o Sagrado Coração de Jesus e uma Nossa Senhora, segurando o Menino. Esta última parece ser bastante antiga.
Também, São Gabriel, com a sua implacável espada, merece um nicho só para si.
Depois de uns instantes de silêncio e paz, saí para a rua, para o calor, a agitação, a velocidade que nos escraviza tanto como o pecado. Deixei Macedinho adormecido, tal qual o encontrei, apenas beneficiei, por instantes, da sua intimidade.

07 julho 2008

Passeio pedestre a Carvalho de Egas

05-07-2008 - Hoje foi dia de Descoberta. O ar fresco do fim de tarde estava convidativo ao passeio. Pensei num percurso fácil, adaptado à família, pois ia ter a companhia dos meus dois filhos.
Já não é a primeira vez que fazemos passeios pela natureza. Os Passeios Pedestres que fizemos no Planalto Mirandês e as descidas ao Rio no Sabor, em Mogadouro, ainda estão bem frescos na nossa memória. Infelizmente, em Vila Flor, apenas tivemos conhecimento de um evento destes, mas durante a semana, em período lectivo!

Sempre que temos saído, optamos normalmente por uma subida ao Facho; é aliciante, mas decidi propor algo alternativo. O destino seria Carvalho de Egas. Seguiríamos sempre por caminhos, tentando percorrer a antiga estrada real. Como passatempo, apresentei um desafio de conquista de pontos para quem encontrasse ou visse alguns seres vivos ou coisas (eu já conhecia o caminho): Havia pontos para quem encontrasse rochas em forma de ovo, campos de futebol, alminhas, para quem visse coelhos, raposas, etc. Assim obriguei-os a estarem atentos e ocupados. A mim chegava-me a máquina fotográfica, os comentários aos diferentes lugares por onde íamos passando e o alerta para determinada planta, rocha, vista ou ave.
Em poucos dias, a paisagem está completamente diferente. Os tons de palha cobrem grande parte do horizonte, mas o nosso percurso levou-nos a percorrer grandes manchas de verde, com videiras, sobreiros, oliveiras, castanheiros, etc.

Saímos pela estrada N215 em direcção ao Barracão. Pouco antes de chegarmos às bombas da gasolina, cortámos por um caminho à esquerda. Esse caminho conduz a Samões. Eram seis da tarde. A luz estava quente e o céu azul. Aqui e além encontrámos pequenos tufos de flores que fui mostrando. Até um ramalhete de ervilhas-de-cheiro deu mais interesse ao passeio!
Não chegámos a ir a Samões. Perto dos depósitos de água, seguimos em direcção ao campo de futebol de Samões. Fizemos depois um percurso um pouco acidentado, com curvas e algumas rochas no caminho. É muito agradável para fazer de bicicleta, mas a pé também vale a pena. Aqui há hortas verdejantes das gentes de Samões. As batateiras já têm as rama seca, esperam ser arrancadas, e os feijoeiros trepam pelos paus que lhe servem de suporte. O feijão-pequeno está um palmo acima da terra. Será um bom manjar para algumas perdizes, daqui a algum tempo.

Compuseram recentemente o caminho. Até colocaram cimento nalguns locais mais complicados! Se por um lado é bom que os acessos estejam compostos, eu sei que isso também vai possibilitar que as pessoas vão despejar lixo mais no coração do monte, verifico isso em qualquer caminho.
Foi um bom passeio ornitológico! Não sei se pela hora, se pelo facto de seguirmos a pé, tranquilamente, encontrámos uma grande quantidade de aves interessantes: poupa (Upupa epops), pombo-torcaz (Columba palumbus), picapau-verde (Picus viridis), tentelhão (Fringilla coelebs), pintassilgos (Carduelis carduelis), abelharuco (Merops apiaste), pintarroxo (Acanthis cannabina), picanço-real (Lanius excubitor), etc.

Aproveitei a oportunidade para mostrar certas brincadeiras que fazíamos em crianças, com elementos da natureza. Folhas, flores, frutos, caules, quase tudo servia para brincar. Um assobio que fiz ao meu filho mais novo, não se calou durante todo o percurso!
Quase sem querermos, chegámos a Carvalho de Egas. Já estávamos a caminhar há hora e meia!
Neste pequeno povoado não podemos procurar casas brasonadas ou grandes monumentos históricos. Até a igreja é muito pequena, embora bonita (e com o som do relógio mais melodioso de todos os relógios do concelho, já o tinha dito). Sobre a porta principal, virada a poente, pode ler-se “FESCE ESTA OBRA NO ANNO DE 1772 SENDO VIGARIO LVIS ESTEVES. Há uma porta lateral em arco, estando sobre ela marcada a data, 03-09-1992, possivelmente 220 anos depois da construção. Na fachada principal está gravado, na própria porta, o ano 1888.
Percorremos as principais ruas da aldeia: Rua da Atafona, Rua da Igreja, Rua da Estrada, Rua da Escola, Rua do Centro, saindo pela Rua da Capela. Ainda pretendíamos subir até ao Santuário de Santa Cecília, mas dos quintais, já nos chegava o cheiro a sardinha assada, lembrando a hora da ceia.

Subimos a Rua da Estalagem Nova (de onde vem este nome?!) mas não chegámos a ir ao santuário. Cortámos à esquerda em direcção ao marco geodésico do Concieiro, no lugar de Pedromacho.
Passámos pelo campo de futebol de onze, de Carvalho de Egas, mais parece um giestal! Passámos também pelas dois nichos de alminhas, da antiga estrada real. Alguém colocou numa delas, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima! Ao chegarmos ao marco geodésico, virámos à direita por um caminho que desce até Seixo de Manhoses. Esse pareceu-me o caminho mais rápido, mas talvez me tenha enganado. Descemos até encontrarmos a estrada entre a Barragem do Peneireiro e Seixo de Manhoses. O sol já deixava grandes mantas de sombra no Vale da Vilariça. Era quase noite! O passeio tinha corrido tão bem, tinha sido tão agradável, que telefonei para casa para que nos fossem buscar junto ao Parque de Campismo! Já tínhamos percorrido 11 quilómetros, não valia a pena exagerar e estragar o que tinha sido tão bom.

Fica a vontade de repetir passeios destes. Se isso acontecer, não faltará a máquina fotográfica para registar as belezas do percurso e partilhar com quem queira "acompanhar-nos".

03 julho 2008

Freguesia Mistério 17

Está na hora de desvendar a Freguesia Mistério n.º16. A votação terminou no fim do mês de Junho tendo participado, 32 pessoas. O indicador da freguesia é uma fonte. Não encontrei nenhuma referência a esta fonte, por isso, fiquei surpreendido quando por ali passei e a vi. Não é nenhuma fonte romana, mas deve ter uma idade próxima de algumas que assim são apelidadas.
Esta fonte está situada junto da estrada N1156, à saída de Vilas Boas, em direcção a Meireles, pouco depois da escola do 1.ºciclo. É uma fonte arcada, em granito, com a entrada parcialmente também em granito. A metade direita da entrada vedada com uma porta de chapa pintada de verde. Nunca vi o interior. Está num nível inferior à estrada e quase passa desapercebida a quem passa de carro.
Há muitos visitantes desta página, com origem de Vilas Boas. Essa é a razão porque 25% dos votos estavam correctos. a distribuição dos votos foi a seguinte:
Assares (4) 13%
Lodões (1)3%
Mourão (1)3%
Nabo (5)16%
Samões (2)6%
Sampaio (2)6%
Santa Comba de Vilariça (1) 3%
Seixos de Manhoses (2)6%
Vale Frechoso (1) 3%
Vila Flor (4) 13%
Vilarinho das Azenhas (1) 3%
Vilas Boas (8) 25%

O desafio número 17, desta série Freguesia Mistério, está representada por umas alminhas. Há muitas pelo concelho, mas todas são diferentes! Em que freguesia podemos encontrar estas alminhas? Mais uma pista: também estão junto a uma estrada nacional.

Participe votando.

Na margem direita do Blog

30 junho 2008

As cores e as flores do Verão

Vão-se as cores da Primavera, mas, uma Vila que é Flor, não perde a sua cor, o seu perfume. Um pouco por toda a vila a alfazema espalha o seu colorido e o seu perfume que embriaga as abelhas.
Jardim do Largo de Santa Luzia, Vila Flor.

26 junho 2008

Candoso

Tonalidades muito pouco usuais, mas sempre bonitas, em Candoso.

23 junho 2008

II Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais - Freixiel


Cheguei a Freixiel por volta das três da tarde. O dia estava anormalmente quente (para aquilo que estamos habituados). No largo da feira já ardiam os assadores, estava montada a tasquinha e a cascata feita de buxo, com o S. João em lugar de destaque. Um grupo de homens mais afoitos, jogava à malha, mas, muitos abrigavam-se das chispas do sol debaixo do tecto das barracas, onde estavam expostos os produtos: esculturas em madeira representando santos, presépios ou máscaras e também pintura, tudo de um artista local; fumeiro, vinho, azeitonas, azeite e vários tipos de biscoitos; seguia-se uma secção com bordados, ponto cruz, arraiolos, etc. Esta representava a maior parte dos produtos expostos, mas não é de admirar, o grupo de bordados esteve na base da realização desta segunda edição da Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais de Freixiel. Estive presente na primeira edição da feira e também tive o prazer de visitar a exposição que esteve patente na galeria de exposições do Centro Cultural de Vila Flor, entre Maio e Junho de 2007.

Desta vez, a minha atenção centrou-se em pequenas bonecas. Com roupas feitas em croché, pareciam autênticas princesas! A habilidade com que as roupas foram feitas e a combinação de cores utilizadas, deram um bom tema para eu fotografar.
Pouco depois começaram os jogos tradicionais. O saltar à corda foi uma alegria. Os mais novos aderiram com energia mas com pouco jeito. Foram necessárias algumas demonstrações dos mais velhos, para estes aprimorarem a técnica. Pouco depois, dava gosto vê-los a saltar em grupo, todos em sintonia.!
A brincadeira continuou com as crianças a mergulharem a cara numa bacia com água, para depois procurarem um rebocado, com a boca, noutra bacia com farinha. Houve até quem experimentasse o mesmo jogo com vinho!

A corrida de sacos também esteve presente, mas as temperaturas não permitiam muito esforço.
Aproveitei um momento de acalmia para dar um passeio por algumas ruas da aldeia. O evento decorria no Largo da Ponte Nova, mas, ali ao lado, o Pelourinho merecia bem alguns minutos de atenção. Além do céu azul com nuvens brancas, janelas e varandas com petúnias de cores vivas, completavam o quadro. Só os fios eléctricos destoavam. Demorei-me no Largo do Pelourinho, procurando o melhor ângulo. Indiferente ao movimento e à música, um grupo de idosos ocupava o seu lugar de sempre, à sombra, em volta de eterna mesa de pedra. Soube por eles que esta era a “equipa suplente”, porque a “equipa principal” jogava no café.
Segui para o Largo das Fontes e continuei pela Rua Eng. António Trigo de Morais. O calor não permitia parar durante muito tempo. Andei ainda pela Rua Grande, Rua do Canto e Rua do Concelho. Entrei no Café Trasmontano para me refrescar um pouco. É quase um museu! Demorei-me imenso a admirar todos os artefactos dependurados nas paredes ou a elas encostados. Foi como uma viagem ao passado: rocas, arados, grades, crivos, peneiras, meleias, albardas, jarros, bilhas, regadores, cabaças, etc. Vale bem a pena fazer-lhe uma visita, quer pela rusticidade do local, quer pela quantidade e variedades de artigos expostos.

Voltei ao recinto da feira. Aos poucos começou a juntar-se mais gente. O momento mais importante estava quase a acontecer. O Rancho Folclórico de Freixiel aglutina as pessoas e toda a aldeia se juntou para os ver actuar. Cada vez maior, com (muito) jovens e com idosos, (a idade pouco conta) todos dançam e cantam com uma alegria sem igual.
Caiador que cheira a cal
Carpinteiro a madeira
Cada qual no seu ofício
Eu também sou lavadeira

Eu também sou lavadeira
Lavo no Rio Jordão
Lavo saias e entremeios
Também lado o coração.

Estas é que são as saias
Estas saias é que são
São dançadas e bailadas
Da raiz do coração.

A acompanhar estas quadras encadeiam-se as mãos, gira a roda e troca o par. Sempre a mesma alegria, sempre com toda a cara num completo sorriso. As gargantas não se cansavam:

Ó Matilde sacode a saia
Ai ó José alevanta o braço
Deita o joelho em terra ai rico amor
Põe-te a pé dá-me um abraço.

O tempo passou, estando cada vez já mais fresco, sem se dar por isso. Eram 19 e trinta quando o rancho deu por terminada a sua actuação. O sr. Presidenta da Junta de Freguesia pegou no microfone para valorizar o empenho e trabalho realizados em torno do evento, congratulando-se com a festa/feira. Convidou todos os presentes para um lanche, que se seguiu.
Enquanto se prepararam as mesas, alguns foram ensaiando alguns passos de dança, a frescura do final de tarde já convidava a uma noite de folia.
Foi grande o grupo que se juntou para confraternizar. Os assadores não pararam durante toda a tarde! Frango de churrasco e fêveras, acompanhadas com bom vinho, permitiram mais um momento de são convívio.
Eram quase nove da noite quando saí de Freixiel. A aparelhagem sonora que animou o dia, debitava as músicas que fazem saltar o pé em qualquer arraial. A festa continuou.

22 junho 2008

II Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais - Freixiel


A II Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais em Freixiel foi um sucesso. A animação foi muita: cor, jogos, música, comida, bebida e dança, tudo contribuiu para alegrar a feira que mostrava um pouco do que se faz nesta terra. Enquanto preparo uma descrição mais detalhada da tarde que passei em Freixiel, deixo já um mosaico com algumas fotografias dos produtos expostos.

20 junho 2008

II Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais - Freixiel


Vai ter lugar no dia 22 de Junho, a II Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais, em Freixiel. Depois do sucesso da 1ª edição, a 18 de Março de 2007, um grupo de pessoas arregaçou as mangas e lutam por manter a aldeia viva, revivendo as tradições e divulgando os seus produtos.

O evento vai ter lugar no Largo da Ponte Nova e tem organização do Grupo de Bordados. O Programa é o seguinte:
10:00 - Abertura oficial da feira
14:00 - Tarde recreativa: Jogos e brincadeiras tradicionais, encontro de gerações.
18:30 - Actuação do Rancho Folclórico de Freixiel
20:00 - Encerramento da feira.

Nota: As fotografias são da Feira de 2007.

19 junho 2008

De volta a Meireles


(17-06-2008) Por fim o calor chegou! Cansado dos dias cinzentos, peguei na bicicleta e parti À Descoberta de mais um pedaço do concelho. A escolha recaiu em Meireles. A única visita que fiz a Meireles, a 18 de Abril de 2007 não correu muito bem, terminando a viagem com uma roda que mais parecia um crivo. As fotografias até não ficaram más!
Para simplificar, decidi seguir pela estrada (N213) até à aldeia e depois procurar um caminho alternativo de volta a casa.

Na ida, perto da Quinta da Veiguinha, demorei-me um pouco a fotografar uma giesta que cresce na berma das estradas. Elegi a giesta como Flor do Mês de Maio, mas há uma espécie que só se encontra aqui, mesmo na beira da estrada. É um pequeno arbusto, atingindo menos de um metro de altura, muito esguia, com flores grandes e amarelas, semelhantes às da giesta-negral.
Chegado a Meireles, já me apetecia beber alguma água no café à beira da estrada. Há muitos anos atrás que aqui existe e era ponto de paragem quase obrigatória, para os que se deslocavam de Vila Flor ao Cachão, para viajarem no comboio.
A aldeia, apesar de pequena, está espalhada em várias direcções, desde o Bairro da Cruzinha, ao Bairro da Eira, à Rua do Cimo do Povo. Quando se deixa a estrada nacional e se desce em direcção ao centro, encontramos à direita um importante lagar de azeite, nesta altura encerrado. Um pouco mais abaixo está um nicho com nossa senhora e o menino. Está ladeado por dois bancos, mas com o calor que fazia, as pessoas procuraram lugares mais frescos para descansarem.

Talvez devido ao calor, encontrei mais pessoas na aldeia do que habitualmente! Havia vários grupos, em alegre conversa, algumas mulheres a fazerem na renda ou tapetes de Arraiolos. Meti conversa com eles, não se mostraram surpreendidos com o meu interesse pela aldeia. - A Internet tem tudo, dizia um, o meu filho já me mostrou as minhas oliveiras.
As ruas da aldeia, são estreitas e inclinadas. Nalguns pontos o espaço alarga-se criando pequenos largos: Há um junto ao cemitério, em volta do cruzeiro, outro junto à fonte, e um terceiro em redor da igreja.

A igreja é uma construção muito sóbria, quase uma capela. Apenas o pequeno campanário a destaca, até porque está num dos pontos mais baixos da aldeia. O interior também é modesto, mas está muito cuidado e recheado de imagens. A padroeira, Santa Marinha está colocada à esquerda do sacrário! Da talha dourada de outrora, pouco resta. Não sei se o sacrário foi recuperado, mas há um antigo altar na sacristia.
Depois da visita à igreja, continuei o passeio pelo verdadeiro templo, a natureza. . Em Meireles há até uma curiosidade que dá mais significado a esta ideia. Há uma rocha a que chamam a Fraga do Altar, com a forma de um altar. Encontra-se num ponto elevado, virada para o vale, com uma bela visão do mesmo.

Se a visão do vale que se prolonga até ao Cachão e sobe pelo Tua acima é digna de ser admirada, o mesmo se passa com os campos em volta. As hortas fervilham de verde. O caminho estava cheio de poças de água, sumida dos regos das batateiras pelas galerias abertas pelas toupeiras. Dos lameiros vem o cheiro a fenos. Das silvas, agora em flor, saem melancólicas sinfonias de rouxinóis e felosas.
Quando cheguei à Ribeira de Meireles demorei-me no colorido das suas margens, guardadas por pequenas flores de todas as formas e cores: o roxo dos cardos e das arçâs, o branco das camomilas, o rosa (aqui mais carregado!) das malvas, o amarelo dos pimpilros, tudo condimentado com o azul do céu e o alegre saltitar da água de rocha em rocha.
O meu desafio era grande: subir a encosta de encontro à estrada N214 perto de Vale Frechoso. Não conheço nenhum caminho com esse traçado. Tinha prometido a mim mesmo não voltar a embrenhar-me por essas paragens completamente selvagens.
Vislumbrei ao longe uma rodeira recente que subia encosta acima, com as estevas todas esmagadas! Estava com sorte. Um raide todo o terreno tinha por ali passado recentemente. Quando me encontrava a meio da subida, encharcado de suor, mas eufórico com a progressão, tocou o telemóvel. As perspectivas eram más, chamavam-me com urgência.

Tinha duas hipóteses: continuava a subida até passar os 600 metros de altitude, ou voltava para trás pelo caminho já percorrido. Optei pela segunda hipótese, com muita pena, mas era a mais segura.
Telefonei para que me fossem buscar a Meireles, onde procurei chegar o mais rapidamente possível.
Mais uma vez terminei o passeio a Meireles voltando para casa de carro! Valeu a pena. Ficou-me esta história, algumas centenas de fotografias e a vontade de lá voltar, provando a mim mesmo que a vontade é superior à superstição.

Quilómetros percorridos em BTT: 14
Total de quilómetros de bicicleta: 1834

18 junho 2008

Outras giestas de Vila Flor


No seguimento da Flor do Mês de Maio, deixo hoje um painel com um conjunto de fotografias de outras espécies de giestas que é possível encontrar no concelho. Algumas delas são bem curiosas e merecerão a minha atenção novamente, no futuro.
Este painel foi pensado para ser usado como Papel de Parede (wallpaper) e tem maiores dimensões do que as fotografias que normalmente coloco no Blog.