13 setembro 2009

Em procissão até ao alto do cabeço

No ano passado estive em Vilarinho das Azenhas no dia da festa de Nossa Senhora das Remédios, mas, este ano, foi diferente. Esta festa esteve sem se realizar durante alguns anos.
Cheguei ao Vilarinho pouco depois das 3 da tarde. Sem entrar na aldeia, aproveitei para subir em automóvel, ao cabeço onde se situa a capela. Dava a impressão de terem andado a espalhar água ao longo do caminho, mas já estava completamente seco. Sentia-se um calor abrasador, mesmo junto da capela onde devia circular algum ar! Não havia ninguém. Já se encontravam aqui alguns automóveis, percebi que se destinavam a levar as pessoas de volta à aldeia, no final da procissão.
Já conhecia o interior da capela, onde tinha estado há um ano atrás. Destacam-se os belos altares recuperados, depois de terem estado durante algum tempo ao abandono. Foi excelente terem-nos colocado nesta capelinha. A imagem de Nossa Senhora dos Remédios estava no seu lugar de sempre, dado que há outra imagem na igreja matriz, sendo esta a usada na procissão.
Fiquei um pouco desiludido de não ter encontrado ninguém no local. A minha imaginação fértil tinha criado cenários que talvez já não sejam muito frequentes nos dias de hoje. Apesar de as distâncias estarem cada vez “mais curtas” também o nosso tempo é cada vez mais escasso e poucos dispõem do suficiente para passarem algum no alto do cabeço, à sombra de um sobreiro, trocando algumas palavras ou mesmo matando a sede numa tradicional tasquinha.
Desci à aldeia. Não fui visitar o rio nem a linha. Esses são os locais no Vilarinho a que mais vezes me desloco. Subi pela Rua da Capela mas o movimento era muito pouco. Fotografei o nicho com a sagrada família à frente da Junta de Freguesia, e continuei rua acima.
Encontrei pouco depois, numa parede, um painel com algumas fotografias de Vilarinho das Azenhas. As fotografias são de minha autoria e fui também eu que fiz a sua selecção e arranjo. Parece-me que a aldeia está bem representada e recebi um feedback muito positivo de algumas pessoas que me reconheceram.
Quando passei no bar da comissão de festas abasteci-me de água. Estava decidido a a acompanhar a procissão e não queria partir desprevenido.
Junto da igreja já havia alguma movimentação. Os andores foram colocados no exterior e começou a Eucaristia. Estavam decorados com flores naturais, em várias tonalidades, num total de 6, incluindo Nossa Senhora dos Remédios e a padroeira da aldeia, Santa Justa. É muito perfeita a imagem da padroeira, deve ser muito recente. Mais rústica pareceu-me a imagem de Santa Bárbara, praticamente obrigatória em todas as procissões transmontanas. Estranhei não ver o Sagrado Coração de Jesus, mas há uma pequena imagem na igreja.
Terminada a Eucaristia, organizou-se a procissão: três cavaleiros à frente; os bombos dos Grupo de Gigantones de Valtorno; seguiam-se as bandeiras e estandartes e os andores. Atrás do andor de Nossa Senhora dos Remédios seguia o Sr. Padre Delfim, a Banda de Música de Vila Flor e, por fim, a população em procissão. Junto de cada andor seguia um grupo de pessoas, possivelmente familiares, mas que revelaram de grande importância no apoio no longo e difícil percurso.
O desenho das ruas da aldeia, que se estendem do Cimo do Povo, ao Bairro da Estação, não favorece um percurso contínuo. Embora tenha sido notória a preocupação em percorrer o maior número possível de ruas, a procissão teve algumas dificuldades. Desceu até à Capela do Espírito Santo, que contornou, subindo de seguida até ao Cruzeiro do Cimo do Povo, descendo de novo para seguir pela Rua das Alminhas em direcção ao Cabeço.
Gostei de encontrar a pequena capela do Espírito Santo aberta, nunca a tinha visitado.
O percurso pela Rua das Alminhas foi feito com muita calma, antecipando as dificuldades que se seguiram. Foi com grande sacrifício que a procissão seguiu pela Rua da Fonte e depois pelo caminho acima até ao ponto mais elevado, junto à capela. Havia a elevada temperatura, o pó do caminho, o peso dos andores, a distância e o declive. Alguns idosos tiveram muita dificuldade, felizmente foi distribuída muita água, pela comissão de festas, ao longo do percurso.
À medida que a procissão progrediu e se aproximou da capela, o sol foi descendo no horizonte. O cenário já é por si grandioso, mas com todo o aparato da procissão, música, fogo, andores, bandeiras, poeira, viveram-se momentos mágicos, de muita intensidade emocional. Foi no auge dessa emoção e sofrimento que os adores chegaram à capela. O silêncio ganhou mais espaço e todos nos sentimos mais próximos do sagrado.
Cheguei-me à porta da capela olhando Nossa Senhora dos Remédios em contraluz. Aos poucos foi despida das rosas brancas e dos antúrios. No cabeço são as fragas, os sobreiros e carrascos que decoram o seu altar de todo o ano.
Depois de algumas marchas tocadas pela Banda, carros e carrinhas carregadas de pessoas começaram a descer a encosta, deixando um rasto de poeira dourada como o sol que a iluminava. Fiquei até ao fim, “saboreando” cada momento. Pretendia descer a pé até à aldeia, onde tinha deixado o carro, mas acabei por aproveitar a boleia de um dos últimos carros que deixou o cabeço, já quando o sol se escondia no horizonte.
Não fiquei para o arraial. O meu amigo Reixelo já tinha o palco montado. Sei que com os seus colegas e a sua concertina proporcionou um arraial muito agradável, obrigatório nas nossas festas de Verão.

Ver vídeo da procissão aqui.

12 setembro 2009

Vila Flor, Praça da República

Fotografia do mês de Agosto, da Praça da República, em Vila Flor.

11 setembro 2009

Nem um!

Nem um...
Nem um amigo.
Nem, ao menos, só um
eu encontro na rudeza
destes montes.
Sozinho...
Apenas eu.
Sem mais ninguém.
E o frio gela.
A força desvanece.
Já não uso luz de vela.
Mas o que é eléctrico
não acontece.

Nem um...
Nem um!

Poema de José Trigo, do livro Sociedade... Humanidade... e o Homem.
Fotografia: Cabeço de Nossa Senhora dos Remédios, Vilarinho das Azenhas.

10 setembro 2009

Exposição de pintura

Vai abrir no dia 12 de Setembro, no Centro Cultural em Vila Flor, a exposição de pintura "Ideias Soltas", da autoria de José Augusto Coelho. Para visitar até ao dia 11 de Outubro.

09 setembro 2009

Nossa Senhora do Castanheiro

Festejou-se no dia 8 de Setembro, em Valtorno, Nossa Senhora do Castanheiro. Foi mais uma oportunidade para visitar a bonita igreja desta freguesia, que eu não desperdicei. A noite estava fresca, convidando para a dança, que um grupo musical animava com música bem adequada. Mas os pares eram poucos. Os emigrantes já partiram, as uvas estão maduras e os castanheiros que ladeiam a estrada para o Mourão começam a ter folhas de várias cores. É a despedida do Verão.

08 setembro 2009

Nossa Senhora dos Remédios - Vídeo

Hoje deixo uma fotografia da Banda de Música de Vila Flor e um pequeno vídeo com algumas fotografias de Vilarinho das Azenhas e da memorável procissão até ao cabeço da capela de Nossa Senhora dos Remédios. Vale a pena ver...

07 setembro 2009

Nossa Senhora dos Remédios

Andor de Nossa Senhora dos Remédios, em Vilarinho das Azenhas.
06.09.2009

06 setembro 2009

À Descoberta de Vilarinho das Azenhas

Vou sair de seguida a caminho de Vilarinho das Azenhas. Hoje é dia de festa na aldeia e eu não quero perder a que poderá ser a última festa de Verão. Até porque, este ano, a procissão regressa ao seu percurso habitual, desde a aldeia ao cabeço de Nossa Senhora dos Remédios.
Encontramos-nos lá.

3 anos À Descoberta

O dia 5 de Setembro teve direito a bolo em família. Não só pelo aniversário deste blogue, mas também porque há 3 anos atrás adoptámos Vila Flor como a nossa terra. Não nos limitámos a ser funcionários, que aqui têm o seu ganha pão. Fizemos os possíveis por nos integrarmos, sem quereremos mais do que sentirmo-nos bem, em paz com todos, mas, sobretudo, entre nós e no nosso íntimo. Apesar de eu ser o que mais me exponho, não significa que os restantes membros da família, Eulália, Marco e António não tenham passado estes 3 anos À Descoberta de Vila Flor e não tenham feito amigos, tantos ou mais do que eu.
Devo muito a "estes companheiros" de Descoberta. Desejo-lhes um excelente 2009-2010.

05 setembro 2009

Vilarinho das Azenhas - Festa N. S. dos Remédios

Cartaz das festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios, em Vilarinho das Azenhas, nos dias 4,5,6 e 7 de Setembro.

Parabéns! Três anos À Descoberta...

O blogue À Descoberta de Vila Flor completa hoje mais um ano de existência, o terceiro. Desde o primeiro dia que o objectivo principal foi conhecer o concelho, funcionando esta partilha como uma montra, mas também como um auto-estímulo, mantendo o entusiasmo de querer saber e conhecer cada vez mais. Acho que nestes três anos cheguei onde nunca pensei chegar, essa é a maior satisfação.
Este terceiro ano não teve tantas viagens, tantos quilómetros em BTT, mas, para compensar, teve mais contacto com as pessoas, mais atenção às fotografias e mais leituras. Em termos estatísticos, não houve muitas diferenças em relação aos 2 anos anteriores: o número de postagens foi sensivelmente o mesmo; a origem dos visitantes foi a mesma e o número subiu ligeiramente.
No mês passado foram atingidos 100000 visitantes. Não são os números o principal factor que me move, caso contrário bastava ter dedicado mais atenção às filmagens da novela "A Outra" e o número de visitantes teria disparado.Houve uma tentativa da minha parte de redireccionar o meu interesse para aquilo que realmente me dá prazer em detrimento daquilo que algumas pessoas pretendiam. O blogue foi e continua a ser algo muito pessoal e não pode ser exigido que seja um canal noticioso de tudo o que se passa no concelho. Também não pode ser frio e imparcial, porque eu não sou assim e ele reflecte uma forma de ver as coisas, o que eu gosto e o que não gosto.
Alguns dos momentos mais marcantes do ano foram: o meu encontro com João de Sá; o período das amendoeiras em flor; a feira TerraFlor; as festas de Verão. Ao longo do ano morreu a Fotografia + e nasceu a secção Alminhas, que ainda tem muito para dar. Este ano também foi marcado pela minha contribuição para a Agenda Cultural da Câmara Municipal de Vila Flor, com as fotografias da Flor do Mês, publicadas desde Janeiro, e que continuarão na próxima agenda.
Não há planos para o futuro. Desejo que o ano escolar que agora se inicia me faça esquecer o ano mais negro da minha vida profissional. Espero também recuperar da queda da bicicleta que tive em Abril, o suficiente para poder voltar a visitar as diferentes aldeias em BTT. Tenho a certeza que não conseguirei guardar só para mim tudo o que de interessante ainda vou Descobrir neste concelho.
Um cumprimento a todos os que visitam este blogue, em especial àqueles que o acompanham desde o início. As suas palavras são importantes.

Fotografias:
1 - Alto do Facho, Vila Flor
2 - Filmagens da telenovela "A Outra" em Vila Flor, para a TVI
3 - Engarelas, em Folgares
4 - EZ Special, na VII Terraflor
5 - Gráficos estatísticos
6 - Amendoeiras em flor, Vilas Boas.

Números:
305 366 Páginas vistas
106 131 Visitantes
1 973 Km em BTT
579 Postagens
Incontáveis fotografias

02 setembro 2009

Freguesia Mistério 31

Durante o mês de Agosto esteve disponível para votação a Freguesia Mistério n.º30. Como muita gente esteve de férias, até do computador, a adesão não foi das maiores, tendo participado 14 pessoas. Os votos ficaram assim distribuídos:
Carvalho de Egas (1) 7%
Freixiel (1) 7%
Lodões (1) 7%
Nabo (3) 21%
Samões (1) 7%
Sampaio (1) 7%
Seixos de Manhoses (1) 7%
Trindade (1) 7%
Vila Flor (2) 14%
Vilarinho das Azenhas (1) 7%
Vilas Boas (1) 7%
A resposta certa era Nabo. A fotografia representa uma fonte do bastante antiga, que não foi muito fácil de encontrar. Situa-se praticamente fora do núcleo urbano, mas foi importante para o abastecimento de água à aldeia. Era o lugar ideal para esperar as meninas que iam à fonte buscar água, e trocar com elas algumas palavras, ou algo mais, longe dos olhares das mães desconfiadas. Na altura em que a visitei estava completamente seca, mas espero voltar quando tiver água.
Para encontrar a fonte, partindo do centro da aldeia junto à igreja de S. Gens, desce-se a rua do Cimo do Povo até passar o ribeiro que vem lá dos lados do Gavião. Logo depois, vira-se à direita, por uma caminho, até passar a última casa. A fonte é poucos metros mais à frente.
O desafio da Freguesia Mistério n.º31 é também muito fácil. Trata-se de uma uma imagem de Nossa Senhora à qual é feita uma grande festa na aldeia, numa capela bastante bonita, num local muito aprazível. Em que freguesia se realiza essa festa? Têm todo o mês de Setembro para desvendar este "mistério".
Como sempre, a votação é na margem direita do Blogue. Só é possível votar uma vez.