08 novembro 2008

Flor do Mês - Outubro de 08

A flor escolhida para representar o mês de Outubro no concelho de Vila Flor, é mais um exemplar de grande beleza. Trata-se de um jacinto, que tem o nome científico Scilla autumnalis L.. Já não é a primeira vez que chamo a atenção para esta pequena flor. Nos dois últimos Outonos fotografei-a várias vezes em locais distintos do concelho. Em outubro de 2007 escrevi mesmo um pequeno artigo que pode ser lido aqui.
É uma planta muito pequena e delicada. A aste floral, que se apresenta completamente despida de folhas, tem menos de 10 centímetros de altura e passa completamente despercebida a quem não olhar atentamente. A facilidade com que as flores aparecem logo após as primeiras chuvas de Outono, dão-lhe a fama de anunciadores da estação.
Os exemplares que aparecem na fotografia foram captados junto à capela de Nossa Senhora da Lapa, ao longo do mês de Outubro.

06 novembro 2008

Entre Samões e Vilas Boas

Chegaram os dias de nevoeiro e frio. Infelizmente a chuva insiste em não aparecer e os charcos que teimavam no fundo das charcas e poços já se esvaíram. Não há sequer humidade para que os cogumelos possam romper a estreita camada de terra que os separa da superfície! A desolação tomou conta das vinhas que pouco a pouco se despem. A humidade do ar desliza para a Vilariça, criando um manto branco e permitindo-nos ver o azul do céu, nem que seja a curtos espaços.
Pelo fresco da tarde, saí de bicicleta em direcção a Samões.
O objectivo era esticar os músculos e arejar a mente do ambiente pouco saudável que se vive na escola. É que o nevoeiro há muito que se instalou, roubou-nos o calor, o entusiasmo, faz-nos sentir vazios, meros instrumentos de propaganda estatística.
Entrei em Samões por detrás da igreja e desci a Rua do Salgueiral. Não perdi muito tempo, pretendia descer em direcção ao ribeiro das Olgas. O percurso que segui não era propriamente aquele que tinha planeado, mas acabei por seguir na direcção pretendida. Quando atingi a estrada de Freixiel, a tarde já estava muito cinzenta, não permitindo mais fotografias. Concentrei-me no pedal, contornei a pedreira, seguindo em direcção a Vilas Boas. A tarde já ia adiantada e achei que seria melhor cortar ligeiramente à direita, acabando por não ir a Vilas Boas. Atingi a estrada muito perto do Campo de Futebol de Vilas Boas, junto ao cruzamento que dá para o Santuário de Nossa Senhora da Assunção.
Aproveitei a existência de alguns pinhais para tentar encontrar cogumelos mas a busca foi em vão. Não consegui encontrar um só, para a fotografia!
Segui por um caminho completamente desconhecido para mim, acabando por ir parar numa perigosa descida na estrada que segue para Meireles. A tarde estava no fim e caíram algumas desgarradas gotas de água. Estava na hora de regressar a casa.



Quilómetros percorridos em BTT: 20
Total de quilómetros de bicicleta: 1897

05 novembro 2008

Alminhas (desaparecidas)

Este fim de semana celebrou-se o Dia dos Fieis Defuntos. Muitos foram os que se deslocaram ao cemitério para recordar e rezar pelos seus ante-queridos. Possivelmente nem todos repararam que as alminhas que estão nesta fotografia e que se encontravam a poucas dezenas de metros do cemitério de Vila Flor, desapareceram do lugar onde se encontravam. É caso para se pensar que já não há respeito nem pelo sagrado, nem pelo repouso dos que já partiram.
O desaparecimento das alminhas aconteceu já há alguns meses e foi comunicado a GNR. Não sei se houve mais algum desenvolvimento. É pena que o este património, antigo, mais simbólico do que valioso, seja alvo da cobiça alheia. Além da desolação que provoca ver o lugar vazio, cria uma sensação de insegurança e de desconfiança.

03 novembro 2008

Freguesia Mistério 21

Foram 39 as participações na Freguesia Mistério n.º20, em Outubro de 2008. A resposta não era fácil, apesar de eu dar algumas pistas que ajudavam bastante os mais atentos. Também já falei várias vezes nestas alminhas em muitos dos meus passeios de bicicleta. Estas alminhas situam-se muito próximo do marco geodésico do Concieiro, a mais de 700 metros de altitude, entre a freguesia de Carvalho de Egas e o Santuário de Santa Cecília. Algumas centenas de metros mais à frente, mais próximo do santuário, há outras "alminhas", escavadas num enorme bloco de granito, que foram também recentemente redecoradas ao estilo que a fotografia documenta. Um terceiro exemplar existe num rochedo (este mais pequeno), mesmo junto à estrada que liga Samões à barragem Camilo Mendonça.
As duas alminhas que se situam próximo do Concieiro, estão no traçado de uma antiga estrada militar que ligava Almeida a Chaves. Estão numa zona de transição de freguesias, mas pela carta militar, o lugar pertence à freguesia de Carvalho de Egas. Só 10% dos votos foram atribuídos a Carvalho de Egas! Esta foi a distribuição de todos os votos:
Benlhevai (1) 3%
Candoso (5) 13%
Carvalho de Egas (4) 10%
Freixiel (2) 5%
Lodões (2) 5%
Nabo (5) 13%
Samões (1) 3%
Santa Comba de Vilariça (1) 3%
Seixos de Manhoses (1) 3%
Valtorno (2) 5%
Vale Frechoso (1) 3%
Vila Flor (7) 18%
Vilarinho das Azenhas (4) 10%
Vilas Boas (3) 8%

O desafio da Freguesia Mistério n.º21 é de novo o interior de uma igreja/capela. É um interior lindíssimo, recentemente restaurado mas inicialmente construído em 1958. O que mais me chamou à atenção foi a imagem de Nossa Senhora do Parto. (que não aparece na fotografias).
Chamo a atenção que apesar de se designar "Freguesia Mistério", tanto pode ser uma freguesia como um lugar anexo.
Espero muita participação.

02 novembro 2008

Clube de Xadrez de Vila Flor


"O Clube de Xadrez de Vila Flor nasceu em 1987 e legalizou-se em 1990, com a finalidade de apenas se jogar Xadrez, chegou a ter filiados, entre adultos e jovens, mais de 50 jogadores!
O clube foi várias vezes campeão distrital, participou durante vários anos na Taça de Portugal e na 2ª e 3ª Divisões. Organizou os Campeonatos Nacionais de Semi-Rápidas em 1992, 1993 e 1994. Organizou os famosos (nos anos 90) Torneios de Xadrez "Amendoeiras em Flor" nos anos de 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 e 1996, sempre com prémios acima dos 500 contos (acima dos actuais 2500 euros), passaram por Vila Flor os melhores jogadores portugueses e muitos estrangeiros (O GM Spraggett venceu por 2 vezes o GM Fernandes por 1 vez, o GM Galego por 1 vez, o GM Antunes por 1 vez). A média de jogadores por torneio andava acima dos 120 jogadores. Num dos Nacionais tivemos acima dos 150 participantes!
Recordo que na altura a AXB tinha sede em Vila Flor (onde além do Clube de Xadrez de Vila Flor havia a Associação Cultural e Recreativa de Vila Flor e o Clube Jovem de Vila Flor, todos a jogar Xadrez) e tinha vários clubes (3 clubes em Moncorvo, 3 clubes em Vila Flor e 1 em Bragança)... Velhos tempos!!!"

por Vítor Sil


A reactivação do clube, levada a cabo a 25 de Outubro de 2008, toma por horizonte o recuperar desses velhos tempos...
Pretendemos dinamizar novamente o clube, em Vila Flor, e levar o nome desta mais longe, dar um contributo para a juventude, para a sociedade...
Mas, após o longo período de inactividade, o clube necessita de divulgação, de apoios e patrocínios, um espaço físico para poder ensinar a população, realizar treinos e torneios, bem como uma viatura para deslocações...
Pedimos a toda a comunidade que ajude a divulgar a activação deste clube que tanto brio deu a Vila Flor.

Site: http://cxvilaflor.blogspot.com/
Contacto: cxvilaflor@gmail.com

O responsável,
Paulo Afonso

Nota: A segunda fotografia foi retirada do Boletim Municipal de 1996

24 outubro 2008

Cores de Roios

Em Roios, as cores da Primavera teimam em persistir!

22 outubro 2008

54 quilómetros de Primavera

Hoje, que a Linha do Tua foi de novo notícia, decidi partilhar um vídeo que criei há pouco tempo e a que chamei "54 Quilómetros de Primavera".


Mais informações sobre a Linha do Tua no blog: A Linha é Tua (http://alinhaetua.blogspot.com/)

19 outubro 2008

passeio por Valtorno

Hoje o passeio foi em BTT. A dia esteve muito agradável e já tinha saudades de um longo passeio de bicicleta. Consegui convencer o meu filho mais velho e fizemos um percurso cujo objectivo era Valtorno.
Aproveitei a companhia, para lhe dar a conhecer alguns pontos de interesse da aldeia: a fonte Paijoana, a Capela da Senhora da Luz, o Cruzeiro (na Marquesinha?), a Capela de Nossa Senhora do Rosário, a portada da “casa da Bicheira”, a fonte de Nossa Senhora do Rosário e, por fim, os moinhos, no ribeiro.

A primeira paragem foi na fonte da Paijoana, cuja lenda coloquei no Blogue, recentemente. O caminho que lhe dá acesso, para quem vem do Santuário de Santa Cecília, é bastante interessante para percorrer em bicicleta. A fonte está limpa, bem cuidada. Apeteceu-me uma incursão no Cabeço Murado, onde estive em Junho de 2007 e onde me apetece voltar com tempo. Ainda não foi desta. A circulação no local é bastante difícil pois há muito mato.
Dirigimo-nos para a aldeia a fim de fazermos uma curta passagem por alguns locais. Junto ao Centro de Dia, entrámos na antiga Capela da S.ª da Luz. É doloroso para mim ver o abandono a que está votado este local, mas nada se pode fazer.

Seguimos pela Rua da Máquina até ao Cruzeiro e descemos depois até à capela de Nossa Senhora do Rosário. Ainda conseguimos espreitar a curiosa portada que se pensa ter pertencido a uma capela (S. Brás?). Se a dita capela de S. Brás se situava fora da povoação, como veio ali parar aquele arco tão ricamente trabalhado? As casas envolventes são muito antigas, como o demonstram algumas portas e janelas.

Muitos locais interessantes havia ainda para visitar, mas fomos directos para o Ribeiro dos Moinhos. Parece mentira, mas, em tantas visitas que já fiz a Valtorno, nunca fui aos moinhos!
Ali perto deve ser a Fonte dos Doentes, mas não consegui encontrar nenhum sinal dela.
Os moinhos (os que ainda existem) estão muito perto da aldeia. Os habitantes de Valtorno sempre tiveram aptidão para a profissão de moleiros, tendo havido cerca de 18 moinhos. Quando o caudal dos ribeiros não permitiam o seu funcionamento, desenvolviam a sua actividade em várias azenhas, no Rio Tua. É de salientar que depois de haver tantos moinhos, houve mais tarde uma moagem (Máquina!) que talvez tenha contribuído para o nome da rua de que falei mais acima (Rua da Máquina).

Seria mais ou menos por esta altura que começavam a laborar os moinhos do Ribeiros dos Moinhos. Verifiquei que, à parte de alguns charcos mal cheirosos, o ribeiro praticamente não tem água. Espero que as obras em curso, logo depois da aldeia, permitam que o ribeiro apenas leve água pura, porque, é esta água que se vai beber em Vila Flor.
Os moinhos ainda existentes estão fechados. Limitei-me a um passeio em redor, admirando o “cubo” e as paredes ainda preservadas. Consta-me que algumas destas casas vão ser recuperadas, talvez para casa de férias.

Foi também aí que fui surpreendido com o primeiro cogumelo do Outono um frade, ou roco (Lepiota Procera). Cresceu todo retorcido entre rebentos de acácias! Embora prestasse atenção aos locais que me pareciam propícios à existência de cogumelos, não vi mais nenhum, em todo o percurso.
Já passava do meio dia e tínhamos que regressar para o almoço. O caminho que seguimos de regresso a Vila Flor, com passagem entre a Santa Cecília e o Seixo e depois pela Barragem Camilo Mendonça, permitiu-nos apreciar bonitas paisagens, em direcção à Vilariça. Também me deliciei com as cores do Outono que ostentam as vinhas e as sebes de sumagre, muito perto da vila.

Todo o percurso é espectacular para ser feito de bicicleta, por isso decidi partilhá-lo aqui.
Quilómetros percorridos em BTT: 22
Total de quilómetros de bicicleta: 1877

14 outubro 2008

Recantos e encantos de Vila Flor

Recantos e encantos de Vila Flor: Arco de D. Dinis.
28-09-2008

13 outubro 2008

na Alquitarra, em Vilas Boas

O ciclo do vinho não ficava completo sem uma visita a um alambique de água ardente. Visitei no dia 4 de Outubro a Alquitarra, em Vilas Boas. Já tinha assistido à destilação do bagaço, mas de uma forma mais artesanal. Embora o princípio seja o mesmo, este alambique, em Vilas Boas, funciona já numa escala industrial.
Com licença para laborar durante dois meses a partir do dia um de Outubro, recebe bagaço do concelho de Vila Flor e de alguns concelhos vizinhos. O custo é de 12 euros por “potada”.
O senhor Daniel Fraga foi muito atencioso e explicou-me todo o funcionamento da Alquitarra. O aquecimento é feito com casca de amêndoa, um combustível local mas nem assim barato. Muitos dos processos estão automatizados, à excepção do carregamento dos potes que é feito manualmente.
A água corre para as vasilhas verdes, é mesmo ardente, disso tirei a prova! No início é mais alcoólica mas depois a quantidade de álcool vai diminuindo. Controlando a quantidade de água é possível controlar o teor alcoólico final.

11 outubro 2008

Peça de Teatro - Lenda da Fonte Paijoana


Como todas as terras antigas, também Valtomo tem muitas lendas. A da fonte da Paijoana diz que naquela fonte existe uma moura encantada. Segundo consta, a moura será tecedeira que labora num tear de marfim, tramando uma teia de ouro. A tradição refere, a exemplo do que " se passa em muitos outros sítios, que, com a ajuda do LIVRO DE S. CIPRIANO, a moura pode ser desencantada na madrugada de uma noite de S. João, recolhendo a pessoa que a desencantar, a valiosa peça de ouro. Segundo se diz, já uma vez uma mulher, tendo ido à fonte, em vez de água, reparou que o cântaro vinha cheio de velos (?) de ouro. Então, doida de contente com o sucedido, terá exclamado: "Santo Nome de Jesus!". Pelos vistos, não seria o encantamento senão obra do diabo, porque, mal o nome do Senhor foi referido, de imediato desapareceu o ouro.
Fonte: "Respigos de Valtorno, Notas de Monografia", de Maria Eugénia da Costa Nunes Cardoso Pintado, 1998.

08 outubro 2008

No lagar


Nesta época de vindimas, não me tem chegado o tempo para ir ajudar ninguém. Felizmente os amigos e vizinhos, mais prestáveis do que eu, fazem com que não me tenham faltado as uvas em casa. Muitas e docinhas.

Depois da vindima, grande parte das uvas são entregues para a produção de vinhos nas adegas cooperativas, de Vila Flor e outras nos concelhos circundantes. Muitos pequenos agricultores continuam a tratar as uvas de forma tradicional, em pequenos lagares. Em Vilas Boas pude ver vários lagares desses, com uvas recém esmagadas. Apesar de esmagadas à máquina, acabam por ser trabalhadas, com pessoas a entrarem no lagar acelerando o processo.

A quantidade colhida parece não ser tanta como eu julgava, mas os agricultores estão esperançosos que a qualidade seja elevada.