22 fevereiro 2009

Edifício Centro de Arte Graça Morais

A Câmara Municipal de Vila Flor, com Apoio Técnico da OASRN, lançou um Concurso Público para a elaboração do Projecto de "Reconstrução do Edifício Centro de Arte Graça Morais (Encontro das Artes/ Espaço Graça Morais)". O interesse neste concurso é evidente pelo número de pessoas, em princípio arquitectos, que têm vindo recolher informação sobre a casa envolvida.
O edifício em questão, não passa despercebido: quer pela sua localização, quer pelos dois painéis de azulejo da Praça da República que ostenta na parede, quer pelo seu alpendre com gradeamento em ferro forjado (que já inspirou muitas das minhas fotografias (1)(2)).
O concurso é de reconstrução, o que indica que não se trata de uma demolição e construção de um novo edifício o que poderiam levar à repetição de alguns erros já cometidos noutros edifícios públicos, em Vila Flor. Talvez por isso, tenho notado a preocupação dos interessados, em saberem mais do que as dimensões da casa e terreno próximo, procurando saber também sobre a história e do ambiente circundante.
A casa está inserida num conjunto de três que pertenceram à família Corte-Real. A que vai ser reconstruída pertenceu a Sebastião Corte-Real, uma outra (onde está a Casa Africana) pertenceu a Miguel Corte-Real e uma terceira que foi de Maria Vicentina Corte-real. Das três casas, a que pertenceu a Sebastião Corte-Real acabou por ficar devoluta, mas há muito gente que se recorda de ainda estar habitada.
Uma das razões possíveis que pode ter conduzido ao estado de abandono seja o facto de, apesar do aspecto imponente do seu varandim e das bonitas águas-furtadas, o seu interior ser constituído por divisões muito exíguas, já para não falar das escadas que dão acesso aos vários pisos. Tal sugere que a casa foi objecto de vários acrescentos, também evidenciados pelo facto de uma das janelas da fachada dar directamente para uma varanda, fazendo parecer que a casa é maior do que realmente é. No gradeamento do varandim é visível a data de 1914 e as iniciais do seu proprietário “SCR”.
Os painéis de azulejos representando a Praça da República em 1930 e em 1937, não existiam em 1994, altura em que a casa ainda era habitada.
A casa tem a fachada principal para a Praça da República mas dá também para a Rua Miguel Corte Real, onde um anexo termina com uma tradicional varanda em madeira.
No rés-do-chão não há nada de referenciável a não ser que as paredes principais são feitas de um misto de xisto e granito revestidas com barro. No primeiro andar, do varandim tem-se acesso a um corredor que atravessa toda a construção. As divisões são pequenas. Alguns tectos têm elementos decorativos em gesso.
De todas as divisões a que apresenta algum interesse para a fotografia é a cozinha. Os objectos devem ter sido aí colocados recentemente, especificamente para a rodagem de algumas cenas da telenovela “A outra”, que passou na TVI.
Da capela pouco resta e dos quartos também. Há uma casa de banho e é de realçar que toda a casa tinha aquecimento central. No sótão, a que se tem acesso por umas escadas muito inclinadas, há um conjunto de dois compartimentos mais amplos e várias pequenas divisões. Há um conjunto de duas janelas com uma vista privilegiada da Praça da República e três outras para a Rua Miguel Corte-Real. O sótão era característica de quase todas as casas da praça, e muitas ainda o mantêm. Mas sobre a praça, vou tentar saber mais, fazendo algumas leituras, e escreverei noutro dia.

15 fevereiro 2009

Detalhes em ferro

Quando em Março de 2008 realizei uma exposição de fotografias em que o motivo principal era o ferro, recebi do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo o convite para realizar idêntica exposição na sua sede. Durante um ano reforçaram-se os laços e eis que, praticamente no mesmo mês, as fotografias vão ser expostas em Torre de Moncorvo. A exposição chama-se Detalhes em Ferro. Algumas das fotografias já integraram a exposição realizada em Vila Flor, outras, mais em pormenor, vão juntar-se ao conjunto, desta vez com alguma cor, somente a necessária para despertar as emoções desejadas.
São duas as razões de falar aqui nesta exposição: primeiro porque me sentirei muito satisfeito se passarem pelo Museu do Ferro para verem as minhas fotografias; em segundo porque vão estar expostos muitos detalhes de Vila Flor. O Blogue ganha assim outra dimensão: mostrar Vila Flor noutros locais, sem ser em suporte digital.
De 21 de Fevereiro a 21 de Março, em Torre de Moncorvo.

12 fevereiro 2009

Alguns raios de sol

Apesar de ter amanhecido com uma boa camada de geada, o dia de hoje esteve muito agradável, com um sol brilhante convidando a uma participada conversa, junto do Pelourinho de Vila Flor.

11 fevereiro 2009

Flor do Mês - Janeiro 2009

No momento de escolher a Flor do Mês para representar Janeiro, vacilei entre a Candeia ou Capuz-de-Fradinho ou o amieiro. Ambas são plantas que aparecem em floração no mês de Janeiro e ambas apresentam flores bastante curiosas, dignas de um olhar mais atento. A escolha recaiu no Capuz-de-Fradinho (Arisarum vulgare Targ.-Tozz). Esta flor não é uma verdadeira flor, mas uma inflorescência ou seja o local onde se podem encontrar um conjunto de flores, neste caso unissexuais. É um parente mais ou menos próximo do Anthurium, muito popular nos arranjos florais actuais. Pois se acham estas questões de botânica complicadas, sugiro um olhar no amieiro, candidato a Flor de Janeiro do próximo ano que apresenta flores masculinas e flores femininas em formações completamente distintas!
A Capuz-de-Fradinho ou candeia, deve o seu nome à cor e forma da sua inflorescência, que aparece de Outubro a Abril. Estas plantas são típicas de zonas rochosas e húmidas sendo mais abundantes no centro e sul de Portugal (clima mediterrânico). No concelho é mais fácil encontrá-la nas zonas mais baixas dos vales dos rios e ribeiras. Este exemplar fotografei-o junto à Linha do Tua onde é muito abundante. O tamanho das folhas e flores depende da quantidade de terra existente, uma vez que a planta se desenvolve nas encostas rochosas, onde, por vezes, apenas existem poucos centímetros de solo.
Recordar a Flor do Mês - Janeiro de 2008

09 fevereiro 2009

O nosso pão



Tem as feições da terra o nosso pão
E o gosto a lúcia-lima sob o encanto
Duma acácia florida a dizer tanto
Que o nada se transforma em expressão.

Liga feliz de alma, olhar e mão,
Amalgamada em cânticos e pranto.
O fermento do longe, o sal e o espanto
Da boca que esfriou a amar o Verão.

Quem espremeu o sol sobre a masseira
Ou a lua de Agosto? Quem deslinda
O rosto dessa esquiva feiticeira?

Cala-me, pão, o meu precário grito
- Violino a agonizar, tocando ainda
Sem me extinguires a fome de Infinito!

Soneto de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
As fotografias foram tiradas no forno junto ao museu de Vila Flor.
Outros poemas de João de Sá: Flor-poema, Maravilhamento, Absoluto visível, Serra, A pergunta, Consagração.

03 fevereiro 2009

Senhora da Lapa


Foste, primeiro, a configuração
Das longas noites de temores de infância:
Uivos de lobo e vento, e a fragrância
Dos pinheiros da minha escuridão...

Doaste-me, depois, a amplidão,
O Sol de lava erguido em minha ânsia.
Mais tarde, foste a gota, de distância
A transbordar da minha comoção...

Correu célere o tempo. A tecedeira
Deixou fogo e água na poeira
Donde partiram todos os caminhos.

És hoje, só, a pedra onde deponho
As ruínas sobrantes de alto sonho,
Sem musgo e penas para novos ninhos!

Soneto de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
A fotografia foi tirada no dia 28 de Fevereiro de 2009, no Arco.
Outros poemas de João de Sá: Flor-poema, Maravilhamento, Absoluto visível, Serra, A pergunta, Consagração.

Fotografias tirada na Senhora da Lapa, dia 02-02-2009.

01 fevereiro 2009

Freguesia Mistério 24

Terminou a votação na Freguesia Mistério n.º23. Este cruzeiro é desconhecido para a maior parte das pessoas. Tentei dar algumas pistas dizendo que era uma freguesia grande e que o cruzeiro se encontrava numa rua de pouco movimento. A freguesia é Vilas Boas e a rua é a Rua da Azinheira. É necessário descer a Rua do Fundo da Vila, em direcção à Ribeirinha, e, quase no final da aldeia, junto a outro grande cruzeiro, cortar à esquerda. Poucas de dezenas de metros à frente aparece este cruzeiro, "plantado" em cima se um bloco granítico num harmonioso conjunto. Na fotografia fiz alguma "limpeza"eliminando fios eléctricos que eram visíveis. Desconheço se o cruzeiro tem algum nome específico.
A votação ilustra a dificuldade em identificar este cruzeiro como pertencente à freguesia de Vilas Boas. Os votos ficaram distribuídos da seguinte forma:
Freixiel (2) 11%
Lodões (1) 6%
Nabo (4) 22%
Roios (1) 6%
Santa Comba de Vilariça (2) 11%
Vale Frechoso (1) 6%
Vila Flor (2) 11%
Vilarinho das Azenhas (1) 6%
Vilas Boas (4) 22%

O desafio da Freguesia Mistério n.º24 prende-se com as ruínas de uma capela. Já várias vezes falei dela aqui no blogue. Está em ruínas e está a ser recuperada, por isso as paredes estão tão bem cuidadas mas não tem chão nem telhado. Em que freguesia podemos encontrar as ruínas da capela que a fotografia documenta?

28 janeiro 2009

Rebusqueiros

De manguito pendente do pescoço,
A' frígida manhã fazendo esgares,
Lá vai um moço, e outro, e outro moço
Caminho do olival de Castelares.

Ficam de lado, comentando aos pares,
O trabalho do rancho após o almoço,
Mulher's a arrebanhar, com mil vagares,
Toda azeitona, mesmo no caroço!...

Levanta o rancho para outro lugar,
Chegam-se os rebusqueiros a apanhar,
Esquecido pra trás, algum baguito...

E à noite, ao regressar ao casinhoto,
Cada um é suspeito de maroto
... E nem meado traz o seu manguito!

Soneto retirado do livro “Versos – Vila Flor”, impresso em Novembro de 1966, da autoria do Dr. Luís Manuel Cabral Adão.
Ouros poemas de Cabral Adão: Árvore em flor, Trovoada, Carícia real e Modelação

A fotografia foi tirada próximo de Meireles em Novembro de 2008.

27 janeiro 2009

Barragem de Foz-Tua - Avaliação de Impacte Ambiental


A Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) do Aproveitamento Hidroeléctrico de Foz Tua encontra-se em consulta pública até 18 de Fevereiro.
O estudo apresenta 3 cenários consoante a cota que se pretende atingir com a água da barragem.
Este estudo está disponível para consulta nas câmaras municipais e juntas de freguesia dos concelhos afectados pela construção da futura barragem, nomeadamente Alijó, Murça, Carrazeda de Ansiães, Mirandela e Vila Flor, assim como na Agência Portuguesa do Ambiente e na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.
Pode ser consultado também na página web da EDP (aqui). Está dividido em vários ficheiros PDF totalizando quase 90 MB. Recomendo o Resumo Não Técnico que tal como o nome indica é um resumo, escrito em linguagem mais acessível para poder ser consultado pelo grande público.
O Resumo Técnico tem mais de 800 páginas!


A apresentação com fundo musical mostra uma "viagem" de Foz Tua a Mirandela durante os meses de Verão.

26 janeiro 2009

Vento, frio, chuva e neve

Os últimos dias têm sido agitados em termos climatéricos. A acompanhar os ventos e o frio que se fazem sentir, a chuva alterna com a neve, conferindo à paisagem momentos de beleza e momentos de inquietação. Durante a noite há constantes quebras na luz eléctrica e ontem explodiam ao longe enormes faiscas que se libertavam na noite a partir das linhas de alta tensão, possivelmente porque os fios se tocavam com as rajadas de vento.
Mesmo assim, não têm faltado oportunidades para as fotografias, umas mais belas, outras mais sombrias, depende do estado de alma.

20 janeiro 2009

Envolta em nevoeiro

Parece-me que neste Inverno tem havido menos dias de nevoeiro nos pontos altos do concelho, ao contrário do que acontece no vale da Vilariça. Mesmo assim, quando o nevoeiro invade a vila, desperta-me a vontade de o fotografar, coisa que não é fácil. Este é o aspecto da vila num dias desses, quando o sol se prepara para deixar tudo envolto nas sombras.

19 janeiro 2009

Alminhas (1) - Assares

Dado que não possuo qualquer formação sobre o assunto e também não disponho de tempo para investigar junto das pessoas ou dos representantes religiosos, esta recolha vai ser basicamente fotográfica.
Decidi começar esta minha visita às Alminhas do concelho com este belo exemplar, que se pode admirar junto à estrada (EM606) em Assares. A ideia que eu tenho, mesmo sem conhecer ainda todos os exemplares do concelho, é de que não existe grande variedade arquitectónica ou mesmo estética. A escolha destas Alminhas para começar esta série, prende-se com o facto de me parecer o melhor exemplo de Alminhas, ainda mantendo todo o ambiente e cor que grande parte das outras Alminhas deviam apresentar no passado.
Estas alminhas são muito simples. Estão isoladas, suportadas num muro. O painel está em baixo relevo numa placa de granito com pouco mais de meio metro de altura. Há aproximadamente seis anos que foi restaurada a pintura, pela mesma equipa que fez o restauro da igreja matriz.
Procurei alguma inscrição, mesmo pela retaguarda, mas não encontrei. Ao observar as fotografias parecem-me ser visíveis algumas incisões na base, mas não sei se se trata de algo escrito.
Para proteger o conjunto, também os vasos com flores, que mesmo artificiais, são mudadas com frequência, foi colocada uma placa de cimento por detrás do conjunto. Esta placa está apenas apoiada e encostada.
Com a protecção colocada por trás e porque também se encontra sob uma acácia, é possível que a pintura, muito bela e executada com mestria, se mantenha em boas condições por muitos anos.
É possível que quando as Alminhas aqui foram colocadas, este seria o limite da aldeia.