24 dezembro 2008

Frio mas belo

Com esplêndidos dias de sol que temos apreciado na Vila, hoje senti a tentação de descer ao vale para ver o que se escondia por debaixo dos brancos lençóis que o cobrem já há vários dias. A Vilariça parece adormecida, à espera que grandes fogueiras acesas aqueçam o coração das aldeias e mandem embora o frio.
A meia encosta, onde a o manto se destapa durante a noite e o sol não aquece durante o dia, tudo se cobriu de um branco puro. Não é neve, é gelo! Estas pequenas maravilhas podem ser encontradas à volta de Sampaio e também em Santa Comba da Vilariça, quase até chegar a Vale Frechoso.
A temperatura das imagens contrasta a com aquela que se sente em todas as mensagens que me têm chegado, no blogue ou por email, mas a beleza é a mesma.
Um BOM NATAL.

23 dezembro 2008

Universalidades


"Baixou a noite como um floco de algodão preto escorrendo pelas abas da serrania. Ao lusco-fusco recolheram os coelhos às luras, os insectos sobreviventes aos casulos, os morcegos aos ninhos, escondidos nas pedras velhas. Sob as pastas de musgo húmido e orvalhado, hibernam sardaniscas e lagartos ao calor das fermentações do folhiço morto.
Em galerias sinusoides, rosnam carunchos, nos troncos abatidos.
Requisitado pelas forças vivas da terra, aceitei a incumbência de elaborar uma reportagem da noite de Natal, essa noite lançada em ponte desde a tarde de 24 à madrugada de 25, desde o velho mundo ao novo mundo, desde a escuridão da descrença às claridades da Fé.
Mal as estrelas abriram os guichés, subi o caminho e meti-me ao mato. Não havia luar, mas a dois terços da escarpa uma manchazinha branca localizava a ermida de Nossa Senhora da Serra.
O mato é espesso, emaranhado de zimbreiros e verbascos, aroeiras, zambujeiros e silvas, folhagens tenras ou rijas, aqui picando as pernas, através do pano das calças - era a gilbardeira, mas como tinha as esferazinhas encarnadas, rainha do Natal, não me escandalizei; ali pegando-se às mãos, com resinas viscosas.
Em baixo, no descanso da várzea, corre o rio e amadornam as casas da aldeia, vivas nas múltiplas luzes que enchem as janelas.
O anoitecer veio calmo. Há sobre toda a Natureza uma bênção de pacificação que se sente com inteira verdade. Ela festeja, pelo aniversário do nascimento do Deus-Homem, a sua própria criação, concedida por Deus-Vida. Natural, portanto, que as folhas e as ervas, as rochas e os bichos festejem, como nós, a sublime Natividade de Belém.
Não se rasgou o reposteiro do templo; não se abalou o Céu com trovões dilacerantes e relâmpagos horríveis; não se abriram fendas na terra e não rebentaram os fraguedos - quando Jesus soltou o último suspiro no Calvário?
- Nada de admirar, por conseguinte, que desça uma bênção de paz e amor à bruta Natureza nos festivais o do aniversário do mesmo Jesus.
Meio perdido, amparando-me aos pinheiros, reparei numa cova onde um coelho me esperava. Se medo tinha, deitei-o para trás das costas e lá me enfiei pela cova dentro, a bisbilhotar a consoada dos láparos.
Vencido o corredor, escuro e comprido, surpreendi-me num antro espaçoso que duas pinhas de pirilampos alumiavam sofrivelmente.
Uns tantos coelhos roíam sossegadamente a ceia melhorada: rabanetes cenouras, talos de couves, que o hortelão da várzea lhes deixou à discrição quando foi apanhar as hortaliças para a ceia dos patrões.
Nada mais que sossego e confraternização, naquele matraquear contínuo de dentinhos, eu achei na toca dos roedores. Recuei, então, para não perturbar a familota com despedidas e cheguei ao ar livre, continuando as minhas visitas à bicheza da serra.
Dali a vinte passos estava a caminhar por uma galeria intrincada e extensa, onde me sentia como um metropolitano no seu túnel.
Não tardou que observasse um formigueiro completo circulando por ruas e largos duma autêntica vila subterrânea. À luz duns grãos de claridade que elas tinham amealhado durante os dias soalheiros de Outono, viam-se os banquetes de confraternização, puxados a montes de cereais e sementes doces, que as formigas devoravam cheiinhas de apetite.
Com dificuldade, lá dei com a saída, respirando fundo o ar livre, que as evaporações do mato tornavam balsâmico e aprazível. E nesse ar fresco do monte, abrigados pela ramagem duma urzeira branca, fui espreitar um casal de pintassilgos que no mais carinhoso enleio debicavam uma umbela de funcho e outra de alface espigada, saboreando as sementinhas com gula inocente de pássaros felizes.
A noite ia avançada. A fadiga e o frio obrigaram-me a dar por terminada a reportagem que os moradores da serra me pediram. Para quê, mais visitas? Em qualquer escaninho onde habite um ser vivo, aí a implícita festa do Natal, por instinto da própria criação, acreditam?

Todavia, na cabana do lenhador há já a solenidade consciente da Festa Alegre. Sobre as dificuldades do mester, e as incertezas da sua vida, e as sombras das suas necessidades, brilha naquela noite a centelha mágica do amor para todos os homens.
Todavia, na consoada lauta do banqueiro, entre as refulgências deslumbrantes dos lustres e candelabros, acantona-se a penumbra miudinha dum Menino que nasceu escondido, lá nos confins da Judeia.
Todavia, no cérebro do ímpio, do teimoso na incredulidade, do perjuro e do falhado, a marca do Natal punge como flecha em madeira mole.
O Natal é doce mão que afaga os três reinos do Universo inteiro!"

Artigo de Cabral Adão, publicado na Gazeta do Sul, a 23-12-1955

21 dezembro 2008

Apreciando a paisagem

Ontem saí num passeio a pé à procura de candidatos à Flor do Mês de Dezembro. Não encontrei flores, mas encontrei rochedos. Rochedos, nevoeiro, montes e ar, ingredientes mais de que suficientes para uma boa sessão de fotografia. Esta que mostro hoje foi complicada. O falcão, nos rochedos, parece extasiado com tom leitoso do vale. Eu fiquei maravilhado com o conjunto.

16 dezembro 2008

Imagens fugidias

No dia 30 de Novembro falei pela primeira vez com o escritor João de Sá. Depois de ler o seu primeiro livro "Versos para Vila Flor", senti-me imediatamente cativado pela sua forma de escrever. Creio que já li todos os livros e fui mostrando aqui, no blogue, pequenos pedaços que me apeteceu partilhar. Claro que a primeira coisa que fiz foi confessar o meu "pecado", de divulgar, sem autorização, algumas das pérolas que João de Sá escreveu. Como seria de esperar de uma alma sensível, não só se mostrou satisfeito, como me prometeu um novo livro que está prestes a ser editado. Infelizmente o dia foi muito preenchido e não houve possibilidade de conversar em profundidade com o escritor, mas, logo que ele volte a Vila Flor, tentarei de novo colocar-lhe algumas questões que me surgiram à medida que lia os seus livros.
O poema de hoje, de que gosto muito, faz parte do seu último livro "Vila à Flor dos Montes". Trata-se de uma colectânea de poemas, compilados para o livro, mas que foram escritos ao longo de alguns anos. Inclui um conjunto de poemas de Natal, muito adequado para a época que se aproxima.

Imagens fugidias

Tudo o que é leve
Venha visitar-me:
A neve, sobretudo a neve.
O fumo branco
Que se liberta, à tarde,
Dos fornos de cozer o pão.
O gesto e o amassar,
A doçura do levedar.
A transpiração da terra.
A chama da candeia
- Pérola de resina
Que se incendeia.
O orvalho na pétala da rosa
Inexistente.
O roçagar da asa
De uma ave, sem pressa,
Brandura de fruto a amadurar.
A cama,
Aquele jeito de nos acolher
E a toalha da mesa
Tão perto de nos dizer
Os segredos
Da água e do vinho.
As madressilvas
Ornando a parede do caminho.
A criança que passa,
Atravessando a manhã,
Ao encontro da beleza total
De uma abelha
Afagando uma flor que desfalece,
E, ao olhar para trás,
Desaparece.



As fotografias são do dia 16 de Dezembro. Quase ao pôr-do-sol, subi ao miradouro e à Nossa Senhora da Lapa e tirei um bom conjunto de fotografias. A magia que se via lá do alto, era inacreditável.

15 dezembro 2008

As feiras

"Os dias 15 e 28 de cada mês constituíam, para mim, verdadeiros acontecimentos.
Muito cedo ainda era acordado pelo barulho e azáfama com que na Praça eram colocadas umas longas mesas de madeira, com pernas em X, devidamente travadas. Muitas vezes eram ligadas entre si por estrados que partiam dos tampos, proporcionando uma maior exposição de mercadorias.
Aos poucos iam chegando os tendeiros que armavam as respectivas tendas e começavam a dispor a mercadoria.
Desde muito novo que recordo a curiosidade com que, cara encostada às vidraças da nossa casa, observava a agitação do montar da feira...
Volta que não volta, chegavam camionetas de carga, com bancos em U, ao correr dos taipais e por trás da cabine, ficando o estrado reservado às mercadorias.
Algumas, mal descarregavam, partiam de novo, para regressar com mais pessoas e carga.
A Praça que, normalmente me parecia grande, tomava-se pequena, os passeios cheios dos mais variados produtos agrícolas, conforme a época do ano.
Não se pense, contudo, que havia confusão: tudo tinha o seu lugar certo, previamente determinado.
Assim, no passeio nascente, desde a Farmácia do Hospital até ao sóto do Barroco era o lugar das hortaliças e outros vegetais, intervalados pelas bancas de tremoços e castanhas da Olímpia e da Sara Pechorra, bem como dos frangos e galinhas vivos, ovos e demais criação.
Do outro lado, havia as doceiras que vendiam rebuçados caseiros, embrulhados em papel de seda e que sabiam melhor do que os das lojas.
Ao lado vendia-se trigo e centeio, medido pelos rasões da Santa Casa com os respectivos rasoiros.
A norte, ocupando todo o passeio e a rua em frente da casa das minhas primas Paulas, ficavam as tendas propriamente ditas, que ocupavam ainda todo o passeio da zona ajardinada.
Havia de tudo, para todos os gostos, desde o capote alentejano, com gola de raposa, passando palas samarras, calças, sapatos, lingerie, artigos de ménage e ferramentas agrícolas.
Pelo meio havia sempre o vendedor da banha de cobra que, desde as lêndeas aos calos e à dor de dentes, tinham remédio milagroso para tudo e todos.
Apareciam os ceguinhos que tocavam e cantavam letras de sua autoria, autênticas tragédias que contavam crimes hediondos e outras tragédias, e que em seguida vendiam os respectivos folhetos.
Indispensáveis também eram os ourives que, para além do ouro e prata, vendiam relógios.
Junto à capela do Santo Cristo situavam-se as padeiras, quase todas de Samões que, para além dos borneiros de alvo trigo e côdea estaladiça vendiam o centeio mais saboroso que já provei e que tantos anos depois ainda me fazem água na boca.
Mas logo a seguir vinha o meu mundo, os brinquedos.
Nesta época de electrónica, em que as crianças desde a mais tenra idade só já conhecem videogames e dissertam sobre software e megabits, seria difícil explicar-lhes a alegria, o prazer com que olhávamos, mesmo sem comprar, uma junta de bois de barro, as bandas de músicos com os seus componentes de casaco azul, calças brancas, boné de pala arredondado e os automóveis de lata que não pretendiam ser a escala reduzida de nenhum modelo.
Mas, havia-os também de madeira, menos numerosos e imaginativos. Eram, basicamente, uma pomba com rodas que agitava as asas quando empurrada por uma pega situada no extremo oposto ou um ciclista que pedalava tão intensamente quanto o ritmo imposto pelo sistema da pomba. Por vezes a imaginação dos artistas ia mais além e aparecia um minúsculo carro de bois, carregando uma pipa.
Aos meus olhos de então, tudo era um deslumbramento, um mundo diferente ainda que muito visto, com aquela capacidade de fazer de conta que só as crianças conseguem; sonhava possuir aquilo tudo, brincar com cada uma daquelas maravilhas, soprando em cada flauta ou ocarina de barro uma melodia que ecoasse do Facho a Bornes...
Se tivesse tudo aquilo já não precisaria de brincar ao eixo, à bilharda, ao pião ou ao carolo com os berlindes que outra coisa não eram do que esferas de rolamentos estragados que o Fernando Cepeda me oferecia.
Mas, a realidade vem sempre interromper o sonho e era arrancado ao meu deleite para, pela mão de meu Avô, irmos à feira das "bestas".

Esta era no Toural, que também servia de campo de futebol e onde, posteriormente foi edificado o actual Hospital que assim saiu das velhas instalações do Rossio.
Vila Flor nunca foi célebre por feiras de gado. Raramente apareciam bovinos, tudo se resumindo a um comércio de burros, muares, um ou outro cavalo, mas essencialmente ovinos, caprinos e suínos.
Compradores e vendedores discutiam preços. Abriam os beiços aos animais, viam-lhes os dentes para determinar a idade, alegavam virtudes ou defeitos, conforme a posição negocial.
Estabeleciam-se igualmente as condições contratuais de pormenor, tais como se a albarda e a cabeçada estavam ou não incluídos no preço.
Depois de uma longa conversa, o comprador adiantava a sua oferta, com o ultimato de que não desembolsaria nem mais um centavo.
O vendedor persistia no preço pedido, como também se de um ultimato se tratasse, cedendo, quando muito, nos arreios.
O negócio ficava, quase sempre por um fio, dada a irredutibilidade de cada
um, até que intervinha um terceiro que assistira a todas as negociações e que dava a chamada "rachadela" que se traduzia na metade da diferença entre pedido e oferta, e que, normalmente, consubstanciava o desejo de ambas as partes que fingiam não transigir.
Concluído o negócio, vendedor, comprador e rachador iam à tasca mais próxima celebrar o acordo, o que se chamava pagar o alboroque.
O dia ia correndo. As pessoas, na Praça, transportavam já diversos embrulhos.
O sol ameaçava esconder-se por detrás da casa da D. Nazaré; os tendeiros começavam a arrumar as suas mercadorias; as sobras dos produtos hortícolas eram ensacadas e carregadas nos burros ou mulas que os haviam transportado e que ansiavam por voltar ao curral.
As pessoas começavam a partir e as camionetas vinham efectuar o transporte de regresso...
A praça ia ficando, pouco a pouco, deserta, abandonando na calçada os vestígios das transacções efectuadas ou goradas A rosa Varredeira iniciava a tarefa de limpeza.
Todo aquele esplendor que marcava ainda um resto de costumes medievais - atente-se que os intervenientes não eram chamados feirantes mas sim tendeiros - desaparecia como que por encanto.
Olhando todo aquele vazio que fazia com que a Praça voltasse a ser enorme, ficava desejando a nova feira que tudo acontecesse do mesmo modo, um modo que, apesar de tudo, me parecia sempre diferente. Era meu secreto desejo que fosse sempre dia de feira."

O texto foi extraído do livro de António Meireles, Vila Flor - Memórias de um outro tempo, recentemente editado pela Câmara Municipal de Vila Flor.

Notas: Das fotografias que ilustram o texto, três são actuais e duas são antigas, restauradas a partir dos originais.
A primeira das fotografias antigas, mostra a Praça da República em 1945. Foi tirada de perto da Casa Africana em direcção à esquina por onde sobe a avenida em direcção ao actual edifício da Câmara Municipal. Em 1949 a avenida já tinha sido rasgada e algumas casas demolidas.
A segunda fotografia antiga, da autoria de Soveral Pastor e datada de 1933, mostra a entrada do Toural Novo e a escola do sexo masculino, à direita.

13 dezembro 2008

Notícias de Vila Flor


Não sou o único a notar que a comunicação social regional dá muito pouca importância ao que se passa em Vila Flor. Todos sabemos que se trata de um pequeno concelho; todos sabemos que as notícias negativas são mais mediáticas, mas não custa tentar.
Peguei nas notas do meu post sobre o Cinquentenário do Museu Berta Cabral, resumi-as num pequeno texto a que juntei duas fotografias e enviei o conjunto, por email, para dois jornais editados no distrito.
Fiquei satisfeito quando vi que o texto foi publicado no Jornal Nordeste, do dia 9 de Dezembro. Estranhamente, não é feita qualquer indicação de quem é o autor e o texto foi “cozinhado” por quem não colocou os pés no evento, cometendo alguns erros. Na frase “Ambos os escritores são filhos da terra e, através do trabalho de poesia “Vila à Flor dos Montes”, João de Sá descreve “quadros” dos anos 40 e 50, que guardou na memória quando foi viver para Lisboa”, fizeram um caldo do escritor João de Sá e do livro “Vila Flor – Memórias de um outro tempo”, da autoria de António Meireles. Neste último é que são visitados locais e recordadas personagens dos anos 40 e 50.
Devo acrescentar que já escrevi à direcção do jornal, mas não recebi qualquer explicação.
Para cúmulo, esta não é a segunda nem a terceira vez que estas coisas acontecem, tendo até em casos anteriores, doutros jornais, os artigos sido assinados por jornalistas depois de serem quase copiados letra a letra deste blogue e a fotografias adulteradas para apagar o meu nome.
Este procedimento vindo de profissionais, não dignifica os respectivos órgãos de comunicação social e retiram muito do entusiasmo a quem despende muito da sua vida para construir este “cantinho” agradável.

Notas:
  • O primeiro artigo digitalizado tem o texto (adulterado) que enviei por email e a fotografia que coloquei no post do dia 1 de Dezembro "50 anos - Museu Drª Berta Cabral"
  • O segundo artigo digitalizado foi publicado no Mensageiro. Foi escrito com base na minha reportagem aqui no Blog que pode ser lida aqui. Também a fotografia pode ser vista aqui, foi habilmente recortada.
  • O terceiro artigo (não sei em que jornal saiu, só o descobri há poucos dias), foi redigido com base naquilo que escrevi no Blog do Clube de Ciclismo de Vila Flor, que pode ser lido aqui. A fotografia também é minha, tem o meu nome e pode ser vista aqui.

12 dezembro 2008

Flor do Mês - Novembro de 08

Com a chegada do frio (até já veio a neve!), as flores silvestres começam a ser cada vez mais raras. Mais raras não quer dizer mais feias, ou menos coloridas. Escolhi para o mês de Novembro a flor do Medronheiro (Arbutus unedo). Este bonito arbusto de folhas persistentes, verdes e lustrosas, tem muitos atractivos. Tem frutos saborosos de tons variados conforme o estado de maturação, terminando num vermelho vivo tão ao estilo das cores nacionais e natalícias. Em simultâneo, apresenta também flores. A floração acontece de Outubro a Fevereiro. As flores são hermafroditas, brancas com matizes verde ou rosa, formam inflorescências em panículas pendentes (cachos pendentes).
Além de os frutos serem muito apreciados (fiz no ano passado um bom licor de medronhos), é um arbusto bastante apreciado como planta ornamental pelo conjunto de cores das folhas, flores e frutos.
No concelho de Vila Flor é possível encontrar medronheiros em bastantes locais. Aqui ficam alguns: Serra do Facho; Serra do Faro; estrada da Ribeirinha; Meireles (junto á estrada); entre o Arco e o Nabo; Gavião; Alto da Caroça, etc.
Nota: aceito indicações para a flor do mês de Dezembro.

09 dezembro 2008

Freguesia Mistério 22

A Freguesia Mistério 21, em votação online durante o mês de Novembro, chegou ao fim. A pergunta não era fácil, uma vez que a fotografia documenta uma igreja não da sede de uma freguesia mas duma anexa. É possível que muito poucos dos visitantes deste blogue tenham tido um dia a oportunidade de a visitar. Trata-se da capela de Valbom, pertencente à freguesia de Trindade. Esta capela, tal como atesta uma placa afixada no exterior, foi "construída com o esforço do povo de Vale-Bom, inaugurada e benzida a 15 de Maio de 1958". Toda a capela, interior e exterior está impecavelmente cuidada. Outra placa afixada no exterior diz: "Após restauro completo, esta igreja foi inaugurada a 12/03/2006".
Quem ocupa o lado direito do altar é S. Gregório mas há também imagens de S. António, S. José, do Sagrado Coração de Jesus Santa Bárbara, Nossa Senhora de Fátima e, a maior curiosidade, Nossa Senhora do Parto, segurando uma criança, acabada de nascer, num pano branco. Também o Menino Jesus está por perto e há outras imagens que não consegui identificar.
Não tenho feito muitas visitas à pequena localidade de Valbom, mas tenho um conjunto de fotografias interessantes que espero mostrar à medida que surja a oportunidade.
Dos 33 participantes na votação, foram 6 (18%) os que deram a resposta correcta. Espero que o desconhecimento desta obra seja também um motivo para a visitar.
A votação ficou assim distribuída:
Benlhevai (2 votos )6%
Candoso (2) 6%
Carvalho de Egas (1) 3%
Lodões (1) 3%
Mourão (1) 3%
Nabo (4) 12%
Samões (1) 3%
Santa Comba de Vilariça (1) 3%
Seixos de Manhoses (2) 6%
Trindade (6) 18%
Vale Frechoso (1) 3%
Vila Flor (5) 15%
Vilarinho das Azenhas (1) 3%
Vilas Boas (5) 15%

O novo desafio já está disponível desde o dia 1 de Dezembro. Trata-se de uma rocha granítica que pesa algumas toneladas. Esta curiosidade criada pela mãe natureza, foi alvo da atenção dos homens, que decidiram transportá-la e colocá-la bem no centro da aldeia, onde todos a podem admirar. Há dezenas de rochas destas, pelos montes (algumas bem curiosas, no Vieiro), mas esta está num jardim.

05 dezembro 2008

Panorâmica de Samões

Infelizmente todas as fotografias que tinha alojado noutros servidores, por excederem as dimensões que este blogue permite, deixaram de estar disponíveis. Por isso, é possível que algumas dêem uma mensagem de erro. Tentarei procurar um espaço alternativo ou terei mesmo que colocar as fotografias com menores dimensões.

A fotografia de hoje é mais uma panorâmica, esta de Samões. Foi tirada às primeiras horas do dia e por isso ainda há uma grande zona de sombra. Resulta da junção de 3 fotografias normais.

04 dezembro 2008

Inauguração do Estádio Municipal de Vila Flor

Vai ter lugar no dia 7 de Dezembro a inauguração do Estádio Municipal de Vila Flor, com a presença do Secretário de Estado da Juventude e Desporto, Dr. Laurentino Dias.
A cerimónia terá lugar no próprio estádio, às 15 horas.

01 dezembro 2008

50 anos - Museu Drª Berta Cabral

Comemoram-se no dia 30 de Novembro de 2008, os 50 anos do museu Dr.ª Berta Cabral. As baixas temperaturas que se fizeram sentir, obrigaram a alterações no seguimento do programa previsto, mas não afastaram aqueles que quiseram estar presentes.
O descerrar da lápide comemorativa acabou por ter lugar durante a manhã e a animação levada a cabo pela Companhia Profissional de Teatro Filandorra teve lugar no auditório do Centro Cultural e não no Largo do Museu, como estava previsto.
A animação foi desenvolvida em duas partes: numa foi feita uma dramatização representando Raul de Sá Correia, na outra, mais carregada de humor, foi representado um texto de Pires Cabral, baseado na história da sopa de pedra.
Na primeira parte foi lido o texto “Os arquivos da memória”, de Batista Bastos, publicado no Expresso em 1992. Num palco decorado com objectos trazidos do museu, dois actores deram vida a Raul de Sá Correia e Maria José, sua esposa.
“Vai a tarde a caminhar para a noite. Numa distinção sóbria e altiva, este homem que parece atribuir aos objectos inanimados uma dimensão móvel, com alma, comportamento e existência - este homem que conferiu a uma espécie particular de trabalho a divisão do afecto, recusando o acaso, manifesta-me a memória das coisas e diz que tudo que possui um secreto e sempre indecifrável significado: "Aquilo que nos rodeia dispõe de uma função diferenciada. E o nosso diálogo é sempre com Deus". Desce a rua antiquíssima, bengala à frente, braço com braço na mulher, e, delicadamente, entra no solar do século XVII, onde mora, onde vive - onde acredita.”

Na segunda parte, o “frade”, arrancou verdadeiras gargalhadas na plateia enquanto ia juntando os ingredientes para o seu caldo de pedra.
Chegado o momento do lançamento dos livros "Vila à Flor dos Montes", de João de Sá e “Vila Flor – Memórias de um outro tempo” de António Meireles, o sr. presidente Artur Pimentel tomou a palavra. Agradeceu ao director do grupo Filandorra por ter feito uma dramatização de um quadro da vida de Raul Sá Correia, dado que o mesmo se funde com o museu. O museu sempre foi e será um ex-libris de Vila Flor. O museu está bem como está, deve ele próprio ser museu. Recolocar as peças, remodelar o espaço, equivale a perder a identidade, uma vez que todos os vilaflorenses conhecem os objectos, sabem onde estão e revêem-se neles. “O museu está hoje como há 50 anos. Mudam-se as janelas, pintam-se as paredes, mas o essencial mantém-se”. Esta tem sido a filosofia de sucessivos presidentes da Câmara.
Para a mesa convidou Alfredo Ramalho, ex presidente da Câmara, Dr. João de Sá, escritor, autor do livro Vila à Flor dos Montes, a Dr. Fátima Meireles, esposa do Dr. António Meireles, autor de do livros Vila Flor – Memórias de um outro tempo, já falecido.
A meio da mesa ficou uma cadeira vazia. O presidente da edilidade esclareceu que a cadeira seria daquele que presidiria às cerimónias, caso estivesse vivo, Raul de Sá Correia.
Realçou a última oferta ao museu, uma grande colecção de miniaturas de automóveis doadas por um habitante de Vilas Boas e o impacto da telenovela “A Outra”, que trouxe uma grande quantidade de visitantes a Vila Flor e ao Museu. Com um número médio anual de 1000 visitantes, soma já cerca de 8000 em 2008.
Tomou depois a palavra a Dr. Fátima Meireles. Emocionada, agradeceu à Câmara Municipal por tornar possível a leitura dos textos do seu marido a todos os vilaflorenses. O Dr. António Meireles, escreveu sobre a Vila Flor do seu tempo (anos 40 e 50), primeiro ao ritmo de um texto por ano, depois, dando conta que o tempos se lhe esgotava, acelerou o ritmo, mas morreu deixando apenas com uma página o texto que tinha em mãos dedicado ao Dr. Cabral Adão.
A actriz Cecília Guimarães (que privou com Adelina Campos), presente na sala, subiu ao palco para ler alguns poemas do livro “Vila à Flor dos Montes”.
O Dr. João de Sá dividiu a sua intervenção em duas partes: numa primeira, falou sobre o museu e sobre Raul de Sá Correia, seu tio, na segunda teceu algumas considerações sobre o livro que estava a ser lançado. Realçou o caracter de seu tio, que com habilitações literárias muito básicas, conseguiu deixar obra de grandeza excepcional: biblioteca, arquivo e museu. Sonhou colocar Vila Flor a ler, não uma literatura qualquer, mas sim literatura universal.
Chamou a atenção para a importância do arquivo, onde se guarda a história de todos e da cada vilaflorense, concordando também com a ideia defendida pelo sr. Presidente da Câmara de "um museu dentro do museu". Lembrou que os objectos quando entram no museu ganham um significado que não tinham enquanto objectos, mas para isso necessitam de espaço, talvez por isso, o museu necessite de mais espaço. Cada objecto é um símbolo que transcende o próprio objecto.
Para terminar as suas flexões sobre o museu, louvou o empenho e dedicação de quem cuida da organização e funcionamento do museu na actualidade, o sr. Rogério Fernandes.
Referindo-se ao seu livro, começou por agradecer a Vila Flor. Apesar de apenas aqui ter vivido um quarto da sua vida, Vila Flor moldou-lhe o carácter, com o vento, a luz, a neve e o tempo.
Agradeceu ao Dr. Pimentel, à Dr.ª Gracinda e a todos os que fizeram com que o livro fosse possível. Descreveu o livro como a “memória do tempo”, um aceno aos desenraizados que talvez com ele vislumbrem, ao longe, um caminho de regresso à leira nativa.
Depois de autografados os livros, gentilmente oferecidos pela Câmara Municipal a todos os presentes, os mais resistentes rumaram para o museu, a fim de assinarem o livro de honra.
Às vinte e uma horas o auditório do Centro Cultural abriu-se de novo para se ouvir fado de Coimbra, interpretado pelo grupo Capas Negras. A afluência foi grande, com mais de 200 pessoas que quase encheram o auditório.
Todas as músicas interpretadas foram seguidas com muita atenção, mas o público entregou-se mais no acompanhamento da “Samaritana” e da “Balada da Despedida”. Também a interpretação de dois fados de Xabregas, marcante fadista de Coimbra, nascido em Samões, foi efusivamente aplaudida.