27 janeiro 2009

Barragem de Foz-Tua - Avaliação de Impacte Ambiental


A Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) do Aproveitamento Hidroeléctrico de Foz Tua encontra-se em consulta pública até 18 de Fevereiro.
O estudo apresenta 3 cenários consoante a cota que se pretende atingir com a água da barragem.
Este estudo está disponível para consulta nas câmaras municipais e juntas de freguesia dos concelhos afectados pela construção da futura barragem, nomeadamente Alijó, Murça, Carrazeda de Ansiães, Mirandela e Vila Flor, assim como na Agência Portuguesa do Ambiente e na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.
Pode ser consultado também na página web da EDP (aqui). Está dividido em vários ficheiros PDF totalizando quase 90 MB. Recomendo o Resumo Não Técnico que tal como o nome indica é um resumo, escrito em linguagem mais acessível para poder ser consultado pelo grande público.
O Resumo Técnico tem mais de 800 páginas!


A apresentação com fundo musical mostra uma "viagem" de Foz Tua a Mirandela durante os meses de Verão.

26 janeiro 2009

Vento, frio, chuva e neve

Os últimos dias têm sido agitados em termos climatéricos. A acompanhar os ventos e o frio que se fazem sentir, a chuva alterna com a neve, conferindo à paisagem momentos de beleza e momentos de inquietação. Durante a noite há constantes quebras na luz eléctrica e ontem explodiam ao longe enormes faiscas que se libertavam na noite a partir das linhas de alta tensão, possivelmente porque os fios se tocavam com as rajadas de vento.
Mesmo assim, não têm faltado oportunidades para as fotografias, umas mais belas, outras mais sombrias, depende do estado de alma.

20 janeiro 2009

Envolta em nevoeiro

Parece-me que neste Inverno tem havido menos dias de nevoeiro nos pontos altos do concelho, ao contrário do que acontece no vale da Vilariça. Mesmo assim, quando o nevoeiro invade a vila, desperta-me a vontade de o fotografar, coisa que não é fácil. Este é o aspecto da vila num dias desses, quando o sol se prepara para deixar tudo envolto nas sombras.

19 janeiro 2009

Alminhas (1) - Assares

Dado que não possuo qualquer formação sobre o assunto e também não disponho de tempo para investigar junto das pessoas ou dos representantes religiosos, esta recolha vai ser basicamente fotográfica.
Decidi começar esta minha visita às Alminhas do concelho com este belo exemplar, que se pode admirar junto à estrada (EM606) em Assares. A ideia que eu tenho, mesmo sem conhecer ainda todos os exemplares do concelho, é de que não existe grande variedade arquitectónica ou mesmo estética. A escolha destas Alminhas para começar esta série, prende-se com o facto de me parecer o melhor exemplo de Alminhas, ainda mantendo todo o ambiente e cor que grande parte das outras Alminhas deviam apresentar no passado.
Estas alminhas são muito simples. Estão isoladas, suportadas num muro. O painel está em baixo relevo numa placa de granito com pouco mais de meio metro de altura. Há aproximadamente seis anos que foi restaurada a pintura, pela mesma equipa que fez o restauro da igreja matriz.
Procurei alguma inscrição, mesmo pela retaguarda, mas não encontrei. Ao observar as fotografias parecem-me ser visíveis algumas incisões na base, mas não sei se se trata de algo escrito.
Para proteger o conjunto, também os vasos com flores, que mesmo artificiais, são mudadas com frequência, foi colocada uma placa de cimento por detrás do conjunto. Esta placa está apenas apoiada e encostada.
Com a protecção colocada por trás e porque também se encontra sob uma acácia, é possível que a pintura, muito bela e executada com mestria, se mantenha em boas condições por muitos anos.
É possível que quando as Alminhas aqui foram colocadas, este seria o limite da aldeia.

18 janeiro 2009

Missa d'alva

"Levanto-me muito cedo e venho sempre à missa d'alva. Visto o casaco e por aí caminho eu, desde a quinta lá para os lados de Sampaio, e venho a pé, que remédio!, pois não se ganha para trazer um machito do meu genro, vai todos os domingos trabalhar com eles, só quando precisam de ferraduras é que trago um, mas gosto de vir por aí acima, olhar para as oliveiras em flor ou com o fruto já, ou então na época das colheitas, é um regalo ver o trigo e o centeio curvarem-se no ar da manhã, a darem os bons-dias, parece até que as espigas se conhecem e se debruçam umas para as outras a falar das vizinhas, e os pardais já começam a chilrear, deixá-los governar a vida, também precisam de comer, oxalá se fiquem por estas searas que são de quem pode com o desgaste e não vão para as nossas, que têm de dar para o ano inteiro e já é um pau se houver pão à fartura.
Hoje é que me esqueci de me levantar cedo, mas a verdade é outra, o reumático aperta comigo e as manhãs estão frias de mais, embora seja bonito ver as azeitonas tão pretas que é um regalo, a geada também é linda, põe tudo branco, tal qual os cabelos dos velhos como eu, mas é fria e o vento atravessa os ossos, de maneira que me levantei tarde, comi pão com queijo, bebi um copo de vinho e vim por aí acima, devagar e com os joelhos aos estalos, mas vim. Não queria faltar à missa e havia outra às onze horas, mas cheguei cedo e meti-me na taberna do Albino, onde encontrei o Daniel, e copo puxa copo, palavra puxa mais conversa, ali me entretive até quando só faltava um quarto para as onze.
Quando saí para o largo da igreja, vi muitos carros parados e outros que chegavam e senhoras a saírem todas embonecadas, e outras ainda, a passarem muito bem vestidas, algumas de chapéu, muito pintadas!, e mal podiam andar nos sapatos de tacão alto, e vi mais aquela rapaziada, de gravata à porta da igreja, a ver passar as mulheres, toda a gente fidalga!, e eu fiquei embasbacado com tanta vaidade, porque os conheço a todos e sei que muitos não ganham para aquilo, onde irão buscar o dinheiro?, pensei cá para os meus botões, e fugi, esqueci os joelhos que estalavam com o reumático e vim para a quinta, pois aquela missa não era para mim, Deus me perdoe!, para o domingo que vem levanto-me cedo e vou à missa d'alva, essa sim, é para os pobres."

Texto retirado do livro "O Coração da Terra"(Caminho, 2006), da autoria de António Modesto Navarro. Mais um escritor vilaflorense que este blogue divulga com muito gosto.

15 janeiro 2009

Museu - Máquinas fotográficas 2

Já faz bastante tempo que escrevi o primeiro post sobre as máquinas fotografias antigas existentes no Museu Berta Cabral, em Vila Flor. Entretanto, já devo ter ido ao museu pelo menos uma dezena de vezes. É que o museu é um daqueles lugares onde somos surpreendidos a cada vez que lá vamos. Não admira que durante o ano de 2008 tenha sido visitado por cerca de 7 mil pessoas!
Juntamente com a máquina fotográfica que descrevi em Maio, há uma outra igualmente antiga e pouco documentada. Estou convencido que é de fabrico nacional, o que torna mais difícil a sua caracterização e datação. Trata-se de mais uma máquina de fole com uma caixa de madeira.
O fole começou a equipar as máquinas fotográficas a partir de 1851. Permitia a criação de aparelhos mais “leves”, que podiam ser "encastrados" para poderem ser transportados, ao que se deve a expressão “de viagem”. Apesar desta máquina fotográfica ser seguramente do início do século XX, pouco depois de 1900, era sem dúvida excelente. A prová-lo, estão algumas características: a objectiva anastigmat, já na altura de superior qualidade, fabricadas para suprimir a aberração esférica; tinha um obturador de cortina, feito em tecido opaco; tinha um bom leque de velocidades de disparo 1/15, 1/30, 1/45, 1/75 e 1/90 (tem ainda uma posição intermédia entre cada uma delas); o diafragma permitia as aberturas 7, 11, 16, 22, 31 e 44.
Na objectiva está gravado, com vários tipos de letra artísticos, “Limili Anastigmat – BERO, Fr. J. Photo Bazar – Porto”. Também na caixa de madeira existe cravada uma pequena placa metálica com a indicação “Photo-Bazar, Artigos para Photographia, Casa especial, PORTO”. Todas as indicações mostram que esta máquina, se não é produção nacional, é pelo menos completamente montada em Portugal.
É especialmente bonita! A cor de cerejeira da madeira combina com o tom pimentão do fole, terminando com o cuidado tido na gravação das letras e marcações do diafragma da objectiva. Além disso, está em muito bom estado, o que demonstra o cuidado com que sempre foi tratada.
Tem 17 cm de altura e 12 de largura. Com o fole distendido atinge 22 cm. Não apurei as dimensões máximas de placas que podia ser utilizadar.
Esta beleza pertenceu a Armando António Costa e foi oferecida ao museu pelo seu sobrinho, Abel José Fontes, em 1996.

13 janeiro 2009

Alminhas - Introdução

Não quis começar a inventariação das Alminhas do concelho de Vila Flor sem me informar minimamente sobre este assunto. Todos estamos habituados a encontrar alminhas em vários pontos das localidades e fora delas, mas a variedade é tal, que dou comigo a pensar: - Afinal o que é que são Alminhas? Qual o seu Significado?
Aquilo que parecia uma simples consulta à Wikipédia, fonte de todo o conhecimento em época dos Magalhães, transformou-se numa sessão de muitas horas de pesquisa, tentando encontrar a ponta do fio, nem que para isso fosse necessário palmilhar caminhos mais sérios, sobre a história da igreja e o comportamento humano, em textos de natureza mais científica.
Quando eu nasci, as Alminhas já existiam, devo pensar que são tão antigas como o cristianismo? Tudo leva a crer que não. Embora alguns estudiosos ponham a hipótese das Alminhas serem a evolução de pequenos altares que os romanos construíam aos deuses nas encruzilhadas, essa não parece ser a teoria mais aceite. Não há dúvida de que as Alminhas estão relacionadas com o facto de se acreditar que a alma dos justos, após a morte do corpo, terá que suportar algum sofrimento para que se purifique dos pequenos pecados (não capitais) num lugar intermédio, entre a terra e o Paraíso, ou seja, no Purgatório. A existência do Purgatório foi posta em causa por teólogos durante o século XIII e mais tarde por Lutero e Calvino.
A igreja, com sede em Roma, esforçou-se por dar resposta a essa questão em vários concílios, afirmando como verdade a existência do Purgatório e a validação da oração, no Concílio de Trento, no século XVI. Este dogma (o Purgatório existe), despertou nos cristãos uma séria de manifestações de fé com vista à salvação das almas dos seus ante queridos em sofrimento: orações, missas, esmolas, etc. Para ajudar a divulgação da mensagem, não acessível a todos em texto, começaram a ser produzidas gravuras de fácil entendimento, com pinturas apelativas, que tocavam as pessoas com grande facilidade. As tabuinhas com as representações do Purgatório pregadas nas portas das cidades e noutros lugares públicos, espalharam-se durante o século XVIII, a todos os caminhos encruzilhadas e montanhas.
Adquirem formas diferentes conforme a região e os materiais existentes, indo desde a mais simples cova escavada nas rochas a pequenos templetes trabalhados com rigor e beleza. Abrigavam retábulos pintados, a fresco ou a têmpera, sobre madeira ou folha-de-frandres. As pinturas representam o fogo do Purgatório sob a forma de uma fogueira, onde as almas, com as mãos levantadas pedem auxílio a anjos e santos como S. José, S. António entre outros, do anjo S. Miguel Arcanjo (com a sua balança), de Jesus Cristo crucificado, da Nossa Senhora do Carmo, da Nossa Senhora do Alívio e do Espírito Santo. Pedem também às pessoas que por ali passam que rezem por elas:
“ó vós que ides passando, lembrai-vos dos que estão penando”
ou com outra mensagem ainda mais forte, apelando à solidariedade:
"Nós penamos e vós zombareis, mas lembrai-vos que como Nós sereis”
Estes humildes monumentos, tão enraizados na tradição portuguesa, têm uma forte implantação em todo o Norte e Beiras de Portugal e na Galiza. Espalhados pelas praças, pelos caminhos, nas encruzilhadas, nas pontes e em todas as saídas e entradas das povoações, as Alminhas eram respeitadas e veneradas por todos, que se descobriam quando por elas passavam, rezavam, colocavam flores, velas e também uma esmola, em caixas metálicas colocadas para o efeito, cravadas nas rochas, com uma grossa chave à guarda de um mordomo.
Com o tempo, o cuidado com as Alminhas foi diminuindo e a sua frágil construção levou à sua deterioração e até destruição. Foi já no século XX, durante a época de 50 que as Alminhas voltaram a ser alvo de uma grande devoção. Os painéis pintados sobre o zinco, a madeira ou a cal, deram lugar a um suporte mais duradouro, o azulejo, policromado ou de uma só cor (azul). Como muitas vezes acontece, a ânsia do novo e brilhante leva à substituição de exemplares representativos por trabalhos mais modernos, vistosos e duradouros, mas de fraco valor artístico e histórico. Entretanto, alguns foram caindo no esquecimento, até aos nossos dias.
Nos próximos tempos, vou tentar fazer uma recolha, a mais completa possível, das Alminhas existentes no concelho. Para esta recolha, vou seguir o critério de considerar Alminhas os painéis/pinturas destinadas a pedir orações pelas almas dos mortos. Estas imagens representam as almas nas chamas do Purgatório, atendidas por um certo número de santos ou certos símbolos religiosos que as procuram libertar. Muitas vezes já não existe qualquer painel ou pintura, mas somente o suporte – o nicho – escavado nas rochas ou construído em variados materiais.

As fotografias representam alminhas em Assares, Vila Flor (perto da barragem Camilo Mendonça) e Macedinho.

12 janeiro 2009

e de repente é noite (XXVII)

XXVII
O sol atravessado pelas sombras
de todos os lugares que habitámos
e onde nada se cumpriu.
Entre desdobráveis planícies
o fantasma de uma vela navega horas
de sermos praias de inexistente
oceano.
Um coágulo de lembranças
suspenso à beira do telhado.
Um inverno tão distante.
Tanto frio.
XXVIII
Vou pelo assombramento de quartos e salas,
inventariando móveis, invadindo gavetas
que derramam no sobrado uma infância
de pinheiros de natal desfilando
em eclipses de comboios de corda.
Os fungos à superfície dos espelhos
denotam os múltiplos semblantes
que, ao reflectirem-se,
neles se descobriram imagens divididas
entre o exílio efectivo e o reino imaginário.
As conchas onde ouvíamos um cicio de mar,
da forma de um nada que podia ser tudo.
O relógio de pesos parado, a poeira do tempo
sobre a engrenagem, sarcasmo do acaso
ao anseio de exactidão dos ponteiros.
E as indomáveis mãos na glacial desmemória
de anónimas, tolerantes faces,
plasmam-se ao alheamento dos ícones
e inundam de água de sombra o ácido das vozes.

Poemas de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografias na monte do Facho, durante a noite.

10 janeiro 2009

Saboreando o Inverno

Hoje tirei o dia para saborear o pouco que restou da neve de ontem. Apesar de pouca, proporcionou-me experiências interessantes e alguns passeios pelos arredores de Vila Flor.
A meio da manhã o céu ficou limpo e brilhou o sol que rapidamente acabou com os poucos retalhos brancos. Felizmente já tinha uma boa colecção de fotografias que poderei mostrar nos próximos dias.

09 janeiro 2009

Neve, em Vila Flor

Depois de tanto me queixar de não conseguir fotografar a neve, eis que ela veio visitar-nos a Vila Flor. Depois de vários dias de alerta, a manhã até nem era das mais frias da semana, mas, antes das nove da manhã, já caiam os primeiros "farrapos" de neve. Continuaram a cair, timidamente, até às 10:30 da manhã, altura em que começou a nevar com bastante intensidade. Depois de cerca de meia hora a nevar, a vila já se apresentava completamente colorida de branco, mas o manto durou pouco tempo. Houve algumas abertas e chegou mesmo a nevar e a fazer sol, em simultâneo.
A tarde esteve serena, até cerca das 16:00 horas. Nessa altura a temperatura desceu bastante e recomeçou a nevar com alguma intensidade. Foi dada ordem superior para que os alunos apanhassem os autocarros de regresso às aldeias de origem, com receio que as estradas ficassem intransitáveis. Manteve-se a nevar com alguma intensidade, mas grande parte da neve derreteu, mantendo-se os telhados completamente brancos e algumas zonas do chão.
Durante a noite, está a gear. Vê-se claramente a lua, e é possível que amanhã as estradas estejam bastante perigosas.
Para desgosto meu, trabalhei quase todo o dia, limitando-me a olhar pela janela, com ansiedade. Ficam aqui algumas fotografias de Vila Flor, às 11 horas da manhã.

07 janeiro 2009

Reconstrução do Centro de Arte Graça Morais a concurso


A Câmara Municipal de Vila Flor, com Apoio Técnico da Ordem dos Arquitectos - Secção Regional Norte, lançou o Concurso Público, para trabalhos de concepção, de uma fase, sujeito a anonimato, para a reconstrução do edifício centro de arte Graça Morais.

Segundo a informação disponibilizada no site da Ordem dos Arquitectos, o concurso está aberto a profissionais independentes, pessoas colectivas constituídas ao abrigo do Código das Sociedades Comerciais e empresários em nome individual, habilitados a exercerem a actividade de estudos e projectos de Arquitectura. Para o efeito deverão ser constituídas equipas projectistas, coordenadas por um Arquitecto, que será o autor do Projecto Geral.

Fonte : Ordem dos Arquitectos (*)

06 janeiro 2009

Cantores dos Reis

Foram vários os grupos que durante a noite do dia 6 percorreram as ruas de Vila Flor, cantando os reis, de porta em porta. Numa noite como esta, faz todo o sentido cantar:

Nesta noite linda e fria
Só com a luz do luar
São chegados os três reis
Boas festas vimos dar.

Parabéns a todos os grupos que me cantaram os reis. A sua disponibilidade é importante para que a tradição não se esqueça.