06 março 2009

Amendoeiras, no Seixo

Este é o aspecto das amendoeiras em flor no Seixo de Manhoses. Os dias não têm estado muito favoráveis ao turismo pela natureza, mas há percursos muito bonitos que podem ser feitos de carro e que proporcionam paisagens magníficas.

04 março 2009

Flor do Mês - Fevereiro 2009

A Flor do Mês de Fevereiro é mais uma vez uma bolbosa. A energia contida nos seus pequenos bolbos explode, sem mais nem menos, num colorido amarelo vivo que encanta as manhãs de inverno. Este planta é mais conhecida com campainha (Narcissus bulbocodium. L.) mas o seu nome pode variar (Campainhas-amarelas; Campainhas-do-monte; Cucos; Narciso-de-cebola-lanuda). O floração pode ocorrer desde Dezembro a Junho mas só comecei a encontrar flores durante o mês de Fevereiro. Há mais duas campainhas bem bonitas que florescem nesta época: a campainha (Narcissus triandrus) e o narciso (Narcissus calcicola). O primeiro é muito abundante, estão agora a começar a florir. O narciso deve existir no concelho, mas nunca o encontrei.
As campainhas amarelas são muito frequentes em todo o território nacional, em grupos, povoando terrenos incultos e rupícolas. Dada a época de floração, não têm problemas com a falta de humidade, aparecendo em encostas quase sem solo, onde a floração no verão seria impossível.
O desafio em termos de fotografia é conseguir captar a cor amarela das pétalas e destacar os estames e carpelos que são exactamente do mesmo tom amarelo das pétalas.
Pela manhã, cobertas de orvalho, são ainda mais bonitas.
A fotografia foi feita em Vilarinho das Azenhas, em Fevereiro de 2009.
Recordar a Flor do Mês - Fevereiro de 2008

01 março 2009

À Descoberta das amendoeiras em Flor

Amendoeiras em Flor 2012


O tema das Amendoeiras em Flor é transversal a uma série de concelhos. Guardo com carinho a 1.ª edição do Guia Turístico “Rota da Amendoeira” editado em 2001, referente a Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vila Nova de Foz Côa. Conhecedor mais ou menos profundo destes concelhos, não necessito de um Guia Turístico, mas mostra a vontade que estes concelhos têm em venderem uma imagem, a Amendoeira em Flor. Vivi em Torre de Moncorvo nos anos áureos das excursões. Eram dezenas, senão centenas de autocarros que se amontoavam na Corredoura (antes do arranjo urbanístico).
Este ano decidi “criar” um Rota da Amendoeira em Flor, para um passeio de família. Visitar locais onde não passávamos há mais de 10 anos, outros onde nunca tínhamos ido, apreciar a paisagem, o artesanato, a gastronomia, mas, sobretudo, ir ao encontro da beleza das amendoeiras em flor, foi o objectivo. Decidi publicar o percurso porque pode dar ideias a outras pessoas que querem beneficiar do privilégio de passar um dia de puro prazer nas pequenas estradas de Trás-os-Montes.
Saímos de Vila Flor ao início da manhã. O dia não estava nada daquilo que eu desejaria (para a fotografia) com o céu repleto de nuvens. Uma atmosfera muito, muito cinzenta, mas com uma temperatura muito agradável.
As amendoeiras em flor apareceram logo dentro da vila. Ao longo da estrada que conduz a Sampaio (N608) há algumas flores que já perderam as pétalas, mas o espectáculo ainda é digno de se ver. Ao longo da N102 (E802) entre Sampaio e a barragem do Pocinho, encontram-se vários locais com muitas amendoeiras em flor. Um bom exemplo são as encostas na Quinta da Portela, mas há amendoeiras por todo o lado.
De junto das comportas da barragem do Pocinho, na margem direita, parte uma estreita estrada que faz a ligação às aldeias de Urros e Peredos dos Castelhanos. Conheci essa estrada há quase duas décadas, quando ainda nem sequer estava asfaltada! Desde essa altura, pouco mudou. Durante algum tempo as curvas acompanham o rio, serpenteando nas entranhas da terra. A foz da Ribeira do Arroio veio separar-nos definitivamente do rio. Depois de a atravessarmos, numa estreita ponte (que assustadora era!), começámos a subir até perto dos 600 metros de altitude. Nesta zona há muitas amendoeiras em flor, mas a maior parte dos delas estão abandonadas. É uma das estradas panorâmicas mais bonitas que conheço no concelho de Torre de Moncorvo. Encontrámos no seu final a N603. Pode ser uma boa oportunidade para virar à direita e fazer uma rápida visita a Peredo dos Castelhanos. À esquerda é a direcção de Urros. Foi nesta zona que encontrei as mais bonitas amendoeiras em flor! Quase todas as flores são de um rosa acentuado, dão uma tonalidade forte e uniforme ao amendoal.
Para saborear toda a paz que nos invade, depois de algumas horas por locais tão pouco frequentados, alguns minutos junto à igreja de S. Apolinário dão também alguma mística ao passeio. Nesta espécie de santuário a algumas centenas de metros do povoado, fomos encontrar uma fonte. A água desta fonte era apontada como sendo milagrosa (1726), mas, actualmente, apenas é vista como digestiva. Foi o próprio S. Apolinário que fez brotar a água da rocha, para saciar a sede com que vinha, depois de atravessar o Douro. Muito havia para ver em Urros, mas partimos em direcção à Barragem das Olgas, ainda em construção, local onde se confrontam o concelho de Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. Deixámos a N630 e seguimos à direita para Ligares. Atravessámos a aldeia pela Rua do Cimo do Povo, contornámos a igreja e seguimos para o Largo de S. Cruz.
Retomámos a estrada N325 que desce a encosta até à Ribeira do Mosteiro. Neste trajecto ainda há muitas amendoeiras que não floriram, o que significa que este percurso se vai manter bonito por mais alguns dias. Mais uma vez se vislumbram largas encostas onde a amendoeira já foi rainha. O abandono é a nota predominante, mas, onde as amendoeiras estão cuidadas, as flores são mais fartas e mais coloridas.
Depois das Quintas da Ribeira e de S. Tiago, a estrada divide-se: em frente desce-se pela N325 até Barca de Alva; à esquerda sobe-se pela N325-1 até Freixo de Espada à Cinta. O meu desejo era seguir em frente, pois adoro percorrer esta estrada onde nos sentimos muito pequenos face à agressividade das massas rochosas que nos rodeiam. Da foz da Ribeira do Mosteiro até Freixo, é bem possível que ainda haja muitas amendoeiras em flor (ao longo da N221).
A opção foi virar à esquerda em direcção a Freixo. O “relógio” solar (e não só), já nos indicava que estava na hora de almoço.
Nesta zona também há muitas amendoeiras em flor. Até uma pequena raposa se passeava entre elas, indiferente aos potenciais flashes dos turistas.
Em Freixo, estacionámos o carro junto da Câmara Municipal. O recinto da feira era um pouco distante, mas havia um autocarro a transportar gratuitamente os que o desejassem. Estávamos dispostos a almoçar na feira (Feira Transfronteiriça/Feira dos Gostos e Saberes), até porque se tratava de uma feira de sabores. Procurámos o pavilhão de restauração, onde havia poucos lugares vazios. O primeiro contacto foi decepcionante e a refeição tornou-se um fiasco.
Procurávamos comer alguma coisa regional, mas as opções eram poucas: leitão e picanha. O vinho tinha que ser obrigatoriamente do Alentejo! O leitão não se conseguia comer, estava cru; as batatas fritas eram de pacote e o pão só chegou depois de muita insistência. “Matei” a fome com alguns feijões pretos gentilmente cedidos e partilhados com a mesa ao lado. Manifestei o meu descontentamento e pedi uma factura (que obviamente não me foi passada). A organização da feira devia estar atenta ao péssimo serviço que esta empresa (La Brasa) estava ali a prestar. Além de que deviam apostar em servir os produtos regionais tais como as azeitonas, o fumeiro e o vinho. Esta lacuna também se nota na feita TerraFlor, em Vila Flor.
Não ficámos muito bem dispostos e demorámos pouco na feira. Apesar de tudo, é interessante a aposta no lado de lá da fronteira (ou eles no lado de cá?). O espaço envolvente está muito bem estruturado e o pavilhão da feira mostra coisas interessantes. Afinal ali estavam os verdadeiros sabores, só que já era demasiado tarde!
A viagem continuou em direcção a norte (pela N221); o objectivo era visitar Mazouco. Neste troço quase não existem amendoeiras, a não ser à saída de Freixo até à Zona Industrial.
As gravuras rupestres de Mazouco nunca tinham sido visitadas por qualquer um de nós e, pela sua importância na arte do Paleolítico Superior, em Portugal e na Europa, merecem bem uma visita. As amendoeiras partilham com as oliveiras e laranjeiras, os socalcos entre Mazouco e o rio Douro. Para além da discussão carvalo-carneiro, a beleza da paisagem e a admiração de arte milenar, são um bom convite para uma outra rota À Descoberta das amendoeiras em Foz Côa e da arte do Vale do Côa.
No caminho de regresso, nas últimas casas de Mazouco virámos à direita, seguindo uma estrada (620) que nos coloca num belo miradouro sobre o Douro. Infelizmente as condições atmosféricas já não eram as melhores.
Seguimos à direita (de novo na N221) até à Estação de Freixo e depois à esquerda em direcção a Torre de Moncorvo. Neste troço da estrada até ao Carvalhal ainda há poucas amendoeiras em flor. Entrámos em Carviçais à procura de mais alguns Detalhes em Ferro.
Como não havia muitas amendoeiras com flor, fizemos uma visita ao bar na estação, no Larinho. É um bom espaço para tomar um refresco, ao fim da tarde.
Regressámos à estrada em direcção a Moncorvo. A XXIII Feira de Artesanato está prestes a encerrar. São já 23 feiras e eu visitei grande parte delas. Algumas das presenças são sempre interessantes de observar e saborear como os quadros feitos com escamas de peixe ou casca de alho e as tradicionais amêndoas de Torre de Moncorvo, outras já pouco dizem.
A viagem de regresso a Vila Flor é feita pela N325 até à ponte sobre o Sabor. Depois de se entrar no concelho de Vila Flor, depois da Junqueira, utiliza-se a N215, cheia de curvas mas com boas vistas panorâmicas. Estas são estradas a evitar no dia-a-dia, mas são as ideais para um calmo passeio, em busca de belas Amendoeiras em Flor.

Outras fotografias deste percurso:

28 fevereiro 2009

Convite

Deixo mais uma fotografia de flores de amendoeira como convite a um passeio do género "vá para fora cá dentro". Em Vila Flor, Torre de Moncorvo, Freixo-de-Espada-à-Cinta ou noutros concelhos vizinhos, não faltam lindas amendoeiras em flor e outros atractivos como feiras de artesanato, gastronomia, etc. para um fim-de-semana em pleno.
Parece-me que é esta a altura ideal para se apreciarem as amendoeiras em flor. Vamos aproveitar antes que venha a chuva e estrague o espectáculo.

26 fevereiro 2009

Jogos de infância


Vamos jogar de novo o esconde-esconde,
Antes que as árvores morram na lembrança.
Em nós ficou perdida uma criança
- Imagem cinzelada em ontem e onde...

E porque não, agora, o anelinho?
As nossas quatro mãos tornadas duas.
Em busca da aliança te extenuas,
Débil fio de musgo de alto ninho...

E, finalmente, os cânticos e a roda.
É noite em Vila Flor. O velho Adão
Já ergueu, sobre a rua, o lampião.

Andam fantasmas pela casa toda...
E a treva vai ornando o nosso canto,
Com mansidão, sem lhe quebrar o encanto!

Soneto de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
A fotografia foi tirada no dia 02 de Fevereiro de 2009.
Outros poemas de João de Sá: Flor-poema, Maravilhamento, Absoluto visível, Serra, A pergunta, Consagração.

24 fevereiro 2009

Amendoeiras em flor (1)

Apesar de já haver amendoeiras em flor há mais de uma semana, só hoje tive a paz suficiente para me aproximar delas, sem pressas, para admirar o batalhão de abelhas que trabalham atarefadamente. Em volta de Vila Flor são ainda poucas as amendoeiras em flor, mas nas encostas já se encontram algumas manchas de pés floridos.
Estes exemplares que mostro fotografei-os na freguesia de Vilas Boas, já na descida para a Ribeirinha. Mesmo aqui, só menos de um quarto das amendoeiras é que já se apresenta em flor. Na estrada que desce em Meireles em direcção ao Cachão, já floriram praticamente todas as amendoeiras da beira da estrada. Os exemplares bravos (sem enxertia) são mais precoces na floração.

23 fevereiro 2009

Programa das Amendoeiras em Flor 2009


Cartaz em tamanho maior, em PDF, para imprimir.

22 fevereiro 2009

Edifício Centro de Arte Graça Morais

A Câmara Municipal de Vila Flor, com Apoio Técnico da OASRN, lançou um Concurso Público para a elaboração do Projecto de "Reconstrução do Edifício Centro de Arte Graça Morais (Encontro das Artes/ Espaço Graça Morais)". O interesse neste concurso é evidente pelo número de pessoas, em princípio arquitectos, que têm vindo recolher informação sobre a casa envolvida.
O edifício em questão, não passa despercebido: quer pela sua localização, quer pelos dois painéis de azulejo da Praça da República que ostenta na parede, quer pelo seu alpendre com gradeamento em ferro forjado (que já inspirou muitas das minhas fotografias (1)(2)).
O concurso é de reconstrução, o que indica que não se trata de uma demolição e construção de um novo edifício o que poderiam levar à repetição de alguns erros já cometidos noutros edifícios públicos, em Vila Flor. Talvez por isso, tenho notado a preocupação dos interessados, em saberem mais do que as dimensões da casa e terreno próximo, procurando saber também sobre a história e do ambiente circundante.
A casa está inserida num conjunto de três que pertenceram à família Corte-Real. A que vai ser reconstruída pertenceu a Sebastião Corte-Real, uma outra (onde está a Casa Africana) pertenceu a Miguel Corte-Real e uma terceira que foi de Maria Vicentina Corte-real. Das três casas, a que pertenceu a Sebastião Corte-Real acabou por ficar devoluta, mas há muito gente que se recorda de ainda estar habitada.
Uma das razões possíveis que pode ter conduzido ao estado de abandono seja o facto de, apesar do aspecto imponente do seu varandim e das bonitas águas-furtadas, o seu interior ser constituído por divisões muito exíguas, já para não falar das escadas que dão acesso aos vários pisos. Tal sugere que a casa foi objecto de vários acrescentos, também evidenciados pelo facto de uma das janelas da fachada dar directamente para uma varanda, fazendo parecer que a casa é maior do que realmente é. No gradeamento do varandim é visível a data de 1914 e as iniciais do seu proprietário “SCR”.
Os painéis de azulejos representando a Praça da República em 1930 e em 1937, não existiam em 1994, altura em que a casa ainda era habitada.
A casa tem a fachada principal para a Praça da República mas dá também para a Rua Miguel Corte Real, onde um anexo termina com uma tradicional varanda em madeira.
No rés-do-chão não há nada de referenciável a não ser que as paredes principais são feitas de um misto de xisto e granito revestidas com barro. No primeiro andar, do varandim tem-se acesso a um corredor que atravessa toda a construção. As divisões são pequenas. Alguns tectos têm elementos decorativos em gesso.
De todas as divisões a que apresenta algum interesse para a fotografia é a cozinha. Os objectos devem ter sido aí colocados recentemente, especificamente para a rodagem de algumas cenas da telenovela “A outra”, que passou na TVI.
Da capela pouco resta e dos quartos também. Há uma casa de banho e é de realçar que toda a casa tinha aquecimento central. No sótão, a que se tem acesso por umas escadas muito inclinadas, há um conjunto de dois compartimentos mais amplos e várias pequenas divisões. Há um conjunto de duas janelas com uma vista privilegiada da Praça da República e três outras para a Rua Miguel Corte-Real. O sótão era característica de quase todas as casas da praça, e muitas ainda o mantêm. Mas sobre a praça, vou tentar saber mais, fazendo algumas leituras, e escreverei noutro dia.

15 fevereiro 2009

Detalhes em ferro

Quando em Março de 2008 realizei uma exposição de fotografias em que o motivo principal era o ferro, recebi do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo o convite para realizar idêntica exposição na sua sede. Durante um ano reforçaram-se os laços e eis que, praticamente no mesmo mês, as fotografias vão ser expostas em Torre de Moncorvo. A exposição chama-se Detalhes em Ferro. Algumas das fotografias já integraram a exposição realizada em Vila Flor, outras, mais em pormenor, vão juntar-se ao conjunto, desta vez com alguma cor, somente a necessária para despertar as emoções desejadas.
São duas as razões de falar aqui nesta exposição: primeiro porque me sentirei muito satisfeito se passarem pelo Museu do Ferro para verem as minhas fotografias; em segundo porque vão estar expostos muitos detalhes de Vila Flor. O Blogue ganha assim outra dimensão: mostrar Vila Flor noutros locais, sem ser em suporte digital.
De 21 de Fevereiro a 21 de Março, em Torre de Moncorvo.

12 fevereiro 2009

Alguns raios de sol

Apesar de ter amanhecido com uma boa camada de geada, o dia de hoje esteve muito agradável, com um sol brilhante convidando a uma participada conversa, junto do Pelourinho de Vila Flor.

11 fevereiro 2009

Flor do Mês - Janeiro 2009

No momento de escolher a Flor do Mês para representar Janeiro, vacilei entre a Candeia ou Capuz-de-Fradinho ou o amieiro. Ambas são plantas que aparecem em floração no mês de Janeiro e ambas apresentam flores bastante curiosas, dignas de um olhar mais atento. A escolha recaiu no Capuz-de-Fradinho (Arisarum vulgare Targ.-Tozz). Esta flor não é uma verdadeira flor, mas uma inflorescência ou seja o local onde se podem encontrar um conjunto de flores, neste caso unissexuais. É um parente mais ou menos próximo do Anthurium, muito popular nos arranjos florais actuais. Pois se acham estas questões de botânica complicadas, sugiro um olhar no amieiro, candidato a Flor de Janeiro do próximo ano que apresenta flores masculinas e flores femininas em formações completamente distintas!
A Capuz-de-Fradinho ou candeia, deve o seu nome à cor e forma da sua inflorescência, que aparece de Outubro a Abril. Estas plantas são típicas de zonas rochosas e húmidas sendo mais abundantes no centro e sul de Portugal (clima mediterrânico). No concelho é mais fácil encontrá-la nas zonas mais baixas dos vales dos rios e ribeiras. Este exemplar fotografei-o junto à Linha do Tua onde é muito abundante. O tamanho das folhas e flores depende da quantidade de terra existente, uma vez que a planta se desenvolve nas encostas rochosas, onde, por vezes, apenas existem poucos centímetros de solo.
Recordar a Flor do Mês - Janeiro de 2008

09 fevereiro 2009

O nosso pão



Tem as feições da terra o nosso pão
E o gosto a lúcia-lima sob o encanto
Duma acácia florida a dizer tanto
Que o nada se transforma em expressão.

Liga feliz de alma, olhar e mão,
Amalgamada em cânticos e pranto.
O fermento do longe, o sal e o espanto
Da boca que esfriou a amar o Verão.

Quem espremeu o sol sobre a masseira
Ou a lua de Agosto? Quem deslinda
O rosto dessa esquiva feiticeira?

Cala-me, pão, o meu precário grito
- Violino a agonizar, tocando ainda
Sem me extinguires a fome de Infinito!

Soneto de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
As fotografias foram tiradas no forno junto ao museu de Vila Flor.
Outros poemas de João de Sá: Flor-poema, Maravilhamento, Absoluto visível, Serra, A pergunta, Consagração.