13 julho 2008

Pela Ribeira da Cabreira, em Freixiel


12-07-2008 Tinha o dia de hoje reservado para acompanhar um grupo de pessoas que ia percorrer a Linha do Tua. A comunicação falhou, de forma que só me restou definir o meu próprio percurso. A primeira ideia, seria eu fazer a pé, a parte da Linha do Tua que percorre o concelho de Vila Flor. No fundo era isso que eu tinha pensado fazer, para acompanhar o grupo de caminheiros que iria percorrer toda a linha, em vários dias.
O concelho de Vila Flor começa a poucos metros do complexo do Cachão, onde o acesso é fácil. A estrada Cachão-Vilarinho das Azenhas acompanha a linha. O limite entre Vila Flor e Carrazeda de Ansiães não é tão acessível. A marcação entre as freguesias de Pereiros e Freixiel, percorre uma zona agreste, entroncando no Rio Tua, algures entre as estações de Abreiro e Codeçais. O ponto de referência é a Ribeira da Cabreira, embora os limites das freguesias não a acompanhem. Com chegar a este local? Tive uma ideia! Porque não ir até Freixiel e descer ao longo da Ribeira da Cabreira? É fácil imaginar, difícil de acreditar, mas não estamos a falar de descoberta e aventura?

Por volta das 11:30 horas estava na Rua da Estrada dos Folgares, em Freixiel. Já há muito que tinha germinado a ideia de acompanhar a Ribeira da Cabreira até à foz, no Rio Tua. Ainda era muito jovem quando a percorri, Cabreira abaixo, até Freixiel, tinha agora oportunidade de terminar a tarefa.
O percurso estava traçado: desceria até ao Rio Tua/Linha do Tua, tentando acompanhar de perto a Ribeira da Cabreira; percorreria a Linha do Tua, até ao Cachão, passando por Abreiro, Ribeirinha e Vilarinho das Azenhas; voltaria a Vila Flor, de carro. Este itinerário deixava-me pouco mais de 20 quilómetros para percorrer a pé.
Deixei a aldeia, em direcção à ribeira. Acompanhei-a durante pouco tempo. Desviei-me depois, por entre vinhas e oliveiras, em direcção às sepulturas escavadas nas rochas, no Salgueiral. Neste local já estive.
O dia prometia. O céu estava azul, povoado de nuvens brancas. A temperatura era alta, mas fazia-se sentir um ventinho ligeiro, amenizando a caminhada. Ia ser uma tarde farta de "disparos".

Em tempos idos, toda esta zona dos terrenos onde me deslocava, esteve alagada. As águas da Cabreira e do Pelão juntavam-se no local onde está hoje Freixiel. Não deve ter sido fácil rasgar no etéreo granito uma saída, serpenteando entre altas montanhas, até ao Rio Tua. Quase pude adivinhar o local, quando percorri as rochas que dividem dois mundos: o vale fértil onde se situa hoje Freixiel e o percurso agreste que se seguiu, com enormes blocos de granito sob os quais a ribeira desaparece, para surgir mais abaixo, sempre agitada, fugidia e transparente. A partir deste ponto, a paisagem parou no tempo. Adivinham-se os caminhos sufocados pelo mato; vêem-se, de onde em onde, oliveiras selvagens, sobreviventes; a única mostra da mão humana, são os sobreiros, sem cortiça. Os sobreiros são os únicos que sobrevivem, à medida que os homens abandonam as terras, limitando-se aos terrenos mais férteis, em voltas das aldeias.
A certa altura o caminho terminou, eu sabia que isso ia acontecer. Fui progredindo no terreno alternando de margem, tentando aquela que me parecia mais favorável. Era impossível seguir pelo leito da ribeira.
Ainda muito próximo de Freixiel encontrei as ruínas de alguns moinhos, penso que se chamam os Moinhos da Peiada. Arranhei-me todo nas silvas, mas não consegui seguir em frente sem lhes fazer uma visita completa. Há dois moinhos, cada um com rodízios, mas construídos em cascata, ou seja, a água, depois de fazer funcionar o primeiro moinho, era aproveitada pelo segundo, ideia também utilizada nalgumas barragens hidroeléctricas.
Continuei ribeira abaixo. A certa altura pareceu-me ver um cintilar azul metálico, sobre uma rocha! Era mesmo verdade, um guarda-rios (Alcedo atthis) exibia-se! Fiquei atrapalhado! Queria trocar a objectiva, mas tinha medo que a ave se fosse embora, são muito rápidos. Nem tentei aproximar-me mais, tentei a fotografia mesmo assim.

Mais abaixo encontrei a estrutura de uma antiga ponte, já destruída. Não tem acessos, deve ter sido abandonada há muito tempo. Faria esta ponte parte de uma rede de estradas, com ligação à antiga ponde de Abreiro? Em Pereiros há uma ponte romana, na Ribeira das Lages, que aqui se junta à Ribeira da Cabreira. O pilar, no leito da ribeira, tem as juntas rusticamente tapadas com cimento. Qual será a antiguidade desta ponte? É uma boa questão a investigar.
Pouco depois encontrei um pontão, recente, permitindo aos veículos atravessarem facilmente a ribeira. Este caminho vem de muito perto da ponte romana, Ponte das Olgas, de que falei. Segue directamente até ao rio, e eu aproveitei para seguir por ele. Os limites da freguesia de Pereiros ultrapassam o leito da ribeira, subindo ao cume da Serra Tinta, seguindo por ele até ao rio. Estava, portanto, em território do concelho de Carrazeda de Ansiães.
O caminho é bom, compreende-se, segue por entre valados de vinhas jovens, modernamente plantadas! Estou em querer que este caminho deve ser muito antigo. Pereiros não consta das estações da Linha do Tua, desde o seu início, então de que são aquelas ruínas que estão junto à linha, perto da foz da Ribeira da Cabreira? Estas ruínas intrigaram-me da primeira vez que por ali passei, a caminhar. Agora ainda fico mais intrigado por saber que há um caminho, bastante bom até, que liga este "fim-de-mundo" à aldeia de Pereiros.
Cheguei ao Rio Tua às duas horas da tarde. Fiz questão de descer ao rio e ir ao exacto local onde as águas da ribeira se diluem, no ainda grande caudal. Espreitei a ponte do comboio que salta a ribeira e preparei-me para a segunda etapa, agora já em terreno meu conhecido.

A aventura continua, pela Linha do Tua, talvez amanhã...

12 julho 2008

Linha do Tua - Debate Público


Dia 25 de Julho de 2008, no Porto.
Cartaz em formato PDF aqui.
Mais informações no sítio do Movimento Cívico pela Linha do Tua.



Rio Tua, Ribeirinha, Maio de 2008.

11 julho 2008

VI TerraFlor | feira de produtos e sabores

17 a 20 de Julho 2008 em Vila Flor
Preocupado com o meu desconhecimento do programa da VI TerraFlor, alguém teve a amabilidade de me enviar o conjunto completo dos cartazes, salvo os que ainda vão sair no decorrer da feira. Creio que foi o próprio D. Dinis! Como gosto de partilhar, estão disponíveis na margem direita do Blog. Basta clicar neles e abri-los, para que fiquem legíveis.

Homenagem


Oiro em Oiro

Era o sol e era um giestal em flor.
Havia luz a rodos na campina,
Uma orgia fantástica de cor
Que me tomou de pânico a retina.

Do sol doirado, os raios, em 'splendor,
Bombardeavam com poalha fina
As giestas amarelas, e um furor
Se espalhava nos ar's, de luz citrina!

Era oiro no oiro, luz na luz,
Uma batalha insana de rivais:
Giestas - o alvo; o sol - o arcabuz;

Desintegra-se a tinta dos giestais
E a cor entra em meus olhos, sai, reluz,
Enche estes versos e não finda mais!

Soneto de Cabral Adão, publicado no jornal "Notícias de Mirandela".

10 julho 2008

Flor do Mês - Junho 08

O mês de Junho já terminou há alguns dias e eu ainda não elegi a Flor do Mês de Junho. Poderia colocar à votação, sempre me chegava algum feedback, mas quem é que tem tempo para andar por aí a olhar para as flores, ainda mais silvestres?

De alguns exemplares mais apelativos e mais próximos dos perímetros urbanos, fui dando conta aqui, no Blog. Não há nenhum que se destaque, como no mês anterior, as giestas.
Sei que as papoilas e os pampilhos vão ficar com ciúmes, mas, a minha escolha, recai sobre uma pequena planta, típica de zonas rochosas, que a maioria das vezes cresce nas frestas dos rochedos graníticos e xistosos. É o que se chama uma planta rupícola. Estou a falar do cravinho ou cravinas-bravas (Dianthus lusitanus). É frequente em todo o interior do país mas também em Espanha e Marrocos.
A planta é vivaz. As flores solitárias, hermafroditas, com cálice tubuloso e corola cravinosa, com 5 pétalas dentadas, rosadas, 10 estames, 2 estiletes. Os caules são finos e lenhosos.
Não é fácil fotografar os pequenos cravos, em pormenor. Primeiro, porque são pequenos, segundo porque são de uma cor tão delicada, que as câmaras têm dificuldade em registar.
Não é necessário grande esforço para encontrar esta flor. Na berma das estradas, desde que haja escarpas rochosas, ela espreita, singela, delicada e perfumada. A floração vai de Junho a Setembro, por isso ainda há muito tempo para as admirar.

09 julho 2008

Capela de Santa Maria Madalena - Macedinho


Há muito tempo que não escrevo sobre Macedinho! Por não escrever, não quer dizer que dele me tenha esquecido, apesar de me parecer que a ligação entre Macedinho e Vila Flor ser muito difusa, quer devido à dimensão, quer ao afastamento. Onde é que as crianças de Macedinho frequentam a escola? Fica a pergunta.
A última vez que estive em Macedinho foi a 20 de Maio de 2008. Colhida pelo calor da tarde, a aldeia parecia encostar-se ao ribeiro, procurando a frescura das suas margens. A exuberância da Primavera começava, nas pequenas flores, prolongava-se por carrascos e sobreiros subindo depois aos céus, em nuvens brancas, como cordeiros de alva lã saltando e brincando em perseguições de puro gozo.
Reinava uma paz infindável, no centro da aldeia. O sol reflectia-se nas paredes da capela recentemente restaurada, fazendo-me semicerrar os olhos. O calor era demasiado, mesmo para Primavera.

Procurei refúgio do sol escaldante, no interior da capela barroca. Respirava-se um ambiente agradável. Nem colunas de granito, nem abóbadas gigantes; tudo simples tudo pequeno… mas sentia-se o mesmo silêncio, a frescura das grandes catedrais.
Estava tudo impecável. Até os arranjos com flores naturais pareciam prolongamentos das vestes das imagens. Por detrás do sacrário destaca-se, na parece branca, um altar em talha dourada, encimado por uma conjunto com motivos vegetalistas, duas aves estilizadas e dois anjos, segurando um coração, também dourado. A riqueza do conjunto destoa da simplicidade do resto da capela, sugerindo, uma grande antiguidade ou uma outra origem, que não esta capela. Trata-se possivelmente de talha do séc. XVIII.
Nesta capela adora-se Santa Maria Madalena, figura com tanta importância, que tem despertado o interesse de pintores, escritores e romancistas. Esteve presente na crucificação de Cristo, sendo apontada pela literatura mais recente como uma tentação de Cristo, apóstola ou Sua esposa.

As imagens que mais se destacam, é o Sagrado Coração de Jesus e uma Nossa Senhora, segurando o Menino. Esta última parece ser bastante antiga.
Também, São Gabriel, com a sua implacável espada, merece um nicho só para si.
Depois de uns instantes de silêncio e paz, saí para a rua, para o calor, a agitação, a velocidade que nos escraviza tanto como o pecado. Deixei Macedinho adormecido, tal qual o encontrei, apenas beneficiei, por instantes, da sua intimidade.

07 julho 2008

Passeio pedestre a Carvalho de Egas

05-07-2008 - Hoje foi dia de Descoberta. O ar fresco do fim de tarde estava convidativo ao passeio. Pensei num percurso fácil, adaptado à família, pois ia ter a companhia dos meus dois filhos.
Já não é a primeira vez que fazemos passeios pela natureza. Os Passeios Pedestres que fizemos no Planalto Mirandês e as descidas ao Rio no Sabor, em Mogadouro, ainda estão bem frescos na nossa memória. Infelizmente, em Vila Flor, apenas tivemos conhecimento de um evento destes, mas durante a semana, em período lectivo!

Sempre que temos saído, optamos normalmente por uma subida ao Facho; é aliciante, mas decidi propor algo alternativo. O destino seria Carvalho de Egas. Seguiríamos sempre por caminhos, tentando percorrer a antiga estrada real. Como passatempo, apresentei um desafio de conquista de pontos para quem encontrasse ou visse alguns seres vivos ou coisas (eu já conhecia o caminho): Havia pontos para quem encontrasse rochas em forma de ovo, campos de futebol, alminhas, para quem visse coelhos, raposas, etc. Assim obriguei-os a estarem atentos e ocupados. A mim chegava-me a máquina fotográfica, os comentários aos diferentes lugares por onde íamos passando e o alerta para determinada planta, rocha, vista ou ave.
Em poucos dias, a paisagem está completamente diferente. Os tons de palha cobrem grande parte do horizonte, mas o nosso percurso levou-nos a percorrer grandes manchas de verde, com videiras, sobreiros, oliveiras, castanheiros, etc.

Saímos pela estrada N215 em direcção ao Barracão. Pouco antes de chegarmos às bombas da gasolina, cortámos por um caminho à esquerda. Esse caminho conduz a Samões. Eram seis da tarde. A luz estava quente e o céu azul. Aqui e além encontrámos pequenos tufos de flores que fui mostrando. Até um ramalhete de ervilhas-de-cheiro deu mais interesse ao passeio!
Não chegámos a ir a Samões. Perto dos depósitos de água, seguimos em direcção ao campo de futebol de Samões. Fizemos depois um percurso um pouco acidentado, com curvas e algumas rochas no caminho. É muito agradável para fazer de bicicleta, mas a pé também vale a pena. Aqui há hortas verdejantes das gentes de Samões. As batateiras já têm as rama seca, esperam ser arrancadas, e os feijoeiros trepam pelos paus que lhe servem de suporte. O feijão-pequeno está um palmo acima da terra. Será um bom manjar para algumas perdizes, daqui a algum tempo.

Compuseram recentemente o caminho. Até colocaram cimento nalguns locais mais complicados! Se por um lado é bom que os acessos estejam compostos, eu sei que isso também vai possibilitar que as pessoas vão despejar lixo mais no coração do monte, verifico isso em qualquer caminho.
Foi um bom passeio ornitológico! Não sei se pela hora, se pelo facto de seguirmos a pé, tranquilamente, encontrámos uma grande quantidade de aves interessantes: poupa (Upupa epops), pombo-torcaz (Columba palumbus), picapau-verde (Picus viridis), tentelhão (Fringilla coelebs), pintassilgos (Carduelis carduelis), abelharuco (Merops apiaste), pintarroxo (Acanthis cannabina), picanço-real (Lanius excubitor), etc.

Aproveitei a oportunidade para mostrar certas brincadeiras que fazíamos em crianças, com elementos da natureza. Folhas, flores, frutos, caules, quase tudo servia para brincar. Um assobio que fiz ao meu filho mais novo, não se calou durante todo o percurso!
Quase sem querermos, chegámos a Carvalho de Egas. Já estávamos a caminhar há hora e meia!
Neste pequeno povoado não podemos procurar casas brasonadas ou grandes monumentos históricos. Até a igreja é muito pequena, embora bonita (e com o som do relógio mais melodioso de todos os relógios do concelho, já o tinha dito). Sobre a porta principal, virada a poente, pode ler-se “FESCE ESTA OBRA NO ANNO DE 1772 SENDO VIGARIO LVIS ESTEVES. Há uma porta lateral em arco, estando sobre ela marcada a data, 03-09-1992, possivelmente 220 anos depois da construção. Na fachada principal está gravado, na própria porta, o ano 1888.
Percorremos as principais ruas da aldeia: Rua da Atafona, Rua da Igreja, Rua da Estrada, Rua da Escola, Rua do Centro, saindo pela Rua da Capela. Ainda pretendíamos subir até ao Santuário de Santa Cecília, mas dos quintais, já nos chegava o cheiro a sardinha assada, lembrando a hora da ceia.

Subimos a Rua da Estalagem Nova (de onde vem este nome?!) mas não chegámos a ir ao santuário. Cortámos à esquerda em direcção ao marco geodésico do Concieiro, no lugar de Pedromacho.
Passámos pelo campo de futebol de onze, de Carvalho de Egas, mais parece um giestal! Passámos também pelas dois nichos de alminhas, da antiga estrada real. Alguém colocou numa delas, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima! Ao chegarmos ao marco geodésico, virámos à direita por um caminho que desce até Seixo de Manhoses. Esse pareceu-me o caminho mais rápido, mas talvez me tenha enganado. Descemos até encontrarmos a estrada entre a Barragem do Peneireiro e Seixo de Manhoses. O sol já deixava grandes mantas de sombra no Vale da Vilariça. Era quase noite! O passeio tinha corrido tão bem, tinha sido tão agradável, que telefonei para casa para que nos fossem buscar junto ao Parque de Campismo! Já tínhamos percorrido 11 quilómetros, não valia a pena exagerar e estragar o que tinha sido tão bom.

Fica a vontade de repetir passeios destes. Se isso acontecer, não faltará a máquina fotográfica para registar as belezas do percurso e partilhar com quem queira "acompanhar-nos".

03 julho 2008

Freguesia Mistério 17

Está na hora de desvendar a Freguesia Mistério n.º16. A votação terminou no fim do mês de Junho tendo participado, 32 pessoas. O indicador da freguesia é uma fonte. Não encontrei nenhuma referência a esta fonte, por isso, fiquei surpreendido quando por ali passei e a vi. Não é nenhuma fonte romana, mas deve ter uma idade próxima de algumas que assim são apelidadas.
Esta fonte está situada junto da estrada N1156, à saída de Vilas Boas, em direcção a Meireles, pouco depois da escola do 1.ºciclo. É uma fonte arcada, em granito, com a entrada parcialmente também em granito. A metade direita da entrada vedada com uma porta de chapa pintada de verde. Nunca vi o interior. Está num nível inferior à estrada e quase passa desapercebida a quem passa de carro.
Há muitos visitantes desta página, com origem de Vilas Boas. Essa é a razão porque 25% dos votos estavam correctos. a distribuição dos votos foi a seguinte:
Assares (4) 13%
Lodões (1)3%
Mourão (1)3%
Nabo (5)16%
Samões (2)6%
Sampaio (2)6%
Santa Comba de Vilariça (1) 3%
Seixos de Manhoses (2)6%
Vale Frechoso (1) 3%
Vila Flor (4) 13%
Vilarinho das Azenhas (1) 3%
Vilas Boas (8) 25%

O desafio número 17, desta série Freguesia Mistério, está representada por umas alminhas. Há muitas pelo concelho, mas todas são diferentes! Em que freguesia podemos encontrar estas alminhas? Mais uma pista: também estão junto a uma estrada nacional.

Participe votando.

Na margem direita do Blog

30 junho 2008

As cores e as flores do Verão

Vão-se as cores da Primavera, mas, uma Vila que é Flor, não perde a sua cor, o seu perfume. Um pouco por toda a vila a alfazema espalha o seu colorido e o seu perfume que embriaga as abelhas.
Jardim do Largo de Santa Luzia, Vila Flor.

26 junho 2008

Candoso

Tonalidades muito pouco usuais, mas sempre bonitas, em Candoso.

23 junho 2008

II Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais - Freixiel


Cheguei a Freixiel por volta das três da tarde. O dia estava anormalmente quente (para aquilo que estamos habituados). No largo da feira já ardiam os assadores, estava montada a tasquinha e a cascata feita de buxo, com o S. João em lugar de destaque. Um grupo de homens mais afoitos, jogava à malha, mas, muitos abrigavam-se das chispas do sol debaixo do tecto das barracas, onde estavam expostos os produtos: esculturas em madeira representando santos, presépios ou máscaras e também pintura, tudo de um artista local; fumeiro, vinho, azeitonas, azeite e vários tipos de biscoitos; seguia-se uma secção com bordados, ponto cruz, arraiolos, etc. Esta representava a maior parte dos produtos expostos, mas não é de admirar, o grupo de bordados esteve na base da realização desta segunda edição da Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais de Freixiel. Estive presente na primeira edição da feira e também tive o prazer de visitar a exposição que esteve patente na galeria de exposições do Centro Cultural de Vila Flor, entre Maio e Junho de 2007.

Desta vez, a minha atenção centrou-se em pequenas bonecas. Com roupas feitas em croché, pareciam autênticas princesas! A habilidade com que as roupas foram feitas e a combinação de cores utilizadas, deram um bom tema para eu fotografar.
Pouco depois começaram os jogos tradicionais. O saltar à corda foi uma alegria. Os mais novos aderiram com energia mas com pouco jeito. Foram necessárias algumas demonstrações dos mais velhos, para estes aprimorarem a técnica. Pouco depois, dava gosto vê-los a saltar em grupo, todos em sintonia.!
A brincadeira continuou com as crianças a mergulharem a cara numa bacia com água, para depois procurarem um rebocado, com a boca, noutra bacia com farinha. Houve até quem experimentasse o mesmo jogo com vinho!

A corrida de sacos também esteve presente, mas as temperaturas não permitiam muito esforço.
Aproveitei um momento de acalmia para dar um passeio por algumas ruas da aldeia. O evento decorria no Largo da Ponte Nova, mas, ali ao lado, o Pelourinho merecia bem alguns minutos de atenção. Além do céu azul com nuvens brancas, janelas e varandas com petúnias de cores vivas, completavam o quadro. Só os fios eléctricos destoavam. Demorei-me no Largo do Pelourinho, procurando o melhor ângulo. Indiferente ao movimento e à música, um grupo de idosos ocupava o seu lugar de sempre, à sombra, em volta de eterna mesa de pedra. Soube por eles que esta era a “equipa suplente”, porque a “equipa principal” jogava no café.
Segui para o Largo das Fontes e continuei pela Rua Eng. António Trigo de Morais. O calor não permitia parar durante muito tempo. Andei ainda pela Rua Grande, Rua do Canto e Rua do Concelho. Entrei no Café Trasmontano para me refrescar um pouco. É quase um museu! Demorei-me imenso a admirar todos os artefactos dependurados nas paredes ou a elas encostados. Foi como uma viagem ao passado: rocas, arados, grades, crivos, peneiras, meleias, albardas, jarros, bilhas, regadores, cabaças, etc. Vale bem a pena fazer-lhe uma visita, quer pela rusticidade do local, quer pela quantidade e variedades de artigos expostos.

Voltei ao recinto da feira. Aos poucos começou a juntar-se mais gente. O momento mais importante estava quase a acontecer. O Rancho Folclórico de Freixiel aglutina as pessoas e toda a aldeia se juntou para os ver actuar. Cada vez maior, com (muito) jovens e com idosos, (a idade pouco conta) todos dançam e cantam com uma alegria sem igual.
Caiador que cheira a cal
Carpinteiro a madeira
Cada qual no seu ofício
Eu também sou lavadeira

Eu também sou lavadeira
Lavo no Rio Jordão
Lavo saias e entremeios
Também lado o coração.

Estas é que são as saias
Estas saias é que são
São dançadas e bailadas
Da raiz do coração.

A acompanhar estas quadras encadeiam-se as mãos, gira a roda e troca o par. Sempre a mesma alegria, sempre com toda a cara num completo sorriso. As gargantas não se cansavam:

Ó Matilde sacode a saia
Ai ó José alevanta o braço
Deita o joelho em terra ai rico amor
Põe-te a pé dá-me um abraço.

O tempo passou, estando cada vez já mais fresco, sem se dar por isso. Eram 19 e trinta quando o rancho deu por terminada a sua actuação. O sr. Presidenta da Junta de Freguesia pegou no microfone para valorizar o empenho e trabalho realizados em torno do evento, congratulando-se com a festa/feira. Convidou todos os presentes para um lanche, que se seguiu.
Enquanto se prepararam as mesas, alguns foram ensaiando alguns passos de dança, a frescura do final de tarde já convidava a uma noite de folia.
Foi grande o grupo que se juntou para confraternizar. Os assadores não pararam durante toda a tarde! Frango de churrasco e fêveras, acompanhadas com bom vinho, permitiram mais um momento de são convívio.
Eram quase nove da noite quando saí de Freixiel. A aparelhagem sonora que animou o dia, debitava as músicas que fazem saltar o pé em qualquer arraial. A festa continuou.

22 junho 2008

II Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais - Freixiel


A II Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais em Freixiel foi um sucesso. A animação foi muita: cor, jogos, música, comida, bebida e dança, tudo contribuiu para alegrar a feira que mostrava um pouco do que se faz nesta terra. Enquanto preparo uma descrição mais detalhada da tarde que passei em Freixiel, deixo já um mosaico com algumas fotografias dos produtos expostos.