02 julho 2010

Roios - Pastor

Uma das pessoas que encontrei no passeio em Roios no dia 10 de Abril, foi um pastor de um rebanho de cabras, com quem conversei demoradamente. É sempre bom conversar com estes conhecedores profundos dos caminhos de cada freguesia. Com eles descubro muitas vezes caminhos alternativos para os meus passeios seguintes.

01 julho 2010

Um pequeno passeio de bicicleta

Alguns estranharão os meus longos passeios de bicicleta pelas aldeias do concelho, certo é que, desde há um ano para cá, não andei de bicicleta, ou melhor, andei apenas uma vez, dia 10 de Abril. O objectivo foi fazer um teste físico e, por isso, escolhi um percurso bastante fácil: ir a Roios e voltar, por estrada.
Quase mecanicamente meti uma pequena máquina fotográfica no bolso. Não fazia a mínima ideia de como ia correr o passeio, mas sempre daria para tirar algumas fotografias.
Em pleno início de Abril os olivais ganharam um tapete multicolor, com a base verde e decorado a amarelo e branco. Esse foi o espectáculo que encontrei mal deixei as primeiras casas da vila em direcção a Roios. Após algumas paragens deixei-me levar tranquilamente até à aldeia. Não senti dores e isso deu-me segurança para ir mais longe. Percorri as principais ruas da aldeia e conversei um pouco com algumas pessoas. Entusiasmado decidi subir o caminho que passa perto do marco geodésico do Maragato, e depois vai à estrada nacional, que segue para Vale Frechoso. A subida é acentuada, mas sentia-me bem. A meio da subida encontrei um agricultor de Roios, que voltava da lavoura. Mais alguns dedos de conversa e continuei. A vegetação estava exuberante e não resisti a deixar a bicicleta, por alguns instantes e seguir pelos lameiros onde corria um pequeno riacho.
Pouco depois acabou-se a bateria da máquina fotográfica. Foi o momento de me concentrar de novo no pedal. Segui pela estrada até ao Baracão, mas senti-me tão entusiasmado que segui até Samões e depois para a barragem Camilo Mendonça. São muitas as pessoas que procuram este lugar para queimarem algumas calorias ao fim da tarde. Eu também já fui até lá duas ou três vezes, mas caminhar em círculo, à volta da barragem, não faz muito meu género.
Satisfeito com o percurso feito, regressei a casa. Percorri 23 quilómetros quase sem querer, o que me abriu boas perspectivas de “voltar à estrada” em bicicleta. Também fiz algumas fotografias interessantes, apesar de cada vez mais estar habituado a transportar uma máquina fotográfica muito melhor do que a que levei no bolso.

30 junho 2010

TasOsMontes.Net

A vontade de partilhar na Internet as minhas “viagens” por vilas e aldeias de Trás-os-Montes nasceu há mais de uma década, com os meus primeiros contactos com a Web. A primeira experiência chamou-se “O Trasmontano” e chegou a estar disponível na GeoCities, abarcando todos os concelhos do distrito de Bragança. Morreu principalmente pela minha indisponibilidade para o “alimentar”.
Em 2004 iniciei uma volta pelas freguesias do concelho de Miranda do Douro e fiz nascer o siteÀ Descoberta de Miranda do Douro, primeiro da série e que ainda se mantém online. Pela minha vida profissional e pelo gosto pessoal em conhecer e fotografar a região, novos blogues foram aparecendo, tendo o mesmo formato, mas cada um dedicado a seu concelho. No entanto, como são todos dinamizados por mim, acabam por ter muito em comum. Pensei em partilhar algumas postagens entre eles, mas, a opção final foi a criação de um novo espaço, também em formato blogue (por enquanto), que congregue informação disseminada pelos diferentes locais: À Descoberta de Miranda do Douro, À Descoberta de Vila Flor, À Descoberta de Carrazeda de Ansiães, À Descoberta de Mogadouro, À Descoberta de Freixo de Espada à Cinta, À Descoberta de Torre de Moncorvo e A Linha é Tua (blogue dedicado à Linha do Tua).


A partir de agora toda a (nova) informação dos diferentes blogues será disponibilizada também no espaço TasOsMontes.Net, sem necessidade de andar a saltar de Blogue em Blogue. Tentarei também partilhar, neste espaço, fotografias que tenho colocado na plataforma Flickr, onde tenho mantido uma relativa actividade. Com o tempo pode ser que haja algumas evoluções, uma vez que estou sempre a aprender.
Espero que o novo espaço seja uma janela aberta para o Trás-os-Montes que eu capto, seja em fotografias, seja em palavras.

22 junho 2010

VIII TerraFlor de 15 a 18 de Julho

Cartaz da feira TerraFlor que vai decorrer entre os dias 15 e 18 de Julho, em Vila Flor. É a VIII edição deste evento dedicado aos Produtos e Sabores do concelho e onde o Azeite ocupa sempre um lugar de destaque.
Este ano é a flor de oliveira que serve de fundo ao cartaz, que divulga as atracções musicais para os quatro dias da feira.

Para uma retrospectiva do que se passou nas edições anteriores basta clicar  - aqui -

19 junho 2010

Tabela de Preços do Parque de Campismo de Vila Flor

Tenho recebido algumas mensagens a pedir informação sobre o Parque de Campismo de Vila Flor. Aqui está a tabela de preços actualizada (Junho de 2010) e a Planta do Parque.
Desejo a todos os que o visitarem uma boa estadia e aproveitem para conhecer o concelho, garanto que não se arrependerão.

09 junho 2010

Alagoa

Aproximam-se os Santos Populares e, já no ano passado, nesta época me recordei das alminhas que existem em Alagoa. Na semana passado voltei ao local e verifique que estão envoltas num bonito jardim, como habitualmente.
Estas alminhas originalmente estavam fora do povoado, num local chamado Osseira. Penso que estariam num caminho que fazia a ligação entre Alagoa e Vilarinho da Castanheira, respeitando, assim,  a norma de implantação destes locais de culto. Em Alagoa há ainda mais duas alminhas, também elas muito antigas.
Verifiquei que foi cortado o parte do pinhal que envolvia a capela de Nossa Senhora de Fátima. Sendo este o ponto mais elevado do concelho de Vila Flor, talvez agora se consiga ter uma paisagem mais bonita a partir do santuário. Ainda estive no local, mas como por ali havia muitas máquinas, acabei por não tirar nenhuma fotografia.
Ver também : Alminhas (8) - Alagoa

04 junho 2010

As cores de Março

Logo no início do mês de Março fiz uma das mais longas caminhadas pelo concelho. Também esta caminhada se destinava a localizar locais de depósito de lixo nas freguesias de Candoso e Valtorno para a iniciativa Limpar Portugal.
Actualmente já não preciso de estudar cuidadosamente os percursos a realizar. Conheço grande parte dos caminhos e salto de uns para outros fazendo as escolhas de acordo com factores como o tempo, o interesse ao às vezes o impulso. É uma grande sensação de liberdade sair quase sem rumo, com horas infindáveis para poder percorrer os caminhos, apreciar o recorte das montanhas ou perder-me na pequenez das flores, apenas possível de joelhos, como que venerando a obra do Criador.
Nesta altura ainda as amendoeiras estavam em flor, mas, este ano este espectáculo tão fantástico não teve o brilho de anos anteriores.
O destino era Candoso mas logo à saída de Vila Flor em direcção a Samões me perdi pelas flores que atapetavam os caminhos, brilhando intensamente com a luz do sol. Atravessei Samões e dirigi-me para os campos agrícolas próximos. Sabia que o caminho não tinha saída mas o objectivo era entrar nos terrenos e fotografar as margaridas que cobriam mais de um hectare. Já não foi a primeira vez que vi tantas margaridas, ou margaças, em flor. Este espectáculo é frequentes nestes terrenos férteis próximos de Samões mas também nos olivais de Sampaio, Lodões ou Assares.
Continuei por caminhos rurais até perto das primeiras casas de Carvalho de Egas. O ribeiro, que corria abundantemente, era o que me separava de começar a subida em direcção a Candoso. A caminho é bom mas com as chuvas que caídas havia lama em todo o lado. Em Candoso as ruas estavam esburacadas. As máquinas tinham aberto valas nas ruas para a colocação de esgotos (penso eu). Segui para junto da igreja e depois para a escola primária. Comecei ali a minha tarefa de localização de lixeiras. Não as vou descrever aqui. De perto da escola primária até à estrada nacional já perto do termo de Candoso com Mogo de Malta encontrei tanto, tanto lixo que fiquei horrorizado. Já tinha passado várias vezes em bicicleta nesses caminhos, mas, agora percorrendo-os a pé fiquei com a ideia que infelizmente há muita gente que não gosta mesmo da sua terra. Não são só electrodomésticos são quantidades industriais de entulho, vidro e móveis antigos que ocupam vários hectares. Cada vez mais se reforça a ideia de que as pessoas se preocupam com as aparências, construindo casas bonitas mas despejando todo o lixo ao longo dos caminhos, pela calada da noite ou em plena luz do dia. Que fazem os responsáveis locais? Que faz a GNR?
Já com o sol a pintar de amarelo as copas dos pinheiros, cheguei à estrada nacional quase no ponto onde vai passar o futuro IC5. Pareceu-me boa ideia aproveitar o traçado deste itinerário para regressar a casa, mas vei-o a revelar-se uma péssima opção. Primeiro porque é perigoso circular nestes locais, apesar de ser fim-de-semana e não haver máquinas em manobras, depois porque a chuva e a passagem continuada de máquinas criavam autênticos lamaçais. Quase a chegar a Carvalho de Egas enterrei-me quase até à cinta. Apanhei um valente susto e decidi afastar-me do traçado do IC5 e seguir os caminhos já meus conhecidos. Revelou-se uma atitude sensata, embora não isenta de perigos. A noite chegou e eu com vários quilómetros para percorrer. Não é fácil caminhar em completa escuridão e havia alguns caminhos completamente inundados. Mantendo o sangue frio e usando de todas as cautelas, cheguei a Vila Flor perto das nove da noite.
Foi uma longa caminhada, ao longo de mais de 20 quilómetros. Neste percurso marcou-me o contraste das cores de Maio, no início da caminhada, e a imagem degradante do lixo encontrado em grandes quantidades.
A Junta de Freguesia de Candoso aderiu à iniciativa Limpar Portugal e algum desse lixo foi limpo no dia 20 de Março. Uma coisa é certa: se não houver cuidado, educação e civismo, de pouco adianta andarmos, uns poucos, a apanhar o lixo que muitos fazem.

GPSies - Vila_Flor_Candoso_Vila_Flor

31 maio 2010

Pelo Sinal da Terra (22)

Quero sorver a manhã
até não haver vestígios
na taça de cristal azul
atravessada pelos voos
alucinados dos melros.

Descobrir os timbres
das vozes que ecoam
por dentro dos caules
- pedaços de tempo
com a inquieta delgadeza
dum pressentimento
de morte iminente,
por se saber
que qualquer chave serve.

Pisar a relva,
senti-la ranger partículas
de luz, gerúndios verdes
de remoto texto clássico,
num percurso
em que o princípio e fim
se abreviam
na singela oscilação
duma baga de loureiro ao sol.

João de Sá, in Pelo Sinal da Terra; edição de autor, 2010.
Fotografia: Estrada para a Ribeirinha, pouco depois de Vilas Boas.

28 maio 2010

Caminhada pelo Coração (II)

Hoje foram os alunos do 1.º e 2.º Ciclos das escolas do concelho que caminharam pelo coração. A maior parte dos alunos partiu de Vila Flor, mas pequenos grupos saíram de Samões e Seixo de Manhoses para se concentrarem no Estádio Municipal. Aqui desenvolveram-se alguns jogos seguidos de um pequeno lanche.
O regresso a Vila Flor aconteceu perto do meio dia, mesmo a tempo para o almoço e uma tarde normal de aulas.
Estas actividades estavam previstas no Plano Anual do Agrupamento de Escolas de Vila Flor, programadas no âmbito do Projecto de Educação para a Saúde.

25 maio 2010

De volta ao cabeço de S. Cristóvão

Já foi em Fevereiro que subi, mais uma vez, ao alto do cabeço de S. Cristóvão, em Vila Boas. Quando me dirigi, de carro, para Vilas Boas tinha dois objectivos: o primeiro era a georreferenciação de lixeiras para o evento Limpar Portugal, que teve lugar no dia 20 de Março; o segundo era descobrir uma caverna a que chamam Pala da Feiticeira, que nunca encontrei nas minhas anteriores visitas.
Visitei alguns locais meus conhecidos onde sabia que depositavam lixo, sobretudo monstros e entulho. Para surpresa minha a quantidade de lixo que encontrei era muito reduzida! Foi uma boa surpresa! Ao contrário do que verifiquei noutras freguesias, estou em crer que em Vilas Boas o lixo depositado no termo da mesma, são alvo de atenção e remoção. Está de parabéns a Junta de Freguesia.

O meu passeio, propriamente dito, começou na fonte de Nossa Senhora. O espaço estava com aspecto bastante desolador. Em Fevereiro ainda não havia folhas nas árvores e o jardim ainda não tinha dado sinais de vida. Aproveitei para fazer algumas fotografias da alameda de eucaliptos, mas não consegui o efeito que desejava. É um motivo a que espero voltar um dia.

Atravessei a aldeia mas não encontrei ninguém. Encontrar a Pala da Feiticeira sem a indicação de alguém residente é quase impossível, por isso mudei de objectivo. Deixei o carro junto à queijaria e segui por um caminho que atravessa todos os montes a meia encosta, a nascente. Verifiquei, mais uma vez, que há bastante alecrim selvagem. A primeira vez que o encontrei julguei tratar-se de alguma planta que sobreviveu nalgum antigo terreno cultivado, mas há alecrim espalhado por todo lado, até no meio dos pinhais.

Seguindo o caminho é necessário andar alguns quilómetros para chegar às ruínas da antiga capela de S. Sebastião. Subi em corta mato pela encosta arriba. Não é tarefa fácil, mas se já o tinha feito uma vez com a bicicleta às costas, melhor o fiz sem ela.
Quando se atingem as ruínas da capela, situadas num pequeno promontório, desfruta-se de uma bonita paisagem avistando-se a aldeia de Vilas Boas, o Cabeço, Meireles e algumas casas do Cachão. O dia estava muito instável mas quando o sol iluminava as colinas realçava o relevo que ganhava contornos estranhos visto do alto.

Neste passeio houve outra novidade. Pela primeira vez levei um leitor de MP3 e uns auscultadores. A música que actualmente ouço pode ser classificada como New Age, New World-Music, Ambient, Ethnic Music, Chillout, Spanish Guitar, etc. Só sei que combina na perfeição com a tranquilidade destes ambientes inóspitos. Sons com influência celta, árabe ou oriental, que convidam à contemplação e favorecem o relaxamento. Não quer dizer que os sons da natureza não sejam repousantes, ou mesmo o silêncio, mas gostei de percorrer as montanhas com estes novos ritmos.
Perto das seis da tarde atingi o topo do monte de S. Cristóvão onde se encontra um pequeno marco geodésico. Este é um dos pontos mais espectaculares do concelho. O olhar percorre 360⁰ descobrindo sempre coisas novas no horizonte. A visão que se tem deste lugar supera aquela que se tem do alto do Cabeço, que já é de cortar a respiração.

O sol foi-se encostando à linha do horizonte fazendo brilhar da cor da prata o Tua, junto à Ribeirinha e senti que tinha de sair dalí com a maior urgência. Segui durante algum tempo para Norte em busca do caminho. Estas fragas são do mais agreste que se pode imaginar. Apesar de esta área ter ardido há poucos anos, a vegetação rasteira constituída essencialmente por giestas, estevas, urze e carqueja engole-nos, não nos deixando ver por onde caminhamos. Já bastante próximo do Monte do Faro, encontrei o caminho. Este é outro monte onde vale a pena subir mas a noite estava quase a chegar. Rebusquei no fundo da mochila os bolos económicos que levei e ajustei os auscultadores. O caminho é longo. Parte em direcção ao Cachão quando tem que nos levar para Vilas Boas, mas esta é a forma de vencer o declive acentuado, descrevendo z’s na encosta. Não sei quanto tempo demorei a chegar ao carro. Deixei-me levar pela noite e pelos cenários criados pela música e pelas silhuetas das árvores que se curvavam para o caminho à minha passagem. O importante foi não me desviar do caminho, que conhecia bem. De noite tudo ganha novos contornos e sem os pontos de referência habituais é como caminhar no vazio.

Não encontrei lixeiras, não descobri a Pala da Feiticeira, mas foi uma aventura emocionante. Desde esse dia nunca mais saí sem o meu leitor de MP3 (presente dos filhos, no Natal passado).

23 maio 2010

Caminhada pelo Coração

Realizou-se no dia 22 de Maio, em Vila Flor, a Caminhada Pelo Coração. A organização esteve a cargo do Centro de Saúde de Vila Flor /Núcleo de Doenças Cardiovasculares.
Estive presente na 2.º Caminhada pelo Coração, realizada em 2009, que foi um enorme sucesso e a expectativa era muita para esta terceira edição. O programa estendia-se por toda a manhã e parte da tarde com distribuição do almoço.

Foram muitos os que compareceram para a caminhada, talvez mais de duas centenas. Gente de todas idades, desde poucos meses, ainda em carrinhos de bebé, até a muitos anos de vida, como uma idosa do Mourão com quem conversei durante o percurso, que me confessou ter vindo a pé do Mourão ao Cabeço, na semana passada!
A caminhada é muito pequena e foi feita com várias pausas para posar para a televisão. Fez-me lembrar aquelas cerimónias de casamento em que o fotógrafo é o mais importante. Como participam pessoas com idades muito dispares talvez não pudesse ser mais longa, mas uma volta à barragem Camilo Mendonça seria espectacular.
O dia esteve luminoso e o sol quente, mas às onze horas praticamente toda a gente já tinha chegado ao Estádio Municipal.
Comparativamente com o ano passado, este ano, a organização esteve muito pobre. Basta dar uma vista de olhos ao pequeno vídeo que realizei no ano passado para verificar que havia imensos jogos, para todas as idades, que fizeram as delícias de todos. Este ano tudo se resumiu a alguns exercícios de relaxamento. As pessoas dançaram animadamente, como que a mostrar que estavam com vontade de fazer mais alguma actividade física.
Eu também pousei a mochila e dei algumas voltas ao campo em passo de corrida.
Perto do meio dia foi pedido que todos se sentassem nas bancadas para ser distribuído o almoço. Como não me foi aceite a inscrição fora de prazo, eu não tinha almoço. Por isso voltei a Vila Flor.
No meu regresso, já por caminhos rurais pude apreciar com mais calma o colorido das flores, que, esta Primavera, tem estado qualquer coisa de espectacular. Tenho mesmo que realizar mais algumas caminhadas antes que o sol queime o manto verde que se estende na berma dos caminhos.

21 maio 2010

Pelo Sinal da Terra (21)

Eu te bendigo, manhã de chuva,
pelos matizes e odores
que emprestas à paisagem.

Trazes-me estranhas sensações
de desenraizamento.
Contemplo longínquas regiões:
lentas tardes de domingo
em aldeias perfumadas de feno
e fumo de eucalipto e pinheiro,
onde nunca estive.

Dá-me uma gaiola
onde caiba o espectro solar
deste arco-da-aliança:
dessacralização do céu,
enobrecimento da terra.

João de Sá, in Pelo Sinal da Terra; edição de autor, 2010.
Fotografia: Espaço envolvente à barragem Camilo Mendonça, em Vila Flor.