Continuação de - Reis 2010 (1)
O segundo grupo representou o Seixo de Manhoses. Interpretaram duas canções e fizeram-se acompanhar de alguns adereços como cestas cheias de produtos regionais e cabaças de vinho. Fizeram-se também acompanhar de uma bela imagem do Menino Jesus acondicionada numa cesta
Haja Alegria
Haja alegria
É noite de reis
O que vos pedimos
Ao ouvir sabeis
Refrão
Larai, larai, somos pastores
Larai, larai, como em Belém
Larai, farai, reis e senhores
Larai, larai, cantai também
Vimos passo a passo
Afinando as vozes
P'ra vós um abraço
Do Seixo de Manhoses
O grupo vos canta,
Sem nada na mão
P'la nossa garganta
Basta a gratidão
O nosso sentido
É união
No vosso ouvido
Esta tradição
Acompanhados de acordeão, cavaquinho e pandeireta tiveram alguma dificuldade em encontrar o tom para a segunda interpretação mas ouviu-se uma bonita valsa com uma letra não menos bonita. Na terceira quadra apresentaram o Menino.
Vimos dar as boas festas
1
Um ano novo entrou
Janeiras vimos cantar
Pedindo a vossa bondade
De quem nos queira ajudar.
2
Janeiras,lindas janeiras,
Senhores vimos cantar
Boas festas e alegria
Vos queremos desejar.
Refrão
Vimos dar as boas festas
Boas festas de alegria
Já nasceu o deus menino
Filho da Virgem Maria.
3
Venham-nos abrir a porta
Tirem-nos desta geado
Trazemos o Deus Menino
Numa caminha deitado.
4
Senhores não demoreis
Que é muito frio o luar
Vinde-nos dar as janeiras
Nós temos de caminhar
5
Esta casa está caiada,
Do telhado até ao chão,
Ó senhores que nela moram,
Deitem cá um salpicão.
6
Se estais dispostos a dar
Começai-o a partir,
Pois somos de longe terra
Temos pressa em nos ir
7
Um raminho, dois raminhos,
Três raminhos em seu peito,
Viva o senhor presidente
Esta vai a seu respeito.
8
Boas noites meus senhores
Até p'ró ano que vem
Alegria e paz em Deus
E na Virgem, sua Mãe.
O terceiro grupo a actuar na XVI Gala Cantar os Reis, foi o representante de Vilas Boas. Um grupo estreante, que juntava pessoas não só da sede da freguesia mas também das suas anexas, Ribeirinha e Meireles. Este grupo percorreu as ruas de Vilas Boas, no fim-de-semana anterior cantando os reis de porta em porta.
As duas canções que interpretaram são bastante tradicionais, quer na letra quer na música, embora alguns versos tenham sido adaptados para o momento. Este grupo foi o que mais me fez lembrar os Reis na minha aldeia natal.
Cântico dos Reis / Boas Festas
Refrão
As boas Festas Viemos Dar
Com alegria ao vosso lar (bis)
Aqui vimos, aqui vimos
Aqui vimos, bem sabeis
Vimos dar as boas festas
E também cantar Os Reis.
Já os Reis aqui chegaram
Com vontade de cantar
Se vocês nos dão licença
Vamos já principiar.
Ó de casa nobre gente
Escutai e ouvireis
A enfiada de cantigas
Que se cantam pelos Reis.
Quem diremos nós que
No pezinho da cereja
Aos senhores que aqui
Largos anos se deseja.
Quem diremos nós que viva
Nesta vila que é tão linda
Viva a nossa vereadora
Que é a Dr. Gracinda.
Quem diremos nós que viva
No grãozinho do arroz
Viva o nosso Presidente
Por muitos anos e bons.
Boas tardes, Boas tardes
Diremos até ao fim
E queremos saudar
O Senhor Padre Delfim.
Reis do Qui. Ri Qui. Qui
Aqui vimos nós
Todas reunidos
A cantar os reis
Aos nossos amigos
Não é por interesse
Mas por amizade
Dá-nos um tostão
De boa vontade
Aqui estamos nós
Com dedicação
Não vamos deixar
Esta tradição
Não é por interesse
Mas como amigos
Dai-nos por favor
Uma mão de figos
Cantemos os Reis
Do Qui. Ri Qui. Qui.
Se não nos dais nada
Ficamos aqui
Ficamos aqui
Ficamos aqui
Cantar os Reis
Do Qui.ri Qui. Qui.
Continua - Reis 2010 (3)
11 janeiro 2010
Reis 2010 (1)
Relizou-se no dia 10 de Janeiro, no Centro Cultural de Vila Flor, mais uma gala Cantar os Rei. Foi a 16ª edição desta gala, teve o apoio da Câmara Municipal e organização da Associação Cultural de Vila Flor. O início do evento estava marcado para as 14 horas, mas como começou a nevar pouco antes do meio dia, à hora marcada, ainda eram poucos os que encontravam no auditório, quer participantes quer espectadores. A vontade de participarem foi mais forte e todos os grupos inscritos fizeram os possíveis e os impossíveis para chegaram, mesmo debaixo de neve.
Também o público não se fez rogado e compareceu em força. Arriscarei mesmo a dizer que, das galas a que assisti, talvez tenha sido esta a que registou maior afluência de público. Este facto, creio que não se deveu à neve, que continuou a cair durante toda a tarde, mas sim ao número de grupos participantes, que ultrapassou o registado em anos anteriores.
Eram quase três da tarde quando a festa começou, tendo como apresentadoras Eulália Moreira e Susana Silva. Entraram em palco interpretando uma canção escrita para o evento pelo poeta, já bastante conhecido deste blogue, Fernando Silva e com música da própria Susana Silva, irmã do poeta. Aqui ficam alguns versos:
Nasceu em Belém
É filho de Maria
Para nosso bem
Trás paz e alegria.
Do mundo quer a união
Um mundo cheio de amor
Jesus és a salvação
Filho de Nosso Senhor.
O primeiro grupo da noite foi a Escola de Música Zécthoven com os seus "Príncipes e Princesas". À volta de 40 jovens e crianças, que tocaram os mais variados instrumentos, mostrando um pouco do que aprendem na escola de música. Apesar de serem traídos pelo sistema de som, foram aplaudidos com muito entusiasmo (havia muitos pais na plateia :-)). Apresentaram-se com trajes pouco habituais para a sua idade, mas também neste aspecto é importante a participação dos jovens. É, também, uma forma de eles terem contacto com as tradições desta terra, que, de outra forma, não aconteceria.
Interpretaram um Medley com algumas canções conhecidas.
Medley das Janeiras
Natal dos Simples (Cantar as Janeiras)
Intro
Vamos cantar as janeiras - Bis
Por esses quintais adentro vamos, as raparigas solteiras - Bis
Boas Festas
Boas Festas, boas festas,
Nós aqui viemos dar.
A casa destes senhores,
Se as quiser aceitar
Vinde dar-nos as janeiras,
Se vontade houver de dar.
Nós somos de muito longe,
Não podemos cá voltar.
Boas festas, boas festas
Ó que gente tão pura
Nós viemos encontrar
Tenham a bênção do menino
Que nasceu, p'ra nos salvar.
Boas festas, boas festas
Aqui haja neste dia,
Já nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria
Natal dos Simples (Cantar as Janeiras)
Já cantámos as janeiras,
Com alegria e gentileza
Boa tarde, até p' ro ano,
Voltaremos com certeza - Bis
Continua - Reis 2010 (2)
Também o público não se fez rogado e compareceu em força. Arriscarei mesmo a dizer que, das galas a que assisti, talvez tenha sido esta a que registou maior afluência de público. Este facto, creio que não se deveu à neve, que continuou a cair durante toda a tarde, mas sim ao número de grupos participantes, que ultrapassou o registado em anos anteriores.
Eram quase três da tarde quando a festa começou, tendo como apresentadoras Eulália Moreira e Susana Silva. Entraram em palco interpretando uma canção escrita para o evento pelo poeta, já bastante conhecido deste blogue, Fernando Silva e com música da própria Susana Silva, irmã do poeta. Aqui ficam alguns versos:
Nasceu em Belém
É filho de Maria
Para nosso bem
Trás paz e alegria.
Do mundo quer a união
Um mundo cheio de amor
Jesus és a salvação
Filho de Nosso Senhor.
O primeiro grupo da noite foi a Escola de Música Zécthoven com os seus "Príncipes e Princesas". À volta de 40 jovens e crianças, que tocaram os mais variados instrumentos, mostrando um pouco do que aprendem na escola de música. Apesar de serem traídos pelo sistema de som, foram aplaudidos com muito entusiasmo (havia muitos pais na plateia :-)). Apresentaram-se com trajes pouco habituais para a sua idade, mas também neste aspecto é importante a participação dos jovens. É, também, uma forma de eles terem contacto com as tradições desta terra, que, de outra forma, não aconteceria.
Interpretaram um Medley com algumas canções conhecidas.
Medley das Janeiras
Natal dos Simples (Cantar as Janeiras)
Intro
Vamos cantar as janeiras - Bis
Por esses quintais adentro vamos, as raparigas solteiras - Bis
Boas Festas
Boas Festas, boas festas,
Nós aqui viemos dar.
A casa destes senhores,
Se as quiser aceitar
Vinde dar-nos as janeiras,
Se vontade houver de dar.
Nós somos de muito longe,
Não podemos cá voltar.
Boas festas, boas festas
Ó que gente tão pura
Nós viemos encontrar
Tenham a bênção do menino
Que nasceu, p'ra nos salvar.
Boas festas, boas festas
Aqui haja neste dia,
Já nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria
Natal dos Simples (Cantar as Janeiras)
Já cantámos as janeiras,
Com alegria e gentileza
Boa tarde, até p' ro ano,
Voltaremos com certeza - Bis
Continua - Reis 2010 (2)
10 janeiro 2010
A neve voltou
Próximo do meio dia começou a nevar em Vila Flor. Nevou com alguma intensidade durante quase uma hora e, embora o chão ainda não se tenha pintado completamente de branco, é provável que venha a cair mais neve.
20 horas - Nevou praticamente toda a tarde e neste momento ainda neva, embora com pouca intensidade. O manto de neve já ronda os 6 - 7 cm de espessura. Nas ruas principais da vila os carros ainda conseguem circular mas quando tentam subir as ruas com mais declive têm que desistir. O movimento na rua é inexistente, todos recolhem a casa com receio que as condições das estradas ainda possam piorar.
20 horas - Nevou praticamente toda a tarde e neste momento ainda neva, embora com pouca intensidade. O manto de neve já ronda os 6 - 7 cm de espessura. Nas ruas principais da vila os carros ainda conseguem circular mas quando tentam subir as ruas com mais declive têm que desistir. O movimento na rua é inexistente, todos recolhem a casa com receio que as condições das estradas ainda possam piorar.
Flor do Mês - Novembro 2009
O Outono começou frio e chuvoso e não tem sido fácil manter actualizada esta secção da Flor do Mês. Mesmo assim, é sempre possível descobrir plantas que fogem à regra e teimam em florir quando a maior parte das plantas perde as suas folhas ou simplesmente morre. Desta vez não fui encontrar a flor do mês de Novembro no meio dos montes, em qualquer ponto do concelho, fui encontrá-la em muitos quintais mesmo ao lado da casa onde moro.
A Flor do Mês de Novembro de 2009 é a flor da nespereira (Eriobotrya japonica). Trata-se de uma rosaceae e não é muito diferente de outras como a amendoeira, cerejeira ou amendoeira. Mas, ao contrário destas, a nespereira mantém a folha todo o ano. As flores crescem nas extremidades dos ramos, em cachos, com cinco pétalas, brancas e perfumadas. As abelhas banqueteiam-se nelas, não há muitas alternativas.
Entre nós a utilização desta planta é muito diminuta. Limita-mo-nos a comer os frutos (também conhecidos como magnórios) que são bastante saborosos, podendo o sabor ser mais doce ou mais ácido dependendo da maturação. As nêsperas podem ser utilizadas para fazer compotas, geleias, vinho ou licores. As folhas e as sementes são ligeiramente venenosas mas o seu sabor pouco convidativo dificultam o seu consumo.
Apesar do seu nome científico japónica, esta árvore é originária da China e ocupa um lugar importante nos jardins, não como árvore de fruto, mas como decorativa devido às bonitas folhas.
A Flor do Mês de Novembro de 2009 é a flor da nespereira (Eriobotrya japonica). Trata-se de uma rosaceae e não é muito diferente de outras como a amendoeira, cerejeira ou amendoeira. Mas, ao contrário destas, a nespereira mantém a folha todo o ano. As flores crescem nas extremidades dos ramos, em cachos, com cinco pétalas, brancas e perfumadas. As abelhas banqueteiam-se nelas, não há muitas alternativas.
Entre nós a utilização desta planta é muito diminuta. Limita-mo-nos a comer os frutos (também conhecidos como magnórios) que são bastante saborosos, podendo o sabor ser mais doce ou mais ácido dependendo da maturação. As nêsperas podem ser utilizadas para fazer compotas, geleias, vinho ou licores. As folhas e as sementes são ligeiramente venenosas mas o seu sabor pouco convidativo dificultam o seu consumo.
Apesar do seu nome científico japónica, esta árvore é originária da China e ocupa um lugar importante nos jardins, não como árvore de fruto, mas como decorativa devido às bonitas folhas.
09 janeiro 2010
Freguesia Mistério 34
A Freguesia Mistério n.º33 esteve em votação durante o mês de Novembro. Tratava-se de identificar a que freguesia pertencia um bonito nicho, em granito, que alberga uma bela imagem da Sagrada Família. Foram 14 os que arriscaram o seu palpite. A freguesia em questão é Vilarinho das Azenhas. O nicho encontra-se à frente da sede da Junta de Freguesia, embutido no muro. Para quem desce a aldeia em direcção à Estação ou ao Rio Tua passa junto deste nicho. A distribuição dos votos foi a seguinte:Assares (1) 7%
Freixiel (1) 7%
Lodões (1) 7%
Nabo (5) 36%
Samões (1) 7%
Sampaio (1) 7%
Valtorno (1) 7%
Vilarinho das Azenhas (3) 21%
Como se pode ver, o conhecimento do concelho, por parte dos visitantes deste Blogue ainda deixa muito a desejar... razão porque é necessário continuar À Descoberta de Vila Flor.
O próximo desafio parece-me ser um pouco mais difícil de identificar. Trata-se de uma fonte, numa aldeia do concelho onde o granito abunda. Está localizada numa rua de pouco movimento e, por isso, serão poucos os que por ali terão passado (a não ser que fossem para a escola).
Nestas noites frias de inverno tenho a certeza que o pequeno tanque deve ficar com gelo com alguns centímetros de espessura.
Este desafio vai manter-se durante os meses de Dezembro e Janeiro de 2010.
Em que freguesia podemos encontrar esta fonte?
Participe dando o seu palpite (na margem direita do Blogue).
Gala - Cantar dos Reis
É já amanhã a gala de Cantar os Reis aberto a todas as instituições. O acontecimento terá lugar no Centro Cultural de Vila Flor, dia 10 de Janeiro (Domingo), às 14h30m.
Limpar Portugal
O Movimento Limpar Portugal (PLP) é um movimento cívico altruísta cujo objectivo é promover a educação ambiental por intermédio da iniciativa de limpar a floresta portuguesa no dia 20 de Março de 2010.
Partindo do relato de um projecto desenvolvido na Estónia em 2008, um grupo de amigos decidiu colocar “Mãos à Obra” e propor “Vamos limpar a floresta portuguesa num só dia”.
Em poucos dias estava em marcha um movimento cívico que conta já com milhares de voluntários. Neste momento já muitas pessoas acreditam que é possível. O objectivo é juntar o maior número de voluntários e parceiros, para que todos juntos possamos, no dia 20 de Março de 2010, fazer algo de essencial por nós, por Portugal, pelo planeta e pelo futuro dos nossos filhos.
Vivemos num país repleto de belas paisagens mas, infelizmente, todos os dias as vemos invadidas por lixo que aí é ilegalmente depositado. Não podemos deixar que esta situação continue.
Quem quiser ajudar como voluntário só tem que consultar o sítio do projecto na internet onde tem toda a informação de como o fazer. O projecto Limpar Portugal também está aberto a parcerias com instituições e empresas, públicas e/ou privadas, que, através da cedência de meios (humanos e/ou materiais à excepção de dinheiro) estejam interessadas em dar o seu apoio ao movimento.
No dia 20 de Março de 2010, por um dia, vamos fazer parte da solução deixando de ser parte do problema.
Partindo do relato de um projecto desenvolvido na Estónia em 2008, um grupo de amigos decidiu colocar “Mãos à Obra” e propor “Vamos limpar a floresta portuguesa num só dia”.
Em poucos dias estava em marcha um movimento cívico que conta já com milhares de voluntários. Neste momento já muitas pessoas acreditam que é possível. O objectivo é juntar o maior número de voluntários e parceiros, para que todos juntos possamos, no dia 20 de Março de 2010, fazer algo de essencial por nós, por Portugal, pelo planeta e pelo futuro dos nossos filhos.
Vivemos num país repleto de belas paisagens mas, infelizmente, todos os dias as vemos invadidas por lixo que aí é ilegalmente depositado. Não podemos deixar que esta situação continue.
Quem quiser ajudar como voluntário só tem que consultar o sítio do projecto na internet onde tem toda a informação de como o fazer. O projecto Limpar Portugal também está aberto a parcerias com instituições e empresas, públicas e/ou privadas, que, através da cedência de meios (humanos e/ou materiais à excepção de dinheiro) estejam interessadas em dar o seu apoio ao movimento.
No dia 20 de Março de 2010, por um dia, vamos fazer parte da solução deixando de ser parte do problema.
31 dezembro 2009
Bom Ano Novo
25 dezembro 2009
24 dezembro 2009
Promissão de Luz
NATAL 2002 - PROMISSÃO DE LUZ
Uma gruta exígua.
A luz duma estrela
E uma criança
Transida de frio.
Um halo de esperança
Mais perto da terra:
Que lindo arco-íris
Florindo bonança!
A morte que morre
Pra que nasça a vida.
Promissão de luz
Que, a meio da noite,
O homem conduz.
E o débil Menino,
De palhas ornado,
Com o Mundo fechado '
Nas sagradas mãos.
Seu nome é Jesus.
Há um céu mais puro
Sobre nossos olhos.
E, se é de argila
O afã de o tocar,
Que a alma se erga
Das rotas do corpo,
Mesmo convencida
De lá não chegar.
Só com atenção
De o querer alcançar.
Erguem-se os pinheiros
Cobertos de neve
- Cajados floridos
De antigos romeiros.
E a tal luz divina
É fonte de estio
Volvida canção
Transformada em rio.
É sopro de paz
Num vibrar de sino.
Grão que se desfaz,
No anseio incontido
De vir a ser pão.
Não fiques sentado.
Bem perto, a teu lado,
Há um outro homem
De mão compungida,
Que bem pode ser
Teu pródigo irmão.
É sempre uma vida
A ser atendida.
Estende-lhe a mão.
Caminha, não pares.
Que a fé te ilumine
Na rota sem termo
Da presença ausência
Que tudo define.
Buscamos a essência,
E a razão descrê.
Por trás da aparência
Há sempre um porquê.
Não queiras ser gelo.
Não cales o grito.
Intimo e perfeito
Em ti há o dom
De seres infinito,
De guardares o eterno
No instante dum som.
Não é amanhã.
É hoje, é agora.
Assim acredites
Na janela aberta
E saibas proferir
A palavra certa
Da breve chegada.
E então, de repente,
Será madrugada!
Poema de João de Sá, do Livro Vila à Flor dos Montes (2008).
As fotografias são uma amostra de um vasto conjunto de presépios que estiveram em exposição na Escola EB2,3/S de Vila Flor.
Uma gruta exígua.
A luz duma estrela
E uma criança
Transida de frio.
Um halo de esperança
Mais perto da terra:
Que lindo arco-íris
Florindo bonança!
A morte que morre
Pra que nasça a vida.
Promissão de luz
Que, a meio da noite,
O homem conduz.
E o débil Menino,
De palhas ornado,
Com o Mundo fechado '
Nas sagradas mãos.
Seu nome é Jesus.
Há um céu mais puro
Sobre nossos olhos.
E, se é de argila
O afã de o tocar,
Que a alma se erga
Das rotas do corpo,
Mesmo convencida
De lá não chegar.
Só com atenção
De o querer alcançar.
Erguem-se os pinheiros
Cobertos de neve
- Cajados floridos
De antigos romeiros.
E a tal luz divina
É fonte de estio
Volvida canção
Transformada em rio.
É sopro de paz
Num vibrar de sino.
Grão que se desfaz,
No anseio incontido
De vir a ser pão.
Não fiques sentado.
Bem perto, a teu lado,
Há um outro homem
De mão compungida,
Que bem pode ser
Teu pródigo irmão.
É sempre uma vida
A ser atendida.
Estende-lhe a mão.
Caminha, não pares.
Que a fé te ilumine
Na rota sem termo
Da presença ausência
Que tudo define.
Buscamos a essência,
E a razão descrê.
Por trás da aparência
Há sempre um porquê.
Não queiras ser gelo.
Não cales o grito.
Intimo e perfeito
Em ti há o dom
De seres infinito,
De guardares o eterno
No instante dum som.
Não é amanhã.
É hoje, é agora.
Assim acredites
Na janela aberta
E saibas proferir
A palavra certa
Da breve chegada.
E então, de repente,
Será madrugada!
Poema de João de Sá, do Livro Vila à Flor dos Montes (2008).
As fotografias são uma amostra de um vasto conjunto de presépios que estiveram em exposição na Escola EB2,3/S de Vila Flor.
22 dezembro 2009
Caminhada perto de Samões
No dia 19 fiz uma pequena caminhada para me despedir do Outono. A tarde estava gelada. Logo à saída de Vila Flor passei por uma charca e a água tinha a superfície completamente gelada. A solução para o frio é fácil e barata: andar depressa.
Pensei em explorar percursos já meus conhecidos. Não me sinto com preparação para grandes aventuras, e, nesta altura do ano a noite chega muito depressa. Pensei em ir a Candoso mas depois optei por descer de Samões à ribeira do Vimieiro (entre Samões e Candoso), seguir a ribeira até à Ola e subir depois até Samões, regressando a Vila Flor. O percursos servir-me-ia também para testar um GPS que me tinham emprestado.
Depois de passar Samões fui surpreendido por um grande número de estacas de madeira espalhadas ao longo dos montes. Sou levado a pensar que são as marcações para alguma estrada, talvez o IC5! Parece-me estar a ser montado um grande estaleiro perto do marco geodésico do Concieiro, muito perto de Carvalho de Egas. Será que o desenvolvimento está a chegar ou será a mais um contributo para a desertificação do interior?
O grande pinheiro manso entre Samões e Carvalho de Egas nunca tinha sido alvo da atenção merecida. Parei durante algum tempo para o fotografar. Estranhei uma placa suspensa da árvore que dizia: “Não tucar no pinheiro”. Será que alguém tinha coragem de danificar a centenária árvore?
Comecei a descida para o vale. Estas encostas são selvagens, quer do lado de Samões, quer do Candoso. Há muitas formações graníticas com formas curiosas, vigiadas por carvalhos, pinheiros, sobreiros e castanheiros que sobreviveram a um sem número de incêndios. O sol teimava em espreitar por entre as nuvens, mesmo por cima de Candoso, ameaçando-me esconder-se a qualquer instante. E esse instante não demorou a chegar, pouco depois das 17 horas da tarde. Aproveitei os últimos raios que ganharam tonalidades douradas ao passarem por entre as folhas dos carvalhos. Eram os últimos acenos de Outono que se preparava para partir.
Quando cheguei ao coração do vale esperava encontrar os lameiros a transbordarem de água, mas não foi isso que encontrei. A montante do caminho, a ribeira levava alguma água, mas esta desaparecia de repente, como que por magia, num banco de areia que se atravessava no seu caminho. Percorri quase dois quilómetros da ribeira, mas não voltei a ver esse precioso líquido regressar a superfície! Os lameiros estão secos, não vi as tradicionais levadas que espalhavam água por todo o lameiro para favorecer o crescimento de erva fresca.
As sombras não me permitiam grandes manobras fotográficas. Os picos dos montes mais altos, como o Faro ou o Cabeço, nadavam num mar de luz enquanto o fundo dos vales mergulhavam nas sombras e nos silêncios preparando-se para mais uma noite fria. Uma noite capaz de gelar a humidade por baixo de superfície do solo, criando cristais de gelo que já não me recordava de encontrar há muito tempo.
A Ola é um local onde há várias cortes para o gado. Onde há gado há cães pastores. Já apanhei alguns sustos nesse local, mas desta vez consegui passar sem ser notado. Subi por um caminho já bem conhecido até Samões. Mesmo com pouca luz não resisti a tentar registar em fotografia algumas oliveiras com os troncos dilacerados pelos anos. Mesmo com o seu ar fantasmagórico apresentavam-se carregadas com os seus frutos negros, que mais tarde se irão transformar em luz, ou mais certamente num líquido dourado para temperar um saboroso prato de nabiças.
À medida que em subia a encosta, a luz ia descendo deixando-me na mais completa solidão. Acenderam-se as luzes em Samões orientando-me os passos. Não tive dificuldades no percurso porque não me afastei do caminho. Atravessei a aldeia em direcção à igreja; das suas traseiras parte o caminho em direcção a Vila Flor.
Cheguei a Vila Flor já noite cerrada. O percurso tem pouco mais de 12 quilómetros, mas, como sempre, o número de quilómetros é muito subjectivo. Quando demoro muito a fazer poucos quilómetros é bom sinal, é porque foi interessante.
Nota: esqueci-me que dizer que o GPS ficou sem bateria, assim não pude realmente verificar se correspondia às minhas necessidades.
Mapa do percurso
Pensei em explorar percursos já meus conhecidos. Não me sinto com preparação para grandes aventuras, e, nesta altura do ano a noite chega muito depressa. Pensei em ir a Candoso mas depois optei por descer de Samões à ribeira do Vimieiro (entre Samões e Candoso), seguir a ribeira até à Ola e subir depois até Samões, regressando a Vila Flor. O percursos servir-me-ia também para testar um GPS que me tinham emprestado.
Depois de passar Samões fui surpreendido por um grande número de estacas de madeira espalhadas ao longo dos montes. Sou levado a pensar que são as marcações para alguma estrada, talvez o IC5! Parece-me estar a ser montado um grande estaleiro perto do marco geodésico do Concieiro, muito perto de Carvalho de Egas. Será que o desenvolvimento está a chegar ou será a mais um contributo para a desertificação do interior?
O grande pinheiro manso entre Samões e Carvalho de Egas nunca tinha sido alvo da atenção merecida. Parei durante algum tempo para o fotografar. Estranhei uma placa suspensa da árvore que dizia: “Não tucar no pinheiro”. Será que alguém tinha coragem de danificar a centenária árvore?
Comecei a descida para o vale. Estas encostas são selvagens, quer do lado de Samões, quer do Candoso. Há muitas formações graníticas com formas curiosas, vigiadas por carvalhos, pinheiros, sobreiros e castanheiros que sobreviveram a um sem número de incêndios. O sol teimava em espreitar por entre as nuvens, mesmo por cima de Candoso, ameaçando-me esconder-se a qualquer instante. E esse instante não demorou a chegar, pouco depois das 17 horas da tarde. Aproveitei os últimos raios que ganharam tonalidades douradas ao passarem por entre as folhas dos carvalhos. Eram os últimos acenos de Outono que se preparava para partir.
Quando cheguei ao coração do vale esperava encontrar os lameiros a transbordarem de água, mas não foi isso que encontrei. A montante do caminho, a ribeira levava alguma água, mas esta desaparecia de repente, como que por magia, num banco de areia que se atravessava no seu caminho. Percorri quase dois quilómetros da ribeira, mas não voltei a ver esse precioso líquido regressar a superfície! Os lameiros estão secos, não vi as tradicionais levadas que espalhavam água por todo o lameiro para favorecer o crescimento de erva fresca.
As sombras não me permitiam grandes manobras fotográficas. Os picos dos montes mais altos, como o Faro ou o Cabeço, nadavam num mar de luz enquanto o fundo dos vales mergulhavam nas sombras e nos silêncios preparando-se para mais uma noite fria. Uma noite capaz de gelar a humidade por baixo de superfície do solo, criando cristais de gelo que já não me recordava de encontrar há muito tempo.
A Ola é um local onde há várias cortes para o gado. Onde há gado há cães pastores. Já apanhei alguns sustos nesse local, mas desta vez consegui passar sem ser notado. Subi por um caminho já bem conhecido até Samões. Mesmo com pouca luz não resisti a tentar registar em fotografia algumas oliveiras com os troncos dilacerados pelos anos. Mesmo com o seu ar fantasmagórico apresentavam-se carregadas com os seus frutos negros, que mais tarde se irão transformar em luz, ou mais certamente num líquido dourado para temperar um saboroso prato de nabiças.
À medida que em subia a encosta, a luz ia descendo deixando-me na mais completa solidão. Acenderam-se as luzes em Samões orientando-me os passos. Não tive dificuldades no percurso porque não me afastei do caminho. Atravessei a aldeia em direcção à igreja; das suas traseiras parte o caminho em direcção a Vila Flor.
Cheguei a Vila Flor já noite cerrada. O percurso tem pouco mais de 12 quilómetros, mas, como sempre, o número de quilómetros é muito subjectivo. Quando demoro muito a fazer poucos quilómetros é bom sinal, é porque foi interessante.
Nota: esqueci-me que dizer que o GPS ficou sem bateria, assim não pude realmente verificar se correspondia às minhas necessidades.
Mapa do percurso
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