Na senda das “Peregrinações” já realizadas, seguiu-se no dia 5 de Outubro, Nossa Senhora do Rosário em Freixiel.
Há várias razões para este santuário seja um dos mais importantes do concelho. Desde logo a importância histórica da aldeia de Freixiel, outrora sede de concelho com o mesmo nome, mas também a sua riqueza agrícola; a localização do pequeno “calvário” muito próxima da aldeia, fazendo mesmo parte dela e, não menos importante, a devoção dos habitantes a Nossa Senhora.
A ligação por caminhos rurais entre Vila Flor e Freixiel á dos mais simples, e talvez dos mais antigos. O percurso é feito quase em linha recta, aproveitando a geografia do terreno juntando-se, ou seguindo de perto os cursos de água. Trata-se de um percurso já feito e descrito no blogue por várias vezes. Desta vez houve uma novidade, foi a primeira vez que o fiz acompanhado.
Quase sem darmos por isso estávamos em Samões. Entrámos na aldeia por detrás da igreja e seguimos pela Rua do Salgueiral. Algumas das casas senhoriais estão a ser recuperadas mantendo as características originais, o que é de louvar. Numa delas encontra-se a Capela de S. Francisco, construída em 1872 e pertencente à família Almendra.
Um pouco mais abaixo, junto à fonte, ainda houve tempo para espreitar pela porta envidraçada da capela de Nossa Senhora do Rosário, com o seu cabido e púlpito exteriores.
Depois de abandonar a aldeia, o percurso é muito agradável. Um caminho muito bom, repleto de curiosidades naturais que surgem aqui e além, na berma do caminho. As ribeiras ainda não têm água corrente, mas a erva fresca já se manifesta por todo o lado.
Entre montados e fragas há bonitas vinhas que, este ano se apresentam repletas de suculentas uvas. Foram vários os grupos de vindimadores que encontrámos.
Já à chegada à aldeia de Freixiel fizemos um desvio para visitarmos a tão famosa (e singular) forca. Além do monumento em si, o promontório onde está situada é um excelente miradouro virado para a aldeia. Foi excelente a ideia de colocarem aqui um painel com uma fotografia panorâmica e a sinalização dos principais pontos de interesse.
Seguimos pela Rua do Ribeirinho e depois em direcção ao Pelourinho. Não sem antes termos visitado as antigas (e bonitas) fontes. O Pelourinho de Freixiel está classificado como Imóvel de Interesse Público. É um pelourinho quinhentista de «coluço», tipicamente manuelino.
Depois de uma curta paragem subimos à capela de Nossa Senhora do Rosário, destino final da nossa caminhada. Do alto da escadaria também se têm uma bonita visão da aldeia e de todos os terrenos que a rodeiam.
Nesta capela também existe uma janela de vidro que permite observar o seu interior. Tem até uma lâmpada que se acende quando detecta movimento, coisa pouco habitual em todas as “Peregrinações” já realizadas. Também notei que foi construída uma pequena cobertura por cima da porta que a protege da chuva. Não estava lá da última vez que visitei a capela.
Quando descemos à aldeia, já passava um pouco do meio-dia e meia hora. Seria impraticável tentar regressar a Vila Flor a caminhar. Depois de percorrermos algumas ruas e conversarmos com algumas pessoas, telefonámos para o “carro de apoio” que nos foi buscar a Freixiel a tempo de almoçarmos com a família.
Foi uma (curta) caminhada muito agradável, num dia também muito agradável. Além dos monumentos visitados, das paisagens admiradas e das pessoas com quem trocámos impressões é realçar as saborosíssimas uvas que comemos pelo caminho. As caminhadas no Outono têm alguns atractivos extra.
17 outubro 2010
15 outubro 2010
Dr. Cabral Adão - Centenário da Vida e Obra
Está prestes a encerrar a exposição patente no Centro Cultural de Vila Flor, dedicada à vida e obra do Dr. Cabral Adão. Quem ainda não a visitou, tem ainda até ao dia 17 do corrente mês para o fazer.
Seguindo esta ligação poderão ficar a par da homenagem que a Câmara Municipal de Setúbal prestou ao Dr. Cabral Adão, em Julho de 2010, assinalando o centenário do seu nascimento (curiosamente a fotografia utilizada foi publicado por mim, neste blogue e mostras uma das suas últimas estadias em Vila Flor - Maio de 1986).
Do seu livro Versos - Vila Flor transcrevi mais um bonito soneto que lembra as práticas de outros tempos quando as vinhas eram guardadas para que ninguém se apoderasse de tão precioso bem que eram as uvas.
Guardadores
Seguindo esta ligação poderão ficar a par da homenagem que a Câmara Municipal de Setúbal prestou ao Dr. Cabral Adão, em Julho de 2010, assinalando o centenário do seu nascimento (curiosamente a fotografia utilizada foi publicado por mim, neste blogue e mostras uma das suas últimas estadias em Vila Flor - Maio de 1986).
Do seu livro Versos - Vila Flor transcrevi mais um bonito soneto que lembra as práticas de outros tempos quando as vinhas eram guardadas para que ninguém se apoderasse de tão precioso bem que eram as uvas.
Guardadores
Ao Virgílio de Morais
No cômoro da vinha mais cimeiro,
A cabana de colmo foi erguida
Plo guardador, antigo desordeiro,
De perna lesta e de alma destemida.
Mora ali, mais a foice e o rafeiro,
Ali faz de comer, lá tem dormida,
Ouvidos sempre atentos ao primeiro
Sinal de a vigilância ser traída.
«- Ai daquele que toque num só bago
Dos cachos que contados sempre trago -
- dizia - nesta vinha por í fora!»
Vem a vindima, cresce a lagarada,
E à última videira vindimada
Desocupa a cabana e vem-se embora.
14 outubro 2010
Flashes do Outono (01)
Durante o mês de Setembro fiz várias saídas em bicicleta. Percorri muitos dos caminhos que já conhecia nas freguesias de Vila Flor, Samões, Carvalho de Egas, Valtorno, Seixo e Roios. Este retomar do BTT está a acontecer depois de mais de um ano de paragem e está a ser muito agradável.
Numa das minhas deslocações a Valtorno aproveitei para visitar alguns dos pontos onde fizemos limpeza de lixeiras clandestinas na iniciativa Limpar Portugal, que divulguei no blogue.
Grande parte dos espaços mantêm-se limpos, sinal de que há algum respeito, ou então ainda decorreu pouco tempo. A minha maior (e pior surpresa) aconteceu num caminho entre as freguesias de Valtorno e Seixo. Desse local retirámos várias camionetas de lixo, centenas de quilos de ossos e muitos monstros. O sítio ficou impecável. Qual não foi a minha surpresa quando deparo com um monte de lixo de todo o tamanho! Quem seria o civilizado que fez tal patifaria?
Tal como as imagens documentam, alguém depositou um atrelado completo de lixo. Armários, colchões, um fogão, panelas, etc. Tal quantidade de lixo é impossível passar despercebida e seria bom que a população e/ou os senhores presidentes de junta denunciassem estas situações.
Tenho percorrido caminhos de muitos concelhos no nordeste transmontano e em nenhum esta calamidade atinge tais proporções. Ainda recentemente numa caminhada que fiz na freguesia de Parambos (concelho de Carrazeda de Ansiães), encontrei junto à aldeia um local para os residentes depositarem os monstros que são posteriormente removidos por viaturas do município. Porque é que em Vila Flor não se faz algo semelhante?
Há imenso lixo ao longo das estradas e quando se sai para um caminho, as coisas ainda pioram. Não basta ter orgulho no nome VILA FLOR, há que fazer um esforço para que não só a vila, mas todo o concelho mereça esse nome. Infelizmente as coisas têm piorado.
Não tenho encontrado só coisas más. Este ano tem-se revelado bastante bom no que toca às produções agrícolas (o que não significa necessariamente lucro para os agricultores). Houve uma razoável produção de amêndoa e uma grande quantidade de uvas. Nalguns locais as videiras chegaram a tombar com o peso das uvas.
A vindima está quase a terminar (se não terminou já). A Adega Cooperativa de Vila Flor não abriu portas. Expirou. É pena que num concelho marcadamente vinícola esta estrutura desapareça. As iniciativas para a saldar as suas dívidas não tiveram sucesso uma vez que algumas instituições não quiseram assumir tal fardo.
Pela primeira vez participei na vindima e, imagine-se, pisei uvas como nos “velhos tempos”.
Numa das minhas deslocações a Valtorno aproveitei para visitar alguns dos pontos onde fizemos limpeza de lixeiras clandestinas na iniciativa Limpar Portugal, que divulguei no blogue.
Grande parte dos espaços mantêm-se limpos, sinal de que há algum respeito, ou então ainda decorreu pouco tempo. A minha maior (e pior surpresa) aconteceu num caminho entre as freguesias de Valtorno e Seixo. Desse local retirámos várias camionetas de lixo, centenas de quilos de ossos e muitos monstros. O sítio ficou impecável. Qual não foi a minha surpresa quando deparo com um monte de lixo de todo o tamanho! Quem seria o civilizado que fez tal patifaria?
Tal como as imagens documentam, alguém depositou um atrelado completo de lixo. Armários, colchões, um fogão, panelas, etc. Tal quantidade de lixo é impossível passar despercebida e seria bom que a população e/ou os senhores presidentes de junta denunciassem estas situações.
Tenho percorrido caminhos de muitos concelhos no nordeste transmontano e em nenhum esta calamidade atinge tais proporções. Ainda recentemente numa caminhada que fiz na freguesia de Parambos (concelho de Carrazeda de Ansiães), encontrei junto à aldeia um local para os residentes depositarem os monstros que são posteriormente removidos por viaturas do município. Porque é que em Vila Flor não se faz algo semelhante?Há imenso lixo ao longo das estradas e quando se sai para um caminho, as coisas ainda pioram. Não basta ter orgulho no nome VILA FLOR, há que fazer um esforço para que não só a vila, mas todo o concelho mereça esse nome. Infelizmente as coisas têm piorado.
Não tenho encontrado só coisas más. Este ano tem-se revelado bastante bom no que toca às produções agrícolas (o que não significa necessariamente lucro para os agricultores). Houve uma razoável produção de amêndoa e uma grande quantidade de uvas. Nalguns locais as videiras chegaram a tombar com o peso das uvas.
A vindima está quase a terminar (se não terminou já). A Adega Cooperativa de Vila Flor não abriu portas. Expirou. É pena que num concelho marcadamente vinícola esta estrutura desapareça. As iniciativas para a saldar as suas dívidas não tiveram sucesso uma vez que algumas instituições não quiseram assumir tal fardo.
Pela primeira vez participei na vindima e, imagine-se, pisei uvas como nos “velhos tempos”.
12 outubro 2010
Cantos da Montanha ( III - 6)
Nesta explosão telúrica me atomizo
e atinjo o coração de invisíveis astros.
Vai-se esbatendo a linha divisória
entre os vivos e os mortos.
Um tremor de castanheiros .
apressa-se a despegar-me do corpo
o grude das leitosas pálpebras da inocência.
Que eu encontre uma sarça dos cumes da montanha,
a que bebeu tanto vento e luz
que se transformou em íman ou mastro.
Talvez seja uma hipótese de atingir
um ignoto clarão perdido nos espaços
desvendando a cerrada névoa
que antecede o poema.
Poema do mais recente livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto III, 6).
Fotografia: alto do Facho, Vila Flor, hoje à tarde, durante um passeio de BTT.
e atinjo o coração de invisíveis astros.
Vai-se esbatendo a linha divisória
entre os vivos e os mortos.
Um tremor de castanheiros .
apressa-se a despegar-me do corpo
o grude das leitosas pálpebras da inocência.
Que eu encontre uma sarça dos cumes da montanha,
a que bebeu tanto vento e luz
que se transformou em íman ou mastro.
Talvez seja uma hipótese de atingir
um ignoto clarão perdido nos espaços
desvendando a cerrada névoa
que antecede o poema.
Poema do mais recente livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto III, 6).
Fotografia: alto do Facho, Vila Flor, hoje à tarde, durante um passeio de BTT.
Cogumelos (4)
Com a chegada das chuvas do Outono aguarda-se com alguma ansiedade a chegada dos primeiros cogumelos, normalmente os rocos. Mas, em Freixiel, encontrei no dia 5 de Outubro uma pessoa com um balde com bastantes fungos. Tratava-se de uma espécie totalmente desconhecida para mim, que se desenvolve nos troncos dos olmos.
Também encontrei o resto de um tronco de sobreiro repleto de um cogumelo que penso que são as repolgas. Estavam num estado bastante avançado do desenvolvimento e já merecia a pena colhe-las. Como também não é um cogumelo que me oferece confiança colher, nunca o apanharia, mesmo que estivesse boas.
Também encontrei o resto de um tronco de sobreiro repleto de um cogumelo que penso que são as repolgas. Estavam num estado bastante avançado do desenvolvimento e já merecia a pena colhe-las. Como também não é um cogumelo que me oferece confiança colher, nunca o apanharia, mesmo que estivesse boas.
03 outubro 2010
Peregrinações - Nossa Senhora do Castanheiro (Valtorno)
A caminhada do dia 26 de Setembro de 2010, integrada na série “Peregrinações” levou-nos por terras de Carvalho de Egas , Valtorno e Seixo de Manhoses. O destino final foi a igreja de Nossa Senhora do Castanheiro, em Valtorno.
A manhã mostrou-se fresca e com uma luminosidade notável, logo à partida de Vila Flor. O caminho seguido foi sensivelmente o mesmo na caminhada ao Santuário de Santa Cecília. Com as obras da nova estrada, é cada vez mais difícil passar em certos locais, mas, como ao fim-de-semana não há máquinas em movimento, não tem havido grandes problemas.
Na barragem Camilo Mendonça havia já algumas pessoas a fazerem a sua ginástica matinal, sobre o olhar atento de uma garça-real, que procurava o seu pequeno-almoço. Fizemos um passeio pelo mini-zoo que se apresenta bastante povoado, pelo menos no que toca a aves. Pode ser que, um dia destes, aqui mostre um pouco do que aí pode ser visto.
Depois de passarmos o Concieiro, continuámos na mesma direcção entre as freguesias de Valtorno e Seixo de Manhoses. Este caminho vai terminar junto à igreja que pretendíamos visitar, mas não íamos segui-lo até ao fim.
Deixámos a crista da montanha a 700 metros de altitude e descemos em direcção a uma das curiosidades mais destacáveis de Valtorno, a fonte arcada conhecida pelo curioso nome de Paijoana. É uma fonte medieval, em arco, de que já fiz eco em várias anteriores visitas a Valtorno. Esta fonte inspira uma das mais curiosas lendas do concelho, como quase sempre, à volta de uma moura encantada. Estou sempre à espera da noite de S. João para visitar a fonte. Quem sabe não me toca a mim a manta de ouro que a dita moura tece num tear de marfim! Mas quando chega o dia de S. João, esqueço-me.
A localização desta fonte não é alheia à existência, logo atrás dela, de vestígios de um povoamento bastante antigo, de certeza mais antigo do que a fonte. Numa extensão bastante grande há vestígios de muralhas e de habitações. É o Cabeço Murado, ou como o povo diz, Cabeça Murada.
Quando nos dirigíamos para a Capela N.ª Senhora da Luz, no centro da aldeia passámos junto a uma estrutura da freguesia bastante interessante. Trata-se de um parque infantil, tendo ao lado uma área para assadores, mesas e casas de banho, que permitem a realização de convívios e confraternizações. Tudo numa zona muito aprazível e vedada. São espaços assim que são bem-vindos em qualquer freguesia.
A visita à capela de Nossa Senhora da Luz deixou o meu companheiro de viagem bastante chocado. Não compreendia como se pode chegar a tal abandono, quando o património histórico e religioso das nossas aldeias nem é assim tão abundante. Sentimentos semelhantes senti eu, na primeira vez que a visitei.
Descemos em direcção à capela do Santíssimo, onde se celebrava a Eucaristia. Teria sido interessante visitar o seu interior, mas será uma tarefa a realizar no futuro. Já poucos metros nos separavam da igreja de nossa Senhora do Castanheiro, que se ergue num outeiro a sudoeste da povoação.
A designação da igreja, Nossa Senhora do Castanheiro, deriva de mais uma lenda que dá contada da aparição de Nossa Senhora entre as pernadas de um velho e enorme castanheiro que, completamente desgastado pelo tempo, se apresenta ainda imponente, mesmo sem qualquer sinal de vida. A morte total é recente, uma vez que me recordo de ainda lhe ver algumas folhas verdes. A seu lado cresce um novo castanheiro, que, com o tempo se tornará grande e continuará a ser aquele onde apareceu nossa senhora, por mais alguns séculos.
A igreja também é digna de referência. Construída a algumas centenas de metros do povoado, deve ter sofrido ampliações e alterações ao longo dos séculos. Talvez a sua origem esteja numa capela românica do séc. XIII mas o o grosso do que a constitui actualmente é atribuído ao séc. XVIII. O seu portal românico é, sem dúvida, o elemento arquitectónico de maior valor e que mais chama a atenção, com um arco de volta inteira. Não foi possível entrar no seu interior, mas já aí estive por várias vezes.
Depois de atingido o objectivo, podíamos regressar por um caminho bastante rápido, passando novamente pelo Concieiro, mas, para tornar a caminhada mais agradável, seguimos pelo caminho dos moinhos que desce em direcção à Barragem de Valtorno-Mourão. Embora o época do ano não seja a mais propícia, este percurso é muito agradável. Mais agradável se tornaria se houvesse tempo para explorar as ruínas dos diferentes moinhos que vão aparecendo ao longo do ribeiro.
A certa altura começa a ver-se a barragem. Ganha uma tonalidade de azul interessante, vista do alto. Aos Domingos, e ao final das tardes, há sempre alguns pescadores a tentarem a sua sorte.
Quando chegámos ao cruzeiro, lugar onde se encontram muitos caminhos, seguimos aquele que nos levaria mais rapidamente ao Seixo, onde chegámos perto da uma da tarde. Satisfeitos com o percurso feito e para não chegarmos muito tarde a casa, telefonámos para nos irem buscar. Percorremos perto de 15 quilómetros a pé; o percurso foi muito interessante; já merecíamos o almoço.
Percurso realizado:
02 outubro 2010
Freguesia Mistério 40
O regresso da Freguesia Mistério parece ter despertado a vontade de participar uma vez que teve uma boa adesão (se compararmos com as anteriores).
Desde cedo o voto se inclinou par a resposta certa, mas, no final, esta não chegou a atingir os 50%. Este bonito cruzeiro existe na freguesia (em que há mais cruzeiros) e que é Valtorno. ainda na semana passada o visitei e está tão bonito como a fotografia ilustra. Está sempre muito bem cuidado, cheio de flores e com lamparina acesas. Está implantado num dos pontos mais elevados da aldeia, onde se encontra a Rua da Máquina com a Rua do Freixinho. Em breve publicarei outras fotografias deste cruzeiro.
Foram validados 23 votos, que ficaram distribuídos da seguinte forma:
Benlhevai (1) 4%
Freixiel (1) 4%
Lodões (1) 4%
Mourão (1) 4%
Nabo (4) 17%
Samões (1) 4%
Santa Comba de Vilariça (1) 4%
Valtorno (11) 48%
Vila Flor (1) 4%
Vilarinho das Azenhas (1) 4%
O novo desafio é outro cruzeiro. Situado no coração de uma aldeia do concelho, dá nome ao largo.
Em que freguesia podemos encontrar este cruzeiro?
Desde cedo o voto se inclinou par a resposta certa, mas, no final, esta não chegou a atingir os 50%. Este bonito cruzeiro existe na freguesia (em que há mais cruzeiros) e que é Valtorno. ainda na semana passada o visitei e está tão bonito como a fotografia ilustra. Está sempre muito bem cuidado, cheio de flores e com lamparina acesas. Está implantado num dos pontos mais elevados da aldeia, onde se encontra a Rua da Máquina com a Rua do Freixinho. Em breve publicarei outras fotografias deste cruzeiro.
Foram validados 23 votos, que ficaram distribuídos da seguinte forma:Benlhevai (1) 4%
Freixiel (1) 4%
Lodões (1) 4%
Mourão (1) 4%
Nabo (4) 17%
Samões (1) 4%
Santa Comba de Vilariça (1) 4%
Valtorno (11) 48%
Vila Flor (1) 4%
Vilarinho das Azenhas (1) 4%
O novo desafio é outro cruzeiro. Situado no coração de uma aldeia do concelho, dá nome ao largo.
Em que freguesia podemos encontrar este cruzeiro?
30 setembro 2010
Cantos da Montanha
Foi já há algum tempo, mas como não pude estar presente, não poderia, mesmo assim, deixar de divulgar este acontecimento, que foi o lançamento do livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha. Até porque o autor teve a amabilidade de me enviar, por correio, um exemplar! A apresentação pública do livro aconteceu a 22 de Agosto de 2010 e pode ser revista no pequeno vídeo feito pela Localvisão.
Trata-se de um livro de poesia, bem mais saboroso e colorido do que alguns editados anteriormente. Neste livro, os versos não cantam unicamente Vila Flor, nele podemos encontrar poemas dedicados a Freixo de Espada à Cinta, Barca de Alva, Rio Sabor, etc. ou mesmo a algumas personalidades marcantes da região.
É um livro que merece ser lido. São viagens, de corpo e alma, que nos despregam da terra e nos elevam a outra dimensão do ser.A linguagem utilizada pelo autor, nem sempre fácil de acompanhar, é de uma beleza estonteante, neste livro, parece-me um pouco mais acessível. Por vezes é bom esquecermos a confusão do mundo que nos rodeia, a crise, para olharmos para dentro e descobrirmos que muito do que procuramos está bem perto.
Cantos da Montanha, Canto I - 5.
Fotografia: montagem tendo por base uma fotografia da zona industrial de Vila Flor.
Trata-se de um livro de poesia, bem mais saboroso e colorido do que alguns editados anteriormente. Neste livro, os versos não cantam unicamente Vila Flor, nele podemos encontrar poemas dedicados a Freixo de Espada à Cinta, Barca de Alva, Rio Sabor, etc. ou mesmo a algumas personalidades marcantes da região.
É um livro que merece ser lido. São viagens, de corpo e alma, que nos despregam da terra e nos elevam a outra dimensão do ser.A linguagem utilizada pelo autor, nem sempre fácil de acompanhar, é de uma beleza estonteante, neste livro, parece-me um pouco mais acessível. Por vezes é bom esquecermos a confusão do mundo que nos rodeia, a crise, para olharmos para dentro e descobrirmos que muito do que procuramos está bem perto.
Adivinho a manhã na água dos teus olhos.
Tão transparente, tão límpida
a luz rompendo entre os limoeiros.
O canto de uma cotovia eleva-a
para além da árvore.
Rumores de corolas a entreabrirem
num fugidio reflexo de fonte.
Vagos odores de alfazema
dilatados no voo inconsistente
de uma borboleta.
Tímida brisa a insistir
dar o teu nome às rosas.
Cantos da Montanha, Canto I - 5.
Fotografia: montagem tendo por base uma fotografia da zona industrial de Vila Flor.
25 setembro 2010
Peregrinações - Senhora da Assunção (Candoso)
A terceira caminha das “Peregrinações” aconteceu no dia 19 de Setembro. O destino era um santuário aqui bem próximo, mas, dada a falta de comparência dos meus acompanhantes da semana anterior decidi, no último instante, fazer uma caminhada um pouco mais ambiciosa, ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Candoso.
Saí de Vila Flor um pouco mais tarde do que o desejado, porque estive algum tempo indeciso se teria companhia ou não. Mesmo assim, fui caminhando lentamente em direcção ao Barracão, ao longo da estrada nacional 215. Quando me convenci que seguiria mesmo sozinho, junto da Quinta da Nora, segui por um caminho (que nunca tinha percorrido), que me levou a Samões. É diferente chegar às localidades aos Domingos ainda cedo. Parecem aldeias fantasma, onde não habita ninguém. Em Samões aconteceu isso mesmo.
Desci ao fundo da aldeia junto da capela Nossa Senhora do Rosário. Por baixo da fonte sai o caminho que pretendia tomar. O trajecto que pretendia seguir não é nem de longe o mais fácil, nem o mais rápido, é sim aquele que percorre os caminhos mais remotos, praticamente só utilizados por pastores e caçadores. São caminhos que bem conheço de caminhadas anteriores ou passeios de BTT.
Depois das primeiras chuvas de Setembro, é mais fácil circular pelos caminhos. Há menos pó e a vegetação rasteira, ainda que toda seca, apresenta mais hipóteses fotográficas e formam bonitas imagens em contraluz. No caminho que sai de Samões em direcção ao ribeiro do Vimieiro, no lugar das Olgas, destaca-se na vegetação os espinheiros e o sumagre, isto para além das amendoeiras, vinha, oliveiras e figueiras, que são abundantes.
A luz da manhã é inspiradora e percorrer estes caminhos sem qualquer preocupação é uma terapia que muitos deviam praticar. O sol brilhante que passa através das folhas dos sobreiros, freixos e salgueiros cria efeitos alucinantes.
O caminho que escolhi percorre a encosta em direcção a Sul e levou-me muito próximo das habitações de Carvalho de Egas. Depois, foi só subir o Barreiro e, logo depois, avistam-se ao longe as casas de Candoso, com a capela sobranceira, velando pelos humanos. Passava já das onze horas, quando cheguei junto da velha capela que já retratei em visitas anteriores.
Em Candoso, num horário mais adiantado, encontrei várias pessoas, algumas minhas conhecidas, com quem conversei. O pai de uma ex-aluna minha mostrou-me a sua criação e canários, aves que também adoro. Ficámos ainda bastante tempo a conversar sobre canários, verdelhões, pintassilgos, etc. As aves são uma das minhas paixões, que acho que nasceu comigo. Nunca consegui controlar o ímpeto de procurar ninhos, nem me consigo abstrair do canto das aves e da tentativa de interpretar os seus significados.
Era meio dia quando cheguei ao alto do cabeço, junto da capela. A pessoa que me devia ter facultado a chave, não o fez. Disse que não a tinha. Compreendo que não tenha querido dar a chave da capela a uma pessoa que ela não conhece de lado nenhum, e a ainda para piorar as coisas com mau aspecto. Imagina qual será o pensamento de algumas pessoas quando me vêem passar, de mochila às costas, todo transpirado e de olhar curioso a bisbilhotar em todos os becos, fontes e capelas. Independentemente daquilo que as pessoas pensam, a sensação é boa. É como já disse uma terapia fantástica. Não se dá pela passagem do tempo e não se sente fome. As coisas aparentemente banais como as rochas, as árvores, as casas ou os caminhos, ganham contornos, formas reflectem a luz e observo-os como versos de um poema, que escrevo enquanto caminho.
Depois de chegar ao meu objectivo, havia que regressar a casa. Uma das vantagens de caminhar sozinho é a possibilidade de tomar egoisticamente todas as decisões. Decidi voltar a casa, a pé, por outro caminho ainda mais longo do que o seguido para chegar a Candoso.
Apesar do caminho de regresso ser mais longo, foi feito muito mais rapidamente. Já não havia a luz da manhã para fotografar e as pilhas da máquina estavam quase no fim. Ao longo do caminho que fui pensando no jovem de Candoso que dias antes ali tinha perdido a vida. Foi neste caminho que há alguns anos fotografei o mais bonito pôr-do-sol das minhas viagens pelos caminhos do concelho. Quando se morre é a luz que se vai aos poucos, mas, assim, tão jovem, é uma coisa que nos custa a aceitar e damos connosco a questionar o próprio Deus. Talvez isto só aconteça porque nos convencemos que somos eternos, que temos todo o tempo do mundo para sermos felizes e não nos damos conta que não somos diferentes das árvores, das flores e dos diferentes animais. Um dia vem um clarão, uma dor intensa, uma célula maligna, e ... apagamo-nos. Valeu a pena?
Enquanto estes pensamentos me assaltavam, como por acaso, a respostas vinham-me pelos auscultadores na voz de Chris de Burgh:
Depois de cruzar de novo o ribeiro do Vimieiro, ainda seco, comecei a subida para Samões, atingindo a estrada pelo Carvalhal, entre Samões e Carvalho de Egas. Não foi fácil atravessar as obras do IC5 e fiz alguns quilómetros desnecessários. O restante do caminho não tem história. A preocupação era chegar o mais rapidamente a casa, porque a hora de almoço já ia longe.
Percurso feito:
Saí de Vila Flor um pouco mais tarde do que o desejado, porque estive algum tempo indeciso se teria companhia ou não. Mesmo assim, fui caminhando lentamente em direcção ao Barracão, ao longo da estrada nacional 215. Quando me convenci que seguiria mesmo sozinho, junto da Quinta da Nora, segui por um caminho (que nunca tinha percorrido), que me levou a Samões. É diferente chegar às localidades aos Domingos ainda cedo. Parecem aldeias fantasma, onde não habita ninguém. Em Samões aconteceu isso mesmo.
Desci ao fundo da aldeia junto da capela Nossa Senhora do Rosário. Por baixo da fonte sai o caminho que pretendia tomar. O trajecto que pretendia seguir não é nem de longe o mais fácil, nem o mais rápido, é sim aquele que percorre os caminhos mais remotos, praticamente só utilizados por pastores e caçadores. São caminhos que bem conheço de caminhadas anteriores ou passeios de BTT.
Depois das primeiras chuvas de Setembro, é mais fácil circular pelos caminhos. Há menos pó e a vegetação rasteira, ainda que toda seca, apresenta mais hipóteses fotográficas e formam bonitas imagens em contraluz. No caminho que sai de Samões em direcção ao ribeiro do Vimieiro, no lugar das Olgas, destaca-se na vegetação os espinheiros e o sumagre, isto para além das amendoeiras, vinha, oliveiras e figueiras, que são abundantes.
A luz da manhã é inspiradora e percorrer estes caminhos sem qualquer preocupação é uma terapia que muitos deviam praticar. O sol brilhante que passa através das folhas dos sobreiros, freixos e salgueiros cria efeitos alucinantes.
O caminho que escolhi percorre a encosta em direcção a Sul e levou-me muito próximo das habitações de Carvalho de Egas. Depois, foi só subir o Barreiro e, logo depois, avistam-se ao longe as casas de Candoso, com a capela sobranceira, velando pelos humanos. Passava já das onze horas, quando cheguei junto da velha capela que já retratei em visitas anteriores.
Em Candoso, num horário mais adiantado, encontrei várias pessoas, algumas minhas conhecidas, com quem conversei. O pai de uma ex-aluna minha mostrou-me a sua criação e canários, aves que também adoro. Ficámos ainda bastante tempo a conversar sobre canários, verdelhões, pintassilgos, etc. As aves são uma das minhas paixões, que acho que nasceu comigo. Nunca consegui controlar o ímpeto de procurar ninhos, nem me consigo abstrair do canto das aves e da tentativa de interpretar os seus significados.
Era meio dia quando cheguei ao alto do cabeço, junto da capela. A pessoa que me devia ter facultado a chave, não o fez. Disse que não a tinha. Compreendo que não tenha querido dar a chave da capela a uma pessoa que ela não conhece de lado nenhum, e a ainda para piorar as coisas com mau aspecto. Imagina qual será o pensamento de algumas pessoas quando me vêem passar, de mochila às costas, todo transpirado e de olhar curioso a bisbilhotar em todos os becos, fontes e capelas. Independentemente daquilo que as pessoas pensam, a sensação é boa. É como já disse uma terapia fantástica. Não se dá pela passagem do tempo e não se sente fome. As coisas aparentemente banais como as rochas, as árvores, as casas ou os caminhos, ganham contornos, formas reflectem a luz e observo-os como versos de um poema, que escrevo enquanto caminho.
Depois de chegar ao meu objectivo, havia que regressar a casa. Uma das vantagens de caminhar sozinho é a possibilidade de tomar egoisticamente todas as decisões. Decidi voltar a casa, a pé, por outro caminho ainda mais longo do que o seguido para chegar a Candoso.
Apesar do caminho de regresso ser mais longo, foi feito muito mais rapidamente. Já não havia a luz da manhã para fotografar e as pilhas da máquina estavam quase no fim. Ao longo do caminho que fui pensando no jovem de Candoso que dias antes ali tinha perdido a vida. Foi neste caminho que há alguns anos fotografei o mais bonito pôr-do-sol das minhas viagens pelos caminhos do concelho. Quando se morre é a luz que se vai aos poucos, mas, assim, tão jovem, é uma coisa que nos custa a aceitar e damos connosco a questionar o próprio Deus. Talvez isto só aconteça porque nos convencemos que somos eternos, que temos todo o tempo do mundo para sermos felizes e não nos damos conta que não somos diferentes das árvores, das flores e dos diferentes animais. Um dia vem um clarão, uma dor intensa, uma célula maligna, e ... apagamo-nos. Valeu a pena?
Enquanto estes pensamentos me assaltavam, como por acaso, a respostas vinham-me pelos auscultadores na voz de Chris de Burgh:
There is an answer, some day we will know,Desde uma caminhada que fiz em Fevereiro, em Vilas Boas, que levo comigo um leitor de MP3. Nem sempre o ligo, mas a música seleccionada combina sempre com os ambientes que percorro.
And you will ask her, why she had to go,
We live and die, we laugh and we cry,
And you must take away the pain,
Before you can begin to live again.
Depois de cruzar de novo o ribeiro do Vimieiro, ainda seco, comecei a subida para Samões, atingindo a estrada pelo Carvalhal, entre Samões e Carvalho de Egas. Não foi fácil atravessar as obras do IC5 e fiz alguns quilómetros desnecessários. O restante do caminho não tem história. A preocupação era chegar o mais rapidamente a casa, porque a hora de almoço já ia longe.
Percurso feito:
24 setembro 2010
Única imagem
No dia 18 de Setembro, integrada na homenagem ao Dr. Cabal Adão, foi descerrada uma placa no escadório do Cabeço de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas. Essa placa contém um soneto de sua autoria, publicado em livro em 1966, "Vila Flor" (Versos).
Eis o poema:
Já me tinha questionado qual seria o poema escolhido e, confesso, que não contava que fosse este. Mas faz todo o sentido. É um belo poema a Nossa Senhora, bem ilustrativo da religiosidade do seu autor.
Eis o poema:
Imagem, das formosas, mais formosa:
Senhora d'Assunção, no pico agreste,
Vestido cor de pétalas de rosa,
Manto volátil de cetim celeste!
Única imagem, esta que assim veste
E numa nuvem se ergue, vaporosa,
Braços ao alto, olhos como em teste
De em si conter centelha milagrosa!
Transfigurada estátua que eu venero
Desde menino, e a que tanto quero
Por me rasgar de luz a densa treva:
Em ser's da Virgem Mãe cópia fiel,
Volve pra mim teus olhos d'ouro e mel,
Dá-me um lugar na nuvem que te leva!
Já me tinha questionado qual seria o poema escolhido e, confesso, que não contava que fosse este. Mas faz todo o sentido. É um belo poema a Nossa Senhora, bem ilustrativo da religiosidade do seu autor.
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