08 agosto 2009

As Quatro Estações do Ano

O amaciar da Primavera,
com o verde-colorido da esperança,
mostra o que é, será e já foi era
em justo calendário de criança.
E, depois, o Verão,
com forte calor de suar,
mostra o suave leão
este a servir o amar.
Em seguimento o Outono
para a natureza mostrar
o de cada qual a seu dono,
com o certo e a guardar.
Vem o Inverno a seguir,
com o frio e a alvura,
que não faz ninguém fugir
para mais a neve é pura.

Primavera, Verão, Outono, Inverno...
Aqui não temos o anano;
mas o grande, forte, eterno
das quatro estações do ano.

Poema de José Trigo, do livro "- Homem, quem és..., que és...?", Edições Tribuna, 2006.

José Carlos Costa Trigo nasceu em 12 de Fevereiro de 1961, em Leça do Balio, concelho de Matosinhos, filho de Mário da Silva Trigo e de Àida dos Remédios Costa. Actualmente vive em Vila Flor. É autor de vários livros em poesia, prosa onde também publica os seus desenhos.

07 agosto 2009

Freguesia Mistério 30

Tal como era esperado, o enigma da Freguesia Mistério 29 foi bastante participado e com grande tendência para a resposta certa. Participaram 24 pessoas que distribuíram os votos da seguinte forma:
Freixiel (1) 4%
Nabo (3) 13%
Roios (1) 4%
Samões (2) 8%
Sampaio (1) 4%
Santa Comba de Vilariça (10) 42%
Trindade (1) 4%
Vila Flor (3) 13%
Vilas Boas (2) 8%
Mesmo assim, só 42% dos participantes indicou a resposta Santa Comba da Vilariça como resposta correcta. A fotografia mostra um dos três bonitos cruzeiros que existem nesta freguesia. aliás, já existiam fotografias no blogue dos restantes dois cruzeiros (1, 2). Este é conhecido como o Cruzeiro d'Avenida, é o que se situa mais a norte e é seguramente o mais recente dos três (afirma-se que são do Séc. XIII).
Já há alguns dias que está disponível o enigma Freguesia Mistério 30. É um pouco mais difícil identificar a sua localização, mas aqui ficam algumas pistas: é na sede de uma freguesia; a freguesia é no vale da Vilariça; como há muitos visitantes desta freguesia que frequentam o Blogue, espero que pelo menos estes identifiquem esta curiosa e antiga fonte.
Este mistério vai ficar durante todo o mês de Agosto. A votação é possível na margem direita do Blogue.

06 agosto 2009

Peça de Teatro - A Alma de Vila Frol

Nos dias 12 e 18 de Agosto vai haver teatro no Centro Cultural de Vila Flor. "A Alma de Vila Frol" é um texto original do escritor vilaflorense João de Sá, adaptado ao teatro por Maria Isabel Cardoso. Vai ser representado pelo Grupo de Teatro Amador de Valtorno/Alagoa.

Desenvolvimento da Peça de Teatro:
1325, 7 de Janeiro, no Paço de Santarém o Rei D. Dinis está a
morrer. O clero, a nobreza e o povo, procuram notícias do Rei.
A Rainha D. Isabel cede ao pedido do Rei, trazendo-o ao jardim. Ele
sente-se inconformado; procura desesperadamente colocar ordem
nos pensamentos que o torturam…não sabe onde esconder o fim
que se aproxima e viver do passado os momentos que o fizeram
feliz.
A Rainha tranquiliza seu marido e Rei. Ajuda-O, com sabedoria e
amor, a encontrar os factos mais belos que fizeram parte duma
existência breve – 64 anos.
O Rei D. Dinis vai descansar, vai dormir, vai sonhar!
Os sonhos povoam todo o ser deste Rei determinado e poeta. Da
gaveta do pensamento sai o dia em que foi armado cavaleiro por
seu avô Afonso X.
Recorda com alegria o gesto admirável de sua esposa, Rainha D.
Isabel, ao travar com êxito a batalha entre as suas tropas e as de
seu filho D. Afonso, mais tarde D. Afonso IV.
Chega também à lembrança o dia em que reconheceu que a Rainha
D. Isabel ultrapassava a existência normal dos mortais…MILAGRE
DAS ROSAS!
E porque sentia, mesmo em sonho, que a sua vida estava no fim,
precisava de se penitenciar, pensava ele, do mais grave mas
delicioso pecado que cometeu; a sua paixão desmedida por uma
pastora transmontana, chamada Maria Frol.
Passo a passo descreveu todos os momentos passados na longínqua
Póvoa de Além Sabor à qual em homenagem a este terno e proibido
amor, chamou de Vila Frol (por Foral em 1286).
O Rei D. Dinis reconciliado com ele e com o mundo morreu em paz.

Fonte: C.M. Vila Flor

Furtivo sortilégio


Meu ninho encastoado na fissura
Dum olmo que um Grifo plantou.
Meu agro que o Destino semeou,
Perfil de serra em linha de secura.

Alta chama parada na lonjura
De um astro que tanto a cerceou
Que em centelha viva a transformou
Pra ser Flor, em vez de queimadura.

Meu berço de infante, embalo e paz
Do que em mim me divide, e me compraz
Na sublime graça de chegar.

Quero fundir-me em ti, correr nas fontes.
E se me entremostrares o Ser, nos montes,
Levar-te-ei, pela mão, a ver o mar!

Soneto de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
Fotografia: Vilarinho das Azenhas, a caminho do santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

Outros poemas de João de Sá: Flor-poema, Maravilhamento, Absoluto visível, Serra, A pergunta, Consagração, Jogos de infância, O nosso pão, Senhora da Lapa, Pescador de Estrelas.

05 agosto 2009

Banda de Música de Vila Flor, em Areias


Vídeo da Banda de Música de Vila Flor na festa em honra de S. Sebastião, em Areias, no dia 5 de Julho.

04 agosto 2009

A caminhar por trás-da-serra...

No dia 28 de Julho fiz mais um passeio pedestre, desta vez em direcção a Roios. Saí pelas quatro da tarde em direcção ao alto do Facho, pela Rua do Carriço. O dia estava quente e foi muito saboroso sentir o ar fresco do alto do monte. Nunca cansa olhar Vila Flor deste ponto alto e deixar descansar os olhos em toda a paisagem em redor. Não fui o único a pensar assim, no miradouro havia vários grupos de jovens.
Depois de alguns minutos de pausa, desci às Capelas. Uma que nunca me esqueço de visitar é onde está Santo Bernardino. Até um pisco-de-peito-ruivo gosta de descansar na companhia do santo.
Apanhei o caminho que desce pelo meio do pinhal até Roios. A descer todos os santos ajudam e a frescura da sombra dos pinheiros estava bastante agradável.
Percorri, em vários sentidos, as principais ruas de Roios. Mesmo quando passo várias vezes no mesmo sítio há sempre pormenores que despertam a minha atenção. Roios é uma aldeia que gosta de se alindar e eu gosto de a ver assim, cheia de flores, mesmo em pleno Verão. Também é interessante que, quando todas as aldeias estão a abandonar os seus fontanários, em Roios tenham construído mais dois, e, ao que sei, com água de uma nascente.
O meu passeio estava praticamente no início e por isso segui por um caminho que parte dos tanques de lavar a roupa em direcção ao nascente. Sempre que tenho seguido essa direcção, volto a casa com as pernas todas arranhadas pelas estevas. É difícil encontrar seguimento nos caminhos. Desta vez decidi arriscar pouco e ao fim de caminhar durante algum tempo desci à estrada que segue para Lodões.
Cortei depois à direita por um caminho que segue para o Cabeço de Santa Cruz e para Sampaio.
Pelas 18:30 estava junto ao Ribeiro de Roios, tinha percorrido 9 quilómetros e Vila Flor estava cada vez mais distante. Desisti da ideia de chegar a Sampaio e comecei a subida, de pouco mais de 200 metros de altitude, até aos 570, em Vila Flor. Escolhi um caminho totalmente desconhecido, cheio de declive. É o estradão que existe a circundar a floresta de eucaliptos que se estende até à Quinta do Caniço. Foi uma subida esgotante, em passo rápido com medo que anoitecesse e eu ainda sem atingir o Alto da Caroça. Optei por não seguir até esse ponto mais elevado e, a certa altura, desviei-me em direcção à estrada de Roios, que fui encontrar junto à Quinta de Valongo.
Já eram poucos os raios de sol que conseguiam passar pela Porta do Sol, quando cheguei a Vila Flor!
Vídeo do percurso feito em Roios
Percurso GPSies - VilaFlor_Roios_Sampaio_VilaFlor

03 agosto 2009

Um passeio por Roios


Roios esteve em festa este fim-de-semana! Já que não fotografei a festa, deixo um pequeno vídeo feito com fotografias da aldeia, num passeio pedestre, que realizei no dia 28 de Julho.

Nota: Parece que a Agenda Cultural, me enganou quanto à festa que será só no próximo fim-de-semana!

01 agosto 2009

O Passado e o Presente (1)


Passado

Depois de tanta canseira,
De tanto correr e mirar,
Vim, afinal, parar
No socalco da ladeira
Que s'estende prazenteira,
Deste meu saudoso lar.

O horizonte, a terra, o ar
Eu conheço muito bem...
Daquele monte, além,
Onde se ergue um altar
Que convida a rezar
A Virgem Santa e Mãe;

Daquele tão lindo monte
Que da Lapa foi chamado,
Um panorama afamado,
De longínquo horizonte
S ' estende mesmo defronte
Para todo e qualquer lado.

Serras de grande porte
Limitam nossa visão...
A Estrela... a poente o Marão,
A branca Sanábria a Norte
E, bem perto, a Bornes forte
De terra que dá bom pão.

Entre o Reboredo escuro
Do carvão que é sua terra
E a Lapa... bela serra
Que escondera, em seguro,
O tesouro belo e puro
Qu'inda hoje ela encerra,

Estende-se, belo e bom,
Da Vilariça o gram vale
Que, não tendo outro igual,
Merece por si o dom,
Em fertilidade e tom,
De ser ele o principal.

Lá no fundo, mansamente,
Num barulhar que ecoa,
A fértil, seiva se escoa
Na caudalosa corrente
Do sabor... e este, finalmente,
Ao grande Douro a doa.

De tudo isto estou certo...
Não me enganam estes sinais.
Mas, ao reparar n ' outros mais
Qu' agora vejo bem perto,
Sinto coração aberto
De pungimentos brutais;
Pois custa-me imenso a crer
Qu'este torrão em flor,
Este sepulcro de amor,
Que m'assistira ao nascer
E m'ensinara a viver,
Seja a minha Vila Flor.

Excerto da Revista "O Passado e o Presente", em dois actos e 10 quadros, escrita por Dr. Artur Trigo Vaz e levada à cena em Vila Flor nos dias 31 de Dezembro de 1949 e 1 de Janeiro de 1950.

Nossa Senhora do Carrasco - Nabo

As festas em honra de Nossa Senhora do Carrasco, no Nabo, vão ter lugar no dia 9 de Agosto.

31 julho 2009

No olhar


No olhar
noto chamas de esperança
com espaço ilimitado.
No céu
vejo algo a desfazer-se
com pedaços de alvura.
Pelos campos
sinto ar agitado
a vaguear com loucura.
E na vida
quanto destroçar
em ferida
a razão do verbo amar.

Poema de José Trigo, do livro "- Homem, quem és..., que és...?", Edições Tribuna, 2006.

Flor do Mês - Julho 2009

O Verão faz as delícias de muita gente, mas, para um “caçador” de flores, esta é uma estação para esquecer. Tenho fotografado muitas plantas em flor, em largos passeio a pé, que faço por várias aldeias do concelho, mas, são muitas vezes exemplares quase únicos ou pouco representativos. A ideia é que - a Flor do Mês - seja um símbolo do mês.
A escolha para mês de Julho de 2009 recaiu na planta conhecida como Fel-da-terra. Comecei a vê-la em flor já há algum tempo atrás, mas encontrei este mês um grande espaço cheio delas perto da Fonte do Olmo.O Fel-da-terra é conhecido por vários outros nomes (erva-da-febre; erva-de-chiron; erva-do-centauro; quenta-febre; Centáurea-comum; Centáurea-menor, etc.) e tem como nome científico Centaurium erythraea Rafn. Tal como noutros seres vivos, o nome científico revela-nos algumas particularidades, mas, no caso do fel-da-terra empurra-nos para uma aventura fascinante na mitologia grega. A palavra Centaurium (de centauro) e erva-de-chiron (Quíron) levam-nos à procura do centauro Quíron, metade homem metade cavalo, meio-irmão de Zeus, Posídon e Hades, caçador, conhecedor de música, de plantas medicinais, de cirurgia e de outros conhecimentos práticos prezados pelos antigos. Como profundo conhecedor do poder das plantas, é bem possível que o centauro usasse o puder curativo do fel-da-terra. A segunda palavra do nome (erythraea) lembra a Eritreia, jovem país no norte de África, junto à Etiópia.
A planta é praticamente invisível até ao momento em que lança uma haste floral com as suas bonitas flores rosa. A floração dá-se entre Abril e Setembro. É abundante em matos e terrenos incultos, mas também o encontro frequentemente em olivais e amendoais.
Esta planta é uma planta medicinal muito conhecida e procurada. É usada a planta inteira, depois de arrancada e seca. A lista de utilizações é enorme: estimula o fígado e vesícula biliar, aumenta o fluxo biliar, melhorando o apetite e a digestão; os sucos amargos excitam as terminações nervosas das papilas gustativas da língua, o que provoca, por acção reflexa, um aumento da secreção gástrica; é usado internamente para dispepsia, reclamações do fígado e da bexiga biliar, hepatite, icterícia, anorexia, síndrome pós-viral, falta de apetite na convalescença e enfermidades febris.
É mais uma pequena maravilha, que cresce livremente nos nossos campos e que muito poucos conhecem!

29 julho 2009