05-07-2008 - Hoje foi dia de
Descoberta. O ar fresco do fim de tarde estava convidativo ao passeio. Pensei num percurso fácil, adaptado à família, pois ia ter a companhia dos meus dois filhos.
Já não é a primeira vez que fazemos passeios pela natureza. Os
Passeios Pedestres que fizemos no Planalto Mirandês e as
descidas ao Rio no Sabor, em
Mogadouro, ainda estão bem frescos na nossa memória. Infelizmente, em
Vila Flor, apenas tivemos conhecimento de um evento destes, mas durante a semana, em período lectivo!

Sempre que temos saído, optamos normalmente por uma subida ao Facho; é aliciante, mas decidi propor algo alternativo. O destino seria
Carvalho de Egas. Seguiríamos sempre por caminhos, tentando percorrer a antiga estrada real. Como passatempo, apresentei um desafio de conquista de pontos para quem encontrasse ou visse alguns seres vivos ou coisas (eu já conhecia o caminho): Havia pontos para quem encontrasse
rochas em forma de ovo, campos de futebol, alminhas, para quem visse coelhos, raposas, etc. Assim obriguei-os a estarem atentos e ocupados. A mim chegava-me a máquina fotográfica, os comentários aos diferentes lugares por onde íamos passando e o alerta para determinada planta, rocha, vista ou ave.
Em poucos dias, a paisagem está completamente diferente. Os tons de palha cobrem grande parte do horizonte, mas o nosso percurso levou-nos a percorrer grandes manchas de verde, com videiras, sobreiros, oliveiras, castanheiros, etc.

Saímos pela estrada N215 em direcção ao
Barracão. Pouco antes de chegarmos às bombas da gasolina, cortámos por um caminho à esquerda. Esse caminho conduz a
Samões. Eram seis da tarde. A luz estava quente e o céu azul. Aqui e além encontrámos pequenos tufos de flores que fui mostrando. Até um ramalhete de
ervilhas-de-cheiro deu mais interesse ao passeio!
Não chegámos a ir a
Samões. Perto dos depósitos de água, seguimos em direcção ao campo de futebol de
Samões. Fizemos depois um percurso um pouco acidentado, com curvas e algumas rochas no caminho. É muito agradável para fazer de bicicleta, mas a pé também vale a pena. Aqui há hortas verdejantes das gentes de
Samões. As batateiras já têm as rama seca, esperam ser arrancadas, e os feijoeiros trepam pelos paus que lhe servem de suporte. O feijão-pequeno está um palmo acima da terra. Será um bom manjar para algumas perdizes, daqui a algum tempo.

Compuseram recentemente o caminho. Até colocaram cimento nalguns locais mais complicados! Se por um lado é bom que os acessos estejam compostos, eu sei que isso também vai possibilitar que as pessoas vão despejar lixo mais no coração do monte, verifico isso em qualquer caminho.
Foi um bom passeio ornitológico! Não sei se pela hora, se pelo facto de seguirmos a pé, tranquilamente, encontrámos uma grande quantidade de aves interessantes: poupa (Upupa epops), pombo-torcaz (Columba palumbus), picapau-verde (Picus viridis), tentelhão (Fringilla coelebs), pintassilgos (Carduelis carduelis), abelharuco (Merops apiaste), pintarroxo (Acanthis cannabina), picanço-real (Lanius excubitor), etc.

Aproveitei a oportunidade para mostrar certas brincadeiras que fazíamos em crianças, com elementos da natureza. Folhas, flores, frutos, caules, quase tudo servia para brincar. Um
assobio que fiz ao meu filho mais novo, não se calou durante todo o percurso!
Quase sem querermos, chegámos a
Carvalho de Egas. Já estávamos a caminhar há hora e meia!
Neste pequeno povoado
não podemos procurar casas brasonadas ou grandes monumentos históricos. Até a
igreja é muito pequena, embora bonita (e com o som do relógio mais melodioso de todos os relógios do concelho, já o tinha dito). Sobre a porta principal, virada a poente, pode ler-se “FESCE ESTA OBRA NO ANNO DE 1772 SENDO VIGARIO LVIS ESTEVES. Há uma porta lateral em arco, estando sobre ela marcada a data, 03-09-1992, possivelmente 220 anos depois da construção. Na fachada principal está gravado, na própria porta, o ano 1888.
Percorremos as principais ruas da aldeia:
Rua da Atafona,
Rua da Igreja,
Rua da Estrada,
Rua da Escola,
Rua do Centro, saindo pela
Rua da Capela. Ainda pretendíamos subir até ao
Santuário de Santa Cecília, mas dos quintais, já nos chegava o cheiro a sardinha assada, lembrando a hora da ceia.

Subimos a
Rua da Estalagem Nova (de onde vem este nome?!) mas não chegámos a ir ao santuário. Cortámos à esquerda em direcção ao marco geodésico do
Concieiro, no lugar de
Pedromacho.
Passámos pelo campo de futebol de onze, de
Carvalho de Egas, mais parece um giestal! Passámos também pelas dois
nichos de alminhas, da antiga estrada real. Alguém colocou numa delas, uma imagem de
Nossa Senhora de Fátima! Ao chegarmos ao marco geodésico, virámos à direita por um caminho que desce até
Seixo de Manhoses. Esse pareceu-me o caminho mais rápido, mas talvez me tenha enganado. Descemos até encontrarmos a estrada entre a
Barragem do Peneireiro e
Seixo de Manhoses. O sol já deixava grandes mantas de sombra no
Vale da Vilariça. Era quase noite! O passeio tinha corrido tão bem, tinha sido tão agradável, que telefonei para casa para que nos fossem buscar junto ao
Parque de Campismo! Já tínhamos percorrido 11 quilómetros, não valia a pena exagerar e estragar o que tinha sido tão bom.

Fica a vontade de repetir passeios destes. Se isso acontecer, não faltará a máquina fotográfica para registar as belezas do percurso e partilhar com quem queira "acompanhar-nos".