26 agosto 2009

Festa de S. Bartolomeu (2)

Durante os dias 22, 23 e 24 festejaram-se em Vila Flor, as festas em honra de S. Bartolomeu. Não acompanhei de perto os festejos, mas estive presente na procissão e aproveitei para registar alguma imagens.
Aqui fica um pequeno vídeo para os que não puderam estar presentes verem a procissão, mas também para os que estiveram presentes poderem recordar.
Vídeo da procissão.

24 agosto 2009

A promessa


"A ermida da Senhora dos Anúncios é na Ribeira. Tem a curiosa particularidade de assentar num outeiro, único na extensão da planície da Vilariça, antes das elevações das margens, dizer um pouco esquemático, já se vê. Planura, planura e, de repente, um cone regular, frente a Santa Justa, com uma capelinha branca lá acima. Assim como uma assadeira e um dedal no fundo!
A festa mete pouca gente: é uma entre a família ribeirinha e dos altos circundantes. Tem a sua procissão, o seu sermão, os seus foguetes, bazar e música.
Dali, abarca-se todo o imenso e fecundo vale desde os Vilares até lá para o Carrascal, para a Foz, no Douro. Pelos montes que o enquadram, espreitam casinhas pardas da Cardanha, da Adeganha, das Cabanas, da Horta, de Vilarelhos, da Burga e, mais longe, de Benlhevai.
A Maria da Paz lá foi, como prometera. E a promessa era pequena. Nem voltas de joelhos, nem penitências debaixo dos andores, nem dar as tranças. Apenas isto: rezar um tercinho à Virgem com toda a devoção por a ter livrado do grave perigo em que esteve; e recitar em voz alta, quando a igrejinha ainda estivesse vazia, uns versinhos da sua cabeça, que ela tinha decorado para oferecer à Senhora.
E assim foi. Chegou cedo e prendeu a arreata do jerico que trouxera, a um poste do adro. Entrou na capela pé ante pé e, vendo que não estava ninguém, ajoelhou, persignou-se e recitou, com os olhos meigos fitos na Virgem Maria:

Oh, minha Nossa Senhora,
Virgem do meu coração!
Quando eu 'stiver em má hora
Enviai-me um abelhão.

Um abelhão, uma vespa,
Uma víbora ou lacrau,
Que desvie dos meus passos
Quem para mim quiser ser mau.

Defendei-me do inimigo,
Oh, Senhora dos Anúncios!
E sede sempre comigo
A ditar-me os «abrenúncios».

Se virdes qu'eu o mereço,
Um homem fero me dai,
Pra vivermos, eu vos peço,
Sempre, sempre em Benlhevai!

Oh, Senhora minha Mãe!
Se achardes pecado em mim,
Mandai-me ferrar também
Por bicharoco ruim.

Senhora! Dobrai-me a fé
E guardai-me uma casinha
Com Deus sempre ali ao pé!
Salve, Mãe! Salve, Rainha!

Depois, rezou o terço vagarosamente, confiadamente."

Excerto do livro Paisagens do Norte, escrito por Cabral Adão e publicado em 1954. Este livro teve uma segunda edição pela Câmara Municipal de Vila Flor em 1998 (Minerva Trasmontana, Vila Real). Pode ser encontrado no Museu Berta Cabral, na sala dedicada a Vila Flor.
Fotografia: Agosto de 2009, no alto do Facho.

22 agosto 2009

Vila Flor - Festa de S. Bartolomeu


22/08
22:00 Arraial com o Grupo Musical “Midnes”

23/08
22:00 Actuação de “Trio Odemira”
23:00 Actuação do grupo musical “Sindikato”

24/08
08:00 Alvorada com salva de Morteiros
11:00 Missa Solene
18:00 Procissão pelas principais ruas de vila
  • Banda Filarmónica de Vila Flor
  • Bombeiros voluntários de Vila Flor
  • Grupo de Escuteiros de Vila Flor
22:00 Arraial com o grupo “Os Implacáveis”
24:00 Fogo de Artifício

S. Bartolomeu, Padroeiro


S. Bartolomeu,
Meu Santo protector,
Por mim tão amado
Filho do Senhor
Como eu te venero,
O Teu amor eu quero,
Por Ti tenho graças
De Ti tanto espero

Levo o olhar ao céu
Trago a Tua imagem
Alivia-me a dor,
Dá-me força e coragem
Levo o olhar ao céu
Trago a Tua imagem
Tu és companheiro da minha viagem

S. Bartolomeu
És meu companheiro
Tal como o Senhor
És do mundo inteiro
És meu padroeiro
Como eu Te quero
Meu conselheiro
Como eu te venero

Levo o olhar ao céu
Trago a tua imagem
Alivias-me a dor
Dá-me força e coragem
Levo o olhar ao céu
Trago a Tua imagem
Tu és companheiro da minha viagem

Quero estar a teu lado,
Apóstolo de Jesus
Tu és o caminho
Que ao céu me conduz
Santo milagroso
Ouves as minhas preces
S. Bartolomeu
De mim tudo mereces

Levo o olhar ao céu
Trago a tua imagem
Alivias-me a dor
Dá-me força e coragem
Levo o olhar ao céu
Trago a tua imagem
Tu és companheiro da minha viagem

Tal como o Senhor
És do mundo inteiro
Vila Flor Te idolatrou
O seu padroeiro

Levo o olhar ao céu
Trago a tua imagem
Alivia minha dor
Dá-me força e coragem
Levo o olhar ao céu
Trago a tua imagem
Tu és companheiro da minha viagem

Em louvor de S. Bartolomeu

Poema: Fernando Silva
Fotografia: imagem de S. Bartolomeu, Vila Flor.

21 agosto 2009

Capital do Mundo

Ontem fiz um curto passeio em companhia do meu filho mais novo. Subimos ao alto do Facho para olharmos o horizonte mas uma bandeira no cimo do talefe despertou a nossa atenção. Foi ela que me lembrou a expressão Vila Flor - Capital do Mundo. A Vila tem no seu ponto mais alto a bandeira de Portugal, como uma verdadeira capital!

19 agosto 2009

A Alma de Vila Frol

No dia 18 de Agosto fui assistir à peça de teatro "A Alma de Vila Frol". Trata-se de uma peça inspirada num texto do escritor vilaflorense João de Sá (que por acaso gosto muito de ler). O escritor também assistiu à peça e proferiu algumas palavras, no início da mesma.
A peça reconstruiu alguns quadros da vida de D. Dinis, que na hora da morte recorda momentos marcantes da sua vida, alguns dos quais em Vila Flor onde encontra uma linda pastora, Maria Frol. A história cruzou-se com a lenda e com o imaginário, ao balanço de uma selecção musical fantástica (também muito do meu agrado).Em cena entram muitos actores, crianças, jovens e idosos, de Valtorno e Alagoa, que deliciaram os presentes proporcionando momentos de emoção e boa disposição.
A sala estava cheia e foi uma boa amostra de que as gentes de Vila Flor estão receptivas a eventos culturais desta natureza.
Estão de parabéns todos os intervenientes.

18 agosto 2009

O Passado e o Presente (2)


PASSADO
Quando a moura gente a Ibéria invadiu,
Das terras lusas, de hoje, nem uma só fugiu
À arrogância atrós daquela gente insana
Que, agrupada, aos milhares, em grande caravana,
Percorrera terras num galopar veloz,
p'ra incutir, no ânimo do vencido,
A realidade do valor que tinha tido,
Noutras grandes lutas, aquela pobre gente,
Que pobre se chamou por não ter sido crente.

Aí vêm eles envoltos num turbilhão de pó...
Parece qu'estou a ver aquela gente sem dó,
Sem piedade, sem fé, sem crença e sem amor,
Avançar, destruir, queimar, trespassar sem dor
Os palpitantes peitos da devota gente,
Regar com sangue, extravasado, ainda quente,
A terra agreste que os cavalos vão pisando
E os corpos frios dos soldados entulhando.

Aqui vieram e assentaram arraiais
Fazendo desta terra uma fortaleza mais
Para assegurar a vitória da conquista.
No topo da colina de onde se avista
Todo o caminho que à terra vem parar,
A gente invasora pensou em levantar
Um castelo alto e forte, donde a vigia,
Em constante permanência, ver podia
Todo o movimento d'entrada e de saída.

A fortaleza que p'ra resistir à lida
De futuros combates, construída fora,
Erguia-se naquele altinho onde, agora,
De Deus a majestosa casa se levanta.

PRESENTE
Então, fora ali no lugar da Igreja Santa
Que os mouros ergueram o castelo de que fala?

PASSADO
Sim... depois de abrir ali profunda vala.
Destruindo o rochedo que aflorava à terra
Para aproveitar dele a pedra que ele encerra,
Alicerces fundos e largos são lançados
Que aguentassem com o peso dos murados.

Naquele lugar o castelo fortaleza
Lá estava levantado. Em toda a redondeza,
Um muro alto com ameias e seteiras
Erguido fora para que de duas maneiras
O castelo e a Vila fossem defendidos:
C'oa defesa real dos muros construídos,
E c'oa eventual resistência dos soldados
Na defesa da muralha experimentados...

Excerto da Revista "O Passado e o Presente", em dois actos e 10 quadros, escrita por Dr. Artur Trigo Vaz e levada à cena em Vila Flor nos dias 31 de Dezembro de 1949 e 1 de Janeiro de 1950.

17 agosto 2009

Minha Terra, Cristalina e enamorada


Nas pétalas das tuas flores revejo os meus amores
Nelas, encontro o mais profundo rumo da minha vida
Terra predilecta…dos meus aromas, sigilos e adores
Eternamente esbelta, vais permanecer para sempre…embevecida

Em ti, residirei de corpo e alma, constantemente…apaixonado
Meu tesouro, em ti, revelas o mais puro enaltecimento
Porque te vejo na mais bonita áurea, num sublime enamorado
As tuas fragas, a tua floresta…um verdadeiro valimento

Que guardas numa conjuntura lindíssima e sempre protectora
Num postal superiormente ilustrado de raríssima beleza
Porque tu, adquires a paisagem mais deslumbrante e…sedutora
De natureza genuína e bela, desta aguarela, na mais fascinante pureza

Alvorada do meu mais empolgante e fortificador acordar
Vila Flor és minha pérola, possuis a forte razão do meu viver
De planícies de réditos que no seu mais intimo dulcificar
Fazes dos teus descendentes o maior amor, jardins de intenso apetecer

Poema do vilaflorense Fernando Silva.
Fotografia tirada no Facho, a preto ebranco e "pintada" no computador.

16 agosto 2009

Descrição


Assim, com as mãos na água, as mulheres lavavam roupa, e discutiam;

Tratava-se da tarde, ainda tarde, o sol descia para os lados da vila. Ninguém podia objectar que a noite caía sem o conhecimento de milhares de outras; eles regressando da terra, aí por baixo, pela volta dos tristes, pela estrada
de Sampaio, e de Roios;

Tratava-se da vinda do campo, depois do dia de trabalho; as charruas com terra, as mãos
habituadas;

Entretanto, juntava-se gente na praça; quem estivesse no Rossio, ou mais para o fundo da vila, sabia-o; juntava-se gente às portas, alargava-se
o falar;

E a noite caía. Era mais uma. Cai assim, ensombrando as pedras escuras, as vestes
os homens, as mulheres. Uma e outra, mulheres vergadas depois da carga
do dia;

À porta do café, na praça, um dos patrões da vila;
tal como há dez anos, apenas um pouco mais velho;

À porta de casa, cada emigrante
os que chegaram a casa.

De Modesto Navaro, "Ir à Terra"; Edição do autor, 1972.

14 agosto 2009

Romaria de Nossa Senhora da Assunção - Programa

As festas realizadas no Cabeço, em Vilas Boas em honra de Nossa Senhora da Assunção, são das maiores de toda a região. Este ano vão realizar-se entre os dias 02 e 15 de Agosto.

Rio Tua na Ribeirinha (2)

Mais um a fotografia do Rio Tua, na Ribeirinha.