06 agosto 2008

A Cabral Adão


Noite

A mãe-noite estendeu as suas asas
Por sobre a serra verde, a dormitar.
Alvejam nas vertentes mini-casas
Banhadas de mistério e de luar.

Grilos e ralos erguem seu cantar,
As estrelas faiscam como brasas.
Águas da serra vão a deslizar
De salto em salto, até às leiras rasas.

De mim, também se ergueu uma canção
Sem música, sem letra, sem rumor,
Um toque singular do coração

Que preencheu o espaço em meu redor,
Que as estrelas correu, de mão em mão,
E recolheu a mim, suspensa em dor!

Soneto de Cabral Adão, publicado no jornal "Notícias de Mirandela".

As melhores, no Flickr

Flickr é um sítio na Internet destinado à partilha de fotografias (agora também de vídeos), criando comunidades de interesses e gostos, e permitindo que as fotografias possam ser apreciadas e criticadas pelos restantes membros da comunidade.
O que é que isso tem a ver com Vila Flor? Fui colocando nesse sítio, algumas fotografias que utilizei no blog, chegando, desta forma, a um grupo mais alargado e mais "especializado" em fotografia.

As quase 200 fotografias que coloquei, nem todas sobre Vila Flor, já foi visto por mais de 19 mil pessoas, tendo algumas fotografias mais de 60 comentários.
Resolvi juntar num quadro, tipo Papel de Parede (Wallpaper), as seis fotografias que mais se distinguiram no Flickr.
Também criei o Grupo Vila Flor, que junta já 11 Membros e 184 fotografias.
Voltando ao painel, e para os mais distraidos, vou dizer onde foram tiradas as fotografias começando pelo canto superior esquerdo: alto do Monte do Facho; Candoso; estrada de Macedo, com vista para o Cabeço e o Faro. Em baixo: Fraga do ovo, Candoso; vista da Vilariça do santuário de N. S. da Lapa; jardim do santuário N. S. da Lapa.
As paisagens de Vila Flor, têm grande sucesso!

02 agosto 2008

Piquenique no Pelão

Chegaram as férias e as Descobertas em família. Fomos a Freixiel, passear um pouco e comer uma merenda ao ar livre. Aqui fica a reportagem, também ela feita em família.


Contagiados pelo entusiasmo de uma amiga de Freixiel, residente em Lisboa e neste momento a passar férias no nosso encantador Trás-os-Montes, no dia 23 de Julho, fomos - À Descoberta - de Freixiel.
Depois de um pequeno repouso, após o almoço, por volta das 17 horas partimos ao encontro da nossa amiga.
Ao chegarmos a Freixiel, já ela estava à janela da casa da sua mãe, ansiosa pela nossa chegada. Arrumámos nas mochilas um pequeno farnel, alguma água, e partimos.
Descemos a Rua Queimada e passámos à do Ribeirinho. Ainda espreitámos a capela de S. Sebastião e seguimos em direcção à forca.

O dia estava luminoso. O Sol aquecia, mas o ar que se fazia sentir, não deixava que este perturbasse a nossa caminhada. O caminho estava bem cuidado e limpo o que facilitou bastante a progressão.
Nos campos, o verde das videiras carregadas de cachos de uvas, sobrepunha-se ao tom amarelado das ervas, secas e quebradiças.
Ao longo do passeio, fomos ouvindo, com agrado, as histórias e lembranças que a nossa companheira ia contando. Com a alegria e o entusiasmo de uma criança, ia recordando cada canto, cada árvore, cada som, cada bocado de terra. Tudo tinha uma história e a saudade era bem visível.
No Pelão, já nada era como antes. Já não se ouvia o trabalhar dos motores de rega, as vozes dos vizinhos a cumprimentarem-se de longe, o som dos chocalhos das ovelhas. O espaço das hortas, era agora muito reduzido, comparado com o de outros tempos. Havia ainda uma que se assemelhava às de outrora. Tinha algumas batatas, feijões, o rego das alfaces e alguns pés de milho, que cresciam nas suas bordas.

As rochas sucediam-se contrapiadas com alguns sobreiros, que aparentavam já muitos anos de vida, e outras espécies vegetais.
Já muito perto do nosso destino, a Crica da Vaca, deparámos com uma rocha gigantesca. Os pequenos ainda pensaram em subir ao seu topo, mas sem a ajuda de material de escalada era impossível. A Crica da Vaca era perto. Um fio de água fresca e cristalina, bastante abundante, escorria por entre as rochas.
Soube bem, beber uns goles desta água!
Atravessámos o ribeiro e fomos sentar-nos numa rocha bem lisa, que serviu de sala e de mesa para o nosso piquenique. Estendemos a toalha, ainda por estrear. Das mochilas tirámos um delicioso pão centeio, uns bijus, para os mais pequenos, o fiambre e um saboroso queijo, já em fatias, para facilitar as coisas.

Os pêssegos estavam de comer e chorar por mais, já para não falar da meloa, que era doce como o mel. Comemos até não querer mais. Tudo estava muito bom, mas eram horas de voltar.
Tomámos o caminho de volta já com os raios de sol a esconderem-se por detrás das montanhas. Chegámos à aldeia por volta das 20 horas.
Foi muito agradável este fim-de-tarde em família, em contacto com toda a beleza que a Natureza exala.

01 agosto 2008

Freguesia Mistério 18

A Freguesia Mistério n.º17 teve 30 votos válidos. Desde muito cedo que a tendência seguiu o destino certo, as alminhas são mesmo em Freixiel, na estrada que conduz a Folgares, por isso também conhecida por estrada dos Folgares. Ao longo dessa estrada há outras alminhas, mas mais distantes da aldeia, no início de uma rua que foi recentemente arranjada.
Os votos ficaram distribuidos da seguinte forma:
Carvalho de Egas (1) 3%
Freixiel (10) 33%
Lodões (2) 7%
Mourão (1) 3%
Nabo (3) 10%
Roios (1) 3%
Sampaio (2) 7%
Vila Flor (6) 20%
Vilas Boas (4) 13%

A Freguesia Mistério n.º18 tem a ver com o Santuário de Nossa Senhora da Assunção. Entramos no mês de Agosto, mês em que se realiza a grande festa do cabeço, a maior do concelho e uma das maiores da região. A pergunta não é, o que representa o painel de azulejos, mas sim - em que freguesia podemos encontrar o painel de azulejos que está na fotografia?
A votação decorre até ao fim de Agosto, apenas sendo possível votar uma vez. Participe votando.

Flor do Mês - Julho 08

A Flor do Mês de Julho não foi muito difícil de escolher. As espécies selvagens, em floração, já são poucas e a maior parte delas passa desapercebida. Curiosamente apercebo-me que as cores das flores também têm uma época. Os vermelhos selvagens são os primeiros a aparecer; seguem-se depois os amarelos vistosos; agora, há por aí algumas flores timidamente pintadas de azul e roxo.
A minha escolha recaiu sobre a alfazema (Lavandula angustifolia). Não conheço nenhuma espécie selvagem aqui na região, é mais típica da bacia do mediterrâneo, mas recordo-me de já ter visto muita no sul de França. A espécie mais próxima que existe em Vila Flor, talvez seja a rosmaninho, conhecida localmente por arçã, (arçanha em Mogadouro). Repare-se no seu nome científico Lavandula stoechas!
Escolhi a alfazema porque, é de longe, a planta mais abundante nos jardins públicos de Vila Flor. Há uma grande mancha de plantas nos socalcos adjacentes ao recinto da feira, quem vai da Rua da Amendoeira à Rua de S. Sebastião; há um bonito conjunto no jardim do Largo de Santa Luzia; a maior quantidade está na Avenida Vasco da Gama, desde a Cooperativa até à rotunda do Barracão, quase em Samões, usada como ornamentação no separador das faixas de rodagem.
Esta planta, considerada erva aromática, é na verdade um arbusto, uma vez que o seu caule lenhoso vai engrossando de ano para ano. As suas flores são normalmente de cor azul-lilás e muito aromáticas. As abelhas procuram-nas com sofreguidão. Na Provence o mel de Lavande é bastante mais caro do que o mel vulgar. As flores, mesmo depois de secas, mantêm o seu perfume. São ideais para meter em saquinhos e depois colocá-los nos armários da roupa, difundindo um aroma inconfundível. A flor é também usada na culinária, como aromática, e em chá.
Esta planta também tem um significada especial, para mim. Durante a década de 80, trabalhei vários verões, na extracção de óleo de alfazema, em destilarias próprias, na região de Alpes de Haute Provence, onde a alfazema assume uma importância impensável, quer como produção agrícola, onde ocupa o primeiro lugar, quer como atracção turística. O óleo recolhido, com um aroma muito intenso, era depois comercializado para produtos de cosmética e medicamentos. Os idosos esfregavam-no nos joelhos, reconhecendo-lhe propriedades benéficas para os ossos e para a pele. Também usavam algumas gotas do óleo na água do banho.
Os campos de alfazema nas encostas dos Alpes, são das paisagens mais belas que eu já vi na vida.

27 julho 2008

Freixiel

Passeio em Freixiel
23 de Julho de 2008

25 julho 2008

Rio Tua



Rio Tua, Ribeirinha, Maio de 2008.

24 julho 2008

20 de Julho - Chega de Bois

Terminou mais uma Feira de Produtos e Sabores, TerraFlor, já na VI edição. O acontecimento que chamou mais à atenção, a mim e muitas outras pessoas, foi a Chega de Bois.
Realizou-se no dia 20, no campo de futebol do Vila Flor. A afluência de público foi considerável e esperava-se um bom espectáculo. Realizaram-se 5 lutas de touros, nem todas do agrado do público. Já assisti a eventos semelhantes, no planalto mirandês e sei que estas lutas são bastante imprevisíveis.
Houve alguns momentos entusiasmantes, embora de curta duração. Mesmo a grande distância, registei alguns momentos, em fotografia, que agora partilho neste painel.

18 julho 2008

Fragas


Que fragas, aquelas! Duras.
Não se lavram.
Não andam, não se mexem.
Vivas, vêem e ouvem. Mas não falam!
Testemunhas perpétuas dos que passam.
Batidas pelo sol e pelo vento, não dão pão. Só quando moídas em pó-terra.
Abrigam aves e répteis; os homens , às vezes.
Vêm rios da vida e ouvem promessas.
- Fragas de Deus e do Diabo, GRITEM!

Poema de Nascimento Fonseca, publicado no jornal Enié a 23 de Julho de 1975.
Fotografia: Cabeço de Santa Cruz, Lodões, 12 de Abril de 2008

17 julho 2008

Novo Blogue - A Linha é Tua


Cada um luta por aquilo em que acredita e eu acredito que, por todas as razões, económicas, ecológicas, históricas, emocionais, etc. a Linha e o Rio Tua devem manter-se sem barragem.
De todos os argumentos que os defensores da construção da barragem apresentam, apenas concordo com um: a necessidade crescente de água potável. De resto, quantos mais argumentos apresentam, quantas mais bandeiras de progresso agitam, mais me convencem de que estão errados, tal como errada está a sua visão da vida, do homem e do futuro.
Tenho feito várias visitas à Linha do Tua e ao Rio Tua, tenho feito bastantes fotografias e (d)escrito algumas emoções, porque para mim as emoções valem mais do que alguns tostões. Decidi juntar tudo, de Carrazeda de Ansiães, Vila Flor e Mirandela, num só Blogue, a que chamei - A Linha é Tua (http://alinhaetua.blogspot.com/)
Neste blogue vou colocar o que tinha distribuído em vários blogues, no que se refere à Linha do Tua, e talvez concentrar notícias relacionados com o tema. É mais um "À Descoberta", mas desta vez inter-concelhio, porque o rio, sendo fronteira, é também barco, ponte, proximidade.

16 julho 2008

No Cabeço


No dia 15 de Julho fiz um curto passeio de bicicleta, juntamente com o meu filho, ao cabeço de Nossa Senhora da Assunção. Curiosamente dia 15, um mês antes do grande acontecimento que é a Festa da Senhora da Assunção, a 15 de Agosto, venerada neste santuário.
Mesmo ao fim da tarde, o calor era muito. Estávamos no alto do cabeço quando chegou aquilo a que eu chamo a hora mágica. É um momento de nostalgia, de cores quentes e grandes silêncios.
Quase dava para ouvir as abelhas que continuavam no seu trabalho infindável, acompanhadas por um batalhão de outros insectos.
Tivemos também tempo para espiar os coelhos que saíram das suas tocas e que corriam, aos grupos, em todas as direcções. Nunca vi tanto coelho na minha vida!

De regresso a casa, ainda demos mais uma espreitadela num caso raro de adaptação dos animais ao homem. Trata-se de um ninho de uma pequena ave, alvéola-branca (Motacilla alba), construído num lugar incrível! Num púcaro, pendurado numa concha, que por sua vez está também pendurada. Tudo isto num equilíbrio muito frágil, mas onde o milagre da vida já aconteceu. Os filhotes estão cada vez mais desenvolvidos e, espero, que nos próximos dias abandonem o ninho. Isto porque, estão muito acessíveis a uma série de animais predadores e até ao homem, que nem sempre tem um comportamento civilizado, em situações semelhantes.
Deixo uma fotografia do ninho, mais tarde poderei revelar o local.

Quando chegámos a casa, o céu revestiu-se de cores de oiro, realmente fantástico. Apeteceu-nos sair de novo, para admirar os tons frágeis e momentâneos com que o horizonte se pintava.

Quilómetros percorridos em BTT: 14
Total de quilómetros de bicicleta: 1848

14 julho 2008

De volta à Linha do Tua

Esta é a continuação do passeio que fiz, a pé, no dia 12 de Julho. Começou em Freixel, continuou pela Ribeira da Cabreira até à foz, no Rio Tua.

Cheguei ao Rio Tua às duas horas da tarde. Fiz questão de descer junto à margem e ir ao exacto local onde as águas da ribeira se diluem no ainda grande caudal do rio. Espreitei a ponte do comboio - que salta a ribeira - e preparei-me para a segunda etapa, agora já em terreno meu conhecido.
Aproveitei para calar o estômago, enquanto caminhava. Já podia seguir tranquilamente.
As primeiras observações levaram-me a comparar a paisagem com aquela que encontrei em Abril de 2008. A erva seca substituiu o manto de flores que ladeava a linha, mas o rio continua igual, vigoroso e barulhento. Este troço da linha foi objecto de uma intervenção, mesmo até ao Cachão. Parece-me que aproveitaram a movimentação das máquinas para o enterramento de uma estrutura de mangas de plástico (com o objectivo de receberem redes de fibra óptica), para limparem as valetas, ajeitarem a gravilha, substituírem algumas travessas, colocarem novos sinais, etc. Tantos melhoramentos numa linha a abater?!

Até à estação de Abreiro, foi um passeio. A estação está transformada em estaleiro, mas não encontrei água, nem casas de banho.
Aborreceu-me o facto de não passar nenhuma automotora. É mais agradável fotografar a linha, quando esta está ocupada.
Aproveitei a paz ambiente para fazer uma viagem no tempo. Imaginei a que velocidade seguiria a composição que transportou El-Rei Dom Luís e a rainha D. Maria Pia, que se deslocavam a Mirandela para a inauguração da linha, a 27 de Setembro de 1887. Imaginei-me a registar o momento com a minha moderna câmara digital (imaginação fértil). Imaginação também não faltava a Rafael Bordalo Pinheiro, que esteve presente na cerimónia, na estação de Mirandela.
Parti para a etapa seguinte, Ribeirinha. Gosto muito deste troço. As águas encolhem-se por entre rochas gigantescas, fazendo muito barulho; na margem oposta há formações graníticas interessantes; começa a aparecer o cume da Serra do Faro, meu vigilante de muitos passeios. No quilómetro 31 encontrei uma nascente de água. Era saborosa e aproveitei para repor as reservas que transportava.

Um pouco mais à frente há um rochedo elevado, entre a linha e o rio. Aproveito sempre para fazer fotografias doutro ângulo, subindo ao rochedo. De repente, saindo das curvas da Ribeirinha, apareceu um grupo de pessoas que caminhava pela linha. Eram mais de uma dezena. Ainda pensei que se tratava do grupo com quem pensara encontrar-me, mas não. Continuaram em direcção a Abreiro e eu à Ribeirinha. Ao vê-los afastarem-se, em linha, pela linha, lembrei-me: porque é que ainda ninguém se lembrou de criar um passeio ao lado da linha? Um passeio com pouco mais de 50 cm de largura, seria suficiente para que os caminhantes pudessem percorrer, facilmente, toda a extensão da linha. Não teria sido difícil fazer esse passeio, em cimento, à medida que formam enterrando a estrutura para a fibra óptica.
Quando cheguei à estação da Ribeirinha, estava na hora de passar a automotora, no sentido Mirandela-Tua. O senhor Abílio, “guarda” sempre atento da estação, prontamente me abasteceu de água fresca. Trocámos algumas palavras enquanto a automotora não chegava. Chegou, e parou. Também na automotora viajava um grupo de amigos, meus, da fotografia e da Linha do Tua! Ainda tive tempo para os cumprimentar, a automotora fica sempre alguns minutos na Ribeirinha. Seguiu em direcção ao Tua, e eu, em direcção a Vilarinho das Azenhas. Neste troço, mal se avista o rio. Às vezes sigo pelo caminho, que é paralelo à linha, mas decidi manter-me na linha. Nas oliveiras em redor vêem-se muitos rebentos novos! Parecem estar a recuperar da doença que as afectou e que matou bastantes, nestas zonas baixas.
Não fiz nenhuma pausa no Vilarinho. O cansaço já era muito, doíam-me os pés. Caminhar pela linha, pisando de travessa em travessa, não é rápido e maça muito a base dos pés. Na maior parte do percurso não há outra alternativa, mas nalguns locais há uma pequena faixa de terra, que se deve aproveitar.

Já passava das seis da tarde, o sol dava alguns sinais de querer descansar. Nos rochedos escarpados sobre o rio já se notava o alaranjado do entardecer. Passou mais uma automotora, esta só até Abreiro.
Perto do Cachão encontrei, junto à linha, uma planta que nunca tinha visto. Trata-se de uma espécie de feto, mas muito grande e lenhoso! Nunca o vi em lugar algum, ao longo de toda a linha, só encontrei aqui pequenas manchas, em locais escarpados e sombrios, como é típico dos fetos. Vou procurar saber mais desta planta.
Já muito devagar, fui-me aproximando do fim do meu passeio. E devo dizer que não terminei no melhor local. O aspecto do Complexo do Cachão, para quem passa na linha, é tudo menos bonito e o cheiro ainda é pior.
Foi um longo passeio, cheio de emoções e magníficas paisagens.